{"id":5878,"date":"2010-09-16T07:35:32","date_gmt":"2010-09-16T10:35:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5878"},"modified":"2020-11-17T04:27:44","modified_gmt":"2020-11-17T07:27:44","slug":"musica-the-boatmans-call-nick-cave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/16\/musica-the-boatmans-call-nick-cave\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: &#8220;The Boatman&#8217;s Call&#8221;, Nick Cave"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-5880\" title=\"theboatmans\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboatmans.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"499\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboatmans.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboatmans-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/theboatmans-300x299.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>ESSE VOC\u00ca PRECISA OUVIR<br \/>\n&#8220;The Boatman&#8217;s Call&#8221;, Nick Cave &amp; The Bad Seeds<br \/>\npor Andr\u00e9 Pagnossim<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando morou no Brasil, durante o per\u00edodo de 1989 a 1993, Nicholas Edward Cave entusiasmou-se com a tardia descoberta de uma palavra da l\u00edngua portuguesa, a \u00fanica no mundo, que definia um sentimento que atormenta a ra\u00e7a humana h\u00e1 incont\u00e1veis anos. Tal sentimento expressa uma indiz\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de triste lembran\u00e7a por algo que est\u00e1 longe de nosso alcance.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta palavra \u00e9 &#8220;saudade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No disco que gravou naquela \u00e9poca em nosso pa\u00eds, &#8220;The Good Son&#8221;, Cave tentou passar em suas can\u00e7\u00f5es tal sentimento. O resultado foi o disco mais intimista de Cave at\u00e9 ent\u00e3o, pois, despido de suas &#8220;m\u00e1scaras&#8221; (leia-se os personagens e alter-egos de seus discos anteriores), o artista p\u00f4de cuspir para fora todas suas ang\u00fastias de forma mais calma e serena, com um clima de esperan\u00e7a no ar. Enfim, como a saudade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s dar ao mundo em 1996 um disco banhado em sangue, &#8220;Murder Ballads&#8221;, Nick Cave sofreu um baque. Sua musa e amante \u00e0 \u00e9poca, a tamb\u00e9m artista P.J. Harvey, abandonou-o. Sufocado novamente com a saudade, aquela nova defini\u00e7\u00e3o para um sentimento que persegue a humanidade h\u00e1 incont\u00e1veis eras, Cave sentou-se ao piano para comp\u00f4r aquele que seria, para muitos, a obra-prima de sua carreira com os Bad Seeds: &#8220;The Boatman\u2019s Call&#8221;, de 1997, uma compila\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es tristes, muito tristes, sobre o sentimento da perda, da solid\u00e3o e&#8230; do amor. Cave j\u00e1 disse uma vez que todas as suas can\u00e7\u00f5es s\u00e3o can\u00e7\u00f5es de amor, mesmo as mais absurdamente violentas. E quem somos n\u00f3s para discordar?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;The Boatman\u2019s Call&#8221; \u00e9 nada mais nada menos que um enorme manifesto de um homem atormentado com o mundo que o cerca. Um homem que canta sobre uma amante que se foi, sobre a maldade no cora\u00e7\u00e3o das pessoas, sobre o Deus que est\u00e1 sempre a seu lado, mesmo nos momentos em que n\u00e3o &#8216;O&#8217; reconhe\u00e7a. Um \u00e1lbum negro com letras impressas em vermelho. Melancolia e saudade. Saudade na capa: o artista sozinho, olhando fixamente para o lado, num triste preto-e-branco (cortesia de Anton Corjbin, renomado fot\u00f3grafo e diretor de clipe que j\u00e1 trabalhou com artistas como U2 e Depeche Mode).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saudade no t\u00edtulo: &#8220;O Chamado do Barqueiro&#8221;. O Barqueiro, figura solit\u00e1ria, que leva as pessoas at\u00e9 seus destinos, remando quase automaticamente seu ve\u00edculo por toda uma vida, por \u00e1guas calmas e escuras. O Barqueiro que nos chama para levar-nos para lugar nenhum, lugar que temos esperan\u00e7a em encontrar aquilo que procuramos, aquilo pelo qual temos este terr\u00edvel sentimento de lembran\u00e7a por estar longe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saudade na m\u00fasica: nunca em qualquer outro disco a voz de Cave foi t\u00e3o serena. Esque\u00e7a os berros de &#8220;From Her to Eternity&#8221;, nada mais de uivos de &#8220;Henry\u2019s Dream&#8221;. Cantando em tom grave e quase sussurado, Nick Cave \u00e9 embalado por um Bad Seeds igualmente l\u00edrico em seus instrumentos. Piano, baixo e violino marcando quase todas as m\u00fasicas. Uma guitarra que em quase nada lembra o Blixa Bargeld de anos atr\u00e1s, e uma bateria tocada com vassoura quase silenciosa, transformando a batida outrora pesada da caixa e prato de condu\u00e7\u00e3o em veludo. Vagarosamente, nossos ouvidos v\u00e3o sendo preenchidos por uma, duas, tr\u00eas, doze obras-primas da m\u00fasica contempor\u00e2nea, num mundo pop mtv\u00edstico t\u00e3o pl\u00e1stico que, ao ouvirmos tal disco, temos a alma completamente lavada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Barqueiro do t\u00edtulo j\u00e1 \u00e9 citado na can\u00e7\u00e3o &#8220;Lime Tree Arbour&#8221;, um arrepiante poema sobre o amor entre um homem e uma mulher. Tema t\u00e3o banal, n\u00e3o? Por\u00e9m, como n\u00e3o cair de quatro diante de versos como &#8220;Through every breath that I breath and every place I go\/There is a hand that protects me, and I do love her so&#8221;. Cave, com sua voz grav\u00edssima e seu \u00f3rg\u00e3o Hammond, acompanha os Bad Seeds nessa l\u00edrica jornada de um casal em comunh\u00e3o com a Natureza, e vice-versa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;People Ain\u2019t No Good&#8221; poderia muito bem ser classificada em alguma lista das &#8220;m\u00fasicas mais tristes de todos os tempos&#8221;. A revolta de Cave contra a maldade no mundo aqui \u00e9 relativamente branda, pois trata-se de uma revolta contraposta a um sentimento de nostalgia (ou saudade). &#8220;The sun would stream on the sheets\/Awoken by the morning birds\/We\u2019d buy the sunday newspaper\/And never read a single word&#8221;, canta Cave, logo antes de chorar que as pessoas n\u00e3o s\u00e3o boas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre a espiritualidade e o amor por uma mulher n\u00e3o \u00e9 novidade na obra de Cave, mas ela toma forma total em &#8220;Brompton Oratory&#8221;, com as evoca\u00e7\u00f5es da amada sendo comparada \u00e0 vida de Cristo e dos Santos. Cave, ao olhar para as est\u00e1tuas de pedra dos Ap\u00f3stolos, comete um dos versos mais maravilhosos j\u00e1 escritos: &#8220;And I wish that I was made of stone\/So that I would not have to see\/A beauty impossible do describe\/A beauty impossible to believe&#8221;. Termina a declara\u00e7\u00e3o de amor; amor n\u00e3o, depend\u00eancia de alma \u00e0 amada, dizendo que nenhum Deus e nenhum Diabo poderiam fazer o que tal mulher lhe fez: lev\u00e1-lo a ajoelhar-se ao ch\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus e espiritualidade s\u00e3o temas recorrentes \u00e0s can\u00e7\u00f5es de Cave desde os velhos tempos do Birthday Party. Mas se nas can\u00e7\u00f5es dessa banda seminal ao p\u00f3s-punk, Cave era quase totalmente ligado ao Velho Testamento, com suas pragas, cat\u00e1strofes e matan\u00e7as desenfreadas, hoje ele prefere basear-se na serenidade do Novo Testamento para escrever suas letras. &#8220;There is a Kingdom&#8221;, quinta faixa do disco, poderia muito bem ser um hino religioso de alguma igreja pentecostal. Esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 um voto de amor de Cave a&#8230; Deus. Mas com um mar de diferen\u00e7a com a pieguice geral das m\u00fasicas &#8220;gospel&#8221; feitas hoje em dia, que mais parecem serm\u00f5es pobremente musicados que qualquer outra coisa. &#8220;There is a Kingdom&#8221; \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o t\u00e3o triste e bela que sua introdu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma refer\u00eancia quase expl\u00edcita a &#8220;Perfect Day&#8221;, de Lou Reed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;(Are You) The One That I\u2019ve Been Waiting For?&#8221; trata daquela sensa\u00e7\u00e3o visceral &#8211; que todos passamos v\u00e1rias vezes durante a vida &#8211; de acabar de descobrir (ou pensar que descobriu, o que \u00e9 sempre mais prov\u00e1vel) a pessoa certa. Acompanhado por um arranjo devastador, Cave sussurra palavras igualmente devastadoras, questionando no t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o uma realidade que j\u00e1 \u00e9 certa. Tal letra traduz com exatid\u00e3o uma declara\u00e7\u00e3o de Cave onde ele dizia que, logo que come\u00e7a um relacionamento, ele tem em mente que isso n\u00e3o durar\u00e1 por muito tempo. Em certo momento da m\u00fasica, Cave compara o Amor aos astros no c\u00e9u: &#8220;The stars will explode in the sky\/But they don\u2019t, do they?\/Stars have their moment, and then they die&#8221;. E conclui com uma reflex\u00e3o sobre o final de um relacionamento, que mesmo sendo extremamente desgastante e deprimente, nos ensina algo: &#8220;Of sorrow entire worlds have been build&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Where Do We Go Now But Nowhere?&#8221; traz lembran\u00e7as passadas ao lado de uma mulher, lembran\u00e7as essas pouco agrad\u00e1veis, por\u00e9m, extremamente necess\u00e1rias para se levar adiante um relacionamento que termina com a morte da amada. Atrav\u00e9s de versos muita vezes surreais que contam epis\u00f3dios de tal relacionamento, Cave termina o relato com as palavras &#8220;If I could relive one day of my life\/If I could relive just a single one\/You on the balcony, my future wife\/O who could have known, but no one?&#8221;. E repete v\u00e1rias vezes o m\u00f3rbido refr\u00e3o: &#8220;O wake up, my love, my lover, wake up&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;West Country Girl&#8221; fala de uma mulher, como diz o t\u00edtulo, vinda da regi\u00e3o oeste do pa\u00eds, cuja beleza destro\u00e7a imediatamente o cora\u00e7\u00e3o do narrador, levando-o \u00e0 obsess\u00e3o. Uma can\u00e7\u00e3o de letra muito descritiva, concebendo \u00e0 mulher amada um &#8220;corpo divino com suas quatorze esta\u00e7\u00f5es&#8221;, e termina com outro verso fant\u00e1stico de Cave: &#8220;Well, who could ask much more than that?\/A West Country Girl with a big fat cat\/That looks into her eyes of green\/And meows, &#8220;He loves you&#8221;, then meows again&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Black Hair&#8221; \u00e9 um manifesto l\u00edrico a um grande amor que foi embora de trem (&#8220;Today she took a train to the west&#8221;). Cave descreve o f\u00edsico e o psicol\u00f3gico da amada de forma apaixonada e sempre relacionando-os com seus cabelos negros: &#8220;And all her mystery dwelled within her black hair\/And her black hair framed a happy heart-shaped face&#8221;. Alus\u00e3o expl\u00edcita \u00e0 cor dos cabelos de Polly Jean Harvey. O instrumental da can\u00e7\u00e3o \u00e9 muito simples e bel\u00edssimo: apenas um \u00f3rg\u00e3o por Cave e um acordeon por Warren Ellis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estilha\u00e7os de &#8220;Murder Ballads&#8221; s\u00e3o encontrados na d\u00e9cima can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, &#8220;Idiot Prayer&#8221;. \u00c9 a hist\u00f3ria de um homem que est\u00e1 morrendo, e ele n\u00e3o sabe se encontrar\u00e1 seu antigo amor, j\u00e1 falecido, no C\u00e9u ou no Inferno. Muita ironia cerca a letra, como no verso &#8220;Is Heaven just for victims, dear?\/Where only those in pain go?&#8221; ou ent\u00e3o \u201cIf you\u2019re in Heaven then you\u2019ll forgive me dear\/\u2019Cos that\u2019s what they do up there\/But if you\u2019re in Hell, then what can I say?\/You probably deserved it anyway\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Far From Me&#8221; \u00e9 a que leva a autobiografia do disco \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias, pois \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o cujo processo de escrita acompanhou todas as etapas de seu relacionamento com a mulher em quest\u00e3o. Cave escreveu seus primeiros versos justamente no in\u00edcio do relacionamento, onde tudo era belo e florido. Conforme o relacionamento foi se desgastando, os versos seguintes iam tornando-se pessimistas e pungentes, at\u00e9 explodirem em melancolia e at\u00e9 cinismo (&#8220;You were my brave-hearted lover\/But at the first taste of trouble went running back to mother&#8221;). Assim, como diz Cave em seu ensaio &#8220;The Secret Life of the Love Song&#8221; (que disseca o processo de composi\u00e7\u00e3o e motivo de exist\u00eancia da can\u00e7\u00e3o de amor), &#8220;Far From Me&#8221; foi uma can\u00e7\u00e3o que ganhou vida pr\u00f3pria e acabou dominando seu pr\u00f3prio autor, direcionando o rumo que sua vida tomava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E por fim, a primeira can\u00e7\u00e3o do disco. Nick Hornby, autor de &#8220;Alta Fidelidade&#8221;, numa genial cr\u00edtica ao disco de Nick Cave and The Bad Seeds, &#8220;No More Shall We Part&#8221; (link no final), comenta que &#8220;The Boatman\u2019s Call&#8221; j\u00e1 \u00e9, em seu primeiro verso, diferente de tudo o que \u00e9 produzido atualmente na m\u00fasica popular. Ele fala sobre a can\u00e7\u00e3o &#8220;Into My Arms&#8221;, e do verso &#8220;I don\u2019t believe in an interventionist God&#8221;. Hornby justifica seu coment\u00e1rio dizendo que, na m\u00fasica contempor\u00e2nea popular, Deus \u00e9 tratado superficialmente, em versos como &#8220;Fuck God&#8221; ou &#8220;God, I love that chick!&#8221;. Para a m\u00fasica de Nick Cave, nada \u00e9 t\u00e3o simples assim. Ao abrir &#8220;The Boatman\u2019s Call&#8221; com esse verso, &#8220;I don\u2019t believe in an intenvertionist God\/But I know darling that you do\/But if I did I would kneel down and ask Him\/Not to intervene when it came to you&#8221;, nos \u00e9 dada mais uma vez a prova definitiva de que Nick Cave \u00e9 um dos grandes letristas da m\u00fasica, podendo facilmente ser posto ao lado de Bob Dylan, Leonard Cohen e tantos outros que t\u00eam esse rar\u00edssimo poder de fazer o ouvinte refletir sobre o fato de que um dos motivos da vida valer a pena \u00e9 o simples fato de existir m\u00fasica assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto publicado no Scream &amp; Yell originalmente em 28\/08\/2005<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5881\" title=\"nick_singles\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/09\/nick_singles.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Discografia de Nick Cave comentada, por Leonardo Vinhas (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/secoes\/nickacvediscografia.htm\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;Doce Mis\u00e9ria &#8211; A suaviza\u00e7\u00e3o de Nick Cave&#8221;, por Nick Hornby (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musica\/nomoreshall.html\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Andr\u00e9 Pagnossim\nAp\u00f3s dar ao mundo em 1996 um disco banhado em sangue, Cave sofreu um baque. Sua musa, PJ Harvey, abandonou-o.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/09\/16\/musica-the-boatmans-call-nick-cave\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4782,4854,350],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5878"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5878"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5878\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57871,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5878\/revisions\/57871"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5878"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5878"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5878"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}