{"id":59419,"date":"2021-01-17T23:02:23","date_gmt":"2021-01-18T02:02:23","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59419"},"modified":"2021-03-11T18:19:00","modified_gmt":"2021-03-11T21:19:00","slug":"entrevista-joao-bittencourt-punk-scholars-network","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/17\/entrevista-joao-bittencourt-punk-scholars-network\/","title":{"rendered":"Entrevista: Jo\u00e3o Bittencourt (Punk Scholars Network)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O punk \u00e9 um dos maiores movimentos pol\u00edticos da hist\u00f3ria da m\u00fasica, pois por d\u00e9cadas t\u00eam trazido \u00e0 tona discuss\u00f5es importantes quanto aos rumos da humanidade, mostrando a qu\u00e3o necess\u00e1ria e importante \u00e9 a articula\u00e7\u00e3o entre a arte e mobiliza\u00e7\u00e3o social. Mas apesar de sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica, \u00e0 n\u00edvel mundial, o movimento punk e seus desdobramentos careciam de um estudo que reunisse num s\u00f3 lugar o que vem sendo difundido em fanzines, livros, shows, grupos e discos. E foi a partir desta premissa que nasceu o <a href=\"https:\/\/www.punkscholarsnetwork.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Punk Scholars Network<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundado em 2012 no exterior, o PSN tem como intuito estudar, de forma aprofundada, o movimento punk de maneira global na esfera acad\u00eamica. Mas o Brasil, que sempre teve uma cena punk forte e importante, seguia com parcos exemplos de estudos aprofundados do g\u00eanero. Para suprir esta lacuna foi criada no ano passado a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/punkscholarsbr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Punk Scholars Network Brasil<\/a>. O grupo \u00e9 composto por mais 20 pesquisadores e vem desde 2020 realizando diversas atividades. Para o final de janeiro, inclusive, o PSN ir\u00e1 realizar seu primeiro semin\u00e1rio. Para saber mais sobre a iniciativa, acompanhar a programa\u00e7\u00e3o e se inscrever para o evento <a href=\"https:\/\/doity.com.br\/seminrio-punk-scholars-network-brasil-20201215085237\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acesse o site<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A coordena\u00e7\u00e3o do Punk Scholars Nacional \u00e9 feita pelo doutor em Ci\u00eancias Sociais Jo\u00e3o Bittencourt, que lan\u00e7ou em 2015, via editora Annablume, o livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/S%C3%B3brios-Firmes-Convictos-Etnocartografia-Straightedges\/dp\/8539106892\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">S\u00f3brios, Firmes e Convictos: Uma Etnocartografia dos Straightedges em S\u00e3o Paulo<\/a>\u201d, onde capta de forma viva aspectos essenciais que ajudam a mergulhar e compreender o universo dos, straightedges, uma subcultura e subg\u00eanero do hardcore punk que surgiu nos anos 80, da capital paulista. Al\u00e9m disso, Jo\u00e3o \u00e9 vocalista da banda de hardcore <a href=\"https:\/\/mercadonegrohc.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mercado Negro<\/a>, formada em 1998 em Maranguape, uma cidade cearense da regi\u00e3o metropolitana de Fortaleza, localizada a 27 km da capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Jo\u00e3o Bittencourt fala sobre as agruras da pandemia, o processo de escrita de \u201cS\u00f3brios, Firmes e Convictos\u201d, a cultura straightedge na atualidade, o in\u00edcio da sua rela\u00e7\u00e3o com o movimento punk, a Punk Scholars Network e os desafios inerentes a iniciativa, a car\u00eancia de refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas nacionais, o discurso reacion\u00e1rio presente na cena punk, a cena latina, planos futuros e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59420\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psnbr.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"544\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psnbr.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psnbr-300x218.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tradicionalmente aqui no S&amp;Y temos aberto as entrevistas falando sobre a pandemia. Ent\u00e3o, nesse sentido, como ela tem sido para voc\u00ea? Quais as transforma\u00e7\u00f5es da sua rotina como pai, esposo e professor foram alteradas?<\/strong><br \/>Primeiramente gostaria de agradecer a voc\u00ea, Bruno, e ao site Scream &amp; Yell pelo convite. \u00c9 sempre um grande prazer poder conversar e divulgar nosso trabalho para um p\u00fablico mais amplo, para al\u00e9m dos muros da universidade. Bom, a pandemia foi (e est\u00e1 sendo) um evento que marcou profundamente a minha vida nos mais diversos sentidos, particularmente devido a dois epis\u00f3dios bem significativos: a recupera\u00e7\u00e3o da minha esposa, que ficara na UTI entubada por 16 dias e, mais recentemente, a perda de meu pai. Quando a pandemia eclodiu, estava em Fortaleza iniciando minha licen\u00e7a capacita\u00e7\u00e3o, onde ministraria um curso com uma colega da Universidade Federal do Cear\u00e1. Com o cancelamento das atividades presenciais na universidade, voltei \u00e0s pressas para Macei\u00f3. Minha rotina foi fortemente impactada. Eu e minha esposa tivemos que ser bem criativos nesses \u00faltimos meses para lidar com o isolamento e o distanciamento social, especialmente em rela\u00e7\u00e3o a nossa filha, que tem apenas 6 anos. De uma hora para outra ela se viu privada de ir para a escola, de encontrar os amiguinhos, de passear no parque\u2026 Se para um adulto \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o perturbadora, imagina para uma crian\u00e7a? Nas primeiras semanas, ficamos mais juntos, inventando brincadeiras, vendo filmes, desenhando, mas depois fomos saindo de casa aos poucos (sempre com muito cuidado) para andar de bicicleta, de patinete ou simplesmente caminhar. Nos revez\u00e1vamos entre os turnos para poder trabalhar um pouco. Nesse tempo, ministrei alguns cursos, participei de algumas lives, finalizei um livro que estava organizando, fundei a PSN Brasil, e isso tudo \u00e0 dist\u00e2ncia. Como professor, eu somente n\u00e3o encontrava pessoalmente os(as) estudantes, mas continuei com as reuni\u00f5es de meu grupo de pesquisa, o Labjuve, com as orienta\u00e7\u00f5es a n\u00edvel de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s, reuni\u00f5es de departamento, etc. Algumas pessoas acham que professor s\u00f3 trabalha em sala de aula, mas posso dizer que o ritmo nessa pandemia foi ainda mais puxado porque a impress\u00e3o era de que estava dispon\u00edvel a todo instante, fora a obriga\u00e7\u00e3o moral de mostrar que estava fazendo algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lan\u00e7ado em 2015, em seu livro &#8220;S\u00f3brios, Firmes e Convictos&#8221; voc\u00ea promove um olhar cuidadoso e detalhado da cena straightedge de S\u00e3o Paulo. Como se deu o seu interesse pelo tema e quais foram as principais dificuldades (e prazeres) desta pesquisa?<\/strong><br \/>Esse livro \u00e9 resultado de uma pesquisa que desenvolvi juntamente ao programa de Doutorado em Ci\u00eancias Sociais da Unicamp. Desde muito jovem sou ligado \u00e0 m\u00fasica underground, especialmente ao Punk\/Hardcore, seja como membro de banda, organizador de evento, idealizador de fanzine, etc., mas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha trabalhado com esse tema em minhas pesquisas. Na \u00e9poca que antecedeu o doutorado estava muito pr\u00f3ximo do universo straightedge e certamente isso me influenciou. Havia muitas quest\u00f5es nesse estilo de vida que despertavam meu interesse, como por exemplo o fato de jovens serem atra\u00eddos por uma proposta pautada por regras de abstin\u00eancia, seja em rela\u00e7\u00e3o ao consumo de drogas ou produtos de origem animal. Grande parte das chamadas \u201cculturas juvenis\u201d renegam no\u00e7\u00f5es como disciplina e controle, conceitos que aparecem na fala dos straightedges como estruturantes de seus ideais. Essa quest\u00e3o, do ponto de vista antropol\u00f3gico, j\u00e1 permitiria uma excelente discuss\u00e3o, mas, conforme fui adentrando nesse microcosmo, outras quest\u00f5es foram surgindo: as diferencia\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, as conex\u00f5es com as diferentes religi\u00f5es, as pautas pol\u00edticas, etc. Acredito que as dificuldades ficaram mais circunscritas \u00e0s quest\u00f5es de ordem te\u00f3rico-metodol\u00f3gica, dialogava muito com autores da chamada filosofia francesa contempor\u00e2nea e ao mesmo tempo tinha que fazer essa costura com a teoria antropol\u00f3gica. No inicio &#8220;apanhei&#8221; um pouco, mas depois de algum tempo, a coisa fluiu bem. N\u00e3o encontrei nenhuma dificuldade na pesquisa de campo, pelo contr\u00e1rio, todas as pessoas que me aproximei para conversar foram bastante receptivas. Conhecia algumas e elas me apresentavam outras, e assim ia estendendo a minha rede de interlocutores(as). Realizei 20 entrevistas profundas e dezenas de incurs\u00f5es etnogr\u00e1ficas em diferentes espa\u00e7os e situa\u00e7\u00f5es. Era sempre muito prazeroso estar nos eventos, conversando com eles(as), cantando junto, s\u00f3 evitava ficar pr\u00f3ximo do moshpit porque era arriscado (risos). Fiquei muito contente com o resultado e tenho bastante orgulho dessa produ\u00e7\u00e3o! Muitas pessoas de dentro e fora da academia (especialmente straightedges) me escrevem para dizer o quanto gostaram e que indicaram a leitura para pessoas pr\u00f3ximas, me marcam em postagens de instagram. (risos). No final das contas \u00e9 isso que faz feliz um autor, a receptividade do p\u00fablico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59421\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cultura straightedge est\u00e1 inserida dentro movimento punk como uma das v\u00e1rias facetas que o estilo adotou no decorrer dos anos e que segue em constante transforma\u00e7\u00e3o. Fazendo um recorte do per\u00edodo de sua pesquisa at\u00e9 os dias atuais, quais as principais mudan\u00e7as voc\u00ea tem observado no meio?<\/strong><br \/>Essa \u00e9 uma \u00f3tima quest\u00e3o. Tenho me perguntado muito sobre o futuro do straightedge no Brasil. Tivemos um per\u00edodo \u00e1ureo que perdurou entre a segunda metade da d\u00e9cada de 90 at\u00e9 a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI, mas depois houve um arrefecimento, um movimento que considero \u201cnatural\u201d se tratando de estilos de vida jovem, fen\u00f4meno que vai mudando a partir das altera\u00e7\u00f5es nos ciclos geracionais que expressam o contexto social, econ\u00f4mico, pol\u00edtico e cultural de uma \u00e9poca. O straightedge no Brasil se popularizou em um momento sui g\u00eaneris, tivemos a chegada da MTV &#8211; e posteriormente a internet &#8211; nos lares brasileiros e a expans\u00e3o do mercado de bens simb\u00f3licos voltados para o p\u00fablico jovem. Naquele momento houve uma esp\u00e9cie de \u201cmonopoliza\u00e7\u00e3o&#8221; do gosto juvenil pelo rock em suas diferentes vertentes. Com as mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o do gosto e nos estilos de vida decorrentes da populariza\u00e7\u00e3o da internet (mas n\u00e3o apenas) e a entrada dos jovens no universo adulto, assistimos a mudan\u00e7as significativas nas maneiras como estes se relacionam com o straightedge. Os mais velhos, apesar de continuarem conectados a esse estilo de vida n\u00e3o sentem mais a necessidade de expressar publicamente sua vincula\u00e7\u00e3o, e os mais novos, por sua vez, sem a influ\u00eancia dos mais velhos, acabaram perdendo as refer\u00eancias. A transmiss\u00e3o geracional \u00e9 fundamental para a dura\u00e7\u00e3o de um estilo de vida jovem e essa troca ocorre mais intensamente quando as cenas est\u00e3o ativas. Minha hip\u00f3tese \u00e9 de que atualmente o rock deixou de ser um elemento importante na forma\u00e7\u00e3o dos estilos de vida jovem como foi nos anos 80 e 90. As pesquisas sobre o que os brasileiros est\u00e3o ouvindo a partir dos algoritmos das plataformas de streaming s\u00e3o um bom term\u00f4metro para avaliarmos essas mudan\u00e7as. O jovem de hoje prefere o rap, o funk, o trap, a m\u00fasica pop de artistas como Pabblo Vittar e Anitta. As pautas identit\u00e1rias tamb\u00e9m entraram com toda for\u00e7a nesse novo cen\u00e1rio. A representatividade mediada por marcadores como ra\u00e7a, g\u00eanero e sexualidade dos(as) artistas passou a ter um lugar de destaque na transmiss\u00e3o das ideias. As mudan\u00e7as no straightedge est\u00e3o conectadas a todas essas quest\u00f5es elencadas acima. Se quisermos fazer uma an\u00e1lise mais profunda do fen\u00f4meno, devemos entender as transforma\u00e7\u00f5es estruturais mais amplas e como elas repercutiram nos estilos de vida jovem. Conversei um pouco sobre esse tema com o Pedro Carvalho (Futuro, I Shot Cyrus) numa live que fiz no instagram da Punk Scholars Network Brasil no final do ano passado. Espero poder aprofundar essas reflex\u00f5es em duas pesquisas sobre straightedges que pretendo desenvolver futuramente; uma sobre envelhecimento, onde retomarei o di\u00e1logo com as pessoas que fizeram parte da pesquisa do doutorado, entre 2007 e 2010 e outra sobre o straightedge em nosso atual contexto, buscando analisar as rupturas e continuidades em rela\u00e7\u00e3o a primeira gera\u00e7\u00e3o. Prometo divulgar os resultados das pesquisas assim que elas tiverem prontas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em punk rock, como se deu a sua aproxima\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero? E ainda: quais foram os impactos pol\u00edtico\/socais produzidos na sua vida a partir do momento em que voc\u00ea se tornou um pesquisador?<\/strong><br \/>Se n\u00e3o fosse pelo punk, eu n\u00e3o seria cientista docial! Digo isso em minhas aulas e os(as) estudantes n\u00e3o acreditam. Acham que estou brincando (risos). Mas \u00e9 s\u00e9rio! Quando digo &#8220;punk&#8221; n\u00e3o me refiro necessariamente \u00e0 m\u00fasica, mas principalmente as ideias. Sempre fui ligado a uma literatura mais cr\u00edtica, e n\u00e3o tinha essas refer\u00eancias em casa, na escola ou entre os amigos, elas me foram apresentadas a partir das m\u00fasicas que ouvia. Antes de chegar \u00e0 universidade j\u00e1 tinha lido \u201c1984\u201d (Orwell), \u201cAdmir\u00e1vel Mundo Novo\u201d (Huxley), \u201c\u00c9tica e Cidadania\u201d (Herbert de Souza), \u201cTortura Nunca Mais\u201d (Paulo Evaristo Arns), \u201cViol\u00eancia no Campo\u201d (J\u00falio Jos\u00e9 Chiavenato), \u201cO que \u00e9 Punk\u201d (Bivar) e outros livros da cole\u00e7\u00e3o Primeiros Passos. O C\u00f3lera me fez ter interesse pelas quest\u00f5es ambientais, o RATM me apresentou o zapatismo, os Panteras Negras, o RDP me ajudou a desnaturalizar a viol\u00eancia policial\u2026 Me aproximei definitivamente do punk na segunda metade dos anos 90, antes disso ouvia rock gen\u00e9rico, de Tit\u00e3s \u00e0 Iron Maiden. Ganhei o vinil \u201cSub\u201d do meu irm\u00e3o e fiquei impactado com aquela sonoridade e aquelas letras: RDP, C\u00f3lera, Fogo Cruzado e Psykoze foram as primeiras. Depois vieram Olho Seco, Garotos Podres, Devotos do \u00d3dio e logo em seguida bandas estrangeiras como The Clash, Black Flag, Bad Religion, entre outras. Foi nesse momento que montei a Mercado Negro com meu irm\u00e3o e outros dois amigos. Ent\u00e3o come\u00e7amos a participar mais intensamente do circuito das bandas undergrounds cearense. Toc\u00e1vamos em algumas gigs organizadas por coletivos anarcopunks e em alguns festivais de protesto que aconteciam em Fortaleza. At\u00e9 o final da gradua\u00e7\u00e3o conseguia me dividir entre os estudos e a m\u00fasica, mas com a chegada do mestrado, precisei sair do estado e a banda passou a se reunir somente nas minhas f\u00e9rias. No Doutorado consegui me reconectar ao punk hardcore atrav\u00e9s dos estudos, mas a banda continuou de molho. Mais recentemente voltamos a ativa, por\u00e9m, s\u00f3 nos encontramos para ensaiar quando consigo ir de f\u00e9rias para o Cear\u00e1. Tenho um colega estadunidense chamado Zack Furness. Ele foi o respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o do termo \u201cPunkademic&#8221; para classificar as pessoas profundamente ligadas ao punk que acabaram enveredando para a doc\u00eancia e pesquisa. Eu digo que sou um punkad\u00eamico, n\u00e3o somente porque pesquiso esse tema, mas porque compartilho de uma \u00e9tica punk que influencia diretamente as rela\u00e7\u00f5es que desenvolvo nos espa\u00e7os da universidade.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59422\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fundada em 2012 no exterior, a Punk Scholar Network tem promovido uma s\u00e9rie de atividades voltadas a reflex\u00f5es direcionadas a cultura punk mundo \u00e0 fora. Nesse sentido como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o e cria\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o brasileira da PSN?<\/strong><br \/>O contato com a Punk Scholars foi uma das coisas mais legais que aconteceram no ano passado. Foi tudo muito r\u00e1pido. J\u00e1 acompanhava a p\u00e1gina no Facebook e achava incr\u00edvel. Quando vi a divulga\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio Global Punk resolvi escrever para os contatos que estavam no site e perguntar se havia algum processo de filia\u00e7\u00e3o. Eles ficaram muito contentes de receber o meu e-mail e perguntaram se eu n\u00e3o tinha interesse em fundar uma c\u00e9lula da PSN no Brasil. Achei o m\u00e1ximo! Matt Grimes e Russ Bestley, dois dos coordenadores, foram muito receptivos! Se colocaram a disposi\u00e7\u00e3o para o esclarecimento de todas as d\u00favidas que foram surgindo no processo. Assim que recebi a carta oficial de filia\u00e7\u00e3o por e-mail fiz uma chamada p\u00fablica convidando pesquisadores e pesquisadoras que trabalhavam com o tema do punk para compor a rede. Temos um grupo bastante engajado de aproximadamente 20 pessoas e no final do m\u00eas de janeiro faremos nosso primeiro semin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A PSN tem como nobre miss\u00e3o levar a cultura punk para ambientes que n\u00e3o lhe s\u00e3o tradicionais, dando lhe a aten\u00e7\u00e3o e profundidade necess\u00e1rias. Mas acredito que este n\u00e3o seja exerc\u00edcio dos mais f\u00e1ceis. Quais s\u00e3o os maiores desafios inerentes a esta proposta?<\/strong><br \/>Penso que o maior desafio \u00e9 fazer com que vejam o punk como algo s\u00e9rio, que merece e deve ser estudado como um fen\u00f4meno complexo. Nos EUA e em grande parte da Europa existe uma tradi\u00e7\u00e3o do pensamento, especialmente nos Estudos Culturais que valorizam esse tipo de manifesta\u00e7\u00e3o. Os estudos subculturais desenvolvidos pelo CCCS (Centre for Contemporary Cultural Studies) na Universidade de Birmingham na d\u00e9cada de 70 s\u00e3o a prova disso. Eles t\u00eam uma produ\u00e7\u00e3o gigantesca sobre punk, skinhead, g\u00f3ticos, etc. Nas universidades brasileiras h\u00e1 certa predile\u00e7\u00e3o em torno de determinados temas e consequentemente a desqualifica\u00e7\u00e3o de outros, ent\u00e3o os desafios para divulgar esses trabalhos entre os pares s\u00e3o bem maiores. \u00c9 dif\u00edcil encontrar programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com linhas de pesquisa que abarquem esses temas e mesmo docentes que se proponham a orientar disserta\u00e7\u00f5es e teses. A quest\u00e3o da l\u00edngua tamb\u00e9m \u00e9 um obst\u00e1culo a ser transposto. Poucas pessoas no pa\u00eds falam fluentemente o ingl\u00eas ou mesmo conseguem ler um texto, o que dificulta uma troca mais intensa entre a produ\u00e7\u00e3o daqui e aquela produzida l\u00e1 fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O movimento punk brasileiro tem uma longa trajetoria, com v\u00e1rios vieses e desdobramentos. Mas salvo o cl\u00e1ssico livro do Ant\u00f4nio Bivar (&#8220;Punk&#8221;) e algumas biografias <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/18\/tres-livros-clemente-joao-gordo-e-rita-lee\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como a da Clemente (dos Inocentes) e a do Jo\u00e3o Gordo (feita pelo Andr\u00e9 Barcinski)<\/a>, o mercado editorial brasileiro carece de uma bibliografia mais vasta sobre o assunto para o grande p\u00fablico. Para voc\u00ea, por que o mercado editorial ainda n\u00e3o se tem um olhar para com a cultura punk?<\/strong><br \/>Como disse anteriormente, h\u00e1 uma predile\u00e7\u00e3o por certos temas nas universidades e nas editoras e o punk n\u00e3o \u00e9 um deles. Como voc\u00ea mesmo citou, temos pouqu\u00edssimos livros, que d\u00e1 para contar nos dedos. Livros acad\u00eamicos s\u00f3 temos o da Janice Caiafa (\u201cO Movimento Punk na Cidade\u201d), o da M\u00e1rcia Regina da Costa (\u201cOs Carecas do Sub\u00farbio &#8211; Caminhos de um Nomadismo Moderno\u201d), o do N\u00e9cio Turra (\u201cEnterrado Vivo: Identidade Punk e Territ\u00f3rio em Londrina\u201d) e o meu (\u201cS\u00f3brios, Firmes e Convictos &#8211; Uma Etnocartografia dos Straightedges em S\u00e3o Paulo\u201d). Pelo menos s\u00e3o os que conhe\u00e7o. Se existirem outros, por favor me avisem. Temos tamb\u00e9m algumas disserta\u00e7\u00f5es e teses sobre o tema, mas que n\u00e3o foram publicadas. Quem sabe a PSN Brasil n\u00e3o consegue virar essa p\u00e1gina? Estamos trabalhando na produ\u00e7\u00e3o de um livro, que provavelmente ser\u00e1 publicado esse ano ou no come\u00e7o do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Historicamente quando se observa o movimento numa escala global se percebe que em cada canto do mundo o punk adquiriu caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, fruto da rela\u00e7\u00e3o com a realidade local. Numa das confer\u00eancias programadas para o PSN Brasil o punk colombiano ser\u00e1 analisado por Minerva Campion. Pensado na Am\u00e9rica Latina, de modo geral quais s\u00e3o as idiossincrasias quem unem nossas cenas?<\/strong><br \/>Nos \u00faltimos anos tenho pensado muito sobre a descoloniza\u00e7\u00e3o do punk como proposta te\u00f3rico-pol\u00edtica. As refer\u00eancias do punk que chegaram aqui inicialmente vieram da Europa, especialmente da Inglaterra. Apesar de existir um di\u00e1logo com os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, o punk nacional sempre foi muito mais influenciado esteticamente e musicalmente pela Europa (na academia \u00e9 a mesma coisa) (risos). Apesar de sermos um dos poucos pa\u00edses latino americanos que n\u00e3o tem o espanhol como l\u00edngua materna, partilhamos dos mesmos problemas econ\u00f4micos e pol\u00edticos. A come\u00e7ar pelo processo de coloniza\u00e7\u00e3o, que trouxe a reboque o exterm\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e a explora\u00e7\u00e3o de nossas riquezas naturais. \u201cFilhos bastardos de um estupro sagrado e paternal\u2026\u201d, como diz a letra de \u201cLatinoam\u00e9rica\u201d, do Flicts. No s\u00e9culo XX presenciamos a ascens\u00e3o de governos totalit\u00e1rios quando tivemos as mais sangrentas ditaduras da hist\u00f3ria. Todos esses acontecimentos nos unem enquanto povos que compartilham de uma hist\u00f3ria comum, apesar das diferen\u00e7as culturais e linguisticas. Penso que as cenas punks dos pa\u00edses latino americanos tamb\u00e9m guardam muitas semelhan\u00e7as do ponto de vista dos desafios enfrentados para produzir e fazer circular sua m\u00fasica, como tamb\u00e9m compartilham do mesmo esp\u00edrito combatente para resistir as dificuldades. Ser\u00e1 \u00f3timo ter a Minerva como conferencista no Semin\u00e1rio da PSN Brasil, pois ela ir\u00e1 trazer elementos hist\u00f3ricos sobre a cena colombiana que nos permitir\u00e1 conhec\u00ea-la um pouco melhor, como tamb\u00e9m apontar semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre os dois pa\u00edses. Atualmente o punk latino americano est\u00e1 se reinventando, olhando muito mais a sua hist\u00f3ria e incorporando elementos da cultura local em suas produ\u00e7\u00f5es e isso \u00e9 incr\u00edvel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59423\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O discurso reacion\u00e1rio hoje se faz largamente presente no ide\u00e1rio nacional e na cultura punk n\u00e3o \u00e9 diferente. Como estudioso, como voc\u00ea analisa esta anomalia cultural, onde se percebe uma desvirtuada guinada a direita do espectro pol\u00edtico?<\/strong><br \/>Como apontei anteriormente, o punk precisa ser analisado enquanto fen\u00f4meno complexo e multifacetado. Ele absorve as mudan\u00e7as e tend\u00eancias que se apresentam na vida social mais ampla. O &#8220;punk de direita&#8221;, conservador, reacion\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos meses, ele est\u00e1 entre n\u00f3s h\u00e1 mais tempo do que se imagina. O punk n\u00e3o era pol\u00edtico em sua origem, posteriormente o anarquismo tornou-se uma pauta comum entre os adeptos, do mesmo modo, o skinhead n\u00e3o era um movimento fascista em sua origem, mas acabou se tornando mundialmente reconhecido por sua liga\u00e7\u00e3o com os movimentos de extrema direita. O que estou querendo dizer \u00e9 que essa contradi\u00e7\u00e3o sempre fez parte da cultura punk de uma maneira geral. Um exemplo que sempre destaco \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o da su\u00e1stica por parte de alguns punks como forma de \u201cchocar a popula\u00e7\u00e3o\u201d. Sid Vicious costumava se apresentar com esse s\u00edmbolo estampado em sua camiseta. Mais recentemente John Lydon (Johnny Rotten) apareceu vestindo uma camiseta com o slogan \u201cMake America Great Again\u201d e defendeu a reelei\u00e7\u00e3o do Trump. E o mais curioso: ele utilizou o mesmo discurso anti-pol\u00edtica, antiestablishment que j\u00e1 aparecia nas letras dos Sex Pistols nos 70. No Brasil, punks pichavam a su\u00e1stica nos muros e as desenhavam e em cadeiras e mesas da escola onde estudavam. A antrop\u00f3loga Janice Caiafa discute essa quest\u00e3o no livro \u201cPunks na Cidade\u201d. Outro exemplo: a xenofobia direcionada a popula\u00e7\u00e3o nordestina esteve presente entre os punks de S\u00e3o Paulo ao longo dos anos 80 (e n\u00e3o apenas entre skinheads). Naquele momento, o &#8220;nordestino&#8221; se apresentava como um bode expiat\u00f3rio para grande parte da popula\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o s\u00f3 era acusado de roubar empregos, mas tamb\u00e9m de provocar o aumento dos bols\u00f5es de mis\u00e9ria e consequentemente o aumento da viol\u00eancia. Os indiv\u00edduos punks n\u00e3o estavam alheios a esse discurso porque suas maneiras de pensar e agir eram produzidas por rela\u00e7\u00f5es sociais estabelecidas naquele espa\u00e7o e contexto. Claro que isso n\u00e3o era um consenso entre os jovens, uma pauta abra\u00e7ada coletivamente, mas esse discurso estava presente nos diversos setores da sociedades, das elites \u00e0s classes populares. Do mesmo modo, entendo que essa guinada \u00e0 direita no contexto contempor\u00e2neo n\u00e3o seja um fen\u00f4meno expressivo dentro da cena punk, longe disso. De todo modo, \u00e9 importante destacar que endossar posturas niilistas, &#8220;antisistema&#8221;, antipol\u00edtica (como se isso fosse poss\u00edvel), sem uma contextualiza\u00e7\u00e3o e reflex\u00f5es mais profundas pode colaborar para o aparecimento de ideias desvirtuadas, especialmente em tempos de redes sociais. Nos \u00faltimos anos tornou-se \u201ccool&#8221; decretar a morte da pol\u00edtica e das institui\u00e7\u00f5es, o que permitiu a ascens\u00e3o de figuras execr\u00e1veis como Trump e Bolsonaro. \u00c9 preciso ficar atento! Combater posturas reacion\u00e1rias e sect\u00e1rias \u00e9 um dever de todos, todas e todes que fazem parte de qualquer cena punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, 2020 tem sido um ano de enormes desafios e, ao que parece, 2021 n\u00e3o ser\u00e1 diferente. Nesse sentido falar sobre planos e perspectivas futuras pode ser um exerc\u00edcio herc\u00faleo, mas quais s\u00e3o as proje\u00e7\u00f5es para o ano vindouro?<\/strong><br \/>Definitivamente n\u00e3o tenho muitas esperan\u00e7as de que esse ano ser\u00e1 muito diferente do anterior, mas espero estar errado. Primeiramente, desejo que essa vacina venha de onde vier e que a popula\u00e7\u00e3o seja imunizada para que possamos retornar a nossa rotina sem medo de encontrar e de abra\u00e7ar pessoas. Mas falando de projetos que est\u00e3o mais ao meu alcance nesse momento, pretendo colocar alguns em pr\u00e1tica, mesmo que inicialmente a dist\u00e2ncia. O primeiro j\u00e1 saiu do papel, que \u00e9 o semin\u00e1rio da PSN Brasil que acontecer\u00e1 agora no final de janeiro, especificamente nos dias 27, 28 e 29. Tamb\u00e9m estou trabalhando na organiza\u00e7\u00e3o de um livro sobre punk com outro colega da PSN, que deve ser publicado at\u00e9 o final de 2021 ou in\u00edcio de 2022. Fa\u00e7o parte de uma outra rede, a REAJ, que \u00e9 formada por pesquisadores e pesquisadoras das diferentes regi\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es do pa\u00eds que se dedicam a reflex\u00e3o sobre o fen\u00f4meno da juventude. Acabamos de publicar um livro pela Editora Telha chamado \u201c<a href=\"https:\/\/editoratelha.com.br\/product\/juventudes-contemporaneas-desafios-e-expectativas-em-transformacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Juventudes Contempor\u00e2neas &#8211; Desafios e Expectativas em Transforma\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d e pretendemos fazer o lan\u00e7amento nos pr\u00f3ximos meses. Estamos trabalhando na organiza\u00e7\u00e3o de um semin\u00e1rio internacional (online) que acontecer\u00e1 no m\u00eas de abril. Tamb\u00e9m tenho alguns dossi\u00eas em revistas especializadas que dever\u00e3o ser publicados ao longo de 2021. No mais, acho que do ponto de vista de trabalho, \u00e9 isso. \u00c9 muito dif\u00edcil projetar coisas em um contexto pol\u00edtico t\u00e3o incerto e bizarro. Mas, a gente segue resistindo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59424\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/psn4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fundado em 2012 no exterior, o PSN tem como intuito estudar, de forma aprofundada, o movimento punk de maneira global na esfera acad\u00eamica. 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