{"id":58749,"date":"2020-11-25T00:24:33","date_gmt":"2020-11-25T03:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58749"},"modified":"2022-06-17T19:34:44","modified_gmt":"2022-06-17T22:34:44","slug":"entrevista-selma-uamusse-fala-do-belissimo-disco-liwoningo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/25\/entrevista-selma-uamusse-fala-do-belissimo-disco-liwoningo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Selma Uamusse fala do bel\u00edssimo disco \u201cLiwoningo\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica fez sempre parte do percurso de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/SelmaUamusse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Selma Uamusse<\/a>. Interessada desde a inf\u00e2ncia por r\u00e1dio, discos e as fitas k7 que escutava em casa (a televis\u00e3o chegaria mais tarde), Selma seria tamb\u00e9m influenciada pelo pai (que fazia parte de um grupo de canto e dan\u00e7a) e pela m\u00e3e (foi diretora de um museu de arte). Como mo\u00e7ambicana, absorveu igualmente elementos musicais ligados \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es do seu pa\u00eds. Em 1999, aos 18 anos, ap\u00f3s receber diversos elogios \u00e0 sua voz, Selma Uamusse aceitou o convite para integrar um grupo coral de gospel lisboeta, que lhe proporcionou algumas apari\u00e7\u00f5es na televis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a sua pr\u00e1tica como cantora de gospel, Selma destaca v\u00e1rios aspectos positivos nessa experi\u00eancia: \u201cAprendi muito, porque al\u00e9m da espiritualidade, existe um lado de t\u00e9cnica vocal que \u00e9 bastante completo. Havia ali uma grande riqueza que depois me transportou para outros universos musicais\u201d, conta. Posteriormente, integrou a banda de rock WrayGunn (de Paulo Furtado aka The Legendary Tigerman), de Coimbra, realizando v\u00e1rios shows e tocando na Fran\u00e7a com regularidade. A visibilidade do projeto possibilitou o estabelecimento de parcerias com Buraka Som Sistema, Cacique \u201997, Rita Redshoes e Rodrigo Le\u00e3o, entre outros. A vontade de desenvolver os seus conhecimentos musicais levou-a a estudar na escola do Hot Clube de Portugal, em Lisboa, e em seguida formou diversos agrupamentos que consolidaram a sua proposta art\u00edstica e incentivaram-na a iniciar uma carreira solo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00e1lbum de estreia, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2NED21oiu6msZHTK26u5YL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mati<\/a>\u201d (2018), embora indiciasse uma procura de identidade musical, j\u00e1 espelhava a qualidade da artista. A voz ora expressiva ora criativa de Selma e o valor das can\u00e7\u00f5es, como o afro gospel \u201cFunkier Than A Mosquito\u00b4s Tweeter\u201d, bem como o bom cruzamento de sonoridades apresentado no disco, mostravam que ela poderia atingir um grau mais elevado, futuramente. \u201cA minha m\u00fasica tem um ponto de partida mo\u00e7ambicano, mas tenta chegar a mais lugares e re\u00fane v\u00e1rias camadas. Eu utilizo a guitarra el\u00e9trica como se estivesse numa banda de rock, gosto de introduzir os coros que v\u00eam da minha escola do gospel e incluo diversos registros vocais ligados ao jazz. Ao n\u00edvel do palco e da express\u00e3o uso elementos que aprendi no afrobeat\u201d, explica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58752\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/liwoningo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"680\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/liwoningo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/liwoningo-300x272.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/09JlnmhiFIvlFfxKGtFfmL\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Liwoningo<\/a>\u201d (2020), o disco mais recente de Selma Uamusse (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/23\/tres-discos-noiserv-samuel-uria-selma-uamusse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">leia resenha no Scream &amp; Yell<\/a>), come\u00e7ou a ser gravado em Julho de 2018 numa resid\u00eancia art\u00edstica com o produtor brasileiro Guilherme Kastrup (que produziu o \u00e1lbum \u201cA Mulher do Fim do Mundo\u201d, de Elza Soares, entre outros), na qual os m\u00fasicos gravaram todos ao mesmo tempo. O trabalho seria desenvolvido ao longo de 2019 e foi conclu\u00eddo, com as grava\u00e7\u00f5es das vozes, em finais de novembro daquele ano. Globalmente, o disco revela maior amplitude sonora e Selma exibe uma confian\u00e7a interpretativa que se manifesta em faixas como \u201cNo Guns\u201d ou \u201cMbilo\u201d. Abordando o processo de grava\u00e7\u00e3o, Selma Uamusse recorda os objetivos tra\u00e7ados com Kastrup e o ambiente agrad\u00e1vel que rodeou as sess\u00f5es. \u201cEu e o Guilherme quer\u00edamos alcan\u00e7ar um patamar novo com o \u2018Liwoningo\u2019. Sinto que vivi um sonho meio tropicalista e enquanto fizemos o \u00e1lbum apareceram as maiores figuras da m\u00fasica para escutar as can\u00e7\u00f5es, tocar, cantar ou dar sugest\u00f5es e isso \u00e9 o sonho de qualquer m\u00fasico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa diversidade de m\u00fasicos participantes \u00e9 outra das caracter\u00edsticas de \u201cLiwoningo\u201d, incluindo os brasileiros Bixiga 70, um quarteto de cordas, o mo\u00e7ambicano Chenny Wa Gune e o corista Mbye Ebrima, da G\u00e2mbia, entre outros. O processo de sele\u00e7\u00e3o das colabora\u00e7\u00f5es, feito em concord\u00e2ncia com Guilherme Kastrup, elevou a m\u00fasica e garantiu um espectro sonoro adequado \u00e0s can\u00e7\u00f5es. Embora estejam em discos diferentes, os temas \u201cMalian\u201d e \u201cHoyo Hoyo\u201d aproximam-se do experimentalismo, da viagem sonora e s\u00e3o representativas das prefer\u00eancias de Selma Uamusse. \u201cEsses conceitos agradam-me muito. Eu n\u00e3o sou uma compositora de refr\u00e3os, das can\u00e7\u00f5es e repeti\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m o fa\u00e7o. Gosto de coisas meio desrepetidas que come\u00e7am num lugar e acabam noutro. Se eu pudesse compunha as m\u00fasicas todas assim\u201d, revela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de cantar, Selma tamb\u00e9m \u00e9 atriz e tem recebido v\u00e1rios convites para participar em pe\u00e7as de teatro, normalmente associadas \u00e0 m\u00fasica, mas sente mais prazer na interpreta\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es do que na representa\u00e7\u00e3o teatral. \u201cVejo-me a dinamizar programas culturais porque agrada-me conversar e debater, mas o meu palco \u00e9 mesmo a m\u00fasica\u201d, explica. Relativamente aos objetivos futuros, a cantora salienta a sua proximidade com a consci\u00eancia clim\u00e1tica, uma plataforma para promover a justi\u00e7a social e pretende expandir o seu leque de colabora\u00e7\u00f5es. \u201cSeria \u00f3timo que a minha m\u00fasica nos pr\u00f3ximos anos me permitisse trabalhar numa rede humanit\u00e1ria. Acredito que a conserva\u00e7\u00e3o do planeta ir\u00e1 trazer uma mudan\u00e7a global e positiva na quest\u00e3o das igualdades sociais, nas oportunidades para as mulheres e para quem tenha menos recursos. Al\u00e9m disso, tenciono trabalhar com m\u00fasicos internacionais, que tenham a mesma vontade e des\u00edgnio\u201d, conclui. De Lisboa para o Brasil, Selma Uamusse conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"No Guns - Selma Uamusse feat. Cheny Wa Gune and Mbye Ebrima\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/y5BIuJ5Vszw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A boa receptividade do seu disco de estreia, \u201cMati\u201d (2018), deu-lhe a possibilidade de se apresentar em quatro continentes e realizar muitos shows. O que recorda de mais marcante nesse per\u00edodo?<\/strong><br \/>\nO poder transformador e de aproxima\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e0 m\u00fasica tornou-se mais evidente. Canto em l\u00ednguas de Mo\u00e7ambique, que a maior parte do p\u00fablico n\u00e3o conhece, mas fa\u00e7o quest\u00e3o de explicar do que se trata a can\u00e7\u00e3o e tocou-me imenso a sensibiliza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, mesmo que a atua\u00e7\u00e3o fosse no Brasil, Estados Unidos, na Pol\u00f3nia ou na Rep\u00fablica Tcheca. A m\u00fasica \u00e9 realmente a linguagem universal e as minhas can\u00e7\u00f5es t\u00eam um car\u00e1ter espiritual, pela forma como eu me exprimo e pelas pr\u00f3prias letras. Sinto que existe uma camada acima da l\u00edngua que toca o cora\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia. Enquanto espectadora de concertos tive sempre esse sentimento, independentemente das m\u00fasicas serem cantadas em polaco ou em outro idioma. Como artista, foi algo que se tornou evidente e palp\u00e1vel. Isso fez-me perceber que a m\u00fasica pode transformar a sociedade, pelo menos no momento em que as coisas est\u00e3o acontecendo, e influir na forma de ser e estar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu novo \u00e1lbum, \u201cLiwoningo\u201d, engloba o esp\u00edrito de fus\u00e3o sonora e a africanidade que caracteriza a sua m\u00fasica. No entanto, a ousadia vocal e a forma confiante como voc\u00ea interpretou as can\u00e7\u00f5es sugerem uma renova\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Concorda?<\/strong><br \/>\nConcordo. Foi um trabalho feito com o Guilherme Kastrup, que \u00e9 um produtor maravilhoso e uma pessoa bastante querida. Ele desafiou-me muito a encontrar uma \u00fanica voz. No \u00e1lbum \u201cMati\u201d (2018) notam-se mais as diferen\u00e7as vocais em determinados pontos e no \u201cLiwoningo\u201d (2020) existe maior seguran\u00e7a interpretativa. Isso n\u00e3o significa que saiba quem sou, porque estamos sempre a recriar-nos. De qualquer modo, eu j\u00e1 estava com menos receios do que no disco anterior, em que as pessoas perguntavam: \u201cO que \u00e9 que ela vai fazer?\u201d. Neste trabalho, tive um apoio fant\u00e1stico do Guilherme para encontrar uma forma t\u00edmbrica que exprimisse essa confian\u00e7a. Trabalhamos durante um ano (pelo menos) e tive de fazer v\u00e1rias grava\u00e7\u00f5es para conseguir a melhor voz. Durante bastante tempo cantei e interpretei can\u00e7\u00f5es de outros artistas. Foi o caso de m\u00fasicas do Rodrigo Le\u00e3o que eu estreei e reproduzi. Tamb\u00e9m interpretei o repert\u00f3rio da Nina Simone e no WrayGunn havia um modo de fazer as coisas muito ligado ao soul. Isso estava muito incutido em mim e se sentisse que a m\u00fasica ia para um lado ou outro a minha voz tamb\u00e9m tomava esse caminho. Agora passou a ser o timbre a determinar as can\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o contr\u00e1rio, e eu sinto maior conforto quando escuto a minha voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Globalmente, o disco aborda a paz, bem como a esperan\u00e7a e a espiritualidade. Estes conceitos sugerem uma mensagem universal. Foi com essa disposi\u00e7\u00e3o que comp\u00f4s os temas?<\/strong><br \/>\nSim. As m\u00fasicas come\u00e7aram a ser compostas em 2018 ou se calhar um pouco antes. Mas os temas est\u00e3o associados a algo que eu via como sintom\u00e1tico da vida e das pessoas (nas quais eu me incluo), pela indiferen\u00e7a perante a dor alheia, por causa dos computadores, da televis\u00e3o, etc. Habituamo-nos, facilmente, a ver o terrorismo, a viol\u00eancia e as mortes em nossas casas. Estas coisas banalizaram-se sem nos incomodarmos nem fazermos alguma coisa relativamente a isso. Quando vemos os raios de luz que emanam de mim (na capa do \u201cLiwoningo\u201d), n\u00e3o significa que eu seja iluminada (risos). Mas, relaciona-se com o potencial que cada um de n\u00f3s tem e do poder, atrav\u00e9s da luz, que possu\u00edmos para transbordar e iluminar lugares de escurid\u00e3o. No meu entender a tem\u00e1tica estava associada ao que eu via no mundo: a falta de preocupa\u00e7\u00e3o com o ambiente, a minha experi\u00eancia pessoal sobre as cheias em Mo\u00e7ambique e as guerras. Costumo falar com amigos que n\u00e3o conhecem os vizinhos, sejam eles de frente, cima ou de baixo do pr\u00e9dio e essa falta de empatia mexe muito comigo. De que vale ser espiritual em benef\u00edcio pr\u00f3prio? O bem-estar s\u00f3 faz sentido se for irradiado para mais pessoas e essa ideia concreta e pr\u00e1tica est\u00e1 presente no \u201cLiwoningo\u201d. Na faixa \u201cNo Guns\u201d, por exemplo, eu aponto o dedo aos governantes, presidentes e a quem dirige o mundo. Por um lado, eu apelo \u00e0 consci\u00eancia dos l\u00edderes. Por outro lado, eu, voc\u00ea e todas as outras pessoas est\u00e3o inclu\u00eddas, porque n\u00f3s tamb\u00e9m temos deveres c\u00edvicos quando votamos ou lemos os programas eleitorais. Somos parte de um movimento de responsabilidade social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diversos m\u00fasicos contam que se sentiram mais ativos e criativos durante o confinamento. Inclui-se nesse grupo?<\/strong><br \/>\nSinto-me obrigada a ser mais ativa e criativa do que numa situa\u00e7\u00e3o normal. Neste momento, tenho cinco can\u00e7\u00f5es que preciso acabar e algumas propostas que me pediram e ainda n\u00e3o pude avan\u00e7ar. No entanto, j\u00e1 realizei v\u00e1rias coisas, inclusive com meu marido (fizemos m\u00fasica que nunca t\u00ednhamos feito juntos). Tem sido um exerc\u00edcio para colmatar toda esta incerteza sobre o que vai acontecer. Acho que \u00e9 tempo de produzir. Pode haver vontade de hibernar e s\u00f3 voltar quando isto tudo terminar mas, a partir do momento em que a pessoa percebe que n\u00e3o resulta, devemos nos adaptar e acabamos por sentir uma urg\u00eancia para fazer v\u00e1rias coisas e compor. Este ano, porque normalmente estou ocupada com os shows e viagens, escrevi e compus muito mais do que em qualquer ano da minha vida. Por isso, acabou por ser um per\u00edodo rent\u00e1vel em termos de composi\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de colabora\u00e7\u00f5es. Eu concretizei algumas parcerias com os Caramelows (Brasil), os They Must Be Crazy (uma banda de afrobeat portuguesa) e o Moullinex (Portugal). Tenho igualmente uma colabora\u00e7\u00e3o com o m\u00fasico J\u00falio Pereira, que ir\u00e1 sair em breve, fiz uma parceria com o saxofonista Jo\u00e3o Cabrita e h\u00e1 mais trabalhos que ser\u00e3o editados dentro de pouco tempo. Est\u00e1 sendo um ano muito f\u00e9rtil ao n\u00edvel de cria\u00e7\u00f5es e escrita de can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A can\u00e7\u00e3o \u201cPote de Cores\u201d, em colabora\u00e7\u00e3o com os brasileiros Caramelows alcan\u00e7ou recentemente a hot list da revista brasileira Rolling Stone e esta publica\u00e7\u00e3o classificou a sua voz como \u201cum espet\u00e1culo\u201d. Considera que estes fatos justificam um investimento maior, da sua parte, no Brasil?<\/strong><br \/>\nEstou investindo no Brasil desde 2017. Tenho um grande desejo de atuar mais no pa\u00eds. Infelizmente, a pandemia interrompeu o percurso de crescimento que eu tenho vindo a fazer no mercado brasileiro. \u00c9 um segmento muito rico, mas torna-se complicado entrar no circuito. No entanto, penso que existem vantagens para al\u00e9m dessa parte da aprecia\u00e7\u00e3o de voz, porque o Brasil tem cantores e cantoras maravilhosas. Penso que n\u00e3o ser\u00e1 por a\u00ed que os brasileiros me ir\u00e3o querer. No entanto, h\u00e1 alguma m\u00edstica pelo fato de eu ser negra, mas africana, de ter um lugar na di\u00e1spora europeia, exibir um lado de fus\u00e3o e conciliar as tradi\u00e7\u00f5es com a urbanidade. Por estas raz\u00f5es, sinto que a espiritualidade e o ativismo, que est\u00e3o presentes na minha m\u00fasica, e a forma como me exprimo t\u00eam cativado o povo brasileiro. Para al\u00e9m disso, a vantagem do elemento feminino e de ser uma mulher negra, que \u00e9 algo importante no contexto brasileiro, criam uma representatividade importante no momento em que estamos vivendo. Fico feliz com o elogio da Rolling Stone, mas trabalhar no Brasil est\u00e1 mais relacionado com a minha hist\u00f3ria e a forma como me exprimo, do que com o fato de eu cantar bem ou mal. Os meus valores, a mensagem e a imagem s\u00e3o os aspetos mais importantes nesse trajeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar uma mensagem para os leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nAgrade\u00e7o a voc\u00ea e ao Scream &amp; Yell por reconhecerem a validade do meu trabalho e gostaria que escutassem a minha m\u00fasica com interesse, os ouvidos abertos e que o \u201cLiwoningo\u201d (significa \u201cluz\u201d em chope, uma l\u00edngua de Mo\u00e7ambique), possa tocar os cora\u00e7\u00f5es das pessoas, mas que elas n\u00e3o retenham isso para si mesmas e fa\u00e7am a luz brilhar em seu redor.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hoyo Hoyo - Selma Uamusse\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TKIydd8fYdA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selma Uamusse - Mozambique\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cxjVJSxQWtM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pote de Cores - Caramelows + Selma Uamusse (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Tfzo529K99I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selma Uamusse | EA LIVE Sessions (full session)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yUE6pqNLV4M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Selma Uamusse - Ngono Utana Vuna | Sofar S\u00e3o Paulo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CJUEVbQHwHo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Lu\u00eds S. Tavares.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia no Scream &amp; Yell mais de 100 reportagens sobre a nova m\u00fasica portuguesa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Quando vemos os raios de luz que emanam de mim (na capa do \u201cLiwoningo\u201d), n\u00e3o significa que eu seja iluminada (risos). 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