{"id":59382,"date":"2021-01-12T01:02:12","date_gmt":"2021-01-12T04:02:12","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59382"},"modified":"2021-03-18T14:51:41","modified_gmt":"2021-03-18T17:51:41","slug":"entrevista-a-diretora-helena-hilario-fala-sobre-o-curta-de-animacao-umbrella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/12\/entrevista-a-diretora-helena-hilario-fala-sobre-o-curta-de-animacao-umbrella\/","title":{"rendered":"Entrevista: Helena Hilario fala sobre o curta de anima\u00e7\u00e3o \u201cUmbrella\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s exibi\u00e7\u00e3o em diversos festivais internacionais, como o Tribeca Film Festival, o Cinequest Film Festival e o Foyle Film Festival, todos eventos que d\u00e3o aos selecionados a qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a corrida por uma indica\u00e7\u00e3o os Oscar, \u201cUmbrella\u201d, tocante curta brasileiro de anima\u00e7\u00e3o dirigido por Helena Hilario e Mario Pence, est\u00e1 dispon\u00edvel on line gratuitamente no canal do YouTube da produtora Stratostorm.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Idealizado a partir de um triste e real encontro da irm\u00e3 de Helena com um garotinho \u00f3rf\u00e3o em um abrigo para crian\u00e7as localizado em Palmas, interior do Paran\u00e1, em 2011, \u201cUmbrella\u201d ilustra, em pouco menos de oito minutos, a perda do afeto paterno, a lembran\u00e7a desse mesmo amor e a esperan\u00e7a em poder contar com aquele calor humano e familiar novamente. O s\u00edmbolo desse afeto est\u00e1 em um simples objeto: um guarda-chuva amarelo, \u00faltima lembran\u00e7a do pequeno Joseph antes de ser deixado pelo pai no abrigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Minha irm\u00e3 fazia um trabalho volunt\u00e1rio em um local que se tornou um lar para crian\u00e7as&#8221;, explica Helena. Ao observar que um dos garotinhos que viva no lugar n\u00e3o queria nenhum dos presentes levados por sua irm\u00e3, ela, ent\u00e3o, se aproximou e lhe perguntou o que ele queria. &#8220;Minha irm\u00e3 me disse que ele n\u00e3o queria brinquedo, mas pediu a ela por um guarda-chuva, porque, quando o pai o deixou l\u00e1, estava chovendo. E que ele falou que ia voltar, mas nunca mais voltou&#8221;, relembra Helena, comentando a descri\u00e7\u00e3o emocionada que teve da irm\u00e3 sobre o encontro. Para o garoto de, no m\u00e1ximo, seis anos, aquela era sua \u00fanica lembran\u00e7a em uma ainda curta vida. Para ele, ter um guarda-chuva significava a esperan\u00e7a de ter o pai de volta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse ponto e do doloroso relato que teve da irm\u00e3, Helena Hilario visualizou uma hist\u00f3ria que, simples em sua concep\u00e7\u00e3o, denotaria uma carga emocional que um curta metragem sem di\u00e1logos, por\u00e9m marcado por uma trilha sonora eficiente, seria capaz de buscar tanto na reflex\u00e3o quanto na emo\u00e7\u00e3o de sua audi\u00eancia. E o resultado foi alcan\u00e7ado. &#8220;Desde o in\u00edcio, quer\u00edamos fazer uma anima\u00e7\u00e3o. Nunca foi uma op\u00e7\u00e3o fazer um filme em live action com atores reais. Eu acho que o tema de \u2018Umbrella\u2019 t\u00e3o delicado. E a mensagem que a gente gostaria de passar ia ser muito mais dif\u00edcil de transmitir com atores reais. Seria poss\u00edvel? Sim. Mas acho que seria muito mais dif\u00edcil em um filme live action transmitir isso sem di\u00e1logos&#8221;, explica Helena ao falar da op\u00e7\u00e3o de um curta calcado em express\u00f5es, gestos e m\u00fasica. &#8220;Quer\u00edamos que a m\u00fasica levasse esse sentimento que busc\u00e1vamos transmitir. A anima\u00e7\u00e3o e a m\u00fasica juntas conseguem guiar as emo\u00e7\u00f5es que quer\u00edamos transmitir. A op\u00e7\u00e3o foi essa desde o in\u00edcio. E foi muito bonito o processo de trazer o filme \u00e0 vida desde o come\u00e7o. L\u00e1 em 2015, quando a gente tinha um primeiro storyboard, eu tinha j\u00e1 a m\u00fasica de refer\u00eancia&#8221;, relembra a co-diretora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O processo de cria\u00e7\u00e3o da trilha sonora passou por inspira\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dentro a experi\u00eancia cin\u00e9fila da diretora. &#8220;Eu amo a trilha sonora do Hans Zimmer para o filme \u2018O Amor N\u00e3o Tira F\u00e9rias\u2019. Era uma refer\u00eancia. Nas conversas com a Vivian Aguiar, produtora da trilha do \u2018Umbrella\u2019, ela me disse que os temas que me emocionavam na trilha do Zimmer vinham de orquestra. N\u00e3o era digital&#8221;, explica Helena. Assim, a cria\u00e7\u00e3o da trilha sonora composta por Gabriel Dib para o curta metragem precisou contar com uma orquestra que soube captar e transmitir de modo preciso a emo\u00e7\u00e3o trazida pela hist\u00f3ria daquele jovem em busca de uma lembran\u00e7a do pai que o deixara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a sele\u00e7\u00e3o por diversos festivais e a qualifica\u00e7\u00e3o para uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar, cerim\u00f4nia que acontece em abril, Helena pontua que a produ\u00e7\u00e3o de \u201cUmbrella\u201d, em seu modo simples, por\u00e9m eficiente e profissional de constru\u00e7\u00e3o, busca esse s\u00edmbolo para o trabalho como o coroar de uma trajet\u00f3ria de oito anos de cria\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o somente por isso. Na hist\u00f3ria de um \u00f3rf\u00e3o que \u00e9 julgado por pegar para si um guarda-chuva que pertence a outra pessoa na esperan\u00e7a de trazer de volta algu\u00e9m que ele ama, a mensagem primordial de n\u00e3o julgar apenas pelas apar\u00eancias acaba por sobressair. E \u201cUmbrella\u201d conforta justamente por nos permitir refletir sobre isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00f3s vamos divulgar nosso filme do modo mais singelo, no YouTube. N\u00e3o temos nada &#8216;fancy&#8217; por tr\u00e1s. N\u00e3o temos nenhum streaming apoiando ou que vamos estar na grade (risos). Vamos no modo mais singelo, mesmo, esperando que as pessoas compartilhem e possam, de fato, assistir e levar essa mensagem de que n\u00e3o podemos julgar as pessoas sem conhecer o que os outros est\u00e3o passando. Principalmente nesse ano t\u00e3o dif\u00edcil de pandemia. Nesse ano t\u00e3o dif\u00edcil que bagun\u00e7ou a vida de todo mundo. Tem tanta gente que perdeu entes queridos. Tanta gente que est\u00e1 passando por dificuldades. Temos que ter empatia. Temos que nos colocar no lugar do outro&#8221;, finaliza Helena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta entrevista ao Scream &amp; Yell, Helena aprofunda todas as etapas de produ\u00e7\u00e3o e a inspira\u00e7\u00e3o que a norteou na constru\u00e7\u00e3o de &#8220;Umbrella&#8221;, que voc\u00ea pode assistir na integra abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"UMBRELLA | Award-Winning Animated Short Film\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Bl1FOKpFY2Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cUmbrella\u201d \u00e9 um curta metragem inspirado por evento reais. Como a hist\u00f3ria chegou a voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEu sou muito pr\u00f3xima da minha irm\u00e3. Ela \u00e9 minha melhor amiga, e n\u00f3s temos uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima. Em 2011, o filho dela, Jos\u00e9 Luiz, tinha quase tr\u00eas anos. O nome do personagem principal \u00e9 Joseph por causa dele. Escolhemos esse nome mais internacional porque o t\u00edtulo do filme \u00e9 \u201cUmbrella\u201d. Cada peda\u00e7o do filme tem alguma rela\u00e7\u00e3o pessoal comigo ou com a minha fam\u00edlia. Na \u00e9poca, na minha cidade natal, Palmas, interior do Paran\u00e1, a minha irm\u00e3 fazia um trabalho volunt\u00e1rio em um local que era um abrigo, mas se tornou um lar para as crian\u00e7as. Em 2011, o garotinho l\u00e1 tinha entre quatro e seis anos. N\u00f3s n\u00e3o sabemos ao certo a idade dele. Mas ele era bem pequenininho. Era quase da idade do meu sobrinho. (Nessa visita), minha irm\u00e3 viu que todas as crian\u00e7as vinham, pegavam os brinquedos de dentro da caixa e saiam felizes, brincando. Mas ele olhou na caixa e n\u00e3o quis nenhum brinquedo. E a\u00ed, eu acho que por essa proximidade e a coisa materna da minha irm\u00e3, de ter o Jos\u00e9 Luiz ainda pequeno na \u00e9poca, ela foi e se aproximou do garoto. Come\u00e7ou a conversar com ele. Queria saber porque ele n\u00e3o queria nenhum brinquedo. E era mais ou menos nessa \u00e9poca, em dezembro de 2011. Estava calor. E o garoto come\u00e7ou a pedir por um guarda-chuva. A minha irm\u00e3 perguntava a raz\u00e3o dele querer um guarda-chuva, pois estava um dia t\u00e3o bonito l\u00e1 fora. E ele mal falava. Era bastante pequenino, assim. Ele s\u00f3 falava que queria um guarda-chuva. A minha irm\u00e3 passou um tempo conversando com ele e at\u00e9 que finalmente ele falou: &#8220;Eu quero um guarda-chuva porque quando o meu pai me deixou aqui, estava chovendo. E ele falou que ia voltar para me buscar, e nunca mais voltou. Se eu tiver um guarda-chuva, acho que meu pai vai me encontrar&#8221;. Minha irm\u00e3 passou um tempo a mais conversando com ele, e acabou saindo de l\u00e1 muito abalada. Ela me ligou, n\u00f3s conversamos e choramos ao telefone. Todas as vezes em que ela vai ao abrigo, ela fica sabendo de hist\u00f3rias muito tristes. Hist\u00f3rias de como as crian\u00e7as chegaram l\u00e1, de como os pais as abandonaram. Hist\u00f3rias de crian\u00e7as que vivem na rua e o abrigo recolhe. Mas essa hist\u00f3ria em particular, sabe, esmagou nossos cora\u00e7\u00f5es. Nessa liga\u00e7\u00e3o que ela fez para mim, n\u00f3s choramos por pensar em um menino quase da mesma idade do Jos\u00e9, algu\u00e9m que n\u00e3o sabe nada da vida, que n\u00e3o tem experi\u00eancia nenhuma. As mem\u00f3rias que ele tem s\u00e3o de um dia chuvoso e do pai o deixando no abrigo. Para a gente, foi algo que doeu o cora\u00e7\u00e3o. E era uma \u00e9poca de Natal, quando ficamos mais emotivos. Quando eu lembrava, eu chorava. Ap\u00f3s isso, resolvi escrever um roteiro junto com meu marido, (N.E. O co-diretor Mario Pece) resolvi colocar isso no papel. Tentar transformar essa dor em arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa op\u00e7\u00e3o de colocar a reflex\u00e3o da dor do garoto por sentir falta de seu pai e come\u00e7ar a crescer com aquela lembran\u00e7a concede ao espectador, realmente, uma s\u00e9rie de camadas dentro do processo de conhecer o protagonista.<\/strong><br \/>\nSim. E, tamb\u00e9m, tem a reflex\u00e3o de que, muitas vezes, n\u00f3s julgamos as pessoas sem saber. Foi um momento t\u00e3o r\u00e1pido, t\u00e3o singular o que aconteceu. Ele falar que queria um guarda-chuva porque, quando foi deixado l\u00e1 pelo pai, chovia. Para gente, isso foi algo de perceber que a \u00fanica mem\u00f3ria que ele tinha na sua curta vida era um dia chuvoso e o pai o deixando l\u00e1. Eu escrevi esse roteiro querendo, realmente, trazer essa inoc\u00eancia e pureza das crian\u00e7as. Elas n\u00e3o enxergam maldade e t\u00eam naquilo algo que representa para elas coisas que a gente nem imagina. E isso acontece na nossa vida adulta, tamb\u00e9m. N\u00e3o s\u00e3o apenas as crian\u00e7as. N\u00f3s tamb\u00e9m somos muitos vulner\u00e1veis. \u00c0s vezes, temos mem\u00f3rias afetivas com certos objetos e coisas que marcaram nossa vida, nossa trajet\u00f3ria. E muitas vezes escondemos isso, ou deixamos guardado l\u00e1 no fundo esses nossos sentimentos. Porque, enfim, a gente cresce, temos que trabalhar, temos a nossa rotina, e acabamos por esquecer dessa percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o podemos julgar o outro. Temos que procurar entender e nos colocar no lugar da outra pessoa. Veja, em uma situa\u00e7\u00e3o dessas, ela poderia ter pensado que o menino estava s\u00f3 fazendo uma birra por n\u00e3o querer nenhum brinquedo. Mas para ele, n\u00e3o. Para ele era algo muito maior do que isso. Para ele, os brinquedos n\u00e3o eram importantes. Para ele, o importante era ter um guarda-chuva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A inser\u00e7\u00e3o do tema dos refugiados que aparece no final do filme surgiu como uma op\u00e7\u00e3o de discuss\u00e3o em que momento da escrita do roteiro? Os fatos recentes na crise envolvendo refugiados no mundo teve influ\u00eancia nessa escolha?<\/strong><br \/>\nEssa sequ\u00eancia das mem\u00f3rias deles foi algo que adicionamos depois. A hist\u00f3ria n\u00e3o era literal, mas era sobre um menino que havia sido abandonado e que se lembrava do pai. No curta, n\u00f3s vamos para o futuro daquele menino e vemos que ele colecionou guarda-chuvas a vida inteira. E que ele n\u00e3o tinha uma mem\u00f3ria negativa do pai. Ele entendia que aquilo foi uma escolha. A \u00fanica escolha que o pai teve. Eu verbalizava muito isso. Sobre a hist\u00f3ria ser sobre esperan\u00e7a. Sobre ele nunca ter deixado de ter esperan\u00e7a de ficar com o pai. Ele sempre quis encontrar o pai. E n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edamos ver isso. Porque, at\u00e9 ent\u00e3o, o pai o abandonava e a gente seguia com a hist\u00f3ria. E n\u00f3s criamos a sequ\u00eancia final justamente para ter um motivo do porqu\u00ea da gente simpatizar com o pai. Do porqu\u00ea era aquela a \u00fanica escolha realmente que ele tinha. A escolha de abandonar o filho pelas circunst\u00e2ncias que o levaram at\u00e9 l\u00e1. E a ideia de adicionar o tema dos refugiados&#8230; O filme n\u00e3o \u00e9 sobre refugiados. \u00c9 mais sobre essa mensagem universal de empatia e de esperan\u00e7a. E a gente colocou a ideia dos refugiados, sim, pelo tema social desses \u00faltimos anos. \u00c9 algo que sempre existiu, mas nesses \u00faltimos anos, socialmente, \u00e9 uma coisa que a gente v\u00ea em todos os lugares. \u00c9 um problema social muito grande. O meu marido, o Mario (N.E. co-diretor do filme), \u00e9 italiano. E na It\u00e1lia, nesses \u00faltimos anos, a quest\u00e3o dos refugiados foi muito discutida. Posicionamentos diversos surgiram sobre qual tipo de ajuda voc\u00ea daria para os refugiados ou n\u00e3o. Isso \u00e9 um debate importante. A inten\u00e7\u00e3o no filme n\u00e3o \u00e9 levantar debates sobre refugiados, mas mostrar que as adversidades da vida fizeram com que o pai tivesse que abandonar o garoto no orfanato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O tipo de cinema de anima\u00e7\u00e3o permite uma liberdade maior dentro da cria\u00e7\u00e3o de ritmo e de desenvolvimento da narrativa. Para al\u00e9m de uma escolha visando um alcance muito maior de pessoas no mundo pelo fato de ser um filme sem di\u00e1logos, como foi esse planejamento dentro da constru\u00e7\u00e3o do roteiro para uma hist\u00f3ria sem falas?<\/strong><br \/>\nDesde o in\u00edcio a gente queria fazer uma anima\u00e7\u00e3o. Nunca foi uma op\u00e7\u00e3o fazer um filme em live action com atores reais. Eu acho que o tema de \u201cUmbrella\u201d \u00e9 t\u00e3o delicado. E a mensagem que a gente gostaria de passar ia ser muito mais dif\u00edcil de transmitir com atores reais. Seria poss\u00edvel? Sim. Mas acho que seria muito mais dif\u00edcil em um filme live action transmitir isso sem di\u00e1logos. Teria que ter um di\u00e1logo. E a\u00ed \u00e9 aquela linha t\u00eanue: voc\u00ea vai conseguir, realmente, tocar o cora\u00e7\u00e3o das pessoas, ou voc\u00ea vai parecer que est\u00e1 for\u00e7ando uma situa\u00e7\u00e3o para as pessoas sentirem uma coisa que, talvez, n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1? E vendo o hist\u00f3rico de curtas metragens, por exemplo, da Pixar e da Disney, que fazem curtas incr\u00edveis e sem di\u00e1logos&#8230; Claro que cito grandes curtas metragens assim porque foram trabalhos que nos inspiraram. E muito pouco desses curtas metragens usam di\u00e1logos. A maioria \u00e9 somente com m\u00fasica, mesmo. Porque voc\u00ea tem que contar uma hist\u00f3ria ali, em at\u00e9 10 minutos. Quando voc\u00ea come\u00e7a a adicionar muitos di\u00e1logos, voc\u00ea tem que explicar muito as situa\u00e7\u00f5es. \u00c9 preciso ter aquele ping-pong entre os personagens para voc\u00ea entender o contexto de como chegou at\u00e9 ali. Entender o motivo que levou personagens a tomar decis\u00f5es, a\u00e7\u00f5es que eles fazem durante o filme. Ent\u00e3o, desde o in\u00edcio, decidimos que seria somente m\u00fasica. Quer\u00edamos que a m\u00fasica levasse esse sentimento que busc\u00e1vamos transmitir. A anima\u00e7\u00e3o e a m\u00fasica juntas conseguem guiar as emo\u00e7\u00f5es que quer\u00edamos transmitir. A op\u00e7\u00e3o foi essa desde o in\u00edcio. E foi muito bonito o processo de trazer o filme \u00e0 vida desde o come\u00e7o. L\u00e1 em 2015, quando a gente tinha um primeiro storyboard, eu tinha j\u00e1 a m\u00fasica de refer\u00eancia. E eu sentia que quando eu mostrava para as pessoas pr\u00f3ximas, elas se emocionavam muito. E muito dessa emo\u00e7\u00e3o vinha da m\u00fasica. A hist\u00f3ria est\u00e1 l\u00e1, mas a m\u00fasica foi um elemento muito essencial no nosso curta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o da trilha original?<\/strong><br \/>\nTem um filme que chama \u201cThe Holiday\u201d (N.E. no Brasil, \u201cO Amor N\u00e3o Tira F\u00e9rias\u201d, longa de 2006), cuja trilha \u00e9 do Hans Zimmer, um dos maiores compositores do cinema. Aquele filme \u00e9 bem importante para mim. Eu amo a trilha daquele filme. E desde o in\u00edcio eu usava algumas m\u00fasicas do \u201cThe Holiday\u201d como refer\u00eancia. E, \u00f3bvio, tem muito violino, tem muitas notas que te fazem sentir uma emo\u00e7\u00e3o grande. No come\u00e7o das conversas, a Vivian (Aguiar Buff), que \u00e9 a produtora da trilha, ia ser a compositora principal. Mas acabou que ela foi para a DreamWorks, al\u00e9m de ter ido fazer uma s\u00e9rie na Disney. Ela acabou ficando muito ocupada na \u00e9poca e n\u00e3o p\u00f4de participar. Mas ela produziu a trilha junto, e as nossas primeiras conversas sobre a trilha foram com ela. Quando lhe mostrei essas refer\u00eancias, ela me perguntou o que eu mais gostava nessas m\u00fasicas. Eu falava dos trechos que mais emocionavam. Na \u00e9poca, ela me explicou que aqueles trechos da trilha do Hans Zimmer que me emocionavam vinham de orquestra. N\u00e3o era digital. Ela explicou que aquelas notas que eu falei que eram as que me davam emo\u00e7\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o conseguir\u00edamos atingir no digital, pois elas vinham de orquestra\u00e7\u00e3o. Lembro que ela falou ser poss\u00edvel construir a trilha a partir de orquestra\u00e7\u00e3o, mas que \u00edamos precisar buscar essa orquestra, ver onde ir\u00edamos gravar. \u00c9 uma outra estrutura a partir da composi\u00e7\u00e3o. Depois que o filme estava pronto, a Vivian n\u00e3o p\u00f4de fazer, de fato, a trilha e ela nos indicou o Gabriel (Dib). Ele foi um presente maravilhoso ao projeto. Acho que n\u00e3o teria outra pessoa mais incr\u00edvel que pudesse fazer a trilha. Ele ouviu as refer\u00eancias, viu o filme, e eu pedi que ele me trouxesse o que ele sentisse. Ele colocou todo amor e alma nesse score. Trabalhou muito minuciosamente para construir as quatro composi\u00e7\u00f5es que temos no filme. Passamos horas conversando para ele entender o que a gente queria passar, qual era a mensagem do filme. E o Gabriel amou a premissa do curta. Ele, inclusive, tem uma filha pequena. Eu acho que as pessoas que, enfim, tendo ou n\u00e3o tendo filho, se conectam com a hist\u00f3ria. E ele se conectou muito. Realmente mergulhou no projeto. E a\u00ed aquela ideia que eu havia conversado com Vivian anos antes sobre orquestra\u00e7\u00e3o, acabou acontecendo. N\u00f3s acabamos por gravar com orquestra e foi uma das coisas mais emocionantes. Acho que toda etapa da produ\u00e7\u00e3o foi incr\u00edvel. Mas a orquestra foi a cereja no bolo. Foi no final, depois que estava tudo pronto. Tivemos uma sess\u00e3o de quatro a cinco horas com trinta m\u00fasicos. E eu chorei do come\u00e7o ao fim (risos). Porque voc\u00ea vendo ali o Gabriel compondo aquela m\u00fasica linda que j\u00e1 tocava o nosso cora\u00e7\u00e3o. Uma m\u00fasica que eu amava. E n\u00f3s tivemos poucos ajustes ao longo do tempo em que ele estava produzindo a trilha. Isso porque ele acertou muito em cheio no que quer\u00edamos. Teve coisas que a gente sugeria mais piano aqui, ou mais violino ali. E ele trouxe isso muito lindamente para o projeto. Ent\u00e3o, acabou que gravamos com a orquestra, de fato. E foi muito emocionante ver o score que ele havia produzido, a partitura. Foi a minha primeira experi\u00eancia com orquestra. Os m\u00fasicos chegavam, ningu\u00e9m tinha ainda visto o filme, nem ensaiado. Ele chegavam, abriam a partitura e tocavam os instrumentos. Eu n\u00e3o sabia se chorava, se assistia, se acompanhava (risos). Foi um momento muito lindo. E certamente a m\u00fasica \u00e9 muito importante na narrativa do \u201cUmbrella\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea falou dos curtas da Pixar, o nome que me veio \u00e0 mente foi o do compositor Randy Newman. Mas \u00e9 curioso voc\u00ea citar o Hans Zimmer e \u201cThe Holiday\u201d justamente por nos fazer pensar em como o trabalho alem\u00e3o varia em seu estilo.<\/strong><br \/>\nEsse filme, \u201cThe Holiday\u201d, me marcou muito porque, quando eu o assisti, em 2009, eu estava de mudan\u00e7a para os Estados Unidos para estudar ingl\u00eas. Nessa ocasi\u00e3o, eu n\u00e3o falava ingl\u00eas muito bem. Era uma \u00e9poca de frio, nevava l\u00e1 fora. Eu nunca tinha tido uma experi\u00eancia como aquela. Tinha sa\u00eddo da casa da minha m\u00e3e, estava sozinha. Eu escutava muito de amigos que eram fluentes em ingl\u00eas dizerem para eu rever aos filmes que eu gostava, meus filmes preferidos que eu j\u00e1 conhecia, s\u00f3 que com a legenda em ingl\u00eas. Assim, eu poderia ir assimilando. Mas eu achava que n\u00e3o ia funcionar, pois eu n\u00e3o ia entender os di\u00e1logos e ia ficar mais perdida ainda. Mas eles insistiam, dizendo que ajudava muito. Ent\u00e3o, esse filme em quest\u00e3o, \u201cO Amor N\u00e3o Tira F\u00e9rias\u201d, era um filme que eu tinha acabado de ver no Brasil. E quando eu me mudei para os Estados Unidos, eu lembrava muito dele. Por isso, eu o assistia muito. Ent\u00e3o, a trilha acabou me marcando muito tamb\u00e9m por eu ainda n\u00e3o entendia o que eles estavam falando em ingl\u00eas. Era a m\u00fasica do filme que me fazia sentir um monte de coisa. Desde aquela \u00e9poca, eu sempre ou\u00e7o essa trilha do Hans Zimmer. Foi uma refer\u00eancia grande. O Gabriel (Dib) usou algumas coisas que eu gostava de l\u00e1, mas ele mudou e trouxe muito dele. Muito da experi\u00eancia dele. Teve um instrumento, o obo\u00e9, que eu n\u00e3o conhecia, e que o Gabriel quis muito colocar. E ele explicou que, naquela parte do filme, ia trazer uma emo\u00e7\u00e3o. E eu admirada, ouvindo. Ele foi me apresentando v\u00e1rias notas, v\u00e1rios instrumentos que eu nem conhecia. O Gabriel colocou muito amor e alma nesse projeto com a m\u00fasica dele. Foi um trabalho que nos trouxe dois pr\u00eamios de melhor score com o \u201cUmbrella\u201d. Um em Nova York e um outro no festival no Global Music Awards, como melhor trilha sonora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das principais dificuldades t\u00e9cnicas na cria\u00e7\u00e3o de filmes em anima\u00e7\u00e3o vem da passagem do 2D para o 3D, bem como as quest\u00f5es de softwares com renderiza\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es digitais. <a href=\"http:\/\/pelicula-virtual.blogspot.com\/2020\/10\/glen-keane.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em uma conversa que tive com o veterano Glen Keane<\/a>, ele me falou sobre esse ser um dos principais desafios, como animar \u00e1gua, ou cabelos ao vento. Voc\u00ea poderia abordar um pouco essa constru\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, desde os storyboards em 2D feitos pela Laura Guedes, at\u00e9 a vers\u00e3o final que conhecemos agora?<\/strong><br \/>\nA Laura fez a concep\u00e7\u00e3o dos personagens (concept). Os desenhos em 2D dos personagens foram feitos por ela. Na \u00e9poca, em 2015, levamos o roteiro a ela, que foi interpretando, e n\u00f3s, eu e o Mario, fomos guiando como a gente imaginava \u00e2ngulos daquilo que aconteceria atrav\u00e9s dos storyboards. Eram quadros congelados, esbo\u00e7os da m\u00e3e dirigindo, da menininha. E a Laura nos ajudou a criar isso visualmente, porque as refer\u00eancias dos personagens, visualmente, eram pessoas da minha fam\u00edlia. O Joseph \u00e9, visualmente, inspirado no meu sobrinho, que j\u00e1 vai fazer 12 anos agora. O Joseph tem os olhos grandes, meio esverdeados, aquele cabelinho bagun\u00e7ado. A m\u00e3e da menina foi inspirada na minha irm\u00e3, que tem aquele cabelo curto e loiro. Visualmente, a Laura foi trazendo isso para a gente. Coisas que estavam escritas no roteiro, como a cor do cachecol, que era amarelo; a roupa gasta do menino; as paletas de cores desses elementos que estavam no papel com esses conceitos 2D. Depois, a Laura trabalhou com a gente por tr\u00eas meses naquele per\u00edodo inicial. Anos depois, quando come\u00e7amos a produ\u00e7\u00e3o, trabalhamos com o Victor Hugo, que \u00e9 um dos artistas 3D mais renomados do mercado e do Brasil. Ele \u00e9 um menino incr\u00edvel. Ele trabalhou no filme \u201cMoana\u201d, da Disney. Ele faz bastante coisa para a Marvel. No meio do 3D, o Victor Hugo \u00e9 muito conhecido. E eu queria muito que ele fizesse o design dos personagens. N\u00f3s t\u00ednhamos o conceito em 2D, e precis\u00e1vamos traz\u00ea-los para a vida em 3D. E o Victor amou o projeto. N\u00f3s conversamos por anos. Ele sabia do projeto desde 2015, mas s\u00f3 veio trabalhar conosco em 2017. Houve uma conex\u00e3o afetiva. Acho que todo mundo que entrou no projeto teve. Seja porque podem ser pessoas que tenham filhos ou irm\u00e3os adotivos, ou que s\u00e3o pais, ou que perderam algu\u00e9m da fam\u00edlia. Todo mundo teve alguma conex\u00e3o afetiva com o projeto. Isso foi muito lindo. E o Victor Hugo pegou esses conceitos da Laura e criou o design dos personagens em 3D, as texturas de roupas. Depois que ele terminou os seis personagens principais, n\u00f3s come\u00e7amos a produ\u00e7\u00e3o, de fato, no est\u00fadio. Foi quando chegaram todos esses desafios, do que a gente j\u00e1 tinha no storyboard, como elementos de chuva, por exemplo. Foram decis\u00f5es que fomos tomando, eu, o Mario e o Alan Prado, que foi o nosso supervisor de 3D e que trabalha conosco desde 2015, tamb\u00e9m. Al\u00e9m dele, o Dhiego Guimar\u00e3es, que foi nosso diretor de Arte, e o Felipe Pardini, que tamb\u00e9m fez a modelagem e a otimiza\u00e7\u00e3o dos outros personagens secund\u00e1rios e participou de toda a produ\u00e7\u00e3o em si. Com essas tr\u00eas pessoas foi que a gente come\u00e7ou a discutir como, de fato, ir\u00edamos trazer o \u201cUmbrella\u201d \u00e0 vida. As discuss\u00f5es de qual t\u00e9cnica ir\u00edamos usar, como ir\u00edamos trazer esses desafios para os nossos projetos. Voc\u00ea imagina? Era o nosso primeiro projeto e com tantos personagens e tamanha complexidade. Com o cabelo que mexia, o cachecol que teve que ser animado separadamente. A roupa que tinha bastante movimento. N\u00f3s come\u00e7amos a tomar as nossas decis\u00f5es t\u00e9cnicas e o processo foi de muito aprendizados e de muitos desafios. Porque, primeiro, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos um departamento gigante de desenvolvimento, com equipes apenas para simula\u00e7\u00e3o de roupas ou apenas para simula\u00e7\u00e3o de cabelo. N\u00e3o. Eram tr\u00eas pessoas trabalhando full-time no projeto, junto com o M\u00e1rio, que entende de toda a parte t\u00e9cnica do pipeline, junto com o Alan (Prado). Eles foram estudando e descobrindo como fazer, testando coisas aqui e ali para ver como iria funcionar melhor. E foi um processo de formiguinha, porque foi quando come\u00e7amos full-time a produ\u00e7\u00e3o. No total, foram 20 meses de produ\u00e7\u00e3o. A Laura trabalhou alguns meses, o Victor Hugo outros meses. Mas de full-time, mesmo, foram 13 ou 14 meses das pessoas trabalhando todos os dias, das 8h \u00e0s 17h. Quebrando a cabe\u00e7a, tentando encontrar solu\u00e7\u00f5es sobre (por exemplo) qual renderizador usar. Tanto que a gente escolheu o Corona, que foi um software que a gente usa para fazer projetos menores, e o \u201cUmbrella\u201d \u00e9 o primeiro curta de personagens com tanta complexidade que usou esse renderizador chamado Corona. Fomos passando por v\u00e1rios desafios. Durante esses 14 meses de produ\u00e7\u00e3o, tivemos outras pessoas que entraram. Nossa equipe chegou a ter nove pessoas simultaneamente. Chegamos a ter tr\u00eas fixos o tempo todo, e, \u00e0s vezes, t\u00ednhamos cinco, seis pessoas por um m\u00eas ou dois. E a gente ia procurando solu\u00e7\u00f5es para todos esses desafios. \u00c9 muito legal ver o projeto pronto. Quando ele come\u00e7ou a tomar forma \u00e9 que a gente conseguiu, mesmo sendo uma equipe super pequena, com uma super limita\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento, de cronograma, terminar. Querendo ou n\u00e3o, a gente precisava terminar logo. N\u00e3o poder\u00edamos ficar como uma introdu\u00e7\u00e3o do curta por muitos meses. E tamb\u00e9m tinha todo o planejamento de festivais de filmes. Por isso n\u00f3s t\u00ednhamos um deadline onde precis\u00e1vamos terminar o projeto. Foram essas coisas que fomos adicionando. Foram desafios na anima\u00e7\u00e3o dos cabelos, as roupas, a chuva, tamb\u00e9m. A Dire\u00e7\u00e3o de Arte juntou todos os mundos, porque tentamos uma paleta de cores no filme onde o amarelo do guarda-chuva e o do cachecol teriam destaque em todas as cenas, pois seriam coisas que a gente veria mais do que o restante. N\u00f3s brincamos com as esta\u00e7\u00f5es do ano, tendo mais outono no final do curta e, no come\u00e7o, mais inverno. N\u00f3s quisemos que fosse esse clima mais frio. Para trazer um pouco mais de tristeza para o filme. Ent\u00e3o, nessa constru\u00e7\u00e3o, tivemos o Diego Guimar\u00e3es, o Alan Prado e o Felipe Cardini durante esse tempo todo. E por seis meses tivemos o Hannry Pschera, de Curitiba. Um conterr\u00e2neo meu do Paran\u00e1. O Hannry foi supervisor de anima\u00e7\u00e3o e animou algumas cenas. Tivemos cinco animadores no projeto, al\u00e9m da parte t\u00e9cnica de 3D e de renderiza\u00e7\u00e3o. O Hannry fez um trabalho incr\u00edvel no projeto. Colocou todo o carinho e amor no projeto. A cada conquista do \u201cUmbrella\u201d, ele se emociona e fala que quer trabalhar em projetos que tenham algum significado maior do que ser apenas um projeto. Ent\u00e3o, ele se envolveu muito na hist\u00f3ria do \u201cUmbrella\u201d, tamb\u00e9m. E ele foi incr\u00edvel. Teve um papel fundamental na constru\u00e7\u00e3o desse projeto, junto com a musica e junto com os meninos do 3D. Foi um trabalho de colabora\u00e7\u00e3o de muitas m\u00e3os. A hist\u00f3ria \u00e9 importante. A execu\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. E o p\u00f3s tamb\u00e9m \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou a dificuldade de achar um ritmo de cria\u00e7\u00e3o dentro de um filme de, no m\u00e1ximo, 10 minutos. Queria lhe perguntar acerca da acertada op\u00e7\u00e3o de usar os cr\u00e9ditos finais como, tamb\u00e9m, um modo de acrescentar elementos \u00e0 narrativa. Como se deu essa escolha?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um desafio quando voc\u00ea pensa em um curta metragem. Porque voc\u00ea tem que contar uma hist\u00f3ria com come\u00e7o, meio e fim em um curto espa\u00e7o de tempo. Passar a mensagem que voc\u00ea gostaria que as pessoas entendessem do filme em um espa\u00e7o muito curto. N\u00f3s nos preocupamos em ter um desfecho na hist\u00f3ria, tamb\u00e9m. Muitos curtas n\u00e3o t\u00eam um desfecho. Assistimos, mas nos perguntamos o que aconteceu. &#8220;Ah, mas \u00e9 da sua interpreta\u00e7\u00e3o&#8221;. Eu entendo algumas coisas serem mais art\u00edsticas, mas eu acho que, para ser um projeto voltado para a fam\u00edlia, algo mais voltado para todas as idades, voc\u00ea tem que ter um come\u00e7o, meio e fim. Um desfecho. Muitas pessoas at\u00e9 me perguntaram se eu pensava em fazer um longa do filme. Mas o \u201cUmbrella\u201d foi pensado como um curta. A concep\u00e7\u00e3o era a de um curta-metragem. Achamos legal mostrar que a menininha se tornou a companheira de vida dele. Ela tem essas mudan\u00e7as da perspectiva de menina. Ao chegar no orfanato, ela quer ir embora, pois aquele n\u00e3o \u00e9 o mundo dela. E quando ela se depara com uma realidade que n\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria, aquilo d\u00f3i no cora\u00e7\u00e3o. Pois ela acaba julgando que o menino roubou o guarda-chuva porque ele \u00e9 uma pessoa ruim. E na verdade, n\u00e3o. Para ele n\u00e3o foi roubo. Para ele, foi a mem\u00f3ria que ele tinha do pai. N\u00f3s nos preocupamos em mostrar isso. Mostrar que ela se torna uma pessoa mais gentil, quando decide dar o guarda-chuva dela para ele. \u00c9 quando ela percebe que aquilo \u00e9 t\u00e3o importante para ele. Quando, para ela, \u00e9 s\u00f3 um guarda-chuva. Mas, para ele, \u00e9 muito mais do isso. N\u00f3s quisemos mostrar que, no final, eles ficaram juntos. E a maneira que encontramos foi nesse cr\u00e9dito final. Colocar a inspira\u00e7\u00e3o em fatos reais, e a\u00ed colocamos todas essas ilustra\u00e7\u00f5es dessa vida que eles tiveram juntos. Mas acho que o desafio maior mesmo \u00e9 contar uma hist\u00f3ria em oito minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme passou por diversos festivais que o qualificam para uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar de Melhor Curta Metragem de Anima\u00e7\u00e3o. Como est\u00e1 sendo para voc\u00ea e para o co-diretor, Mario Pece, essa quest\u00e3o de levar o filme ao m\u00e1ximo de pessoas poss\u00edvel nessa busca pela indica\u00e7\u00e3o e pela divulga\u00e7\u00e3o da obra nos festivais?<\/strong><br \/>\nO Mario \u00e9 super lowprofile (risos). Ele sempre fica atr\u00e1s das c\u00e2meras. Ele \u00e9 super t\u00edmido. Fala bem portugu\u00eas, mas n\u00e3o gosta muito de aparecer. E eu acabo sendo a porta-voz do projeto. Porque o \u201cUmbrella\u201d, realmente, foi um projeto da minha vida. \u00c9 um projeto muito importante para mim. \u00c9 um filho. Quando o \u201cUmbrella\u201d ficou pronto, eu tinha essa urg\u00eancia porque pesquisei durante muito tempo sobre festivais de cinema, para quais festivais enviar. E \u00e9 aquela coisa, voc\u00ea como curador de um festival&#8230; Eu tenho um respeito imenso por todos os festivais de cinema. Antes, eu nunca tinha participado do circuito dos festivais. E a\u00ed (risos), eu ouvia teorias mirabolantes de como ser aceito em um festival de cinema. Eu assistia a v\u00eddeos no YouTube, pesquisava, falava com pessoas que haviam sido selecionadas com os trabalhos. E cada uma tem uma hist\u00f3ria diferente. E eu ali me perguntando como eu ia conseguir entrar nos festivais. Eu tinha um calend\u00e1rio com os deadlines de inscri\u00e7\u00e3o, de quando aconteciam os festivais. Festivais que tinham que receber os filmes seis meses antes. Foi um aprendizado e um planejamento imensos. E eu seguia muito minha intui\u00e7\u00e3o. Tudo que \u00e9 feito com verdade vai encontrar seu caminho. E eu pensei: &#8220;se algu\u00e9m, em algum lugar, assistir ao \u2018Umbrella\u2019 e tocar o cora\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, isso j\u00e1 \u00e9 o maior reconhecimento que eu poderia ter. N\u00e3o preciso chegar ao maior festival&#8221;. E eu brincava, dizendo que \u00edamos chegar ao Oscar. Mas qualquer festival que nos aceitar, j\u00e1 \u00e9 um pr\u00eamio e um reconhecimento muito grande do trabalho. Porque \u00e9 muito dif\u00edcil ser selecionado. Programadores de festivais t\u00eam uma miss\u00e3o muito importante. Meu respeito por esses profissionais de festivais de cinema \u00e9 incr\u00edvel. Eu trabalho mais com publicidade, mais com outro mundo que \u00e9 diferente do mundo de cinema independente e de festivais. E me deparei com uma das coisas mais lindas do mundo. Me emociono de falar, porque \u00e9 uma comunidade de pessoas que s\u00e3o apaixonadas por cinema. O \u201cUmbrella\u201d levou oito anos para ficar pronto. Tem outros filmes que levaram mais tempo para ficar prontos. Ou o mesmo tempo. Conheci tanta gente, mesmo que virtualmente, nesses meses de festivais que \u00e9 incr\u00edvel. Me arrepio de falar. \u00c9 incr\u00edvel a paix\u00e3o que as pessoas falam dos filmes e a conex\u00e3o pessoal que elas t\u00eam pelos seus filmes. E voc\u00ea acha que \u00e9 o melhor filme do mundo. Ent\u00e3o, quando comecei a enviar, enviei mesmo sem conhecer ningu\u00e9m, sem nunca ter participado de festivais. E cada vez que eu apertava o bot\u00e3o de inscri\u00e7\u00e3o, eu chorava. O Mario tem um monte de v\u00eddeos, tipo, vergonhosos (risos), eu de pijama, chorando. Porque ele falava: &#8220;O que aconteceu?&#8221; E eu, chorando, falava que havia mandado a inscri\u00e7\u00e3o do \u2018Umbrella\u2019 para o festival. E ele dizia: &#8220;Helena, uma hora isso vai ter que parar. Voc\u00ea vai ter que parar de se emocionar&#8221; (risos). E eu mandava, assim, com todo amor e carinho. O primeiro festival que eu mandei foi no final de setembro de 2019. E n\u00f3s recebemos a resposta em outubro. Era um festival da Irlanda. Foi o primeiro que eu mandei e a primeira resposta que recebi. Foi o <a href=\"https:\/\/www.foylefilmfestival.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Foyle Film Festival<\/a>, que \u00e9 qualificado para a Academia. E eles nos aceitaram. Foi uma alegria imensa. Em seguida, fomos para a Irlanda. N\u00e3o ganhamos, mas foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel, pois participamos de quatro eventos onde o \u2018Umbrella\u2019 foi exibido. Para mim, naquele momento, era a coisa mais incr\u00edvel do mundo. Um super big deal! A\u00ed voc\u00ea chega l\u00e1 e tem pessoas que j\u00e1 est\u00e3o no circuito h\u00e1 muito tempo. Que esteve com um filme l\u00e1 nos anos anteriores. E eu impressionada com tudo. N\u00f3s fomos para l\u00e1 e, em seguida, fomos para o Rio de Janeiro, e apresentamos no <a href=\"https:\/\/vfxrio.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">VFX Rio<\/a>, que \u00e9 um evento que o Matteo (Moriconi) e a Jazmin (Kuan Veng) fazem. N\u00f3s participamos antes em 2016. Mas, dessa vez, foi a primeira exibi\u00e7\u00e3o do \u2018Umbrella\u2019 no Brasil. Antes disso, l\u00e1 na Irlanda, no dia que o \u2018Umbrella\u2019 foi exibido, eu fique l\u00e1 atr\u00e1s na sala de cinema. Porque fiquei muito nervosa. E fiz isso em todas as vezes que o \u2018Umbrella\u2019 passou. Eu ia l\u00e1 para tr\u00e1s. E via as pessoas chorando, emocionadas. Elas, depois, vinham falar comigo. Falavam: &#8220;Obrigada, que filme lindo! A gente sai com uma mensagem t\u00e3o bonita&#8221;. E aquilo para mim era tudo. No Rio, na exibi\u00e7\u00e3o, foi a mesma coisa. Muita gente chorando. Tinham muitos estudantes de cinema. E eu l\u00e1 falando: &#8220;Acreditem nos seus sonhos. N\u00e3o desistam. V\u00e3o atr\u00e1s. Pesquisem. Aprendam&#8221;. Muitas coisas no nosso meio de cinema s\u00e3o feitas s\u00f3 com experi\u00eancia, com tempo, mesmo. Nada acontece de um dia para o outro. A gente tem que ter paci\u00eancia e persist\u00eancia. Falei bastante sobre isso no Rio. A gente apresentou no <a href=\"https:\/\/unlock.ccxp.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unlock<\/a>, na Comic Con. O Gustavo (Giglio, curador do evento) nos deu esse espa\u00e7o l\u00e1, tamb\u00e9m. Fizemos a apresenta\u00e7\u00e3o e foi a mesma coisa. As pessoas se emocionavam, choravam, e vinham falar conosco sobre como o filme havia tocado o cora\u00e7\u00e3o delas. Ent\u00e3o, n\u00f3s tivemos essa possibilidade de participar desses quatro eventos, e a\u00ed, em dezembro, come\u00e7amos a receber respostas dos outros festivais. Recebemos do <a href=\"https:\/\/www.cinequest.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cinequest Festival<\/a>. Foi quando come\u00e7amos a receber respostas de festivais que s\u00e3o qualificados para o Oscar. Engra\u00e7ado que nos e-mails eles perguntavam se n\u00f3s aceit\u00e1vamos participar do festival (risos). E a gente dizia: &#8220;\u00f3bvio que a gente participa.&#8221; (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que momento voc\u00ea soube da sele\u00e7\u00e3o para o Tribeca?<\/strong><br \/>\nO Tribeca foi uma surpresa muito grande. Porque quando voc\u00ea ouve falar de festivais de cinema, t\u00eam aqueles cinco maiores do mundo. Aqueles que as pessoas focam, como o Sundance, Toronto, Cannes, Veneza e Tribeca. As pessoas sempre falam: &#8220;Ah, meu filme vai estar l\u00e1 um dia&#8221;. E mandei para todos esses festivais, tamb\u00e9m. E mandei para o Tribeca. Mas nunca imaginava. Mandei porque era algo que eu precisava tirar da consci\u00eancia. Tipo: &#8220;Mandei. Fiz a minha parte&#8221;. Em janeiro, recebi o e-mail perguntando qual era o status do \u201cUmbrella\u201d e tinha que passar mais algumas informa\u00e7\u00f5es. Fiquei meio assim. \u2018Nossa, Tribeca. Imagina&#8230;\u2019 E voc\u00ea olha on line e a porcentagem de aceita\u00e7\u00e3o do Tribeca \u00e9, tipo, 1% de seis mil curtas inscritos. Esse ano, seis foram escolhidos. Para mim, esses n\u00fameros eram muito surreais. E a\u00ed o \u2018Umbrella\u2019 foi escolhido. E junto com ele estava o curta \u2018To: Gerard\u2019, da Dreamworks; estava o curta do Patrick Smith (N.E. \u2018Beyond Noh\u2019), que est\u00e1 no mercado h\u00e1 muito tempo. Outros curtas de pessoas que est\u00e3o fazendo anima\u00e7\u00f5es e curtas h\u00e1 muitos anos. Pessoas que fazem parte da Academia. Pessoas que eu nunca imaginei estar junto e o \u2018Umbrella\u2019 estava l\u00e1 (risos). De paraquedas. De paraquedas, eu digo, porque foi muito genuinamente. Os programadores, de fato, assistem a todos os filmes que s\u00e3o enviados. Porque a fun\u00e7\u00e3o deles \u00e9, de fato, encontrar novos talentos. Encontrar esses curtas que t\u00eam uma mensagem bonita e que as pessoas n\u00e3o sabem quem s\u00e3o esses filmes. Por ter sido, tamb\u00e9m, um primeiro curta tamb\u00e9m co-escrito e co-dirigido por uma mulher e com uma mensagem t\u00e3o bonita, acho que tamb\u00e9m foi muito positivo para o projeto como um todo. N\u00e3o acho que foi o principal, porque eu acho que a mensagem, antes de qualquer coisa, foi algo muito importante. Mas acho que o estilo que a gente usou. O 3D \u00e9 mais demorado, tem um custo mais alto. \u00c0s vezes, as pessoas com um projeto pronto de 3D procuram outras formas de visibilidade. Procuram distribui\u00e7\u00e3o, procuram outras maneiras de colocar o filme no mundo. E a nossa op\u00e7\u00e3o foi ir pelo tradicional circuito de festivais. Porque quando voc\u00ea tem um projeto finalizado, voc\u00ea faz o que? Coloca on line? Faz a distribui\u00e7\u00e3o? Qual o objetivo do seu projeto? Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 a\u00ed h\u00e1 quase 14 meses nessa p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o. E eu estou aqui todos os dias tentando fechar o projeto, divulgando nas redes, e tentando trazer a aten\u00e7\u00e3o das pessoas. Mesmo sendo um curta. Depois dele pronto, como voc\u00ea mant\u00e9m as pessoas interessadas em um projeto que elas n\u00e3o podem assistir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Verdade. Ao menos, ap\u00f3s a trajet\u00f3ria do \u201cUmbrella\u201d pelos festivais em 2019, em 2020 o filme p\u00f4de participar das exibi\u00e7\u00f5es on line.<\/strong><br \/>\nIsso. Em 2020, por causa da pandemia, gra\u00e7as a Deus, nenhum festival cancelou. Todos foram muito bacanas em se reinventar. Todos fizeram uma edi\u00e7\u00e3o on line e, pela primeira vez, festivais grandes deram a oportunidade de comprar o ticket on line e assistir ao filme tamb\u00e9m on line pelo per\u00edodo do festival. Ano passado, isso n\u00e3o era poss\u00edvel. As pessoas tinham que estar fisicamente nos festivais para assistir. Algumas pessoas conseguiram assistir ao \u201cUmbrella\u201d, compraram os ingressos, apoiaram. Mas a maioria das pessoas perguntavam como que dava para assistir, onde estava dispon\u00edvel. E isso tamb\u00e9m \u00e9 um desafio. Voc\u00ea continuar promovendo curtas sem poder mostrar. Porque, pelas regras de muitos festivais, voc\u00ea n\u00e3o pode publicar o curta on line em nenhum lugar. Voc\u00ea s\u00f3 pode publicar 10% da dura\u00e7\u00e3o do filme. Isso \u00e9 um outro desafio, tamb\u00e9m. Como manter as pessoas interessadas por um projeto que eles n\u00e3o podem ver. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 muito feliz agora que, a partir desse 07\/01\/2021, poderemos deix\u00e1-lo dispon\u00edvel no YouTube on line por duas semanas, onde todo mundo vai poder assistir e realmente ter essa experi\u00eancia que eu tanto falo. Eu espero que as pessoas sintam alguma coisa com o filme e levem essa mensagem de empatia, que a gente precisa cada vez mais e mais. Ent\u00e3o, n\u00f3s vamos divulgar nosso filme do modo mais singelo, no YouTube. N\u00e3o temos nada &#8220;fancy&#8221; por tr\u00e1s. N\u00e3o temos nenhum streaming apoiando ou que a gente vai estar na grade (risos). Vamos no modo mais singelo, mesmo. No YouTube, esperando que as pessoas compartilhem e possam, de fato, assistir e levar essa mensagem de que n\u00e3o podemos julgar as outras pessoas sem conhecer o que os outros est\u00e3o passando. Principalmente nesse ano t\u00e3o dif\u00edcil de pandemia. Nesse ano t\u00e3o dif\u00edcil que bagun\u00e7ou a vida de todo mundo. Tem tanta gente que perdeu entes queridos. Tanta gente que est\u00e1 passando por dificuldades. Temos que ter empatia. Temos que nos colocar no lugar do outro. Principalmente por esse momento que estamos vivendo. Temos que nos colocar no lugar do outro, e n\u00e3o pensar s\u00f3 na gente. \u00c9 por isso que vemos tanta gente que est\u00e1 em casa, se cuidando, evitando sair de casa, mas por um bom motivo. Voc\u00ea est\u00e1 olhando para o pr\u00f3ximo. Isso \u00e9 muito importante. Acho que esse ano despertou muito isso nas pessoas. A gente p\u00f4de ver quem realmente pensa no pr\u00f3ximo, pensa em um todo como sociedade. Quem se preocupa com o outro e quem n\u00e3o. N\u00f3s vimos o bom e o ruim das pessoas durante essa pandemia. Ent\u00e3o, eu espero que o \u201cUmbrella\u201d possa florescer esse sentimento de empatia nas pessoas e esquente um pouco o cora\u00e7\u00e3o delas. E que as pessoas possam pensar, mesmo, que a gente quer ajudar o pr\u00f3ximo e n\u00e3o podemos julgar sem conhecer o que o outro est\u00e1 passando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fico feliz em ver um cinema de curta metragem t\u00e3o prol\u00edfico. Tanto aqui no Brasil, quanto em produ\u00e7\u00f5es feitas por brasileiros em outros lugares do mundo. E ver brasileiros com essa possibilidade de uma representa\u00e7\u00e3o no Oscar e j\u00e1 passando por festivais do porte do Tribeca, realmente, orgulha.<\/strong><br \/>\nS\u00f3 uma corre\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o, o projeto \u00e9 100% brasileiro. Foi feito em S\u00e3o Paulo, com toda equipe brasileira. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/stratostormvfx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Stratostorm<\/a>, que \u00e9 a minha empresa e a do Mario, ela fica em S\u00e3o Paulo e, recentemente, a gente est\u00e1 tentando expandir aqui para Los Angeles. Eu fico mais tempo em S\u00e3o Paulo do que em Los Angeles. Com a pandemia, n\u00f3s chegamos aos Estados Unidos em mar\u00e7o para justamente participar do Tribeca, do Cinequest e do Cleeveland, que s\u00e3o festivais que qualificam para o Oscar e que a gente estava selecionado. Aconteceu a pandemia, e n\u00f3s n\u00e3o conseguimos voltar para o Brasil. Porque n\u00e3o tem mais voo direto. N\u00f3s estamos trabalhando em homeoffice desde mar\u00e7o. Ent\u00e3o, \u00e9 um projeto feito 100% no Brasil. Eu sou brasileira. Acho que os \u00fanicos estrangeiros que tem no projeto s\u00e3o os m\u00fasicos da orquestra, porque gravamos aqui em Los Angeles, na Capitol Studios. E o colorista, que foi o mesmo que fez a cor do \u201cMandalorian\u201d, o Charles (Bunnag), que fez tamb\u00e9m a cor do \u201cRei Le\u00e3o\u201d, dos \u201cVingadores\u201d. O Charles \u00e9 americano, e o M\u00e1rio \u00e9 italiano, mas \u00e9 residente no Brasil. Ele \u00e9 mais brasileiro do que eu (risos). Isso que foi a parte internacional. Isso \u00e9 importante frisar. Por mais que eu esteja aqui, nos Estados Unidos, por casa da pandemia, o projeto \u00e9 brasileiro. Inspirado em uma hist\u00f3ria que aconteceu no Brasil, claro que com outros elementos. Mas a equipe toda \u00e9 da\u00ed do Brasil. E isso \u00e9 que a gente quer tentar levar daqui at\u00e9 o an\u00fancio oficial dos indicados. Queremos que os membros da Academia fiquem sabendo, porque tem membros da Academia brasileiros que votam na categoria de anima\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o os conhe\u00e7o, mas sei que tem brasileiros. S\u00e3o poucos que fazem parte dos comit\u00eas da Academia, mas tem alguns que votam na categoria de anima\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o meu desejo, tamb\u00e9m, \u00e9 que as pessoas fiquem sabendo do \u201cUmbrella\u201d. Que considerem o nosso filme, tamb\u00e9m. Porque, de fato, se o \u201cUmbrella\u201d chegar l\u00e1, e ser indicado, ser\u00e1 o primeiro curta brasileiro (empolgada) 100% brasileiro a chegar t\u00e3o perto assim. Acho que isso \u00e9 muito legal. Porque se a gente for indicado, \u00e9 o primeiro curta brasileiro na hist\u00f3ria a ser indicado. Tivemos o longa \u201cO Menino e o Mundo\u201d. Tivemos ano passado o \u201cDemocracia em Vertigem\u201d. Mas s\u00e3o todos longas. N\u00e3o temos na categoria de curtas, que, \u00e0s vezes, \u00e9 uma categoria que as pessoas n\u00e3o olham muito. As pessoas que eu digo, a grande massa que assiste a cerim\u00f4nia do Oscar. Mas n\u00f3s, da ind\u00fastria, estamos sempre de olho sabendo quais s\u00e3o os curtas. Que existem curtas. Que eles t\u00eam espa\u00e7o na Academia. E o que \u00e9 muito legal. S\u00e3o curtas metragens t\u00e3o reconhecidos pelo trabalho, e que, possivelmente, ganham um Oscar, que \u00e9 o maior reconhecimento do cinema mundial. E \u00e9 muito legal que a Academia nunca tirou essa categoria dos pr\u00eamios, mantendo l\u00e1 Melhor Curta de Document\u00e1rio, de Live Action e o de Anima\u00e7\u00e3o. Estamos em uma torcida, fazendo do jeito que a gente pode, agradecendo o espa\u00e7o que todos os ve\u00edculos est\u00e3o dando. As pessoas t\u00eam sido t\u00e3o generosas com a gente e aberto a porta para ouvir a hist\u00f3ria do \u201cUmbrella\u201d e para contar essa hist\u00f3ria. E o mais importante \u00e9 de fato saber que as pessoas gostam do filme n\u00e3o s\u00f3 por uma not\u00edcia de que \u00e9 um filme brasileiro, mas porque elas assistem e acham delicado, que acham bonito. Isso \u00e9 o mais legal de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou os membros votantes que s\u00e3o brasileiros, e o pr\u00f3prio Al\u00ea Abreu, diretor de \u201cO Menino e o Mundo\u201d, \u00e9 um deles. Al\u00e9m dele, tem, tamb\u00e9m, o Otto Guerra.<\/strong><br \/>\nVerdade. Eu n\u00e3o os conhe\u00e7o. D\u00e1 vontade de bater na porta e falar: &#8220;Olha, nosso Brasil pode ser representado&#8221; (risos). Mas eu n\u00e3o os conhe\u00e7o. Conhe\u00e7o o trabalho deles e os admiro muito. Acho o trabalho do Otto Guerra incr\u00edvel. Ele ganhou dois pr\u00eamios com os curtas dele na Academia Brasileira de Cinema. \u00c9 incr\u00edvel o trabalho dele. Eu super respeito. Nessa nossa luta pela Cultura e por produzir projetos independentes, \u00e9 muito legal. Esse ano me esquenta um pouco o cora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, de poder trazer alguma boa not\u00edcia para o Brasil. A gente est\u00e1 com menos espa\u00e7o na Cultura. Ela est\u00e1 t\u00e3o defasada nesse ano por, enfim, v\u00e1rias coisas acontecendo politicamente no nosso pa\u00eds. E eu acho que, sendo um projeto independente, levando o nome do Brasil para tantos lugares do mundo, \u00e9 bem especial. Esse \u00e9 um momento bem especial para mim e para toda a nossa equipe.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59385\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/umbrella.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/umbrella.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/umbrella-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s exibi\u00e7\u00e3o em diversos festivais internacionais que d\u00e3o qualifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a corrida por uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar, \u201cUmbrella\u201d, tocante curta brasileiro de anima\u00e7\u00e3o, est\u00e1 pode ser visto gratuitamente no YouTube.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/12\/entrevista-a-diretora-helena-hilario-fala-sobre-o-curta-de-animacao-umbrella\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":59384,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[3465],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59382"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59382"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59481,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59382\/revisions\/59481"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59384"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}