{"id":59030,"date":"2020-12-13T02:13:09","date_gmt":"2020-12-13T05:13:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=59030"},"modified":"2021-02-11T16:19:36","modified_gmt":"2021-02-11T19:19:36","slug":"entrevista-juliano-vasconcellos-e-celso-menezes-blog-do-jotace-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/13\/entrevista-juliano-vasconcellos-e-celso-menezes-blog-do-jotace-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/","title":{"rendered":"Entrevista: Celso Menezes e Juliano Vasconcellos (Blog do Jotac\u00ea) &#8211; Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica 2020"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Nona de uma s\u00e9rie de 9 entrevistas sobre o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/mercado-cinefilo-2020\/\">Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica n Brasil<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iniciado na segunda metade dos anos 2000, ap\u00f3s alguns v\u00eddeos que exibiam edi\u00e7\u00f5es importadas de DVD ganharem notoriedade em comunidades do Orkut, o <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog do Jotac\u00ea<\/a> foi um modo que o colecionador Juliano Vasconcellos encontrou de levar para fora da ent\u00e3o (e menos t\u00f3xica) rede social seus v\u00eddeos comparativos das edi\u00e7\u00f5es nacionais e as importadas. &#8220;Lembro que a primeira edi\u00e7\u00e3o que eu comprei importada foi a do primeiro filme do \u2018Homem Aranha\u2019 em DVD. O nosso DVD nacional tinha a tela cortada. O formato era aquele mais quadrado, 4&#215;3. L\u00e1 fora tinha a vers\u00e3o widescreen. No Orkut, esses v\u00eddeos ficavam somente l\u00e1 dentro. N\u00e3o eram indexados pelas busca. Se coloc\u00e1ssemos no Google &#8216;DVD Homem Aranha Formato de tela&#8217; ou algum outro termo relacionado, essas coisas todas n\u00e3o apareciam na pesquisa&#8221;, explica Juliano, que nesse per\u00edodo ainda tinha o Blog do Jotac\u00ea instalado em uma plataforma do wordpress.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um per\u00edodo no qual os v\u00eddeos de divulga\u00e7\u00f5es de produtos especiais, tanto em DVD, quanto blu-ray, bem como de livros e quadrinhos, eram raros ou inexistentes (lembrando que YouTube ainda engatinhava), o Blog do Jotac\u00ea foi ganhando uma dimens\u00e3o importante e de relev\u00e2ncia dentro do cen\u00e1rio do colecionismo no Brasil. &#8220;Realmente, era um diferencial. E como o Blog do Jotac\u00ea ensinou a como importar os produtos, foi uma tempestade perfeita. Porque foi quando come\u00e7aram os blu-rays e, aqui no Brasil, tinham poucos e eram car\u00edssimos. J\u00e1 o d\u00f3lar estava baixo. A Amazon enviava r\u00e1pido. Os filmes eram na nossa regi\u00e3o e muitos tinham legendas em portugu\u00eas do Brasil. Enfim, foi uma tempestade perfeita para todo mundo comprar&#8221;, relembra Celso Menezes, roteirista e colecionador que colabora como redator e \u00e9 parte da equipe editorial do Blog do Jotac\u00ea desde o final dos anos 2000.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa entrevista ao Scream &amp; Yell, Jotac\u00ea e Celso falam a respeito do mercado de m\u00eddia f\u00edsica em um 2020 que, para esse nicho, foi surpreendente em termos de vendas e lan\u00e7amentos. Ouvi-los nesse contexto de coletar vis\u00f5es de diversas \u00e1reas desse mercado ilustra aquela que \u00e9 a principal voz a ser ouvida pelas empresas: a do colecionador. Mas aquele colecionador consciente de que sua voz tem for\u00e7a e deve ser usada com responsabilidade. Confira o papo!<\/p>\n<figure id=\"attachment_59038\" aria-describedby=\"caption-attachment-59038\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-59038 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Juliano-Vasconcellos-Blog-do-Jotace.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Juliano-Vasconcellos-Blog-do-Jotace.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Juliano-Vasconcellos-Blog-do-Jotace-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59038\" class=\"wp-caption-text\"><em>Juliano Vasconcellos<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Juliano, voc\u00ea iniciou o Blog do Jotac\u00ea na segunda metade dos anos 2000. Como se deu essa ideia de um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o dedicado \u00e0 cole\u00e7\u00e3o de filmes em m\u00eddia f\u00edsica?<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Eu queria come\u00e7ar com algo que j\u00e1 falei em outras entrevistas, mas tentando detalhar um pouco mais. Pelo car\u00e1ter da mat\u00e9ria e pesquisa, eu acho que cabe. Eu comecei a colecionar justamente quando percebi que o conte\u00fado que vinha nos DVDs n\u00e3o era s\u00f3 o filme. Quando percebi que havia outro material, e, principalmente, material de bastidores. Sempre tive muito interesse por bastidores, mas nunca imaginei que colecionando DVDs, eu pudesse ter acesso a este tipo de material em uma \u00e9poca na qual o YouTube n\u00e3o existia. Os extras sempre foram um diferencial para mim, al\u00e9m de ser uma coisa rara no VHS. A partir disso, me lembro que aluguei um DVD da Pixar, \u201cOs Incr\u00edveis\u201d, e o disco de extras foi o que me catapultou para come\u00e7ar a colecionar. O primeiro item de cole\u00e7\u00e3o que eu comprei foi um box da Pixar, com \u201cProcurando Nemo\u201d e \u201cMonstros S.A\u201d., que eu n\u00e3o conhecia, mas que tamb\u00e9m tinham extras muito legais. Nessa \u00e9poca, o Orkut era muito forte no Brasil, e eu entrei em uma comunidade chamada \u201cViciados em DVD\u201d. Comecei a conhecer essa comunidade e a ver que existia uma enorme gama de quest\u00f5es que faziam parte desse hobby. Eu j\u00e1 colecionava outras coisas. Adolescente, colecionava adesivos. Foi uma \u00e9poca muito forte de cole\u00e7\u00f5es para mim. Colecionava adesivos de marcas de skate. Figurinha, tamb\u00e9m, dentre outras coisas. Mas a internet facilitou muito nesse acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o da parte de filmes. Na \u00e9poca, eu frequentava muito o cinema. Muito mais do que hoje. Ent\u00e3o, comecei a colecionar DVDs essencialmente por causa dos extras. Logo em seguida, junto a esse in\u00edcio, comprei um home theater. E foi tamb\u00e9m muito impactante ter um &#8220;cinema em casa&#8221;. Foram duas coisas, ent\u00e3o: os extras e a tecnologia. Coisas que, at\u00e9 hoje, me movem na hora de comprar. O material adicional e a parte t\u00e9cnica, tamb\u00e9m. A parte de \u00e1udio sempre me interessou muito. At\u00e9 porque nesse in\u00edcio, o meu aparelho de TV era bem simples, mas o home theather dava um poder para a percep\u00e7\u00e3o da qualidade do \u00e1udio. Encher a sala, ter surround. Junto com isso, sempre fui muito interessado em arte gr\u00e1fica, produ\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica. At\u00e9 hoje, editei 12 livros de Arquitetura. Nesses livros da universidade, sempre estive \u00e0 frente dos projetos gr\u00e1ficos. Sempre tentei trazer, dentro dessa cole\u00e7\u00e3o, unidade gr\u00e1fica. Dentro do projeto sempre procurei alguma coisa visualmente interessante. E nessa parte da qualidade gr\u00e1fica, a quest\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o das edi\u00e7\u00f5es dos filmes sempre me chamou a aten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a primeira vez que eu vi uma luva, a primeira vez que eu vi uma apresenta\u00e7\u00e3o diferenciada, um box com um estojo digipack, essas coisas todas que a gente valoriza em termos de apresenta\u00e7\u00e3o, foi algo bem impactante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o primeiro v\u00eddeo que voc\u00ea criou divulgando um item de sua cole\u00e7\u00e3o pessoal de filmes?<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Lembro que o primeiro v\u00eddeo que fiz foi em 2007. Tinha um ano de YouTube no Google. 2007 \u00e9 a pr\u00e9-hist\u00f3ria dos v\u00eddeos na internet. Eu fiz um unboxing dos Simpsons, que era uma coisa que as pessoas gostavam muito. Tinha uma apresenta\u00e7\u00e3o muito bacana com as ilustra\u00e7\u00f5es. A maneira como era embalado n\u00e3o era um estojo comum. E Simpsons sempre teve uma apresenta\u00e7\u00e3o muito, muito especial. N\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas em outros lugares, tamb\u00e9m. E isso chamou aten\u00e7\u00e3o. O pessoal dentro da comunidade do Orkut come\u00e7ou a curtir essa ideia de fazer v\u00eddeos. Acho que eu fui um dos primeiros a fazer v\u00eddeos de cole\u00e7\u00e3o no Brasil para o YouTube. Comecei fazendo na comunidade, e depois decidi subir para o YouTube. Comecei a curtir o processo. Eu j\u00e1 tinha um blog pessoal desde 2000. Mas em 2008, eu resolvi lan\u00e7ar no YouTube. Porque tudo o que a gente lan\u00e7ava no Orkut, era fechado. Ficava l\u00e1 dentro. E apesar do Orkut ser do Google, nunca foi indexado [para pesquisa futura] pelo Google. Tudo o que a gente reclamava sobre uma edi\u00e7\u00e3o vir sem extra ou sem legenda, ou um DVD que vinha com formato de tela errado, essas quest\u00f5es t\u00e9cnicas, n\u00e3o surgia em buscas. Nunca fui um resenhista profundo, mas sempre gostei de fazer comparativos. Da\u00ed comecei a importar filmes do exterior. Lembro que a primeira edi\u00e7\u00e3o que comprei foi a do primeiro filme do \u201cHomem Aranha\u201d em DVD. O nosso DVD nacional tinha a tela cortada. O formato era aquele mais quadrado, 4&#215;3. L\u00e1 fora tinha a vers\u00e3o widescreen e eu queria conhecer o filme em widescreen em DVD. Importei o DVD. Ent\u00e3o, comecei a fazer essas compara\u00e7\u00f5es dentro do Orkut, mas elas ficavam somente l\u00e1 dentro, n\u00e3o eram indexadas pelas busca. Se coloc\u00e1ssemos no Google &#8220;DVD Homem Aranha Formato de tela&#8221; ou algum outro termo relacionado, essas coisas todas que a gente fazia dentro da comunidade n\u00e3o apareciam na pesquisa. Eu j\u00e1 tinha certa experi\u00eancia de uns sete, oito anos de blog pessoal. Por isso, resolvi abrir um no WordPress, um sistema que, na \u00e9poca, era bastante popular (e at\u00e9 hoje \u00e9), com esse conte\u00fado. Exatamente a mesma coisa que eu fazia no Orkut, passei a fazer l\u00e1. Como era aberto, tudo publicado era automaticamente indexado pelo Google e as pessoas iam conseguir come\u00e7ar a ver esse conte\u00fado que eu produzia. Foi a\u00ed que nasceu o Blog do Jotac\u00ea. Ainda em uma plataforma dos servidores do WordPress. As pessoas come\u00e7aram a gostar da abordagem que n\u00e3o era s\u00f3 sobre o filme. Nunca fui cin\u00e9filo. E n\u00e3o me considero cin\u00e9filo, no sentido da palavra que define uma pessoa que curte tudo o que envolve filmes, que assiste a quase todos os g\u00eaneros. Que fica contando os dias pra uma estreia ou que sabe quem fez o que, e que assiste a v\u00e1rios filmes numa semana. Sou uma pessoa s\u00f3 curiosa, mas nunca estudei cinema. Ent\u00e3o, n\u00e3o me considero cin\u00e9filo. N\u00e3o acompanho vorazmente as not\u00edcias de Hollywood. Mas curto a cole\u00e7\u00e3o. E percebi que a minha abordagem, como ela n\u00e3o levava em considera\u00e7\u00e3o qualidade do filme, mas, sim, qualidade da edi\u00e7\u00e3o, era uma abordagem que as pessoas come\u00e7aram a curtir. Pois independia da minha opini\u00e3o a respeito do filme. Nunca fiz cr\u00edtica cinematogr\u00e1fica em todo esse tempo. Fa\u00e7o cr\u00edtica de forma e de conte\u00fado das edi\u00e7\u00f5es como colecionador. E essa abordagem atraiu p\u00fablicos de todos os gostos de cinema. Sem nenhum tipo de julgamento a respeito da produ\u00e7\u00e3o em si. E nisso esse pessoal come\u00e7ou a acompanhar o Blog do Jotac\u00ea e a gerar muita curiosidade, principalmente pelos importados. Os importados que eu mostrava e com os quais eu fazia os comparativos. As pessoas queriam saber onde eu comprava aquilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As importa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fazia eram atrav\u00e9s da Amazon dos Estados Unidos. Inclusive, voc\u00ea chegou a fazer uma parceria com eles, que trouxe a outras parcerias com lojas do Brasil. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Sim. A parceira da Amazon dos Estados Unidos foi a que veio primeiro. Os blu-rays fabricados l\u00e1 s\u00e3o da nossa regi\u00e3o. T\u00eam compatibilidade e alguns at\u00e9 com o nosso idioma. Surgiu essa coisa de fazer uma parceria com a Amazon ainda em 2008. Isso permitiu que, a partir da\u00ed, eu pudesse importar mais e retroalimentar o site. Depois de um ano, a coisa tinha crescido muito, e resolvi abrir o site em um servidor pr\u00f3prio, com dom\u00ednio. Nesse momento, as lojas brasileiras come\u00e7aram a me procurar e propor parcerias. A Saraiva foi a primeira que me procurou e foi uma parceria muito legal. Talvez uma das melhores at\u00e9 hoje, em termos de parceria, mesmo. Quer dizer, voc\u00ea propor coisas, promo\u00e7\u00f5es, e at\u00e9 edi\u00e7\u00f5es, e a loja trazer com exclusividade para quem era leitor do site. Depois, a partir da\u00ed, veio a parceira com o UOL, que surgiu a partir de uma conversa que tive com o Andr\u00e9 Forastieri. Eu escrevia para uma revista em que ele era o editor. O Andr\u00e9 me perguntou se eu queria ser parceiro do UOL, assim como ele era com a revista. Aceitei e isso deu mais visibilidade ainda ao site. Ganhou for\u00e7a e trouxe, al\u00e9m da visibilidade, ainda mais credibilidade, pois era uma coisa que estava dentro do portal do UOL. E aqui estamos hoje. Depois de altos e baixos, a quest\u00e3o dos importados perdeu um pouco de for\u00e7a em 2012, quando os lan\u00e7amentos nos Estados Unidos come\u00e7aram a sofrer a cobran\u00e7a antecipada de impostos j\u00e1 no carrinho. Antes, era feito por amostragem quando chegava ao Brasil. Eu, inclusive, talvez tenha colaborado para o aumento do volume de importa\u00e7\u00f5es de filmes em m\u00eddia f\u00edsica no Brasil. Talvez, n\u00e3o. Com certeza. Porque a gente fez uma p\u00e1gina no site muito famosa, que era o <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/2011\/07\/16\/o-que-era-bom-melhorou-guia-de-compras-no-exterior\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guia de Compras no Exterior<\/a>, e as pessoas aprenderam a importar a partir das coisas que a gente publicava no site, pelos v\u00eddeos que faz\u00edamos, e com esse Guia de Compras no Exterior. Essa, talvez at\u00e9 hoje, seja uma das p\u00e1ginas mais acessadas no Blog do Jotac\u00ea. E um dos momentos de maior impacto para o aumento de volume da Amazon dos Estados Unidos nas vendas aqui foi a Black Friday de 2011. A Black Friday sempre foi O Evento Anual do site em termos de cobertura. Eu costumava virar a noite. Era uma coisa muito intensa e de muito interesse do nosso p\u00fablico. Nessa, em 2011, o volume de e-commerce dos brasileiros gerou uma s\u00e9rie de problemas com as encomendas, que acabavam atrasando. As pessoas reclamando dos atrasos. A partir dessas reclama\u00e7\u00f5es dos atrasos, a Amazon resolveu mudar o m\u00e9todo de envio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_59037\" aria-describedby=\"caption-attachment-59037\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-59037 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ceslo-Menezes.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ceslo-Menezes.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ceslo-Menezes-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-59037\" class=\"wp-caption-text\"><em>Celso Menezes<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celso, voc\u00ea acumula alguns anos de experi\u00eancia como colaborador do Blog do Jotac\u00ea, bem como o fato de ter vivido bem esse per\u00edodo de alta nas importa\u00e7\u00f5es citado pelo Juliano. Como foi esse seu come\u00e7o como colaborador, bem como, para voc\u00ea, esse per\u00edodo?<\/strong><br \/>\nCelso Menezes \u2013 Participei algumas vezes do <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/category\/jotacast\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jotacast<\/a> nessa \u00e9poca, em 2012. Nesse per\u00edodo, inclusive, o G1 nos procurou para <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2012\/09\/brasileiros-reclamam-de-atrasos-em-compras-line-internacionais.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma mat\u00e9ria sobre os atrasos<\/a>, sobre a &#8220;<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2012\/09\/brasileiros-reclamam-de-atrasos-em-compras-line-internacionais.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mar\u00e9 Vermelha<\/a>&#8220;, que \u00e9 uma coisa que ficou muito marcada, um momento de transi\u00e7\u00e3o para o pior, quando retiveram milhares de encomendas e at\u00e9 hoje a maioria delas nunca chegou aos donos. O Jota me indicou como fonte para essa mat\u00e9ria do G1. Eu j\u00e1 tinha essas participa\u00e7\u00f5es pontuais no Jotacast. Inclusive, esses dias descobri que a gente fez um JotaCast com o [editor do Pipoca &amp; Nanquim] Daniel Lopes. Nem lembrava que havia feito um Jota Cast com o ele. Eu tinha o conhecido por causa do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/livrariadafolha\/2010\/04\/714602-veteranos-se-sentem-esquecidos-diz-autor-de-hq-sobre-brasil-na-segunda-guerra.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jambocks!<\/a> (N.E. Quadrinho tem\u00e1tico da Segunda Guerra Mundial escrito por Celso). O Pipoca &amp; Nanquim acho que foi o primeiro grupo a me entrevistar. Isso h\u00e1 muito tempo. Enfim, tiveram esses momentos pontuais. Eu estava trabalhando muito em S\u00e3o Paulo e acompanhava o site, mas acho que era algo pontual. Quando eu falava alguma coisa para o Jota, como quando eu estava em contato com o Fernando Meirelles, ou algo do tipo. Eu acho que devo ter mandado um ou outro e-mail.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) &#8211; No levantamento que fiz, Celso, voc\u00ea come\u00e7ou a colaborar em 2009. Ent\u00e3o, voc\u00ea s\u00f3 perdeu um ano de site. N\u00e3o sei se voc\u00ea acompanhava antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes &#8211; Com certeza acompanhava. Porque, assim, n\u00e3o falo com a pessoa ou com a empresa se eu achar que n\u00e3o tenho nada a agregar. Ent\u00e3o, fico quieto. Desde o come\u00e7o, fui acompanhando, mas n\u00e3o tinha o que falar. Naquele caso espec\u00edfico que voc\u00ea resgatou e eu n\u00e3o me lembrava, que foi sobre \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d, eu julguei como uma informa\u00e7\u00e3o que era relevante. Com certeza eu acompanhava desde o come\u00e7o, mas ficava quieto. Se n\u00e3o me engano, vai fazer quatro anos, que foi quando eu comecei a fazer a <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/tag\/criterion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Coluna da Criterion<\/a>. N\u00e3o lembro quem fazia antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) &#8211; Era o Renato Silveira, jornalista de Belo Horizonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes &#8211; Isso. E eu at\u00e9 acompanhava todos os meses a coluna. E a\u00ed n\u00e3o sei porque (risos), o Jota perguntou se eu poderia continuar com ela, pois essa pessoa ia sair. Falei que podia, sim. At\u00e9 porque eu lia a coluna, entrava no site da Criterion, da Amazon dos Estados Unidos, no Blu-ray.com. Esses foram h\u00e1bitos que os colecionadores pegaram justamente porque o Jota fez todo esse trabalho de mostrar o caminho das pedras para importar filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) &#8211; Arrisco dizer, Celso, que em 2008 n\u00e3o existiam sites parceiros da Amazon no Brasil. Eu acompanhava sites de tecnologia, de inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, que s\u00e3o coisas que sempre acompanhei. E n\u00e3o me lembro de nenhum site brasileiro de tecnologia parceiro da Amazon, por exemplo. N\u00e3o lembro de nenhum site sobre livros, sobre cr\u00edtica liter\u00e1ria, que fosse parceiro da Amazon N\u00e3o me lembro de nenhum site sobre quadrinhos parceiro da Amazon. Pelo menos com a visibilidade que demos aos produtos, sempre indicando ao final do post quais eram. Por exemplo, uma edi\u00e7\u00e3o especial de \u201cO Senhor dos An\u00e9is\u201d que s\u00f3 existe nos Estados Unidos e eu colocava o link da Amazon ao final. Com essa intensidade, arrisco dizer que fomos o primeiro no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 Ah, com certeza. Eu navegava muito na internet nesse per\u00edodo e nunca via nada parecido em termos de parceria com empresas de fora. Realmente, era um diferencial. E como voc\u00ea ensinou a como realizar essas compras, na verdade, foi uma tempestade perfeita. Porque foi quando come\u00e7aram os blu-rays e aqui no Brasil tinham poucos e eram car\u00edssimos. J\u00e1 o d\u00f3lar estava baixo. A Amazon enviava r\u00e1pido, os filmes eram na nossa regi\u00e3o, muitos tinham legendas em portugu\u00eas do Brasil. Havia at\u00e9 um site, o Blu-ray Legendados, que avisava quais as edi\u00e7\u00f5es do mundo &#8216;que tinham legendas em portugu\u00eas\u2019. Enfim, foi uma tempestade perfeita para todo mundo comprar. Todo mundo que se interessa por filmes e por cole\u00e7\u00e3o. E eu estava no meio. Enfim, h\u00e1 uns quatro anos, essa coluna da Criterion ficou dispon\u00edvel, e o Jota me chamou para assumir. Eu fazia pesquisas grandes para saber o que tinha sa\u00eddo. Para saber quais desses t\u00edtulos da Criterion j\u00e1 tinha sa\u00eddo no Brasil, por qual distribuidora, como era a edi\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, o tamanho do texto que saia n\u00e3o refletia o tamanho da minha pesquisa. Ela era muito grande. Eu sempre resumia. Por exemplo, o Jota tem essa linha editorial de n\u00e3o falar dos filmes, e acho acertad\u00edssima. J\u00e1 tem milhares de pessoas que falam de filmes. Vai ser mais um, na verdade. E n\u00e3o tem ningu\u00e9m que fale das edi\u00e7\u00f5es. Ou quase ningu\u00e9m. Ou n\u00e3o tinha at\u00e9 ent\u00e3o. Hoje, h\u00e1 um monte de canais no YouTube. O que \u00e9 \u00f3timo. \u00c9 bom ver as pessoas felizes quando chega uma encomenda e elas mostram. Quantas pessoas que eu estou vendo agora, em 2020, que falam que por causa do Blog do Jotac\u00ea est\u00e3o voltando a colecionar. Ou que est\u00e1 come\u00e7ando uma cole\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essa mobiliza\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 era importante, se tornou fundamental para o mercado. Essa mobiliza\u00e7\u00e3o das pessoas se sentirem parte de algo e quererem compartilhar isso com as outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celso, voc\u00ea citou essa busca pelos t\u00edtulos que a Criterion lan\u00e7ava l\u00e1 fora e por onde os mesmos t\u00edtulos haviam sa\u00eddo no Brasil. Esse foco nos lan\u00e7amentos nacionais se desenvolveu de que modo?<\/strong><br \/>\nCelso Menezes &#8211; Logo depois que eu comecei a fazer a coluna da Criterion, me perguntei: &#8220;A gente fala da Criterion, que \u00e9 l\u00e1 de fora, por que n\u00e3o falar das que s\u00e3o daqui?&#8221; A\u00ed eu perguntei ao Jota o que ele achava de procurar as distribuidoras nacionais. Ele achou uma boa ideia. Ent\u00e3o, fui perguntando. Se n\u00e3o me engano, a primeira que aceitou foi a Classicline. Eu lembro que a Obras Primas disse que j\u00e1 tinha uma cota e que, naquele momento, n\u00e3o poderia enviar. A\u00ed depois procurei a Vers\u00e1til. Foi justamente quando a Vers\u00e1til quase fechou. Mas, ap\u00f3s uns dois meses, eles enviaram alguma coisa para divulgarmos. Depois disso, a pr\u00f3pria Obras Primas viu que n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo um trabalho regular e s\u00e9rio, e come\u00e7aram a enviar tamb\u00e9m. Se n\u00e3o me engano, em janeiro vai fazer quatro anos que fa\u00e7o textos sobre os lan\u00e7amentos das distribuidoras. As majors n\u00e3o mandam, mas as menores, sim. A inten\u00e7\u00e3o das colunas sempre foi, tamb\u00e9m, avisar quais eram os lan\u00e7amentos. E com as lives, agora, isso tamb\u00e9m acontece. Estamos sempre deixando abertos a quem quiser comunicar os lan\u00e7amentos via Blog do Jotac\u00ea. Com a adi\u00e7\u00e3o das lives, que surgiram de repente, tem ajudado na divulga\u00e7\u00e3o. Engra\u00e7ado que quando o Jota me convidou para participar de uma live em uma sexta-feira, eu achei que era &#8220;uma live em uma sexta-feira&#8221;. N\u00e3o imaginava que ia ser uma live toda sexta-feira. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Verdade. As lives todas as sextas-feiras se transformaram em algo muito maior do que a gente pensava no in\u00edcio. Inclusive, o Celso, nessas participa\u00e7\u00f5es iniciais no Blog do Jotac\u00ea, fazia n\u00e3o somente a coluna Criterion. Ele sempre participou ativamente como uma pessoa que opinava forte sobre a linha editorial. E hoje cada vez mais forte. O Celso n\u00e3o \u00e9 mais um redator apenas. Ele faz parte da equipe editorial do site. Muitas das informa\u00e7\u00f5es que chegam atrav\u00e9s do Celso, acabam indo para o site e para os outros canais que trabalhamos sem, \u00e0s vezes, que apare\u00e7a o nome dele. Ele se tornou uma figura important\u00edssima para o Blog do Jotac\u00ea. Nem gosto desse nome &#8220;Blog do Jotac\u00ea&#8221;, mas pegou. (risos) E \u00e9 uma coisa que j\u00e1 tentei mudar, mas n\u00e3o consegui. Tentei mudar uma vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes &#8211; Ah, foi? Voc\u00ea queria mudar para qual nome?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) &#8211; Tentei mudar porque o que eu pensei na \u00e9poca em que criei era um blog no qual eu expressava as minhas opini\u00f5es. Por isso o nome Blog do Jotac\u00ea. Mas depois que come\u00e7ou a ter colaboradores, come\u00e7ou a ter outra abrang\u00eancia, eu quis mudar. Afinal, s\u00e3o dezenas de pessoas que passaram pelo site como colaboradores. Dezenas! Eu achava, ent\u00e3o, que personificar em mim era uma coisa que n\u00e3o fazia sentido. S\u00f3 que n\u00e3o teve jeito. O nome pegou e j\u00e1 tinha um monte de coisa indexada, tamb\u00e9m. Na hora de mudar o nome, isso ia acabar sendo &#8220;resetado&#8221;, praticamente. Hoje, o Google \u00e9 mais \u00e1gil nesse sentido. Mas na \u00e9poca em que eu pensei em mudar pela primeira vez, al\u00e9m de que seria uma m\u00e3o de obra, \u00edamos perder muita audi\u00eancia com essa mudan\u00e7a de nome. E, no fim, continua Blog do Jotac\u00ea. Mas n\u00e3o gosto. (risos) \u00c9 uma coisa que deixa muito pessoal. \u00c9 muito anos 2000. (risos)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-59036\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/bjc2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/bjc2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/bjc2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/bjc2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caso voc\u00ea mude para Blog do JC, pode dizer que \u00e9 de Juntos Colecionamos&#8230; (risos). Bom, e sobre a logomarca? Como foi esse processo de cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Esse logotipo criei em um intervalo de uma aula. Acho que nunca falei sobre isso exatamente assim. Mas criei o logotipo entre uma aula e outra. A ideia era justamente ser sint\u00e9tico a respeito do DVD e do blu-ray. S\u00e3o dois disquinhos no logotipo. Na verdade, \u00e9 o mesmo disquinho, s\u00f3 que girado. E eles eram para representar o DVD e o blu-ray. Uma coisa tamb\u00e9m que poderia se absolutamente modificada na hora que surgisse uma outra m\u00eddia. Eu tamb\u00e9m acabei travando isso. Mas, por sorte, mesmo o 4K ainda \u00e9 um disco de blu-ray. Ent\u00e3o, os dois disquinhos ainda servem. E a ideia de um adesivo no logotipo \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o \u00e0 minha primeira paix\u00e3o em cole\u00e7\u00f5es, que eram os adesivos. Engra\u00e7ado que a minha m\u00e3e diz que eu, desde de pequeno, tenho uma fixa\u00e7\u00e3o pela cor laranja e eu n\u00e3o sabia. Quando criei o site todo baseado no laranja, eu n\u00e3o sabia disso. Que era uma cor que eu tinha como preferida desde muito pequeno. Tudo o que era da cor laranja, me atraia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bz1gV0ojHjs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Durante a live que participei com voc\u00eas<\/a> acerca da dificuldade das pessoas em aceitarem cr\u00edticas, eu citei algumas vezes a ideia de n\u00e3o ser leviano em opini\u00f5es. A responsabilidade que voc\u00eas dois t\u00eam e a das outras pessoas que colaboram para o site \u00e9 a de n\u00e3o trazer uma postura hater, para usar uma express\u00e3o comum \u00e0 internet. H\u00e1 uma responsabilidade como meio de comunica\u00e7\u00e3o que \u00e9 percept\u00edvel. Eu gostaria de abordar essa quest\u00e3o da responsabilidade do Blog do Jotac\u00ea como ve\u00edculo de informa\u00e7\u00e3o, seja na cria\u00e7\u00e3o de abaixo-assinados, seja na cria\u00e7\u00e3o de boicotes a empresas, seja com a ideia de levar ao fabricante essa forma de mostrar que n\u00e3o se est\u00e1 feliz com um produto por raz\u00f5es bem embasadas que vai al\u00e9m do pessoal &#8220;gostei ou n\u00e3o gostei&#8221; e na ideia de levar a cr\u00edtica como uma oportunidade do fabricante melhorar seus produtos.<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Certamente, tem alguma influ\u00eancia, mas eu, desde os dois anos de idade, frequentei o est\u00fadio de r\u00e1dio onde meu pai trabalha. Ele \u00e9 radialista. E me lembro de, desde pequeno, estar dentro do est\u00fadio e vendo como era a abordagem dele a respeito de not\u00edcias. N\u00e3o sei at\u00e9 hoje porque n\u00e3o enveredei pelo lado do Jornalismo, tendo toda essa influ\u00eancia. Mas, enfim, a minha carreira toda \u00e9 na Arquitetura. Por\u00e9m, sempre tive a consci\u00eancia a respeito da abordagem independente que o Blog do Jotac\u00ea teria. Quando criei o site, eu sabia que ia dar voz para uma comunidade e que, com isso, por exemplo, eu nunca ia ter patroc\u00ednio de est\u00fadio nenhum. E at\u00e9 hoje, depois de 12 anos, nunca tive patroc\u00ednio de nenhum est\u00fadio. Ao mesmo tempo, as pessoas me perguntavam se eu n\u00e3o achava que eu era imparcial demais. E eu, conscientemente, sabia que n\u00e3o era. Estou dando voz a uma comunidade, mas sendo respons\u00e1vel. S\u00f3 que, no in\u00edcio, eu tinha muita dificuldade. N\u00e3o \u00e9 como hoje, que consigo conversar com os donos das lojas, com os donos de uma independente, ou falo com um executivo de um grande est\u00fadio. L\u00e1 no in\u00edcio, mesmo que quisesse, eu n\u00e3o conseguia a palavra de ningu\u00e9m que fosse respons\u00e1vel por algum lan\u00e7amento. Por isso que, aparentemente, h\u00e1 certa parcialidade no que escrevo, mas, na realidade, esse mercado nunca esteve muito acostumado com isso que a gente faz. At\u00e9 hoje, \u00e9 muito dif\u00edcil receber cr\u00edtica. Mas mudou bastante. Melhorou muito em termos de di\u00e1logo. Principalmente esse ano de 2020. Mas sempre fui muito respons\u00e1vel no sentido de &#8220;gostei ou n\u00e3o gostei&#8221;. E para mim isso foi muito f\u00e1cil, porque, como a abordagem \u00e9 t\u00e9cnica, \u00e9 muito f\u00e1cil de comprovar certas coisas. Por exemplo, uma imagem mutilada de um filme, ou uma edi\u00e7\u00e3o que vem com informa\u00e7\u00f5es erradas na capa, tudo isso \u00e9 muito \u00f3bvio. N\u00e3o precisa se um grande especialista ou um expert para detectar essas coisas. Mas estou consciente de que, na origem, n\u00e3o era um Jornalismo em que se busca a palavra dos dois lados em termos de se concluir alguma coisa a respeito disso. Era para tirar o conte\u00fado que estava dentro de uma rede social para que as pessoas pudessem ter acesso a essas informa\u00e7\u00f5es. A partir disso, a gente come\u00e7ou a mobilizar a comunidade. Esses boicotes que come\u00e7aram primeiro com a Warner, depois teve Fox, depois teve Disney (praticamente todos os grandes est\u00fadios acabaram sofrendo boicotes), eu nunca coloquei como sendo uma a\u00e7\u00e3o do site, mas, sim, da comunidade. Porque, a\u00ed, atrav\u00e9s das redes sociais, a gente come\u00e7ava a ver que a recep\u00e7\u00e3o era a mesma; E n\u00f3s s\u00f3 lider\u00e1vamos o boicote. Nunca era uma coisa s\u00f3 do site, mas, sim, envolvendo a comunidade. Por isso sempre trouxemos palavras de outras pessoas. Essa coisa de muita gente escrevendo para o site, tamb\u00e9m, fazia parte. At\u00e9 hoje <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/tag\/post-do-leitor\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tem o post do leitor<\/a>. A pessoa escreve, me manda, eu analiso; pergunto para o Celso se ele tem alguma d\u00favida, pergunto para outras pessoas se tem alguma d\u00favida, apuro se \u00e9 verdade ou n\u00e3o, reviso e vai para o ar. A ideia \u00e9 de que a gente n\u00e3o seja tamb\u00e9m a \u00fanica fonte dessas informa\u00e7\u00f5es \u00e9 uma coisa que est\u00e1 no DNA do site. E os boicotes, inclusive, s\u00e3o de repercuss\u00e3o internacional, porque j\u00e1 conversei com pessoas de fora, empres\u00e1rios, e que me disseram que em nenhum lugar do mundo se faz o que a gente faz no Brasil. E isso, l\u00e1 fora, \u00e9 muito valorizado em termos de for\u00e7a de ve\u00edculo. Mas tenho consci\u00eancia de que n\u00e3o sou jornalista. N\u00e3o sei porque n\u00e3o sou (risos). As coisas da vida acabaram me colocando em outra trajet\u00f3ria de carreira profissional, mas sempre soube dessa responsabilidade. E talvez essa conviv\u00eancia desde o in\u00edcio com fatos jornal\u00edsticos e abordagens que vi o meu pai fazer na r\u00e1dio podem ter me dado essa consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 Eu vou fazer uma liga\u00e7\u00e3o com o que o Jota estava falando, que \u00e9 sobre algo sintom\u00e1tico para a raz\u00e3o do mercado estar falando conosco, colecionadores, agora: o mercado est\u00e1 acabando e eles n\u00e3o viram a gente antes. E esse \u00e9 um dos motivos. Se eles tivessem ouvido a gente l\u00e1 atr\u00e1s, o mercado n\u00e3o estaria como est\u00e1 hoje. O Blog do Jotac\u00ea j\u00e1 apontava os problemas e as solu\u00e7\u00f5es faz tempo. Porque n\u00e3o adianta voc\u00ea s\u00f3 apontar o problema. Voc\u00ea tem que apontar as solu\u00e7\u00f5es. E o Blog do Jotac\u00ea j\u00e1 falava: &#8220;Olha, isso est\u00e1 errado e esse \u00e9 o caminho certo&#8221;. E isso com base em informa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o era algo que saiu da cartola. &#8220;Gostei, n\u00e3o gostei&#8221;. N\u00e3o. \u00c9 isso aqui porque l\u00e1 fora isso foi feito e deu certo. Acho que aconteceu a mesma coisa com a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica. N\u00e3o ouviram os f\u00e3s, n\u00e3o ouviram quem consome. E essas pessoas, \u00e0s quais n\u00f3s tr\u00eas nos inclu\u00edmos, temos algumas no\u00e7\u00f5es mais amplas do que apenas algo espec\u00edfico. Por exemplo, um executivo da Universal pode entender \u00e0s vezes muito da Universal. Mas ele n\u00e3o tem no\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes, das coisas que acontecem ao redor. N\u00f3s, como f\u00e3s, consumimos de todo mundo. E achamos padr\u00f5es. Podemos orientar o que est\u00e1 legal em uma distribuidora, podemos indicar as que trabalham com arte interna, as que lan\u00e7am extras, o que pode ser melhorado nas que n\u00e3o oferecem essas op\u00e7\u00f5es a mais. E essa quest\u00e3o, o que eu tento (agora indo para sua pergunta), \u00e9 fazer essa an\u00e1lise observando que n\u00e3o \u00e9 todo produto que \u00e9 para todo p\u00fablico. E me encaixo dentro de alguns p\u00fablicos. E mesmo quando n\u00e3o me encaixo, quando \u00e9 alguma coisa que n\u00e3o me interessa, tento entender a raz\u00e3o daquilo existir. Quem que se interessa por aquilo. \u00c9 engra\u00e7ado eu e o Jota termos essa vibe meio jornal\u00edstica. Na verdade, eu passei at\u00e9 na faculdade de Jornalismo, s\u00f3 que, na hora, resolvi fazer Publicidade por achar que era o mais pr\u00f3ximo de Cinema. Mas passei em Jornalismo. Eu tive que tirar o MTB por causa do tempo em que eu trabalhei em TV, e era necess\u00e1rio. E lhe dou at\u00e9 essa sugest\u00e3o, Jota, de tirar o MTB, que \u00e9 algo bem simples. E quando eu digo que \u00e9 muito simples, eu me refiro ao fato de que qualquer pessoa pode tirar o MTB hoje. E isso, muitas vezes, faz com que toda a bagagem de um jornalista formado se equivalha a algu\u00e9m que n\u00e3o tem bagagem nenhuma. E isso \u00e9 terr\u00edvel. Mas eu acho que quem sabe utilizar isso, deve tirar. E acho que foi por isso que foi aberto o MTB para mais pessoas, especialistas principalmente. Por exemplo, o Dr. Dr\u00e1uzio Varela. Ele \u00e9 uma sumidade em sa\u00fade. Um cara que se expressa muito bem. Ele n\u00e3o poderia escrever colunas se n\u00e3o fosse, digamos assim, jornalista. Ent\u00e3o, acho que sabendo utilizar com responsabilidade e conhecimento, deve ir atr\u00e1s do MTB, sim. E todos n\u00f3s do Blog do Jotac\u00ea tentamos fazer um trabalho jornal\u00edstico. O que a gente segura de informa\u00e7\u00f5es, o que a gente debate antes de falar sobre isso. Vemos sempre os pr\u00f3s e contras. Momentos em que o Jota nos consulta sobre alguma decis\u00e3o. Ent\u00e3o, tem um debate. N\u00e3o \u00e9 como eu falei antes, de que a gente tira da cartola a informa\u00e7\u00e3o, vou falar e se danem as consequ\u00eancias. Sabemos que uma palavra fora de contexto, ela tem uma for\u00e7a. E nesse mercado pequeno em que a gente est\u00e1, dependendo do que voc\u00ea falar, voc\u00ea acaba com uma empresa, com a pessoa, com o mercado. Eu lembro que falei para o Jota esses dias que, nos bastidores, tivemos quase que uma &#8220;crise dos m\u00edsseis de Cuba&#8221;, sabe? Podia acabar tudo, o mundo podia acabar e ningu\u00e9m estava sabendo. S\u00f3 a gente. E n\u00f3s est\u00e1vamos torcendo para que o navio voltasse para a R\u00fassia. E aparentemente ele voltou. N\u00e3o sei se ele est\u00e1 vagando por a\u00ed, mas aparentemente ele voltou para a R\u00fassia. Mas temos a responsabilidade. S\u00e3o furos enormes que a gente daria, mas o custo disso \u00e0s vezes \u00e9 o custo do pr\u00f3prio mercado. Ent\u00e3o, a gente analisa o que vamos falar, do jeito que vamos falar. At\u00e9 instintivamente. Temos tanto cuidado na nossa vida pessoal, e a\u00ed, quando vamos falar com mais pessoas, tomamos mais cuidado ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Acho que j\u00e1 passou at\u00e9 o momento de dizer que o site n\u00e3o \u00e9 a atividade principal de nenhum de n\u00f3s. Muita gente acha que somos profissionais disso, mas n\u00e3o somos. Continua sendo um hobby. Parece profissional, mas n\u00e3o \u00e9. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celso falou a respeito de ter furos de reportagens e avali\u00e1-los com responsabilidade. Nesse per\u00edodo cobrindo esse tema da m\u00eddia f\u00edsica, foram diversas as pol\u00eamicas com as quais eu me deparei. As pessoas com quem conversei que pediram off. Nesses momentos, desliguei o gravador, escutei e guardei para mim. E foram momentos que me fizeram perceber que o mercado funciona de uma forma que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o romantizada assim. Friso aqui que essa \u00e9 uma pauta panor\u00e2mica. N\u00e3o \u00e9 uma pauta investigativa ou caluniosa. N\u00e3o \u00e9 uma pauta para colocar ningu\u00e9m em zona de guerra. \u00c9 uma pauta que visa entender o mercado para que as pessoas possam ler isso e perceber que esse mesmo mercado tem que permanecer. Essa uni\u00e3o e di\u00e1logo \u00e9 necess\u00e1ria ao mercado. Haver uma responsabilidade entre distribuidores, entre lojas, entre colecionadores, entre grupos de redes sociais. Mesmo que os colecionadores sejam pessoas de diversos nichos, diversas classes, diversos acessos \u00e0 cultura ou n\u00e3o, diversos temperamentos, formas de expressar e se expor na internet. Mas em termos de profissionais dentro de distribuidoras, \u00e9 importante que haja essa parceria para o mercado acontecer. Fiz esse pre\u00e2mbulo para perguntar a voc\u00eas dois acerca dessa responsabilidade do mercado em si. Em perceber que \u00e9 preciso haver um di\u00e1logo entre todo mundo para que ele seja permanente. Claro que quem ler isso vai perceber que a raz\u00e3o de eu pontuar isso \u00e9 por conta de ter havido atritos entre distribuidoras, entre canais, entre colecionadores, e \u00e9 preciso que, para 2021, isso seja repensado para que o mercado dure para 2022, 2023, e por mais 10, 15 anos. A gente n\u00e3o sabe o que vai acontecer com o streaming. Eu acho que o ponto de 2020 principal para o nosso mercado \u00e9 perceb\u00ea-lo como um ano de virada, nesse sentido. Considerar 2020 como um ano de virada e observar os pr\u00f3ximos tendo em mente a n\u00e3o repeti\u00e7\u00e3o de erros e de estrat\u00e9gias furadas.<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 Existem duas abordagens absolutamente distintas do nosso mercado de homevideo. Existe a abordagem dos grandes est\u00fadios e a abordagem &#8220;caseira&#8221;, vamos dizer assim, das empresas independentes. Os grandes est\u00fadios s\u00e3o mais frios, s\u00e3o mais distantes da gente. Falando isso nesse momento da entrevista \u00e9 at\u00e9 complicado porque, no momento em que estamos falando (N.E. Entrevista realizada em 02\/11\/2020), tem um est\u00fadio s\u00f3 oficialmente no Brasil. S\u00f3 a Warner est\u00e1 ativa no Brasil. <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/2020\/08\/27\/urgente-disney-abandona-mercado-de-midia-fisica-na-america-latina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Disney foi embora com a Fox<\/a>, e a <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/2020\/10\/22\/trio-sony-universal-paramount-encerra-suas-atividades-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sony, Universal e Paramount<\/a> ainda est\u00e3o sem contrato de marketing e distribui\u00e7\u00e3o no Brasil. Mas acho que \u00e9 muito importante fazermos essa distin\u00e7\u00e3o tendo, inclusive, como uma abordagem editorial no site. Porque, por essa proximidade que o ano 2020 nos permitiu, essa aproxima\u00e7\u00e3o que aconteceu tanto na parte das independentes quanto nos grandes est\u00fadios, ainda assim h\u00e1 diferen\u00e7as de tratamento do mercado. As independentes aprenderam nesses \u00faltimos meses a lidar com o colecionador. N\u00f3s tivemos a crise das livrarias que&#8230; Bom, primeiro, antes de tudo, antes da crise das livrarias, vale falar das locadoras. Elas sempre comandaram o mercado. Desde 1977, as locadoras eram as protagonistas, vamos dizer, como consumidores. Toda a tiragem, tudo era pensado para locadoras, porque, enfim, era realmente um cliente dos est\u00fadios e das independentes muito maior. Ent\u00e3o, acabaram as locadoras como elas eram. Ainda existem no Brasil, mas n\u00e3o t\u00eam a mesma for\u00e7a nem perto do que era na d\u00e9cada de 1980 e 1990. E com a crise das livrarias, o colecionador virou o principal financiador do mercado. N\u00e3o tem mais a locadora que comprava muito, em volumes muito grandes. E n\u00e3o tem mais as principais livrarias e lojas como as Americanas vendendo m\u00eddia f\u00edsica. \u00c9 a crise da venda presencial de m\u00eddia f\u00edsica tanto nas livrarias quanto nas outras lojas que fecharam nesse meio tempo, tamb\u00e9m. Hoje, todo mundo que compra \u00e9 colecionador e compra on line. Isso \u00e9 uma mudan\u00e7a enorme no mercado. Enorme! Acho que n\u00e3o foi dado ainda o devido destaque para essa mudan\u00e7a de comportamento de consumo. Ent\u00e3o, toda essa introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 para dizer que existe uma vis\u00e3o de mercado das independentes, e existe uma vis\u00e3o de mercado dos grandes est\u00fadios. Os grandes est\u00fadios s\u00e3o executivos que, na maioria dos casos, \u00e0s vezes nem entendem de cole\u00e7\u00e3o e nem de cinema. S\u00e3o apenas pessoas que fizeram MBA, especializa\u00e7\u00e3o em Marketing, e, na maioria dos casos, n\u00e3o t\u00eam o conhecimento sobre cole\u00e7\u00e3o. Nas independentes, as pessoas j\u00e1 est\u00e3o se dando conta disso. E abrindo um di\u00e1logo com a comunidade, est\u00e3o aprendendo muito sobre. Algumas mais e outras menos. E \u00e9 isso que vai definir o que voc\u00ea est\u00e1 perguntando, JP. Essa quest\u00e3o do di\u00e1logo entre as independentes. E das independentes com o nosso p\u00fablico \u00e9 que vai definir o futuro: se isso vai permanecer ou n\u00e3o. A pandemia, infelizmente, sendo uma pandemia, \u00e9 que catalisou isso. \u00c9 que precipitou, de certa forma, esse di\u00e1logo. Espero que quando isso tudo acabar, que essa coisa n\u00e3o volte a ser como era antes. Eu acho que n\u00e3o. Acho que vai continuar tendo esse di\u00e1logo e esse tipo de reconhecimento na nossa comunidade como o \u00fanico financiador do mercado. N\u00e3o h\u00e1 mais grandes livrarias, n\u00e3o h\u00e1 mais grandes lojas e n\u00e3o h\u00e1 mais as locadoras para financiar. Por isso que o mercado \u00e9 nichado, como eu sempre digo. E cada vez mais compactado. E cada vez mais denso. Se tinha uma coisa pulverizada, entre p\u00fablicos casuais de livrarias, p\u00fablico de locadoras, e p\u00fablico colecionador, hoje, s\u00f3 restou um. Ent\u00e3o, compactou, diminuiu, condensou e nichou mais. E esse di\u00e1logo que voc\u00ea menciona entre as empresas ele s\u00f3 vai ser \u00fatil se continuar ouvindo o colecionador. Porque se as empresas se isolarem de novo, vai voltar a ser o que era. E ser\u00e1 fatal para quem trabalha com isso, produz, distribui, enfim. E eu gostaria muito, como desejo de algu\u00e9m que est\u00e1 envolvido com a cobertura desse mercado, que os grandes est\u00fadios tivessem a mesma abordagem que as independentes. Nesse sentido do di\u00e1logo. Alguma coisa a gente j\u00e1 tem, mas \u00e9 muito incerto. Em 2 de novembro de 2020, \u00e9 muito incerto o que vai acontecer com rela\u00e7\u00e3o aos grandes est\u00fadios no Brasil. Porque dois deles est\u00e3o fora, Disney e Fox. E junto com tudo isso, Pixar, Marvel, Star Wars. E tr\u00eas important\u00edssimos como Sony, Universal e Paramount ainda n\u00e3o t\u00eam destino definido (N.E. Entrevista realizada em 02\/112020). Para um mercado nichado, de poucas tiragens, acredito que o futuro \u00e9 de tiragens pequenas, mas com apresenta\u00e7\u00e3o e conte\u00fado um pouco mais sofisticados. Ou bem mais sofisticados. E isso vai encarecer. E tenho muito medo de que o nosso mercado se torne elitista demais. Acho que s\u00e3o esses os receios que tenho neste momento. Por ser mais caro ou por ser mais restrito a um certo p\u00fablico. E eu acho que j\u00e1 est\u00e1. N\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o popular. As pessoas n\u00e3o conseguem mais comprar um blu-ray a R$9,90 em uma promo\u00e7\u00e3o. Isso porque a tiragem diminuiu, o pre\u00e7o aumentou, e tudo isso vai acabando por mudar o perfil de quem coleciona. Eu n\u00e3o gostaria que a gente estivesse em um mundo em que esse ato de colecionar filmes fosse uma coisa para poucos. Isso \u00e9 muito ruim para todo mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 Eu acho que o ideal seria um equil\u00edbrio entra a forma como agem as majores e como agem as independentes. A maioria das pessoas nesse mercado, tanto majors como fora de majors, n\u00e3o \u00e9 cin\u00e9filo, por exemplo. E n\u00e3o \u00e9 colecionador. E acho isso muito complicado. Porque se n\u00e3o h\u00e1 um interesse pessoal, aquilo vira apenas uma op\u00e7\u00e3o. &#8220;Ah, n\u00e3o deu certo isso aqui, vou procurar outro emprego&#8221;. Com essa linha de racioc\u00ednio \u00e9 muito f\u00e1cil abandonar todo o mercado. Deixar fechar, mesmo. &#8220;Acabou, acabou. N\u00e3o me interessa, mesmo. N\u00e3o coleciono, porque eu vou me preocupar com isso?&#8221; E a\u00ed \u00e9 muito discrepante a atua\u00e7\u00e3o das majors e das menores. As majors s\u00e3o muito frias e as menores, por muitas vezes, s\u00e3o muito amadoras. \u00c0s vezes a impress\u00e3o \u00e9 que se o dono da distribuidora acordou de mau humor, as decis\u00f5es v\u00e3o ser por um lado. E essas decis\u00f5es que ele vai tomar afetar\u00e1 outro distribuidor menor, que vai afetar outro. \u00c9 uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia e tudo depende do estado de humor das pessoas. E isso nas majors pode acontecer, tamb\u00e9m, mas como tem muitas travas envolvendo muitas pessoas e decis\u00f5es acima ou de fora, \u00e9 como se tivesse uma esp\u00e9cie de regulamenta\u00e7\u00e3o interna que impede de chegar a alguns pontos. Mas com as menores, chega. Ent\u00e3o, o ideal seria a jun\u00e7\u00e3o dos melhores mundos. A proximidade com que as independentes est\u00e3o falando com os colecionadores \u00e9 um diferencial. Isso delas estarem participando das lives \u00e9 uma coisa que era impens\u00e1vel. Eram empresas que a gente n\u00e3o visualizava o que era exatamente. A gente est\u00e1 descobrindo junto. Eu e o Jota fazemos perguntas pra caramba para as pessoas das empresas, por exemplo, como funciona esse lance dos direitos autorais. Como funciona? Como \u00e9 o tr\u00e2mite de compra? Porque estamos tendo acesso a essas pessoas e aproveitando tais oportunidades. Mas \u00e9 um processo que \u00e9 muito calcado na personalidade de cada um. E isso \u00e9 complicado, porque e ai? Sai aquela pessoa e quem vai ficar no lugar dela? Vai ser uma pessoa melhor ou pior? Vai falar mais ou menos? Ent\u00e3o, sinto muito que falta um n\u00edvel m\u00ednimo de profissionalismo. Um patamar. &#8220;A partir daqui, n\u00e3o vamos anunciar filmes se a gente est\u00e1 com essas d\u00favidas&#8221;, por exemplo. Mas ao mesmo tempo a falta de interesse total no di\u00e1logo das majors&#8230; parece que falam da SUP na <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8r3edzGT1hc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festa do Cat\u00e1logo<\/a> e n\u00e3o \u00e9 total. Mas na verdade eles estavam querendo pagar os sal\u00e1rios deles. A Festa do Cat\u00e1logo foi a t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o para eles pagarem os sal\u00e1rios. E que \u00f3timo que a gente p\u00f4de fazer isso e eles receberem por causa disso. Mas isso n\u00e3o pode ser a mola propulsora. Ou aquilo de: &#8220;se eu n\u00e3o fizer isso, eu n\u00e3o vou receber o meu sal\u00e1rio&#8221; N\u00e3o. A motiva\u00e7\u00e3o tem que ser a de lan\u00e7ar os melhores produtos, porque as pessoas querem ter os melhores produtos. Ent\u00e3o, \u00e9 muito complicado voc\u00ea ficar dependendo de majors, porque elas n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed. Acabou o mercado para elas, e o executivo, pessoalmente, j\u00e1 est\u00e1 falando com os contatos no Linkedin e pronto. J\u00e1 achou outro trabalho para ele. Mas para a gente, acaba o mercado. Vamos supor que acontece uma coisa terr\u00edvel e a SUP (Sony, Universal e Paramount) n\u00e3o volte mais? N\u00e3o vai acontecer, mas, e a\u00ed? O que acontece com o mercado? Entra em colapso. Eu n\u00e3o sei, e pelo o que converso com o Jota, ele tamb\u00e9m n\u00e3o sabe, de executivos que s\u00e3o colecionadores, ou apaixonados pelo mercado. Que era o que a gente via muito nas locadoras. No document\u00e1rio \u201cCinemagia\u201d, vemos uma paix\u00e3o por aquilo. De alguma forma, cada um era dono do seu reino ali. E isso bastava. Porque, na verdade, eram reinos que n\u00e3o eram pequenos. Cada locadora contava com centenas, \u00e0s vezes milhares de t\u00edtulos. E aquilo l\u00e1 era um mercado em si. Mas sinto muito a falta de colecionadores no comando. Se tivesse um colecionador em uma major, ele ia ter que se co\u00e7ar e os outros iam ter que se co\u00e7ar para alcan\u00e7ar esse a\u00ed. Ent\u00e3o, o mercado cresceria por causa de um colecionador obviamente capacitado para estar em um cargo como esse. Se tivesse um colecionador capacitado, com poder, o jogo mudaria. Acho que abriria novos espa\u00e7os,. Porque a gente v\u00ea tantos erros sendo cometidos h\u00e1 d\u00e9cadas, e a gente avisando. &#8220;Est\u00e1 errado. Olha aqui o modo certo&#8221;. Os boicotes feitos atrav\u00e9s do Blog do Jotac\u00ea eram isso. Era a \u00faltima op\u00e7\u00e3o de todas. A gente cansou de avisar que estava errado, ent\u00e3o, vamos fazer um boicote. Mas \u00e9 triste que o mercado tenha que funcionar com a espada ali nas costas, e n\u00e3o porque quer o melhor para as pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ap\u00f3s o fechamento da NovoDisc, que tamb\u00e9m replicava DVDs, sobrou a RiMO como a \u00fanica replicadora a trabalhar com as distribuidoras no Brasil. Al\u00e9m disso, em entrevista com Valmir Fernandes, do Obras Primas, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/08\/entrevista-valmir-fernandes-obras-primas-do-cinema-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ele comentou os atrasos nas entregas por conta da demanda de fabrica\u00e7\u00e3o de CDs<\/a> de material educacional encomendados para RiMO pelo governo. Esse risco de monop\u00f3lio na replica\u00e7\u00e3o de m\u00eddias \u00e9 algo que precisa ser refletido pelas distribuidoras. Gostaria de saber a opini\u00e3o de voc\u00eas dois em rela\u00e7\u00e3o a isso, lembrando que, ao mesmo tempo, n\u00e3o h\u00e1 mais a fabrica\u00e7\u00e3o de players no Brasil.<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Jotac\u00ea) \u2013 A quest\u00e3o dos players \u00e9 a mais importante. \u00c9 a quest\u00e3o chave. Sem player, n\u00e3o adianta colecionar m\u00eddia f\u00edsica. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa que colecionar livros. N\u00f3s dependemos de player. Se n\u00e3o houver, n\u00e3o adianta. Pode esquecer. N\u00e3o adianta ter grandes lan\u00e7amentos, n\u00e3o adianta a comunidade ser unida, n\u00e3o adianta as empresas conversarem entre si amavelmente e pensando em um bem comum, mesmo em um sistema capitalista de todo mundo ter o seu p\u00fablico. Nada disso adianta se n\u00e3o tiver player. Ent\u00e3o, essa \u00e9 a quest\u00e3o mais importante. Sobre a RiMO, que foi a primeira coisa que voc\u00ea mencionou, de se ter uma replicadora s\u00f3 no Brasil, na realidade, tem duas, mas uma parece que \u00e9 fechada e n\u00e3o atende todo mundo. Uma coisa que poderia mudar. Ou seja, a gente tem duas principais replicadoras hoje em dia, a RiMO e a Solutions 2 Go. A RiMO tem que fazer parte da produ\u00e7\u00e3o fora do pa\u00eds, porque n\u00e3o tem todo maquin\u00e1rio (N.E. Conforme explicou Valmir Fernandes, do selo Obras Primas, em sua entrevista), e a Solutions 2 Go tem tudo no Brasil. Pode fazer o stamper do disco no Brasil. Mas ela est\u00e1 fechada s\u00f3 para alguns est\u00fadios. E \u00e9 de se repensar isso. Inclusive, o pr\u00f3prio Valmir j\u00e1 me disse que \u00e9 poss\u00edvel tentar fazer alguma coisa com eles. Mas, curiosamente, \u00e9 uma empresa maior, uma empresa canadense, a Solutions 2 Go, que tem todo maquin\u00e1rio no Brasil, mas parece que est\u00e1 ocupada fazendo games e outras coisas. N\u00e3o entendo muito bem isso, preciso ainda estudar melhor. Mas todo esse aspecto, seja de replica\u00e7\u00e3o quanto de players, est\u00e1 no contexto nacional e na nossa situa\u00e7\u00e3o de desindustrializa\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito cr\u00edtica. Muito preocupante. O pa\u00eds tem n\u00edveis de industrializa\u00e7\u00e3o menores do que os do final da d\u00e9cada de 1940, inicio da d\u00e9cada de 1950. Esse contexto nacional de desindustrializa\u00e7\u00e3o reflete no nosso mercado. Alguns respons\u00e1veis por independentes j\u00e1 me disseram que procuraram, inclusive, fazer replica\u00e7\u00e3o em algum outro lugar da Am\u00e9rica Latina e n\u00e3o conseguiram. Acho que acabou inclusive as quest\u00f5es de importa\u00e7\u00e3o complicando. H\u00e1 uma mat\u00e9ria de 2011 no site <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/2011\/01\/11\/tudo-sobre-as-replicadoras-nacionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com mais de uma d\u00fazia de replicadoras<\/a>, em sua maioria de DVDs. E hoje n\u00f3s estamos nessa situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um problema na economia nacional, e na industrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, que est\u00e1 se refletindo no nosso cen\u00e1rio do mercado de m\u00eddia f\u00edsica. E vejo poucas pessoas falando sobre isso. Contextualizando isso numa coisa maior. A gente n\u00e3o pode olhar s\u00f3 para o mercado de m\u00eddia f\u00edsica como se ele fosse uma ilha. Como se ele n\u00e3o fosse uma coisa que estivesse dentro desse contexto de desindustrializa\u00e7\u00e3o. E isso para ser revertido precisa de muita a\u00e7\u00e3o do estado. Infelizmente, n\u00f3s n\u00e3o estamos vendo essa a\u00e7\u00e3o, pelo menos nesse momento. N\u00e3o h\u00e1 uma expectativa de se reverter isso. N\u00f3s estamos em um momento de muita explora\u00e7\u00e3o do capital, mas temos um capital de pouca produ\u00e7\u00e3o realmente no pa\u00eds. Talvez o agroneg\u00f3cio seja ainda a principal atividade econ\u00f4mica forte no Brasil. E isso, voltando, por exemplo, \u00e0 era JK, de Juscelino, \u00e9 absolutamente anacr\u00f4nico pensar que nos anos 1950 n\u00f3s t\u00ednhamos uma situa\u00e7\u00e3o de industrializa\u00e7\u00e3o muito mais pujante. Eu queria colocar essa quest\u00e3o maior para a gente tentar entender algo que n\u00e3o me parece ser um fato real que esteja acontecendo, esclare\u00e7o, mas \u00e9 muito maluco a gente imaginar que parece que h\u00e1 um boicote ao p\u00f3lo da Zona Franca de Manaus. Porque Sony vai embora, vai ficar s\u00f3 a produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo games (que acho que vai ser s\u00f3 montado no Brasil). E tem uma s\u00e9rie de outros problemas. Para al\u00e9m do problema da pandemia, parece que h\u00e1 um desmanche do p\u00f3lo da Zona Franca de Manaus. E essa coisa das replicadoras que est\u00e3o l\u00e1. Todas as duas est\u00e3o l\u00e1. Isso \u00e9 muito perigoso. Ou seja, n\u00e3o temos mais players. Daqui a pouco uma dessas replicadoras vai embora. O mercado encolhido do jeito que est\u00e1 ou em termos de filmes e s\u00e9ries no Brasil. Eu n\u00e3o sabia desse dado de que a RiMO fabrica CDs para o governo. Talvez essa seja a resposta de por que a RiMO ainda est\u00e1 em atividade. Porque se n\u00e3o fosse isso, n\u00e3o sei. O ano de 2019, principalmente, que houve uma retra\u00e7\u00e3o absurda no mercado, quando n\u00e3o chegou a ter 70 lan\u00e7amentos de t\u00edtulos em blu-ray no Brasil. N\u00e3o sabemos se hoje, se fosse s\u00f3 esse mercado, teria como se sustentar nesse cen\u00e1rio que vinha se desenhando. Mas \u00e9 isso. Eu queria muito destacar essa quest\u00e3o da economia e da desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil nesse cen\u00e1rio para o nosso mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 A live do Blog do Jotac\u00ea <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=z6xx4MB95Ok\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sobre a quest\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o do players<\/a> me trouxe uma coisa que deveria ser o nosso foco: pegar uma empresa nacional para fabricar. E a que tem mais cara para faze isso \u00e9 a Tec Toy, porque ela j\u00e1 tem todo o projeto pronto. Ela tem arquivado em algum lugar como se faz um player de blu-ray de qualidade. Eu acho que para ela \u00e9 excelente, porque ela n\u00e3o vai ter concorrentes no mercado. Vai ser s\u00f3 ela. E para a gente \u00e9 excelente, pois teremos essa op\u00e7\u00e3o para o caso de quebrar o aparelho que j\u00e1 temos e podermos comprar um novo. Para mim, est\u00e1 bem simples essa quest\u00e3o. N\u00e3o vejo as empresas grandes se interessando em fazer player de blu-ray, porque virou uma coisa de nicho. Mas para uma empresa nacional, fabricar uma coisa que a gente sabe que \u00e9 de qualidade, pode ser poss\u00edvel. E digo que \u00e9 de qualidade porque s\u00f3 agora, depois de 10 anos, que o meu player Tec Toy est\u00e1 dando pau. Ou seja, funcionou por quase 10 anos. Acho que, em rela\u00e7\u00e3o aos players, o caminho \u00e9 esse. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s replicadoras de m\u00eddias, como o Jota citou, houve essa procura de algumas distribuidoras quanto a pa\u00edses vizinhos. Numa dessas, tem algum pa\u00eds vizinho que tenha algum acordo para importa\u00e7\u00e3o de m\u00eddia que vale a pena e pode acontecer. \u00d3bvio que a gente vai ter que esperar um pouco mais para chegar a m\u00eddia, mas tamb\u00e9m n\u00e3o acho imposs\u00edvel que isso aconte\u00e7a. Por exemplo, se a RiMO fechar, acabou o mercado? N\u00e3o. H\u00e1 outros pa\u00edses ao redor. O Brasil como um pa\u00eds continental que faz divisa com v\u00e1rios pa\u00edses, e numa dessas a gente descobre que na Bol\u00edvia, na Col\u00f4mbia, por exemplo, d\u00e1 para fazer isso com qualidade, com pre\u00e7o baixo e que viabilize. Mas isso, claro, \u00e9 uma especula\u00e7\u00e3o minha aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante esse papo, falamos algumas vezes sobre a sa\u00edda da Disney do mercado de m\u00eddia f\u00edsica na Am\u00e9rica Latina. Gostaria de aprofundar a opini\u00e3o de voc\u00eas dois nesse registro. Como voc\u00eas avaliam essa decis\u00e3o deles?<\/strong><br \/>\nJuliano Vasconcellos (Blog do Jotac\u00ea) \u2013 Tenho refletido muito e o Blog do Jotac\u00ea foi o primeiro a dar essa not\u00edcia. Por isso, estou sendo muito procurado para opinar a respeito. A primeira coisa que acho que tem que ser dita aqui sobre essa a\u00e7\u00e3o da Disney de ir embora da Am\u00e9rica Latina, decidir n\u00e3o mais produzir m\u00eddia f\u00edsica na Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma decis\u00e3o que tem a ver com as suas estrat\u00e9gias de distribui\u00e7\u00e3o do seu conte\u00fado. N\u00e3o tem nada a ver com a &#8220;morte da m\u00eddia f\u00edsica&#8221; ou com qualquer outra teoria da conspira\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito claro, inclusive, porque o seu servi\u00e7o de streaming estreia nos pr\u00f3ximos dias no Brasil, daqui a duas semanas (N.E. Entrevista realizada em 02\/11\/2020). Isso me parece que a Disney pensou dentro de uma l\u00f3gica dos Estados Unidos, em que a pirataria \u00e9 bastante combatida e reprimida. Os torrents s\u00e3o bastante fiscalizados l\u00e1. E a Disney pensou em tudo isso seguindo uma l\u00f3gica do mercado americano, o maior conglomerado de entretenimento do mundo com uma vis\u00e3o t\u00e3o caolha. Ela pensou com a sua l\u00f3gica dos Estados Unidos e, com isso, aplicou para toda a Am\u00e9rica Latina essa restri\u00e7\u00e3o para ver no que ia dar. Acho que \u00e9 um teste para ver o que vai acontecer. N\u00f3s todos torcemos muito que isso seja revertido o mais breve poss\u00edvel, mas ainda teremos algum tempo, eu acho, com essa situa\u00e7\u00e3o. Isso dependendo da resposta do mercado. E seja como for essa resposta, esse per\u00edodo sem m\u00eddia f\u00edsica da Disney no nosso territ\u00f3rio vai ser maior ou menor. Mas n\u00e3o h\u00e1 nenhuma rela\u00e7\u00e3o com a desindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o nenhuma com a contra\u00e7\u00e3o do mercado e com o nichamento do mercado. N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o nenhuma com quest\u00f5es estritas da m\u00eddia f\u00edsica na Am\u00e9rica Latina, mas, sim, com estrat\u00e9gia de distribui\u00e7\u00e3o e for\u00e7ar, a partir da sa\u00edda da m\u00eddia f\u00edsica, que todos que tenham interesse no seu conte\u00fado, assinem o seu servi\u00e7o de streaming. E \u00e9 uma estrat\u00e9gia muito cruel e radical. Muito cruel com todo mundo que \u00e9 f\u00e3 das produ\u00e7\u00f5es da Disney. Ent\u00e3o, nesse sentido, \u00e9 importante, na minha vis\u00e3o, desvincular isso de uma &#8220;crise do mercado de m\u00eddia f\u00edsica&#8221;, at\u00e9 porque a Disney estava indo muito bem aqui. Os t\u00edtulos da Disney sempre foram sucesso. Star Wars \u00e9 campe\u00e3o de vendas em todas as lojas com as quais n\u00f3s conversamos. Eu duvido muito que isso dure at\u00e9 o grande primeiro lan\u00e7amento. Duvido muito, por exemplo, que os pr\u00f3ximos filmes de Star Wars n\u00e3o sejam lan\u00e7ados em m\u00eddia f\u00edsica no Brasil. Ainda tem um tempo para que o pr\u00f3ximo filme da franquia saia, mas acredito que vai ser planejado para que na volta dos filmes da Lucasfilm seja marcante, tamb\u00e9m, o retorno da Disney para a m\u00eddia f\u00edsica. Sabe-se l\u00e1 como, se vai ver uma coisa com distribui\u00e7\u00e3o no Brasil, ou se ser\u00e1 apenas importando, ou vai voltar a ser como era no in\u00edcio do blu-ray no Brasil. Mas \u00e9 preciso um contrato de distribui\u00e7\u00e3o e marketing para se fazer isso. Acho que o p\u00fablico brasileiro, o latino-americano, foi jogado novamente no colo da pirataria. Porque, no Brasil, a cultura da pirataria \u00e9 muito forte. \u00c9 diferente de outros lugares, de outros pa\u00edses, e me parece que foi uma decis\u00e3o super equivocada. Como se houvesse uma vincula\u00e7\u00e3o dos colecionadores, de quem coleciona m\u00eddia f\u00edsica, com quem consome streaming. Muitos de n\u00f3s, a maioria, inclusive, faz as duas coisas. E essa radicaliza\u00e7\u00e3o da Disney, para mim, foi um erro crasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 Concordo com o que o Jota falou. Isso de erro crasso \u00e9 uma coisa que a gente est\u00e1 acostumado a ver. E acho incr\u00edvel que n\u00e3o importa o tamanho da empresa, e a Disney \u00e9 a maior de todas, e a gente continua a ver decis\u00f5es equivocadas como essa. Acho que s\u00f3 com o lan\u00e7amento de \u201cMulan\u201d eles j\u00e1 deveriam ter aprendido a li\u00e7\u00e3o, vendo que n\u00e3o tem como dar certo um neg\u00f3cio desses. Eles v\u00e3o querer empurrar para o Disney+. E lembrando <a href=\"https:\/\/blogdojotace.com.br\/2010\/01\/13\/sete-ttulos-da-disney-vo-para-o-cofre-dia-30-de-janeiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que eles tinham a pol\u00edtica do cofre<\/a>, n\u00e9? Dos t\u00edtulos irem para o cofre e depois de alguns anos sa\u00edrem. Nada impede deles falarem no futuro: &#8220;Olha, colocamos no cofre e agora estamos tirando de novo&#8221;. Tem esse precedente. Falei em uma live que o 23 do <a href=\"https:\/\/d23.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">D23<\/a>, o f\u00e3 clube da Disney, vem do ano de 2023, que \u00e9 quando a Disney far\u00e1 100 anos. Acho que \u00e9 uma \u00f3tima oportunidade. Acho at\u00e9 que eles n\u00e3o devem aguentar at\u00e9 l\u00e1. At\u00e9 porque, sem a renda dos cinemas, acho que pode ser antes que eles voltem por precisarem de dinheiro. \u00c9 uma coisa que dava dinheiro. \u00c9 engra\u00e7ado isso. Voc\u00ea resolver cortar uma fonte de renda quando n\u00f3s colecionadores, como o Jota falou, consumismo das duas formas. S\u00e3o formas diferentes de consumo. E retomando um pouco nessa quest\u00e3o dos erros de quem est\u00e1 no comando, observo muito a evolu\u00e7\u00e3o do mercado de quadrinhos. Como foi o contr\u00e1rio. Quadrinhos n\u00e3o tinha nada h\u00e1 at\u00e9 bem pouco tempo aqui no Brasil. Era Marvel, DC, Disney capegando e Turma da M\u00f4nica. Obvio, saia umas graphic novels aqui e ali, mas, a meu ver, a evolu\u00e7\u00e3o do mercado de quadrinhos no Brasil foi uma jun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas fatores: o <a href=\"https:\/\/arteref.com\/editais\/o-que-e-o-proac\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ProAC<\/a>, que todos os anos viabiliza de 10 a 20 produ\u00e7\u00f5es nacionais. E essas produ\u00e7\u00f5es t\u00eam que escoar e acaba fazendo que as editoras se interessem. E como os autores s\u00e3o do Brasil, acaba criando not\u00edcias. Voc\u00ea, mesmo, JP, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/12\/entrevista-autores-falam-da-hq-arquivos-secretos-da-segunda-guerra-mundial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">fez mat\u00e9rias<\/a> sobre projetos nacionais <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/05\/entrevista-hq-pandemonium-autores-falam-sobre-desafios-no-lancamento-independente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">porque isso agora \u00e9 not\u00edcia<\/a>. Antes, n\u00e3o tinha. As not\u00edcias se restringiam a Laerte, Angeli e Glauco. E essa mudan\u00e7a, esses 10 anos de ProAC, \u00e9 um fator muito importante. O segundo fator s\u00e3o os eventos, tipo CCXP, que t\u00eam o &#8220;<a href=\"https:\/\/www.ccxp.com.br\/artists-alley\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Artists&#8217; Alley<\/a>&#8220;, que \u00e9 o \u00e1pice, eu acho, para um artista estar ali. E isso \u00e9 muito legal. De voc\u00ea valorizar o artista. Fazer pessoas que n\u00e3o s\u00e3o ainda quererem ser artistas porque v\u00e3o ser reconhecidas. Antes n\u00e3o existia, tamb\u00e9m. Tipo, o cara hoje vai na CCXP, v\u00ea que aquele tal artista tem uma mesa l\u00e1 e pensa: &#8220;um dia eu quero ter uma mesa dessa&#8221;. Quantas pessoas j\u00e1 n\u00e3o ouvi falando isso? Quantas pessoas que foram pela primeira vez e tiveram uma mesinha no Artists&#8217; Alley e que falaram como aquilo foi uma conquista importante? E \u00e9 mesmo! Porque a quantidade de inscri\u00e7\u00f5es \u00e9 gigantesca. Tem uma sele\u00e7\u00e3o de quantas pessoas v\u00e3o poder estar l\u00e1. E o terceiro fator \u00e9 o selo <a href=\"https:\/\/pipocaenanquim.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pipoca &amp; Nanquim<\/a>. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 a diferen\u00e7a. O que \u00e9 Pipoca &amp; Nanquim? S\u00e3o pessoas do neg\u00f3cio de quadrinhos e que s\u00e3o colecionadores. Que s\u00e3o apaixonados por aquilo. Isso faz toda a diferen\u00e7a. Porque voc\u00ea vai entregar o produto o melhor que voc\u00ea puder. Porque voc\u00ea consome aquele produto. Ent\u00e3o, acho que s\u00e3o esses tr\u00eas fatores. Principalmente o terceiro, o Pipoca &amp; Nanquim, por ser uma coisa regular, todos os meses t\u00eam lan\u00e7amentos que voc\u00ea j\u00e1 sabe como funciona, em que a pr\u00e9-venda \u00e9 mais barata, que a qualidade \u00e9 a melhor poss\u00edvel. Tem edi\u00e7\u00f5es do selo Pipoca &amp; Nanquim que a melhor edi\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 a deles. A edi\u00e7\u00e3o do Alan Moore, por exemplo, a editora Dark Horse comprou o material que eles produziram para edi\u00e7\u00e3o brasileira do Alan Moore, que ningu\u00e9m mais tinha. Recuperaram coisas que ningu\u00e9m mais tinha. Ent\u00e3o, essa preocupa\u00e7\u00e3o, esse carinho, aliados a uma forma de trabalhar correta, mostrou qual \u00e9 o caminho. Na verdade, n\u00f3s, como colecionadores, sempre soubemos qual era o caminho. Quando tinha uma edi\u00e7\u00e3o especial, n\u00e3o durava. A gente v\u00ea que n\u00e3o dura o estoque. As pessoas v\u00e3o l\u00e1 e compram. Ent\u00e3o, eu acho que falta essa paix\u00e3o que n\u00e3o existe, n\u00e3o existe mesmo, no mercado de filmes, de homevideo. Infelizmente, \u00e9 muito triste dizer isso. E nos quadrinho, existe em todos os lugares porque todo editor de quadrinho n\u00e3o est\u00e1 ali por causa do dinheiro. Todos eles est\u00e3o ali pelo amor, mesmo. Tipo, &#8220;eu vou tentar ganhar uns trocados com quadrinhos&#8221; . \u00d3bvio que o ideal \u00e9 n\u00e3o ser assim. O ideal \u00e9 fazer como o Pipoca &amp; Nanquim. E a\u00ed voc\u00ea v\u00ea como teve essa virada. Quadrinhos n\u00e3o eram nada no mercado e hoje \u00e9 uma for\u00e7a muito grande, a ponto da Panini come\u00e7ar a lan\u00e7ar encadernados de R$350,00, que s\u00e3o os omnibus. E eles n\u00e3o v\u00e3o lan\u00e7ar omnibus a R$350,00 se n\u00e3o tiver um p\u00fablico para isso. Os caras s\u00e3o gigantescos. Eles pensam muito no p\u00fablico e no que eles v\u00e3o lan\u00e7ar para esse p\u00fablico. E tem os outros t\u00edtulos deles, que custam por volta de R$100,00. Ent\u00e3o, \u00e9 um mercado que nunca esteve t\u00e3o forte e aquecido como est\u00e1 hoje. \u00c9 muito doido isso. N\u00e3o tem como a gente culpar alguma coisa assim: &#8220;ah, \u00e9 uma coisa geral, \u00e9 a pandemia&#8221;. N\u00e3o! Os quadrinhos est\u00e3o indo muito bem. Eu vi esse dias uma entrevista de um autor dizendo que ficou espantando que lan\u00e7ou uma tiragem de uma obra dele agora, e a editora informou que esgotou. Ele disse que, antes, demoraria dois, tr\u00eas anos para esgotar aquele material. E agora esgotou em dois, tr\u00eas meses. Ent\u00e3o, eu acho que temos exemplos bem sucedidos de mercados ligado a Cultura, e t\u00ednhamos, na m\u00eddia f\u00edsica de filmes, que aprender mais com eles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\ud83d\udd34 LIVE #02 | A INICIATIVA VERS\u00c1TIL\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9R8RWq80_0k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DVD VS BLU-RAY | COMPARATIVO DREAMWORKS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tsL8sVVEUrU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>https:\/\/youtu.be\/z6xx4MB95Ok<\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><strong>Panorama do Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica em 2020 no Brasil<\/strong><br \/>\n01)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/05\/entrevista-fabio-martins-famdvd-especial-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">F\u00e1bio Martins \u2013 Loja FAMDv<\/a><br \/>\n02)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/06\/entrevista-fernando-alves-the-originals-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Luiz Alves \u2013 Loja The Originals<\/a><br \/>\n03)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/07\/entrevista-classicline-1films-e-video-perola-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Classicline, 1Films e V\u00eddeo P\u00e9rola<\/a><br \/>\n04)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/08\/entrevista-valmir-fernandes-obras-primas-do-cinema-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Valmir Fernandes (Obras Primas do Cinema)<\/a><br \/>\n05)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/09\/entrevista-igor-oliveira-cpc-umes-filmes-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Igor Oliveira (CPC UMES Filmes)<\/a><br \/>\n06)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/10\/entrevista-daniel-herculano-clube-box-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Daniel Herculano (Clube Box)<\/a><br \/>\n07)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/11\/entrevista-gleisson-dias-clube-rosebud-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gleisson Dias (Rosebud Club)<\/a><br \/>\n08)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/12\/entrevista-andre-melo-e-fernando-brito-versatil-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andr\u00e9 Melo e Fernando Brito (Vers\u00e1til)<\/a><br \/>\n09) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/13\/entrevista-juliano-vasconcellos-e-celso-menezes-blog-do-jotace-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Juliano Vasconcellos e Celso Menezes (Blog do Jotac\u00ea)<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jotac\u00ea e Celso falam do mercado de m\u00eddia f\u00edsica num 2020 surpreendente em termos de vendas e lan\u00e7amentos. Ouvi-los nesse contexto de coletar vis\u00f5es de diversas \u00e1reas desse mercado ilustra aquela que \u00e9 a principal voz a ser ouvida pelas empresas: a do colecionador.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/13\/entrevista-juliano-vasconcellos-e-celso-menezes-blog-do-jotace-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":59035,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5012,4993],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59030"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59030"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59030\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59383,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59030\/revisions\/59383"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}