{"id":59139,"date":"2020-12-18T01:52:34","date_gmt":"2020-12-18T04:52:34","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59139"},"modified":"2021-01-17T23:30:15","modified_gmt":"2021-01-18T02:30:15","slug":"entrevista-lourenco-crespo-novamente-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/18\/entrevista-lourenco-crespo-novamente-solo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Louren\u00e7o Crespo novamente solo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O percurso musical de Louren\u00e7o Crespo \u00e9 exemplificativo do esp\u00edrito de camaradagem e inova\u00e7\u00e3o que caracterizam o selo lisboeta Cafetra Records. Louren\u00e7o come\u00e7ou por integrar uma das bandas nucleares da Cafetra, os Kimo Ameba, ao estilo Mudhoney, dos quais se destaca o \u00e1lbum \u201cRocket Soda\u201d (2012). Em parceria com <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/29\/de-portugal-maria-reis-da-banda-pega-monstro-lanca-disco-solo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Maria Reis<\/a> (do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/01\/30\/balanco-do-pega-monstro-da-tour-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pega Monstro<\/a>), formou os 100 Leio, garantindo algum destaque pelo pop lo-fi do disco \u201cGang$star\u201d (2013), produzido por Louren\u00e7o e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/05\/roque-da-casa-06-b-fachada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">B Fachada<\/a>. Depois, colaborou com Jo\u00e3o Marcelo (o m\u00fasico conhecido como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/28\/a-nova-cena-portuguesa-eme\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00c9me<\/a>), tocando teclas nos trabalhos \u201c\u00daltimo Siso\u201d (2014) e \u201cDomingo \u00e0 Tarde\u201d (2017), enquanto no duo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/12\/entrevista-de-lisboa-iguanas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Iguanas<\/a> cantou e escreveu as letras do \u00e1lbum \u201cLua Cheia\u201d (2018), servindo a produ\u00e7\u00e3o e os beats de Leonardo Bindilatti com imagina\u00e7\u00e3o. Finalmente, tocou diversos instrumentos e fez os arranjos do disco de Francisca Salema (Sallim), \u201cA Ver O Que Acontece\u201d (2019).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a sua estreia solo, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/03\/tres-cds-linda-martini-capitao-fausto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nove Can\u00e7\u00f5es<\/a>\u201d (2016), o m\u00fasico lisboeta conjugou o seu lirismo sat\u00edrico com um pop colorido criando diversos momentos de efic\u00e1cia sonora. Este trabalho lan\u00e7ou as bases da consolida\u00e7\u00e3o art\u00edstica e criativa que se manifestou no \u00e1lbum hom\u00f4nimo editado recentemente. De \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4bVwCCksktIFJBGL4K2Gix\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Louren\u00e7o Crespo<\/a>\u201d (2020) sobressaiem a bossa nova de \u201cEscandaleira\u201d, o pop \u201cPelo P\u00ealo\u201d, o indie rock de 90 \u201cFetra!\u201d e a rom\u00e2ntica \u201cAmor N\u00e3o Te Vou Largar\u201d, mas, acima de tudo, a m\u00fasica que se escuta \u00e9 vibrante e a confian\u00e7a interpretativa superior. \u201cEu e o B Fachada (co-produtor do disco) dedicamos muito tempo \u00e0 grava\u00e7\u00e3o das vozes e as letras tamb\u00e9m foram mais trabalhadas. Julgo que a vontade de fazer algo melhor, esfor\u00e7ado e variado, est\u00e1 vis\u00edvel no \u00e1lbum como est\u00e3o o grau de divers\u00e3o e a envolv\u00eancia musical\u201d, conta-me Louren\u00e7o via Skype.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Globalmente, aponta \u201cDomingo \u00e0 Tarde\u201d, de \u00c9me (um disco produzido em est\u00fadio e pensado como um \u00e1lbum inteiro) e \u201cA Ver O Que Acontece\u201d, de Sallim (onde experimentou diversos m\u00e9todos criativos e fez arranjos diferentes), como as principais influ\u00eancias para o novo trabalho. \u201cA partir do disco da Sallim fiquei com vontade de elaborar algo mais cheio para o meu \u00e1lbum e com uma variedade superior \u00e0 do \u201cNove Can\u00e7\u00f5es\u201d, explica. Essa multiplicidade, palp\u00e1vel em termos sonoros, contempla igualmente as hist\u00f3rias pessoais que apresentou, patentes no tom sedutor de \u201cVampiro\u201d, na nostalgia de \u201cF\u00e9rias Escondido\u201d ou no apelo geracional de \u201cFetra!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No que diz respeito \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do seu disco hom\u00f4nimo, Louren\u00e7o planeja um show em Lisboa, que ainda n\u00e3o tem data marcada. \u201cEstou focado nesse concerto e na maneira como poderei torn\u00e1-lo interessante para poucas pessoas, que estar\u00e3o sentadas e usando m\u00e1scaras. Ser\u00e1 uma atua\u00e7\u00e3o diferente, porque o p\u00fablico estar\u00e1 distante e terei de criar alguma envolv\u00eancia em virtude de estarmos t\u00e3o separados\u201d, refere. Sobre a sua m\u00fasica e em jeito de balan\u00e7o, destaca o car\u00e1ter urgente da mesma: \u201cAs minhas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o trabalhadas, com muita vontade de serem cantadas e de sa\u00edrem c\u00e1 para fora\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Louren\u00e7o Crespo conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eras tu de certeza\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mwrvsvOw9Qo?list=OLAK5uy_nG3cfN7EmzTd4TEizppG1KiCD5xoGhQ6c\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Porque escolheu dar o seu nome ao t\u00edtulo do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>Eu tive muita dificuldade em encontrar um t\u00edtulo que resumisse aquilo que o disco significa. Atribuir o nome de uma can\u00e7\u00e3o fazia pouco sentido para mim. Quando n\u00e3o h\u00e1 uma designa\u00e7\u00e3o \u00e9 normalmente \u2018self-titled\u2019. Por isso, decidi que essa era a forma do \u00e1lbum ter uma leitura mais limpa e em aberto, sem que dissesse nada de partida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram, tematicamente, os motivos de inspira\u00e7\u00e3o para o novo trabalho?<\/strong><br \/>Basicamente, a inspira\u00e7\u00e3o veio da minha vida pessoal. Os temas come\u00e7am sempre com as minhas hist\u00f3rias e as coisas que eu sei e a partir daquilo que conhe\u00e7o tento criar algo que seja leg\u00edvel para toda a gente. O objetivo \u00e9 que as pessoas se revejam quando escutam as m\u00fasicas. Isso acontece atrav\u00e9s de assuntos espec\u00edficos, ao meu redor, e dos pormenores que refiro, os quais tenciono que perten\u00e7am a todos. Existem tra\u00e7os auto-biogr\u00e1ficos, mas n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio ser eu o narrador ou a personagem da can\u00e7\u00e3o. Mas, acaba por ser inevit\u00e1vel escrever sobre a minha experi\u00eancia. Se assim n\u00e3o fosse as hist\u00f3rias n\u00e3o teriam sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho particularmente interessante a forma como o seu disco evolui de um pop apelativo (\u201cPelo P\u00ealo\u201d) para uma faixa rom\u00e2ntica (\u201cAmor N\u00e3o Te Vou Largar\u201d)\u2026<\/strong><br \/>S\u00e3o aspectos relacionados com a forma de compor. Eu quis fazer um disco variado e com bastante can\u00e7\u00f5es. Para concretizar essa ideia falei com B Fachada (co-produtor do \u00e1lbum) e procuramos encontrar uma maneira do trabalho ser diversificado. As m\u00fasicas que voc\u00ea mencionou s\u00e3o ao piano, mas tamb\u00e9m me empenhei a compor no baixo e na groovebox. Nunca tentei for\u00e7ar nada tematicamente, porque isso decorre com naturalidade \u00e0 medida que a can\u00e7\u00e3o evolui. A parte instrumental representa outro desafio: \u00e9 aquela em que se insiste, s\u00e3o as chamadas abordagens concretas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea partilhou a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum com B Fachada. Em que medida a contribui\u00e7\u00e3o dele influenciou o resultado final deste disco?<\/strong><br \/>Foi uma contribui\u00e7\u00e3o enorme e seria um disco diferente se n\u00e3o tivesse sido produzido com ele. Eu gravei o \u201cNove Can\u00e7\u00f5es\u201d (2016) durante tr\u00eas dias, em Lagos (cidade do Algarve), com o Leonardo Bindilatti e a Maria Reis, enquanto \u201cLouren\u00e7o Crespo\u201d foi gravado em quase um m\u00eas. Contou com um grande trabalho de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o e quando tive seis can\u00e7\u00f5es prontas mostrei-as ao B Fachada e a partir desse repert\u00f3rio pensamos no que poderia ser a segunda metade do disco. Foi um processo parecido com os \u00e1lbuns \u201cDomingo \u00e0 Tarde\u201d (2017) e \u201cO \u00daltimo Siso\u201d (2014), do \u00c9me. Durante as grava\u00e7\u00f5es do meu novo trabalho, beneficiei tamb\u00e9m com o fato do B Fachada ser um produtor hiper-sens\u00edvel \u00e0s can\u00e7\u00f5es, que puxou muito por mim para que o resultado fosse melhor, mais fechado, em si mesmo, e consistente. Para al\u00e9m disso, a circunst\u00e2ncia de termos gravado na casa dele proporcionou um \u00e0 vontade e uma dedica\u00e7\u00e3o total ao disco e esses aspectos fizeram toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pandemia levou-o a fazer mais can\u00e7\u00f5es ou manteve o seu processo normal de trabalho?<\/strong><br \/>Durante o tempo de pandemia estive a melhorar as can\u00e7\u00f5es e recordo que joguei fora uma m\u00fasica e fiz outra. A maior parte das faixas j\u00e1 estavam acabadas. A \u00fanica coisa que esse per\u00edodo gerou foi um atraso na grava\u00e7\u00e3o do disco do B Fachada (\u201cRapazes e Raposas\u201d) e tamb\u00e9m retardou um bocado o meu \u00e1lbum. Esta fase n\u00e3o me deu mais vontade de trabalhar nem me senti mais produtivo, tudo decorreu de forma normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>A minha mensagem \u00e9 de agradecimento, porque a m\u00fasica brasileira tem um peso enorme na m\u00fasica portuguesa. \u00c9 muito influente e toda a gente copia. No meu caso, tanto adoro a m\u00fasica brasileira dos anos 60 e 70 como da atualidade. O Jorge Ben Jor \u00e9 uma refer\u00eancia constante. Ele \u00e9 um dos meus cantores e escritores de can\u00e7\u00f5es preferidos. Noutro dia estive a pensar no fato das letras dele serem mais distantes do que as minhas. A maneira como o Jorge escreve \u00e9 completamente natural, porque \u00e9 simples e composta por poucas palavras. Contrariamente a mim, ele diz tudo numa frase e depois diz a frase ao contr\u00e1rio (cita a estrofe: \u201cMenina Gata Augusta\/Menina Augusta Gata\u201d). O Jorge Ben Jor \u00e9 mesmo incr\u00edvel.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Louren\u00e7o Crespo - &quot;Nove Can\u00e7\u00f5es&quot; (J\u00f3ia Completa)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tMrZcmArua0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Vera Marmelo.<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O percurso musical de Louren\u00e7o Crespo (que traz colabora\u00e7\u00f5es com Maria Reis, B Fachada, Em\u00e9, Iguanas e Francisca Salema) exemplificativo do esp\u00edrito de camaradagem e inova\u00e7\u00e3o que caracterizam o selo lisboeta Cafetra Records. Agora, Louren\u00e7o chega ao seu segundo \u00e1lbum solo, tema dessa entrevista!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/18\/entrevista-lourenco-crespo-novamente-solo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":59140,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3085,874,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59139"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59139"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59141,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59139\/revisions\/59141"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59140"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}