{"id":59889,"date":"2021-01-31T00:08:51","date_gmt":"2021-01-31T03:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59889"},"modified":"2021-03-28T16:02:30","modified_gmt":"2021-03-28T19:02:30","slug":"entrevista-enock-carvalho-e-matheus-farias-falam-sobre-inabitavel-curta-selecionado-para-sundance","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/31\/entrevista-enock-carvalho-e-matheus-farias-falam-sobre-inabitavel-curta-selecionado-para-sundance\/","title":{"rendered":"Entrevista: os diretores Enock Carvalho e Matheus Farias falam sobre \u201cInabit\u00e1vel\u201d, curta selecionado para Sundance"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cInabit\u00e1vel\u201d, curta dirigido por Enock Carvalho e Matheus Farias, e <a href=\"https:\/\/fpg.festival.sundance.org\/film-info\/5fd1746304818bcfd06493f2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">selecionado para a edi\u00e7\u00e3o 2021 do Sundance Festival<\/a> tem em sua urg\u00eancia uma an\u00e1lise de um Brasil de acordo com o t\u00edtulo da obra. Trata-se de um filme com uma mensagem direta sobre esse pa\u00eds que se tornou inabit\u00e1vel para muitas pessoas. Um Brasil no qual, abertamente, um ent\u00e3o candidato a chefe do Executivo fala que &#8220;as minorias t\u00eam que se curvar \u00e0s maiorias. Ou as minorias se ad\u00e9quam ou simplesmente desapare\u00e7am&#8221;. E consegue se eleger com esse discurso. \u201cInabit\u00e1vel\u201d \u00e9 uma obra que nos mostra essa fuga urgente de um pa\u00eds que parece ter perdido sua humanidade. No filme, Marilene, m\u00e3e vivida por Luciana Souza, busca por sua filha Roberta, mulher trans desaparecida. Nos caminhos percorridos por Marilene diante daquele desespero interno, a ang\u00fastia se torna evidente. Ang\u00fastia por conhecer o mundo que a cerca. Desespero por j\u00e1 estar calejada de uma sociedade mesquinha que parece ter se tornado doente. &#8220;\u00c9 uma sociedade adoecida por n\u00e3o conseguir ver o pr\u00f3ximo, n\u00e3o conseguir olhar para o lado. N\u00e3o conseguir ter empatia e compaix\u00e3o e, de fato, eu acho que \u00e9 uma falha social. Isso \u00e9 uma falha do ser coletivo, mas que n\u00e3o aprendeu a ser coletivo. Eu acho que quando as pessoas elegem pol\u00edticos que s\u00e3o nocivos, que s\u00e3o amea\u00e7as, elas n\u00e3o t\u00eam, de fato, essa no\u00e7\u00e3o. Algumas t\u00eam, mas a maioria delas n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o do que eles podem ser capazes. E eles podem matar permitindo que pessoas morram. Eles podem matar deixando uma parcela da sociedade descoberta de leis que protejam seus territ\u00f3rios, que protejam seus direitos. E isso \u00e9 matar. E voc\u00ea est\u00e1 colocando essas pessoas no poder. Voc\u00ea est\u00e1 votando por elas. Voc\u00ea est\u00e1 elegendo e endossando discursos. E o discurso de direita est\u00e1 muito atrelado ao racismo, ao fascismo, \u00e0 homofobia&#8221;, alerta Enock Carvalho em nossa conversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu filme, os diretores e roteiristas levam sua audi\u00eancia a refletir em como um Estado mesquinho pode ser nocivo diante de sua indiferen\u00e7a. No desaparecimento de Roberta, e na busca de Marilene por sua filha, h\u00e1 s\u00edmbolos de uma perda que representa um pa\u00eds perdido em uma desesperan\u00e7a. Em determinada cena, l\u00e1 est\u00e3o Marilene, Juliana, amiga de sua menina, e Gilka, a vizinha, a colar cartazes com a foto da filha desaparecida. Nas paredes, de forma sutil, outros cartazes aparecem. O padr\u00e3o desses desaparecimentos surge evidente, por\u00e9m. No pa\u00eds de um Estado omisso, que governa para poucos, e que prega o desaparecimento de suas minorias, tais cartazes se multiplicam. E em nosso atual presente, ca\u00f3tico e pand\u00eamico, confirma esse comportamento assassino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;\u00c9 um sistema pautado na mentira, no caos. Quantas vidas perdidas nessa pandemia \u00e9 fruto de uma irresponsabilidade de algu\u00e9m que poderia, simplesmente, fazer diferente? Que teria todo poder nas m\u00e3os para fazer diferente. E quando pensamos nesses desaparecidos do filme, tentamos criar um padr\u00e3o desses desaparecimentos. Claro que a Roberta \u00e9 o s\u00edmbolo disso tudo, mas o filme trata de um contexto que envolve outros desaparecimentos. Essa foi uma ideia que foi se formando ao longo da finaliza\u00e7\u00e3o do filme. Porque tamb\u00e9m come\u00e7amos a pensar em quem s\u00e3o esses desaparecidos, sabe? E \u00e9 inevit\u00e1vel n\u00e3o pensar em cada uma dessas mortes provocadas pela pandemia como, tamb\u00e9m, pessoas que sofrem de uma viol\u00eancia do Estado. De um descaso dos pol\u00edticos e de um descaso do Estado. Um Estado que parece que n\u00e3o se preocupa em manter as pessoas vivas. Roberta \u00e9 uma delas. A Marielle, a Matheusa, a Dandara, e tantas outras vidas que est\u00e3o sendo perdidas todos os dias. E as pessoas parecem que est\u00e3o nesse estado de letargia absoluta. A gente aqui est\u00e1 cansado, sabe? Est\u00e1 todo mundo cansado&#8221;, desabafa Matheus Farias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista ao Scream &amp; Yell, Enock e Matheus aprofundam seus processos de cria\u00e7\u00e3o e abordam a mensagem direta que \u201cInabit\u00e1vel\u201d traz para esse Brasil de desesperan\u00e7a. Mas que pode ainda possuir alguma. Confira!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/31\/entrevista-luciana-souza-fala-sobre-inabitavel-curta-selecionado-para-sundance\/\"><strong>Entrevista: a atriz Luciana Souza fala sobre \u201cInabit\u00e1vel\u201d<\/strong><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Inabit\u00e1vel (Inabit\u00e1vel)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4jQr-4k9Hx0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A personagem da Marilene tem na constru\u00e7\u00e3o de Luciana Souza uma postura s\u00e9ria diante do desaparecimento de sua filha Roberta. Ela sabe o que est\u00e1 acontecendo. Ela imagina o que de ruim pode ter acontecido, mas, ao mesmo tempo, sua express\u00e3o diante daquela busca n\u00e3o denota suas emo\u00e7\u00f5es de forma aberta, direta. Em um Brasil no qual o assassinato das vidas negras, o assassinato das vidas LGBTQIA+, se tornou algo minimizado por um governo genocida, como se deu a constru\u00e7\u00e3o do roteiro de \u201cInabit\u00e1vel\u201d, bem como da personagem de Marilene na dire\u00e7\u00e3o de voc\u00eas junto a protagonista Luciana Souza?<\/strong><br \/>\nEnock Carvalho &#8211; Desde 2017 para 2018, foi quando a gente come\u00e7ou a desenvolver o roteiro do \u201cInabit\u00e1vel\u201d. Era muito latente a nossa vontade de falar do estado do Brasil. o estado em que o pa\u00eds se encontra. Porque a gente estava, de certa forma, muito mexido com tudo que vinha acontecendo politicamente e socialmente. Com tanta viol\u00eancia, tanto discurso de \u00f3dio crescendo na sociedade. E a gente queria muito trazer esse estado de pa\u00eds para dentro do filme. E que isso fosse como um apresentar de um universo de medo e de desesperan\u00e7a. A hist\u00f3ria de Marilene buscando pela filha surgiu para n\u00f3s quando quisemos falar sobre o medo disso dentro de uma fam\u00edlia. Uma fam\u00edlia que j\u00e1 vem sofrendo h\u00e1 um tempo pelas circunst\u00e2ncias de racismo, de machismo, de homofobia. E de repente aquela fam\u00edlia \u00e9 tomada por essa viol\u00eancia. E eu acho que quando conversamos com a Luciana, trouxemos muito essa quest\u00e3o para ela. Para que isso ficasse traduzido na atua\u00e7\u00e3o dela. Que aquela m\u00e3e \u00e9 uma m\u00e3e que, de fato, n\u00e3o cede ao desespero e ao choro, porque ela j\u00e1 temia muito aquilo. \u00c9 algo que estava no roteiro e que a Luciana soube trazer para as imagens, para as cenas do filme, de uma forma muito fiel. Tamb\u00e9m foi um trabalho de pensar em como que ela n\u00e3o cederia a esse medo, a esse choro, a esse desespero. E, ao mesmo tempo, ela se manteria de certa forma com esperan\u00e7a de que a filha pudesse reaparecer. Isso foi sendo trabalhado nela. Eu acho que o filme faz muitas curvas. Ele vai por caminhos que voc\u00ea acha que o filme vai acabar ali, mas tem sempre uma coisa a mais. E a\u00ed eu acho que foi a nossa maneira de construir novas realidades poss\u00edveis para essas personagens. A intui\u00e7\u00e3o de quem espera, talvez, certa coisa de um personagem, porque j\u00e1 viu muito aquilo acontecer estampado nos jornais, estampado nas manchetes. E n\u00f3s usamos o roteiro do filme para poder criar novas possibilidades e novos caminhos para essas personagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matheus Farias &#8211; O Brasil, hoje, e eu acho que isso s\u00f3 foi regra na \u00e9poca da ditadura militar, mas me parece que o Brasil, hoje, sofre com uma viol\u00eancia institucionalizada. O Estado \u00e9 violento por natureza. E quando a viol\u00eancia \u00e9 institucionalizada, o medo tamb\u00e9m \u00e9. E \u00e9 isso que eu acho que a grande maioria dos brasileiros tem sentido nos \u00faltimos anos. E isso em diferentes formas. Temos falado muito em linha de frente. As pessoas est\u00e3o trabalhando nessa linha de frente do combate a pandemia, mas a gente, \u00e0s vezes, esquece quem est\u00e1 na linha de frente da sociedade. Quem \u00e9 que sofre as maiores viol\u00eancias, as viol\u00eancias mais terr\u00edveis, e que, \u00e0s vezes, mora a poucos quarteir\u00f5es da gente. Pessoas que conhecemos, ou parentes nossos, que sofrem na pele essa viol\u00eancia institucionalizada, Ent\u00e3o, tentamos dar conta desse estado de medo que o Brasil sofre. Mas de uma maneira muito particular. A partir do ponto de vista de uma maneira genuinamente brasileira, composta por uma m\u00e3e solteira e uma filha, moradoras de periferia, negras, e que t\u00eam o apoio das vizinhas, de amigos, para tentar superar esses desafios. E eu acho que quanto \u00e0 Luciana, tanto no processo da escrita do roteiro, quanto da prepara\u00e7\u00e3o e, claro, na representa\u00e7\u00e3o da personagem no filme, eu acho que a gente se inspirou muito nas nossas m\u00e3es. Eu e Enock somos LGBT. N\u00f3s passamos pelo processo de sair do arm\u00e1rio. E esse processo de sair do arm\u00e1rio, ele cria nas m\u00e3es, nos nossos pais, automaticamente, o medo. O medo pelo qual n\u00f3s, agora, assumidos para o mundo, com a cara para todo mundo ver, podemos ter a imin\u00eancia de sofrer. Claro que n\u00e3o s\u00e3o as mesmas amea\u00e7as que uma mulher trans negra, mas vivemos todos nessa imin\u00eancia de que algo pode estar acontecendo ou acontecer a qualquer momento. Ent\u00e3o, eu acho que a Luciana traz muito disso. Da nossa experi\u00eancia com a nossa fam\u00edlia, com os nossos medos, e com os medos delas, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enock &#8211; Tem uma fala muito curiosa no filme, Jo\u00e3o, que diz bastante sobre isso. \u00c9 quando a amiga da Roberta se despede da Marilene \u00e0 noite, e ela diz: &#8220;Ligue quando estiver em casa&#8221;. Voc\u00ea para pra pensar que isso \u00e9 uma realidade muito brasileira. Voc\u00ea ter que avisar para algu\u00e9m que voc\u00ea chegou em casa com vida. E voc\u00ea ter que avisar: &#8220;cheguei em casa&#8221; para que a outra pessoa fique tranquila. Isso \u00e9 algo que a gente naturalizou, porque crescemos vivendo dessa maneira. Acho que quando colocamos isso no filme, vemos o quanto absurdo \u00e9 a ideia de voc\u00ea precisar se comunicar com algu\u00e9m para avisar que voc\u00ea chegou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matheus: Precisar dar sinal de vida. O tempo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A dire\u00e7\u00e3o \u00e9 bem sutil. O filme \u00e9 bem sutil, tamb\u00e9m, na constru\u00e7\u00e3o dos olhares, no eixo desses olhares. Temos uma protagonista forte, que utiliza muito do olhar para transmitir o que sente. E algumas situa\u00e7\u00f5es do filme ilustram bem essa quest\u00e3o dos olhares. A Marilene tem uma filha trans. Ela sabe dos riscos que o mundo traz para sua filha. No IML, tem uma cena que a atendente olha para a miga de Roberta. E a cena \u00e9 s\u00f3 um olhar. Mas est\u00e1 tudo ali. O filme abre com Marilene olhando para uma crian\u00e7a no trem e vendo nela sua pr\u00f3pria crian\u00e7a. Como foi na escrita do roteiro essa op\u00e7\u00e3o por trabalhar mais com olhares e menos com palavras?<\/strong><br \/>\nMatheus &#8211; S\u00e3o quest\u00f5es mais propriamente do texto do filme, de como as coisas s\u00e3o faladas, do quanto \u00e9 dito, ou o quanto n\u00e3o \u00e9 dito. Eu acho que o \u201cInabit\u00e1vel\u201d \u00e9 um filme muito tamb\u00e9m do que n\u00e3o \u00e9 dito. E a\u00ed a troca de olhares ela entra para suprir a falta da palavra. Porque, \u00e0s vezes, n\u00e3o precisamos dizer nada, mesmo. A viol\u00eancia, o medo, a tens\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o constru\u00eddas. E a\u00ed n\u00e3o precisa. Como na vida, \u00e0s vezes a gente n\u00e3o precisa mesmo falar muita coisa. A circunst\u00e2ncia j\u00e1 est\u00e1 dada. Mas, enquanto roteiro, eu acho que muito disso vem do fato de que esse filme estava sendo desenvolvido, pensado, problematizado, colocado no papel, retirado do papel, falado em voz alta, desde 2017. Mas muito disso tamb\u00e9m veio do processo de constru\u00e7\u00e3o com as atrizes. E elas tiveram papel fundamental nessa modula\u00e7\u00e3o. E, de fato, eu acho que o grande ganho desse processo todo de voc\u00ea pensar muito sobre filme, \u00e9 de voc\u00ea, talvez, entrar em um processo contr\u00e1rio do que eu, pessoalmente, acho que vem se tornando uma tend\u00eancia. Eu, pessoalmente, acho que tem sido uma grande tend\u00eancia de filmes feitos no Brasil, atualmente, em que quase tudo est\u00e1 sendo dito no texto. Isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente um problema, mas eu gosto mais quando vemos isso na imagem. Para mim, \u00e9 muito mais forte e eficaz quando a gente se identifica atrav\u00e9s do olhar e do que estamos vendo, sabe? Porque \u00e9 mais ou menos como interagimos com a nossa realidade. Quando estamos em alguma circunst\u00e2ncia. e eu olho para Enock, ele j\u00e1 entende o que eu estou querendo dizer sem eu precisar falar uma palavra. Quando estamos construindo isso ao longo do filme, e as pessoas est\u00e3o imersas nisso, eu acho que elas tamb\u00e9m entendem, sabe? E, para mim, isso basta. A for\u00e7a, para mim, do texto, est\u00e1 a\u00ed. Est\u00e1 no sil\u00eancio, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enock &#8211; De certa forma, o filme come\u00e7a e termina com dois olhares para o futuro. Quando Marilene est\u00e1 ali naquele trem e a gente est\u00e1 ouvindo aquela declara\u00e7\u00e3o de fim de mundo, de apocalipse, muito pr\u00f3ximo de uma ideia crist\u00e3 de arrebatamento, de fim de mundo. E ela v\u00ea aquela crian\u00e7a como a pr\u00f3pria filha. Como um futuro a trilhar no pa\u00eds em que ela est\u00e1 vivendo e na circunst\u00e2ncia que ela est\u00e1 passando nesse momento. Al\u00e9m disso, de certa forma, o \u00faltimo plano do filme \u00e9, tamb\u00e9m, um olhar para o futuro. Porque, apesar da realidade absurda que vivemos hoje, e que a Marilene est\u00e1 colocada nesse momento, ela j\u00e1 come\u00e7a o filme no contexto da filha desaparecida e procurando por ela. E com essa preocupa\u00e7\u00e3o, a \u00faltima imagem que a gente v\u00ea do filme, \u00e9, tamb\u00e9m, um vislumbre do futuro. Se n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel viver aqui, que seja em outro lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;A gente est\u00e1 atrasada&#8221;. A frase proferida no \u00fanico momento em Marilene ensaia um sorriso de esperan\u00e7a durante todo o filme tamb\u00e9m traz uma solu\u00e7\u00e3o para aquilo. A solu\u00e7\u00e3o de escapar. A solu\u00e7\u00e3o de ir embora. E o filme flerta com a ideia da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao abordar essa fuga. Qual a solu\u00e7\u00e3o? Ir embora? Mas ir embora para onde? Ou ficar e se tornar calejada, machucada? \u00c9 uma reflex\u00e3o dura e dolorosa de se ter com aquele final.<\/strong><br \/>\nEnock &#8211; Foi um momento muito bom de se construir com a Luciana. E pensar em o que est\u00e1 por tr\u00e1s de toda aquela interpreta\u00e7\u00e3o, de imaginar que esse \u00e9 um filme que pensa em outras possibilidades de vida. Eu acho que tem algo no filme que \u00e9 uma energia que se move desde o come\u00e7o at\u00e9 o final. Que vai aumentando e crescendo \u00e0 medida que a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica vai se misturando com a hist\u00f3ria e sendo trabalhada. Eu acho que isso, de certa forma, j\u00e1 come\u00e7a a trazer um pren\u00fancio de que a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 quem vai, talvez, dar um novo caminho para aquela tristeza. Eu acho que a gente construir com Luciana&#8230; (pausa) claro, estava no roteiro, mas eu acho que Luciana conseguiu acolher muito bem essa ideia. E, de fato, tudo o que se v\u00ea no filme \u00e9 resultado disso. Dessa sinergia entre ela, n\u00f3s, o resto do elenco, o roteiro. E pensando em Brasil, n\u00e9? Eu acho que desde o come\u00e7o todas as atrizes do filme estavam muito sintonizadas com sobre o que era esse filme. E isso era muito importante. Esse filme, quando a gente sentou para ler o roteiro pela primeira vez, todas estavam em perfeita sintonia. E eu acho que isso foi fundamental. A gente estava construindo o filme e ele \u00e9 um discurso. E esse discurso ele foi constru\u00eddo a muitas m\u00e3os, apesar de n\u00f3s dois termos escrito esse roteiro. \u00c9 pensar a realidade do Brasil e do mundo, porque as vidas trans e as vidas negras est\u00e3o amea\u00e7adas em, talvez, todas as partes do mundo. \u00d3bvio que cada pa\u00eds tem o seu \u00edndice de viol\u00eancia pr\u00f3prio. Alguns mais do que outros, mas eu acho que existe, tamb\u00e9m, um esgotamento por parte das mulheres, por parte das pessoas negras, por parte das pessoas trans e LGBTQIA+, existe um esgotamento das pessoas ind\u00edgenas. Um esgotamento de lutas. As pessoas est\u00e3o um pouco cansadas e elas&#8230; (pausa) H\u00e1 quanto tempo elas v\u00eam lutando? E quanto tempo mais elas v\u00e3o precisar lutar simplesmente para poder viver? Eu acho que isso est\u00e1 no roteiro, eu acho que isso est\u00e1 l\u00e1 no filme, porque isso foi muito bem trabalhado por todo o elenco e eu acho que&#8230; enfim, acho que terminei respondendo e falando at\u00e9 um pouco mais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_59892\" aria-describedby=\"caption-attachment-59892\" style=\"width: 2560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-59892 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Luciana-Souza-e-Matheus-Farias-Creditos_-Enock-Carvalho-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"2560\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Luciana-Souza-e-Matheus-Farias-Creditos_-Enock-Carvalho-scaled.jpg 2560w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Luciana-Souza-e-Matheus-Farias-Creditos_-Enock-Carvalho-300x225.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Luciana-Souza-e-Matheus-Farias-Creditos_-Enock-Carvalho-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/Luciana-Souza-e-Matheus-Farias-Creditos_-Enock-Carvalho-2048x1536.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 2560px) 100vw, 2560px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59892\" class=\"wp-caption-text\"><em>Luciana Souza e Matheus Farias (Foto de Enock Carvalho)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme traz uma reflex\u00e3o muito urgente sobre o Brasil atual, sobre o exterm\u00ednio das vidas negras, sobre o exterm\u00ednio das vidas LGBTQIA+, sobre o exterm\u00ednio das vidas ind\u00edgenas. Sobre as minorias serem chacinadas por um atual projeto de pol\u00edtica que abertamente fala que &#8220;as minorias t\u00eam que se adaptar ou desaparecer.&#8221; Em um pa\u00eds no qual a mentira se tornou um padr\u00e3o evidente, e que a normalidade se tornou um modo de enxergar esse padr\u00e3o, refletir em meu pr\u00f3prio confinamento sobre tudo isso, ler not\u00edcias sobre isso, enfim, acabou se tornando algo que, no meu caso, tem me causando muita ang\u00fastia e tristeza. A pandemia surgiu como um \u00faltimo golpe nessa nossa realidade de Brasil. E \u00e9 percept\u00edvel que \u201cInabit\u00e1vel\u201d tem essa urg\u00eancia de abordar isso em sua narrativa.<\/strong><br \/>\nEnock &#8211; Vou tentar responder sobre isso. Talvez eu me emocione. Eu acho que as pessoas est\u00e3o descobrindo agora que pol\u00edticos matam sem necessariamente tocar em uma arma. Eu acho que a pandemia abriu os olhos para algumas pessoas que n\u00e3o sabiam dessa possibilidade, por mais que, desde a \u00e9poca da ditadura no Brasil, tivessem pessoas avisando sobre isso. Tem uma cena do filme em que elas tr\u00eas est\u00e3o descendo pelas escadarias, quando elas est\u00e3o colando cartazes e procurando pela Roberta, e a\u00ed do lado esquerdo da escadaria tem um cartaz da Marielle, <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/estudante-matheusa-foi-julgada-antes-de-ser-morta-por-traficantes-diz-delegada.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tem um cartaz da Matheusa<\/a>. \u00d3bvio que isso est\u00e1 muito sutil, mas s\u00e3o cartazes de pessoas que tamb\u00e9m desapareceram como a Roberta. Eu acho que \u00e9 muito sintom\u00e1tico que a gente veja a hist\u00f3ria no Brasil se repetir v\u00e1rias vezes. Porque parece que faz parte de uma sociedade adoecida por n\u00e3o conseguir ver o pr\u00f3ximo, n\u00e3o conseguir olhar para o lado. N\u00e3o conseguir ter empatia e compaix\u00e3o e, de fato, eu acho que \u00e9 uma falha social. Isso \u00e9 uma falha do ser coletivo, mas que n\u00e3o aprendeu a ser coletivo. Eu acho que quando as pessoas elegem pol\u00edticos que s\u00e3o nocivos, que s\u00e3o amea\u00e7as, elas n\u00e3o t\u00eam, de fato, essa no\u00e7\u00e3o. Algumas t\u00eam, mas a maioria delas n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o do que eles podem ser capazes. E eles podem matar permitindo que pessoas morram. Eles podem matar deixando uma parcela da sociedade descoberta de leis que protejam seus territ\u00f3rios, que protejam seus direitos. E isso \u00e9 matar. E voc\u00ea est\u00e1 colocando essas pessoas no poder. Voc\u00ea est\u00e1 votando por elas. Voc\u00ea est\u00e1 elegendo e endossando discursos. E o discurso de direita est\u00e1 muito atrelado ao racismo, ao fascismo, \u00e0 homofobia. E \u00e9 muito absurdo, mais uma vez eu repito isso, \u00e9 muito absurdo voc\u00ea pensar que para voc\u00ea ser de direita, voc\u00ea precisa abrir m\u00e3o dos direitos humanos, voc\u00ea precisa abrir m\u00e3o que pessoas negras tenham seus direitos resguardados. Pessoas LGBTQIA+ tenham seus direitos resguardados. Eu acho que isso \u00e9 o fundo do po\u00e7o para essas pessoas. E isso termina afetando a sociedade como um todo. Quando fizemos o \u201cInabit\u00e1vel\u201d, a gente estava muito movido por essa ideia de que aquele era um filme muito urgente. Que era um filme pol\u00edtico est\u00e1vamos fazendo. Mas eu acho que existia uma energia ali na equipe, no elenco, que era uma energia de amor, era uma energia de&#8230; estava todo mundo junto. Pessoas fazendo o filme porque sabiam que ele precisava ser feito. Contamos com uma equipe de quarenta pessoas. E v\u00edamos que as pessoas estavam em sintonia. N\u00f3s v\u00edamos que estavam todos ali porque precisavam fazer esse filme conosco. E eu acredito bastante que as pessoas podem se unir. Elas devem se unir. Eu acho que \u00e9 muito dif\u00edcil pensar no futuro. A gente n\u00e3o consegue ter uma ideia de futuro agora, porque estamos passando por um abismo no Brasil. \u00c9 dif\u00edcil imaginar o que vai acontecer daqui a alguns anos. Mas eu acho que fizemos esse filme muito movidos por pensar uma ideia de que as coisas ser\u00e3o melhores. De que elas podem ser melhores. Por mais que a gente se entriste\u00e7a muito nos dias. Por exemplo, o pai do Matheus morreu de COVID em junho, e na mesma semana estava o presidente na televis\u00e3o falando merdas, falando besteiras sobre a pandemia. A gente estava finalizando o filme na ocasi\u00e3o. Finalizamos, eu acho, duas ou tr\u00eas semanas depois, no m\u00e1ximo. E parecia que t\u00ednhamos chegado ali no lugar que nunca imaginamos que chegar\u00edamos. Mas, de certa forma, eu acho que as coisas est\u00e3o aos poucos indo para um caminho melhor. Eu acho que a gente est\u00e1 em um lugar muito ruim, mas eu acho que n\u00e3o vai durar tanto. Eu acredito. Essa \u00e9 o meu pensamento. Que n\u00e3o vai durar tanto. \u00c9 uma pena que tanta gente tenha perdido sua vida. Porque, talvez, enfim, se a gente n\u00e3o tivesse o presidente que temos, as coisas estivessem muito diferentes. E a gente tivesse perdido menos vidas, a exemplo de tantos outros pa\u00edses que souberam lidar com uma calamidade t\u00e3o grande quanto essa pandemia. Eu acho que o filme conversa muito com tudo isso. Ele est\u00e1 no centro disso. \u00d3bvio, a gente n\u00e3o podia imaginar que uma pandemia aconteceria, mas, de certa forma, o filme soa premonit\u00f3rio. Parece uma ideia premonit\u00f3ria, porque t\u00ednhamos uma ideia muito pessimista. Ainda temos. Estamos em um lugar muito ruim. Mas a minha torcida pessoal \u00e9 de que isso tudo passe. \u00c9 que isso tudo cesse. Eu acho que precisa haver uma movimenta\u00e7\u00e3o muito grande para isso acontecer. Precisa haver um movimento que consiga romper tudo isso que est\u00e1 acontecendo, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matheus &#8211; Eu tamb\u00e9m acho. Eu concordo com tudo que Enock falou. Assino embaixo, mesmo. E eu tamb\u00e9m acredito que, infelizmente, parece ser algo que aconteceu no mundo todo. \u00d3bvio que em n\u00edveis diferentes. Os efeitos que a pandemia foram piores aqui. O fascismo disfar\u00e7ado de discurso de direita tem causado esse efeito nas pessoas. E eu acho que ele, de certa maneira, est\u00e1 pulverizado no mundo inteiro. Os governos at\u00e9 ditos mais progressistas, mas \u00e9 impressionante como no Brasil se normalizou a viol\u00eancia. A morte das pessoas est\u00e1 normalizada. Como Enock falou, eu perdi meu pai em junho. E a responsabilidade pela morte do meu pai est\u00e1 na conta de um pensamento de governo de Estado que n\u00e3o se importa com quem trabalha. Com a for\u00e7a de trabalho. Meu pai foi impedido de parar de trabalhar. E em tantos outro pa\u00edses esse tipo de coisa foi, sabe, t\u00e3o facilmente resolvida. Infelizmente, meu pai se contaminou no ambiente de trabalho, passou 40 dias internado, e eu o perdi pela irresponsabilidade e pela agenda de morte de um Estado que descredibiliza qualquer tipo de verdade. \u00c9 um sistema pautado na mentira, \u00e9 um sistema pautado no caos. E quantas vidas perdidas nessa pandemia \u00e9 fruto de uma irresponsabilidade de algu\u00e9m que poderia, simplesmente, fazer diferente? Que teria todo poder nas m\u00e3os para fazer diferente. E quando pensamos nesses desaparecidos do filme, e a gente tenta criar um padr\u00e3o desses desaparecimentos. Claro que a Roberta \u00e9 o s\u00edmbolo disso tudo, mas, como Enock falou, o filme trata de um contexto que envolve outros desaparecimentos. \u00c9 como se outras pessoas, no Brasil, tamb\u00e9m estivessem sumindo. E essa foi uma ideia que foi se formando ao longo da finaliza\u00e7\u00e3o do filme. Porque a gente tamb\u00e9m come\u00e7ou a pensar em quem s\u00e3o esses desaparecidos, sabe? E \u00e9 inevit\u00e1vel n\u00e3o pensar em cada uma dessas mortes provocadas pela pandemia como, tamb\u00e9m, pessoas que sofrem de uma viol\u00eancia do Estado. De um descaso dos pol\u00edticos e de um descaso do Estado. Um Estado que parece que n\u00e3o se preocupa em manter as pessoas vivas. Roberta \u00e9 uma delas. A Marielle, a Matheusa, <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.uol.com.br\/noticias\/vitrine\/dandara-santos-o-brutal-assassinato-que-chocou-o-pais.phtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a Dandara<\/a>\u00a0e tantas outras vidas que est\u00e3o sendo perdidas todos os dias. E as pessoas parecem que est\u00e3o nesse estado de letargia absoluta. A gente aqui est\u00e1 cansado, sabe? Est\u00e1 todo mundo cansado. Est\u00e1 todo mundo parecendo que est\u00e1 em um estado de hipnose absoluta, sem saber como reagir. Porque o medo, infelizmente, \u00e9 maior do que a&#8230; (pausa) Parece que o medo \u00e9 maior que a vontade de reagir. E eu n\u00e3o sei at\u00e9 onde a gente vai chegar. Mas eu tamb\u00e9m tenho a esperan\u00e7a de que isso n\u00e3o v\u00e1 durar mais muito tempo. \u00c9 uma pena que ainda precisemos perder tanta gente, que tantas pessoas morram, percam suas vidas em favor de um futuro que n\u00e3o temos certeza se existe, sabe? \u00c9 muito complicado. Eu viro para Enock, \u00e0s vezes, assim: &#8220;Enock, voc\u00ea consegue pensar em um futuro?&#8221; Pela primeira vez em minha vida, eu n\u00e3o consigo me planejar para mais de quinze dias. Porque tudo pode mudar a qualquer momento. E viver assim \u00e9 viver sem esperan\u00e7a, sabe? E, de certa forma, eu acho que o Inabit\u00e1vel tamb\u00e9m tenta, apesar de termos uma vis\u00e3o muito pessimista em rela\u00e7\u00e3o a futuro, principalmente no Brasil, com tudo isso que est\u00e1 acontecendo, eu acho que com o filme, a gente tenta exercitar essa esperan\u00e7a de alguma forma. A nossa cren\u00e7a no fant\u00e1stico, a nossa cren\u00e7a no Cinema, na Arte, como uma possibilidade de escape, de fuga dessa realidade t\u00e3o absurda que insiste em nos fazer viver e n\u00e3o queremos viver desse jeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas oportunidades de poder falar sobre isso, de poder expressar-se sobre o que est\u00e1 acontecendo de modo a usar nossas vozes como alguma forma de reflex\u00e3o, \u00e9 algo que, ao menos, aquece o cora\u00e7\u00e3o. Extravasar o que nos angustia nesse momento ajuda.<\/strong><br \/>\nMatheus &#8211; A gente tamb\u00e9m sente a mesma coisa. N\u00f3s participamos de alguns debates com o filme, em festivais aqui no Brasil e no exterior, todos on line. E eu quase sempre terminava a participa\u00e7\u00e3o no debate dizendo assim: &#8220;Olha, \u00e9 muito importante que esse tipo de coisa aconte\u00e7a, assim como \u00e9 muito importante tenhamos a oportunidade de discutir com a imprensa, com voc\u00ea, Jo\u00e3o, enfim, com todos os ve\u00edculos, com os debates nas sess\u00f5es, porque parece que durante esse momento que temos vivido, a gente tem tido poucas oportunidades de falar. E \u00e9 por isso que as pessoas est\u00e3o t\u00e3o verborr\u00e1gicas nas redes sociais. H\u00e1 uma necessidade de falar sobre isso. Criar essas plataformas e essas oportunidades de falar sobre isso, parece que, de fato, aquece nosso cora\u00e7\u00e3o. E ainda mais quando a gente coloca um filme em pauta, para falar sobre Brasil, isso \u00e9 ainda mais importante porque entendemos a for\u00e7a da Arte, a for\u00e7a do Cinema, como sendo esse for\u00e7a motriz para discutir vida, para discutir mundo, para discutir futuro. Para discutir estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia. Por isso que eu me sinto muito honrado de participar de algo assim. E tamb\u00e9m aquece meu cora\u00e7\u00e3o e me traz, de certa forma, alegria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59891\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/inabitavel.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1113\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/inabitavel.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/inabitavel-202x300.jpg 202w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Inabit\u00e1vel&#8221; tem em sua urg\u00eancia uma an\u00e1lise de um Brasil de acordo com o t\u00edtulo da obra. 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