{"id":59059,"date":"2020-12-14T00:04:41","date_gmt":"2020-12-14T03:04:41","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59059"},"modified":"2024-11-01T00:14:24","modified_gmt":"2024-11-01T03:14:24","slug":"entrevista-john-doe-e-o-novo-disco-do-x","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/14\/entrevista-john-doe-e-o-novo-disco-do-x\/","title":{"rendered":"Entrevista: John Doe e o novo disco do X, &#8220;Alphabetland\u201d, com sua forma\u00e7\u00e3o original"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ber\u00e7o de bandas como X, Germs, TSOL e The Screamers, entre muitas outras, a cena punk de Los Angeles \u00e9 uma das mais importantes e criativas da hist\u00f3ria. Apesar de nunca ter recebido o mesmo destaque que as cenas de Nova York e Londres, a metr\u00f3pole californiana foi t\u00e3o vital quanto essas cidades para o surgimento e a consolida\u00e7\u00e3o do punk no final dos anos 1970 e in\u00edcio dos 1980 (plantando sementes <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/01\/punk-na-california-um-roteiro-nostalgico-da-cena-dos-anos-90-parte3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">para a cena dos anos 90<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Respons\u00e1vel por obras-primas como \u201cLos Angeles\u201d (1980), \u201cWild Gift\u201d (1981) e \u201cUnder the Big Black Sun\u201d (1982), o X continua na ativa at\u00e9 hoje, tendo lan\u00e7ado no \u00faltimo m\u00eas de abril o \u00f3timo e en\u00e9rgico \u201c<a href=\"https:\/\/xtheband.bandcamp.com\/album\/alphabetland\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Alphabetland<\/a>\u201d (2020), seu oitavo disco e o primeiro em mais de 30 anos a reunir a forma\u00e7\u00e3o original com Exene Cervenka (vocalista), Billy Zoom (guitarrista), DJ Bonebrake (baterista) e John Doe (baixista\/vocalista).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por telefone em novembro, o extremamente simp\u00e1tico Doe, que tamb\u00e9m possui uma s\u00f3lida carreira solo e uma hist\u00f3ria interessante como ator de cinema, fala sobre como foi voltar ao est\u00fadio ap\u00f3s tanto tempo com seus colegas de banda, a import\u00e2ncia da arte em meio \u00e0 pandemia, os 40 anos do cl\u00e1ssico \u201cLos Angeles\u201d e o papel de Ray Manzarek (The Doors) no disco, al\u00e9m dos seus dois livros sobre a hist\u00f3ria da cena punk de Los Angeles, entre muitas outras coisas. Confira abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - I Gotta Fever (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9NoC_9LOt5g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea far\u00e1 <a href=\"http:\/\/www.theejohndoe.com\/live\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma s\u00e9rie de shows solo nos pr\u00f3ximos meses<\/a>, que ser\u00e3o transmitidos pela Internet. Ao longo da sua carreira, voc\u00ea j\u00e1 tocou em casas de show pequenas e m\u00e9dias e tamb\u00e9m grandes est\u00e1dios, praticamente em todos os tipos de situa\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 para voc\u00ea esse novo tipo de estrutura, em que \u00e9 preciso buscar um tipo diferente de conex\u00e3o com o p\u00fablico, que est\u00e1 longe de voc\u00ea? Voc\u00ea se sente mais exposto, mais seguro, mais desconectado das pessoas?<\/strong><br \/>\n\u00c9, acho que diria todas essas coisas. Mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom quanto (risos). Vamos apenas dizer isso. Quer dizer, \u00e9 estranho. \u00c9 dif\u00edcil porque n\u00e3o h\u00e1 nenhuma troca de energia. E essa \u00e9 a melhor coisa de algo ao vivo. Voc\u00ea envia energia, o p\u00fablico envia energia. Se voc\u00ea v\u00ea outra pessoa, ent\u00e3o voc\u00ea pode sentir essa troca. E voc\u00ea sabe&#8230; se for bom, tipo a combina\u00e7\u00e3o certa na noite certa, ent\u00e3o \u00e9 algo \u00fanico. S\u00f3 ir\u00e1 acontecer algo assim nessa \u00fanica vez, ent\u00e3o voc\u00ea fica muito engajado no momento. E voc\u00ea sabe que \u00e9 especial e que nunca acontecer\u00e1 novamente. Quer dizer, tudo \u00e9 dessa maneira, mas talvez isso seja um pouco amplificado em um show ao vivo. No entanto, tendo dito tudo isso, eu gosto de cantar \u2013 e eu gosto de tocar. E tem algo que \u00e9 recompensador quando voc\u00ea est\u00e1 apenas tocando ou cantando uma m\u00fasica sozinho. Ent\u00e3o voc\u00ea precisa tentar aproveitar isso \u2013 sem a resposta. Quando voc\u00ea est\u00e1 tocando, mesmo com p\u00fablico e voc\u00ea sabe que estava tudo l\u00e1, voc\u00ea sabe que foi uma boa vers\u00e3o e se sentiu conectado com a m\u00fasica. \u00c9 uma conex\u00e3o pessoal profunda. Ent\u00e3o voc\u00ea precisa tentar fazer bom uso disso. \u00c9 algo legal de se fazer, de qualquer maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea sente que <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0230335\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a sua experi\u00eancia como ator<\/a> pode te ajudar neste tipo de situa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que voc\u00ea est\u00e1 em um \u201cambiente controlado\u201d quando grava uma cena para o cinema ou TV, por exemplo?<\/strong><br \/>\nHmm, sim, talvez um pouco. Voc\u00ea sente as coisas um pouco mais sutilmente \u2013 ou internamente \u2013 em situa\u00e7\u00f5es desse tipo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 como gravar um disco. Quando voc\u00ea est\u00e1 gravando, voc\u00ea precisa ser um pouco mais \u201cinterno\u201d, n\u00e3o sei \u2013 n\u00e3o t\u00e3o amplo ou grande.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, <a href=\"https:\/\/www.xtheband.com\/#alphabetland\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">no site do X<\/a> h\u00e1 um texto sobre a situa\u00e7\u00e3o do mundo com a pandemia de COVID-19, que diz que, em meio a tudo o que est\u00e1 acontecendo, \u201c&#8230;a vida pode parecer um tanto surreal aos sentidos. Ainda assim, em meio a todo o caos, uma coisa \u00e9 constante, a m\u00fasica nos une\u201d. Partindo disso, voc\u00ea acha que a m\u00fasica \u2013 e a arte, em geral \u2013 ganharam talvez um novo papel, n\u00e3o apenas no sentido de conectar as pessoas de diferentes lugares do mundo, mas tamb\u00e9m de cur\u00e1-las, meio que evitar que o mundo todo \u2013 ou pelo menos uma parte dele \u2013 ficasse louco?<\/strong><br \/>\n(Risos) Sim, estou rindo com voc\u00ea porque o que voc\u00ea disse \u00e9 muito verdadeiro. Talvez seja um retorno para uma experi\u00eancia mais simples com a arte. N\u00e3o sei como \u00e9 no Brasil, mas penso que a arte \u00e9 muito subvalorizada nos Estados Unidos. Se voc\u00ea diz para algu\u00e9m que \u00e9 m\u00fasico, a pessoa apenas vai dizer \u201cPfff, tanto faz\u201d (risos). E se voc\u00ea diz que \u00e9 um artista, ela dir\u00e1: \u201c\u00c9, e voc\u00ea est\u00e1 passando fome\u201d. E isso \u00e9 errado. A arte deveria ser importante para a alma das pessoas. E para tornar as suas vidas mais profundas. Acho que quando voc\u00ea tem uma trag\u00e9dia pessoal, ou uma alegria pessoal, ent\u00e3o a arte, as m\u00fasicas, os filmes e os livros, voc\u00ea tem uma rea\u00e7\u00e3o mais profunda a eles. Por exemplo, quando lan\u00e7amos o \u201cAlphabetland\u201d (nota: o disco foi lan\u00e7ado em abril de 2020, cerca de um m\u00eas ap\u00f3s a OMS declarar pandemia global de COVID-19), foi em um momento em que as pessoas estavam muito vulner\u00e1veis, e meio que n\u00e3o sabiam o que estava acontecendo. De qualquer maneira, as pessoas reagiram de uma maneira linda e muito forte ao lan\u00e7amento e n\u00f3s somos muito gratos. E tamb\u00e9m nos sentimos meio que recompensados por isso. Porque, como eu disse, as pessoas estavam fr\u00e1geis e vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea pensa que o fato de terem lan\u00e7ado o disco no in\u00edcio da pandemia, em abril, pode ter feito as m\u00fasicas e as letras ganharem um significado novo e\/ou diferente?<\/strong><br \/>\nAh sim, acho que sim. Como estava dizendo, se voc\u00ea est\u00e1 vivenciando algo que \u00e9 dram\u00e1tico, voc\u00ea vai ler&#8230; Quer dizer, esses tipos de letras n\u00e3o s\u00e3o diferentes, n\u00e3o s\u00e3o \u00fanicos para o X. Em todas as nossas m\u00fasicas, n\u00f3s falamos sobre pessoas que est\u00e3o \u00e0 beira de algo, pessoas em crise, ou o mundo em crise. E n\u00f3s fazemos isso h\u00e1 bastante tempo. E isso s\u00f3 calhou de ser algo como falar a verdade em uma \u00e9poca em que as pessoas podiam fazer uma leitura de uma maneira que fosse pessoal. Foi algo como um bom timing para uma situa\u00e7\u00e3o ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual seu sentimento sobre o disco agora que j\u00e1 foi lan\u00e7ado h\u00e1 cerca de seis meses? Voc\u00ea tem alguma m\u00fasica favorita? E mudou a maneira como enxerga o \u00e1lbum com o passar do tempo?<\/strong><br \/>\nBom, n\u00e3o tenho ouvido muito o disco porque o ouvimos muitas vezes enquanto ele estava sendo feito. Mas ouvi a m\u00fasica \u201cStrange Life\u201d no r\u00e1dio aqui em Austin h\u00e1 alguns dias. E isso foi bastante recompensador. Foi algo como \u201cUau, eles ainda est\u00e3o tocando esse disco, j\u00e1 foi lan\u00e7ado h\u00e1 seis meses\u201d (risos). Normalmente, voc\u00ea tem sorte se tocam algumas vezes nos primeiros dois meses de lan\u00e7amento. Eu n\u00e3o sei. N\u00f3s vamos lan\u00e7ar mais um v\u00eddeo para \u201cGoodbye Year, Goodbye\u201d (assista abaixo) porque estamos nos aproximando do final do ano. Preciso dar muito cr\u00e9dito para a nossa gravadora, a <a href=\"https:\/\/fatpossum.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fat Possum Records<\/a>, por terem sido corajosos de lan\u00e7ar o disco em abril. Est\u00e1vamos planejando lan\u00e7ar o \u00e1lbum em setembro ou algo assim, para que pud\u00e9ssemos organizar as coisas. Voc\u00ea sabe como s\u00e3o as coisas para lan\u00e7ar um disco, \u00e9 preciso deixar tudo pronto \u2013 produzir teasers e todas essas merdas. Mas a Fat Possum disse: \u201cEi pessoal, tem muita merda acontecendo, n\u00e3o sabemos. Vamos apenas fazer isso\u201d. Foi algo muito corajoso e eu me senti conectado com a Fiona Apple, porque ela fez a mesma coisa com aquele disco incr\u00edvel dela, \u201cFetch the Bolt Cutters\u201d (2020). <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/22\/musica-fetch-the-bolt-cutters-de-fiona-apple\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Voc\u00ea ouviu esse disco?<\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Goodbye Year, Goodbye (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3I4HKiVT9BA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, sim, gosto muito dela.<\/strong><br \/>\nPenso que esse disco \u00e9 um n\u00edvel completamente novo, do tipo: \u201cOlhe para mim, enquanto eu ando na corda bamba. Vou apenas destruir um monte de conven\u00e7\u00f5es e \u2018\u00e9 assim que a composi\u00e7\u00e3o musical deve ser\u2019. Vou apenas fazer o meu lance\u201d. E \u00e9 apenas realmente incr\u00edvel. Gosto muito desse disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi para voc\u00ea ter os quatro integrantes originais do X juntos de novo no est\u00fadio ap\u00f3s tanto tempo?<\/strong><br \/>\nHmm, n\u00f3s gravamos quatro m\u00fasicas no come\u00e7o de 2019 \u2013 \u201cAngel on the Road\u201d, \u201cI Gotta Fever\u201d, \u201cDelta 88 Nightmare\u201d, \u201cCyrano de Berger\u00b4s Back\u201d. E nos primeiros dias foi aterrorizante (risos). Voc\u00ea nunca sabe, a qu\u00edmica ainda estar\u00e1&#8230; Quer dizer, a qu\u00edmica estar\u00e1 l\u00e1, n\u00f3s sabemos que isso vai acontecer em um show. Mas a\u00ed s\u00e3o m\u00fasicas que conhecemos muito bem e o p\u00fablico nos d\u00e1 uma energia, que talvez possa encobrir algumas falhas. Mas uma vez que fizemos isso, e t\u00ednhamos o nosso produtor, Rob Schnapf, n\u00f3s sab\u00edamos que ele entendia qual dire\u00e7\u00e3o n\u00f3s dev\u00edamos seguir. Mas \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 dif\u00edcil porque n\u00f3s sab\u00edamos que quer\u00edamos tocar e escrever m\u00fasicas que pudessem ser facilmente identificadas como a gente. E sem que fossem repeti\u00e7\u00f5es de algo que j\u00e1 t\u00ednhamos feito. Mas \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil resolver isso. Por exemplo, algu\u00e9m diz \u201cBom Luiz, o que voc\u00ea faz de melhor? Quais s\u00e3o os seus melhores tra\u00e7os de personalidade?\u201d e ent\u00e3o voc\u00ea fica \u201cAh, puta que pariu, eu n\u00e3o sei. Sou uma pessoa boa\u201d e qualquer coisa do tipo. E quando voc\u00ea est\u00e1 fazendo isso com uma banda&#8230; O Billy tem um estilo de tocar guitarra, ent\u00e3o vamos meio que fazer as m\u00fasicas f\u00e1ceis para ele usar esse estilo. E o DJ tem o seu estilo de tocar bateria, ent\u00e3o vamos nos certificar de que trabalhamos voltados para essa for\u00e7a que ele possui. Quando a Exene e eu temos a op\u00e7\u00e3o de cantarmos juntos, n\u00f3s tentamos fazer isso. Ent\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de meio que ser esperto, mas n\u00e3o \u00e9 sempre assim t\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da chegada do disco novo, \u201cAlphabetland\u201d, 2020 tamb\u00e9m marca o anivers\u00e1rio de 40 anos do disco de estreia da banda, \u201cLos Angeles\u201d, que tamb\u00e9m foi lan\u00e7ado no m\u00eas de abril. Como voc\u00ea olha para o disco e seu legado hoje em dia, tanto tempo depois do seu lan\u00e7amento? Ainda gosta do disco? Ouvi novamente o \u00e1lbum nos \u00faltimos dias e penso que envelheceu muito bem, j\u00e1 que soa muito cru, atual e, vamos dizer, cl\u00e1ssico, tudo isso ao mesmo tempo.<\/strong><br \/>\n\u00c9, eu n\u00e3o tenho escutado o disco, obviamente (risos). Porque isso seria esquisito, seria esquisito pra caralho (risos). Acho que somos gratos, em primeiro lugar. Gratos pelas pessoas se importarem. E gratos pela Fat Possum querer lan\u00e7ar&#8230; Eles acabaram de lan\u00e7ar <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3J6NVMcyORqDXLVQOlZD4T\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma vers\u00e3o comemorativa e limitada do disco<\/a>. Mas dou muito cr\u00e9dito ao Ray Manzarek (tecladista do The Doors e produtor do \u00e1lbum), porque ele nos ajudou a fazer um disco que n\u00e3o usasse truques de 1979. Porque h\u00e1 discos que soam como se viessem diretamente de 1979. E \u00e9 isso o que o The Doors fez tamb\u00e9m, eles fizeram discos que eram do The Doors. N\u00f3s apenas tentamos fazer um disco de rock. Ent\u00e3o a idade que n\u00f3s t\u00ednhamos, as m\u00fasicas eram relativamente novas \u2013 bem, n\u00e3o sei, n\u00f3s toc\u00e1vamos muitas daquelas m\u00fasicas h\u00e1 cerca de 1 ano e meio, 2 anos, ent\u00e3o n\u00f3s sab\u00edamos como elas deviam soar. E ele (Ray) n\u00e3o tentou colocar o seu carimbo, transformar em algo&#8230; porque j\u00e1 estava desenvolvido. O Ray tamb\u00e9m escolheu&#8230; n\u00f3s conversamos juntos sobre quais m\u00fasicas deveriam entrar nesse primeiro disco. E, mesmo com m\u00fasicas como \u201cAdult Books\u201d, \u201cWhen Our Love Passed Out on the Couch\u201d, \u201cWe\u2019re Desperate\u201d, \u201cI\u2019m Coming Over\u201d, que eram m\u00fasicas mais antigas, elas n\u00e3o se encaixavam em \u201cLos Angeles\u201d. Tamb\u00e9m dou cr\u00e9dito a ele por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea pensa que o fato de ele (Ray) estar vindo de um background diferente, musicalmente, pelo menos, tenha contribu\u00eddo para esse sentimento atemporal do disco? Com essa esp\u00e9cie de encontro de dois mundos diferentes, entre o rock psicod\u00e9lico dos anos 1960 com essa m\u00fasica nova da \u00e9poca, o punk.<\/strong><br \/>\nPenso que h\u00e1 mais semelhan\u00e7as do que diferen\u00e7as. Acho que as m\u00fasicas que o The Doors escutava e as m\u00fasicas que n\u00f3s ouv\u00edamos enquanto cresc\u00edamos eram parecidas. Que eram a base do rock \u2013 blues e country e esse tipo de coisa. Mas talvez, ele sabia como era o som da liberdade, o som de quebrar barreiras. Ent\u00e3o acho que ele podia dizer quando n\u00f3s toc\u00e1vamos dessa maneira, que soava desse jeito. Essa era a medida dele do que \u00e9 bom e do que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o The Doors era uma banda importante para voc\u00eas na \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nPara mim e para a Exene, sim. Mas n\u00e3o tanto assim para o Billy e o DJ.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E foram voc\u00eas que escolheram gravar o cover de \u201cSoul Kitchen\u201d, do The Doors, no disco? Ou foi uma sugest\u00e3o do Ray? Como aconteceu isso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Essa \u00e9 uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada. A primeira vez que ele (Ray) nos viu foi no Whisky a Go Go (nota: ic\u00f4nica casa de shows em Los Angeles), onde o The Doors tocou muitas vezes. E a mulher dele, Dorothy, apontou para o palco e disse: \u201cEi Ray, olha l\u00e1. Eles est\u00e3o tocando a sua m\u00fasica\u201d \u2013 porque n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos come\u00e7ado a tocar \u201cSoul Kitchen\u201d na \u00e9poca. Mas a maneira como a toc\u00e1vamos era t\u00e3o r\u00e1pida e t\u00e3o diferente que ele n\u00e3o reconheceu (risos). A esposa dele precisou dizer que est\u00e1vamos tocando uma m\u00fasica do The Doors (risos). Era uma das m\u00fasicas que a Exene realmente adorava e descobri uma maneira de toc\u00e1-la mais no nosso estilo \u2013 mais r\u00e1pida e tudo mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Soul Kitchen (Feat. Ray Manzarek)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/i19TYrxTS2A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que estamos falando do The Doors, o \u201cAlphabetland\u201d traz a participa\u00e7\u00e3o de outro integrante da banda, o guitarrista Robby Krieger. Foi algo meio que um fechamento de um ciclo, 40 anos depois da primeira vez que voc\u00eas trabalharam com o Ray? Imagino que voc\u00eas j\u00e1 conhecessem o Robby, certo? Como surgiu essa parceria?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 alguns anos, o Robby convidou eu e a Exene para tocarmos em um tributo em Seattle. E n\u00f3s estivemos em contato com John Densmore (ex-baterista do The Doors), que era amigo de amigos, em uma pequena livraria e local de workshops chamado Beyond Baroque, em Venice, na Calif\u00f3rnia, que \u00e9 onde eu e a Exene nos conhecemos pela primeira vez. Ent\u00e3o o Robby deixou um recado para mim, em que ele obviamente tinha o n\u00famero errado (risos). Ele tentou ligar para outro John. Ent\u00e3o eu liguei de volta e ele perguntou o que eu estava fazendo. A\u00ed disse que est\u00e1vamos fazendo um disco novo e ent\u00e3o ele falou: \u201cEu deveria aparecer para tocar um pouco de guitarra slide\u201d. E pensei \u201cAh, meu deus, essa \u00e9 uma \u00f3tima ideia\u201d. E a \u00faltima m\u00fasica do disco em que ele toca, \u201cAll The Time in The World\u201d, parecia muito similar \u00e0quele disco \u201cAn American Prayer\u201d (nota: \u00faltimo disco do The Doors, lan\u00e7ado ap\u00f3s a morte de Jim Morrison). Ent\u00e3o foi uma \u00f3tima combina\u00e7\u00e3o. Gostaria que ele pudesse ter tocado em mais m\u00fasicas, mas n\u00e3o t\u00ednhamos tempo e n\u00e3o conseguimos encontrar m\u00fasicas que se encaixassem. Mas ele \u00e9 incr\u00edvel, um guitarrista incr\u00edvel, meio que subestimado. N\u00e3o acho que as pessoas o reconhe\u00e7am por sua contribui\u00e7\u00e3o. Ele realmente trouxe um pouco de Chuck Berry de volta para os guitarristas daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2011, o X fez a sua \u00fanica turn\u00ea na Am\u00e9rica Latina, junto com o Pearl Jam, incluindo shows no Brasil. Quando lan\u00e7aram <a href=\"https:\/\/www.kickstarter.com\/projects\/1230671149\/x-live-in-latin-america\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a campanha de financiamento coletivo para o disco ao vivo<\/a> desta tour, em 2017, voc\u00eas disseram que essa viagem foi uma \u201cexperi\u00eancia de mudan\u00e7a de vida e mentes\u201d e mencionaram especificamente o show de S\u00e3o Paulo. Queria saber o que fez desta viagem uma experi\u00eancia t\u00e3o significativa e se houve algo espec\u00edfico que chamou a sua aten\u00e7\u00e3o no Brasil ou nos outros pa\u00edses da regi\u00e3o?<\/strong><br \/>\nOh&#8230;(risos). N\u00e3o consigo responder isso porque h\u00e1 muitas coisas. Porque h\u00e1 um tipo diferente de liberdade na Am\u00e9rica do Sul do que a que existe nos Estados Unidos. Penso que por serem pa\u00edses mais novos e mais vitais. E pelas pessoas, em geral, n\u00e3o sentirem que podem ser processadas se algo ruim acontecer (risos). E o p\u00fablico nos shows foi t\u00e3o legal. Quer dizer, havia tantas pessoas em um lugar enorme, mas n\u00e3o parecia haver nenhuma briga, parecia que todo mundo estava numa boa. Eles entendiam que estavam naquilo juntos. E poder ver uma banda como o Pearl Jam ter uma resposta t\u00e3o incr\u00edvel, conseguir fazer dois shows para 70 mil pessoas, em duas noites, \u00e9 tipo \u201cPuta que pariu, caralho\u201d (nota: o X e o Pearl Jam <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/11\/15\/pearl-jam-brasil-tour-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">fizeram dois shows lotados no Est\u00e1dio do Morumbi<\/a>, em S\u00e3o Paulo, em novembro de 2011). Eu j\u00e1 tinha estado na Europa algumas vezes, mas nunca na Am\u00e9rica do Sul. J\u00e1 tinha ido ao M\u00e9xico algumas vezes, mas nunca \u00e0 Cidade do M\u00e9xico. E a primeira vez que voc\u00ea vai para Los Angeles ou Nova York, isso vai mexer com a sua cabe\u00e7a, se voc\u00ea n\u00e3o estiver familiarizado com isso. E S\u00e3o Paulo \u00e9 t\u00e3o grande ou ainda maior do que essas cidades. Ent\u00e3o \u00e9, a liberdade, apenas uma cultura diferente, e como fomos recebidos de uma maneira calorosa. E n\u00f3s pudemos entrar na \u201cbolha do Pearl Jam\u201d, que foi algo realmente estranho e legal. N\u00f3s estivemos na caravana deles saindo do est\u00e1dio, o que foi insano, com esses policiais em motos fechando ruas para n\u00f3s. Senti que era o presidente ou algo do tipo, foi t\u00e3o estranho. E ent\u00e3o, depois disso, voc\u00eas agora t\u00eam um presidente que \u00e9 t\u00e3o idiota quanto o que n\u00f3s temos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Penso que ele (Bolsonaro) \u00e9 ainda pior, eu n\u00e3o sei, \u00e9 uma disputa e tanto (risos).<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei, eu sinto por voc\u00eas. Tenho muita empatia por isso. Espero que n\u00f3s tenhamos nos livrado do nosso cara (nota: a entrevista foi feita cerca de uma semana ap\u00f3s Joe Biden vencer as elei\u00e7\u00f5es presidenciais nos EUA). Talvez em breve voc\u00eas consigam se livrar do seu cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea conhece algum artista brasileiro, sejam nomes da Bossa Nova e Tropic\u00e1lia ou nomes mais recentes?<\/strong><br \/>\nBom, com a exce\u00e7\u00e3o do Jobim e da&#8230; Astrud&#8230;como \u00e9 o sobrenome dela?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Astrud Gilberto?<\/strong><br \/>\nIsso, Astrud Gilberto e todo esse estilo de Bossa Nova. Eu conhecia um pouco sobre isso. E tamb\u00e9m o Baden Powell, um amigo me mostrou algumas coisas dele. Mas sei que h\u00e1 muito punk no Brasil pela forma como o Brasil &#8211; e a Am\u00e9rica do Sul &#8211; abra\u00e7aram os Ramones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah sim, os Ramones eram enormes aqui.<\/strong><br \/>\n\u00c9, eu sei. E \u00e9 assim que deveria ser mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Est\u00e1vamos falando sobre o Pearl Jam h\u00e1 pouco. Al\u00e9m dessa e outras tours em conjunto, voc\u00ea tamb\u00e9m j\u00e1 gravou e tocou com o Eddie Vedder e o Mike McCready. Por isso, queria saber se voc\u00ea talvez os considera \u201cesp\u00edritos irm\u00e3os\u201d (\u201ckindred spirits\u201d) de uma maneira, n\u00e3o apenas musicalmente?<\/strong><br \/>\nAh, sim. Tocamos com eles pela primeira vez em 2000, eu acho. E apenas fizemos quatro shows com eles e eles foram bons. Voc\u00ea podia ver que era uma boa combina\u00e7\u00e3o, um bom encaixe para as duas bandas. E o apoio deles para bandas como n\u00f3s, o Mudhoney, o Iggy Pop tamb\u00e9m abriu para eles. Eles apenas entendem as coisas. E se voc\u00ea passar tempo com pessoas assim e come\u00e7a a falar sobre m\u00fasica e outras coisas, ent\u00e3o voc\u00ea percebe que voc\u00eas compartilham muito mais coisas do que apenas m\u00fasica. N\u00f3s ainda nos falamos, de tempos em tempos. Talvez a cada 2 ou 3 meses, eu ligo para o Mike McCready. Mas eles s\u00e3o ocupados, eles vivem em um mundo completamente diferente (risos). Mas eles s\u00e3o legais, s\u00e3o muito legais. E eles foram muito bons com a gente. Sinto que eles s\u00e3o uma banda que podem apenas tocar. E eles tocam as pessoas t\u00e3o profundamente por causa do estilo da m\u00fasica e do que dizem nas letras, e tamb\u00e9m como vivem as suas vidas. N\u00e3o \u00e9 apenas m\u00fasica e arte, tamb\u00e9m \u00e9 algo cultural. E esse tipo de conex\u00e3o \u00e9 profunda e amo isso sobre eles. Penso que eles s\u00e3o \u00fanicos, n\u00e3o precisam de truques ou coisas assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"John Doe with Mike McCready - See How We Are (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XE1Aw-qvC5w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos \u00faltimos anos, <a href=\"http:\/\/www.theejohndoe.com\/books\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">voc\u00ea lan\u00e7ou dois livros muito bons<\/a> sobre a hist\u00f3ria do punk de Los Angeles, em parceria com o jornalista Tom DeSavia, intitulados \u201cUnder the Big Black Sun: A Personal History of L.A. Punk\u201d (2016) e \u201cMore Fun in the New World: The Unmaking and Legacy of L.A. Punk\u201d (2019). Esse j\u00e1 era um projeto antigo que voc\u00ea queria fazer h\u00e1 tempos? Como surgiu a ideia de lan\u00e7ar os livros?<\/strong><br \/>\nFoi muito recompensador, depois que o livro estava pronto (risos). Foi dif\u00edcil, foi um trabalho duro. E porque era um trabalho t\u00e3o duro, chamei todo mundo para me ajudar (risos). Tom e minha companheira, Krissy, eles ficaram \u201ctorcendo meu bra\u00e7o\u201d para escrever um livro. Porque eu posso contar hist\u00f3rias sobre alguma \u00e9poca, entre duas pessoas, ou algo assim, mas esse n\u00e3o \u00e9 o meu lance. H\u00e1 pessoas que adoram fazer isso, e meio que isso surge em um ou outro momento. Enfim, eles ficavam me dizendo que eu devia escrever um livro, mas parecia trabalho demais, para ser honesto. E eu n\u00e3o queria ser a autoridade, n\u00e3o queria me colocar nessa posi\u00e7\u00e3o, tipo ser o historiador desse&#8230; Porque era algo maior do que apenas o que o X fez, do que o que eu fiz. E, apesar de eu apoiar a igualdade racial, a liberdade sexual e o fato de que as mulheres tenham um papel igual nas bandas em que tocam, eu n\u00e3o posso contar essa hist\u00f3ria. Eu posso apreciar e apoiar, posso ser um aliado, mas n\u00e3o posso contar a hist\u00f3ria. Ent\u00e3o o fato de que Jane Weidlin, Charlotte Caffey, Exene, Teresa Covarrubias estavam todas dispostas a participar e contar o seu lado da hist\u00f3ria, que foi uma hist\u00f3ria maior e mais pessoal. E n\u00f3s tivemos muita sorte por elas quererem fazer isso, por elas dedicarem tempo e esfor\u00e7o. Quer dizer, elas receberam um pagamento, n\u00e3o um valor alto, mas conseguimos pegar o dinheiro que recebemos da editora e dividir entre os escritores e escritoras e os fot\u00f3grafos e fot\u00f3grafas. Ent\u00e3o sentimos que Los Angeles recebeu o que lhe era devido, poder contar sua hist\u00f3ria, assim como Nova York ou Londres. Ent\u00e3o sim, foi um sentimento bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu site, h\u00e1 um texto em que diz que o John Doe nasceu quando voc\u00ea foi para Los Angeles em 1977 \u2013 que foi o mesmo ano em que o X foi formado. Voc\u00ea acredita que uma banda como o X poderia ter acontecido, ter sido criada em outra cidade?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu acho que n\u00e3o. Quando voc\u00ea est\u00e1 em um lugar novo, e est\u00e1 fora da cidade ou do lugar onde cresceu ou com o qual est\u00e1 acostumado, voc\u00ea tem uma abordagem nova para tudo. E ent\u00e3o n\u00f3s est\u00e1vamos dispostos a nos aventurar, a experimentar e fazer coisas novas porque est\u00e1vamos cansados do estilo antigo do que chamavam de rock na \u00e9poca. E penso que, como nos livros, Los Angeles desempenhou um grande papel nisso. Los Angeles \u00e9 meio que um personagem dentro de todas as hist\u00f3rias que est\u00e3o nos dois livros. H\u00e1 um certo&#8230; voc\u00ea consegue enxergar de longe, voc\u00ea consegue enxergar a 70, 90km de dist\u00e2ncia \u2013 quando n\u00e3o est\u00e1 com polui\u00e7\u00e3o (risos). E voc\u00ea pode ir na praia, nas montanhas. N\u00e3o que n\u00f3s fiz\u00e9ssemos isso com muita frequ\u00eancia, mas voc\u00ea sabia que essas coisas estavam l\u00e1. E isso te d\u00e1 mais&#8230; \u00e9 tipo mais aberto. E Londres, Nova York, ou cidades mais antigas, s\u00e3o mais claustrof\u00f3bicas, mais \u201cna sua cara\u201d. S\u00e3o apenas pr\u00e9dios enormes em todo lugar. E Los Angeles \u00e9 mais espalhada. Ent\u00e3o acho que isso afeta a maneira como voc\u00ea v\u00ea as coisas, como voc\u00ea escreve as coisas. Penso que a Costa Oeste \u00e9 famosa por inova\u00e7\u00e3o e apenas coisas novas, novas maneiras de olhar para as coisas. Ent\u00e3o tudo se encaixou para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria que me dissesse, por favor, tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nAh, deus. Quando eu era crian\u00e7a, havia um disco folk chamado \u201cSongs to Grow On\u201d (nota: provavelmente se refere ao volume 3 da s\u00e9rie de discos com esse nome, lan\u00e7ada em 1951), e Woody Guthrie, Lead Belly, Pete Seeger e Cisco Houston estavam todos nesse \u00e1lbum. Eu tinha provavelmente 8 ou 9 anos na \u00e9poca. E esse disco mudou a minha vida. Diria talvez o disco do Velvet Underground com a Nico (\u201cThe Velvet Underground &amp; Nico\u201d, lan\u00e7ado em 1967). O meu irm\u00e3o mais velho tinha esse \u00e1lbum. E esse disco mudou a minha vida. E talvez tamb\u00e9m o disco do Jonathan Richman and The Modern Lovers (autointitulado, lan\u00e7ado em 1975). Acho que o que todos eles t\u00eam em comum \u00e9 o quanto eles s\u00e3o diretos, m\u00ednimos, dizendo o que querem dizer em pouco tempo. E contando hist\u00f3rias, conseguindo contar hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas s\u00e3o as duas \u00faltimas perguntas. Do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nHmm, o que tenho mais orgulho \u00e9 o fato de ainda estarmos juntos, como uma banda. Tamb\u00e9m tenho orgulho do fato de que influenciamos algumas pessoas a tocar, a fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima. N\u00e3o sei se j\u00e1 pensou nisso. Mas como voc\u00ea gostaria de ser lembrado?<\/strong><br \/>\n(Risos) Quero ser lembrado por ter um cabelo bom \u2013 o que eu tenho (risos). Sou muito aben\u00e7oado pelos meus pais tamb\u00e9m terem o cabelo bonito (risos). Hmm, n\u00e3o sei. Acho que isso fica por conta de outra pessoa. Voc\u00ea quer ser lembrado como algu\u00e9m que \u00e9 generoso, grato e de cora\u00e7\u00e3o aberto. N\u00e3o quero ser lembrado como algu\u00e9m que \u00e9 estranho e assustador, coisas assim \u2013 o que algumas pessoas parecem gostar. \u00c9 s\u00e9rio, algumas pessoas parecem pensar que isso \u00e9 legal. S\u00f3 que n\u00e3o \u00e9, \u00e9 estranho e assustador. Toda essa escurid\u00e3o&#8230; talvez seja legal quando voc\u00ea \u00e9 jovem. Mas depois que voc\u00ea tem uns 40 anos, come\u00e7a a perceber que precisa buscar ativamente alguma satisfa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea precisa buscar ativamente gratid\u00e3o e ser gentil. E sou muito sortudo nesse sentido, de ter encontrado um pouco disso. Mas \u00e9 porque busquei por isso, me abri para isso. Eu sei, ficou bastante profundo e filos\u00f3fico bem no final (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - ALPHABETLAND (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pZ1I-laItPI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X \u2013 Nausea (The Decline of Western Civilization Intro) FULL HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DEeBdrVVnpM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X  (Johnny hit and run Paulene) LIVE\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UoTWFQE1xp4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"X - Full performance (Live at Rock the Garden)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_xVDWthRCc8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201cN\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA\u201d e \u201cN\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"John Doe fala sobre o \u00faltimo disco da banda, \u201cAlphabetland\u201d, seus livros sobre a cena punk de Los Angeles, conta como foi trabalhar com Ray Manzarek, do The Doors, nos anos 1980, relembra a tour com o Pearl Jam na Am\u00e9rica do Sul em 2011, e muito mais.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/14\/entrevista-john-doe-e-o-novo-disco-do-x\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":59060,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5014],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59059"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59059"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59059\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":84908,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59059\/revisions\/84908"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59060"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}