{"id":5922,"date":"2010-09-20T10:40:21","date_gmt":"2010-09-20T13:40:21","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5922"},"modified":"2022-07-25T00:10:40","modified_gmt":"2022-07-25T03:10:40","slug":"discografia-comentada-elvis-costello","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/","title":{"rendered":"Discografia comentada: Elvis Costello"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marco Antonio Bart<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minhas primeiras lembran\u00e7as do homem s\u00e3o hoje difusas. Lembro de ter visto os clipes de \u201cEveryday I Write the Book\u201d, \u201cPeace, Love and Understanding\u201d e \u201cOliver\u2019s Army\u201d no bom e velho programa Vibra\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m posso ter ouvido \u201cLet Him Dangle\u201d na Fluminense FM (foi a m\u00fasica que escolheram para divulgar o \u00e1lbum \u201cSpike\u201d na r\u00e1dio, sabe l\u00e1 por que). Enfim, Elvis Costello entrou na minha vida l\u00e1 por volta de 88-89. Comprei o \u201cSpike\u201d ap\u00f3s ter gostado instantaneamente de \u201cLet Him Dangle\u201d. Ajudado por uma bio escrita por Celso Pucci na revista Bizz, fui catando os vinis que apareciam nos sebos da vida \u2013 \u201cGet Happy!!\u201d, \u201cArmed Forces\u201d, \u201cPunch the Clock\u201d, \u201cKing of America\u201d e principalmente a colet\u00e2nea \u201cThe Man\u201d (importada, um luxo), que ajudou numa vis\u00e3o panor\u00e2mica da obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, a coisa s\u00f3 ficou s\u00e9ria mesma depois do show que ele fez no Tim Festival em 2005. Sem d\u00favida um dos melhores que j\u00e1 vi na vida, talvez o melhor \u2013 repert\u00f3rio impec\u00e1vel, banda excelente, grande presen\u00e7a de palco. E interpreta\u00e7\u00f5es acachapantes para duas favoritas pessoais, \u201cHigh fidelity\u201d e \u201cI Want You\u201d (veja como foi <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Y6pkW23vpKM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>). Foi ali que resolvi cair de cabe\u00e7a, um mergulho impulsionado pelo DVD \u201cThe Right Spectacle\u201d, bela colet\u00e2nea de clipes. Hoje Elvis Costello \u00e9 o campe\u00e3o de entradas em minha discoteca: 27 CDs (mais o box \u201cCostello &amp; Nieve\u201d, edi\u00e7\u00e3o limitada) e nove LPs, superando os usuais suspeitos Beatles, R.E.M., Bowie e Dylan. As sucessivas reedi\u00e7\u00f5es de seus cl\u00e1ssicos obrigam a ter dois, \u00e0s vezes tr\u00eas vers\u00f5es do mesmo disco (caso do \u201cThis Year\u2019s Model\u201d, presente em vinil, CD simples e CD duplo deluxe). Fora a caralhada de piratas ao vivo de todas as fases da carreira do cara. E itens extraclasse tipo o disco da Wendy James (ex-Transvision Vamp), recheado de can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas de Costello (consta que ela escreveu para ele pedindo uma m\u00fasica e ele deu um disco inteiro) mais algumas trilhas sonoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fato \u00e9 que hoje em dia, acima de Declan Patrick Aloysius MacManus em meu pante\u00e3o pessoal de compositores, s\u00f3 mesmo Lennon &amp; McCartney. N\u00e3o canso de admirar sua versatilidade, sua m\u00e9trica \u00edmpar, suas letras excepcionais (e nem sou muito ligado em letra). E acima de tudo seu dom de melodista. No seu \u00e1pice criativo, era capaz de enfiar sequ\u00eancia ap\u00f3s sequ\u00eancia de cl\u00e1ssicos instant\u00e2neos, que uniam (unem) sem emendas influ\u00eancias m\u00faltiplas \u2013 beatlemania, country, Brill Building, Motown, Bacharach, jazz, punk, blues, reggae, standards, rockabilly. \u00c0s vezes mais de um g\u00eanero ao mesmo tempo, na mesma m\u00fasica. O homem n\u00e3o \u00e9 apenas uma enciclop\u00e9dia da m\u00fasica popular dos \u00faltimos 60 ou 70 anos; ele tamb\u00e9m consegue costurar todo o seu conhecimento em can\u00e7\u00f5es que nascem atemporais. Em alguns momentos, sim, resvala no pastiche; noutros, parece perder um pouco a personalidade; em terceiros, renuncia (voluntariamente) \u00e0 originalidade. Mas sempre deixa o ouvinte com vontade de assobiar. O que mais importa no pop, afinal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uma discografia detalhada e completa mesmo, o \u00fanico endere\u00e7o a verificar \u00e9 o oficial (<a href=\"http:\/\/www.elviscostello.info\/wiki\/index.php\/Main_Page\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), de onde, claro, suguei muitas informa\u00e7\u00f5es. Que fique claro: o texto a seguir n\u00e3o se trata de uma an\u00e1lise superprofunda da obra e da carreira do artista. \u00c9 mais um \u201cdi\u00e1rio sentimental\u201d de minha rela\u00e7\u00e3o com seus discos e \u2013 se a pretens\u00e3o n\u00e3o for muita \u2013 um pequeno guia para orientar ne\u00f3fitos que queiram se embrenhar na longa discografia do sujeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota do editor de um detalhe deliciosamente complicador: grande parte da discografia de Elvis Costello (mais precisamente da estreia &#8220;My Aim Is True&#8221; at\u00e9 &#8220;All This Useless Beauty&#8221;), nada menos do que 17 discos, foi reeditada pela Rhino em extensas edi\u00e7\u00f5es em CD duplo repletas de raridades e curiosidades. N\u00e3o bastasse, quase todos os \u00e1lbuns posteriores tamb\u00e9m ganharam edi\u00e7\u00f5es de luxo caprichadas, o que faz da discografia comentada abaixo um ponto de partida: h\u00e1 muito mais a se aventurar em se tratando de Elvis Costello. Comece por aqui e se divirta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_true.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMy Aim Is True\u201d (1977)<\/strong><br \/>\nO All Music Guide lista este disco como um \u201cd\u00e9but fenomenal\u201d. A resenha do NME \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento classificava-o como \u201cum \u00e1lbum de intenso brilhantismo\u201d. Aos 22 anos, Elvis Costello despontava como uma ave rara: um punk rocker imbu\u00eddo da mais cl\u00e1ssica sensibilidade pop. A for\u00e7a do repert\u00f3rio vem dos anos de ac\u00famulo de can\u00e7\u00f5es e refinamento de influ\u00eancias. A energia nervosa de \u201cWaiting For The End of the World\u201d, \u201cWelcome to the Working Week\u201d, \u201cMystery Dance\u201d e \u201cI\u2019m Not Angry\u201d era contrabalan\u00e7ada pela ourivesaria pop de \u201c(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes\u201d e \u201cNo Dancing\u201d, a ironia de \u201cLess Than Zero\u201d e \u201cWatching the Detectives\u201d e sobretudo por \u201cAlison\u201d, primeira de uma longa s\u00e9rie de cr\u00f4nicas sobre relacionamentos amorosos que serviriam de base para algumas das mais memor\u00e1veis cria\u00e7\u00f5es do compositor. A \u201cmira\u201d aqui s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais \u201cverdadeira\u201d por causa da banda que acompanhava Costello, o grupo americano Clover (que mais tarde viriaria o The News que acompanhava Huey Lewis). EC vinha da cena londrina de pub rock (assim como Nick Lowe, Joe Strummer, Graham Parker\u2026) e \u201cMy Aim Is True\u201d soa, n\u00e3o surpreendentemente, como um disco de pub rock (cheque \u201cBlame it on Cain\u201d e \u201cNo Dancing\u201d). \u201cAlison\u201d, uma metabalada rom\u00e2ntica, ganhou um arranjo que \u00e9 puro soft-rock setentista. Os m\u00fasicos do Clover simplesmente n\u00e3o tinham manha nem personalidade para acompanhar as m\u00faltiplas ideias de Elvis Costello. A quest\u00e3o seria resolvida no disco seguinte\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: A terceira estrofe da cinematogr\u00e1fica \u201cWatching the Detectives\u201d (\u201cYou think you\u2019re alone until you realize you\u2019re in it\/ Now\/\u2026\u201d), na qual Costello manda toda uma historinha em meia-d\u00fazia de versos numa s\u00f3 tomada de f\u00f4lego, numa m\u00e9trica entortante \u2013 proeza que ele repetiria bastante, especialmente nos primeiros discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cMy Aim Is True\u201d est\u00e1 em cat\u00e1logo em diversas vers\u00f5es, desde a simples com as 13 faixas originais passando pela vers\u00e3o Rhino de 2001, que traz um CD b\u00f4nus com outras 13 faixas raras (entre demos, b-sides e n\u00fameros ao vivo) e tamb\u00e9m uma luxuosa edi\u00e7\u00e3o deluxe lan\u00e7ada em 2007 que traz 12 faixas b\u00f4nus no primeiro CD, e um show inteiro de agosto de 1977 (com as 18 m\u00fasicas do show mais 5 da passagem de som) no segundo CD.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_model.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThis Years Model\u201d, (1978)<\/strong><br \/>\nEterno favorito popular, respons\u00e1vel por tr\u00eas dos maiores hits do compositor (&#8220;Radio Radio&#8221;, s\u00f3 inclu\u00edda na vers\u00e3o americana do disco, &#8220;Pump It Up&#8221; e &#8220;(I Don&#8217;t Want to Go to) Chelsea&#8221;), tamb\u00e9m \u00e9 o primeiro disco gravado com os Attractions. Ao lado de Bruce Thomas (baixo), Steve Nieve (teclados) e Pete Thomas (bateria), Costello achou um grupo de m\u00fasicos criativa e tecnicamente excelentes \u2013 e vers\u00e1teis o suficiente para embarcar na velocidade das suas viagens mentais. O pobre Clover nunca conseguiria criar um arranjo t\u00e3o entortante e idiossincr\u00e1tico como o de \u201cChelsea\u201d, replicar o balan\u00e7o de \u201cThe Beat\u201d, seguir o passo furioso de Elvis em \u201cNo Action\u201d ou preparar a s\u00edncope cavalar de \u201cPump it Up\u201d. Os Attractions podiam soar suaves, como em \u201cLittle Triggers\u201d, faceiros e leves, como em \u201cYou Belong To Me\u201d, ou positivamente enraivecidos, como em \u201cLipstick Vogue\u201d. \u201cThis Years Model\u201d talvez seja o mais coeso disco de Costello, em termos de sonoridade. Todas as faixas, das mais agitadas \u00e0s mais lentas, vibram na mesma energia man\u00edaca. Com a apari\u00e7\u00e3o dos Attractions, a m\u00fasica de Costello integrou-se de vez \u00e0 est\u00e9tica new wave\/p\u00f3s-punk, sem abandonar a veia mel\u00f3dica \u2013 um power pop anabolizado, adornado por letras furiosas que n\u00e3o perdoavam o amor (\u201cLipstick Vogue\u201d), as mulheres (\u201cThis Year\u2019s Girl\u201d), os farsantes (\u201cChelsea\u201d) e a m\u00eddia tacanha (\u201cRadio Radio\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: O discurso irado no break de \u201cRadio Radio\u201d (\u201cAnd radio is in the hands of such a lot of fools trying to anaesthetise the way that you feel\u201d). Por causa dessa m\u00fasica (e especificamente desse trecho <a href=\"http:\/\/videosift.com\/video\/Elvis-Costello-Radio-Radio-SNL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), Costello foi banido do programa Saturday Night Live por anos. Angry young Elvis at his best.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cThis Years Model\u201d tamb\u00e9m est\u00e1 em cat\u00e1logo em diversas vers\u00f5es, desde a simples com as 13 faixas originais passando pela vers\u00e3o Rhino de 2001, que traz um CD b\u00f4nus com outras 12 faixas raras (entre demos, b-sides e n\u00fameros ao vivo) e tamb\u00e9m uma luxuosa edi\u00e7\u00e3o deluxe lan\u00e7ada em 2007 que traz 10 faixas b\u00f4nus no primeiro CD, e um show inteiro de fevereiro de 1978 em Washington DC no segundo CD.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_forces.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>\u201cArmed Forces\u201d (1979)<\/strong><\/span><br \/>\nContinua\u00e7\u00e3o natural de \u201cThis Year\u2019s Model\u201d, mas com o \u00e2nimo bem mais arrefecido. Uma maior altern\u00e2ncia de climas e arranjos mais elaborados (v\u00e1rios timbres diferentes de teclados) marcam o disco, no lugar do drive fren\u00e9tico do anterior. Elvis baixa a bola e se esmera na constru\u00e7\u00e3o de melodias absolutamente perfeitas, acertando em cheio nos hits \u201cAccidents Will Happen\u201d e \u201cOliver\u2019s Army\u201d. Emula os Beatles em \u201cParty Girl\u201d (e sua coda chupada de \u201cYou Never Give Me Your Money\u201d), soa l\u00fadico e malicioso em \u201cGreen Shirt\u201d e \u201cGoon Squad\u201d, e faz bom proveito da energia dos Attractions em \u201cBig Boys\u201d e \u201cMoods for Moderns\u201d. Para quem sentia falta da raiva de dantes, a edi\u00e7\u00e3o americana (e a brasileira) encerrava com \u201c(What\u2019s So Funny \u2019Bout) Peace, Love and Understanding\u201d, outro cl\u00e1ssico, este composto pelo brother e produtor do disco, Nick Lowe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: A terceira estrofe de \u201cOliver\u2019s Army\u201d, quando sobe o tom da m\u00fasica (\u201cBut there\u2019s no danger\u2026\u201d). N\u00e3o importa quantas centenas de vezes voc\u00ea ou\u00e7a essa m\u00fasica, ela vai arrancar um sorriso nesse trecho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Armed Forces&#8221; soma 17 faixas b\u00f4nus as 13 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_happy.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGet Happy!!\u201d (1980)<\/strong><br \/>\nPrimeira tentativa expl\u00edcita que Elvis Costello fez de construir um disco \u201ctem\u00e1tico\u201d, ou talvez \u201ctematizado\u201d \u2013 approach que aplicaria a \u00e1lbuns posteriores como \u201cAlmost Blue\u201d e o recente \u201cSacred, Profane and Sugarcane\u201d. Vindo de uma tremenda rebordosa causada por excesso de tudo \u2013 de shows, de mulheres, de drogas, de l\u00edngua solta \u2013 Costello resolveu reinterpretar a soul music e o R&amp;B americanos dos anos 60. Mas sob sua pr\u00f3pria \u00f3tica: a de um ingl\u00eas branquelo viciado em discos, crescido na era da beatlemania e que ganhou espa\u00e7o surfando a onda punk. O resultado \u00e9 um disco nost\u00e1lgico, mas nunca passadista. Mesmo ao fazer covers, Elvis &amp; os Attractions n\u00e3o se rendem \u00e0 fac-simile. \u201cI Can\u2019t Stand Up For Falling Down\u201d, balada de Sam &amp; Dave, ganhou uma animada batida quase caribenha, e \u201cI stand Accused\u201d, hit de Jerry Butler, foi regravado numa levada fren\u00e9tica. A energia empregada em \u201cThis Year\u2019s Model\u201d d\u00e1 a t\u00f4nica mais uma vez, desta vez em prol de um som mais \u201cpopulista\u201d e acess\u00edvel \u2013 as melodias fofas de \u201cLove for Tender\u201d, \u201cPossession\u201d, \u201cMen Called Uncle\u201d, \u201cClowntime is Over\u201d, \u201cTemptation\u201d e \u201cSecondary Modern\u201d s\u00e3o os melhores exemplos. Mais crispadas, \u201cThe Imposter\u201d e \u201cBeaten to the Punch\u201d eram o contraponto. \u201cHigh Fidelity\u201d, lan\u00e7ada como single, permanece como uma das mais perfeitas cria\u00e7\u00f5es do homem, que em meio \u00e0 imers\u00e3o no R&amp;B ainda achou tempo para criar sua pr\u00f3pria adapta\u00e7\u00e3o de \u201cYou\u2019ve Got to Hide Your Love Away\u201d (com \u201cNew Amsterdam\u201d). Insista em adquirir o relan\u00e7amento da Rhino em CD duplo, que vem com 30 (!) faixas-b\u00f4nus, incluindo maravilhas n\u00e3o inclu\u00eddas no disco como \u201cSo Young\u201d, \u201cJust a Memory\u201d, \u201cGirls Talk\u201d e \u201dGetting Mighty Crowded\u201d e incr\u00edveis vers\u00f5es alternativas de \u201cWatch Your Step\u201d, \u201cClowntime is Over\u201d, \u201cOpportunity\u201d e \u201cI Can\u2019t Stand Up For Falling Down\u201d, entre outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: \u201cRiot Act\u201d. Num disco eminentemente uptempo e \u201cpra cima\u201d, Elvis escolheu como faixa de encerramento a mais lenta e dram\u00e1tica can\u00e7\u00e3o do lote. Num \u00fanico aceno aos arranca-rabos que teve com a imprensa e a opini\u00e3o p\u00fablica nos EUA em 79\/80, ele rasga o cora\u00e7\u00e3o e canta \u201cTrying to be so bad is bad enough \/ You make me laugh by talking tough \/Don\u2019t put your heart out on your sleeve\/ When your remarks are off the cuff\u201d &#8211; s\u00f3 pode ser refer\u00eancia ao rolo em que se meteu, b\u00eabado, ao xingar Ray Charles sem motivo algum. Conclus\u00e3o assombrosa para um \u00e1lbum idem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Get Happy!&#8221; soma 30 faixas b\u00f4nus as 20 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_trust.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cTrust\u201d (1981)<\/span><\/strong><br \/>\nRecebido sem muito entusiasmo pelo p\u00fablico em 81, o quinto disco em quatro anos marcava a primeira (de v\u00e1rias) guinadas estil\u00edsticas de Elvis Costello. Cansado do som niueive dos trabalhos anteriores \u2013 com o qual j\u00e1 tentara romper em \u201cGet Happy!!\u201d \u2013 Costello come\u00e7ara a compor ao piano. Para emoldurar letras definitivamente sombrias, como as de \u201cBig Sister\u2019s Clothes\u201d, \u201cShot With His Own Gun\u201d e \u201cWhite Knuckles\u201d, o compositor optou por uma grande variedade estil\u00edstica. H\u00e1 rockabilly (\u201cLuxembourg\u201d), country (\u201cDifferent Finger\u201d), balada melodram\u00e1tica (\u201cShot With His Own Gun\u201d), R&amp;B em tom menor (\u201cWatch Your Step\u201d) e pop festeiro (\u201cFrom a Whisper to a Scream\u201d). A tecladeira de Nieve ganha ainda mais proemin\u00eancia, como em \u201cYou\u2019ll Never Be a Man\u201d e \u201cFish \u2018n\u2019 Chip Paper\u201d. Num disco que n\u00e3o primava pela coes\u00e3o, cada um dos lados do vinil era aberto por um cl\u00e1ssico absoluto, um bem distinto do outro. \u201cClubland\u201d \u00e9 uma das mais bem constru\u00eddas melodias da carreira de Costello, com um arranjo que tamb\u00e9m destaca a finesse (e as raizes eruditas) de Nieve ao piano. No lado B, \u201cNew lace Sleeves\u201d, uma can\u00e7\u00e3o antiga (de 1975) sobre infidelidade, tamb\u00e9m ganhava uma ambienta\u00e7\u00e3o s\u00f4nica sutil e refinada, considerada pelo pr\u00f3prio Costello como uma das melhores performances coletivas dos Attractions.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: O acorde C7M em \u201cNew Lace Sleeves\u201d, quando Elvis canta \u201cAnd you say\u2026\/ The teacher never told you anything but \/ white lies\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Trust&#8221; soma 17 faixas b\u00f4nus as 14 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_blue.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAlmost Blue\u201d (1981)<\/strong><br \/>\nFalando em guinadas\u2026 para recuperar-se do relativo fracasso de Trust, Elvis Costello e os Attractions se enfurnaram em Nashville, com o intuito de gravar um disco de covers de country music. Decis\u00e3o a princ\u00edpio chocante para um paladino da new wave. O fato \u00e9 que Costello apreciava o estilo h\u00e1 tempos (era f\u00e3 de George Jones e dos Flying Burrito Brothers) e j\u00e1 em 1976 exercitava-se na \u00e1rea como compositor (o caipiresco lado-B \u201cStranger in The House\u201d foi gravado nesta \u00e9poca). Os Attractions at\u00e9 que se comportaram bem, domando seus instintos mais primitivos e respeitando os arranjos originais. Isso n\u00e3o impediu liberdades como a transforma\u00e7\u00e3o de \u201cWhy Don\u2019t You Love Me (Like You Used To Do)?\u201d, de Hank Williams, num rockabilly desvairado e a inclus\u00e3o de \u201cHoney Hush\u201d, do bluesmen Big Joe Turner, n\u00famero beeeem distante do universo sertanejo, exce\u00e7\u00f5es num disco reverente, melanc\u00f3lico e um tiquinho melodram\u00e1tico. Costello exorciza seus problemas com a bebida (\u201cTonight the Bottle Let me Down\u201d, de Merle Haggard, e \u201cSittin\u2019 and Thinkin\u2019\u201d, de Charlie Rich), as atribula\u00e7\u00f5es da vida pop (\u201cSucess\u201d) e suas dores de corno (como em \u201cBrown to Blue\u201d e \u201dI\u2019m Your Toy\u201d \u2013 que na verdade era \u201cHot Burrito #\u20191?, dos Burrito Brothers). Entre os b\u00f4nus relevantes dos relan\u00e7amentos em CD, cheque a bela recria\u00e7\u00e3o de \u201cI\u2019m Your Toy\u201d gravada ao vivo, com os Attractions acompanhados pela Royal Philarmonic Orchestra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: \u201cBrown to Blue\u201d, hit na voz de George Jones, uma lamentosa can\u00e7\u00e3o sobre separa\u00e7\u00e3o. Literalmente: a letra narra uma audi\u00eancia de div\u00f3rcio! \u201cYou change your name from Brown to Jones and mine from Brown to Blue\u201d, choraminga Elvis para a mulher que o largou e reassumiu o sobrenome de solteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Na vers\u00e3o Rhino, de 2001, um segundo CD traz 27 faixas b\u00f4nus que destacam apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, sess\u00f5es perdidas, um dueto com Johnny Cash (\u201cWe Oughta Be Ashamed\u201d) al\u00e9m de um punhado de vers\u00f5es que ficaram fora do \u00e1lbum, coisas como \u201cHonky Tonk Girl\u201d, de Loreta Lynn, \u201cPsycho\u201d, de Leon Payne e \u201cCry, Cry, Cry\u201d, de Johnny Cash.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_imperial.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cImperial Bedroom\u201d (1982)<\/strong><br \/>\nCostello concebeu seu sexto disco de material original como uma virada decisiva em sua carreira. Para tanto, convocou como produtor Geoff Emerick (AKA o engenheiro que ajudou George Martin a produzir os discos dos Beatles), armou-se de refinamento extra nas composi\u00e7\u00f5es e deixou a imagina\u00e7\u00e3o correr solta na hora dos arranjos. O esfor\u00e7o rendeu o disco que a maioria dos cr\u00edticos considera como seu melhor trabalho, mas que n\u00e3o chegou a ser um grande sucesso comercial. \u00c9 a primeira deliberada incurs\u00e3o do cantor numa seara que alguns classificam como baroque pop. Realmente, \u201cbarroco\u201d \u00e9 um termo que vem \u00e0 mente ao notar o n\u00edvel de detalhe dos arranjos e a complexidade mel\u00f3dica e harm\u00f4nica das can\u00e7\u00f5es. Sopros e um acorde\u00e3o adornam \u201cThe Long Honeymoon\u201d; Steve Nieve arregimenta uma orquestra para \u201c\u2026And in Every Home\u201d; faixas como \u201cBeyond Belief\u201d, \u201cPidgin English\u201d e \u201cKid About It\u201d apresentam elaborados arranjos vocais. De fato, uma cr\u00edtica que pode ser feita a \u201cImperial Bedroom\u201d \u00e9 que Costello aqui parece se esfor\u00e7ar demais, adicionando camadas e som e acordes inusitados e buscando um tom s\u00f3brio e \u201ccomplexo\u201d para as composi\u00e7\u00f5es. Quando ele afinava o foco, saia-se com maravilhas como \u201cMan Out Of Time\u201d ou \u201cAlmost Blue\u201d. Retrabalhado v\u00e1rias vezes no est\u00fadio, o repert\u00f3rio caracterizava-se por letras sombrias sobre a vida dom\u00e9stica (\u201c\u2026And in Every Home\u201d, \u201cTears Before Bedtime\u201d, \u201cThe Long Honeymoon\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Sempre o rei da autodeprecia\u00e7\u00e3o, Elvis espeta a si mesmo com requinte parnasiano em \u201cMan Out of Time\u201d, uma de suas mais belas can\u00e7\u00f5es desde sempre: \u201cHe\u2019s got a mind like a sewer and a heart like a fridge \/ He stands to be insulted and he pays for the privilege\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Imperial Bedroom&#8221; soma 23 faixas b\u00f4nus as 15 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_clock.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cPunch The Clock\u201d (1983)<\/span><\/strong><br \/>\nComo que numa rea\u00e7\u00e3o (involunt\u00e1ria?) \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o over do disco anterior, Costello resolve baixar um pouco a bola, contando com a ajuda dos produtores Clive Langer &amp; Alan Winstanley \u2013 na \u00e9poca, escultores de sons \u201cmodern\u00e9rrimos\u201d. \u201cPunch The Cloch\u201d n\u00e3o deixa de ser um retorno ao conceito de \u201cGet Happy!!\u201d de reinterpreta\u00e7\u00e3o da black music, mas dessa vez com valores de produ\u00e7\u00e3o tipicamente oitentistas. No lugar da orquestra de 40 m\u00fasicos empregada em \u201cImperial Bedroom\u201d, a adi\u00e7\u00e3o dos TKO Horns (a se\u00e7\u00e3o de metais que tocava com os Dexy\u2019s Midnight Runners), as vocalistas de apoio Afrodiziak e at\u00e9 Chet Baker (o trompete de \u201cShipbuilding\u201d \u00e9 dele). Langer &amp; Winstanley emprestaram um gloss aos timbres do disco que hoje pode soar meio datad\u00e3o e estridente. Os trombones e trompetes agregados tornam \u201cLet Them All Talk\u201d, \u201cThe World and His Wife\u201d e \u201cTKO (Boxing Day)\u201d uma divertida curiosidade na discografia de Elvis at\u00e9 aquele momento. \u201cEveryday I Write The Book\u201d, que originalmente era um roquinho em estilo merseybeat, virou um R&amp;B macio, cheio de tiques estil\u00edsticos. A interven\u00e7\u00e3o mais radical ocorreu em \u201cPills &amp; Soap\u201d, inspirada em \u201cThe Message\u201d, de Grandmaster Flash (!) \u2013 \u00e0 base de drum machine e um descarnado riff de piano. Na outra ponta, \u201cShipbuilding\u201d era uma elegante balada jazz\u00edstica que trazia uma inspirad\u00edssima letra contra a Guerra das Malvinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Elvis botando os bofes para fora (\u201cI can\/ Count you oooooooooooooooooouuuuuuuuuuu-t\u201d) em \u201cTKO\u201d, tentando competir com a metaleira em brasa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Punch The Clock&#8221; soma 26 faixas b\u00f4nus as 13 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_cruel.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGoodbye Cruel World\u201d (1985)<\/strong><br \/>\nNas liner notes do relan\u00e7amento deste disco, escritas em 1995, EC escreve: \u201cParab\u00e9ns! Voc\u00ea acabou de comprar nosso pior \u00e1lbum\u201d. Mais tarde, o pr\u00f3prio se remendaria, dizendo que este \u00e9 seu \u201cpior disco de boas can\u00e7\u00f5es\u201d. \u201cGoodbye Cruel World\u201d \u00e9 mesmo um caso complicado. A rela\u00e7\u00e3o de Costello com os Attractions estava muito desgastada e o casamento do cantor estava em ru\u00ednas. Para dar corpo \u00e0s can\u00e7\u00f5es depressivas que havia composto, Costello cometeu o erro de entregar a produ\u00e7\u00e3o de novo a Langer &amp; Winstanley, que encheram o disco de sintetizadores alegrinhos e programa\u00e7\u00f5es duvidosas. Se soasse mais s\u00f3brio e esparso, o disco poderia ser uma obra-prima da melancolia pop. Com a perfumaria sonora, as m\u00fasicas soam incongruentes. Talvez o melhor (pior) exemplo seja \u201cThe Comedians\u201d, uma m\u00fasica sobre cocain\u00f4manos (\u201cThe social circle have these cardiac complaints\/ Their hearts are empty when their hands are full\u201d) que ganhou um tecladinho saltitante e inconveniente. \u201cI Wanna Be Loved\u201d, \u201cWorthless Thing\u201d e \u201cHome Truth\u201d sofrem destino semelhante. Vale a pena investir na reedi\u00e7\u00e3o da Rhino, que traz as vers\u00f5es demo de quase todas as can\u00e7\u00f5es do disco. Exemplo: originalmente uma balada, \u201cThe Only Flame in Town\u201d acabou virando um n\u00famero dan\u00e7ante (com percuss\u00e3o meio latina, solo de sax soprano e participa\u00e7\u00e3o de Daryl Hall!). O clipe \u00e9 hil\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Steve Nieve citando Bach em \u201cThe Only Flame in Town\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Goodbye Cruel World&#8221; soma 26 faixas b\u00f4nus as 13 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_king1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cKing of America\u201d (1986)<\/strong><br \/>\nRessacado ap\u00f3s os excessos (qu\u00edmicos e sonoros) dos \u00faltimos anos, Costello abandona \u2013 temporariamente \u2013 seu grupo e parte para investigar as ra\u00edzes da m\u00fasica ianque, num disco essencialmente ac\u00fastico, s\u00f3brio e belo. A lista de m\u00fasicos de apoio inclui gente que acompanhou Elvis (o original), Bob Dylan, Gram Parsons, Ella Fitzgerald e Oscar Peterson. Gravando na ensolarada Calif\u00f3rnia, longe dos conflitos com os Attractions e cercado de instrumentistas a quem admirava, Elvis Costello saiu-se com uma admir\u00e1vel safra de in\u00e9ditas. Passeia com desenvoltura por blues, country, rock, jazz e R&amp;B. \u201cPoisoned Rose\u201d poderia estar no repert\u00f3rio de Frank Sinatra. \u201cIndoor Fireworks\u201d poderia tornar-se um standard country (e foi escrita com essa inten\u00e7\u00e3o), assim como \u201cSuit of Lights\u201d ou \u201cBrilliant Mistake\u201d. A linda \u201cJack of All Parades\u201d era mais uma adi\u00e7\u00e3o ao Pante\u00e3o EC do Pop Perfeito&#x2122;. E ainda havia espa\u00e7o para uma cover de \u201cDon\u2019t Let Me Be Misunderstood\u201d, sem d\u00favida influenciada por Tom Waits, para o folk irado de \u201cLittle Palaces\u201d e para a festinha de \u201cLovable\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Mestre das cr\u00f4nicas de relacionamentos amaldi\u00e7oados, em \u201cIndoor Fireworks\u201d Costello dava seu melhor resumo de um amor fadado \u00e0 autocombust\u00e3o: \u201cEverybody loves a happy ending but\/ we don\u2019t even try\/ We go straight past pretending right\/ To the part where everybody loves to cry\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;King of America&#8221; soma 21 faixas b\u00f4nus as 15 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_blood.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBlood and Chocolate\u201d (1986)<\/strong><br \/>\nAqui temos a primeira real virada na carreira de Elvis Costello, o encerramento da longa e nem sempre tranquila fase inicial de seu trabalho. Reagrupado com os Attractions, disposto a reconciliar-se com a eletricidade, Costello recupera o pique hiperativo de \u201cThis Year\u2019s Model\u201d com uma atitude amadurecida e (ainda mais) sarc\u00e1stica. As composi\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais simples e diretas (\u201cUncomplicated\u201d tem apenas um acorde) e as letras trazem mais relatos de amores fracassados (\u201cBlue Chair\u201d, \u201cI Want You\u201d, \u201cCrimes of Paris\u201d), falam de sexo e lux\u00faria (\u201cPoor Napoleon\u201d, \u201cUncomplicated\u201d) ou simplesmente empilham ironia sobre ironia (\u201cI Hope You\u2019re Happy Now\u201d). Gravado ao vivo no est\u00fadio, o disco \u00e9 pr\u00f3digo em sonoridades rascantes e andamentos acelerados \u2013 \u201cI Hope You\u2019re Happy Now\u201d, \u201cUncomplicated\u201d, \u201cTokyo Storm Warning\u201d, \u201cHoney Are You Straight or Are You Blind?\u201d. Mas tem tamb\u00e9m seus momentos ternos: \u201cCrimes of Paris\u201d \u00e9 de uma beleza \u00edmpar, assim como as doces \u201cBattered old bird\u201d, \u201cPoor Napoleon\u201d e \u201cHome is Anywhere You Hang Your Head\u201d. A pe\u00e7a de resist\u00eancia \u00e9 \u201cI Want You\u201d. Ao longo de quase sete minutos, Costello veste a carapu\u00e7a de um cornudo consumido pelo ci\u00fame, acompanhado por um arranjo espartano. Ainda hoje \u00e9 presen\u00e7a certa nos shows. \u201cBlood and Chocolate\u201d seria o \u00faltimo disco do cantor produzido por Nick Lowe (que trabalhou em seus seis primeiros \u00e1lbuns) at\u00e9 \u201cBrutal Youth\u201d (1994). Oficialmente desmobilizados, os Attractions tamb\u00e9m s\u00f3 reapareceriam oito anos depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: \u201cI want you\/ It\u2019s knowing that he knows you now after only guessing\/ It\u2019s the thought of him undressing you or you undressing\u201d (\u201cI want you\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Blood and Chocolate&#8221; soma 15 faixas b\u00f4nus as 11 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_spike.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cSpike\u201d (1989)<\/span><\/strong><br \/>\nElvis Mark II come\u00e7ava aqui. Muita coisa mudara desde 1986. N\u00e3o havia mais Attractions, ele casara-se com a cantora Cait O\u2019Riordan (dos Pogues), iniciara uma parceria com o \u00eddolo de inf\u00e2ncia Paul McCartney (que toca baixo e divide com Costello a parceria em \u201cVeronica\u201d) e assinara contrato com a Warner Bros. Solto no mundo (literalmente; o \u00e1lbum foi gravado em quatro est\u00fadios, nos EUA, Irlanda e Inglaterra), resolveu fazer seu disco mais ecl\u00e9tico at\u00e9 ent\u00e3o. Uma mir\u00edade de m\u00fasicos o ajuda na viagem: McCartney, Roger McGuinn, a Dirty Dozen Brass Band, os veteranos sessionmen Jim Keltner e Jerry Scheff, Allen Toussaint\u2026 O resultado de tanta gente metendo a colher foi um \u00e1lbum variad\u00edssimo, de arranjos bastante elaborados \u2013 e um tanto extenso demais. O primeiro lado \u00e9 fabuloso, mas depois o repert\u00f3rio esfria um pouco. Pode-se dizer que Elvis se diverte mais que o ouvinte, ao espalhar sua criatividade por um sem-n\u00famero de estilos e climas. H\u00e1 pop cristalino (\u201c\u2026This Town\u2026\u201d, \u201cVeronica\u201d), funk (\u201cChewing Gum\u201d), jazz (a instrumental \u201cStalin Malone\u201d e a neworleanesca \u201cDeep Dark Truthful Mirror\u201d), balada (\u201cBaby Plays Around\u201d), folk de protesto (\u201cTramp the Dirt Down\u201d) e tamb\u00e9m cria\u00e7\u00f5es indefin\u00edveis como a ominosa \u201cLet Him Dangle\u201d e a on\u00edrica \u201cGod\u2019s Comic\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Em \u201cTramp the dirt down\u201d, uma das mais raivosas letras do homem, ele canta: \u201cWell I hope you live long now, I pray the Lord your soul to keep\/ I think I\u2019ll be going before we fold our arms and start to weep \/ I never thought for a moment that human life could be so cheap \/But when they finally put you in the ground \/ They\u2019ll stand there laughing and tramp the dirt down\u201d. O alvo era Margareth Thatcher, ent\u00e3o primeira-ministra da Inglaterra. Curiosamente, a m\u00fasica \u00e9 serena, com uma melodia roubada na cara de pau de \u201cIsn\u2019t She Lovely\u201d, de Stevie Wonder. A inspira\u00e7\u00e3o foi assumida pelo pr\u00f3prio Costello.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Spike&#8221; soma 17 faixas b\u00f4nus as 15 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_rose.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMighty Like a Rose\u201d<\/strong> (1991)<br \/>\nSeguindo o modus operandi de \u201cSpike\u201d, Elvis Costello cercou-se de experientes m\u00fasicos profissionais (mais canjas dos brothers Pete Thomas e Nick Lowe e seu pr\u00f3prio pai, Ross MacManus, ao trompete em \u201cInvasion Hit Parade\u201d). N\u00e3o h\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de \u201cmontanha-russa\u201d do disco anterior, contudo. O tom \u00e9 mais contemplativo, em especial no segundo lado do vinil \u2013 que traz can\u00e7\u00f5es delicadas como \u201cSo Like Candy\u201d (outra parceria com Paul McCartney), \u201cSweet Pear\u201d e \u201cCouldn\u2019t Call It Unexpected no.4?. Contrabalan\u00e7a a anima\u00e7\u00e3o meio man\u00edaca da primeira metade, que alterna surf music de inverno (\u201cThe Other Side of Summer\u201d, com um arranjo elaborado que visava remeter ao \u00e1lbum \u201cPet Sounds\u201d), rock dylanesco (\u201cHow to be Dumb\u201d), esquisitices percussivas (\u201cHurry Down Doomsday\u201d) e intrincadas melodias (\u201cInvasion Hit Parade\u201d, \u201cHarpies Bizarre\u201d). Aos roquinhos mais ortodoxos em \u201cGeorgie and Her Rival\u201d e \u201cPlayboy to a Man\u201d, Costello emparelha a participa\u00e7\u00e3o da Dirty Dozen Brass Band nas duas vers\u00f5es de \u201dCouldn\u2019t Call it Unexpected\u201d, criando um clima lamentoso e nost\u00e1lgico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Elvis Costello se vinga do baixista dos Attractions em \u201cHow To Be Dumb\u201d. Bruce Thomas escrevera um livro contando sua experi\u00eancia na banda, descrevendo Costello como \u201co cantor\u201d (nunca referindo-se a Elvis pelo nome) e fazendo coment\u00e1rios indiscretos e nada lisonjeiros. Numa de suas can\u00e7\u00f5es mais raivosas, Elvis Costello dispara: \u201cNow you\u2019re masquerading as a pale powdered genius \/Whose every bad intention has been purged \/ You could\u2019ve walked out any time you wanted\/ But face it, you didn\u2019t have the courage \/ I guess that makes you a full time hypocrite \/ Or some kind of twisted dilettante \/ Funny though people don\u2019t usually get so ugly \/ Till they think they know what they want\u201d. Dylan n\u00e3o teria feito melhor. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, tr\u00eas anos depois eles voltariam a tocar juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Might Like a Rose&#8221; soma 17 faixas b\u00f4nus as 14 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_juliet.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cThe Juliet Letters\u201d (1993)<\/span><\/strong><br \/>\nDepois de sete anos, Elvis Costello voltava a gravar um disco inteiro acompanhado apenas por um grupo fechado e pequeno de instrumentistas. S\u00f3 que o grupo dessa vez era o Brodsky Quartet, quarteto de cordas londrino especializado em Schubert, Mahler e Beethoven. Um conceito amarrava a obra: as letras seriam inspiradas em cartas de amor (e de desamor) escritas para Julieta, a protagonista da famosa trag\u00e9dia shakespeareana. Costello &amp; o Brodsky Quartet compuseram um ciclo de can\u00e7\u00f5es melodicamente intrincadas \u2013 que devem mais \u00e0 \u00f3pera e \u00e0 m\u00fasica erudita do que ao pop \u2013 amarradas por interl\u00fadios instrumentais curtos. Quem acusa(va) Elvis Costello de manter um approach essencialmente \u201cintelectual\u201d em sua m\u00fasica viu em \u201cThe Juliet Letters\u201d um prato cheio. E com certa raz\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil ver o disco como algo al\u00e9m de um projeto concebido por Costello para testar os limites de sua versatilidade. Ele espicha a voz como um Caruso de opereta, enquanto os quatro instrumentistas correm atr\u00e1s do preju\u00edzo. Frustrante para roqueiros, in\u00f3cuo para mel\u00f4manos, sobrevive hoje como uma curiosidade cujo resultado ficou aqu\u00e9m do conceito original. Menos mal que as li\u00e7\u00f5es que o m\u00fasico aprendeu aqui (em termos de arranjos, harmonias e estruturas mel\u00f3dicas) iriam ser aproveitadas no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: \u201cJacksons, Monk &amp; Rowe\u201d, a \u00fanica can\u00e7\u00e3o do disco realmente digna de figurar na lista de grandes cria\u00e7\u00f5es pop do homem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Juliet Letters&#8221; soma 18 faixas b\u00f4nus as 20 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_brutal.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBrutal Youth\u201d (1994)<\/strong><br \/>\nO melhor disco do homem desde \u201cGet Happy!!\u201d marca seu reencontro com os Attractions, mesmo que o \u00e1lbum seja creditado apenas a ele. Concentrado apenas em escrever melodias cativantes e diretas, a serem gravadas sem os rapap\u00e9s instrumentais dos \u00faltimos tr\u00eas discos, Elvis Costello caprichou. Faz mais uma adi\u00e7\u00e3o \u00e0 galeria de can\u00e7\u00f5es sobre garotas meio doidivanas: \u201cSulky Girl\u201d, que se junta \u00e0 \u201cThis Year\u2019s Girl\u201d de 78 e \u00e0 \u201cParty Girl\u201d de 79. Recorda sua inf\u00e2ncia londrina na pungente \u201cLondon\u2019s Brilliant Parade\u201d. Soa delicado como nunca em \u201cYou Tripped at Every Step\u201d e \u201cFavourite Hour\u201d, mas mostra as garras em \u201cKinder Murder\u201d e \u201dAll The Rage\u201d. Solta os cachorros em \u201cPony St.\u201d e \u201c13 Steps Lead Down\u201d para depois soar brincalh\u00e3o em \u201cThis is Hell\u201d, \u201cClown Strike\u201d e \u201cRocking Horse Road\u201d. Ou seja, provou que se quisesse, poderia continuar o fluxo de pop perfeito dos primeiros anos da carreira sem esfor\u00e7o algum \u2013 mas que preferia experimentar, trocar de m\u00fasicos, explorar novos g\u00eaneros. A experi\u00eancia com o Brodsky Quartet se reflete em pelo menos uma can\u00e7\u00e3o: \u201cFavourite Hour\u201d, pe\u00e7a para piano e voz de tom camer\u00edstico, e tamb\u00e9m nas melodias complexas criadas para \u201cLondon\u2019s Brilliant Parade\u201d e \u201cYou Tripped at Every Step\u201d. Um belo reencontro, mostrando banda e compositor mais amadurecidos, mas ainda afiados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: O refr\u00e3o de \u201cSulky Girl\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Brutal Youth&#8221; soma 15 faixas b\u00f4nus as 15 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_kojack.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cKojak Variety\u201d (1995)<\/strong><br \/>\nEntre seus dois discos mais elaborados em termos instrumentais, Elvis Costello tirou um tempinho para uma r\u00e1pida reca\u00edda roots. Gravado em 1990, mas engavetado por cinco anos, \u201cKojak Variety era o segundo \u00e1lbum 100% de covers registrado pelo cantor. Costello vasculhou sua mem\u00f3ria afetiva em busca de baladas, rocks, blues e R&amp;B\u2019s, alguns obscuros, outros populares (mas nenhum megahit). Cercado por uma banda escolhida a dedo (James Burton e Marc Ribot, guitarras; Jerry Scheff, baixo; Larry Knetchel, teclados; Jim Keltner e Pete Thomas, bateria) num est\u00fadio na apraz\u00edvel ilha de Barbados, o cantor deitou e rolou, descontra\u00eddo como nunca. A instrumenta\u00e7\u00e3o, sem firulas, casa bem com a voz rascante \u2013 resultado, segundo Costello, de uma rouquid\u00e3o causada por um ar condicionado gelado demais. Do rock primitivo de Little Richard (\u201cBama Lama Bama Loo\u201d) e Little Willie John (\u201cLeave My Kitten Alone\u201d, gravada pelos Beatles) ao R&amp;B de Screamin\u2019 Jay Hawkins (\u201cStrange\u201d), Mose Allison (\u201cEverybody\u2019s Crying Mercy\u201d) e Willie Dixon (\u201cHidden Charms\u201d), passando pela melancolia de Dylan (\u201cI Threw it All Away\u201d) e Randy Newman (\u201cI\u2019ve Been Wrong Before\u201d), Costello parece se divertir. At\u00e9 as mais dram\u00e1ticas \u201cRunning Out of Fools\u201d (gravada por Aretha Franklin) e \u201cMust You Throw Dirt On My Face\u201d (dos Louvin Brothers) soam leves e vivazes. A reedi\u00e7\u00e3o da Rhino mais que dobra o n\u00famero de covers, trazendo no disco-b\u00f4nus vers\u00f5es para can\u00e7\u00f5es de Bruce Springsteen (\u201cBrilliant Disguise\u201d), Tom Waits (\u201cInnocent When You Dream\u201d), Paul Simon (\u201cCongratulations\u201d) e mais Dylan (\u201cYou\u2019re Gonna Make Me Lonesome When You Go\u201d). Mais um exerc\u00edcio, que ganha pontos extras pela despretens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: O come\u00e7o falso de \u201cStrange\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;Kojak Variety&#8221; soma 20 faixas b\u00f4nus as 15 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_beauty.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAll This Useless Beauty\u201d (1996)<\/strong><br \/>\nCostello concebeu este \u00e1lbum como uma esp\u00e9cie de songbook, reunindo can\u00e7\u00f5es que ele compusera para outros artistas (ou apenas tendo outros artistas em mente). \u201cWhy Can\u2019t a Man Stand Alone?\u201d, por exemplo, foi feita para Sam Moore (que nunca a gravou). Aimee Mann, co-autora de \u201cThe Other End of The Telescope\u201d, registrou a can\u00e7\u00e3o com algumas altera\u00e7\u00f5es na letra. A faixa-t\u00edtulo e \u201cI Want to Vanish\u201d foram feitas para June Tabor, etc. Isso, claro, deu a chance para que grandes varia\u00e7\u00f5es de arranjo e estilo entre as m\u00fasicas fossem experimentadas. De novo (e pela \u00faltima vez) ao lado dos Attractions, Elvis produziu o \u00e1lbum junto a Geoff Emerick. O espectro das brincadeiras sonoras vai da sobriedade camer\u00edstica (\u201cPoor Fractured Atlas\u201d) \u00e0 combina\u00e7\u00e3o de loops e guitarras distorcidas (\u201cIt\u2019s Time\u201d). No caminho, tem folk (\u201cStarting To Come To Me\u201d, \u201cComplicated Shadows\u201d), R&amp;B (\u201cWhy Can\u2019t a Man Stand Alone?\u201d) e rock (\u201cShallow Grave\u201d, \u201cYou Bowed Down\u201d, esta com a guitarra de Roger McGuinn). O disco \u00e9 dominado por m\u00fasicas lentas, com arranjos clim\u00e1ticos e sem arroubos \u2013 \u201cLittle Atoms\u201d, \u201cDistorted Angel\u201d, \u201cI Want to Vanish\u201d. H\u00e1 uma quedinha para o melodrama em \u201cAll This Useless Beauty\u201d e \u201cThe Other End of The Telescope\u201d, principalmente por conta da interpreta\u00e7\u00e3o vocal. Mesmo despidas das invencionices de est\u00fadio, as m\u00fasicas sustentam-se bastante bem, basta checar as vers\u00f5es voz-piano-viol\u00e3o da caixa \u201cCostello &amp; Nieve\u201d, v\u00e1rias das quais superam as grava\u00e7\u00f5es de est\u00fadio (\u201cLittle Atoms\u201d e \u201cDistorted Angel\u201d s\u00e3o exemplos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: A segunda estrofe de \u201cPoor Fractured Atlas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A vers\u00e3o Rhino de &#8220;All This Useless Beauty&#8221; soma 17 faixas b\u00f4nus as 12 originais.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_painted.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cPainted From Memory\u201d (1998)<\/span><\/strong><br \/>\nEm 1996, Costello juntou-se ao \u00eddolo de longa data Burt Bacharach numa parceria que rendeu a can\u00e7\u00e3o \u201cGod Give me Strenght\u201d, lan\u00e7ada na trilha sonora do filme \u201cA Voz do Meu Cora\u00e7\u00e3o\u201d. A dupla se empolgou tanto com o resultado da primeira can\u00e7\u00e3o que resolveu gravar um disco inteiro de in\u00e9ditas. Grosso modo, Costello se encarregou das letras (quase todas narrando amores fracassados) e Bacharach de melodias, harmonias e arranjos. O disco segue o padr\u00e3o estil\u00edstico do Burt Bacharach vintage dos anos 60. A eleg\u00e2ncia abunda nos arranjos vocais, nas cordas e nos metais. Algumas resenhas apontaram um certo excesso de sacarina na sonoridade, o que n\u00e3o deixa de ser verdade \u2013 mas n\u00e3o chega a ser um dem\u00e9rito. Costello permite-se arriscar mais em suas interpreta\u00e7\u00f5es, mas evita os exageros de \u201cThe Juliet Letters\u201d. Crivado de baladas suaves (\u201cPainted From Memory\u201d, \u201cWhat\u2019s Her Name Today?\u201d \u201cIn The Darkest Place\u201d) e ocasionais momentos mais dram\u00e1ticos (\u201cThis House Is Empty Now\u201d, \u201cI Still Have That Other Girl\u201d), o \u00e1lbum aumenta o tom de leve em poucos mas cruciais pontos (\u201cTears at the Birthday Party\u201d, \u201cToledo\u201d, \u201cThe Sweetest Punch\u201d). Classudo e adulto sem deixar de ser pop, \u201cPainted From Memory\u201d pode agradar, num primeiro momento, mais aos f\u00e3s de Bacharach do que aos ouvintes habituais de Costello.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Os metais em \u201cToledo\u201d. Puro Bacharach, reconhec\u00edvel a quil\u00f4metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma vers\u00e3o limitada lan\u00e7ada de &#8220;Painted From Memory&#8221; traz um segundo CD com seis faixas ao vivo.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_stars.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>For The Stars &#8211; com Anne Sophie von Otte (2001)<\/strong><br \/>\nEsse n\u00e3o \u00e9 beeeeem um disco de Elvis Costello, e sim um projeto no qual ele assume o papel de produtor e diretor musical para a mezzo-soprano Anne Sophie. Ele a conhecera no fim dos anos 1980 e colaborou com ela algumas vezes na d\u00e9cada seguinte. A ideia do disco era trazer o canto erudito da sueca para um territ\u00f3rio pop, mas sofisticado e ecl\u00e9tico. A produ\u00e7\u00e3o s\u00f3bria coloca a voz de Anne Sophie em primeiro plano, enfatizando sua afina\u00e7\u00e3o, dic\u00e7\u00e3o e respira\u00e7\u00e3o. Das cinco can\u00e7\u00f5es novas que Elvis trouxe, o destaque \u00e9 a faixa-t\u00edtulo, levada em dueto. Uma salada de vers\u00f5es\/homenagens completa o repert\u00f3rio, que mira acima de tudo na delicadeza.<\/p>\n<p>Melhor momento: o medley unindo \u201cBroken Bicycles\u201d, de Tom Waits, e \u201cJunk\u201d, de Paul McCartney<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_was.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">\u201cWhen I Was Cruel\u201d (2002)<\/span><\/strong><br \/>\nComemorando seu jubileu de prata na ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, Elvis Costello voltava-se para o pop-rock pela primeira vez em seis anos. Os Attractions eram passado de vez, mas aqui j\u00e1 surge o embri\u00e3o de sua pr\u00f3xima banda, os Imposters (Steve Nieve, Pete Thomas e, no lugar de Bruce Thomas, Dave Faragher). Costello demonstra um apetite pela eletricidade (e pela acidez po\u00e9tica) que n\u00e3o era visto desde \u201cBrutal Youth\u201d. Concentra toda sua verve na faixa-t\u00edtulo: sete hipn\u00f3ticos minutos pontuados pelo loop vocal de uma cantora l\u00edrica. \u00c9 uma das melhores letras do homem, envelopada num arranjo \u201cpantanoso\u201d. Mas sobra bastante veneno para escorrer para o resto do repert\u00f3rio. Mesmo sendo um disco no qual as guitarras t\u00eam papel proeminente (\u201cTear Off Your Own Head\u201d, \u201cDaddy Can I Turn This?\u201d, \u201cRadio Silence\u201d), uma ambi\u00eancia sonora mais difusa, \u201cexperimental\u201d, contamina a maior parte dos arranjos. \u201d45? \u00e9 um rock em surdina, amea\u00e7ador. A antibalada \u201dTart\u201d \u00e9 movida por um canto gutural. \u201cSpooky Girlfriend\u201d traz a cozinha \u00e0 frente e uma batida sincopada, tortuosa. \u201cEpisode of Blonde\u201d \u00e9 uma brincadeira jazzy. \u201c15 petals\u201d combina uma levada latina e beats eletr\u00f4nicos. Costello soa curioso e imaginativo, disposto a investigar novas possibilidades sonoras al\u00e9m das limita\u00e7\u00f5es do quadrado baixo-guitarra-bateria-teclado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: A cita\u00e7\u00e3o ao ABBA na faixa-t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O CD &#8220;Cruel Smile&#8221; traz 14 faixas entre b-sides e takes ao vivo dos singles de &#8220;When I Was Cruel&#8221;<br \/>\n<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_north.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNorth\u201d (2003)<\/strong><br \/>\nA essa altura, a produ\u00e7\u00e3o de Elvis Costello dividia-se em duas vertentes. Uma, os discos de pop rock com os Imposters. Outra, feita de projetos \u201cs\u00e9rios\u201d, nos quais o compositor dava vaz\u00e3o a sua vontade de experimentar outros g\u00eaneros. \u201cNorth\u201d era um desses projetos: um disco de baladas compostas ao piano (e n\u00e3o \u00e0 guitarra), adornadas discretamente por cordas e metais. As refer\u00eancias eram o jazz, os show tunes da Broadway (Sondheim, Marvin Hamlish) e, de um modo geral, o tal do Great American Songbook. O car\u00e1ter \u201csofistiscado\u201d e austero do pacote era refor\u00e7ado pela arte, com uma foto P&amp;B quase expressionista na capa e uma tipologia cl\u00e1ssica e s\u00f3bria no encarte. Deu certo? Sim e n\u00e3o. Costello prova que poderia ser um compositor eficiente nessa seara. Mas o \u00e1lbum soa est\u00e9ril. \u00c9 dif\u00edcil manter a concentra\u00e7\u00e3o ao longo das melodias complexas, que n\u00e3o fluem naturalmente, e dos andamentos lentos. Nas melhores passagens, ele chega perto de aventuras que empreendeu na mesma seara, como \u201cAlmost Blue\u201d ou \u201cShipbuilding\u201d. Nas menos inspiradas, Costello parece repassar rascunhos recusados de \u201cPainted from Memory\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: \u201cNorth\u201d, a can\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o consta do repert\u00f3rio do disco, mas estava dispon\u00edvel para download legal (para quem comprasse o CD) no site da gravadora Deutsche Grammophone. E que pode ser ouvida <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vKi4yJhGu4U\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma vers\u00e3o limitada de &#8220;North&#8221; traz duas faixas extras e um DVD extra com tr\u00eas can\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_man.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThe Delivery Man\u201d (2004)<\/strong><br \/>\nEstreia oficial dos Imposters, que se reuniram pela primeira vez em \u201cWhen I Was Cruel\u201d e foram apresentados ao p\u00fablico no raro disco de b-sides \u201cCruel Smile\u201d, de 2002. Este \u00e1lbum poderia ser considerado a continua\u00e7\u00e3o eletrificada de \u201cKing of America\u201d. Como no disco de 1986, Costello vasculha as entranhas do Americana sound, s\u00f3 que dessa vez com as guitarras no talo e um clima generalizado de rusticidade. Acima de tudo, h\u00e1 um bom humor e uma \u201cfalta de pose\u201d que tornam este \u00e1lbum um primo distante de \u201cKojak Variety\u201d. O groove troncho, as guitarras e os urros de \u201cButton My Lip\u201d, a faixa de abertura, espanavam definitivamente a sisudez classicista de \u201cNorth\u201d. (Curiosamente, \u201cThe Delivery Man\u201d foi lan\u00e7ado simultaneamente a \u201cIl Sogno\u201d, primeira investida de Costello como compositor erudito, interpretada pela London Symphony Orchestra.) O mesmo pique se repete em \u201cBedlam\u201d, \u201cThere\u2019s a Story in Your Voice\u201d (esta com uma participa\u00e7\u00e3o vocal bizarra de Lucinda Williams) e \u201cMonkey to Man\u201d. E tamb\u00e9m na sinistra e pesada \u201cNeedle Time\u201d. Para contrabalan\u00e7ar, o repert\u00f3rio trazia v\u00e1rias faixas mais lentas, puxadas mais para o blues e ao R&amp;B, como \u201cCountry Darkness\u201d, \u201cEither Side of the Same Town\u201d e a m\u00fasica-t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: O refr\u00e3o de \u201cMonkey To Man\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma vers\u00e3o limitada de &#8220;Delivery Man&#8221; com capa modificada traz um CD extra com sete can\u00e7\u00f5es ao vivo.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_allen.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>The River in Reverse &#8211; com Allen Toussaint (2006)<\/strong><br \/>\nO relacionamento de Costello com Toussaint (1938\u20132015), santo padroeiro do som de Nova Orleans, remontava a 1983, quando os Attractions gravaram uma vers\u00e3o de \u201cWalking on Thin Ice\u201d, de Yoko Ono, produzida por Toussaint. O \u00e1lbum em colabora\u00e7\u00e3o nasceu depois que os dois participaram de uma s\u00e9rie de concertos em benef\u00edcio das v\u00edtimas do furac\u00e3o Katrina, que desmantelou a cidade natal de Allen em 2005. Os Imposters se agregam a uma banda de craques selecionada por Toussaint para rever seu songbook e algumas parcerias in\u00e9ditas. Embrenhado em r\u2019n\u2019b pantanoso, gospel e proto-rock\u2019n\u2019roll, Elvis Costello se contenta com um reverente papel coadjuvante (ainda que sua voz esteja \u00e0 frente da maioria das faixas). A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a excelente faixa-t\u00edtulo, presen\u00e7a frequente nos setlists de Costello at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Melhor momento: a letra de \u201cBroken Promised Land\u201d, que faz refer\u00eancia direta \u00e0 trag\u00e9dia em Nova Orleans (\u201cComing in under the cover of darkness \/ How high shall we build this wall? \/ Could\u2019ve said more but it would\u2019ve seemed heartless \/ How tight shall we close that door?\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma vers\u00e3o limitada de &#8220;The River in Reverse&#8221; traz um document\u00e1rio sobre os shows da dupla.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_momofuku.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMomofuku\u201d (2008)<\/strong><br \/>\nElvis Costello batizou seu 28\u00b0 \u00e1lbum em homenagem a Momofuku Ando, o homem que inventou o macarr\u00e3o instant\u00e2neo, morto em 2007. Houve quem enxergasse no t\u00edtulo uma refer\u00eancia ao car\u00e1ter bate-pronto do disco, composto e gravado em alta velocidade. Segue a linha rascante e roqueirona dos dois t\u00edtulos anteriores com os Imposters. Algumas m\u00fasicas, como \u201cTurpentine\u201d, \u201cStella Hurt\u201d e \u201cAmerican Gangster Time\u201d, parecem ter sa\u00eddo de \u201cBlood and Chocolate\u201d. Havia, contudo, espa\u00e7o para filigranas mais elaboradas. \u201cHarry Worth\u201d soava como uma par\u00f3dia de bossa nova lounge, um clima que contamina tamb\u00e9m a ir\u00f4nica (e beatlesca) \u201cMr. Feathers\u201d. \u201cDrum and Bone\u201d cola viol\u00f5es a um shuffle faceiro. \u201cFlutter and Wow\u201d era uma balada R&amp;B. E em \u201cMy Three Sons\u201d, Costello celebrava de forma gentil sua vida familiar ao lado de Diana Krall \u2013 o casal teve filhos g\u00eameos em 2006, que se juntaram a Matt, filho \u00fanico do primeiro casamento de Elvis Costello. Detalhe bacana \u00e9 a presen\u00e7a de Jenny Lewis fazendo backing vocals em v\u00e1rias faixas, com resultados especialmente expressivos em \u201cHarry Worth\u201d, \u201cDrum and Bone\u201d e \u201cNo Hiding Place\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: Retomando o vitr\u00edolo de tempos idos, Costello ataca os pela-sacos da cr\u00edtica que agora se escondem nos recessos da internet. E parte para dentro: \u201cWalk up to me\/And say what you said\/Let\u2019s see how brave you are\/When I\u2019m about this far\/You sit in judgment and bitch\/Well, baby that\u2019s rich\/You\u2019re nothing but a snitch\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_secret.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cSecret, Profane &amp; Sugarcane\u201d (2009)<\/strong><br \/>\nOu: Elvis does Americana, parte III. Dispensando os Impostors e arregimentando um grupo 99% ac\u00fastico (que depois foi batizado The Sugarcanes), Costello embrenha-se entre bluegrass, country e folk ancestral. Gravado em meros tr\u00eas dias, com produ\u00e7\u00e3o de T-Bone Burnett, soa mais explicitamente caipira do que em \u201cAlmost Blue\u201d. O repert\u00f3rio tem um hist\u00f3rico enrolado. Quatro das m\u00fasicas (\u201cHow Deep is The Red?,\u201d \u201cShe Was no Good,\u201d \u201cShe Handed me a Mirror,\u201d \u201cRed Cotton\u201d) sobraram de uma \u00f3pera (!) que Costello come\u00e7ou a escrever sobre a vida do autor de hist\u00f3rias infantis de Hans Christian Andersen, mas n\u00e3o terminou. Duas outras, \u201cComplicated Shadows\u201d e \u201cHidden Shame\u201d, foram escritas tendo Johnny Cash em mente \u2013 ambas j\u00e1 haviam sido gravadas por Elvis Costello anteriormente. Nessa salada conceitual, na qual ainda foi atirada um cover (\u201cChanging Partners\u201d, hit com Bing Crosby), a sonoridade hillbilly, completa com os vocais harmonizados de Jim Lauderdale, \u00e9 o que sobra para dar liga. Poucas can\u00e7\u00f5es mostram f\u00f4lego suficiente para sobreviver sem seus idiossincr\u00e1ticos arranjos; a melhor delas \u00e9 \u201cMy All Time Doll\u201d. A farsesca \u201cSulphur to Sugarcane\u201d, t\u00edpica can\u00e7\u00e3o travelogue contando as aventuras de um mulherengo abatendo damas em v\u00e1rias cidades dos EUA, \u00e9 a que soa mais genu\u00edna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: \u201cThe women in Poughkeepsie\/Take their clothes off when they\u2019re tipsy\/But I hear in Ypsilanti\/ They don\u2019t wear any panties\u201d (\u201cSulphur to Sugarcane\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma vers\u00e3o limitada de &#8220;Secret, Profane e Sugarcane&#8221; traz duas faixas extras<br \/>\n<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_national.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cNational Ransom\u201d (2010)<\/strong><br \/>\nEste \u00e1lbum \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o \u2013 mais urbana, ecl\u00e9tica e sofisticada \u2013 do som que Costello engendrou em &#8220;Secret, Profane &amp; Sugarcane&#8221;. A inspira\u00e7\u00e3o roceira ganhou polimento, com o apoio dos Imposters, de v\u00e1rios m\u00fasicos que participaram do disco anterior e outros parceiros antigos (T-Bone Burnett, Marc Ribot). H\u00e1 can\u00e7\u00f5es pop com influ\u00eancias country, como a faixa-t\u00edtulo, \u201cI Lost You\u201d e \u201cFive Small Words\u201d; melodias elaboradas, reminiscentes dos melhores anos do compositor (um bom exemplo \u00e9 \u201cChurch Underground\u201d) e delicados momentos ac\u00fasticos (\u201cBullets for the Newborn King\u201d, \u201cOne Bell Ringing\u201d). Entretanto, o mais interessante s\u00e3o as passagens de sonoridade decalcada dos anos 1920\/30, que remetem \u00e0 m\u00fasica popular americana pr\u00e9-rock\u2019n\u2019roll \u2013 de onde saem cria\u00e7\u00f5es inspiradas, como \u201cJimmie Standing in the Rain\u201d (a melhor letra do disco), a balada \u201cYou Hung the Moon\u201d e a vivaz \u201cA Slow Drag with Josephine\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: A desola\u00e7\u00e3o conjurada na letra de \u201cJimmie\u2026\u201d, a narrativa sobre um m\u00fasico de vaudeville na pior. \u201cStale bread curling on a luncheon counter \/ Loose change lonely, not the right amount (\u2026) Forgotten Man \/ Indifferent nation \/ Waiting on a platform at a Lancashire station \/ Somebody\u2019s calling you again \/ It\u2019s finally dawning \/ Jimmie\u2019s standing in the rain\u201d.<\/p>\n<p>Nota: 7,5<\/p>\n<p><em>Uma vers\u00e3o limitada de &#8220;National Ransom&#8221; conta com uma faixa extra.<br \/>\n<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_wise.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Wise Up Ghost\u00a0 &#8211; com The Roots (2013)<\/strong><br \/>\nCountry, jazz, \u00f3pera, soul\u2026 Costello j\u00e1 dedicara discos inteiros a experimenta\u00e7\u00f5es nestes e em outros g\u00eaneros. Faltava o hip hop (se excluirmos \u201cPills and Soap\u201d, claro). A figurinha que faltava foi carimbada com a ajuda dos Roots, com quem ele come\u00e7ou a conversar ainda em 2009. A ideia de fazer um disco de remixes radicais de faixas antigas evoluiu para um \u00e1lbum colaborativo, no qual o compositor se adequou ao modus operandi da banda e vice-versa. Mais do que remixes, as m\u00fasicas s\u00e3o reconstru\u00e7\u00f5es \/ reimagina\u00e7\u00f5es de momentos anteriores da carreira de Costello, submetidas a grooves esparsos e batid\u00f5es graves. \u201cBedlam\u201d e \u201cThe River in Reverse\u201d s\u00e3o citadas em \u201cWake Me Up\u201d; a j\u00e1 citada \u201cPills and Soap\u201d assombra \u201cStick Out Your Tongue\u201d; \u201cCinco Minutos Con Vos\u201d baseia-se no arranjo original de \u201cHigh Fidelity\u201d; a delicadeza de \u201cTripwire\u201d inspira-se na melodia de \u201cSatellite\u201d; etc. \u00c9 mais uma daquelas experi\u00eancias que, sem d\u00favida, serviram para oxigenar a criatividade dos envolvidos?\u2014?mas que, na maioria das faixas, n\u00e3o ultrapassa o status de mera curiosidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: a interpreta\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel de Costello (cuja voz soa cansada em diversos momentos no decorrer do \u00e1lbum) em \u201cIf I Could Believe\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Uma vers\u00e3o limitada de &#8220;Wise Up Ghost&#8221; traz tr\u00eas faixas extras<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-58713 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/looknow.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/looknow.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/looknow-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/looknow-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Look Now (2018)<\/strong><br \/>\nA abertura, com a paulmcarthiana \u201cUnder Lime\u201d, preconiza um disco mais convencional que os trabalhos imediatamente anteriores. Mas, apesar de ter retomado aqui a parceria com os Imposters, EC n\u00e3o se limita a repassar o pop guitarreiro de Momofuku. O tom principal do disco \u00e9 a releitura de elementos de r\u2019n\u2019b e de soul, com o aux\u00edlio de backing vocals e metais. O conceito funciona de modo perfeito na magnifica \u201cSuspect My Tears\u201d, a mais memor\u00e1vel composi\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum \u2014 e \u00e9 retrabalhado em v\u00e1rias outras faixas, como \u201cUnwanted Number\u201d e \u201cBurnt Sugar Is So Bitter\u201d (uma parceria com Carole King). \u201cMr &amp; Mrs Hush\u201d, se tivesse um arranjo mais plastificado, poderia caber na fase Punch the Clock. H\u00e1 duas parcerias com Burt Bacharach (\u201cHe\u2019s Given Me Things\u201d e \u201cPhotographs Can Lie\u201d) e pelo menos uma outra (\u201cStripping Paper\u201d) na qual Elvis, sozinho, emula bem o estilo do mestre BB. E al\u00e9m da faixa de abertura, \u201cI Let the Sun Go Down\u201d tamb\u00e9m soa muito beatlesca. Apesar dos saltos estil\u00edsticos, h\u00e1 uma coer\u00eancia interna: as m\u00fasicas foram originalmente sequenciadas para serem usadas em um musical, co-escrtito com Bacharach.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6.5<\/p>\n<p>Melhor momento: o falsete breve, mas ultras\u00f4nico, que ele solta ao fim de \u201cSuspect My Tears\u201d.<\/p>\n<p><em>A vers\u00e3o normal do disco conta com 12 faixas e a Deluxe Edition acrescenta mais quatro ao tracking list<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58714 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/HeyClockface_ElvisCostello.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/HeyClockface_ElvisCostello.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/HeyClockface_ElvisCostello-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/HeyClockface_ElvisCostello-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hey Clockface (2020)<\/strong><br \/>\nPrecedido por um punhado de singles lan\u00e7ados apenas em streaming, o 34\u00ba \u00e1lbum oficial de Elvis Costello saiu em outubro. Seu processo de cria\u00e7\u00e3o foi orientado pela espontaneidade e pela despretens\u00e3o. O disco traz sess\u00f5es gravadas em Helsinki (com Costello tocando todos os instrumentos) e em Paris (ao lado de um quinteto de m\u00fasicos franceses arregimentado por Steve Nieve), tudo a toque de caixa. \u00c9 um trabalho de emo\u00e7\u00f5es \u00e0 flor da pele, eri\u00e7adas pela incerteza do futuro diante da pandemia global de Covid-19. H\u00e1 pelo menos 15 anos, ele n\u00e3o soava t\u00e3o urgente quanto em \u201cNo Flag\u201d, t\u00e3o fr\u00e1gil quanto em \u201cThey\u2019re Not Laughing at Me Now\u201d ou t\u00e3o experimental quanto em \u201cRevolution #49\u201d\u2026 e s\u00e3o apenas as tr\u00eas primeiras faixas do \u00e1lbum. Os limites extremos da nova fase s\u00e3o demarcados, de um lado, pelo vocal falado + beatboxes de \u201cHetty O\u2019Hara Confidential\u201d e, do outro, por \u201cThe Whirlwind\u201d, baladona de contorno cl\u00e1ssico. Segue alternando estranhezas, como a voz com pitch ligeiramente alterado de \u201cNewspaper Pane\u201d e o arranjo desconstru\u00eddo de \u201cWe Are All Cowards Now\u201d, com momentos mais \u201cnormais\u201d e nost\u00e1lgicos. O clima da faixa-t\u00edtulo e de \u201cI Do (Zula\u2019s Song)\u201d n\u00e3o \u00e9 muito distante da atmosfera de &#8220;National Ransom&#8221;. Para os mais sens\u00edveis, h\u00e1 uma rara e delicada parceria com Steve Nieve: \u201cThe Last Confession of Vivian Whip\u201d, a despedida de uma mulher que \u201cnunca matou uma alma\u201d\u2026 exceto a dela mesma. Dif\u00edcil imaginar um Costello mais sintonizado com o zeitgeist de 2020: ora cansado, ora el\u00e9trico, ora raivoso, ora confessional, uma montanha-russa de temperamentos n\u00e3o distante daquela que todos n\u00f3s temos experimentado, nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: A atmosfera spoken word jazz de \u201cRadio Is Everything\u201d. Transporta o ouvinte para um boteco enfuma\u00e7ado no Village novaiorquino, na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67969 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboy1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboy1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboy1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboy1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;The Boy Named If&#8221; (2022)<\/strong><br \/>\nIsolado em casa (na cidade canadense de Vancouver) durante os primeiros meses da pandemia, Elvis come\u00e7ou a trabalhar em um conjunto de can\u00e7\u00f5es que \u2014 de modo n\u00e3o intencional \u2014 compartilhavam certos temas e ideias. \u201cA inoc\u00eancia da inf\u00e2ncia, a confus\u00e3o da juventude, e depois um olhar para o passado, vendo coisas diferentes sob uma perspectiva diferente\u201d, <a href=\"https:\/\/www.rollingstone.com\/music\/music-features\/elvis-costello-interview-boy-named-if-1269005\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">explicou o compositor \u00e0 Rolling Stone<\/a>. Como trilha sonora dessa jornada existencial, Costello escolheu uma sonoridade roqueira, que n\u00e3o complicasse o formato direto da maioria das can\u00e7\u00f5es. O resultado \u00e9 seu primeiro disco de pop-rock 100% convencional desde 2008, repleto de guitarras altas e vocais estridentes. A energia demonstrada \u00e9 louv\u00e1vel, e as composi\u00e7\u00f5es repassam, num agrad\u00e1vel tom de d\u00e9j\u00e0 vu, formatos e progress\u00f5es mel\u00f3dicas bem familiares. A influ\u00eancia r\u2019n\u2019b de \u201cWhat If I Can\u2019t Give You Anything But Love?\u201d, por exemplo, remete a &#8220;Get Happy!&#8221;! \u201cPaint the Red Rose\u201d se assemelha \u00e0s baladas de &#8220;Mighty Like a Rose&#8221;. A gar\u00e7onete que protagoniza \u201cMy Most Beautiful Mistake\u201d poderia ser a mesma garota de \u201cSulky Girl\u201d\u2026 e por a\u00ed vai. Apenas \u201cTrick Out the Truth\u201d recupera a nostalgia pr\u00e9-rock\u2019n\u2019roll que marcou boa parte do trabalho recente de Costello. Uma nota incongruente \u00e9 a voz acelerada em \u201cPenelope Halfpenny\u201d, zoando uma can\u00e7\u00e3o que, mais bem tratada, seria digna de estar em &#8220;Brutal Youth&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: a levada de de \u201cMagnficent Hurt\u201d, m\u00fasica de trabalho do \u00e1lbum \u2014 uma tentativa de resgatar o groove de \u201cPump It Up\u201d?<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-67970 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rust.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rust.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rust-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/rust-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>THE RESURRECTION OF RUST (2022)<\/strong><br \/>\nEm uma jogada surpreendente, poucos meses depois de lan\u00e7ar &#8220;The Boy Named If&#8221; Costello apresentou o primeiro EP do Rusty\u2026 <a href=\"https:\/\/shorefire.com\/releases\/entry\/elvis-costello-and-allan-mayes-reunite-for-rusty-the-resurrection-of-rust-the-debut-recording-of-their-1972-band-june-10th\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com um atraso de apenas 50 anos<\/a>. Esclarecendo a hist\u00f3ria: Rusty era o nome da banda que o ent\u00e3o D.P. MacManus integrava, aos 18 anos, com o amigo Allan Mayes. De acordo com o elviscostello.info, o grupo fez pelo menos 24 shows em 1972\/73 antes de Elvis, ou melhor, D.P., deixar a cidade de Liverpool para tentar a vida em Londres. Em 2021, Mayes contactou Costello e o convidou para fazer uma apresenta\u00e7\u00e3o para comemorar o jubileu de ouro da bandinha. Elvis voltou com a farofa: por que n\u00e3o lan\u00e7amos o disco que nunca chegamos a gravar? Acompanhados pelos Imposters, Allan &amp; Elvis recuperam um punhado de covers (Nick Lowe, Jim Ford e Neil Young), num clima similar ao estilo de &#8220;My Aim Is True&#8221;: 1\/3 country light, 1\/3 pub rock, 1\/3 r\u2019n\u2019b branquelo. O grande (ou melhor, o mediano) chamariz \u00e9 o par de originais at\u00e9 agora in\u00e9ditos: \u201cWarm House (and An Hour of Joy)\u201d, escrita por Costello em 1971, e \u201cMaureen &amp; Sam\u201d, parceria MacManus\/Mayes cantada pelo \u00faltimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhor momento: o medley \u201cEverybody Knows This Is Nowhere \/ Dance Dance Dance\u201d, ambas de Neil Young, com um arranjo vocal caprichado.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Discos ao Vivo<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_mocambo.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Live at The El Mocambo&#8221; (1993) \/ &#8220;Live at The Hollywood High&#8221; (2010)<\/strong><br \/>\nEm 1978, os Attractions estavam, possivelmente, no topo de sua forma como banda ao vivo. Estes dois discos, gravados durante a primeira turn\u00ea da banda nos EUA, registram a f\u00faria anfetaminada do jovem Costello (as vers\u00f5es deluxe de &#8220;My Aim Is True&#8221; e &#8220;This Year\u2019s Model&#8221; trazem, nos respectivos discos-b\u00f4nus, dois outros shows da mesma \u00e9poca). &#8220;El Mocambo&#8221;, gravado em mar\u00e7o de 78, s\u00f3 saiu oficialmente em 1993, engordado o box \u201c2 \u00bd Years\u201d, e antes disso havia sido pirateado a valer \u2013 o show foi transmitido por uma FM canadense, gravado e prensado. &#8220;Hollywood High&#8221;, datado de junho de 78, teve algumas de suas faixas lan\u00e7adas num single promocional que acompanhava as primeiras edi\u00e7\u00f5es de &#8220;Armed Forces&#8221;. Outras m\u00fasicas do show foram lan\u00e7adas na reedi\u00e7\u00e3o da Rhino de &#8220;Armed Forces&#8221;. A \u00edntegra do show (20 m\u00fasicas) s\u00f3 sairia mesmo em 2010. O repert\u00f3rio de ambos os discos \u00e9 bem parecido, com \u00eanfase nos dois primeiros LPs; a energia na performance tamb\u00e9m, o que gera at\u00e9 alguns trope\u00e7os na execu\u00e7\u00e3o (especialmente em &#8220;El Mocambo&#8221;, que \u00e9 pau puro do come\u00e7o ao fim). A qualidade de grava\u00e7\u00e3o de Hollywood High \u00e9 melhor e o show inclui o raramente ouvido arranjo original para \u201cAccidents Will Happen\u201d, que abre o disco. \u201cAllison\u201d e \u201cParty Girl\u201d, inclu\u00eddas em &#8220;Hollywood High&#8221;, d\u00e3o um refresco no ritmo fren\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_bill.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Deap Dead and Blue&#8221; (1995)<\/strong><br \/>\nEis um ponto fora da curva (mais um) na trajet\u00f3ria de Elvis Costelo. Gravado em junho de 1995 em conjunto com o grande guitarrista de jazz Bill Frisell, o disco tem menos de meia hora de dura\u00e7\u00e3o e meras sete faixas. Os arranjos se limitam a Costello, que apenas canta, e Frisell, mestre da textura e das harmonias inusitadas. Escolhas inesperadas do repert\u00f3rio (\u201cLove Field\u201d, \u201cBaby Plays Around\u201d, \u201cPoor Napoleon\u201d) ganham vers\u00f5es delicadas, junto a uma recria\u00e7\u00e3o de Charles Mingus (\u201cWeird Nightmare\u201d) e outra de \u201cGigi\u201d, do musical hom\u00f4nimo. Vale a pena adquirir nem que seja pela \u00fanica parceria entre Costello e Frisell, que compuseram a faixa-t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_nieve.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCostello &amp; Nieve\u201d (1996)<\/strong><br \/>\nEsta \u00e9 uma das \u201carcas perdidas\u201d para os completistas de Elvis Costello: uma caixa com cinco EPs gravados ao vivo, registrados em uma tour do cantor ao lado de Steve Nieve pelos EUA, testando o repert\u00f3rio de \u201cAll this Useless Beauty\u201d. Apenas 30 mil c\u00f3pias foram lan\u00e7adas. Os EPs j\u00e1 tinham sido lan\u00e7ados individualmente, em edi\u00e7\u00f5es mais limitadas ainda. Quase todas as m\u00fasicas de \u201cAll this Useless Beauty\u201d comparecem, em arranjos econ\u00f4micos que s\u00f3 engrandecem a beleza das melodias. Can\u00e7\u00f5es antigas (\u201cTemptation\u201d, numa vers\u00e3o bem lenta e suave, \u201cMan Out of Time\u201d, \u201cBlack Sails in The Sunset\u201d, \u201cWatching the Detectives\u201d, \u201cRed Shoes\u201d) surgem tamb\u00e9m. Assim como covers (\u201cShip of fools\u201d, \u201cI Just Don\u2019t Know What To Do With Myself\u201d, \u201cMy Funny Valentine\u201d) e um medley juntando \u201cAlison\u201d a \u201cLiving a Little, Laughing a Little\u201d, \u201cTracks of My Tears\u201d, \u201cTears of a Clown\u201d, \u201cNo More Tearstained Make-up\u201d e (ufa) \u201cClowntime is Over\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_flame.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;My Flame Burns Blue&#8221; (2006)<\/strong><br \/>\nO terceiro disco de Costello com \u201cblue\u201d no t\u00edtulo \u00e9 um trabalho complexo. Acompanhado pela Metropole Orkest (um grupo holand\u00eas, h\u00edbrido de orquestra sinf\u00f4nica e big band jazz\u00edstica), o cantor imaginou arranjos exuberantes para can\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias fases de sua carreira. \u201cWatching the Detectives\u201d ganha um clima (ainda mais) cinematogr\u00e1fico. \u201cAlmost Blue\u201d ressurge sutil, carregada pelo trompete e pelo cello. \u201cFavourite Hour\u201d soa ainda mais solene do que na vers\u00e3o original. Costello ainda ousou escrever letras para temas jazz\u00edsticos instrumentais de Mingus (\u201cHora Decubitus\u201d) e Billy Strayhorn (a faixa-t\u00edtulo). O final, apote\u00f3tico, \u00e9 com uma bela vers\u00e3o de \u201cGod Give me Strength\u201d. Apesar da riqueza instrumental, a voz de Elvis \u00e9 a grande estrela do show, fazendo valer o refinamento que demonstrara antes em &#8220;The Juliet Letters&#8221; e &#8220;North&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_songbook.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;The Return of The Spetacular Spinning Songbok&#8221; (2012)<\/strong><br \/>\nDivertido registro da turn\u00ea hom\u00f4nima, que Costello criou em 2011 e vem apresentando em lugares selecionados. O repert\u00f3rio se concentra nos hits, levados de forma empolgada pelos Impostors, mas \u2013 dada a natureza l\u00fadica e aleat\u00f3ria do show \u2013 h\u00e1 algumas surpresas. \u201cHeart of the City\u201d, de Nick Lowe, o cover de \u201cOut of Time\u201d, dos Stones e a pouco lembrada \u201cAll Grown Up\u201d (de &#8220;Mighty Like a Rose&#8221;) surgem na vers\u00e3o em CD simples, que ainda inclui uma canja de Susannah Hoffs (Bangles) cantando em \u201cTear Up Your Own Head\u201d. Mas trata-se de um show para ser assistido, n\u00e3o apenas ouvido; por isso, pegue logo a edi\u00e7\u00e3o CD + DVD, que inclui quase a \u00edntegra do show (com \u201cAlison\u201d, \u201cClubland\u201d e \u201cEarthbound\u201d) e d\u00e1 espa\u00e7o para Costello se mostrar mais gaiato do que nunca. Conta piadas, interage com o p\u00fablico, dan\u00e7a, troca de figurino\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Edi\u00e7\u00f5es especiais, colet\u00e2neas e extras<\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_idiot.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os discos de Elvis Costello est\u00e3o em cat\u00e1logo na gringa. Eles podem ser encontrados em edi\u00e7\u00f5es simples e, quase todos, em vers\u00f5es duplas. O selo Rhino, por exemplo, lan\u00e7ou todos os trabalhos de Costello entre \u201cMy Aim Is True\u201d (1977) e \u201cAll This Useless Beauty\u201d (1996) em generosas edi\u00e7\u00f5es especiais recheadas de raridades que juntam faixas ao vivo, demos caseiras, sobras de est\u00fadio, b-sides e vers\u00f5es. O disco b\u00f4nus de \u201cMy Aim Is True\u201d traz uma vers\u00e3o el\u00e9trica de \u201cI Just Don\u2019t Know What To Do With Myself\u201d (original de Burt Bacharah que o White Stripes colocou novamente nas paradas nos anos 2000) enquanto entre as sobras de \u201cArmed Forces\u201d pode se encontrar \u201cMy Funny Valentine\u201d e \u201cKing of America\u201d traz uma vers\u00e3o ao vivo de \u201cTrue Love Ways\u201d, de Buddy Holly. O disco b\u00f4nus de \u201cMight Like a Rose\u201d conta com vers\u00f5es gravadas no programa MTV Unplugged.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/costello_live.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma edi\u00e7\u00e3o especial de \u201cPainted From Memory\u201d traz um segundo CD com cinco n\u00fameros ao vivo de Costello ao lado de Bacharach. \u201cThe Delivery Man\u201d tamb\u00e9m ganhou uma edi\u00e7\u00e3o dupla com sete m\u00fasicas ao vivo. Duas colet\u00e2neas de b-sides s\u00e3o pepitas de ouro para completistas: a rara \u201cOut of Our Idiot\u201d (com raridades entre 1982 e 1987) e \u201cCruel Smile\u201d, que re\u00fane b-sides e de \u201cWhen I Was Cruel\u201d al\u00e9m de n\u00fameros ao vivo retirados da turn\u00ea de divulga\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum (como \u201cUncomplicated\u201d e \u201cWatching The Dectetives \/ My Funny Valentine\u201d, registros de um show em Tokyo. No quesito colet\u00e2neas, a grande pedida \u00e9 \u201cThe Very Best Elvis Costello\u201d, mas a edi\u00e7\u00e3o dupla, importada, com 42 faixas (entre elas a cover de \u201cShe\u201d, de Charles Aznavour, que virou sucesso mundial como pano de fundo do romance de Hugh Grant e Julia Roberts no filme \u201cUm Lugar Chamado Notting Hill\u201d, de 1999). No quesito trilhas sonoras podem ser citados os trabalhos em \u201cG.B.H.\u201d (trilha para series do Chanell 4) e para o filme \u201cThe Courier\u201d. No quesito DVD \u00e9 obrigat\u00f3rio ir atr\u00e1s de \u201cThe Right Spectacle\u201d (2005), mas \u201cClub Date: Live In Memphis\u201d e o bootleg \u201cElvis Costello \u2013 Live at Tim Festival\u201d s\u00e3o boas pedidas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elvis Costello &amp; The Attractions - Oliver&#039;s Army\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LrjHz5hrupA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elvis Costello &amp; The Attractions - (What&#039;s So Funny &#039;Bout) Peace, Love And Understanding\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ssd3U_zicAI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Veronica - Elvis Costello 1989 New Wave Pop Hit\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F6Uqf0IKsz4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elvis Costello - Don&#039;t Let Me Be Misunderstood\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tE1axH-PocI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Elvis Costello And The Roots - I Want You (MSR Studios)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wY71zqHfHKI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@bartbarbosa<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"https:\/\/medium.com\/telhado-de-vidro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Telhado de Vidro<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Elvis Costello ao vivo em S\u00e3o Paulo, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/crf_tim.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><strong>Outras discografias comentadas:<br \/>\n<\/strong>&#8211; Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; The Cure, por Samuel Martins (<a href=\"..\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/leonardcohen.html\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/midnightoil_discografia.htm\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/nickacvediscografia.htm\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; R.E.M., por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/remdiscografia.html\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<br \/>\n&#8211; The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/clash_discografia.htm\"><span style=\"color: #29568f;\">aqui<\/span><\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Beatlemania, country, Brill Building, Motown, Bacharach, standards, rockabilly, jazz, punk, blues, reggae: tudo numa pessoa s\u00f3\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":43041,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[411],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5922"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5922"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5922\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67971,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5922\/revisions\/67971"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5922"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5922"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5922"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}