{"id":58703,"date":"2003-07-07T01:30:19","date_gmt":"2003-07-07T04:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58703"},"modified":"2020-11-22T01:38:58","modified_gmt":"2020-11-22T04:38:58","slug":"cinema-o-filho-dos-irmaos-dardenne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/07\/07\/cinema-o-filho-dos-irmaos-dardenne\/","title":{"rendered":"Cinema: &#8220;O Filho&#8221;, d&#8217;Os Irm\u00e3os Dardenne"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58704 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lefis1.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"629\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lefis1.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lefis1-215x300.jpg 215w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazer um filme \u00e9, invariavelmente, contar uma hist\u00f3ria. Desse modo, cada diretor tem a seu dispor uma s\u00e9rie de recursos para fazer dessa hist\u00f3ria que tem na cabe\u00e7a, algo visual. O modo como usa o roteiro, a c\u00e2mera, o modo como dirige os atores, quase tudo em um filme bem dirigido busca tornar real aquilo que o diretor traz como imagina\u00e7\u00e3o em sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a pensar nisto ap\u00f3s assistir um sess\u00e3o do filme &#8220;O Filho&#8221; (&#8220;Le Fils&#8221; \u2013 2002 co-produ\u00e7\u00e3o B\u00e9lgica\/Fran\u00e7a), em uma sala aparentemente cheia, mas que, com o decorrer da pel\u00edcula, come\u00e7ou a ter lugares abandonados, pessoas que iam embora sem ao menos ter a curiosidade de como a dupla belga de irm\u00e3os diretores, Jean Pierre e Luc Dardenne, iria terminar de contar a hist\u00f3ria de Olivier.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olivier \u00e9 um professor de marcenaria em um centro de educa\u00e7\u00e3o profissional para jovens desajustados que, acaso dos acasos, reencontra um jovem rapaz cujo ato, anos antes, resultou em uma trag\u00e9dia. E a trag\u00e9dia tem a ver com a antiga fam\u00edlia de Olivier.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo desse ponto, temos pouco mais de hora e meia frente a frente com imagens projetadas em uma tela cujo som de fundo \u00e9 apenas o som do dia a dia. N\u00e3o h\u00e1 trilha sonora em &#8220;O Filho&#8221;, m\u00fasicas mesmo. \u00c9 o som do martelo, da madeira sendo cortada, do motor de um carro, de portas se abrindo que d\u00e1 brilho a obra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58705\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lefis2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lefis2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/lefis2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os irm\u00e3os belgas testam a paci\u00eancia do espectador em longas passagens cujo objeto de foco \u00e9, quase sempre, Olivier. N\u00e3o \u00e0 toa, o ator que o interpreta, Olivier Gourmet, levou o Grande Pr\u00eamio por Atua\u00e7\u00e3o masculina em Cannes, 2002. A interpreta\u00e7\u00e3o de Gourmet \u00e9 densa, tensa, um tanto atabalhoada e, por antagonismo, quase muda. \u00c9 uma papel defensivo, que pouco cobra do espectador al\u00e9m da vis\u00e3o, e isso, sim, deve incomodar a aqueles que v\u00e3o ao cinema em busca de emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O Filho&#8221; n\u00e3o \u00e9 emocionante. \u00c9 daqueles filmes que se prendem em seu pr\u00f3prio universo, ref\u00e9m de uma realidade que julgamos muito familiar e, por isso, nos faz atentar para nossos pr\u00f3prios atos. Por sua vez, se \u00e9 dif\u00edcil adentrar o mundo de Olivier, a hist\u00f3ria, principalmente do meio para o final, fisga o espectador mais turr\u00e3o, aquele que se recusou a levantar e sair da sala. E esse interesse resulta do fato de &#8220;O Filho&#8221; tratar de uma velha quest\u00e3o milenar na hist\u00f3ria da humanidade: o perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o leitor n\u00e3o tiver esbarrado em nenhuma resenha que tenha entregado o sublime e metaf\u00f3rico final, a sensa\u00e7\u00e3o de se estar prostrado frente a este filme ser\u00e1 de divaga\u00e7\u00f5es acerca dos pensamentos pr\u00f3prios de cada ser, de como cada um lida com o perd\u00e3o e com a vingan\u00e7a, do quanto conseguimos aceitar e, mais, enfrentar os traumas passados. Se conseguirmos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que este desenrolar acontece na meia hora final e, desculpe lhe desapontar, n\u00e3o adianta voc\u00ea assistir somente esse trecho do filme. Para se entender a op\u00e7\u00e3o que Olivier ir\u00e1 tomar, \u00e9 preciso conhecer sua rotina. E para se conhecer a rotina deste chefe de marcenaria, um homem separado da mulher, sem filhos e dedicado ao seu trabalho, ser\u00e1 preciso bastante paci\u00eancia. O exerc\u00edcio vale a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, se ao final de ler esta resenha, voc\u00ea desejar ver o filme e ap\u00f3s v\u00ea-lo odiar, voc\u00ea me perdoa, caro leitor? \u00c9 um bom teste para todo n\u00f3s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&#039;Le Fils&#039; (&#039;The Son&#039;) trailer - Jean-Pierre &amp; Luc Dardenne\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/em1o2XzUFMM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: inherit;\">\u2013 Marcelo Costa (<\/span><a style=\"font-size: inherit;\" href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a><span style=\"font-size: inherit;\">) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog\u00a0<\/span><a style=\"font-size: inherit;\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<div data-wpusb-component=\"buttons-section\">\n<div id=\"wpusb-container-default\" class=\"wpusb wpusb-default  \" data-element-url=\"http%3A%2F%2Fscreamyell.com.br%2Fsite%2F2020%2F11%2F19%2Ftres-perguntas-marina-melo-fala-do-ep-o-mundo-acabou-mas-continua-girando%2F\" data-element-title=\"Tr%C3%AAs%20perguntas%3A%20Marina%20Melo%20fala%20do%20EP%20%E2%80%9Co%20mundo%20acabou%20mas%20continua%20girando%E2%80%9D\" data-attr-reference=\"58621\" data-attr-nonce=\"e97acea729\" data-is-term=\"0\" data-wpusb-component=\"counter-social-share\">\n<div class=\"wpusb-item wpusb-twitter \"><\/div>\n<div class=\"wpusb-item wpusb-linkedin \"><\/div>\n<div class=\"wpusb-item wpusb-share \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se o leitor n\u00e3o tiver esbarrado em nenhuma resenha que tenha entregado o sublime e metaf\u00f3rico final, a sensa\u00e7\u00e3o de se estar prostrado frente a este filme ser\u00e1 de divaga\u00e7\u00f5es acerca dos pensamentos pr\u00f3prios de cada ser&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/07\/07\/cinema-o-filho-dos-irmaos-dardenne\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":58706,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[4959],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58703"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58703"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58703\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58707,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58703\/revisions\/58707"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58706"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58703"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58703"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58703"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}