{"id":59106,"date":"2020-12-16T00:20:43","date_gmt":"2020-12-16T03:20:43","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59106"},"modified":"2021-02-11T16:19:43","modified_gmt":"2021-02-11T19:19:43","slug":"entrevista-trio-gaucho-cardamomo-fala-de-seu-disco-de-estreia-nada-a-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/16\/entrevista-trio-gaucho-cardamomo-fala-de-seu-disco-de-estreia-nada-a-fazer\/","title":{"rendered":"Entrevista: Trio ga\u00facho Cardamomo fala sobre seu disco de estreia"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sensa\u00e7\u00e3o de resigna\u00e7\u00e3o, de in\u00e9rcia, de t\u00e9dio. Mas tamb\u00e9m de enfrentamento, de persist\u00eancia. Esses poderiam muito bem serem sentimentos relacionados \u00e0 longa e brutal pandemia de Covid-19 que estamos vivendo nesse ano de 2020. Mas a <a href=\"https:\/\/cardamomomusica.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cardamomo<\/a>, banda ga\u00facha de m\u00fasica instrumental que lan\u00e7ou no final de outubro seu primeiro disco, \u201c<a href=\"https:\/\/cardamomomusica.bandcamp.com\/album\/nada-a-fazer\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nada a Fazer<\/a>\u201d, gravou quase todo o \u00e1lbum antes da quarentena, j\u00e1 trazendo \u00e0 tona uma ang\u00fastia que s\u00f3 o brasileiro \u00e9 capaz se sentir, j\u00e1 que no momento vive em um pa\u00eds que est\u00e1 se autodestruindo. Apesar disso tudo, o trio faz um som tal qual o gosto da especiaria oriental que d\u00e1 nome \u00e0 banda: avivadora e reveladora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Cardamomo, que surgiu no final de 2018 em Porto Alegre e que \u00e9 formada por Marcelo Henkin, Guilherme Boll e Johnny Oliveira, mistura em \u201cNada a Fazer\u201d diversas vertentes do rock, como rock alternativo, p\u00f3s-rock, p\u00f3s-punk, math rock, grunge e progressivo, mas de maneira coesa, como diriam os m\u00fasicos \u2013 maravilhosamente coesa, eu diria. O disco re\u00fane quatro singles lan\u00e7ados desde 2019 e sete faixas in\u00e9ditas, contando com participa\u00e7\u00e3o especial de Felipe Eug\u00eanio em \u201c\u00c0 Deriva\u201d, citando um trecho do livro \u201cEnsaio sobre a Cegueira\u201d, de Jos\u00e9 Saramago. \u201cNada a Fazer\u201d foi gravado no Est\u00fadio Sangha, na capital ga\u00facha, com produ\u00e7\u00e3o de Alexandre Birck, baterista da Graforreia Xilarm\u00f4nica. A capa \u00e9 assinada por Tiziana Scur.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro can\u00e7\u00f5es do disco j\u00e1 ganharam clipe (que voc\u00ea poder\u00e1 conferir ao longo da entrevista) e o disco foi financiado na estrada, por shows e mais shows: \u201cA gente gravou o disco todo com grana que a gente juntou em show\u201d, diz Guilherme. \u201cFico muito grato que ele represente muito bem esse per\u00edodo todo que a gente fez shows\u201d, completa Johnny. Em uma conversa descontra\u00edda via Zoom com o trio, falamos sobre produzir um disco \u00e0 dist\u00e2ncia, sobre o projeto \u201cDesancorado\u201d \u2013 um \u00e1lbum de remixes, tamb\u00e9m lan\u00e7ado este ano \u2013, sobre a aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico de uma banda instrumental, sobre o impacto da falta de shows devido \u00e0 pandemia e sobre o desejo de continuar gravando, mesmo que de formas n\u00e3o-convencionais. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cardamomo - \u00c0 Deriva (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cl9PzgC9bLU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram os desafios de gravar um \u00e1lbum? Quais foram as dores e as del\u00edcias?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Num panorama geral, com rela\u00e7\u00e3o a dores, acho que foi muito a parte de mixagem. A parte final do disco foi mais complexa porque a gente fez a mixagem \u00e0 dist\u00e2ncia. A gente gravou ele todo praticamente ao vivo, juntos, ent\u00e3o essa foi a parte del\u00edcia da grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, porque a gente gravou os tr\u00eas, um olhando na cara do outro, direitinho, ent\u00e3o essa parte foi muito natural, porque \u00e9 como a gente est\u00e1 acostumado a fazer. Mas a parte da mixagem, \u00e0 dist\u00e2ncia, cada um na sua casa, ouvindo em 200 fones diferentes e frequ\u00eancias e afins, e tamb\u00e9m na parte de bater o martelo, de ter certo desapego, de dizer: \u201ct\u00e1, deu, chega, \u00e9 a vers\u00e3o da m\u00fasica\u201d. Acho que essa parte sempre acaba sendo uma parte dif\u00edcil do processo, porque sen\u00e3o a gente fica querendo melhorar tudo mil vezes. Mas outro lance legal \u00e9 que a gente gravou o disco todo com grana que a gente juntou em show, n\u00e9. Ent\u00e3o pra isso acontecer tamb\u00e9m a gente fez muito show que a gente amou fazer, mas a gente tamb\u00e9m tocou em muita casa que a gente n\u00e3o iria se n\u00e3o fosse pra tocar, que n\u00e3o era nosso p\u00fablico, um rol\u00ea quase coxa (pra n\u00e3o dizer 100% coxa), sabe. Mas foi o que financiou o disco. Ent\u00e3o muito show a gente fez no esp\u00edrito \u201cestamos trabalhando pra viabilizar a grava\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum\u201d. Bom e ruim ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Concordo com o (Guilherme) Boll nisso do final ser dif\u00edcil, e acho que \u00e9 importante acrescentar que a gente gravou quase todo ele l\u00e1 em janeiro, antes de tudo isso, e a gente foi fazendo essa parte depois \u00e0 dist\u00e2ncia porque a gente n\u00e3o pode mais ficar junto. Foi um trabalho que, na verdade, se alongou durante todo 2020, basicamente. Ele ficou o ano inteiro trabalhando em cima disso, preparando os lan\u00e7amentos e tal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: E no fim a gente ficou bem feliz com o resultado, apesar de todos esses obst\u00e1culos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Seria importante marcar que a gente gostou do resultado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Outra coisa que fico feliz com esse disco \u00e9 que ele conseguiu retratar bem o que a gente vinha fazendo durante todos esses shows. E que o Guilherme falou, a gente estava decidindo as m\u00fasicas, a\u00ed teve um dia que deu um estalo que a gente percebeu que as m\u00fasicas que a gente vinha tocando ao vivo, que a gente vinha escolhendo pra fazer os shows, eram exatamente as mesmas do setlist que a gente estava pensando pro disco. Quando percebemos isso, a gente: \u201cT\u00e1, com certeza s\u00e3o essas m\u00fasicas que a gente vai escolher pra botar no disco\u201d. Fico muito grato que ele representa muito bem esse per\u00edodo todo que a gente fez shows. \u00c9 bem um retrato da banda quando a gente parou de fazer os shows.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas gravaram antes da pandemia, ent\u00e3o.<\/strong><br \/>\nJohnny: Sim, uns 90% dele antes da pandemia. A gente acabou se encontrando acho que duas vezes durante a pandemia \u2013 uma pra revisar umas mixagens e fazer um pouco de overdub e a outra foi pra acrescentar uma faixa, que foi a faixa que a gente gravou depois de todas as outras, que \u00e9 \u201cSaturado\u201d, e ela ficou tamb\u00e9m com um som diferente, a gente pretendia que ela soasse um pouco diferente pra dar diversidade pro \u00e1lbum. Mas acho que d\u00e1 pra dizer que ele foi gravado uns 90% antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome do disco \u00e9 \u201cNada a Fazer\u201d, e no release diz que pode ser interpretado como uma sensa\u00e7\u00e3o de resigna\u00e7\u00e3o, de in\u00e9rcia, mas tamb\u00e9m de luta. O disco foi feito antes da pandemia, mas eu acho que ele talvez possa traduzir um sentimento que a gente tem hoje. Se o disco tivesse sido feito nesse momento, o que seria diferente? Ou seria parecido?<\/strong><br \/>\nMarcelo: Decidimos o t\u00edtulo em janeiro, fevereiro&#8230; Era um trecho de um livro que retratava muito um lance pessoal que eu me identificava, e ele foi pra uma m\u00fasica primeiro, a\u00ed depois virou o nome do disco. Retratava um certo pessimismo, e que com a pandemia ganhou mais significado ainda, fez mais sentido. Eu diria que com a pandemia talvez viesse algo nesse sentido tamb\u00e9m, mas a gente quis ressaltar tamb\u00e9m no release uma interpreta\u00e7\u00e3o mais positiva, aquele lance de \u201cnada a fazer al\u00e9m de superar os obst\u00e1culos que a gente tem como banda independente e instrumental\u201d. Tamb\u00e9m essa ideia de poder criar outras interpreta\u00e7\u00f5es pras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: \u00c9 engra\u00e7ado porque \u00e9 um nome que veio antes e que se tu n\u00e3o sabe que a gente gravou antes, ele faz muito sentido com a pandemia, n\u00e9. E por isso, inclusive, que a gente gosta de marcar que ele veio antes, que j\u00e1 era uma sensa\u00e7\u00e3o que a gente quis botar como nome do \u00e1lbum porque j\u00e1 era uma sensa\u00e7\u00e3o que vinha. Da\u00ed com a pandemia a gente tomou uma porrada de \u201cnada a fazer\u201d na cara. Justificou ainda mais a ideia que a gente tinha pro nome do \u00e1lbum. N\u00e3o tinha mais como voltar atr\u00e1s no nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Mas falando um pouco disso, da tua pergunta especificamente, do que seria diferente se ele tivesse sido gravado (agora), acho que teria sido um processo muito mais tenso do que ele foi de fato. Pesou pra gente? \u00d3bvio, porque a gente \u00e9 uma banda independente que n\u00e3o tem uma grande equipe. A gente tem algumas pessoas que nos ajudam, trabalham com a gente. Mas se ele tivesse sido gravado na \u00edntegra durante a pandemia, teria sido um stress emocional muito maior, de ter que se encontrar. E talvez nem seria gravado se tivesse que ser gravado inteiramente durante a pandemia, porque n\u00f3s tr\u00eas estamos bem isolados durante esse per\u00edodo. Ent\u00e3o talvez ele n\u00e3o tivesse acontecido se a gente n\u00e3o tivesse come\u00e7ado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Acho que a gente teria freado e deixado pra fazer depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Pro ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: A\u00ed ele pareceria ser um disco que as composi\u00e7\u00f5es vieram por causa da pandemia, e n\u00e3o porque j\u00e1 existiam antes.<\/p>\n<figure id=\"attachment_59109\" aria-describedby=\"caption-attachment-59109\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-59109 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/nadaafazer.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/nadaafazer.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/nadaafazer-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/nadaafazer-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59109\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do \u00e1lbum &#8220;Nada a Fazer&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que \u201cNada a Fazer\u201d tem de diferente e de semelhante do EP \u201cCardamomo\u201d, lan\u00e7ado em 2019?<\/strong><br \/>\nJohnny: Acho que tem um n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o muito superior. Acho que a gente ficou mais atento aos cuidados t\u00e9cnicos. O primeiro foi gravado muito rapidamente, num momento muito inicial da banda, e ele ficou com uma est\u00e9tica mais lo-fi, ficou com um som menos de est\u00fadio grande, eu acho, apesar de ter sido feito num est\u00fadio bacana daqui. Mas o disco eu acho que ficou com mais qualidade t\u00e9cnica e tamb\u00e9m com mais amadurecimento nosso. Acho que as composi\u00e7\u00f5es conversam mais entre si do que as do EP e tem mais a ver com a gente como banda formada j\u00e1, do que com aquele per\u00edodo muito no come\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: O EP foi gravado, se n\u00e3o me engano, com quatro meses de banda. A gente come\u00e7ou em outubro de 2018 e a gente foi gravar no est\u00fadio em mar\u00e7o de 2019. A gente s\u00f3 queria deixar registradas as m\u00fasicas, gravar as que a gente estava tocando nos shows. Mas realmente, era muito pouco tempo de banda, e agora, depois de muito tempo de shows, amadurecimento, experi\u00eancia, entendimento entre si, a gente conseguiu fazer algo mais maduro, melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: E coeso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: \u00c9 engra\u00e7ado falar \u201cmaduro\u201d pra uma banda que tem dois anos, pouco tempo. Eu acho que \u00e9 mais coeso o lance. \u00c9 mais a nossa cara de verdade. A gente inclusive brincava que (no EP) tinham tr\u00eas faixas e elas eram bem diferentes entre si \u2013 uma tem uma parte mais psicod\u00e9lica, meio lo-fi; outra mais aceleradinha; outra pro lado mais punk. E \u00e9 porque a gente estava brincando com tudo aquilo no momento e talvez essas m\u00fasicas juntas, se elas fossem uma coisa s\u00f3, elas iriam ser mais parecidas com o que a gente toca agora, que nem o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu queria que voc\u00eas falassem um pouco <a href=\"https:\/\/cardamomomusica.bandcamp.com\/album\/projeto-desancorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sobre o projeto \u201cDesancorado\u201d<\/a>, que \u00e9 um disco de remixes que foi lan\u00e7ado esse ano.<\/strong><br \/>\nGuilherme: A gente tinha uma composi\u00e7\u00e3o, uma m\u00fasica que a gente tocava v\u00e1rias vezes em show, mas ela n\u00e3o conversava tanto com as m\u00fasicas do disco \u201cNada a Fazer\u201d, que a gente j\u00e1 tinha gravado. A\u00ed com a fun\u00e7\u00e3o da pandemia, a gente meio que quis se experimentar de gravar separado, cada um na sua casa, bateria eletr\u00f4nica, enfim, pra ver se a gente conseguia fazer o registro dessa m\u00fasica. E da\u00ed tendo escolhido essa m\u00fasica a gente teve a ideia de n\u00e3o s\u00f3 lan\u00e7ar \u2013 porque ela n\u00e3o tinha uma mega qualidade, j\u00e1 que a gente fez tudo em casa \u2013 como de chamar produtores e produtoras pr\u00f3ximos nossos, que a gente tivesse algum contato, que pilhassem fazer uma remixagem. S\u00f3 que a gente acabou achando cada vez mais pessoas que a gente tinha interesse em trabalhar junto \u2013 a gente mandava o convite e as pessoas: \u201cNossa, vamos certo!\u201d. Era pra ser uma vers\u00e3o original mais um remix de cada pessoa que cada um dos tr\u00eas indicou. Da\u00ed a gente acabou convidando mais gente e, quando a gente v\u00ea, a gente tem um projeto do tamanho de um \u00e1lbum, com 10 faixas. E ficou muito legal, porque a gente conseguiu trabalhar com muitas pessoas diferentes, que a gente gosta muito e cada um imprimiu sua caracter\u00edstica na faixa, e foi uma forma tamb\u00e9m da gente segurar a ansiedade de querer lan\u00e7ar o \u00e1lbum, porque a gente n\u00e3o tinha como trabalhar nele a s\u00e9rio nessa pandemia. O Alexandre Birck, que \u00e9 do est\u00fadio (Sangha), tamb\u00e9m estava isolado, ent\u00e3o ele sequer tinha como adiantar as mixagens. Foi meio que uma fuga, uma forma de fazer alguma coisa e que a gente achou legal e o projeto foi tomando uma dimens\u00e3o maior pra todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 uma forma de se manter movimentado, n\u00e9.<\/strong><br \/>\nJohnny: Acho que a gente curte ficar lan\u00e7ando coisa. A gente lan\u00e7a um monte de coisa com uma certa frequ\u00eancia. Um single, a\u00ed depois lan\u00e7a um clipe, um single, um clipe, e estava j\u00e1 pensando no \u00e1lbum e a\u00ed surgiu um espa\u00e7o na agenda de lan\u00e7amentos, e asou desse projeto acontecer bem nesse per\u00edodo e conseguiu saciar essa vontade que a gente tem de lan\u00e7ar coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: E a m\u00fasica era, como o (Guilherme) Boll falou, do in\u00edcio do repert\u00f3rio, uma das primeiras m\u00fasicas da banda, que \u00e9 mais pop, e n\u00e3o se encaixava mais no disco. Pensamos que como remix \u00e9 mais f\u00e1cil de fazer, produzir em cima dela, ent\u00e3o foi perfeito. Muitas vers\u00f5es massa dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi lan\u00e7ada a vers\u00e3o original dessa m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Sim. No projeto \u201cDesancorado\u201d ela \u00e9 a primeira vers\u00e3o e \u00e9 uma vers\u00e3o mix, n\u00e3o \u00e9 um remix. Ela \u00e9 na estrutura padr\u00e3o dela. Inclusive se tu escuta, tem algumas faixas que n\u00e3o chegaram a mudar a estrutura. Mas a primeira faixa do projeto \u00e9 a vers\u00e3o que seria a original. As outras nove s\u00e3o remixes. Um lance que foi massa tamb\u00e9m do projeto \u00e9 que viabilizou de mais pessoas nos conhecerem tamb\u00e9m. Porque como a gente acabou trabalhando com muita gente, toda essa galera, de certa forma, divulgou a gente e acabou que a gente abriu um pouquinho mais a nossa bolha de pessoas que nos conhecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Isso foi bem massa mesmo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_59107\" aria-describedby=\"caption-attachment-59107\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-59107 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Desancorad.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Desancorad.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Desancorad-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Desancorad-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59107\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do &#8220;Projeto Desancorado&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o uma banda de m\u00fasica instrumental e eu queria saber se voc\u00eas enxergam algum obst\u00e1culo na rela\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico, na quest\u00e3o das m\u00fasicas geralmente n\u00e3o se comunicarem prioritariamente atrav\u00e9s da palavra.<\/strong><br \/>\nJohnny: Eu acho que a gente, at\u00e9 o momento, no nosso tamanho de banda, n\u00e3o encontrou muitos obst\u00e1culos. A gente encontrou mais facilidades do que obst\u00e1culos. Porque por a gente ser t\u00e3o compacto e simples, a gente consegue tocar em muitos lugares. Levando basicamente dois amplificadores e uma bateria, a gente consegue fazer um show, sabe, num lugar pequeno. Ent\u00e3o acho que a gente conseguiu tocar em muitos lugares. Talvez se a gente fosse uma banda maior, uma banda que precisa de retorno, PA, microfone, mesa de som, t\u00e9cnico de som, talvez a gente n\u00e3o teria conseguido fazer tanto show e ter passado por tanto lugar diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: E muita gente que n\u00e3o ouvia m\u00fasica instrumental diz pra n\u00f3s que curte. Ent\u00e3o tudo que a pessoa abre\u2026 a pessoa tira esse preconceito tamb\u00e9m. \u00c9 legal, porque pra n\u00f3s n\u00e3o tem porqu\u00ea a gente n\u00e3o ouvir m\u00fasica instrumental, n\u00e3o \u00e9 nenhuma quest\u00e3o, mas pra v\u00e1rias pessoas realmente parece que \u00e9 uma quest\u00e3o e a gente consegue tocar isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: \u00c9 muito massa ver conhecidos, amigos, amigos de amigos que falam: \u201cBah, nunca tinha parado pra ouvir m\u00fasica instrumental\u201d. O pessoal meio que vincula m\u00fasica instrumental com coisas muito experimentais ou m\u00fasica de orquestra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o tem o costume.<\/strong><br \/>\nGuilherme: \u00c9, n\u00e3o tem costume. Rola meio que um preconceito e as pessoas nos escutam e, quando t\u00eam contato com a gente, ficam: \u201cPorra, legal, gostei de escutar m\u00fasica instrumental.\u201d Um amigo meu comentou comigo que as nove m\u00fasicas s\u00e3o a playlist oficial dele de trabalhar e estudar \u2013 porque tem gente que n\u00e3o consegue ouvir m\u00fasica com letra trabalhando. Ent\u00e3o a gente podia pensar que teria obst\u00e1culos, mas acabou que s\u00f3 nos favoreceu, principalmente nisso que o Johnny falou, de muito show, a gente j\u00e1 conseguiu lugar pra tocar e tinha que levar todos os equipamentos, mas a gente tinha os equipamentos, que era bateria, ampli de guitarra e ampli de baixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Acho que talvez, num crescimento maior, no futuro, talvez possa vir a ser um obst\u00e1culo. Mas acho que pro nosso tamanho atual em Porto Alegre ainda n\u00e3o me parece um obst\u00e1culo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o voc\u00eas acham que conforme as bandas v\u00e3o crescendo\u2026 Se voc\u00eas fossem maiores, poderia ser um obst\u00e1culo? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nGuilherme: Acho pelo lance de barreira meio do underground pro midstream pro mainstream. A galera que escuta m\u00fasica alternativa vai nos escutar. A galera que n\u00e3o tem essa predisposi\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 escuta o que d\u00e1 na r\u00e1dio, pouco prov\u00e1vel que a gente chegue pra eles, sabe. Talvez essa barreira, que \u00e9 mais l\u00e1 na frente, talvez a\u00ed aconte\u00e7a, mas talvez tamb\u00e9m aconteceria se a gente fosse uma banda de rock mais pesado com vocal, que tamb\u00e9m n\u00e3o ultrapassa essa barreira, que \u00e9 mais pop. O que toca na r\u00e1dio \u00e9 pop, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o pesado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Mas isso \u00e9 todo um achismo nosso, n\u00e9. Pode ser que seja completamente diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas como voc\u00eas mesmos falaram, voc\u00eas j\u00e1 tocaram em v\u00e1rios tipos de ambiente, n\u00e9. Ent\u00e3o, pelo visto, \u00e9 bem aceito, n\u00e9.<\/strong><br \/>\nGuilherme: \u00c9. A gente n\u00e3o vai mentir que a gente n\u00e3o d\u00e1 uma camuflada conforme o lugar que a gente toca. A gente j\u00e1 tocou em lugar que a gente sabe que a gente n\u00e3o pode sentar a m\u00e3o como a gente toca em show que a gente est\u00e1 produzindo. Da\u00ed a gente passa um filtrinho\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: No caso, \u00e9 o estilo do som, n\u00e3o \u00e9 nem por ser instrumental \u2013 at\u00e9 convida, porque o instrumental n\u00e3o tem vocal, n\u00e3o incomoda quem t\u00e1 no barzinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: E da\u00ed viabiliza da gente tocar em alguns lugares que s\u00f3 tocam as bandas de jazz, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: A gente toca mais leve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: E que \u00e9 bom porque acaba viabilizando da gente tocar pra p\u00fablicos bem diferentes, e que ajudaram a financiar o disco tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com a pandemia, todo mundo parou de fazer show. Queria saber se voc\u00eas tentaram encontrar alguma alternativa pra isso \u2013 lives, vender produtos\u2026 O que voc\u00eas fizeram?<\/strong><br \/>\nJohnny: A gente fez camisetas da banda recentemente \u2013 a gente vendeu quase tudo, n\u00e9 meu querido lojista Guilherme Boll?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Acho que a gente tem umas quatro ainda. Mas a gente fez camiseta \u2013 a gente j\u00e1 vendia antes, mas fizemos uma segunda leva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Com umas estampas novas, mais op\u00e7\u00f5es de estampa, e vendeu muito bem. A gente est\u00e1 estudando tamb\u00e9m uma live. Uma live, uma session, a gente ainda n\u00e3o decidiu muito bem, pra cimentar o lan\u00e7amento do disco e pra fechar o nosso ano tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Tamb\u00e9m porque \u00e9 foda ficar sem fazer show. Boa parte da vontade de fazer \u00e9 porque a gente t\u00e1 sedento por fazer show \u2013 que a gente estava acostumado a fazer bastante \u2013, mas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o fizemos shows, a gente participou s\u00f3 de uma session do est\u00fadio Legato, mas tamb\u00e9m todos mascarados, \u00e1lcool gel e todos os cuidados poss\u00edveis. At\u00e9 ent\u00e3o, foi o que deu pra fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: E al\u00e9m de camiseta, a gente est\u00e1 pensando em vender p\u00f4ster de capas dos singles e do disco, que foi o mesmo artista que fez, elas conversam muito entre si. Ent\u00e3o a gente estava pensando em explorar isso tamb\u00e9m. \u00c9 outra forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: Viabilizar a caixinha da banda, que \u00e9 a falta de shows, que sugou a caixa da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra finalizar: Quais s\u00e3o os planos de voc\u00eas al\u00e9m desses?<\/strong><br \/>\nJohnny: Acho que a gente quer explorar um pouco mais. A gente tem um clipe que vai sair, acredito que at\u00e9 o final do m\u00eas, da m\u00fasica \u201c\u00c0 Deriva\u201d (foi lan\u00e7ado dia 25 de novembro). Ele \u00e9 da produ\u00e7\u00e3o do Enzo Hofmann, que foi o mesmo que fez o clipe de \u201cLabrador\u201d, que \u00e9 outra m\u00fasica que est\u00e1 no disco. Tem essa poss\u00edvel session\/live, e tem tamb\u00e9m outros clipes de outras m\u00fasicas, pra continuar trabalhando o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcelo: E o desejo de tocar mais e m\u00fasica nova, mas ainda com o receio de entrar em est\u00fadio, de ensaiar. Mas fica o desejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme: A gente tem certeza que a gente vai querer voltar a gravar, mas a gente ainda n\u00e3o saiu correndo pra se tapar de \u00e1lcool gel, botar a m\u00e1scara e ir pro est\u00fadio, por maior que seja a vontade, mas acho pouco prov\u00e1vel que a gente n\u00e3o consiga gravar coisas, ainda que seja \u00e0 dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Johnny: Eu acrescentaria que como a gente tem vontade de criar coisas novas, acho que talvez seja um aprendizado pra n\u00f3s, porque todas as m\u00fasicas que a gente criou at\u00e9 hoje foram dentro do est\u00fadio, apresentando ideias e evoluindo trabalhos, e se a gente optar por gravar coisas em casa ou \u00e0 dist\u00e2ncia, vai ser um aprendizado, mas eu fico com saudade desse processo que eu gosto, de compor junto, de abordar as composi\u00e7\u00f5es junto e pensar junto, que \u00e9 o jeito que a gente usou pra fazer o disco e que nos agrada bastante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cardamomo - Retrodose (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Em8buEoYbGE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cardamomo - Bertha (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/l_nq1ZUZXpw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cardamomo - Labrador (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/JtvgPyo6tzw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/zambi.ananda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ananda Zambi<\/a>\u00a0(@<a href=\"https:\/\/twitter.com\/anandazambi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">anandazambi<\/a>) \u00e9 jornalista e editora do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.nonada.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nonada \u2013 jornalismo travessia<\/a>. Nas horas vagas, tamb\u00e9m brinca de fazer m\u00fasica.\u201d A foto que abre o texto \u00e9 de Isabelle Kruger.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Trio instrumental da capital ga\u00facha que chega ao primeiro disco ap\u00f3s EP e alguns singles, a Cardamomo fala sobre produzir um disco \u00e0 dist\u00e2ncia, o impacto da falta de shows devido \u00e0 pandemia e o desejo de continuar gravando, mesmo que de formas n\u00e3o-convencionais\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/16\/entrevista-trio-gaucho-cardamomo-fala-de-seu-disco-de-estreia-nada-a-fazer\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":68,"featured_media":59108,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4823],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59106"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59106"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59106\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59114,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59106\/revisions\/59114"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59108"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}