{"id":58916,"date":"2020-12-09T01:31:00","date_gmt":"2020-12-09T04:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58916"},"modified":"2020-12-28T00:19:08","modified_gmt":"2020-12-28T03:19:08","slug":"entrevista-igor-oliveira-cpc-umes-filmes-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/09\/entrevista-igor-oliveira-cpc-umes-filmes-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/","title":{"rendered":"Entrevista: Igor Oliveira (CPC UMES Filmes) \u2013 Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica 2020"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Terceira de uma s\u00e9rie de 9 entrevistas sobre o\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/mercado-cinefilo-2020\/\">Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica n Brasil<\/a><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Umes surgiu nos anos 80 como uma entidade a beneficiar estudantes carentes de escolas p\u00fablicas, bem como fomentar projetos culturais. Desde a cria\u00e7\u00e3o do Centro Popular de Cultura \u2013 CPC, o CPC Umes se torna, a partir dos anos 90, um imprescind\u00edvel instrumento na cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os culturais entre a popula\u00e7\u00e3o. Nessa trajet\u00f3ria de d\u00e9cadas, a institui\u00e7\u00e3o se firmou como uma op\u00e7\u00e3o de expandir horizontes dentro de atividades culturais e esportivas para diversas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Uma coisa que a gente sente que \u00e9 muito especial, tamb\u00e9m, \u00e9 que a entidade \u00e9 frequentada por muitos jovens nos projetos que fazemos, como aulas de capoeira de gra\u00e7a, e uma s\u00e9rie de outras atividades. E nisso tem tamb\u00e9m a pr\u00f3pria milit\u00e2ncia dos estudantes. \u00c9 um p\u00fabico jovem que tem contato com esse cinema&#8221;, explica Igor Oliveira, coordenador comercial do <a href=\"http:\/\/www.cpcumesfilmes.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CPC Umes Filmes<\/a>, selo focado no lan\u00e7amento em m\u00eddia f\u00edsica do cinema sovi\u00e9tico e russo no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O selo existe desde 2013, e j\u00e1 trouxe obras marcantes daquele cinema, bem como realizando mostras de cinema e trazendo realizadores russos ao Brasil, como Karen Shakhnazarov, diretor do recente \u201cAnna Karenina\u201d. Shakhnazarov \u00e9 diretor geral do <a href=\"https:\/\/en.mosfilm.ru\/main.php\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mosfilm<\/a>, considerado o mais antigo est\u00fadio de cinema da Europa. O CPC Umes Filmes possui uma parceria com o Mosfilm que permite trazer ao Brasil diversas obras desse rico cinema. No papo abaixo, dentro da s\u00e9rie Scream &amp; Yell de entrevistas sobre o Panorama do Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica no Brasil, Igor explica mais acerca do CPC Umes Filmes. Confira o papo!<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.cpcumesfilmes.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>http:\/\/www.cpcumesfilmes.org.br\/<\/strong><\/a><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58922\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Guerra-e-Paz.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Guerra-e-Paz.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Guerra-e-Paz-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O CPC UMES, uni\u00e3o do Centro Popular de Cultura e da Uni\u00e3o Municipal de Estudantes Secundaristas de S\u00e3o Paulo, \u00e9 parte de um importante movimento de propaga\u00e7\u00e3o cultural. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre como surgiu a institui\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>A UMES, como entidade, surgiu em S\u00e3o Paulo nos anos 80. Depois ela passou a existir no Brasil inteiro. Acompanhamos as de outros estados, inclusive. Uma que \u00e9 bem pr\u00f3xima de n\u00f3s, porque tamb\u00e9m realiza a mostra de cinema l\u00e1, \u00e9 a UMES de Porto Alegre. O prop\u00f3sito da UMES, assim como outros estados, \u00e9 atender aos estudantes, viabilizar ao estudante as condi\u00e7\u00f5es para que ele v\u00e1 \u00e0 escola. Falando somente da UMES, nossa principal atividade com as carteirinhas \u00e9 atrav\u00e9s de um conv\u00eanio estabelecido com a prefeitura h\u00e1 d\u00e9cadas, que viabiliza, para os estudantes de escola p\u00fablica, a gratuidade do transporte, e, mesmo ao estudante de escola particular, um bom desconto para que eles tenham o transporte para ir \u00e0 escola. No come\u00e7o dos anos 90 foi criado o Centro Popular de Cultura. E, ent\u00e3o, o nosso cine teatro que fica l\u00e1 na sede da UMES, no bairro do Bixiga, aqui em S\u00e3o Paulo. Ele tem o nome de Cine Teatro Denoy de Oliveira em homenagem ao <a href=\"http:\/\/UMES.org.br\/index.php\/cultura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Denoy de Oliveira<\/a>, que foi uma pessoa muito atuante na quest\u00e3o estudantil. O CPC surgiu, ent\u00e3o, como essa frente que visa proporcionar ao estudante e \u00e0 comunidade que cerca a nossa sede, as atividades, programa\u00e7\u00f5es e projetos culturais. N\u00f3s estamos, hoje, com menos lan\u00e7amentos, mas desde os anos 1990, j\u00e1 lan\u00e7amos mais de 100 discos de m\u00fasica brasileira, trilhas de cinema, trilhas de pe\u00e7a de teatro, chorinhos, m\u00fasica instrumental. S\u00f3 disco de primeira, coisa muito boa. A quest\u00e3o da Cultura vem desde essa \u00e9poca. Com pe\u00e7as de teatro em cartaz, mostras de cinema. N\u00f3s j\u00e1 estamos no quinto ano da Mostra Permanente de Cinema Italiano. Esse ano, por causa da pandemia, ela acontece virtual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o selo CPC UMES Filmes, como um bra\u00e7o da pr\u00f3prio CPC, oferecendo \u00e0s pessoas, colecionadoras ou n\u00e3o, acesso ao rico cinema sovi\u00e9tico, surge em que momento?<\/strong><br \/>Em 2013, o CPC UMES come\u00e7ou as tentativas de contato com a Mosfilm. O cinema sovi\u00e9tico \u00e9 um cinema important\u00edssimo, n\u00e3o s\u00f3 em termos do pioneirismo t\u00e9cnico, mas da relev\u00e2ncia desse movimento. No Brasil, se voc\u00ea tem um primeiro contato com esse cinema, os nomes que v\u00eam \u00e0 mente s\u00e3o os de Sergei Eiseinstein e o de Andrei Tarkovski. E tem muitos outros nomes importantes. Nessa \u00e9poca desse primeiro contato com a Mosfilm, eu ainda n\u00e3o estava no CPC UMES. Eu cheguei em 2018, mas teve esse contato entre 2013 e 2014 com o Mosfilm. Nessa ocasi\u00e3o, a primeira ideia era fazer os licenciamentos e as aquisi\u00e7\u00f5es de direitos para lan\u00e7ar os filmes em DVD. No decorrer de 2014, surgiu a ideia de fazer uma Mostra comemorativa de 90 anos do Mosfilm. Ap\u00f3s essa experi\u00eancia t\u00e3o legal logo na primeira vez, a mostra virou, ao longo dos anos, uma das nossas iniciativas mais importantes. J\u00e1 realizamos seis mostras. Elas sempre acontecem ao final do ano, na virada de novembro para dezembro, mais ou menos. J\u00e1 exibimos mais de 60 filmes. Muitos in\u00e9ditos e a maioria restaurados. Com algumas varia\u00e7\u00f5es, o que a gente tem feito \u00e9 realizar a mostra no final de um determinado ano, e lan\u00e7ar os filmes em m\u00eddia f\u00edsica no ano seguinte. Por exemplo, fizemos, no final de 2019, <a href=\"http:\/\/www.cpcumesfilmes.org.br\/prestashop\/content\/50-6-mostra-mosfilm-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a Mostra mais recente<\/a>. Ao longo de 2020, n\u00f3s vamos lan\u00e7ando em m\u00eddia f\u00edsica esses filmes. Lan\u00e7amos alguns em DVD sem ter exibido, tamb\u00e9m, exibindo-os posteriormente. Alguns filmes, eventualmente, v\u00e3o direto para DVD e n\u00e3o s\u00e3o exibidos na Mostra. N\u00f3s temos um p\u00fablico consolidado da mostra em S\u00e3o Paulo com mais de 10 mil espectadores. Muitos deles buscam os filmes depois. No cat\u00e1logo do CPC UMES Filmes temos uma quantidade legal de obras j\u00e1 conhecidas, pelo menos de quem acompanha mais o cinema sovi\u00e9tico e russo. Mas tem muita coisa que as pessoas n\u00e3o conheciam e ficaram conhecendo atrav\u00e9s do nosso trabalho. E a\u00ed est\u00e1 a quest\u00e3o de lan\u00e7ar em m\u00eddia f\u00edsica. \u00c9 uma quest\u00e3o fundamental porque, assim, a pessoa tem aquilo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o sempre. A pessoa vai ver na Mostra, compra no ano seguinte. Pode comprar para dar de presente, tamb\u00e9m. E a\u00ed vamos propagando esse cinema, porque \u00e9 muito importante. Chegaremos agora a 50 t\u00edtulos com o lan\u00e7amento simult\u00e2neo de \u201cGuerra e Paz\u201d\u00a0em blu-ray e o DVD de \u201cEles Lutaram Pela P\u00e1tria\u201d. Com esses dois, chegamos a 50 t\u00edtulos lan\u00e7ados. A gente tem mais filmes, porque alguns foram lan\u00e7ados em DVD e, tamb\u00e9m, em blu-ray. Normalmente, o que fazemos, por trazermos um cinema bem espec\u00edfico, bem de nicho, temos um lan\u00e7amento por m\u00eas. Um m\u00eas ou outro a gente acaba pulando. De janeiro a novembro, temos lan\u00e7amentos quase que todos os meses.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GUERRA E PAZ + V\u00c1 E VEJA | BLU-RAYS DO CPC-UMES!\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DRgDdbTV_u8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De fato, essa \u00e9, para mim, uma das fun\u00e7\u00f5es mais louv\u00e1veis que o CPC &#8211; UMES Filmes cumpre: a de propagar um cinema que poucas pessoas conhecem, para al\u00e9m do mainstream, para al\u00e9m dos blockbusters.<\/strong><br \/>Uma coisa que a gente sente que \u00e9 muito especial, tamb\u00e9m, \u00e9 que a entidade \u00e9 frequentada por muitos jovens nos projetos que fazemos, como aulas de capoeira de gra\u00e7a, e uma s\u00e9rie de outras atividades. E nisso tem tamb\u00e9m a pr\u00f3pria milit\u00e2ncia dos estudantes. \u00c9 um p\u00fabico jovem que tem contato com esse cinema. Sabemos que n\u00e3o \u00e9 problema nenhum gostar do cinema blockbuster. Claro que n\u00e3o. Eu gosto tamb\u00e9m de blockbuster, amo todo tipo de cinema, mas \u00e9 um p\u00fablico que, por outras vias, n\u00e3o teria acesso a esse cinema. Porque, aqui, somos sempre bombardeados pelo cinema estadunidense. Chegam no m\u00e1ximo filmes de um ou outro pa\u00eds. Mas, o cinema sovi\u00e9tico, n\u00e3o. Imagina um cara de 17 anos tomando contato com filme do cinema sovi\u00e9tico. Isso \u00e9 muito importante. Para a forma\u00e7\u00e3o dele hist\u00f3rica. Para a forma\u00e7\u00e3o como p\u00fablico de cinema. E os jovens v\u00e3o, levam outros amigos. Isso \u00e9 uma coisa bem importante para n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de trabalhar no CPC UMES Filmes, voc\u00ea teve uma longa experi\u00eancia na Livraria Cultura. Gostaria de abordar contigo o impacto de recupera\u00e7\u00e3o judicial que teve inicio em 2018 tanto na Cultura quanto na Saraiva, e se isso, de algum modo, impactou no CPC UMES Filmes.<\/strong><br \/>Sim. Trabalhei na Livraria Cultura por alguns anos. Quando o nosso diretor, o Bernardo Torres, que \u00e9 o respons\u00e1vel pela nossa opera\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou com a opera\u00e7\u00e3o CPC UMES Filmes, o comprador de filmes da Livraria Cultura era eu. O contato dele na livraria era comigo. Eu que iniciei o trabalho do CPC dentro da Cultura. Trabalhei l\u00e1 15 anos. E por sete ou oito anos, eu fui respons\u00e1vel pela \u00e1rea de filmes. Compras e vendas de filmes. Nessa \u00e9poca, no CPC UMES Filmes, o Bernardo fazia quase que tudo sozinho. Eu sai da Cultura em 2016, fiz alguns projetos pessoais, eventos culturais, ao longo de 2017. Em 2018, ele me convidou para trabalhar com ele. Sobre o impacto da recupera\u00e7\u00e3o judicial da Livraria Cultura no CPC UMES Filmes, se formos comparar com aquelas cifras que o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/08\/entrevista-valmir-fernandes-obras-primas-do-cinema-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Valmir (Fernandes, Obras Primas do Cinema)<\/a> colocou l\u00e1 na live, n\u00e3o tem compara\u00e7\u00e3o. Mas a nossa opera\u00e7\u00e3o \u00e9 muito menor, tamb\u00e9m. \u00c9 como eu te disse. A nossa atividade n\u00e3o \u00e9 100% focada no homevideo. Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a entre n\u00f3s e as outras empresas que est\u00e3o compondo esse mercado, hoje. Tanto <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/07\/entrevista-classicline-1films-e-video-perola-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Classicline<\/a>, quanto Obras Primas do Cinema, quanto a Vers\u00e1til, assim como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/05\/entrevista-fabio-martins-famdvd-especial-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">as lojas FAMDvD<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/06\/entrevista-fernando-alves-the-originals-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Originals<\/a>, s\u00e3o empresas familiares e que o neg\u00f3cio principal, fundamental, \u00e9 o homevideo. N\u00f3s temos outras redes de trabalho. S\u00f3 que me impacta financeiramente para que eu fa\u00e7a outras atividades. Por exemplo, a nossa Mostra, pela primeira vez no ano passado, n\u00f3s fizemos com cobran\u00e7a de ingresso porque n\u00e3o tivemos outra alternativa. Mas antes, nos cinco primeiros anos, ela foi gratuita. Isso porque, para n\u00f3s, fazer uma mostra gratuita \u00e9 mostrar que acreditamos nessa frente de cultura, de acesso gratuito \u00e0 cultura. Tamb\u00e9m pelo CPC UMES ser uma entidade estudantil, sendo este um prop\u00f3sito, mesmo. Mas \u00e9 preciso que as finan\u00e7as andem. Voltando a Livraria Cultura, n\u00f3s tivemos alguns momentos de pausa em fornecimentos com ela. Foi e voltou, mas, hoje, s\u00f3 fornecemos para a Cultura se for \u00e0 vista. Eu n\u00e3o estou fornecendo com prazo de pagamento com eles, ao menos neste momento. Estamos negociando possibilidades para voltar ao fornecimento normal, mas, nesse momento, s\u00f3 com pagamento a vista. Ela paga, a gente entrega. J\u00e1 para a Saraiva, a gente nunca forneceu. Mas faz um tempo que a gente n\u00e3o tem pedidos com a Cultura, at\u00e9 mesmo porque a gente tem um lan\u00e7amento por m\u00eas. Normalmente os clientes aproveitam para, quando compram lan\u00e7amentos, fazerem reposi\u00e7\u00e3o dos demais t\u00edtulos em seus estoques, tamb\u00e9m. Uma coisa mais objetiva sobre o impacto de vendas, essa quest\u00e3o eu vejo mais ligada \u00e0s livrarias terem parado de comprar. Outros clientes espec\u00edficos do segmento, como eu te falei a The Originals, a FAMDvD, a DVD Nostalgia, est\u00e3o comprando. E a\u00ed \u00e9 uma compra e uma exposi\u00e7\u00e3o do meu produto que, hoje, \u00e9 muito mais qualificada em lojas parceiras como essas, a Vers\u00e1til, a Obras Primas, do que ele estar em um lugar enorme e com pouca visibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma quest\u00e3o bastante importante a ser salientada \u00e9 que as lojas f\u00edsicas como Cultura e Saraiva, para muitos clientes, possu\u00edam um referencial.<\/strong><br \/>Sim. Tem esse lado que \u00e9 a refer\u00eancia que as pessoas tinham dessas lojas. Eu tiro at\u00e9 o lado emocional da coisa, porque eu constru\u00ed essa hist\u00f3ria por muito tempo. Eu sou muito grato ao tempo que fiquei na Cultura. Fui muito feliz trabalhando l\u00e1. Agora, essa situa\u00e7\u00e3o como est\u00e1, de vai e volta, vai pagar, n\u00e3o vai pagar, isso \u00e9 muito dif\u00edcil. E os fornecedores que resolveram ficar junto deles? Porque s\u00e3o empresas que poderiam ter fechado. A Obras Primas do Cinema quase fechou. A Vers\u00e1til quase fechou. \u00c9 de perder a refer\u00eancia, tamb\u00e9m, porque, hoje, nenhum colecionador, a pessoa que ainda compra m\u00eddia f\u00edsica no Brasil, ter\u00e1 coragem de comprar pr\u00e9 venda na Cultura ou na Saraiva, porque sabem que, pela atual situa\u00e7\u00e3o, pode atrasar ou at\u00e9 mesmo n\u00e3o receber o produto. Essa coisa de mercados que caminham para situa\u00e7\u00f5es de monop\u00f3lio, de poucos pre\u00e7os, isso \u00e9 ruim. Isso n\u00e3o \u00e9 bom. Ent\u00e3o, eu acho que essa \u00e9 refer\u00eancia se perde, tamb\u00e9m. Eu, de cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 por mim, pessoalmente, mas n\u00f3s no CPC UMES Filmes desejamos muito que a Livraria Cultura supere essa situa\u00e7\u00e3o. Mas tamb\u00e9m esperamos que honre com os fornecedores que estavam do lado dela em um momento de dificuldade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cpcumesfilmes.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-58921 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/blackfriday.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/blackfriday.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/blackfriday-300x203.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou nomes de lojas parceiras do CPC UMES Filmes. Essas parcerias de vendas, com o sa\u00edda das lojas f\u00edsicas do mercado, creio ter sido uma boa sa\u00edda para divulgar os produtos de m\u00eddia f\u00edsica dentro do rico cinema sovi\u00e9tico.<\/strong><br \/>Sim. Embora a gente tenha esse impacto das livrarias, do ano passado para c\u00e1, eu tenho alguns clientes que nos procuraram e que n\u00e3o trabalhavam com nosso produto antes. A FAMDvD e a The Originals, por exemplo, eu comecei a trabalhar com eles no final do ano passado. H\u00e1 outras lojas com essa caracter\u00edstica. Tem, por exemplo, a DVD Nostalgia, daqui de S\u00e3o Paulo, que tem uma loja on line, tamb\u00e9m. Eu acho que isso movimentou bastante. E, tamb\u00e9m, o fato de que a Vers\u00e1til come\u00e7ou a trabalhar com produtos que s\u00e3o exclusivos dela no site da loja. O site da Vers\u00e1til foi uma iniciativa urgente para que eles pudessem lidar com a crise das livrarias. No fim, conseguiram, felizmente, dar a volta por cima. Hoje, o site \u00e9 a principal fonte de faturamento deles. No come\u00e7o do ano, quando lan\u00e7amos a pr\u00e9 venda do \u201cStalker\u201d em blu-ray, o Andr\u00e9 Melo me procurou para propor uma parceria. Para colocar alguns produtos do CPC UMES Filmes l\u00e1. E est\u00e1 dando super certo, tamb\u00e9m. Por sermos restritos ao cinema sovi\u00e9tico, a gente ainda tem uma opera\u00e7\u00e3o do nosso pr\u00f3prio site. Uma opera\u00e7\u00e3o pequena, mas temos. N\u00f3s estamos trabalhando para fazer algumas mudan\u00e7as na loja virtual, mas isso ainda n\u00e3o vai ocorrer j\u00e1. Ent\u00e3o, uma facilidade para a pessoa que compra o nosso produto \u00e9 que ela pode adquirir na Vers\u00e1til, tamb\u00e9m. E aproveitar um frete gr\u00e1tis ou mais barato. Pelo volume que eles t\u00eam, a Vers\u00e1til consegue pleitear com os Correios. Ent\u00e3o, um movimento da Vers\u00e1til e da Obras Primas do Cinema, principalmente, de trabalhar as vendas dos produtos deles com exclusividade no site, \u00e9 um movimento pelo tamanho que eles j\u00e1 t\u00eam. E para a gente, hoje, \u00e9 muito mais bacana ver o nosso produto nas lojas deles. A Obras Primas do Cinema \u00e9 nosso parceiro desde o come\u00e7o. Vendem nossos produtos desde o in\u00edcio. Eles d\u00e3o mais op\u00e7\u00f5es para o nosso cliente que compra outras coisas. Outra que vende nossos produtos \u00e9 a Classicline. Ent\u00e3o, \u00e9 o que a gente v\u00ea l\u00e1 nos pr\u00f3prios grupos de WhatsApp e nos grupos de Facebook. O CPC UMES Filmes \u00e9 o nicho dentro do nicho. O mercado acabou virando de nicho, mas esse mercado de nicho do colecionismo tem essas duas caracter\u00edsticas. Ele \u00e9 muito restrito. Mas quem est\u00e1 dentro desse mercado, tem uma qualidade de interesse de informa\u00e7\u00e3o muito alta. N\u00f3s vemos por essas lives que est\u00e3o rolando, por exemplo, o quanto de informa\u00e7\u00e3o bacana que est\u00e1 sendo trazida. O consumidor de hoje, o consumidor de m\u00eddia f\u00edsica, no Brasil, ele precisa ter essas informa\u00e7\u00f5es. Precisa saber como funciona. N\u00e3o sendo informa\u00e7\u00e3o confidencial das empresas e na medida do poss\u00edvel, claro, ele precisa saber como \u00e9 que funciona a cadeia, quais s\u00e3o as dificuldades enfrentadas. Porque o processo \u00e9 emp\u00e1tico pra caramba. Todo mundo tem que entender o outro, se ajudar, sabe? Voc\u00ea v\u00ea os caras postando as fotos dos produtos que compram. Isso \u00e9 algo muito bacana. E uma pergunta que muita gente tem feito, tamb\u00e9m, \u00e9 se depois de passar toda essa quest\u00e3o da pandemia, esse fervor do mercado, esse fervor com lan\u00e7amentos incr\u00edveis, vai continuar. Eu espero que sim. Mas a\u00ed a gente tem que continuar fomentando essas outras iniciativas. Esses f\u00f3runs virtuais com essas lives, por exemplo. Para que as pessoas conhe\u00e7am mais. E assim vamos ver quais s\u00e3o as pr\u00e1ticas que funcionam para um, n\u00e3o funcionam para outros, sabe? Pela primeira vez, n\u00f3s do CPC UMES Filmes conseguimos trazer no blu-ray do \u201cGuerra e Paz\u201d, um produto mais premium, com os colecion\u00e1veis, com os cards, com o p\u00f4ster. Vemos que isso \u00e9 um valor que o colecionador preza. E outro ponto, no caso da Vers\u00e1til e da Obras Primas do Cinema, essa quest\u00e3o da pr\u00e9 venda antecipada com mais desconto. Porque a\u00ed o cara j\u00e1 garante o item gastando um pouco menos. Muitas vezes, s\u00e3o as mesmas pessoas comprando nas lojas. A gente at\u00e9 tem p\u00fablicos diferentes em alguma medida, porque, assim, nem todo mundo que compra os nossos blu-rays do Tarkovski ou o \u201cV\u00e1 e Veja\u201d, que lan\u00e7amos em blu-ray tamb\u00e9m, compra os nossos outros lan\u00e7amentos. Isso \u00e9 completamente compreens\u00edvel. O nosso trabalho \u00e9 muito de forma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, uma venda muito boa de um produto do Tarkovski me ajuda a financiar e trazer outros produtos. Trazer outros lan\u00e7amentos que, para a gente, s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto. \u00c0s vezes, at\u00e9 mais. De mostrar um cinema a pessoas que n\u00e3o t\u00eam ideia do que tinha l\u00e1 entre os anos 30 e 50 em mat\u00e9ria de musicais, de com\u00e9dias musicais no cinema sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nas lojas e distribuidoras que voc\u00ea citou, \u00e9 percept\u00edvel uma nova maneira de se construir esse comercio de filmes em m\u00eddia f\u00edsica, com uma proximidade maior entre marcas, selos e distribuidoras com o consumidor final. Um modo louv\u00e1vel de transmitir transpar\u00eancia e confian\u00e7a.<\/strong><br \/>Com o momento atual, daqui pra frente, n\u00e3o tem outro caminho. Esse contato do consumidor com quem produz o produto \u00e9 o \u00fanico caminho que eu vejo. Quem melhor do que eu para vender o meu produto? N\u00e3o s\u00f3 para o lojista, que compra o meu produto, como para o cliente final. Fica uma coisa muito mais pessoal. \u00c0s vezes, sou eu quem est\u00e1 fazendo a venda, indicando locais onde o cliente pode adquirir os nossos produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Nas redes sociais, essas parcerias entre os selos e o di\u00e1logo entre marcas e lojas t\u00eam sido algo bastante percept\u00edvel. Mesmo o CPC UMES Filmes possuindo um site pr\u00f3prio, facilitar o acesso aos produtos de voc\u00eas atrav\u00e9s de sites como o da Classicline, Vers\u00e1til, Obras Primas do Cinema, FAMDvD, The Originals, dentre outros, significa muito para o cliente e para essa transpar\u00eancia necess\u00e1ria ao mercado.<\/strong><br \/>\u00c9 verdade. A gente sabe disso. \u00c9 importante ter as duas frentes. Tanto ter o nosso site, como uma apresenta\u00e7\u00e3o institucional dos nossos produtos, quanto ter os parceiros. A pessoa quer comprar o \u201cGuerra e Paz\u201d, mas quer, tamb\u00e9m, um \u201cDe Palma Essencial\u201d l\u00e1 na Vers\u00e1til, quer comprar o \u201cKing Kong\u201d na Obras Primas, por exemplo. Isso \u00e9 sempre mais atraente para o colecionador. \u00c9 como eu te falei: a gente entende a especificidade do nosso trabalho. Em rela\u00e7\u00e3o ao nosso site, as vendas que n\u00f3s fizemos direto para o consumidor esse ano t\u00eam sido bem diversificadas em termos do cat\u00e1logo. Tem sa\u00eddo as coisas de pr\u00e9 venda, os \u00faltimos lan\u00e7amentos, mas tem sa\u00eddo bastante os t\u00edtulos do cat\u00e1logo. E isso \u00e9 bom. A gente quer que todo o cat\u00e1logo seja conhecido, que v\u00e1 fortalecendo com todas as pessoas que querem conhecer aqueles trabalhos. Algo bacana que j\u00e1 ouvi de um cliente foi: &#8220;Eu conheci esse filme do diretor tal pelo CPC. Est\u00e1 saindo outro que eu n\u00e3o conhe\u00e7o, mas vou comprar porque gostei do trabalho do cineasta, do trabalho do CPC&#8221;. \u00c9 uma constru\u00e7\u00e3o de um trabalho a longo prazo, mesmo. Essa quest\u00e3o do site, estamos, sim, pensando e trabalhando em melhorias. N\u00e3o s\u00f3 nessa possibilidade de oferecer outras formas de pagamento, oferecer op\u00e7\u00f5es de frete, porque sabemos que nosso frete, pelo nosso volume e ainda em rela\u00e7\u00e3o a outras lojas, \u00e9 alto. Queremos oferecer uma interface melhor para a pessoa navegar. Ter um site mais bonito, mesmo. Ao longo desse ano, a gente vem fazendo trailers de todos os filmes para colocar. Mesmo t\u00edtulos que j\u00e1 lan\u00e7amos h\u00e1 dois, tr\u00eas anos, vamos ter trailers de todos os filmes. Porque, para o nosso trabalho, \u00e9 fundamental que as pessoas que nunca ouviram falar daquele filme consigam assistir um trailer. A pergunta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vendas no site vem ao encontro da quest\u00e3o de que eu ganho, eu tenho mais margem vendendo do meu pr\u00f3prio site. Mas, \u00e9 importante que eu n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o deixe a cadeia toda morrer, mas que ela continue funcionando. Que os parceiros continuem interessados nos meus produtos. Dar essa confian\u00e7a. E, tamb\u00e9m, buscar mais frentes. Porque, n\u00e3o adianta. N\u00e3o tem m\u00e1gica que eu fa\u00e7a que v\u00e1 fazer o meu frete para o Nordeste ficar gr\u00e1tis. Ent\u00e3o, por exemplo, ter os nossos produtos \u00e0 venda l\u00e1 com a Classicline \u00e9 bem importante. Quando entra algu\u00e9m nas redes sociais que \u00e9 do Nordeste, fala sobre comprar um t\u00edtulo e pergunta onde ponde comprar com frete mais acess\u00edvel, eu sempre indico a Classicline. Isso \u00e9 justamente por eles estarem em Fortaleza e podem entregar com um frete mais barato para esse cliente do Nordeste. Tem esse lado, tamb\u00e9m. Eu preciso dar conveni\u00eancia para as pessoas. Oferecer outras op\u00e7\u00f5es junto aos produtos do CPC. Hoje, dentro do modo como o mercado ficou configurado, \u00e9 impratic\u00e1vel que as lojas trabalhem com todos os clientes do mesmo jeito. Ainda mais pelo fato de que eu tenho um produto super espec\u00edfico. Ent\u00e3o, esse cliente que entrou no meu Facebook para falar que o frete para o Nordeste estava caro, eu indiquei a Classicline. E isso \u00e9 uma seguran\u00e7a que eu tamb\u00e9m dou tanto para a Classicline quanto para a pessoa que compra o meu produto l\u00e1. Uma seguran\u00e7a em falar \u00e0 loja Classicline que, quando entra cliente do Nordeste para falar comigo, eu indico a loja porque eu sei que para ele vai ser uma vantagem por conta do frete mais barato. Ent\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 participando da venda o tempo todo. Com muito mais qualidade, inclusive. Tenho que atender cada cliente lojista meu de um jeito especial, diferente. Que bom que esse mercado proporciona isso hoje. Que permita conversar com cada cliente de um jeito diferente. Sen\u00e3o eu n\u00e3o conseguiria botar meu produto na rua. \u00c9 importante, pois tudo dentro do nicho tem que ser customizad\u00edssimo. Na medida do poss\u00edvel, claro. Eu n\u00e3o poderia fazer um \u201cGuerra e Paz\u201d diferente para cada loja. Mas, eu preciso tentar, dentro das minhas possibilidades e do que \u00e9 saud\u00e1vel para a nossa atividade continuar rolando, ver op\u00e7\u00f5es de atendimento diferentes para cada cliente. Como \u00e9 que eu posso atender a Vers\u00e1til de um jeito, a Obras Primas de outro, dentro do que o cara precisa? Como eu falei, nem todos os nossos clientes compram todos os nossos produtos. E isso \u00e9 completamente compreens\u00edvel. O pessoal, \u00e0s vezes, come\u00e7a s\u00f3 nos blu-rays, depois vai abrindo o leque. E isso faz continuar sendo importante manter o nosso site. Porque no site do CPC UMES Filmes tem tudo. Quando vem uma pessoa e quer comprar uma cole\u00e7\u00e3o inteira, ela s\u00f3 vai achar no nosso site. Hoje, eu n\u00e3o tenho o meu portf\u00f3lio completo de produtos em outras lojas, embora tenha loja que tem quase tudo. Mas 100% dos produtos, voc\u00ea s\u00f3 encontra no nosso site. E ele tamb\u00e9m tem uma fun\u00e7\u00e3o de ser informativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s not\u00edcias que est\u00e3o rolando, das mostras que a gente est\u00e1 fazendo. Tem um car\u00e1ter institucional bem importante, j\u00e1 que n\u00f3s n\u00e3o somos especificamente s\u00f3 homevideo. Mas 2020 foi um ano de uma retomada, realmente. Principalmente considerando tudo o que aconteceu com o mercado em 2018 e 2019. Passamos a participar muito mais do segmento na quest\u00e3o da venda de DVDs. N\u00e3o d\u00e1 pra negar que por causa dos dois filmes do Tarkovski que lan\u00e7amos em blu-ray, e, agora, com a vinda do \u201cGuerra e Paz\u201d. Mas achamos \u00f3timo, tamb\u00e9m, que se abram portas para que os nossos outros filmes sejam conhecidos. S\u00e3o um valor fundamental do nosso trabalho. O Fernando (Luiz Alves), da The Originals, por exemplo, ele sempre me pede uma reposi\u00e7\u00e3o, outras unidades de algum t\u00edtulo do nosso cat\u00e1logo que n\u00e3o tenha comprado. Eu passo os filmes, indico alguns que talvez ele n\u00e3o conhe\u00e7a, saliento as import\u00e2ncia dos cineastas, a import\u00e2ncia do filme. A The Originals est\u00e1 com quase todos os meus produtos l\u00e1 no cat\u00e1logo dele. E isso \u00e9 de cada loja, tamb\u00e9m. Tem loja que, primeiro, procura trabalhar com os nossos blu-rays para sentir. Para a gente, o importante \u00e9 ir respeitando e dando subs\u00eddio sobre os filmes. Perceber que o cara precisa para ter confian\u00e7a para ir comprando aos poucos e ir crescendo o nosso cat\u00e1logo dentro das lojas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tiragens dentro de um tipo de cinema que, para o colecionismo, como voc\u00ea mesmo pontuou, \u00e9 um nicho dentro do nicho, com quais os n\u00fameros de tiragem que o CPC UMES Filmes trabalha?<\/strong><br \/>A quest\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o \u00e9 que a gente tem sempre que trabalhar com a menor tiragem poss\u00edvel por sabermos onde estamos pisando. Hoje, as f\u00e1bricas oferecem at\u00e9 tiragens inferiores a mil unidades. At\u00e9 pouco tempo, normalmente sim, s\u00f3 se fabricava a partir de 1000. Nossas tiragens iniciais ficam alguma coisa sempre em torno disso. Estamos estudando alguns filmes mais espec\u00edficos e menos conhecidos para fazer tiragens menores do que mil unidades, uma vez que a <a href=\"http:\/\/www.rimo.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">RiMO<\/a> (N.E. Empresa respons\u00e1vel pela fabrica\u00e7\u00e3o dos discos de blu-ray e DVD) oferece isso. Tiragens de 500 a 700 unidades, por exemplo. Com alguns filmes nossos que t\u00eam mais sa\u00edda, chegamos a fazer novas tiragens. Uma outra coisa fundamental que \u00e9 um diferencial do CPC UMES Filmes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras distribuidoras, vem do prop\u00f3sito da rela\u00e7\u00e3o que a gente tem com o Mosfilm, que \u00e9 muito pr\u00f3xima. Anualmente a gente vai l\u00e1 alinhar as quest\u00f5es para o ano seguinte. Somos recebidos, pelo menos em uma reuni\u00e3o, pelo pr\u00f3prio Karen Shakhnazarov. Ent\u00e3o, assim, por essa rela\u00e7\u00e3o, por tudo que a gente vem cultivando, e pelo prop\u00f3sito de continuar difundindo esse cinema aqui no Brasil, a gente n\u00e3o deixa esgotar nada. Voc\u00ea pode ver que a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o foi o \u201cSolaris\u201d, porque foi uma parceria com a Vers\u00e1til. Estamos voltando com ele agora. Tanto que ele s\u00f3 \u00e9 vendido, pelo acordo que temos com a Vers\u00e1til, na loja Vers\u00e1til e na nossa loja por enquanto. Mas os outros, os demais t\u00edtulos, s\u00e3o lan\u00e7amentos s\u00f3 nossos. N\u00e3o temos a inten\u00e7\u00e3o de deixar esgotar. Fazemos uma nova tiragem de todos os t\u00edtulos que acabam no estoque. Porque, para n\u00f3s, \u00e9 importante que n\u00e3o falte nunca. Mas tem que tomar muito cuidado. \u00d3bvio que nem todos os t\u00edtulos v\u00e3o performar da mesma forma, pela relev\u00e2ncia do t\u00edtulo, pelo ano que sai. Por exemplo, n\u00f3s lan\u00e7amos oito filmes do Karen Shakhnazarov. Ele \u00e9 diretor geral do Mosfilm e um baita cineasta. Ele tem uma aproxima\u00e7\u00e3o forte com o governo da R\u00fassia, com o departamento que seria o Minist\u00e9rio da Cultura de l\u00e1. \u00c9 um cara que fez um cinema ao longo dos anos 80 que \u00e9 incr\u00edvel. Filmes que eram met\u00e1foras do fim da URSS. Como o povo estava passando por aquilo. A perplexidade deles em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quilo. E esses filmes n\u00e3o chegariam aqui no Brasil de outro jeito. Ent\u00e3o, o nosso trabalho \u00e9 muito esse. De equilibrar. De trazer uma coisa que \u00e9 muito conhecida e muito aguardada como o Tarkovski, mas, tamb\u00e9m, trazer filmes de outros diretores, como o \u201c<a href=\"http:\/\/www.cpcumesfilmes.org.br\/prestashop\/home\/21049-estacao-bielorrussia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Esta\u00e7\u00e3o Bielorr\u00fassia<\/a>\u201d, que \u00e9 um dos nossos lan\u00e7amentos. As pessoas n\u00e3o conheciam e todo mundo que assiste nos d\u00e1 um retorno excelente sobre o filme. Destacam sempre a perspectiva diferente que a obra traz sobre os veteranos de guerra. Isso d\u00e1 uma ideia boa do que \u00e9 mais peculiar em rela\u00e7\u00e3o ao nosso trabalho, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras distribuidoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou o primeiro contato com a Mosfilm, na R\u00fassia, ainda em 2014, visando a realiza\u00e7\u00e3o da Mostra aqui no Brasil. Poderia falar um pouco mais sobre essa rela\u00e7\u00e3o com o Mosfilm e seu diretor, o Karen Shakhnazarov?<\/strong><br \/>O CPC UMES Filmes fica muito honrado e, tamb\u00e9m, muito seguro de que a gente est\u00e1 cuidando muito bem desse cinema. Porque, voc\u00ea imagina o Mosfilm, um est\u00fadio de quase 100 anos. Voc\u00ea vai l\u00e1, e encontra um lugar gigantesco. Hoje, ele tem v\u00e1rios pr\u00e9dios. Est\u00e3o construindo mais loca\u00e7\u00f5es, inclusive, porque tem muita grava\u00e7\u00e3o de coisas que n\u00e3o s\u00e3o somente para cinema. Tem publicidade, s\u00e9ries de TV, tamb\u00e9m. O complexo do Mosfilm \u00e9 gigantesco. Voc\u00ea imagina esse colosso e a gente, que tinha um hist\u00f3rico de v\u00e1rias atividades culturais, uma tradi\u00e7\u00e3o importante aqui no Brasil, mas n\u00e3o \u00e9ramos conhecidos. Pelos primeiros contatos, o Mosfilm deve ter se perguntado: &#8220;Quem s\u00e3o esses caras?&#8221; (risos) \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o constru\u00edda ano a ano. E a gente percebe como a seriedade do nosso trabalho reflete, como \u00e9 percebida pelo Mosfilm. \u00c9 tudo muito transparente, muito tranquilo. A gente fala com a pr\u00f3pria diretora de rela\u00e7\u00f5es internacionais l\u00e1. E tem, pelo menos nessa reuni\u00e3o presencial e em outros momentos, contato com o pr\u00f3prio Karen Shakhnazarov. E isso mostra a import\u00e2ncia que ele v\u00ea no que fazemos e o envolvimento que ele quer ter no trabalho. Que ele quer saber o que est\u00e1 rolando. O cara \u00e9 diretor de cinema. O cara \u00e9 um artista. Ele n\u00e3o \u00e9 um burocrata que est\u00e1 l\u00e1, sentado apenas. Ent\u00e3o, isso \u00e9 muito legal. Isso \u00e9 um lado que \u00e9 muit\u00edssimo prazeroso de se ver. A filmografia dele precisa ser muito mais vista, descoberta por quem n\u00e3o conhece, porque faz toda a diferen\u00e7a o Karen Shakhnazarov estar \u00e0 frente do Mosfilm, hoje, e como fomos construindo essa parceria de verdade Isso faz a gente acreditar que ainda vem muita coisa boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com \u201cGuerra e Paz\u201d lan\u00e7ado recentemente, e ap\u00f3s \u2018V\u00e1 e Veja\u201d, \u201cAndrei Rublev\u201d e \u201cStalker\u201d, o CPC UMES Filmes vem crescendo dentro do mercado de lan\u00e7amentos em alta defini\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre esse avan\u00e7ar da empresa em um mercado cuja produ\u00e7\u00e3o mais cara (em rela\u00e7\u00e3o ao DVD) torna mais incerta a frequ\u00eancia de lan\u00e7amentos?<\/strong><br \/>A quest\u00e3o do custo, que inclusive foi muito bem pontuada em lives pelo pessoal tanto da Obras Primas quanto da Vers\u00e1til, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 que o DVD custa X e voc\u00ea vendo por Y; e o blu-ray custa X proporcional e voc\u00ea vende por Y proporcional. \u00c0s vezes, no blu-ray, voc\u00ea espreme o m\u00e1ximo que d\u00e1 o or\u00e7amento. E tem que apertar porque, sen\u00e3o, o blu-ray ficaria car\u00edssimo para vender. O CPC UMES Filme, al\u00e9m dos quatro t\u00edtulos que voc\u00ea citou, trouxe em blu-ray o \u201cAnna Karenina\u201d, do Karen Shakhnazarov, que foi o nosso primeiro t\u00edtulo. Esse foi um projeto maior dentro do nosso trabalho. Foi o primeiro filme que a gente colocou em um circuito comercial de cinema. \u00c9 um filme de 2017. Lan\u00e7amos em junho de 2018. Saiu em parceria com o Ita\u00fa Cinemas, onde ficou em cartaz em S\u00e3o Paulo, Salvador, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e, depois, em alguns outros cinemas menores. Ficamos muito felizes com o resultado. O Karen Shakhnazarov veio para o lan\u00e7amento no Brasil. Tiveram eventos com ele, entrevistas. Foi super legal. Ele visitou alunos, conheceu estudantes, viu rodas de capoeira. Ent\u00e3o, assim, o \u201cAnna Karenina\u201d foi um projeto maior que contemplava um momento importante. Foi filme de 2017 que tem uma qualidade incr\u00edvel. T\u00ednhamos que lan\u00e7\u00e1-lo em blu-ray, tamb\u00e9m. Depois veio o \u201cV\u00e1 e Veja\u201d, que havia passado por uma restaura\u00e7\u00e3o. J\u00e1 t\u00ednhamos lan\u00e7ado o DVD, mas o blu-ray veio ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o. Com o blu-ray, vamos olhando a viabilidade comercial para t\u00edtulos mais fortes. Tarkovski a gente sabe que tem colecionadores, cin\u00e9filos que querem o filmes do diretor em blu-ray. Tanto quanto o fato de j\u00e1 ter sido restaurado ou n\u00e3o. Porque, por exemplo o pessoal fala muito do \u201cDersu Uzala\u201d, s\u00f3 que esse filme, embora a c\u00f3pia dele esteja, a partir da pel\u00edcula original do Mosfilm, com uma qualidade \u00f3tima no DVD, ele n\u00e3o foi restaurado. Ele n\u00e3o passou pelo processo de restaura\u00e7\u00e3o dos outros filmes. \u00c9 uma restaura\u00e7\u00e3o super meticulosa, supervisionada pelo pr\u00f3prio Karen Shakhnazarov. Em Veneza tem aquela mostra separada, dentro do festival, s\u00f3 para filmes restaurados. O \u201cV\u00e1 e Veja\u201d ganhou pr\u00eamio por essa restaura\u00e7\u00e3o. Por isso, o pessoal pergunta muito a raz\u00e3o de lan\u00e7armos alguns e n\u00e3o outros. Esse \u00e9 o principal crit\u00e9rio: a restaura\u00e7\u00e3o. Mesmo assim, alguns filmes acabamos por tomar a decis\u00e3o de lan\u00e7ar somente em DVD. Por causa da quest\u00e3o do custo. Sabemos tamb\u00e9m que nosso p\u00fablico, embora tenham pessoas, hoje, dentro do segmento de colecionador, que s\u00f3 consomem blu-ray, sabemos que essas pessoas querem o filme. A gente que gosta mais desse cinema de arte, ou cinema cult, ou cinema europeu, ou seja qual nome que queiram dar, um cinema que n\u00e3o \u00e9 o de mainstream, atrai o colecionador. O cara quer o filme, ent\u00e3o, ele compra um DVD, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58926\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ve-e-Veja.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"518\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ve-e-Veja.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Ve-e-Veja-300x207.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Verdade. <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/tailan.dutra\/videos\/3277518452317370\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lembro de uma live em que o Fernando Brito<\/a> , curador da Vers\u00e1til Home V\u00eddeo, falou sobre as diferen\u00e7as de qualidade para um DVD atual e um fabricado, por exemplo, no come\u00e7o dos anos 2000.<\/strong><br \/>Sim. Essa foi um coisa bacana que o Fernando Brito falou na live l\u00e1 do MovieBox. Sobre a qualidade dos DVDs recentes. Um DVD que voc\u00ea compra hoje n\u00e3o \u00e9 igual aos DVDs feitos h\u00e1 10, 15 anos. A qualidade dos DVDs de hoje \u00e9 outra coisa. Ficamos impressionados, por exemplo, como ficou a qualidade do DVD do \u201cBalada do Soldado\u201d que a gente lan\u00e7ou. Ficou impressionante. Muito, muito boa a qualidade. Mas tomamos a decis\u00e3o de lan\u00e7ar, por enquanto, s\u00f3 em DVD. S\u00f3 voltando para fechar a quest\u00e3o da pergunta anterior. Basicamente, as dificuldades s\u00e3o essas. \u00c9 a quest\u00e3o de custo. E para volume, tamb\u00e9m. Porque, assim, se eu aumentar o volume, esse custo vai baixando com a f\u00e1brica. Mas, assim, em quanto tempo eu vou conseguir vender esses blu-rays? Esse mercado j\u00e1 tem um tamanho muito restrito hoje. Mais restrito ainda \u00e9 o fato de que a gente trabalha com um cinema muito espec\u00edfico. Temos que tomar bastante cuidado. Temos um segmento que foi caminhando para uma diminui\u00e7\u00e3o de lojas, de distribuidores. As majors se interessando cada vez menos, com exce\u00e7\u00e3o dessas iniciativas dos blu-rays exclusivos e dos filmes que saem em cinema, os blockbusters. Mas, no fabricante, foi acontecendo a mesma coisa. Porque foi enxugando a carteira de clientes. Hoje, eu consigo fazer blu-ray s\u00f3 em uma f\u00e1brica. E imagino que a situa\u00e7\u00e3o das outras distribuidoras seja a mesma. Porque tem uma quest\u00e3o t\u00e9cnica. Para fazer um blu-ray, h\u00e1 mais itens al\u00e9m do que eu pago para a f\u00e1brica pelo custo unit\u00e1rio. O cara fala assim: &#8220;Vou te entregar o disco dentro da embalagem, com arte, com tudo, por tanto&#8221;. Al\u00e9m disso, eu pago uma taxa anual para um \u00f3rg\u00e3o l\u00e1 nos Estados Unidos que \u00e9 referente \u00e0 patente do formato de blu-ray. (N.E. Trata-se da <a href=\"https:\/\/aacsla.com\/what-is-aacs\/how-aacs-works\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Advanced Access Content Systen Licensin Administator<\/a>). Todo mundo paga isso. Al\u00e9m deste valor anual que se paga, tamb\u00e9m \u00e9 embutido um outro valor no custo unit\u00e1rio, que \u00e9 tamb\u00e9m relacionado a essa patente. Ent\u00e3o, assim, isso, em rela\u00e7\u00e3o ao valor pago \u00e0 patente do blu-ray, n\u00e3o tem no DVD, n\u00e9? \u00c9 uma coisa que se agrega ao custo do blu-ray, porque tem essa quest\u00e3o da patente l\u00e1 fora. O stamper do blu-ray, que \u00e9 o disco master, tamb\u00e9m n\u00e3o tem fabrica\u00e7\u00e3o no Brasil. A RiMO, que \u00e9 onde fabricamos, que \u00e9 onde a Vers\u00e1til fabrica, a Obras Primas fabrica, traz de fora do pa\u00eds. Quando vem para o Brasil \u00e9 que se faz a tiragem. Ent\u00e3o, isso da\u00ed j\u00e1 \u00e9 um outro custo. N\u00e3o s\u00f3 pelo fato de que o blu-ray n\u00e3o aconteceu no Brasil como poderia ter acontecido, de uma forma muito melhor, com mais escala, com popularidade, mesmo. Mas por v\u00e1rios fatores. Al\u00e9m disso, tem esse fato do mercado ir encolhendo, que \u00e9 uma quest\u00e3o muito maior, mundial, com a chegada do streaming e outros pontos. Mas a\u00ed restringe, tipo, o que eu tenho para fabricar nessa f\u00e1brica, por esse valor e por aquele valor. Restringe demais. Se eu tivesse duas f\u00e1bricas, teria um melhor equil\u00edbrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou anteriormente acerca da quest\u00e3o das tiragens junto a RiMO. Poderia aprofundar mais essa rela\u00e7\u00e3o dos selos com a \u00fanica empresa a fabricar os lan\u00e7amentos de distribuidoras independentes<\/strong>?<br \/>Al\u00e9m da RiMO, existe tamb\u00e9m o que era anteriormente a Sony DADC (Digital Audio Disc Corporation), que foi comprada aqui no Brasil pela Solutions 2 Go, uma empresa do Canad\u00e1. Hoje, a Solutions 2 Go opera em v\u00e1rios pa\u00edses, e est\u00e1 meio que dominando o mercado da m\u00eddia f\u00edsica, tanto em filmes quanto em videogames. Na Solutions 2 Go, chegamos a ter um primeiro contato quando ainda era Sony DADC para fabricar com eles. Tem uma quest\u00e3o de que, quando mudaram de Sony DADC para Solutions 2 Go, eles tinham uma pend\u00eancia com o exterior. Com esse \u00f3rg\u00e3o das patentes que eu comentei. Eu n\u00e3o consigo fabricar l\u00e1, por exemplo. E a\u00ed, assim, acabou. Est\u00e1 todo mundo fabricando na RiMO. Eu n\u00e3o sei se \u00e9 isso que leva tamb\u00e9m outros distribuidores a s\u00f3 fabricarem na RiMO, mas imagino que sim. Porque n\u00f3s somos todos independentes. Empresas menores que adquirem os direitos l\u00e1 fora e fabricam. Agora, uma major, por exemplo, uma Paramount, uma Universal ou Sony, essa quest\u00e3o da patente j\u00e1 vem de fora, pronta, entendeu? Ent\u00e3o, a Warner, se eu n\u00e3o me engano, tem a fabrica\u00e7\u00e3o com a Solution 2 Go. Agora, n\u00f3s s\u00f3 temos um local para fabricar blu-ray. E DVD, tamb\u00e9m. A\u00ed eu j\u00e1 estou trabalhando em uma f\u00e1brica para fazer o blu-ray, acabo negociando uma condi\u00e7\u00e3o s\u00f3 para todos os nossos produtos. E faz DVD e blu-ray no mesmo local. Fazemos nossos DVDs na RiMO j\u00e1 h\u00e1 bastante tempo. E fizemos nossos discos de blu-ray l\u00e1, tamb\u00e9m. \u00c9 claro que outras empresas que t\u00eam mais volume de venda do que a gente podem ter uma condi\u00e7\u00e3o melhor. Isso a\u00ed \u00e9 de cada neg\u00f3cio. Mas, independente de qual condi\u00e7\u00e3o seja, \u00e9 ruim voc\u00ea ter s\u00f3 uma op\u00e7\u00e3o de fabricante. Voc\u00ea tem qualidade, ok. Isso a\u00ed \u00e9 indiscut\u00edvel. Agora, voc\u00ea n\u00e3o tem margem de negocia\u00e7\u00e3o. &#8220;Ah, eu quero fazer um blu-ray. Esse filme merece um blu-ray. Onde tem para fabricar? Aqui&#8221;. O cara fala que custa tanto e voc\u00ea decide se fabrica ou n\u00e3o. Agora se voc\u00ea tivesse tr\u00eas op\u00e7\u00f5es, por exemplo, voc\u00ea podia escolher por N fatores de qualidade, de entrega mais r\u00e1pida e, tamb\u00e9m, pela quest\u00e3o do pre\u00e7o. \u00c9 isso. Em um mercado que virou nicho, voc\u00ea tem essas restri\u00e7\u00f5es. Onde \u00e9 que eu vou fabricar um blu-ray hoje? S\u00f3 na RiMO? S\u00f3 refor\u00e7ando: em termos de qualidade, n\u00e3o tem o que falar. \u00c9 um \u00f3timo produto. Mas, hoje, por exemplo, aumentou a quantidade de lan\u00e7amentos pra caramba agora nesses \u00faltimos tr\u00eas, quatro meses. E est\u00e1 tudo l\u00e1. Tudo na RiMO sendo fabricado. CPC UMES, Vers\u00e1til, Obras Primas, produto de majores, que eventualmente est\u00e1 fabricando alguma coisa. Ent\u00e3o, tomara que eles d\u00eaem conta desse cronograma todo de um monte de lan\u00e7amento que est\u00e1 entrando para eles. Esperamos que sim. Por enquanto est\u00e1 tudo caminhando bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos diferenciais relacionados o colecionismo de filmes em m\u00eddia f\u00edsica vem dos extras que podem ser disponibilizados como um complemento \u00e0 experi\u00eancia f\u00edlmica. Lembro de uma pessoa que perguntou sobre isso em dos grupos, acerca da raz\u00e3o da aus\u00eancia de extras nos filmes do CPC UMES Filmes. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre isso?<\/strong><br \/>Sim. Na ocasi\u00e3o, eu respondi at\u00e9 salientando que era uma importante pergunta. Porque, normalmente, as pessoas s\u00f3 perguntam se tem ou se n\u00e3o tem. Nunca perguntam o porqu\u00ea de n\u00e3o ter. \u00c9 pelo fato de que n\u00f3s fazemos licenciamento direto com o Mosfilm. Direto com o est\u00fadio. E eles n\u00e3o t\u00eam material extra. Isso n\u00e3o \u00e9, obvio, uma quest\u00e3o que a gente tenha descartado das nossas possibilidades a inclus\u00e3o de extras nos filmes. N\u00f3s ficamos pensando em como conseguir materiais extras que coubessem dentro da viabilidade dos produtos. Mas de forma nenhuma vamos deixar de lan\u00e7ar um produto porque ele n\u00e3o tem extras. Ent\u00e3o, ao mesmo tempo que vamos continuar lan\u00e7ando os filmes, a gente fica pensando como poder\u00edamos ver outra op\u00e7\u00e3o. Eu cheguei a pontuar na resposta sobre os produtos da Criterion. Eles, por exemplo, t\u00eam extras. Nas edi\u00e7\u00f5es deles para \u201cGuerra e Paz\u201d e \u201cAndrei Rublev\u201d t\u00eam extras. Mas \u00e9 um conte\u00fado pr\u00f3prio da Criterion. Ou que eles tenham adquirido com alguma televis\u00e3o ou algum canal que produziu aquele material. Por enquanto, n\u00e3o conseguimos ter acesso. O legal \u00e9 que, nesse dia em que essa pergunta surgiu, surgiu uma outra possibilidade bem trabalhosa que seria, eventualmente, produzir algum conte\u00fado extra tamb\u00e9m por aqui. O Valmir (Fernandes), com a Obras Primas, j\u00e1 fez isso. O Andr\u00e9 (Melo), na Vers\u00e1til, possui est\u00fadio. Ele entrou em contato comigo naquele mesmo dia para falar que disponibilizava de est\u00fadio para a capta\u00e7\u00e3o, caso eu quisesse convidar algum cr\u00edtico para falar sobre algum filme. Tem esse caminho, tamb\u00e9m. At\u00e9 hoje, a gente n\u00e3o conseguiu. Mas n\u00e3o est\u00e1 descartado. Pensamos no assunto com carinho. Mas temos esse outro lado. Eu n\u00e3o vou ficar segurando de colocar o filme no mercado porque ele n\u00e3o tem extras. Entendemos que, para o colecionador, os extras s\u00e3o importantes. Eu coleciono DVD, tamb\u00e9m, h\u00e1 muito tempo. Adoro assistir extras. \u00c9 o que eu te falei. Estar nesse mercado hoje, do tamanho que eles est\u00e1, da forma como ele se configurou, \u00e9 pensar sempre um pouco como o eu consumidor, tamb\u00e9m. E a gente pensa com carinho, embora n\u00e3o tenha conseguido fazer ainda.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58924\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solaris.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"520\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solaris.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/solaris-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Usando uma frase sua, que \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o do selo CPC UMES Filmes no mercado da m\u00eddia f\u00edsica representar um nicho dentro do nicho queria abordar com voc\u00ea a op\u00e7\u00e3o de disponibilizar parte do cat\u00e1logo dos filmes sovi\u00e9ticos e russos em plataformas de streaming. \u00c9 um caminho, tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>Esse ano, por conta das pessoas estarem isoladas (eu nem sei se est\u00e3o ainda. Eu sei que eu estou), houve iniciativas de programa\u00e7\u00e3o gratuitas no YouTube. Come\u00e7amos a fazer por meio de parcerias l\u00e1 com <a href=\"https:\/\/www.umes.org.br\/index.php\/15-noticias\/2376-de-graca-sputnik-brasil-e-cpc-umes-filmes-disponibilizam-o-filme-russo-tigre-branco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o Sputnik Brasil<\/a>, e depois a gente come\u00e7ou esse projeto <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3h5j384\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cinema Russo em Casa<\/a>. At\u00e9 novembro, toda sexta-feira, filmes do nosso cat\u00e1logo ficaram dispon\u00edveis em exibi\u00e7\u00f5es gratuitas a partir das 19h de sexta at\u00e9 \u00e0s 19h de domingo. Como eu te falei, n\u00f3s temos a frente das mostras e uma s\u00e9rie de parcerias. Uma delas, que j\u00e1 tinha rolado ano passado e que ia continuar esse ano, \u00e9 com o circuito SPCine, o \u00f3rg\u00e3o de audiovisual da prefeitura de S\u00e3o Paulo. N\u00f3s \u00edamos ter duas exibi\u00e7\u00f5es por m\u00eas l\u00e1 no centro cultural, com pre\u00e7o popular, R$4\/R$2, mas n\u00e3o aconteceu por causa da pandemia. N\u00f3s acreditamos em todas as frentes. Vai ter uma pessoa que vai comprar DVD, vai ter uma pessoa que vai assistir ao streaming. Hoje, acho que o caminho \u00e9 perceber o tamanho disso. Quantas pessoas v\u00e3o comprar aqueles t\u00edtulos? \u00c9 claro que isso \u00e9 um exerc\u00edcio em cima do que voc\u00ea j\u00e1 vendeu de outros t\u00edtulos. Voc\u00ea n\u00e3o acerta 100% sempre, mas, n\u00e3o adianta tamb\u00e9m a gente estar exclusivamente ligado a esse prop\u00f3sito. H\u00e1 pessoas que n\u00e3o v\u00e3o comprar DVD nunca mais. Temos que entender isso. Agora, o que eu fa\u00e7o para quem continua comprando m\u00eddia f\u00edsica? Como \u00e9 que eu apresento meu produto? Como \u00e9 que eu melhoro meu produto? Onde eu tenho que bot\u00e1-lo pra vender? Esse \u00e9 um ponto. Agora, n\u00e3o deixamos de pensar em outras iniciativas. O <a href=\"https:\/\/www.belasartesalacarte.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Belas Artes \u00e0 La Carte<\/a>, por exemplo, tem filmes sovi\u00e9ticos e russos no cat\u00e1logo. Essa negocia\u00e7\u00e3o deles foi conosco. Eu acredito que as frentes v\u00e3o conviver. N\u00e3o sei como ser\u00e1 a hist\u00f3ria com as salas de cinema, que \u00e9 um dos grandes assuntos desse ano. O que aconteceu com o lan\u00e7amento de \u201cMulan\u201d, por exemplo. As perguntas eram como \u00e9 que seria visto, se ia entrar no streaming, se tinha que pagar \u00e0 parte. Diversas pessoas baixando o filme no mundo inteiro. Mas, a gente acredita que essas frentes v\u00e3o conviver e queremos que continue existindo essa viabilidade, pois n\u00e3o queremos parar de fazer m\u00eddia f\u00edsica. Mas olhamos sempre para o streaming e para outras frentes, tamb\u00e9m. Os filmes do Tarkovski, por exemplo, que lan\u00e7amos este ano, tiveram venda excelente em blu-ray. Ambos est\u00e3o dispon\u00edveis em streaming. E no Belas Artes \u00e0 La Carte est\u00e1 desde o ano passado. N\u00f3s continuamos acreditando na m\u00eddia f\u00edsica, mas, pelo prop\u00f3sito de difus\u00e3o do cinema sovi\u00e9tico, acreditamos que temos que estar em outras frentes, tamb\u00e9m. Claro que isso precisa ser muito bem pensado. N\u00e3o \u00e9 tudo quanto \u00e9 streaming. O \u201cAnna Karenina\u201d, como eu te falei, como \u00e9 um projeto l\u00e1 de tr\u00e1s e que lan\u00e7amos em blu-ray pouco tempo depois que ele saiu do cinema. Hoje, ele est\u00e1 no Now, da Net. A pessoa pode alugar o filme por l\u00e1 tamb\u00e9m. Como eu disse, n\u00f3s acreditamos em todas as frentes. E eu entendo que seja mais natural que a gente trabalhe assim porque o nosso come\u00e7o j\u00e1 \u00e9 olhando para outras possibilidades de difus\u00e3o do cinema sovi\u00e9tico. A nossa mostra foi gratuita por muito tempo. Mostras de Cinema, parcerias de exibi\u00e7\u00e3o, por exemplo, s\u00e3o buscas nossas. Isso em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s demais empresas do mercado que t\u00eam essa outra caracter\u00edstica de serem de homevideo desde que nasceram. Isso \u00e9 uma peculiaridade do CPC UMES Filmes, tamb\u00e9m. Mas procuramos tamb\u00e9m proteger a m\u00eddia f\u00edsica. Lan\u00e7amos o \u201cGuerra e Paz\u201d em blu-ray, e n\u00e3o pretendemos lan\u00e7\u00e1-lo por agora em streaming. As pessoas est\u00e3o acabando de comprar. As lojas est\u00e3o investindo, divulgando o produto. Ent\u00e3o, n\u00f3s procuramos ter esse cuidado. N\u00e3o \u00e9 algo de qualquer jeito, colocando no streaming, ou em qualquer outro canal. N\u00f3s entendemos, isso porque, do lado de c\u00e1, somos apaixonados por cinema. Somos tamb\u00e9m colecionadores. Sabemos o impacto disso em uma comunidade de amantes da mesma coisa que a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma das lives realizadas pelo Blog do Jotac\u00ea,, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Is-bV8M7clQ&amp;t=8476s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi longamente discutida a not\u00edcia de que a Disney ia parar de lan\u00e7ar filmes em m\u00eddia f\u00edsica na Am\u00e9rica Latina<\/a>, o que inclui, agora, os filmes da Marvel, da Fox, al\u00e9m das anima\u00e7\u00f5es do est\u00fadio. Foi um debate riqu\u00edssimo por ser poss\u00edvel, al\u00e9m de trazer as opini\u00f5es (passionais e racionais) de colecionadores, tamb\u00e9m abordar os aspectos econ\u00f4micos da decis\u00e3o com a presen\u00e7a de uma economista. Para voc\u00ea, essa decis\u00e3o da Disney pode se tornar um tiro p\u00e9?<\/strong><br \/>A economista Andrea Fil trouxe uma vis\u00e3o muito racional \u00e0 live. Os caras est\u00e3o olhando para a cifra. Em se tratando de Disney, as pessoas estabeleceram uma rela\u00e7\u00e3o muito passional com a marca Disney e seus licenciados, seus produtos. As pessoas amam e querem ter. A hist\u00f3ria do lastro f\u00edsico, das coisas f\u00edsicas, ela j\u00e1 \u00e9 muito mais complexa. \u00c9 outra pauta muito grande. Eu procuro sempre ver os dois lados, porque eu sou muito de coisa f\u00edsica. Eu tenho muito livro, muito DVD, muito CD. Ent\u00e3o, eu sei que a maioria das pessoas n\u00e3o \u00e9 como eu. Mas, nesse sentido, eu acho que pode ser, sim, um tiro no p\u00e9. Isso porque n\u00e3o s\u00f3 pelo fato de ser relacionado ao Brasil, mas porque parece ser uma tend\u00eancia que ela est\u00e1 trazendo para seus filmes no mundo todo. Porque a quest\u00e3o do Brasil \u00e9 a Am\u00e9rica Latina. O Juliano (Vasconcellos, editor do Blog do Jotac\u00ea) at\u00e9 falou na live que tem um cara que \u00e9 um formador de opini\u00e3o l\u00e1 dos Estados Unidos que observou o mesmo movimento rolando l\u00e1. Enquanto isso, voc\u00ea tem outros distribuidores, outros est\u00fadios, trabalhando por uma frente de 4K, que ainda \u00e9 bem segmentado, mas j\u00e1 tem os seus adeptos. A Disney, ent\u00e3o, partiu para esse lado. Eu acho, nesse ponto de vista da Disney, que \u00e9 um tiro no p\u00e9. E do ponto de vista para o nosso mercado, \u00e9 horr\u00edvel quando sai um ator de dentro desse mesmo mercado. Uma presen\u00e7a t\u00e3o importante. N\u00e3o por ser Disney em si, mas pelo tempo que est\u00e1 no mercado. Qualquer uma das majors vai desistindo, o mercado perde for\u00e7a de volume. Porque o trabalho dos independentes \u00e9 um trabalho colossal, mas chega uma hora que ele esbarra em restri\u00e7\u00f5es. Como, por exemplo, aquela brincadeira que o pessoal fez na live sobre cogitar a possibilidade da Vers\u00e1til trazer a Disney. A Disney n\u00e3o licencia coisas pra ningu\u00e9m que n\u00e3o seja ela. Ent\u00e3o, quer dizer que ela n\u00e3o vai trazer mais, mas n\u00e3o pode licenciar para ningu\u00e9m trazer? E a\u00ed? Isso eu acho complicado. Porque, por tr\u00e1s disso tudo, tem o gosto das pessoas por determinadas coisas. Tem gente que n\u00e3o vai, de uma hora para outra, parar de consumir m\u00eddia f\u00edsica, passar a gostar de outros tipos de filme. Se elas gostam, elas v\u00e3o querer os filmes da Disney. Elas querem os blockbusters. E tem gente que gosta de tudo. Ent\u00e3o, quando sai uma presen\u00e7a dessas do mercado, \u00e9, sim, muito ruim.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58920\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Andrei-Rublev.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"553\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Andrei-Rublev.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Andrei-Rublev-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa pauta de levantar em entrevistas um panorama para o mercado da m\u00eddia f\u00edsica no Brasil surgiu a partir de tentativas minhas de contatar assessorias de imprensa dos fabricantes de players para falar acerca da aus\u00eancia de novos aparelhos sendo fabricados no Brasil. A partir da peti\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pedindo essa volta da fabrica\u00e7\u00e3o, criei a pauta, mas al\u00e9m de n\u00e3o ter tido respostas de alguns fabricantes, tamb\u00e9m recebi a op\u00e7\u00e3o de n\u00e3o participar oriundas de marcas como Samsung e LG. No seu ponto de vista, h\u00e1 uma viabilidade desse retorno da fabrica\u00e7\u00e3o no Brasil?<\/strong><br \/>\u00c9 fundamental. Porque qual foi o movimento que foi acontecendo? O n\u00famero das f\u00e1bricas pode ter ido diminuindo ao que elas esperavam por causa dos videogames que tamb\u00e9m funcionam como players de blu-ray. S\u00f3 que, assim, quanto custa em m\u00e9dia um aparelho para rodar filmes em blu-ray e DVD? E quanto custa um videogame? E quem n\u00e3o joga videogame? Ent\u00e3o, voc\u00ea esta preterindo um p\u00fablico. Eu, por acaso, jogo videogame, tamb\u00e9m. Trabalhei muitos anos com videogame. Eu tenho um aparelho de videogame, inclusive. Mas j\u00e1 \u00e9 um esfor\u00e7o enorme, que j\u00e1 vem de anos e entrando em d\u00e9cadas, voc\u00ea trazer para um p\u00fablico mais velho a ideia de migrar do DVD para o blu-ray. Imagina para um cara que tem que comprar um videogame de R$2000 para poder rodar os filmes. \u00c9 triste pelo o que voc\u00ea mesmo relatou e pelo a gente viu nos grupos. H\u00e1 um descaso, um desinteresse. \u00c9 o que acontece quando a gente fica nas m\u00e3os de poucos. Ent\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 restrito a dois ou tr\u00eas fabricantes que n\u00e3o est\u00e3o interessados em fazer. Est\u00e3o olhando para frente. A televis\u00e3o vai seguir, TV 4K, TVs mais modernas, e o aparelho n\u00e3o vai seguir essa evolu\u00e7\u00e3o porque o cara s\u00f3 est\u00e1 interessado em streaming e streaming. Final de semana aqui, por exemplo, eu fiquei quase cinco horas sem internet. E a\u00ed eu estava tranquilo. Pude ver meus DVDs. Meu filho aprendeu muito comigo. Usa a internet, acessa o YouTube, mas tem os DVDs dele, tem jogo de videogame em formato f\u00edsico. E a\u00ed a gente fica brincando: e o dia que vier a tempestade solar e acabar com toda a internet do mundo? S\u00f3 vai sobrar m\u00eddia f\u00edsica para a gente assistir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Observando um ano como o de 2020 com tantos lan\u00e7amentos em m\u00eddia f\u00edsica, um n\u00famero imenso de pessoas em redes mantendo contato com distribuidores, esgotando estoques, eu me pergunto se os fabricantes n\u00e3o percebem a oportunidade \u00fanica de retorno se investirem em uma tiragem de aparelhos de blu-ray.<\/strong><br \/>Realmente, acaba sendo triste ver esse n\u00e3o retorno. Mas se voc\u00ea ver tamb\u00e9m um outro movimento que eu acho interessante, que o do colecionador como formador de opini\u00e3o. Observe que de cinco anos atr\u00e1s para hoje, \u00e9 muito mais ativo. O mercado, os fornecedores e distribuidores que ficaram s\u00e3o muito mais receptivos. O \u201c<a href=\"https:\/\/www.classicline.com.br\/edicoes-especiais\/digipacks\/box-codigo-nolan.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">C\u00f3digo Nolan<\/a>\u201d, da Classicline, foi um produto constru\u00eddo muito pelas sugest\u00f5es da comunidade falando sobre como estava, como n\u00e3o estava, o que seria legal ter no produto, o que n\u00e3o seria. E o distribuidor, a Classicline, ouvindo (N.E. Entrevista realizada no come\u00e7o de setembro, antes do lan\u00e7amento do produto da Classicline). Ent\u00e3o, tamb\u00e9m vejo esse movimento. Porque o que eu tenho percebido, na quest\u00e3o desse mercado, e como eu trabalhei muito tempo com isso l\u00e1 na Livraria Cultura (o auge do que era DVD era 2008, 2009) muita gente que est\u00e1 colecionando, hoje, e que compra m\u00eddia f\u00edsica, n\u00e3o comprava naquela \u00e9poca. Ou era mais jovem. E muita gente, tamb\u00e9m, est\u00e1 fora do que \u00e9, digamos, o eixo Rio-SP. O que eu vejo de colecionadores de outros lugares do Brasil, a quantidade \u00e9 imensa. Muita gente do interior, muita gente do Nordeste. Isso \u00e9 um movimento, tamb\u00e9m, que for\u00e7a uma coisa relacionada ao frete. Que \u00e9 a gente achar outras alternativas em rela\u00e7\u00e3o ao frete. E n\u00e3o s\u00f3 para isso. \u00c9 um exemplo de que temos que achar outras alternativas em rela\u00e7\u00e3o aos produtos. De quem sai e de quem vai continuar no mercado. Essas empresas precisam pensar em possibilidades diferentes. Quem sabe os fabricantes de players tamb\u00e9m n\u00e3o vejam isso em algum momento? \u00c9 esperan\u00e7a que a gente tem que ter.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58925\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/stalker.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"643\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/stalker.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/stalker-300x257.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><strong>Panorama do Mercado Cin\u00e9filo de M\u00eddia F\u00edsica em 2020 no Brasil<\/strong><br \/>01)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/05\/entrevista-fabio-martins-famdvd-especial-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">F\u00e1bio Martins \u2013 Loja FAMDv<\/a><br \/>02)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/06\/entrevista-fernando-alves-the-originals-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Luiz Alves \u2013 Loja The Originals<\/a><br \/>03)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/07\/entrevista-classicline-1films-e-video-perola-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Classicline, 1Films e V\u00eddeo P\u00e9rola<\/a><br \/>04)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/08\/entrevista-valmir-fernandes-obras-primas-do-cinema-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Valmir Fernandes (Obras Primas do Cinema)<\/a><br \/>05)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/09\/entrevista-igor-oliveira-cpc-umes-filmes-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Igor Oliveira (CPC UMES Filmes)<\/a><br \/>06)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/10\/entrevista-daniel-herculano-clube-box-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Daniel Herculano (Clube Box)<\/a><br \/>07)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/11\/entrevista-gleisson-dias-clube-rosebud-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gleisson Dias (Rosebud Club)<\/a><br \/>08)\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/12\/entrevista-andre-melo-e-fernando-brito-versatil-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Andr\u00e9 Melo e Fernando Brito (Vers\u00e1til)<\/a><br \/>09) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/13\/entrevista-juliano-vasconcellos-e-celso-menezes-blog-do-jotace-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\">Juliano Vasconcellos e Celso Menezes (Blog do Jotac\u00ea)<\/a><\/p>\n<\/div>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Selo focado no lan\u00e7amento do cinema sovi\u00e9tico e russo no Brasil j\u00e1 trouxe obras marcantes e agora adentra o territ\u00f3rio do bluray com lan\u00e7amentos exclusivos. &#8220;Vai ter uma pessoa que vai comprar DVD, vai ter uma pessoa que vai assistir ao streaming. Hoje, acho que o caminho \u00e9 perceber o tamanho disso&#8221;, comenta Igor.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/09\/entrevista-igor-oliveira-cpc-umes-filmes-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":58923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[5005,5004,4993],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58916"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58916"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58916\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59054,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58916\/revisions\/59054"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58923"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}