{"id":59115,"date":"2020-12-16T00:55:55","date_gmt":"2020-12-16T03:55:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59115"},"modified":"2022-12-19T10:45:51","modified_gmt":"2022-12-19T13:45:51","slug":"meu-disco-favorito-de-2020-phoebe-bridgers","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/16\/meu-disco-favorito-de-2020-phoebe-bridgers\/","title":{"rendered":"Meu disco favorito de 2020: Phoebe Bridgers"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>MEU DISCO FAVORITO DE 2020 #3<br \/>\n\u201cPunisher\u201d, Phoebe Bridgers<br \/>\nescolha de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ana Clara Matta<\/a><br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p>Artista \u2013 Phoebe Bridgers<br \/>\n\u00c1lbum \u2013 \u201cPunisher\u201d<br \/>\nLan\u00e7amento \u2013 18\/06\/2020<br \/>\nSelo \u2013 Dead Oceans<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Somewhere in Germany, but I can&#8217;t place it<\/em><br \/>\n<em>Man, I hate this part of Texas<\/em><br \/>\n<em>Close my eyes, fantasize<\/em><br \/>\n<em>Three clicks, and I&#8217;m home<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>(&#8230;)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>But I&#8217;m not gonna go down with my hometown in a tornado<\/em><br \/>\n<em>I&#8217;m gonna chase it&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um momento do m\u00eas de abril eu pisquei os olhos e como a Dorothy citada no trecho acima eu n\u00e3o estava mais no meu lugar. O cotidiano de escrit\u00f3rio, o burburinho da Av. Paulista, o ru\u00eddo dos copos sendo lavados em um bar e a melodia diminuta da linha amarela foram substitu\u00eddos pelo sil\u00eancio de um quarto na minha cidade natal. Tudo que conhecia foi trocado por um c\u00f3digo bin\u00e1rio que soletra Morte na sua tela a cada login di\u00e1rio. Segura no centro do tornado, em casa, enquanto o mundo girava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse n\u00e3o \u00e9 o in\u00edcio ideal de um texto sobre o melhor disco do ano. Mas esse n\u00e3o foi um ano ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2020 foi o ano que nos mais for\u00e7ou a pensar na morte &#8211; mas tamb\u00e9m foi o ano que mais nos for\u00e7ou a redefinir totalmente o que significa ser vivo para n\u00f3s. Se antes sent\u00edamos mais vivos em viagens mirabolantes, abra\u00e7ando nossos amigos ou pulando na multid\u00e3o de um show, 2020 pediu uma aprecia\u00e7\u00e3o mais plat\u00f4nica da vida. E nisso, a arte se tornou ainda maior na vida de alguns que buscam compreens\u00e3o e conex\u00e3o entregues em um fone de ouvido. Em grande parte dos \u00faltimos 365 dias eu busquei m\u00fasicas que me oferecessem mais conforto ou escapismo, mas se deixei as letras e melodias de algu\u00e9m destru\u00edrem meu cora\u00e7\u00e3o em 2020, a honra foi concedida \u00e0 californiana Phoebe Bridgers.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ouvido atento &#8220;Punisher&#8221; n\u00e3o foi primeiro contato com Phoebe Bridgers. Pode-se defender at\u00e9 mesmo que n\u00e3o \u00e9 o melhor trabalho dela (tendo a colocar nessa posi\u00e7\u00e3o o EP de seu supergrupo boygenius com as outras grandes damas do &#8220;sadcore&#8221;, Lucy Dacus e Julien Baker). Mas o que a mo\u00e7a de roupa de esqueleto conseguiu neste ano foi capturar completamente o esp\u00edrito do tempo, tanto na forma do \u00e1lbum, com suas melodias mon\u00f3tonas e produ\u00e7\u00e3o levemente lo-fi e abafada (ancorada em um timbre de guitarra que parece quase subaqu\u00e1tico) que soam como o t\u00e9dio de um isolamento social, tanto no conte\u00fado l\u00edrico, que toca sempre em t\u00f3picos solit\u00e1rios, t\u00e9tricos e at\u00e9 mesmo literalmente p\u00f3s-apocal\u00edpticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Suas melhores faixas acompanharam os f\u00e3s em cada passo e marco dessa quarentena, em infinitos plays e uma subjetiva\u00e7\u00e3o cada vez maior. A cada vez que fugia de uma not\u00edcia sobre prazos, novos lockdowns, e curas ineficazes, meu c\u00e9rebro, enquanto distribu\u00eda \u201cunfollows\u201d em bi\u00f3logos pessimistas, re-escrevia assim um trecho da cortante &#8220;Chinese Satellite&#8221;, que conta uma hist\u00f3ria da busca desesperada pela esperan\u00e7a, mesmo que vinda da ilus\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>&#8220;Took a tour to see the stars<\/em><br \/>\n<em>But they weren&#8217;t out tonight<\/em><br \/>\n<em>So I wished hard on a Chinese Vaccine<\/em><br \/>\n<em>I want to believe<\/em><br \/>\n<em>Instead, I look at the sky and I feel nothing<\/em><br \/>\n<em>You know I hate to be alone<\/em><br \/>\n<em>I want to be wrong&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos maiores desejos do escritor \u00e9 a imortalidade. Alguns conseguem essa imortalidade em um \u00e2mbito global &#8211; como Elliott Smith, revisto por Phoebe em detalhes na excepcional faixa-t\u00edtulo de &#8220;Punisher&#8221;. Outros &#8211; como a que aqui escreve &#8211; s\u00f3 s\u00e3o imortais na sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria, e enquanto ouvia &#8220;Punisher&#8221; pela primeira vez, uma frase que assinei aqui mesmo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/05\/23\/harry-styles-e-a-adolescencia-da-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em meu texto sobre o primeiro \u00e1lbum de Harry Styles<\/a>, n\u00e3o parava de emergir: &#8220;Um hino nunca nasce como hino. Talvez o zeitgeist s\u00f3 possa realmente ser capturado, como um rel\u00e2mpago em uma garrafa, sem consci\u00eancia do ato.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O apocalipse de Phoebe Bridgers n\u00e3o era o Covid. Era o niilismo de seus amigos autodestrutivos, seus \u00eddolos mortos, seus relacionamentos terminados. Mas compondo sobre seu apocalipse pessoal, Bridgers conseguiu criar os hinos do nosso apocalipse coletivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Yeah, I guess the end is here.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Ana Clara Matta (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/_ana_c\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@_ana_c<\/a>) \u00e9 editora do \u00a0<a href=\"http:\/\/ovodefantasma.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ovo de Fantasma<\/a>\u00a0e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2016.<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Phoebe Bridgers - Savior Complex (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VJlR3pvgLQA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Phoebe Bridgers - I Know the End (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WJ9-xN6dCW4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Phoebe Bridgers - Kyoto (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Tw0zYd0eIlk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/favorito2020\/\"><strong>TODOS OS DISCOS FAVORITOS DE 2020 EST\u00c3O AQUI<\/strong><\/a><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O apocalipse de Phoebe Bridgers n\u00e3o era o Covid. 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