{"id":58726,"date":"2020-11-24T00:23:16","date_gmt":"2020-11-24T03:23:16","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58726"},"modified":"2021-01-25T10:53:37","modified_gmt":"2021-01-25T13:53:37","slug":"entrevista-leandro-souto-maior-fala-sobre-o-livro-jimmy-page-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/24\/entrevista-leandro-souto-maior-fala-sobre-o-livro-jimmy-page-no-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Leandro Souto Maior fala sobre o livro \u201cJimmy Page no Brasil\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fama \u00e9 sedutora e hipn\u00f3tica. Muitas vezes, nociva. Requer equil\u00edbrio administr\u00e1-la. H\u00e1 quem consegue lidar com ela por d\u00e9cadas. H\u00e1 quem ceda aos seus encantos e riscos de sufocamento. E h\u00e1 aquelas pessoas que, ap\u00f3s anos dentro daquela espiral, apenas almejam por um respiro. Em um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o, \u00e9 curioso pensar em Jimmy Page passando por essa sensa\u00e7\u00e3o de busca por esse respiro quando chegou aos 50 anos. Crise de meia idade? Existencial? A comich\u00e3o de um grande amor que lhe encantava? As possibilidades s\u00e3o muitas. As d\u00e9cadas de 1960 e 1970, quando fez parte de bandas pilares do rock como Yardbirds e Led Zeppelin, foram intensas para Page. Junto a Eric Clapton e Jeff Beck na primeira; e a Robert Plant, John Paul Jones e John Bonham na segunda, o guitarrista ajudou a construir funda\u00e7\u00f5es de um estilo que moldaria a Cultura no s\u00e9culo XX. Imagin\u00e1-lo, ent\u00e3o, ap\u00f3s rec\u00e9m completados 50 anos de idade a buscar, em 1995, por esse respiro em um local remoto como a cidade baiana de Len\u00e7\u00f3is, na Chapada de Diamantina, \u00e9 algo muito compreens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dias de Jimmy Page no Brasil, h\u00e1 25 anos, s\u00e3o o tema da pesquisa do jornalista e m\u00fasico, Leandro Souto Maior, que lan\u00e7a, pela editora Garota FM Books, o livro \u201cJimmy Page no Brasil\u201d, extensa pesquisa que refaz os passos do guitarrista brit\u00e2nico n\u00e3o somente em Len\u00e7\u00f3is, mas em Salvador, Rio e S\u00e3o Paulo durante aqueles dias da pr\u00e9-internet e sem a fugacidade e imediatismos baratos das redes sociais. <a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/jimmypagenobrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Atualmente em financiamento coletivo<\/a>, a obra tem previs\u00e3o de ser lan\u00e7ada em dezembro. &#8220;H\u00e1 mais de 20 livros escritos por jornalistas e pesquisadores gringos sobre Led Zeppelin e sobre Jimmy Page. Em nenhum deles h\u00e1 nada sobre essa fase. Chega nessa \u00e9poca, tem um pulo. Um hiato que parece que n\u00e3o aconteceu&#8221;, explica Leandro acerca da motiva\u00e7\u00e3o em registrar essa hist\u00f3ria em um livro bil\u00edngue. &#8220;Eu quero que os f\u00e3s do mundo inteiro saibam o que aconteceu. Foi um per\u00edodo longo que ele passou aqui e que viveu coisas que n\u00e3o viveu, por exemplo, nos Estados Unidos ou em algum outro pa\u00eds&#8221;, pontua o autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre os diversos entrevistados, nomes como os de Margareth Menezes, Charles Gavin, Roberto Frejat, Paulo Ricardo, Daniela Mercury, Pepeu Gomes, e diversas outras pessoas que, famosas ou n\u00e3o, estiveram com um dos maiores mestres da guitarra naquele seu per\u00edodo nessa terra brasilis. &#8220;Em Len\u00e7\u00f3is, tinha muita gente que sequer sabia quem era Jimmy Page. S\u00f3 veio a saber depois, quando a hist\u00f3ria come\u00e7ou a circular. Souberam que ele era algu\u00e9m muito famoso. Mas, em um primeiro momento, quem o encontrou por l\u00e1, era o cara do a\u00e7ougue ou o padeiro, sabe?&#8221;, conta Leandro. &#8220;Jimmy Lama&#8221;, apelido ir\u00f4nico como ficou conhecido no circulo de m\u00fasicos e admiradores que frequentavam a cidade \u00e0 \u00e9poca, aproveitou seu anonimato at\u00e9 quando p\u00f4de. &#8220;Quando o Jimmy foi parar em Len\u00e7\u00f3is, tem hist\u00f3rias curiosas. Uma delas diz que ele adorava acordar cedinho, nas primeiras horas do dia, e ir para a padaria. L\u00e1, ele comprava o p\u00e3o da primeira fornada que saia, passava manteiga, e sentava ali mesmo, na cal\u00e7ada em frente \u00e0 padaria, para comer. E isso era todo dia! Foram v\u00e1rios relatos sobre isso que eu tive. V\u00e1rias pessoas testemunharam isso&#8221;, relata Leandro. &#8220;A galera o chamava de &#8216;Jimmy Lama&#8217; porque ele andava todo largado, de chinelo, de bermuda rasgada, totalmente oposto da vis\u00e3o de um rock star que a gente costuma ver. E at\u00e9 das pr\u00f3prias fotos famosas que a gente v\u00ea do Jimmy. Ele sempre muito bem vestido, um verdadeiro lorde ingl\u00eas&#8221;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Len\u00e7\u00f3is, Jimmy Page financiou institui\u00e7\u00f5es de amparo a jovens em situa\u00e7\u00e3o de risco, bem como, no Rio de Janeiro, ajudou a fundar a Casa Jimmy, local voltado para abrigar jovens sem lar. Na capital fluminense, inclusive, Page recebeu o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Honor\u00e1rio. Sua passagem pelo Brasil destoa da imagem do astro do rock, do glamour, da soberba t\u00e3o caracter\u00edstica em diversas hist\u00f3rias envolvendo as bandas setentistas em suas lend\u00e1rias &#8220;bad trips&#8221;. &#8220;Em todos os relatos, n\u00e3o teve um que n\u00e3o atestasse essa impress\u00e3o dele como um cara aberto, acess\u00edvel. Que gostava de conversar, especialmente se o assunto era m\u00fasica. Um cara que se deslumbrava com coisas novas. Por exemplo, h\u00e1 relatos de quando ele viu um berimbau pela primeira vez. D\u00e1 pra imaginar um cara que tirou cada efeito mais louco que o outro da guitarra, chegar e dar de cara com um instrumento n\u00e3o eletrificado, de uma corda s\u00f3, e que faz aquele som hipn\u00f3tico?&#8221;, exemplifica Leandro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa entrevista ao Scream &amp; Yell, Leandro Souto Maior fala sobre o processo de pesquisa acerca do per\u00edodo de Page no Brasil, bem como traz reflex\u00f5es sobre o per\u00edodo de autoconhecimento que deve ter perpassado o guitarrista do Led Zeppelin durante sua fase como um (quase) an\u00f4nimo em Len\u00e7\u00f3is e em Salvador naquele distante 1995. Confira o papo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/jimmypagenobrasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.catarse.me\/jimmypagenobrasil<\/a><\/strong><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58729\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Jimmy Page passou pela Bahia durante os anos 1990 e teve contato com diversos pessoas dentro e fora da cena art\u00edstica. Desde an\u00f4nimos moradores de Len\u00e7\u00f3is, na Chapada Diamantina, bem como m\u00fasicos profissionais e amadores de l\u00e1 e de Salvador. Como jornalista e escritor, como foi essa busca de um equil\u00edbrio na capta\u00e7\u00e3o dos depoimentos das pessoas que tiveram uma proximidade com o guitarrista do Led Zeppelin?<\/strong><br \/>\nNa Bahia, eu tive dois momentos. Um foi em Salvador, e o outro foi em Len\u00e7\u00f3is. E teve, realmente, esses tr\u00eas tipos de personagens entrevistados. M\u00fasicos, que j\u00e1 t\u00eam uma outra vis\u00e3o. Alguns, inclusive, que tocaram com o pr\u00f3prio Jimmy Page, que levaram um som com ele. Eu tive a oportunidade de entrevistar alguns que tiveram esse privilegio de fazer um som com o Jimmy em um est\u00fadio no (bairro da) Pituba, em Salvador. Teve tamb\u00e9m os f\u00e3s que j\u00e1 sabiam quem era o Jimmy Page e que, eventualmente, foram at\u00e9 Len\u00e7\u00f3is na esperan\u00e7a de encontr\u00e1-lo. E acabaram eventualmente encontrando. Em Len\u00e7\u00f3is, tamb\u00e9m, tinha muita gente que sequer sabia quem era Jimmy Page. S\u00f3 veio a saber depois, quando a hist\u00f3ria come\u00e7ou a circular. Souberam que ele era algu\u00e9m muito famoso. Mas, em um primeiro momento, quem o encontrou por l\u00e1, era o cara do a\u00e7ougue ou o padeiro, sabe? Ent\u00e3o, eu acho que s\u00e3o tr\u00eas vis\u00f5es, tr\u00eas tipos de encontros bem espec\u00edficos. Cada um rendeu um tipo de hist\u00f3ria, de experi\u00eancia muito particular. E eu juntei todas elas. Acho que isso que \u00e9 legal. A diversidade de hist\u00f3rias, de tipos de encontros. Isso \u00e9 uma das coisas que fez livro ficar mais interessante. Essa diversifica\u00e7\u00e3o. Quando a gente l\u00ea, por exemplo, as biografias internacionais que j\u00e1 sa\u00edram sobre o Jimmy, esse tipo de encontro informal, tipo o que eu citei do cara da padaria, esses personagens n\u00e3o existem. (Nesses livros) parece que o Jimmy \u00e9 s\u00f3 um superstar. Esse lado, vamos dizer, humano, por tr\u00e1s da fama, raramente, ou quase nunca, \u00e9 desvendado nos livros que existem, os livros famosos sobre o Led Zepellin e sobre o pr\u00f3prio Jimmy Page. Ent\u00e3o, eu acho que os relatos brasileiros, especialmente desses que voc\u00ea chamou de an\u00f4nimos, v\u00e3o dar um charme todo especial \u00e0 publica\u00e7\u00e3o. E estou muito orgulhoso de ter conseguido reunir tantas hist\u00f3rias. Tanto com esse teor dos m\u00fasicos. E n\u00e3o s\u00f3 de m\u00fasicos famosos. Da Bahia, por exemplo, eu captei relatos emocionados da Margareth Menezes, da Daniela Mercury, do Pepeu Gomes. Mas o Jimmy fez uma jams, tamb\u00e9m. Ele levava som na pra\u00e7a em Len\u00e7\u00f3is. E como eu falei, existe um est\u00fadio na Pituba, onde ele passou v\u00e1rias vezes. Era o est\u00fadio onde a Margareth Menezes ensaiava com a banda dela. E ele acabou se aproximando dela, e dos m\u00fasicos da banda. Ent\u00e3o, esses sons que foram levados com o Jimmy Page, foram desde m\u00fasicos famosos a m\u00fasicos amadores.<\/p>\n<figure id=\"attachment_58727\" aria-describedby=\"caption-attachment-58727\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-58727 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/004-Jimmy-Page-e-Roberto-Frejat-Coquetel-para-Robert-Plant-Grav.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/004-Jimmy-Page-e-Roberto-Frejat-Coquetel-para-Robert-Plant-Grav.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/004-Jimmy-Page-e-Roberto-Frejat-Coquetel-para-Robert-Plant-Grav-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58727\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jimmy Page e Roberto Frejat <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tinha nomes espec\u00edficos para as entrevistas a serem realizadas aqui na Bahia?<\/strong><br \/>\nSim. Eu j\u00e1 sai do Rio de Janeiro para a Bahia com uma lista de personagens que eu sabia que eu deveria achar e algumas entrevistas at\u00e9 j\u00e1 pr\u00e9-marcadas. Pessoas que eu sabia que tinham uma hist\u00f3ria forte com o Jimmy, de v\u00e1rios momentos. Por exemplo, o Luciano Silva, que era um dos m\u00fasicos, o saxofonista, da banda da Margareth Menezes. E ele era tamb\u00e9m o ex da Jimena Gomez, que foi a mulher com quem o Jimmy acabou casando. Apesar do fim do relacionamento, o Luciano e a Jimena continuaram amigos. E ele, tamb\u00e9m, se tornou muito amigo do Jimmy. Ele era um cara que eu precisava entrevistar. At\u00e9 porque o Jimmy Page adotou a filha que o Luciano teve com a Jimena, que era um beb\u00ea quando eles se separaram. Logo depois, ela conheceu o Jimmy, que adotou essa crian\u00e7a. Hoje, esse beb\u00ea \u00e9 uma mulher, a Jana. Seu sobrenome \u00e9 Page. E o Luciano deu um depoimento bem emocionado falando de como ele \u00e9 agradecido ao Jimmy por ter sido um \u00f3timo padrasto. Esse depoimento dele me emocionou um pouco. Ent\u00e3o, sim, eu j\u00e1 cheguei na Bahia com uma lista de entrevistas agendadas. Mas, a cada fonte, voc\u00ea vai vendo que elas come\u00e7am a citar mais tr\u00eas pessoas, que voc\u00ea vai e pede o contato. Ent\u00e3o, se cheguei \u00e0 Bahia com 10 nomes certos para entrevistar, eu acabei entrevistando 50, porque foi o desenrolar das entrevistas que me levaram a outras v\u00e1rias pessoas. Quando o Jimmy foi parar em Len\u00e7ois, tem hist\u00f3rias curiosas. Uma delas diz que ele adorava acordar cedinho, nas primeiras horas do dia, e ir para a padaria de Len\u00e7\u00f3is. L\u00e1, ele comprava o p\u00e3o da primeira fornada que saia, passava manteiga, deixava derreter no p\u00e3o, e sentava ali mesmo, na cal\u00e7ada, em frente \u00e0 padaria para comer. E isso era todo dia! Foram v\u00e1rios relatos sobre isso que eu tive. V\u00e1rias pessoas testemunharam isso. O Jimmy estava todo dia na frente da padaria sentado na cal\u00e7ada. O Jimmy chegou a ganhar um apelido local l\u00e1 em Len\u00e7\u00f3is que era &#8220;Jimmy Lama&#8221;. A galera o chamava de &#8220;Jimmy Lama&#8221; porque ele andava todo largado, de chinelo, de bermuda rasgada, totalmente oposto da vis\u00e3o de um rock star que a gente costuma ver. E at\u00e9 das pr\u00f3prias fotos famosas que a gente v\u00ea do Jimmy. Ele sempre muito bem vestido, um verdadeiro lorde ingl\u00eas. Tem uma hist\u00f3ria do Fernando Nunes, baixista que conheceu o Jimmy em Salvador. Na \u00e9poca, o Fernando n\u00e3o era muito conhecido. Depois que ele se tornou baixista da C\u00e1ssia Eller e gravou o DVD do Rock&#8217;n&#8217;Rio com ela. Mas quando ele conheceu o Jimmy em Salvador, na casa de um amigo em comum, nos anos 1990, ele falou que teve um momento em que o Jimmy chegou e falou para ele: &#8220;Eu queria comprar um cigarro&#8221;. E o Fernando Nunes imediatamente se prontificou para comprar o cigarro para ele. &#8220;Eu vou para voc\u00ea&#8221;. E o Jimmy respondeu: &#8220;N\u00e3o, eu quero ir tamb\u00e9m.&#8221; E o Fernando disse para mim que estranhou, pois imaginou que sair com o Jimmy Page na rua ia ser uma sucess\u00e3o de fotos e aut\u00f3grafos. Mas, curiosamente, ningu\u00e9m em Salvador o reconhecia na rua, segundo o Fernando. &#8220;O Jimmy gostava muito disso na Bahia&#8221;, me explicou o Fernando. Al\u00e9m disso, ele comentou que o Jimmy lhe falou que, no Rio e em S\u00e3o Paulo, ele n\u00e3o tinha essa liberdade de andar nas ruas. Ele era muito mais rapidamente reconhecido. Eu n\u00e3o sei o porqu\u00ea disso. Talvez no bairro onde eles andavam n\u00e3o tivessem muito roqueiros, ou talvez ningu\u00e9m imaginava que ia dar de cara com o Jimmy Page no boteco da esquina. Voltando a esse dia em que eles sa\u00edram para comprar o tal cigarro, o Fernando saiu com ele e disse que ia entrar no boteco para comprar o cigarro e pediu para o Jimmy esperar ali fora. Ele me falou que, enquanto estava l\u00e1 dentro comprando o cigarro, o Jimmy Page ficou ajudando os motoristas que estavam tentando estacionar, dando uma de manobrista, de gra\u00e7a, assim. (risos) Agora, eu fiquei imaginando: se eu estou estacionando meu carro, algu\u00e9m se prop\u00f5e a me ajudar, eu olho para essa pessoa e vejo o Jimmy Page, cacete! Eu ia ter que me beliscar (risos). Ent\u00e3o, o Jimmy viveu muitas situa\u00e7\u00f5es desse tipo no Brasil. De algu\u00e9m an\u00f4nimo, mesmo. Uma pessoa qualquer. Como se fosse uma pessoa comum. E naquele momento, ele buscou aquilo. E acho que ele viveu aquilo ao m\u00e1ximo at\u00e9 quando ele come\u00e7ou a ser reconhecido. E a\u00ed ele come\u00e7ou a ficar bem chateado. Voc\u00ea v\u00ea pelos relatos, as entrevistas que ele deu na \u00e9poca, que ele come\u00e7ou a ficar bem puto na verdade, por ser reconhecido. Acho que isso acabou afastando ele bastante de Len\u00e7\u00f3is e tudo mais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_58732\" aria-describedby=\"caption-attachment-58732\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-58732 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Plant-e-Page-Sheraton-1996-coletiva-Zeppeliano-Fa-Clube.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Plant-e-Page-Sheraton-1996-coletiva-Zeppeliano-Fa-Clube.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Plant-e-Page-Sheraton-1996-coletiva-Zeppeliano-Fa-Clube-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58732\" class=\"wp-caption-text\"><em>Robert Plant e Jimmy Page \/ Coletiva do Hollywood Rock 1996 no Rio de Janeiro<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Verdade. Lembro de ter visto <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=606078803324940\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma reportagem feita pela TV local<\/a> em que mostra ele um tanto incomodado com a equipe de TV o filmando. Ele at\u00e9 concordou em falar, mas somente sem ser filmado, sobre a institui\u00e7\u00e3o social que ele ajudou em Len\u00e7\u00f3is.<\/strong><br \/>\nEu conhe\u00e7o essa reportagem. E uma das coisas que eu posso te falar a respeito do livro que escrevi \u00e9 que, na internet, tem muita informa\u00e7\u00e3o&#8230; (pausa) n\u00e3o diria informa\u00e7\u00e3o somente errada. Bom, tem muita informa\u00e7\u00e3o errada, tamb\u00e9m, sobre o Jimmy Page no Brasil. Mas tem muita informa\u00e7\u00e3o pela metade. E eu busquei esmiu\u00e7ar, detalhar e arrumar todas essas informa\u00e7\u00f5es. Em Len\u00e7\u00f3is, ele n\u00e3o ajudou somente uma institui\u00e7\u00e3o, mas mais de uma. E eu falei com as pessoas das institui\u00e7\u00f5es e as cito no livro. Isso foi legal, porque tem bastante informa\u00e7\u00e3o sobre o Jimmy no Brasil pela internet, mas tem muita coisa meio solta, n\u00e3o aprofundada. E al\u00e9m dessa parte dos projetos sociais, como a Casa Jimmy, que ele inaugurou no Rio de Janeiro, tiveram os shows que ele fez em S\u00e3o Paulo e no Rio. Nessas temporadas que ele passou na Bahia, ele comprou um terreno em Len\u00e7\u00f3is e construiu uma casa. Depois ele construiu uma casa em um terreno que era da Jimena. Depois ele comprou uma casa j\u00e1 constru\u00edda. Ele acabou tendo tr\u00eas casas em Len\u00e7\u00f3is. Esses detalhes, para quem curte o astro, o artista ali em quest\u00e3o, eu acho que gosta de saber. Eu, pelo menos, gosto. Sou um devorador de biografias dos artistas que gosto. Quanto mais detalhado e mais \u00edntimo a gente consegue ir na hist\u00f3ria, o f\u00e3 curte pra caramba. Eu, como f\u00e3, tentei meio que satisfazer a mim mesmo (risos). Ou, de igual, aos f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das coisas que me chamaram a aten\u00e7\u00e3o na proposta do livro \u00e9 o desmistificar do \u00eddolo, do astro. Jimmy Page, com essa ideia de ir morar em Len\u00e7\u00f3is, na Bahia, me pareceu algu\u00e9m em busca de um sossego, de uma paz, que o turbilh\u00e3o do final dos anos 1960 e toda a d\u00e9cada de 1970 n\u00e3o lhe proporcionaram. Isso me fez lembrar as declara\u00e7\u00f5es de George Harrison acerca do per\u00edodo da Beatlemania. E essa ideia do Jimmy Page ir a uma padaria, conversar com pessoas locais em Len\u00e7\u00f3is, tentar viver um pouco como algu\u00e9m dali, me faz pensar muito sobre sua personalidade, sobre como ele me parece ser um cara bastante simples nessa busca por contato humano. Voc\u00ea teve essa impress\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPerfeito. Totalmente. Em todos os relatos, n\u00e3o teve um que n\u00e3o atestasse essa impress\u00e3o que voc\u00ea est\u00e1 descrevendo. De um cara aberto, acess\u00edvel. Que gostava de conversar, especialmente se o assunto era m\u00fasica. E que se deslumbrava com coisas novas. Por exemplo, h\u00e1 relatos de quando ele viu um berimbau pela primeira vez. D\u00e1 pra imaginar um cara que tirou cada efeito mais louco que o outro da guitarra, chegar e dar de cara com um instrumento n\u00e3o eletrificado de uma corda s\u00f3 e que faz aquele som hipn\u00f3tico? Um efeito que at\u00e9 lembra o daquele pedal wah-wah de guitarra. E quando ele viu o berimbau, ele ficou maluco, segundo os relatos. E acredito que ele realmente tenha ficado. E h\u00e1 tamb\u00e9m entrevistas do Jimmy da \u00e9poca na Bahia em que ele fala que ficou fascinado com a capoeira, e n\u00e3o s\u00f3 com a dan\u00e7a, n\u00e3o s\u00f3 com o visual. Mas ele tamb\u00e9m \u00e9 um cara interessado na Hist\u00f3ria. <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/travel\/2003\/jan\/26\/brazil.observerescapesection\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ele deu uma entrevista para um jornal brit\u00e2nico na \u00e9poca em que ele ia muito a Bahia<\/a> em que ele faz uma descri\u00e7\u00e3o perfeita da capoeira, falando que \u00e9 uma dan\u00e7a de defesa dos escravos que n\u00e3o tinham armas para se defender e tiveram que criar um jeito. Cara, \u00e0s vezes eu acho que ele sabe mais sobre a capoeira do que muito brasileiro. Ent\u00e3o, acho que ele \u00e9 um cara muito interessado e humilde, tamb\u00e9m. Todos os relatos de todo mundo que esteve com o Jimmy usam essa palavra: humilde. Ele n\u00e3o tinha soberba. Ele n\u00e3o se colocava acima, apesar de toda a hist\u00f3ria, toda influ\u00eancia, todo legado para a cultura mundial que ele j\u00e1 tinha deixado ali naquela altura da vida. Ent\u00e3o, cara, a minha opini\u00e3o \u00e9 que o Jimmy Page \u00e9 um ser humano admir\u00e1vel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_58731\" aria-describedby=\"caption-attachment-58731\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-58731 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Margareth-Menezes-e-Jimmy-Page-1-Foto-Marcio-Lima.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"522\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Margareth-Menezes-e-Jimmy-Page-1-Foto-Marcio-Lima.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Margareth-Menezes-e-Jimmy-Page-1-Foto-Marcio-Lima-300x209.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Margareth-Menezes-e-Jimmy-Page-1-Foto-Marcio-Lima-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58731\" class=\"wp-caption-text\"><em>Margareth Menezes e Jimmy Page \/ Foto de Marcio Lima<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos falando de um per\u00edodo h\u00e1 25 anos, meados dos anos 1990, quando a internet engatinhava, a tecnologia de celulares com c\u00e2mera ainda n\u00e3o era o que \u00e9 hoje e as redes sociais n\u00e3o existiam. Para um artista buscar o mesmo tipo de ref\u00fagio hoje, seu equil\u00edbrio ps\u00edquico, sua forma de lidar com o p\u00fablico, bem como sua compreens\u00e3o diante do modo como essa atitude ser\u00e1 lidada pela imprensa, precisa seguir por outro tipo de busca interna, por outra maneira de encarar a fama. Para dar exemplos, vemos artistas como Bruce Springsteen, em Nova Jersey, se situar como um local, frequentando a mesma academia de sempre. Bono, na Irlanda, tamb\u00e9m costuma frequentar locais p\u00fablicos de forma natural. At\u00e9 mesmo o Paul McCartney tem seus momentos em que \u00e9 visto caminhando por Londres. Em um exerc\u00edcio de imagina\u00e7\u00e3o, voc\u00ea consegue imaginar, hoje, Jimmy Page buscando por algo como buscou naquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nAdorei essa pergunta. E sabe que eu n\u00e3o tinha pensado sobre isso? Mas agora que voc\u00ea me perguntou, vamos ver o que me ocorre. Eu acredito que se o Jimmy tivesse ido para algum lugar do mundo, fosse o Brasil ou qualquer outro pa\u00eds, atr\u00e1s de um anonimato, atr\u00e1s da oportunidade de poder comprar p\u00e3o na padaria e comer sentado na cal\u00e7ada, sem ningu\u00e9m chegar e pedir para bater uma foto, ele teria que ir para um lugar bem remoto, alguma coisa bem pequena, uma vilazinha nos cafund\u00f3s de algum interior onde a civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegou com tanta viol\u00eancia, vamos dizer assim, ou com tanta presen\u00e7a. Eu s\u00f3 conheci Len\u00e7\u00f3is recentemente e soube que, na \u00e9poca, era bem menor. Mas mesmo a Len\u00e7\u00f3is dos anos 1990, como menos turismo, menos gente morando, eu acho que ainda seria grande para algu\u00e9m do vulto do Jimmy Page conseguir fica an\u00f4nimo. Acho que mesmo a Len\u00e7\u00f3is do tamanho que ele conheceu quando chegou l\u00e1 pela primeira vez, antes do tempo das redes sociais e dos celulares, j\u00e1 seria grande demais para ele conseguir passear anonimamente Mas isso \u00e9 s\u00f3 uma suposi\u00e7\u00e3o. Mas gostei de pensar sobre isso. Voc\u00ea citou o Paul, e eu lembrei de um amigo que recentemente foi a Londres. E ele adora os Beatles. Ele resolveu passear por perto da casa do Paul para ver se esbarrava com ele. E acabou vendo o Paul cruzar a esquina. Ele ficou surpreso e j\u00e1 foi se aproximando com o celular na m\u00e3o. Quando o Paul notou, falou: &#8220;No photos!&#8221; Tipo assim: &#8220;Eu posso conversar com voc\u00ea, mas por favor n\u00e3o bata fotos&#8221;. E esse meu amigo respeitou o pedido e disse que bateu um papo de, sei l\u00e1, cinco minutos que pareceram ser cinco horas com o Paul McCartney. \u00c9 isso. O Paul McCartney anda, pelo que sei, por Londres. Ele d\u00e1 umas idas ao mercadinho da esquina, vamos dizer assim. Eventualmente, ele \u00e9 abordado, claro. Mas sempre contando com o bom senso dos f\u00e3s. Nesse caso, foi a hist\u00f3ria que esse meu amigo contou. Ele foi muito solicito, mas pediu para n\u00e3o bater fotos. E at\u00e9 onde eu sei, o Jimmy Page tamb\u00e9m passeia ali no bairro onde mora com a nova namorada dele. Claro que isso antes da pandemia. E tem at\u00e9 um relato no livro, de um guitarrista brasileiro muito f\u00e3 do Led Zeppelin, e que mora em Londres. Ele falou que, quando chegou l\u00e1, uma das miss\u00f5es pessoais dele era encontrar o Jimmy Page e dar uma cacha\u00e7a mineira de presente para ele. Ele falou que ficou durante v\u00e1rios dias na frente da casa do Jimmy. E at\u00e9 que um dia o Jimmy Page abriu o port\u00e3o e saiu. Esse guitarrista era bem jovem na \u00e9poca. Tinha vinte e poucos anos. Isso j\u00e1 faz uns oito anos. Ele chegou, falou que era f\u00e3, que tinha um presente para ele e deu a cacha\u00e7a. Ele falou que o Jimmy foi super acess\u00edvel e que conseguiu bater uma foto. Essa foto est\u00e1 no livro. Assim como ele, essa pessoa que eu acabei conhecendo, eu acho que existam outros f\u00e3s que ficam ali \u00e0 espreita do Jimmy dar uma sa\u00edda. Porque ele costuma sair, sim, andando e sem seguran\u00e7as. Eu acho que at\u00e9 para manter alguma sanidade, o Jimmy tenta dar esses passeios por Londres, ali por onde ele mora. Acho que muitas vezes ele \u00e9 reconhecido, mas acredito que ele consiga dar uns passeios anonimamente, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das coisas que a pessoa que vai ler o seu livro vai poder refletir \u00e9 sobre a desconstru\u00e7\u00e3o do artista. E um artista como o Jimmy Page, algu\u00e9m que parece n\u00e3o ter se deslumbrado com a fama que conseguiu e percebe-se como uma pessoa comum. E \u00e9 curioso n\u00f3s discutirmos sobre essa op\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nEu tenho certeza de que o Jimmy tem a real no\u00e7\u00e3o do tamanho dele dentro da hist\u00f3ria da cultura mundial, Inclusive, na autobiografia dele, a \u201cJimmy Page by Jimmy Page\u201d, que \u00e9 um livro de fotos incr\u00edveis do acervo dele e que ele lan\u00e7ou em 2010. Eu n\u00e3o sei se chamaria de autobiografia, mas ele comenta cada foto. E a cada imagem, ele vai contando a hist\u00f3ria dele. Ele n\u00e3o mergulha em detalhes, nem fala muito de vida pessoal. A passagem dele pelo Brasil \u00e9 ignorada nesse livro. Mas no \u00faltimo par\u00e1grafo, no final desse livro, ele diz ter a consci\u00eancia, \u00e0quela altura da vida, j\u00e1 com mais de 60 anos, e que ele ainda continuava a inspirar jovens a se interessar pela m\u00fasica, por guitarra e a se tornarem m\u00fasicos. Ele diz: &#8220;isso, para mim, \u00e9 a minha maior conquista de vida.&#8221; Eu acho bonito e tocante o jeito como ele coloca. E isso me faz entender que ele tem no\u00e7\u00e3o exata do legado que ele est\u00e1 deixando para a humanidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_58728\" aria-describedby=\"caption-attachment-58728\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-58728 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/06-Jimmy-Page-e-Paulo-Ricardo-Hotel-Sheraton-Jan-1996-Cristina-Granato.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/06-Jimmy-Page-e-Paulo-Ricardo-Hotel-Sheraton-Jan-1996-Cristina-Granato.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/06-Jimmy-Page-e-Paulo-Ricardo-Hotel-Sheraton-Jan-1996-Cristina-Granato-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-58728\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jimmy Page e Paulo Ricardo em 1996 no Rio de Janeiro \/ Foto de Cristina Granato<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu vi que o Charles Gavin \u00e9 uma das suas fontes no livro. Lembrei que, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-charles-gavin\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em uma entrevista que fiz com ele acerca dos 80 anos do Ringo Starr<\/a>, ele me falou sobre essa gera\u00e7\u00e3o de pessoas que nasceram na d\u00e9cada de 1940 e que, agora, est\u00e1 chegando aos 80 anos e contemplando esse final de jornada. No papo, tentamos n\u00e3o parecer preciosistas, mas foi inevit\u00e1vel n\u00e3o constatar aquela gera\u00e7\u00e3o como sendo \u00fanica para a m\u00fasica mundial. Como voc\u00ea avalia esse momento em que vemos diversos nomes dos anos 1960 e 1970 chegando aos 80 anos?<\/strong><br \/>\nPenso muito sobre isso. Acho que essa gera\u00e7\u00e3o foi muito especial, tamb\u00e9m, por causa da Guerra. Eles nasceram no meio de cidades bombardeadas. E a gente aqui, de longe, acho que n\u00e3o d\u00e1 para fazer uma avalia\u00e7\u00e3o real do modo como que isso pode ter influenciado comportamento, a revolta de uma gera\u00e7\u00e3o. Mas, com certeza, esse aspecto e outros, como as drogas psicod\u00e9licas que surgiram nos anos 1960, a liberdade sexual. \u00c9 um momento hist\u00f3rico muito espec\u00edfico. Penso muito sobre isso, mas ficar no desejo de ter que ter uma outra guerra ou algum tipo de trag\u00e9dia para que surja uma gera\u00e7\u00e3o de ouro? N\u00e3o d\u00e1. Se bem que a gente est\u00e1 vivendo uma trag\u00e9dia com a Covid-19. Que sirva pelo menos para que inspire uma gera\u00e7\u00e3o de forma criativa. Que sirva para alguma coisa essa loucura que a gente n\u00e3o sabe nem dizer ou explicar. Mas, realmente, acho que essa turma toda dos anos 1960 e 1970, na minha opini\u00e3o pessoal, representa o auge da m\u00fasica. Especialmente do rock. S\u00e3o os artistas que eu mais gosto. E quando voc\u00ea conversa com pessoas que pesquisam, que ouvem muito, voc\u00ea v\u00ea que ali \u00e9 uma unanimidade esse tipo de opini\u00e3o. Aquela turma dos anos 1960 e 1970, que gera\u00e7\u00e3o! Especialmente os ingleses e os americanos, mas no Brasil, tamb\u00e9m, a gente sofreu alguns outros reflexos, como a ditadura. A m\u00fasica caminha com os fatos hist\u00f3ricos, com a Cultura, e costuma refletir muito disso. E voc\u00ea falou sobre o Gavin, cara, a hist\u00f3ria que ele me contou de como conheceu o Jimmy \u00e9 bem curiosa. Ele esteve pessoalmente com o Jimmy Page quando os Tit\u00e3s estavam em Londres, ensaiando para gravar o disco \u201cGo Back\u201d, que eles gravaram em Moutreux, na Su\u00ed\u00e7a. Os ensaios foram uma semana antes, em Londres. E eram um est\u00fadio bem top que a gravadora havia agendado para eles. Na semana anterior, estava o David Bowie. Naquela mesma semana em que os Tit\u00e3s estavam agendados, estava o Jimmy Page ensaiando para uma turn\u00ea daquele disco solo que ele lan\u00e7ou em 1988 (\u201cOutrider\u201d). O \u201cGo Back\u201d, que, se n\u00e3o me engano, \u00e9 de 1989 (nota do editor: 1988). Na mesma \u00e9poca. Ent\u00e3o, o Gavin falou que foi fazer xixi e tinha um banheiro em comum para as salas do est\u00fadio. O Gavin disse que o primeiro encontro dele com o Jimmy Page foi na banheiro fazendo xixi (risos). O depoimento dele \u00e9 bem engra\u00e7ado. E a\u00ed a gente volta l\u00e1 pro inicio. Os relatos, cada encontro, \u00e9 algo \u00fanico. E quanto aos grandes \u00eddolos brasileiros, aqui guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, mas os maiores nomes da m\u00fasica brasileira, n\u00e3o s\u00f3 do rock, como Herbert Vianna, os Tit\u00e3s, o Frejat, que tamb\u00e9m encontraram com o Jimmy Page. Esses grandes nomes brasileiros, quando estiveram diante do Page, se tornaram f\u00e3s. Pagaram de tiete. \u00c9 muito interessante tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 essa desconstru\u00e7\u00e3o do Page, que eu pretendo fazer no livro, mas a desconstru\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios \u00eddolos brasileiros que chegam diante de um cara que eles ouviram desde crian\u00e7as. \u00c9 como o pr\u00f3prio Gavin me disse em um depoimento. Ele disse que chegou para o Page e falou: &#8220;Cara, se n\u00e3o fosse por voc\u00ea, eu n\u00e3o estaria aqui hoje. Eu teria tido outro caminho na vida.&#8221;. Atestando que o Led Zeppelin o inspirou a se tornar um m\u00fasico e a querer trilhar essa profiss\u00e3o. Ele me falou que a primeira m\u00fasica que ele ouviu na vida e que o fez se interessar por rock foi \u201cBlack Dog\u201d, a primeira m\u00fasica do \u201cLed Zeppelin IV\u201d (1971). Eu acho isso muito interessante e espero que outras pessoas achem, tamb\u00e9m. Esse tipo de reflex\u00e3o. De quebrar o mito, de desconstruir. N\u00e3o s\u00f3 do Page, mas de outras estrelas, como as nacionais que est\u00e3o mais pr\u00f3ximas da gente, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58730\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"788\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/capapage2-286x300.jpg 286w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E creio que a op\u00e7\u00e3o de fazer uma edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue do livro \u00e9 uma oportunidade bem legal de imaginar o Jimmy Page rememorando aquele per\u00edodo no Brasil.<\/strong><br \/>\nSim. Mas, tamb\u00e9m, a ideia de fazer a edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue \u00e9 porque, puxa, tem mais de 20 livros escritos por jornalistas e pesquisadores gringos sobre Led Zeppelin e sobre Jimmy Page. Em nenhum deles h\u00e1 nada sobre essa fase. Chega nessa \u00e9poca, tem um pulo. Tem um hiato que parece que n\u00e3o aconteceu. E eu quero que os f\u00e3s do mundo inteiro saibam o que aconteceu. Foi um per\u00edodo longo que ele passou aqui e que viveu coisas que n\u00e3o viveu, por exemplo, nos Estados Unidos ou em algum outro pa\u00eds. Confesso que fico at\u00e9 meio chateado quando falo para voc\u00ea que, no pr\u00f3prio livro dele, o \u00fanico momento em que ele cita o Brasil \u00e9 para falar do Rock&#8217;n&#8217;Rio de 2001, quando ele veio junto com o Iron Maiden. Na \u00e9poca, tiveram muitos boatos de que ele poderia tocar com o Iron Maiden. Esse \u00e9 o \u00fanico momento do livro em que o Jimmy Page fala do Brasil. Confesso que isso me chateia. A minha ideia de escrever esse livro foi para mostrar a quantidade de hist\u00f3rias que existem do Jimmy Page aqui. E colocar em ingl\u00eas tamb\u00e9m foi para que os gringos leiam. O pr\u00f3prio Jimmy, eu queria que lesse. \u00c9 claro que isso \u00e9 uma inc\u00f3gnita, mas fico na torcida. Mas acho que os f\u00e3s do Led Zeppelin precisam saber. \u00c9 uma parte grande da hist\u00f3ria do Jimmy. Bem relevante e significativa, na minha avalia\u00e7\u00e3o. Mas, claro, sobre essa op\u00e7\u00e3o dele em n\u00e3o colocar na sua biografia essa fase, podem ter outras coisas que n\u00e3o me dizem respeito. E n\u00e3o entrei muito nesses assuntos na escrita do livro. Mas nesse per\u00edodo no Brasil, ele viveu um grande amor. Casou-se com essa mo\u00e7a. Teve dois filhos com ela. Adotou um terceiro, que era a filha que ela j\u00e1 tinha. E, de repente, quando lan\u00e7ou essa biografia, ele j\u00e1 estava com outra mulher e talvez n\u00e3o quisesse trazer isso \u00e0 tona. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o me interessa. N\u00e3o \u00e9 uma biografia de fofocas ou de vida pessoal nesse \u00e2mbito. Mas suponho que possa, talvez, passar por isso. Pelo fato da hist\u00f3ria dele com o Brasil estar muito ligada a uma hist\u00f3ria de amor que ele viveu aqui, tamb\u00e9m. Ent\u00e3o, tem a parte dos projetos sociais, tem a parte do anonimato, mas tem um grande amor. Talvez se ele fosse escrever sobre isso, ele teria que falar muito sobre essa mulher, sobre a ex. E na verdade, se voc\u00ea v\u00ea nesse livro especificamente, o \u201cJimmy Page by Jimmy Page\u201d, ele n\u00e3o fala de nenhuma ex. E ele teve outras. \u00c9 um livro bem sobre a carreira dele como artista. Ent\u00e3o, d\u00e1 para entender, realmente, ele ter tirado o Brasil dessa. Porque como \u00e9 um livro muito sobre a parte dele como artista, eu acho que essa parte em que ele viveu uma hist\u00f3ria de amor intensa, talvez ele tenha avaliado que n\u00e3o caberia ali.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jimmy Page no Brasil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_MTxpuj6p70?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jimmy Page - Len\u00e7\u00f3is, Chapada Diamantina, Bahia - Brazil - 1998\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qm8VX6o1Hhc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Page &amp; Plant - Hollywood Rock - 1996.01.27 - Pra\u00e7a da Apoteose - RJ - Brazil. - Full Concert.\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Fx0Vc4op9Js?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fabio Massari - Entrevista Jimmy Page e Robert Plant - Hollywood Rock 1996\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0-Mo-vIjzmk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jimmy Page &#039;Whole Lotta Love&#039; Clinic HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G7B767HYUqQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Literatura: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/05\/livros-goodman-beatles-e-jimmy-page\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cLuz e Sombra \u2013 Conversas com Jimmy Page\u201d, de Brad Tolinski<\/a><br \/>\n&#8211; Cinema: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/24\/a-todo-volume-davis-guggenheim\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8220;A Todo Volume&#8221; coloca Jimmy Page, Jake White e The Edge lado a lado<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/01\/04\/cds-costello-led-zeppelin-e-doors\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cCelebration Day\u201d, do Led Zeppelin, n\u00e3o foi um show, mas um sonho<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/01\/04\/os-treze-discos-mais-influentes-de-todos-os-tempos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Os treze (!) discos mais influentes de todos os tempos<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Leandro fala sobre o processo de pesquisa para o livro bem como traz reflex\u00f5es sobre o per\u00edodo de autoconhecimento que deve ter perpassado o guitarrista do Led Zeppelin durante sua fase como um (quase) an\u00f4nimo em Len\u00e7\u00f3is e em Salvador naquele distante 1995.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/24\/entrevista-leandro-souto-maior-fala-sobre-o-livro-jimmy-page-no-brasil\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":58733,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4961,4960,4962,374],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58726"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58726"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58726\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58747,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58726\/revisions\/58747"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}