{"id":58721,"date":"2020-11-23T01:08:40","date_gmt":"2020-11-23T04:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58721"},"modified":"2020-12-18T02:14:49","modified_gmt":"2020-12-18T05:14:49","slug":"entrevista-brian-baker-bad-religion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/23\/entrevista-brian-baker-bad-religion\/","title":{"rendered":"Entrevista: Brian Baker fala da biografia do Bad Religion, &#8220;Do What You Want\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de se esperar que uma banda como o <a href=\"https:\/\/www.hsmerch.com\/bad-religion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bad Religion<\/a> tenha na literatura fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Um grupo que sabe como tocar o p\u00fablico com letras eloquentes e bem sacadas tende a encontrar no universo liter\u00e1rio subs\u00eddios para estimular a criatividade. E essa percep\u00e7\u00e3o \u00e9 confirmada pelo guitarrista Brian Baker, justamente neste momento em que o conjunto lan\u00e7a sua pr\u00f3pria biografia chamada \u201c<a href=\"https:\/\/www.hsmerch.com\/bad-religion\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Do What You Want<\/a>\u201d (\u201cFa\u00e7a o que Voc\u00ea Quiser\u201d). Inclusive, a entrada de Brian para o Bad Religion, em 1994, pode ter rela\u00e7\u00e3o com o h\u00e1bito de ler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEu leio constantemente e sempre fiz isso. Possivelmente foi por isso que entrei na banda. Eles n\u00e3o me conheciam muito bem, e o Jay Bentley notou que sempre havia um livro comigo. Acho que a leitura realmente impacta a maneira como as composi\u00e7\u00f5es do Bad Religion s\u00e3o escritas e os temas das letras\u201d, revela Brian.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDo What You Want\u201d, que ganhou edi\u00e7\u00e3o nacional pela <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/highlightsounds\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Highlight Sounds<\/a>, relata momentos importantes na trajet\u00f3ria de 40 anos dos punk rockers californianos. Al\u00e9m de Brian, a narrativa \u00e9 centrada em outros tr\u00eas integrantes, esses fundadores. S\u00e3o eles, conforme descri\u00e7\u00e3o do release: \u201cGreg Graffin, um garoto nascido em Wisconsin que cantava no coral e se tornou um \u00edcone do punk rock em Los Angeles ainda durante a adolesc\u00eancia; Brett Gurewitz, que abandonou a escola e fundou a gravadora punk independente Epitaph, tornando-se um magnata da ind\u00fastria musical; Jay Bentley, um surfista e skatista que ficou famoso tanto por suas habilidades como baixista quanto por seu comportamento irreverente no palco e fora dele\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/badreligion.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem assumiu a tarefa de colocar no papel a hist\u00f3ria do Bad Religion foi o jornalista Jim Ruland, que escreve para fanzines desde a \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado e \u00e9 autor de \u201cMy Damage\u201d, publica\u00e7\u00e3o sobre Keith Morris (vocalista fundador do Black Flag, Circle Jerks e OFF!). <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/09\/entrevista-jim-ruland-autor-da-biografia-do-bad-religion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ruland conversou com o Scream &amp; Yell em agosto e contou<\/a>: \u201cO livro \u00e9 a hist\u00f3ria da banda contada com suas pr\u00f3prias palavras, de forma livre e organizada. A narrativa \u00e9 focada no olhar deles. Fiquei muito intimidado no come\u00e7o. Como voc\u00ea conta uma hist\u00f3ria que come\u00e7ou h\u00e1 40 anos e continua at\u00e9 os dias de hoje?\u201d, questiona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro ajuda compreender a for\u00e7a e a relev\u00e2ncia ainda atual do Bad Religion \u2014 nome atrelado ao hardcore mel\u00f3dico, mas que influenciou artistas diversos, bem como tomou para si refer\u00eancias de outros subg\u00eaneros musicais. S\u00e3o 17 \u00e1lbuns de est\u00fadio e mais de cinco milh\u00f5es de exemplares vendidos. No Brasil, a banda ganhou visibilidade maior ainda nos anos 1990, ao lado de pares como NOFX, Offspring, Rancid e Green. Alguns desses, certamente, inspirados pelo pr\u00f3prio Bad Religion.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conversa via Zoom, o guitarrista Brian Baker revelou seus momentos preferidos do livro e recorda\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o nas p\u00e1ginas, falou sobre o impacto da literatura nas composi\u00e7\u00f5es do Bad Religion, analisou como as experi\u00eancias no Minor Threat e Dag Nasty lhe proporcionaram ensinamentos e deu suas impress\u00f5es sobre punk, e ainda comentou sobre seu novo projeto, o Fake Names. A vida real se mostra mais estranha que a fic\u00e7\u00e3o. E \u00e9 em per\u00edodos assim que ler fortifica o processo de cren\u00e7a nas atividades criativas capazes de nos tirar, mesmo que momentaneamente, de uma era de irracionalidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bad Religion - Do What You Want (Live) Lyrics\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Sk35BKutuaw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Considerando o nome do livro como uma afirma\u00e7\u00e3o: pode-se dizer que voc\u00eas t\u00eam feito o que querem? Musicalmente e em rela\u00e7\u00e3o ao gerenciamento da banda.<\/strong><br \/>\nSim, eu diria que 100%. Realmente temos seguido nossa pr\u00f3pria orienta\u00e7\u00e3o, o que explica por que nem tudo foi na melhor dire\u00e7\u00e3o. Somos apenas pessoas, punks feitos. Somos uma banda completamente DIY (\u201cdo it yourself\u201d, ou fa\u00e7a voc\u00ea mesmo) e do what want (fa\u00e7a o que quiser). \u00c9 por isso que estamos falando hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O livro aborda alguns altos e baixos do Bad Religion. Para voc\u00ea, quais seriam uma grande conquista e uma decep\u00e7\u00e3o na trajet\u00f3ria com a banda?<\/strong><br \/>\nAcho que a grande realiza\u00e7\u00e3o \u00e9, durante todos esses anos, fazer parte de uma banda que \u00e9 t\u00e3o \u00fanica. E que canta sobre problemas globais de um jeito bem provocativo. Sou aben\u00e7oado \u2014 se voc\u00ea acredita em Deus, algo que eu n\u00e3o \u2014 por estar em um grupo no qual Brett Gurewitz (guitarra) e Greg Graffin (voz) escrevem as m\u00fasicas. Isso \u00e9 incrivelmente especial e uma oportunidade de vida. Penso que o \u00fanico aspecto negativo \u00e9 que, infelizmente, passei os primeiros 10 anos b\u00eabado. Perdi toda a divers\u00e3o. N\u00e3o tenho boas mem\u00f3rias de parte do que rolou nos meus anos iniciais no Bad Religion. Eu era jovem, cheio de disposi\u00e7\u00e3o. A gente fazia shows e ia beber com os amigos. Acho que perdi algo, porque agora n\u00e3o bebo mais e tudo parece muito mais, digamos, limpo. Eu me lembro das coisas. Desejaria ter tido antes essa mentalidade que tenho agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Houve alguma situa\u00e7\u00e3o em que as pessoas lhe contaram algo que voc\u00ea fez, e n\u00e3o recordava?<\/strong><br \/>\n\u00c9, acho que sim. Ainda bem que existem fotografias (risos) de muitos acontecimentos. Acho que mesmo quando estava doid\u00e3o eu sempre tive uma c\u00e2mera. Assim, posso ter meio que uma lembran\u00e7a de segunda m\u00e3o. Tipo: \u201cclaro, agora est\u00e1 vindo \u00e0 minha mente\u201d. \u00c9 mais como uma realidade virtual do que a experi\u00eancia real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre livros: voc\u00ea costuma ler bastante? Como o ato da leitura inspira o Bad Religion?<\/strong><br \/>\nEu leio constantemente e sempre fiz isso. Possivelmente, foi por isso que entrei na banda. Eles n\u00e3o me conheciam muito bem, e o Jay Bentley notou que sempre havia um livro comigo. Eu cresci dessa forma. Como filho \u00fanico, meus amigos eram livros. Acredito que \u00e9 o caso do Brett e do Greg tamb\u00e9m. Ambos s\u00e3o meio outsiders, \u00e1vidos leitores. Eles leem n\u00e3o apenas hist\u00f3ria e pol\u00edtica, mas fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 algo que tamb\u00e9m interessa a esses caras. E acho que isso (leitura) realmente impacta a maneira como as composi\u00e7\u00f5es do Bad Religion s\u00e3o escritas, bem como os temas das letras. Livros s\u00e3o incrivelmente importantes. Espero que nunca desapare\u00e7am.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde quando o Bad Religion tem essa ideia de fazer um livro? Lembra quem apareceu com isso?<\/strong><br \/>\nGenericamente, meio sab\u00edamos que seria legal fazer isso, pois temos hist\u00f3rias que valem a pena contar. E todos n\u00f3s da banda lemos bastante. Leio toda biografia musical que consigo encontrar, mesmo que seja de algu\u00e9m que eu n\u00e3o curta. Tenho interesse na hist\u00f3ria tanto quanto no som. Leio materiais sobre caras do jazz e m\u00fasicos do heavy metal que n\u00e3o necessariamente gosto, mas que os livros despertam meu interesse. Pensamos que o Bad Religion valeria um livro. E aconteceu no momento em que a hist\u00f3ria progrediu a um ponto no qual fizemos um balan\u00e7o e olhamos para ela, alguns anos atr\u00e1s. O livro certamente n\u00e3o faz uma cr\u00f4nica de toda nossa jornada, at\u00e9 porque pretendemos seguir at\u00e9 quando for poss\u00edvel. Mas traz um recorte bem interessante. Principalmente para quem \u00e9 f\u00e3 da banda. \u00c9 uma viagem pessoal e reveladora de como o Bad Religion \u00e9 internamente, como a banda funciona e as personalidades dos m\u00fasicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acha que a popula\u00e7\u00e3o l\u00ea o suficiente hoje em dia? Parece-me que vivemos tempos nos quais n\u00e3o apenas os livros, mas a cultura e as artes em geral, s\u00e3o consideradas cada vez mais descart\u00e1veis. O que voc\u00ea acha?<\/strong><br \/>\nCertamente os tempos mudaram e, atualmente, temos uma popula\u00e7\u00e3o que cresceu majoritariamente com telas. O estilo \u00e9 diferente. Mas penso que arte e literatura s\u00e3o consumidas mesmo assim. \u00c9 s\u00f3 um modelo diferente. Ningu\u00e9m pensaria que audiobooks seriam t\u00e3o populares, mesmo 15 anos atr\u00e1s. Contudo, muita gente, em raz\u00e3o do ritmo em que o mundo funciona, faz sua leitura ouvindo. E isso \u00e9 \u00f3timo, pois a informa\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 l\u00e1. Muita gente l\u00ea em dispositivos eletr\u00f4nicos. Embora n\u00e3o sejam formatos f\u00edsicos, o que penso ser uma vergonha, mas o ponto \u00e9 que a informa\u00e7\u00e3o segue podendo ser obtida l\u00e1. \u00c9 s\u00f3 um produto de como o mundo \u00e9 diferente hoje se comparado h\u00e1 20 anos. Tenho certeza que mudan\u00e7as continuar\u00e3o ocorrendo, e as pessoas ir\u00e3o experimentar arte, literatura e m\u00fasica em diferentes modos. Alguns que nem sequer pensamos hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia nos contar uma hist\u00f3ria que voc\u00ea acha que deveria estar no livro, mas n\u00e3o foi inclu\u00edda por algum motivo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei se algo importante ficou realmente de fora, pois o livro \u00e9 muito bem trabalhado. Jim fez muito bem a pesquisa, passando muito tempo com o pessoal da banda e fazendo com que cont\u00e1ssemos praticamente tudo de significativo. Mas tem algo que costum\u00e1vamos fazer, acho que n\u00e3o est\u00e1 mencionado e que era divertido: Jay, eu e Greg Graffin, se tiv\u00e9ssemos viagens curtas entre um show e outro, alug\u00e1vamos carros e faz\u00edamos corrida. Era sempre divertido. Dirig\u00edamos em alta velocidade, totalmente desconsiderando autoridades e leis de tr\u00e2nsito. Umas das \u00faltimas coisas punks que fizemos. Um bando de caras velhos correndo em carros alugados. Era algo at\u00e9 meio adolescente. Olho para isso com carinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que falou em punk: o que considera ser punk hoje em dia?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o mesmo de sempre. O principal \u00e9 questionar autoridade, seguir sua pr\u00f3pria vis\u00e3o e estar atento aos sistemas que s\u00e3o criados para controlar as pessoas. Para mim, tamb\u00e9m \u00e9 importante seguir usando cinto de rebite, ter algumas tattoos. Sou um punk velho, finalmente. Lembro-me de ver os caras de mais idade quando era mais novo, nos shows, durante os anos 1980. Pensava que eles eram bem coroas em seus 30 e poucos anos. Ficava meio assustado com eles, mas os respeitava justamente por estarem l\u00e1. Eram caras que estavam no punk antes de mim, ainda nos anos 1970, e agora eu sou o punk velho. Estou tendo o respeito que mere\u00e7o (risos). Eu adoro, obrigado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Bad Religion veio da cena punk. Consideram um movimento ainda relevante? E como voc\u00eas se relacionam com o ele?<\/strong><br \/>\nO Bad Religion se relaciona com o punk de algumas maneiras. Estamos na categoria de fundadores do estilo, influenciamos tantas outras bandas com o passar desses 40 anos. N\u00e3o d\u00e1 nem para contar quantas foram inspiradas e tiraram li\u00e7\u00f5es de grupos como n\u00f3s. Ou Black Flag, Circle Jerks e at\u00e9 o Minor Threat. Falando nisso: participei n\u00e3o de uma, mas de duas bandas lend\u00e1rias do punk. Obrigado (risos)! \u00c9 como a constitui\u00e7\u00e3o do punk rock. Temos ineg\u00e1vel influ\u00eancia em muitos artistas, alguns de grande sucesso. Mas a parte relevante \u00e9 que o Bad Religion continua curioso. N\u00e3o fazemos discos simplesmente para lan\u00e7\u00e1-los. Estamos constantemente lidando com as complexidades da vida e olhando a maneira como o mundo se comporta. E parte de seguir relevante \u00e9 n\u00e3o dar bola para o que dizem por a\u00ed. Criamos sons n\u00e3o porque \u00e9 uma tarefa, mas sim uma paix\u00e3o. Muitas bandas antigas ficam estagnadas e se apoiam em hits do passado. Isso at\u00e9 pode ser legal. \u00c0s vezes vou assistir artistas que curtia quando garoto. Mas com o Bad Religion temos lan\u00e7ado v\u00e1rios discos e ganhado espa\u00e7o com cada um deles. Sou muito orgulhoso disso porque n\u00e3o \u00e9 bobagem ou exerc\u00edcio financeiro. \u00c9 paix\u00e3o. Por isso seguimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se voc\u00ea tivesse que classificar cada membro do grupo, incluindo voc\u00ea, como um \u00e1lbum da banda, quem se identificaria com qual disco? Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nJay sempre vai ser o \u201cSuffer\u201d (1988). Porque \u00e9 algo que ele adora fazer, ele est\u00e1 sempre \u201csofrendo\u201d. Mesmo na carreira musical experiente dele, esse \u00e9 o primeiro \u00e1lbum no qual se pode perceber o qu\u00e3o bom baixista ele \u00e9. E tamb\u00e9m \u00e9 um trabalho fundamental para o Bad Religion, tendo Jay e Greg como membros constantes. \u00c9 dif\u00edcil para mim escolher um, mas diria que tem de ser o \u201cThe Gray Race\u201d (1996), porque foi o primeiro disco em que toquei como integrante do Bad Religion. \u00c9 um marco hist\u00f3rico, e as faixas s\u00e3o um pouco mais pessoais para mim \u2014 coescrevi algumas delas. Quando penso naquele tempo em que gravamos o disco, 1995\/1996, s\u00e3o muitas boas recorda\u00e7\u00f5es. As que n\u00e3o est\u00e3o embriagadas. Greg \u00e9 o \u201cAgainst the Grain\u201d (1990), que \u00e9 o prot\u00f3tipo do trabalho posterior dele na m\u00fasica e na ci\u00eancia. O Brett \u00e9, definitivamente, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/07\/tres-discos-telekinesis-idlewild-bad-religion\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Age of Unreason<\/a>\u201d (2019), o \u00e1lbum mais recente. Penso que \u00e9 um exemplo do aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo da maneira como ele comp\u00f5e. E tamb\u00e9m muitos dos temas pol\u00edticos que ele escreve s\u00e3o sinceros e urgentes, e seguem assim para ele. Para ambos, Mike Dimkich (guitarra) e Jamie Miller (bateria), seria o \u201cRecipe for Hate\u201d (1993). N\u00e3o sei se eles se deram conta que quando entraram para a banda, tiveram que lidar com algumas dificuldades e pessoas os aceitando. Fico feliz de eles estarem conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas s\u00e3o amigos para al\u00e9m da banda?<\/strong><br \/>\nSim, com certeza. Todos moramos em cidades diferentes, o que penso ser algo interessante para manter a longevidade. \u00c0s vezes n\u00e3o vejo, por exemplo, Greg e Jay por dois ou tr\u00eas meses. E quando nos encontramos \u00e9 emocionante, tipo reuni\u00e3o de fam\u00edlia. Isso mant\u00e9m as coisas excitantes. Se a gente morasse junto na mesma casa, como fiz com outras bandas, provavelmente n\u00e3o ter\u00edamos durado tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a experi\u00eancia que voc\u00ea teve com Minor Threat e Dag Nasty se refletem na sua entrada e perman\u00eancia no Bad Religion?<\/strong><br \/>\nQualquer experi\u00eancia que tive com Minor Threat ou Dag Nasty sempre foram um aprendizado. E, desde que entrei no Bad Religion, tenho aprendido muito sobre fazer m\u00fasica, como tocar o instrumento. Gosto de pensar que estou ficando melhor. Toco todos os dias, para mim \u00e9 como respirar. E o Bad Religion est\u00e1 continuamente me desafiando, pois flerta com diferentes estilos, mas ret\u00e9m a sinceridade. Voc\u00ea percebe que o punk rock est\u00e1 l\u00e1. Entretanto, h\u00e1 sempre diferentes requisitos, e isso mant\u00e9m tudo emocionante para mim. Sempre existe algo novo para se aprender.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fake Names - &quot;Brick&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PYTH06w87Ng?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Fake Names, como surgiu esse projeto?<\/strong><br \/>\n\u00c9 pura divers\u00e3o! \u00c9ramos para excursionar este ano, mas obviamente n\u00e3o foi poss\u00edvel. Fiquei muito feliz que o disco saiu durante a pandemia. Porque se precisamos ficar em casa, passar por quarentena ou se isolar, n\u00e3o h\u00e1 nada mais valioso do que m\u00fasica. Estar apto a prover can\u00e7\u00f5es novas \u00e9 muito importante para mim. A banda sou eu e dois caras com os quais fui para a escola elementar, de crian\u00e7a mesmo. Conhe\u00e7o o outro guitarrista e compositor Michael Hampton (S.O.A., Embrace, One Last Wish) desde a primeira s\u00e9rie, quando t\u00ednhamos uns seis anos. Johnny Temple (Girls Against Boys, Soulside) tamb\u00e9m foi para nosso col\u00e9gio, mas ele era um pouco mais novo. Ent\u00e3o, s\u00f3 tive contato com ele quando eu estava com uns 10 anos. Coincidentemente, nos tornamos todos m\u00fasicos. Dennis Lyxz\u00e9n (Refused, INVSN), de quem eu adoro os discos \u2014 acho Refused fant\u00e1stico \u2014, conheci casualmente. Todos n\u00f3s veteranos do punk rock meio que sabemos da exist\u00eancia um do outro. \u00c9 tipo uma rede de contatos. Mesmo que eu encontre qualquer pessoa de banda aleat\u00f3ria, tipo, sei l\u00e1, algu\u00e9m do Cock Sparrer, a gente sabe quem \u00e9 quem e vai cumprimentar. Topei com o Dennis em um festival e perguntei se ele queria cantar. Ele me disse para enviar uma grava\u00e7\u00e3o. Mandei um material no qual est\u00e1vamos trabalhando, e ele escreveu de volta dizendo que aceitava. E foi isso. N\u00e3o \u00edamos dizer para o vocalista como fazer a parte dele, mas eu sabia como o Dennis pensa. Sou um f\u00e3 da forma como ele escreve m\u00fasica, ent\u00e3o tinha certeza de que ele n\u00e3o faria algo simplesmente por fazer. Dennis \u00e9 um cara s\u00e9rio. O que \u00e9 bacana do Fake Names \u00e9 que o som \u00e9 leve, puxa mais para o punk do fim dos 1970, mas as letras do Dennis s\u00e3o sobre problemas do s\u00e9culo 21. Isso torna a entrega interessante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem algum momento preferido do livro? Qual parte diria para os leitores prestarem aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nMinhas partes favoritas s\u00e3o as mais aned\u00f3ticas. Por\u00e9m, eu realmente n\u00e3o estava ciente de que o Fletcher (guitarrista do Pennywise) levou o Brett para a reabilita\u00e7\u00e3o. O que me soou engra\u00e7ado, pois conhe\u00e7o o Fletcher quase toda minha vida, e ele n\u00e3o \u00e9 o tipo de cara que iria \u00e0 reabilita\u00e7\u00e3o. Aprendi mais sobre o Brett com o livro. Como ele n\u00e3o tem feito turn\u00ea com a gente, n\u00e3o passei com ele o mesmo tempo que com Greg e Jay. Ent\u00e3o, tudo era fascinante (no livro). Principalmente as hist\u00f3rias de uns gravadores antigos e do come\u00e7o da Epitaph, quando ele praticamente vivia no pequeno espa\u00e7o do escrit\u00f3rio aprendendo melhor a como gravar m\u00fasica. Tenho grande respeito pela habilidade dele, pois o Brett batalhou para chegar onde est\u00e1. Esses trechos do Brett s\u00e3o muito legais. Espero que os leitores tamb\u00e9m achem, o que pode ser uma inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Infected - Bad Religion - 1994\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8S_lAB2WpTE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bad Religion Performs &quot;21st Century (Digital Boy)&quot; in the KROQ HD Radio Sound Space\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7m_oYHGIybo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bad Religion - Punk Rock Song (Live At MTV Rock AM Ring &#039;98)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ednyj7usfK0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Bad Religion - KROQ Absolut Almost Acoustic Christmas 2018\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SG19trIiaMM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cFa\u00e7a o que Voc\u00ea Quiser\u201d, a biografia do Bad Religion, ganhou edi\u00e7\u00e3o nacional, e o guitarrista Brian Baker revelou seus momentos preferidos do livro e recorda\u00e7\u00f5es que n\u00e3o est\u00e3o nas p\u00e1ginas, falou sobre o impacto da literatura nas composi\u00e7\u00f5es da banda, entre muitas outras coisas. Confira!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/23\/entrevista-brian-baker-bad-religion\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":58722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3938],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58721"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58721"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58721\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58759,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58721\/revisions\/58759"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58721"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58721"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58721"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}