{"id":58670,"date":"2005-04-01T23:54:46","date_gmt":"2005-04-02T02:54:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58670"},"modified":"2020-11-20T00:07:10","modified_gmt":"2020-11-20T03:07:10","slug":"musica-o-exercicio-das-pequenas-coisa-ludov","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/04\/01\/musica-o-exercicio-das-pequenas-coisa-ludov\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;O Exerc\u00edcio das Pequenas Coisa&#8221;, Ludov"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58671 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ludovexercicio.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ludovexercicio.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ludovexercicio-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/ludovexercicio-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Drex<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No best-seller &#8220;O Erro de Descartes&#8221;, o neurologista Antonio Dam\u00e1sio enfrenta impiedosamente as id\u00e9ias racionalistas daquele c\u00e9lebre fil\u00f3sofo franc\u00eas. Dam\u00e1sio, com base em anos de experi\u00eancia m\u00e9dica e cient\u00edfica, afirma sem meias palavras: o c\u00e9rebro e o corpo trabalham juntos e, com o objetivo de buscar nossa pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, a mente nunca toma decis\u00f5es ou realiza julgamentos baseada exclusivamente em elementos racionais. Sendo a realidade muit\u00edssimo complexa, se utiliz\u00e1ssemos somente a raz\u00e3o pura, ter\u00edamos enorme dificuldade para obter as solu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, com rapidez e efici\u00eancia, para os problemas mais corriqueiros do dia-a-dia.. Diante da necessidade de tomar uma decis\u00e3o, ficar\u00edamos eternamente calculando as probabilidades. Ao contr\u00e1rio do que possa parecer, se f\u00f4ssemos completamente racionais, as nossas id\u00e9ias e opini\u00f5es seriam sempre ocas, vol\u00faveis e descomprometidas &#8211; estar\u00edamos eternamente \u00e0 espera de mais uma vari\u00e1vel para completar a an\u00e1lise. Sem a ajuda das emo\u00e7\u00f5es, dos instintos e da intui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00edamos apenas frios e calculistas. Ser\u00edamos frios, calculistas, idiotas e indecisos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Livros de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sempre me assustaram um pouco. Entretanto, depois de quebrar essa barreira, pude descobrir neles coisas extremamente interessantes. Algumas id\u00e9ias que, por mais te\u00f3ricas que pare\u00e7am, acabam sempre dando uma m\u00e3o quando me meto a matutar sobre as trivialidades da vida. Aconteceu isso hoje. Numa daquelas correla\u00e7\u00f5es que s\u00f3 a mais profunda das sinapses pode explicar, pensei no livro do Dam\u00e1sio enquanto escutava o \u00faltimo disco do Ludov, &#8220;O Exerc\u00edcio das Pequenas Coisas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o se misturaram na minha mente. E haja turbul\u00eancia. Acabei, ent\u00e3o, angustiado por um dilema. Foi imposs\u00edvel n\u00e3o adorar o disco do Ludov, mas, ao mesmo tempo, sei que minha opini\u00e3o n\u00e3o se deve exclusivamente ao conte\u00fado daquelas 15 faixas. E agora, na hora de emitir alguma opini\u00e3o, de fazer algum tipo de julgamento, o que raios devo fazer com a clar\u00edssima consci\u00eancia de que, para mim, \u00e9 imposs\u00edvel escutar Ludov com ouvidos isentos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explico melhor. N\u00e3o se trata de ter na banda algum amigo ou parente. Nem mesmo conhecidos. Meu caso \u00e9 pior que esse &#8211; trata-se de uma rela\u00e7\u00e3o plat\u00f4nica. Um v\u00ednculo que se fortalece h\u00e1 tempos, simplesmente porque o Ludov esteve insistentemente presente na minha vida nestes \u00faltimos anos. Nos dias bons e nos dias ruins. Como um bom e velho amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, se algu\u00e9m quiser ler uma cr\u00edtica, propriamente dita, de &#8220;O Exerc\u00edcio das Pequenas Coisas&#8221;, por favor, siga direto at\u00e9 os \u00faltimos quatro par\u00e1grafos deste texto. At\u00e9 l\u00e1, talvez eu j\u00e1 tenha conseguido destrinchar os fatos dos sentimentos. Agora, no entanto, com toda a sua licen\u00e7a, vou abrir aqui um grande par\u00eantese para tentar entender como essa banda, sem pedir licen\u00e7a nenhuma, se intrometeu inexoravelmente no meu caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">L\u00e1 pelos idos dias do ano 2000, meu cunhado me contava uma novidade: comprara um CD de uma banda independente, uma tal de Maybees. Pouco tempo depois ele faria as malas, partiria para os EUA e levaria o tal CD na bagagem. Cunhados, ora, \u00e0s vezes podem ser ingratos. Fiquei sem poder ouvir o CD, mas o nome daquela banda ficara gravado em minha cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco mais tarde, fui descobrir que o tal Maybees era, naquela altura, uma das bandas independentes mais consagradas da &#8220;cena&#8221; paulista. Atrav\u00e9s do saudoso Napster, consegui encontrar algumas can\u00e7\u00f5es. Eram tempos, por\u00e9m, em que fazer o download de uma m\u00fasica exigia uma longa jornada noite adentro. Fui baixando, trabalhosamente, uma a uma &#8211; &#8220;\u00c9rika&#8221;, &#8220;You&#8217;re Back&#8221;, &#8220;Mary and The Moon&#8221; e outras v\u00e1rias. Eu passava ent\u00e3o por tempos bastante turbulentos, meu cora\u00e7\u00e3o estava carente de prumo. Foi inevit\u00e1vel que aquelas can\u00e7\u00f5es, pequenas p\u00e9rolas coletadas com tanto cuidado, acabassem se tornando meu pequeno tesouro digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era um momento pessoal de renova\u00e7\u00e3o e o Maybees significou para mim o ressurgimento do interesse por m\u00fasica nova. Isso parece pouco, mas n\u00e3o \u00e9. Junto com outras bandas, naquele momento eles ajudaram a reabrir a minha lojinha, tirar o p\u00f3 dos meus arquivos, receber novos convidados. Se n\u00e3o fosse por isso, talvez hoje eu seria mais um dos f\u00e3s ardorosos da Kiss FM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente, logo descobri que eu havia chegado tarde aos Maybees. Em meados de 2002, soube por alguma mail-list sobre um show no Sesc Pomp\u00e9ia, lan\u00e7amento de um revista. Uma das apresenta\u00e7\u00f5es seria a estr\u00e9ia da Supertrunfo, a nova banda dos ex-Maybees, agora cantando em portugu\u00eas. N\u00e3o hesitei em ir ao SESC. Tamb\u00e9m eu estava estreando um novo amor e fazia quest\u00e3o de testemunhar a banda respons\u00e1vel pela trilha sonora de alguns dos meus novos suspiros. Mesmo que agora eles estivessem com outro nome e cantando no idioma nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show foi antol\u00f3gico. Dizem que a viagem \u00e9 o viajante e, portanto, at\u00e9 hoje n\u00e3o sei se a apresenta\u00e7\u00e3o do Supertrunfo foi mesmo apote\u00f3tica ou se se tratava apenas da minha catarse pessoal. No palco criou-se um clima perform\u00e1tico, teatral, com todos os m\u00fasicos vestidos de negro. A banda j\u00e1 estava no meio de uma longa introdu\u00e7\u00e3o quando a vocalista, que agora eu sabia chamar-se Vanessa, fez sua entrada. Era a diva que subia ao palco, e o p\u00fablico gritava. No microfone, aquela voz fazia tudo obter sentido. Ainda me lembro de ouvir, pela primeira vez, can\u00e7\u00f5es como &#8220;Tr\u00e2nsito&#8221; e &#8220;Dois a Rodar&#8221;. Esta \u00faltima, ali\u00e1s, j\u00e1 entoada de cor por algumas meninas da plat\u00e9ia. Provavelmente gente do f\u00e3 clube da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pergunta, no entanto, ficava solta no ar. As m\u00fasicas em portugu\u00eas tinham agradado, tudo bem, mas ainda era muito dif\u00edcil entender por que o Maybees havia acabado. Quem j\u00e1 conhecia o passado daquela banda de negro em cima do palco, n\u00e3o conseguia esconder a perplexidade. Ora, se os integrantes continuavam os mesmos, porque deixar para tr\u00e1s um nome e um repert\u00f3rio j\u00e1 consagrados? Aquela escolha, optar por um recome\u00e7o radical e arriscado, talvez n\u00e3o fosse mesmo racionalmente explic\u00e1vel. De fora, parecia um lance de ousadia. De dentro, talvez fosse o caminho simplesmente necess\u00e1rio. No fim, foi uma op\u00e7\u00e3o que, a parte de todas as opini\u00f5es, viria a dar frutos e se justificar algum tempo depois. O tempo seria, tal como no clich\u00ea, o senhor da raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do Sesc, o Supertrufo sumiu por uns tempos, pelo menos dos meus ouvidos. Pelo site oficial, descobri que o nome da banda mudaria de novo, por problemas de direitos autorais. O novo nome me soava um tanto estranho &#8211; Ludov.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo ficara por isso mesmo at\u00e9 que, certa noite de s\u00e1bado, decidimos sair para ouvir rock. As festas da Sound, na DJ Club, em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 tinham enjoado um pouco, e a Funhouse era ent\u00e3o a novidade no menu paulistano. Ali\u00e1s, assim como a noite &#8220;indie&#8221; de S\u00e3o Paulo, a trajet\u00f3ria do meu novo amor tamb\u00e9m evolu\u00eda e o que antes era apenas in\u00edcio, agora j\u00e1 tinha se transformado em namoro firme e oficial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao entrar no sobradinho apertado da Bela Cintra, pude ler, no quadro branco colocado ao lado da porta, o nome da banda da noite &#8211; Ludov. Surpresa boa. Seriam eles mesmos? Eram. Outra apresenta\u00e7\u00e3o \u00f3tima. Desta vez, cedendo aos pedidos insistentes, encerraram o show com o hit maior do extinto Maybees, a poderosa &#8220;\u00c9rika&#8221;. Era um show de transi\u00e7\u00e3o, e ainda restava alguma toler\u00e2ncia com o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se naquela noite o encontro foi ao acaso, ele se repetiria outra vez premeditadamente. Voltei a Funhouse, algum tempo depois, para ver novamente a banda. Desta vez, eles j\u00e1 se recusavam a tocar &#8220;\u00c9rika&#8221; ou remexer no ba\u00fa do Maybees. Pouco a pouco, ningu\u00e9m mais se importaria com isso. Parecia que todos haviam superado o passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste dia na Funhouse, um fato inusitado. Durante o show, na pista min\u00fascula e cheia de gente, com o bra\u00e7o da guitarra de Habacuque ro\u00e7ando minha cabe\u00e7a, eu e minha menina segu\u00edamos os mandamentos da banda e nos beij\u00e1vamos a &#8220;(&#8230;) rodar e a rodar&#8221;. Mais tarde, no bar, o Eduardo, baixista do Ludov, veio falar com a gente. Tinha nos visto na pista, naquela cena de videoclipe rom\u00e2ntico, e tinha achado tudo muito bonito. Apenas agradeci, com timidez. Mas percebi ali que aquelas can\u00e7\u00f5es, ou na verdade aquelas pessoas, iam pouco a pouco se sedimentando como companheiros importantes daquele meu peda\u00e7o de vida, como verdadeiras testemunhas de uma etapa da minha trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comprei o EP &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/07\/29\/musica-dois-a-rodar-ludov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dois a Rodar<\/a>&#8221; naquele mesma noite. A partir dali, acompanhei o Ludov, eventualmente ou sempre que poss\u00edvel, por diversos outros lugares. Ou, talvez, tenham sido eles que me acompanharam. Em 2004 vieram o Curitiba Pop Festival, depois um show na Outs, outro no Centro Cultural S\u00e3o Paulo. As m\u00fasicas do EP j\u00e1 eram definitivamente \u00edntimas e m\u00fasicas novas iam sendo inseridas pouco a pouco no repert\u00f3rio. Depois foi &#8220;Princesa&#8221; tocando discretamente no r\u00e1dio, clipes freq\u00fcentes na MTV, pr\u00eamio no VMB. A consagra\u00e7\u00e3o dentro do &#8220;mundinho&#8221; e um ci\u00fame besta da minha parte, inconfess\u00e1vel e inevit\u00e1vel. Ci\u00fame que seria curado definitivamente por outro show memor\u00e1vel no final do ano passado, na sala de cinema da Galeria Olido, no centro de S\u00e3o Paulo. Quem esteve l\u00e1 sabe: apresenta\u00e7\u00e3o intimista e irretoc\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A est\u00f3ria vai se fechando. M\u00eas passado houve outro show no Centro Cultural S\u00e3o Paulo, agora j\u00e1 como o repert\u00f3rio totalmente renovado pelo lan\u00e7amento deste primeiro CD &#8220;cheio&#8221; do Ludov &#8211; &#8220;O Exerc\u00edcio das Pequenas Coisas&#8221;. O CCSP estava tomado e o p\u00fablico, como de costume, j\u00e1 sabia todas as letras das m\u00fasicas rec\u00e9m lan\u00e7adas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comprei o &#8220;Exerc\u00edcio das Pequenas Coisas&#8221; somente depois desse \u00faltimo show. Ouvi-lo, para mim, \u00e9 um exerc\u00edcio d\u00fabio. Em certa medida, atrav\u00e9s de algumas m\u00fasicas j\u00e1 ouvidas, \u00e9 sentir a consolida\u00e7\u00e3o de tudo que se passou nestes \u00faltimos anos. Por um outro lado, por\u00e9m, \u00e9 tamb\u00e9m descobrir novas p\u00e9rolas, novas can\u00e7\u00f5es que v\u00e3o provavelmente cal\u00e7ar meus passos daqui para frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s tudo isso pode dizer que &#8220;O Exerc\u00edcio das Pequenas Coisas&#8221; oferece um excelente retrato de todas as qualidades do Ludov &#8211; um pop-rock de bra\u00e7os abertos, com recheio s\u00f3lido e consistente. O CD come\u00e7a com &#8220;S\u00e9rio&#8221;, uma gostosa levada pop que, dissimulando simplicidade, esconde uma intrincada constru\u00e7\u00e3o r\u00edtmica bastante interessante. &#8220;Estrelas&#8221; vem em seguida, outra com grande apelo, viol\u00e3o e \u00f3tima melodia, lembrando Lulu Santos e surf music.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As preferidas da casa, por\u00e9m, s\u00e3o aquelas em que Vanessa despeja seu potencial dram\u00e1tico, ajudada por alguns versos que colam no ouvido &#8211; &#8220;Dorme Agora&#8221; e &#8220;Kriptonita&#8221; s\u00e3o verdadeiramente poderosas, para cantar de peito aberto e desobstruir os pulm\u00f5es. Em &#8220;Elastano&#8221; e &#8220;Sete Anos&#8221; temos duas experimenta\u00e7\u00f5es vocais. Na primeira, o guitarrista Habacuque Lima experimenta sua voz num rock mais duro, com uma linha de guitarra bem marcante. Na segunda, o multi-homem Mauro Matoki, j\u00e1 mais experiente com o microfone, manda uma deliciosa fantasia de inf\u00e2ncia, uma mistura de marchinha dixieland a la New Orleans com vaudeville circense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro destaque \u00e9 a instrumental &#8220;Supertrunfo&#8221; que, ironicamente, tem uma das melodias mais marcantes do disco. &#8220;Supertrunfo&#8221; exorciza e faz as pazes com o passado, a um s\u00f3 tempo. Al\u00e9m de possuir o nome que marcou a virada da banda, \u00e9 a m\u00fasica que mais remete \u00e0 &#8220;velha&#8221; sonoridade do Maybees.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o que importa \u00e9 a sonoridade nova. E eles seguem confirmando, como em outros tempos, que s\u00e3o capazes de conciliar, com esmero, a cor e a alegria dos arranjos com a emo\u00e7\u00e3o densa dos vocais de Vanessa. Sobre uma &#8220;cozinha&#8221; pesada, com baixo e bateria calcados em elementos nitidamente rock, o Ludov ainda despeja uma montanha de informa\u00e7\u00e3o musical das mais variadas. O lado mel\u00f3dico do rock nacional anos 80, o capricho e a inventividade dos arranjos da Tropic\u00e1lia, ecos de emotividade da MPB mais tradicional, os vocais femininos remetendo \u00e0s toda a tradi\u00e7\u00e3o das cantoras de rock internacional, da new-wave at\u00e9 o Garbage. Mais do que isso, o Ludov vem ajudar a consolidar um novo caminho na tradi\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o popular brasileira. Sem nenhum exagero, junto com bandas como Pato Fu, Los Hermanos e outros cantadores mais &#8220;MPB&#8221; (Lenine, por exemplo), eles se inserem num espa\u00e7o pouco afeito a r\u00f3tulos ou defini\u00e7\u00f5es, onde n\u00e3o se destaca pelo estilo, postura ou segmenta\u00e7\u00e3o, apenas pela compet\u00eancia de criar belas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que o Ludov possui suas fraquezas e defeitos. Qualquer cr\u00edtica imparcial deveria logicamente cit\u00e1-los. Mas, como j\u00e1 falei, depois de tudo que contei at\u00e9 aqui, me abstenho de fazer isso. Deixo a cada um essa tarefa. Ou\u00e7am o disco, fa\u00e7am sua pr\u00f3pria an\u00e1lise, procurem os defeitos que quiserem. No meu julgamento, impregnado de est\u00f3ria e emo\u00e7\u00e3o, s\u00f3 posso garantir que essa busca vai valer a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fim, por\u00e9m, ainda fica a d\u00favida &#8211; minha opini\u00e3o tem aqui algum valor? Devo ter pensado em Dam\u00e1sio, l\u00e1 atr\u00e1s, por conta disso. Ele talvez me isente dessa quest\u00e3o e me libere de maiores culpas. Posso sim, falar sobre o que bem entender. Ali\u00e1s, creio que posso at\u00e9 adaptar as suas id\u00e9ias e afirmar: n\u00e3o existe cr\u00edtica ou opini\u00e3o que sejam absolutamente racionais. Ou melhor, talvez at\u00e9 existam. Mas certamente n\u00e3o s\u00e3o as melhores. Como Dam\u00e1sio afirma, os melhores julgamentos s\u00e3o aqueles feitos sob o calor das emo\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o os que s\u00e3o isentos dela.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ludov - Kriptonita\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hOL986dwM7c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O Exerc\u00edcio das Pequenas Coisas&#8221; oferece um excelente retrato de todas as qualidades do Ludov &#8211; um pop-rock de bra\u00e7os abertos, com recheio s\u00f3lido e consistente.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/04\/01\/musica-o-exercicio-das-pequenas-coisa-ludov\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":58672,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1008],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58670"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58670"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58670\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58673,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58670\/revisions\/58673"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58672"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}