{"id":59370,"date":"2021-01-10T00:01:37","date_gmt":"2021-01-10T03:01:37","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59370"},"modified":"2021-03-06T21:18:56","modified_gmt":"2021-03-07T00:18:56","slug":"entrevista-martin-van-drunen-asphyx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/10\/entrevista-martin-van-drunen-asphyx\/","title":{"rendered":"Entrevista: Martin van Drunen (Asphyx)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que mant\u00e9m o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/officialasphyx\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Asphyx<\/a> respirando \u00e9 o gosto pela m\u00fasica, a empolga\u00e7\u00e3o de reunir os integrantes para tocar e, principalmente, a conex\u00e3o com o p\u00fablico por meio de um som extremo. \u00c9 isso que afirma o vocalista Martin van Drunen nesta entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarteto holand\u00eas nunca se deixou asfixiar por modismos, nem pelas adversidades do caminho. Chegou a desfalecer por um per\u00edodo de sete anos (entre 2000 e 2007), mas recobrou a consci\u00eancia em 2007, quando van Drunen voltou ao posto de frontman ap\u00f3s 15 anos afastado da fun\u00e7\u00e3o. Morte, por ora, s\u00f3 como tema para as composi\u00e7\u00f5es ou no nome dos discos. Criativamente, o grupo segue bem vivo \u2014 mesmo padecendo com a saudade de tocar ao vivo devido \u00e0 pandemia que paralisou o mercado de eventos, conforme van Drunen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Asphyx \u00e9 dessas bandas que carrega ares do death metal \u00e0s antigas, colocando em seu som ainda as j\u00e1 tradicionais pitadas de doom. Agora, ganha novo f\u00f4lego com o furioso \u201cNecroceros\u201d (2021), petardo com lan\u00e7amento marcado para 22 de janeiro. O novo \u00e1lbum mostra uma musicalidade brutal e cativante, com riffs marcantes e linhas vocais capazes de grudar na mem\u00f3ria sem perder a agressividade. Aquela vibe death\u2019n\u2019roll de quem curte desgraceira sem esquecer os cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A forma\u00e7\u00e3o est\u00e1vel desde 2014 ajuda a criar uma qu\u00edmica interna que se reflete em composi\u00e7\u00f5es inspiradas. Isso, sem falar na experi\u00eancia de quase um quarto de s\u00e9culo na ind\u00fastria vital da m\u00fasica extrema e da trajet\u00f3ria de 10 \u00e1lbuns em est\u00fadio \u2014 seis deles com van Drunen, sendo os dois primeiros e os quatro mais atuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trocamos ideia por skype com um simp\u00e1tico e educado vocalista. Ali\u00e1s, o pr\u00f3prio entrevistado se diz um cara de boas, que deixa a agressividade para extravasar na m\u00fasica, pois considera que ser raivoso no cotidiano \u00e9 perda de tempo. Risonho, respondeu quest\u00f5es sobre o cen\u00e1rio death metal, o retorno ao Asphyx, influ\u00eancia do Venom e, claro, o trabalho atual.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ASPHYX - Knights Templar Stand (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/grkuAMJYv0M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia nos contar como se deu sua volta ao Asphyx ap\u00f3s 15 anos (Martin saiu em 1992 e retornou em 2007)?<\/strong><br \/>\nFoi por causa do festival <a href=\"https:\/\/www.party-san.de\/news\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Party San Metal Open Air<\/a> (em Th\u00fcringen, na Alemanha) basicamente, pois eles nos convidaram diversas vezes para tocar. Era feita uma vota\u00e7\u00e3o ao fim de cada edi\u00e7\u00e3o, perguntando para as pessoas qual banda elas gostariam de ver no pr\u00f3ximo ano, e os frequentadores pediam Asphyx direto. Ent\u00e3o, eles tentaram chamar a gente algumas vezes. Eric (Daniels, guitarrista original) tinha alguma quest\u00e3o pessoal e disse que n\u00e3o queria participar. Ent\u00e3o, Bob (Bagchus, bateria) disse que n\u00e3o iria acontecer. N\u00e3o sem o Eric. Ent\u00e3o, o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/hailofbulletsofficial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hail of Bullets<\/a> (outra banda de Martin) teve origem e nos encontramos em algum bar para beber e nos conhecermos melhor. Da\u00ed, o Paul (Baayens, guitarrista), acho que meio b\u00eabado, me perguntou sobre o Asphyx e disse que poderia tocar. Eu disse: \u201cOk, vou ver com o Bob\u201d. No dia seguinte ou dois dias depois, eu questionei o Bob e ele voltou a dizer que n\u00e3o sem o Eric. Uns tr\u00eas dias depois ele falou que talvez pud\u00e9ssemos tentar. E o Paul confessou, anos depois, que ele acordou no outro dia depois de comentar sobre tocar no Asphyx e pensou: \u201cCaralho, o que eu fiz! Disse para o Martin que poderia tocar guitarra no Asphyx. Estou louco de falar isso!\u201d. Rolou que o Paul veio ao local de ensaio comigo e Bob, plugou a guitarra e estava t\u00e3o alto e soando muito bem que pensamos: \u201cisso vai funcionar\u201d. Eu e Bob nos olhamos espantados. Precis\u00e1vamos saber se eu faria o baixo, pois n\u00e3o tocava h\u00e1 anos e gosto de ser s\u00f3 o vocalista. Resolvemos chamar o Wannes (Gubbels) de volta, j\u00e1 que ele fez um excelente trabalho no disco do <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=zsviM-My0q4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Soulburn<\/a> (projeto originado quando o Asphyx se separou, na metade dos anos 1990, com Bob e Eric na forma\u00e7\u00e3o) e tamb\u00e9m no \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6Srm2GqFyJx1qQwdesnZsG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">On the Wings of Inferno<\/a>\u201d (2000), do Asphyx. Aqui estamos desde 2007. E a festa continua!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E quais diferen\u00e7as voc\u00ea notou no Asphyx, comparando o tempo em que foi vocalista na d\u00e9cada de 1990 e depois da volta?<\/strong><br \/>\nA grande mudan\u00e7a \u00e9 que, de repente, est\u00e1vamos em um palco gigante pela primeira vez diante de 10 ou 15 mil pessoas. Talvez n\u00e3o seja assim t\u00e3o grande, mas essa quantidade de gente \u00e9 bastante para n\u00f3s. \u00c9ramos o headliner e acho que todo mundo estava um pouco nervoso. Foi fant\u00e1stico. Foram muitos anos sem tocar as m\u00fasicas juntos. Principalmente para mim, pois o Bob continuou at\u00e9 2000, se n\u00e3o me engano. Mas o principal \u00e9 que a atmosfera seguia como no passado. Todos curtimos muito fazer o que fazemos. Claro, h\u00e1 uma mudan\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o no clima da banda. Exceto que nos demos conta de que, com o passar dos anos, ganhamos uma esp\u00e9cie de status cult ou o que seja. Ent\u00e3o, foi mais interessante do que costumava ser no passado quando \u00e9ramos bem pequenos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em diferen\u00e7as: percebe alguma altera\u00e7\u00e3o em fazer parte de uma banda death metal hoje em dia se comparado com os velhos tempos?<\/strong><br \/>\nA grande mudan\u00e7a \u00e9 que agora tratam voc\u00ea melhor. Porque antigamente era preciso pegar um carro e voc\u00ea tinha sorte se pagavam a gasolina. Agora organizam tudo para voc\u00ea. H\u00e1 boa comida, cerveja e ainda te pagam. E isso \u00e9, com certeza, uma grande diferen\u00e7a. Talvez n\u00e3o para bandas iniciantes, que sempre t\u00eam de come\u00e7ar de algum lugar que costuma ser mais dif\u00edcil. Para n\u00f3s, quando faz\u00edamos shows, n\u00e3o sab\u00edamos o que esperar. E, do nada, voc\u00ea est\u00e1 em grandes eventos com pessoas correndo por voc\u00ea. Tipo: \u201ctudo bem com voc\u00eas?\u201d, \u201cquer isso ou aquilo?\u201d. \u00c9 uma grande mudan\u00e7a se comparado ao passado. Mas, honestamente, o boom do old school death metal \u2014 algo bem legal por sinal, especialmente com bandas novas \u2014 tem o mesmo esp\u00edrito que t\u00ednhamos. Talvez soe estranho, mas grupos desse estilo das antigas, e at\u00e9 os novos de agora, fazem isso porque se divertem tocando tal tipo de som. E depois curtem momentos de divers\u00e3o, tomando umas cervejas com todo mundo. Isso segue a mesma coisa. Muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como era a cena na Holanda no fim dos 1980\/come\u00e7o dos 1990? Tem at\u00e9 um document\u00e1rio prestes a sair em breve sobre o cen\u00e1rio holand\u00eas, certo?<\/strong><br \/>\nIsso, deve ser o \u201c<a href=\"https:\/\/www.indiegogo.com\/projects\/metaal#\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">METAAL<\/a>\u201d, do Mike Redman. Recebi um e-mail dele, acho que finalizou o material. Ele me entrevistou no come\u00e7o da pandemia em uma casa de shows perto de onde moro. Ainda tenho de conferir isso. \u00c9 interessante a ideia de documentar a cena holandesa. H\u00e1 muitas pessoas que n\u00e3o entendem de onde come\u00e7amos. Mal havia uma cena death. N\u00e3o apenas aqui, mas no mundo todo. Mesmo a Su\u00e9cia tinha poucas bandas. Tinha o Nihilist, que deu origem ao Entombed. A maioria das bandas vinha dos Estados Unidos. Um dos primeiros \u00e1lbuns do g\u00eanero, se n\u00e3o o primeiro, foi o \u201cSeven Churches\u201d, do Possessed. Um cl\u00e1ssico absoluto. Durante esse tempo rolavam muitas demos, como o Mantas, que virou Death \u2014 com Kam Lee (Massacre) e Chuck Schuldiner juntos \u2014, as fitas de ensaio do Morbid Angel. O estilo estava crescendo mundialmente, inclusive na Holanda. Naquele tempo, aqui na Holanda, tinha a gente (Asphyx), por volta de 1987. Claro, havia boas bandas antes. Uma das primeiras foi o Thanatos, que era mais death\/thrash. Eles foram a primeira banda extrema da Holanda. Na sequ\u00eancia, a cena come\u00e7ou a crescer com outros nomes, como Gorefest, Dead Head (que \u00e9 da nossa \u00e1rea). Ent\u00e3o, o circuito come\u00e7ou a crescer lentamente at\u00e9 explodir. No come\u00e7o dos 1990 tinha Sinister e God Dethroned tamb\u00e9m. E foi a\u00ed que a cena holandesa realmente come\u00e7ou a ficar maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem um estilo de vocal distinto. Ao mesmo tempo em que \u00e9 gutural, \u00e9 gritado. Talvez n\u00e3o t\u00e3o grave quanto outras vozes do g\u00eanero. E isso meio que d\u00e1 uma profundidade, passa certo desespero. Como voc\u00ea desenvolveu e aprimorou suas habilidades vocais? Tem algum cuidado especial com a voz?<\/strong><br \/>\nUm pouco de cada. Eu tenho certo cuidado e pratico. Posso fazer meus vocais aqui em casa para mant\u00ea-los em forma. Mas \u00e9 isso, n\u00e3o sou do tipo que n\u00e3o bebe ou n\u00e3o fuma. Gosto de tomar umas cervejas e pitar meu cigarro (depois da 40 anos fumando). Sei que \u00e9 um mau h\u00e1bito, mas \u00e9 um dos meus v\u00edcios. Ent\u00e3o, deixa assim. N\u00e3o costumo perder a voz ou algo do tipo. Basicamente, tento me manter em forma e o resto \u00e9 do jeito que \u00e9. Minha voz mudou um pouco com o passar do tempo. Por exemplo, as notas mais altas que fa\u00e7o no \u00e1lbum \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1OWeyxYXD1bOdbjazirjOn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Rack<\/a>\u201d (1991), eu n\u00e3o alcan\u00e7o mais. S\u00f3 que \u00e9 apenas idade. \u00c9 isso que as cervejas e os cigarros fazem (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual sua idade?<\/strong><br \/>\nTenho 54. Quatro anos a mais que metade de um s\u00e9culo (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde que voc\u00ea est\u00e1 de volta ao Asphyx, todo \u00e1lbum lan\u00e7ado tem \u201cdeath\u201d (morte) no t\u00edtulo. No trabalho mais recente, a palavra foi substitu\u00edda por outra de significado parecido, que \u00e9 \u201cnecro\u201d. Alguma raz\u00e3o para essa, digamos, fixa\u00e7\u00e3o pela morte? E por que n\u00e3o usar o termo expl\u00edcito desta vez?<\/strong><br \/>\nGosto de brincar com essas palavras. \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1QNXsYD0l2PlzQe6RwG3AL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Deathhammer<\/a>\u201d \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o, por exemplo. E eu n\u00e3o sabia o que fazer com a palavra desta vez. Ent\u00e3o, t\u00ednhamos necro, do grego, que, como voc\u00ea disse, \u00e9 a mesma coisa. Apenas acrescentei nela um peda\u00e7o de rhinoceros (rinoceronte), o animal furioso. Algo que, se vem em sua dire\u00e7\u00e3o, \u00e9 melhor sair de perto porque, se n\u00e3o, voc\u00ea vai morrer. Ent\u00e3o, fiz essa combina\u00e7\u00e3o e criei a palavra \u201cNecroceros\u201d e falei para os caras da banda. Ainda tem a express\u00e3o death, mas n\u00e3o de um jeito tradicional. Eles disseram: \u201clegal Martin! Podemos usar\u201d. Ent\u00e3o, se tornou o t\u00edtulo de trabalho. Mas, at\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o sabia o que fazer com a express\u00e3o. Eu tinha o t\u00edtulo, restava saber o que fazer com ele. Mas voc\u00ea est\u00e1 certo, meio que substitui a palavra \u201cdeath\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 algum tema principal no disco novo? Caso sim, tem a ver com morte?<\/strong><br \/>\nAcho que em qualquer som que fazemos o mote \u00e9 meio sempre que a morte. Mesmo que em t\u00f3picos diferentes. Seja a guerra ou algum evento hist\u00f3rico. N\u00e3o, pera\u00ed! Em \u201cBotox Implosion\u201d o mundo n\u00e3o vai acabar. Mas tem mutila\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, pode ser coisas assim tamb\u00e9m. Que o mundo \u00e9 um lugar fodido, essas coisas todas (risos), eu falo tamb\u00e9m. \u00c9 estranho, mas \u00e9 verdade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ASPHYX - Botox Implosion (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9zw241m3JRQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A forma\u00e7\u00e3o do Asphyx \u00e9 a mesma desde 2014. Pode-se dizer que trabalhar com pessoas que j\u00e1 est\u00e3o h\u00e1 um tempo com voc\u00ea \u00e9 mais f\u00e1cil na hora de criar do que quando se junta com gente nova? E como as trocas na forma\u00e7\u00e3o afetam o processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDesde que nos juntamos para \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2jRmcH0p7fNbpNElJuGvjF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Death&#8230;The Brutal Way<\/a>\u201d (2009) calhou que o Paul (Baayens, guitarrista) \u00e9 um \u00f3timo compositor. E, claro, n\u00f3s nos aprimoramos meio que da mesma maneira que ele. Tamb\u00e9m sempre queremos manter um estilo espec\u00edfico que temos. N\u00e3o desejamos perder isso. Mesmo com as mudan\u00e7as de integrantes, as guitarras s\u00e3o o mais importante quando criamos as m\u00fasicas. E isso n\u00e3o mudou, essencialmente. Algumas faixas soam diferentes de outras, mas o estilo \u00e9 basicamente o mesmo. Isso n\u00e3o foi alterado. Mas devo dizer que agora, com forma\u00e7\u00e3o estabelecida por alguns anos, tudo funciona mais facilmente. Porque voc\u00ea entende o outro muito melhor depois de um tempo juntos. Para o disco novo, fomos ao est\u00fadio por dois fins de semanas e come\u00e7amos a praticar com coisas antigas que t\u00ednhamos. Alguns sons ainda n\u00e3o estavam prontos, ent\u00e3o os finalizamos. Assim, percebo o quanto os outros caras s\u00e3o bons tocando juntos. Apenas nos olhamos e sabemos o que o outro vai fazer. \u00c9 algo fant\u00e1stico de observar. Ainda mais para mim, que n\u00e3o lido com nenhum instrumento, apenas presto aten\u00e7\u00e3o. Algumas vezes digo para algum dos caras tentar fazer isso ou aquilo, ou que vou fazer de tal jeito em determinado trecho e \u00e9 preciso deixar esse trecho duas vezes maior. Mas s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es pequenas. E assim come\u00e7amos a gravar, basicamente das trilhas de bateria, depois as guitarras do jeito que pensamos que devem ser. H\u00e1 uma qu\u00edmica excelente entre todos da banda. E mesmo ao vivo, em momentos nos quais os amplificadores s\u00e3o extremamente altos e voc\u00ea n\u00e3o consegue escutar a si mesmo, conseguimos nos entender. Aquele lance: \u201cem que parte da porra da m\u00fasica estou?\u201d. Nos olhamos e conseguimos nos achar rapidamente e cair de volta na parte correta. As pessoas, muitas vezes, nem percebem. Isso \u00e9 parte da batalha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tipo: \u201cte vejo no refr\u00e3o\u201d.<\/strong><br \/>\n(risos) Isso ainda n\u00e3o aconteceu com a gente, na verdade. Mas lembro do H\u00fcskens (bateria) n\u00e3o estar bem certo de o que fazer, e ele fica no lugar onde o som costuma ser pior. A\u00ed, Paul aumenta o volume da guitarra e coloca o p\u00e9 no pratic\u00e1vel e mostra pro H\u00fcskens: \u201cT\u00f4 aqui\u201d! (mais risos). E a\u00ed seguimos a todo vapor como se nada tivesse acontecido. E isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque nos conhecemos bem e sabemos como lidar. Estamos juntos desde 2014. Algumas bandas nem duram esse tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerando que algumas bandas antigas ou m\u00fasicos da cena extrema n\u00e3o est\u00e3o mais em atividade, e voc\u00ea e o Asphyx seguem no jogo, o que diria que \u00e9 necess\u00e1rio para perseverar na cena extrema?<\/strong><br \/>\nPara n\u00f3s, o mais importante \u00e9 que gostamos muito do que fazemos, principalmente tocar ao vivo. Infelizmente, 2020 foi terr\u00edvel nesse sentido. Certo, fizemos um belo \u00e1lbum, mas n\u00e3o poder estar no palco \u00e9 uma tortura. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual tocamos. Encontrar as pessoas, depois do show, mesmo cansado, andar pela plateia, falar com as pessoas, assinar os discos, tirar fotos e por a\u00ed vai. \u00c9 uma merda n\u00e3o poder fazer isso. O metal tem de estar nas suas entranhas e precisa ser uma m\u00fasica que funciona ao vivo. Se voc\u00ea n\u00e3o tem paix\u00e3o para fazer, n\u00e3o deve nem estar em uma banda. Isso \u00e9 nossa maior motiva\u00e7\u00e3o. E tamb\u00e9m a raz\u00e3o pela qual seguimos fazendo \u00e1lbuns, pois da\u00ed as pessoas podem ver sua banda ao vivo tocando sons que elas ainda n\u00e3o conhecem. E contanto que consigamos nos aturar enquanto banda, vamos seguir. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para parar. \u00c9 como um sonho, sabe? Quando eu era um garoto nunca pensei que estaria fazendo o mesmo que os caras que estava ouvindo na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos na banda ganham a vida com m\u00fasica ou algu\u00e9m tem empregos regulares?<\/strong><br \/>\nTodos os outros caras tem empregos mais normais, mas eu n\u00e3o. E agora est\u00e1 bem dif\u00edcil. N\u00e3o \u00e9 algo que vai fazer algu\u00e9m ficar rico, mas me faz viver com o necess\u00e1rio. O mais importante \u00e9 que sou livre. Livre para fazer tudo que quiser junto com a m\u00fasica que toco. A liberdade \u00e9 algo que o dinheiro n\u00e3o pode comprar. N\u00e3o tenho um padr\u00e3o alto de vida. Desde que eu tenha uma TV e um PC ou laptop que funcionem, alguma mob\u00edlia, est\u00e1 bom. N\u00e3o me importo com outras coisas mais caras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que ou quem voc\u00ea gostaria de esmagar com o Deathhammer (martelo da morte)?<\/strong><br \/>\n(risos) Deixe-me ver\u2026 Acho que o cara se chama Hudson Byne (na verdade \u00e9 Paul Breitner). Ele foi o jogador alem\u00e3o que nos fez perder o campeonato mundial de futebol em 1974, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=xV-H4288yNk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pois ele fingiu cair e ganhou um p\u00eanalti<\/a>. Mas n\u00e3o foi! Ele estava apenas encenando. Ent\u00e3o perdemos a final. Maldi\u00e7\u00e3o! Esse cara eu definitivamente queria esmagar com o martelo da morte. Desgra\u00e7ado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma curiosidade: para mim, h\u00e1 algo na m\u00fasica \u201cDeathhammer\u201d que remete a \u201cBlack Metal\u201d do Venom. Sei l\u00e1, talvez a melodia do vocal. \u00c9 poss\u00edvel que haja alguma influ\u00eancia da cl\u00e1ssica faixa-t\u00edtulo dos ingleses na composi\u00e7\u00e3o que batiza o oitavo disco do Asphyx?<\/strong><br \/>\n(risos) Acho que escrevi a letra de \u201cDeathhammer\u201d n\u00e3o por causa da \u201cBlack Metal\u201d, mas pela \u201cToo Loud for the Crowd\u201d (do disco \u201cPossessed\u201d, do Venom). A letra \u00e9 um pouco parecida. Eu curto fazer o que Venom faz com as letras. Eu disse para o Paul: \u201cs\u00e3o dois riffs, o quer que eu fa\u00e7a?\u201d. Ent\u00e3o escrevi uma parte e o refr\u00e3o, era isso. Acho que escrevi a letra toda em 10 minutos. Voc\u00ea est\u00e1 certo, h\u00e1 uma abordagem meio Venom, que \u00e9 uma banda que curto bastante. N\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim, toda vez que escuto o refr\u00e3o \u201cdeathhammer\u201d, \u201cdeathhammer\u201d, parece que vai vir \u201cLay down your souls to the gods rock &#8216;n roll!\u201d (trecho de \u201cBlack Metal\u201d).<\/strong><br \/>\nOoooooooooooohhhh! Boa! \u00c9 um \u00f3timo complemento, valeu mesmo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, a letra desse som (\u2018Deathhammer\u2019) \u00e9 uma cr\u00edtica ao cen\u00e1rio death metal, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma cr\u00edtica a v\u00e1rias bandas que parecem n\u00e3o entender sobre o que se trata. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, em festivais, assistimos bandas tocar, mas eles n\u00e3o parecem estar curtindo no palco. Ficam l\u00e1 parados, olhando para os cal\u00e7ados. Os guitarristas n\u00e3o se mexem. Vamos l\u00e1, isso \u00e9 um insulto! H\u00e1 pessoas que pagaram para ver voc\u00ea, ent\u00e3o \u00e9 melhor fazer algo. Mostre \u00e0s pessoas sua paix\u00e3o pela m\u00fasica. Mostre sua raiva, sua f\u00faria. E esses caras est\u00e3o enchendo os bolsos, por isso fiz a m\u00fasica. \u201cEstamos sendo bem pagos, mas n\u00e3o gostar\u00edamos de estar no palco\u201d&#8230; Ah, por favor, v\u00e3o embora. Ent\u00e3o, em 10 minutos, coloquei minha raiva e frustra\u00e7\u00e3o com isso no papel. Se algum desses caras leu a letra e sacou o recado, j\u00e1 valeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea se considera uma pessoa raivosa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, na verdade. Eu continuo ficando com raiva se vejo algo injusti\u00e7as sendo feitas. E \u00e0s vezes voc\u00ea n\u00e3o tem poder para mudar a situa\u00e7\u00e3o, apenas assistir. Tudo que se pode fazer \u00e9 olhar e ficar com raiva. E talvez colocar isso nas m\u00fasicas. Mas n\u00e3o sou uma pessoa brava no cotidiano, isso \u00e9 uma perda de tempo. Mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que injusti\u00e7as sociais e coisas assim acontecem e s\u00e3o horr\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que a m\u00fasica pode nos ajudar a canalizar a raiva em algo positivo?<\/strong><br \/>\nDefinitivamente. Se eu comparar eu mesmo quando era garoto, um adolescente, quando se tem aquele monte de horm\u00f4nios fluindo e fervilhando internamente, e h\u00e1 muita frustra\u00e7\u00e3o, o metal \u00e9 um jeito fant\u00e1stico de liberar isso. Em vez de sair para a rua e come\u00e7ar a brigar ou destruir a propriedade alheia, voc\u00ea fica batendo cabe\u00e7a e libera as energias negativas. Depois de uma hora, est\u00e1 cansado, colocou sentimentos ruins para fora e est\u00e1 bem. O mesmo rola quando se vai a shows. As pessoas voltam para a casa e v\u00e3o para a cama. \u00c9 melhor do que uma torcida de futebol violenta, que cortar algu\u00e9m na rua e coisas do tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ser\u00e1 que a m\u00fasica extrema est\u00e1 tomando um rumo da \u201cincoming death\u201d (entrada da morte, nome do nono disco do Asphyx)?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o ainda. Enquanto houver essa atmosfera e bandas novas surgindo, h\u00e1 v\u00e1rios talentos por a\u00ed. H\u00e1 uma vibe positiva entre as bandas do mesmo g\u00eanero que se destaca. Eu vejo um futuro bem positivo neste sentido.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ASPHYX - The Nameless Elite (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RnlmBNeopmE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ASPHYX - Deathhammer (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IXhyzGc7_pc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ASPHYX - Incoming Death (Album Track)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AYNkQh6VDNk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Asphyx - Live at Party San 2007\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FoYS8J_cXrw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que mant\u00e9m o Asphyx respirando \u00e9 o gosto pela m\u00fasica, a empolga\u00e7\u00e3o de reunir os integrantes para tocar e, principalmente, a conex\u00e3o com o p\u00fablico por meio de um som extremo. \u00c9 isso que afirma o vocalista Martin van Drunen nesta entrevista.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/01\/10\/entrevista-martin-van-drunen-asphyx\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":59371,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5042],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59370"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59370"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59370\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59391,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59370\/revisions\/59391"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}