{"id":58321,"date":"2020-11-12T00:59:20","date_gmt":"2020-11-12T03:59:20","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58321"},"modified":"2020-12-09T18:58:16","modified_gmt":"2020-12-09T21:58:16","slug":"entrevista-wry-lanca-noites-infinitas-primeiro-album-em-11-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/12\/entrevista-wry-lanca-noites-infinitas-primeiro-album-em-11-anos\/","title":{"rendered":"Entrevista: WRY lan\u00e7a \u201cNoites Infinitas\u201d, primeiro \u00e1lbum em 11 anos"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s anunciar o retorno \u00e0s atividades em 2015 \u2014 depois de quatro anos parados \u2014, agora d\u00e1 para afirmar de forma categ\u00f3rica: o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/WRYMUSIC\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">WRY<\/a> est\u00e1 de volta! N\u00e3o que eles estivessem desocupados nesse tempo todo. Com dezenas de shows e o lan\u00e7amento de alguns singles no per\u00edodo, o quarteto de Sorocaba se manteve na ativa. Mas faltava um \u00e1lbum para coroar a retomada do grupo surgido nos anos 90 em alto estilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o lan\u00e7amento de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0t7lSY7kb3JcmWgkuoGo91\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Noites Infinitas<\/a>\u201d, em outubro, a banda preencheu essa lacuna. O sexto disco est\u00fadio do WRY \u2014 e o primeiro desde \u201cShe Science\u201d, de 2009 \u2014 traz 10 faixas que refletem a experi\u00eancia de viver em uma cidade conservadora e que espelham a ansiedade, o desespero e a busca por caminhos n\u00e3o convencionais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado no est\u00fadio pr\u00f3prio da banda, o Deaf Haus, o disco foi produzido em 2019, ap\u00f3s um per\u00edodo de composi\u00e7\u00e3o iniciado ainda em 2017. A inexist\u00eancia de press\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o de o grupo trabalhar em um espa\u00e7o que \u00e9 seu, contribuiu para que o processo de cria\u00e7\u00e3o do disco fosse mais relaxado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido pelo vocalista e guitarrista Mario Bross, \u201cNoites Infinitas\u201d tem mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Antunes. O \u00e1lbum tamb\u00e9m marca a estreia do baterista \u00cdtalo Ribeiro em um registro mais longo, ap\u00f3s ter se juntado a Mario, ao guitarrista Luciano Marcello e ao baixista William Leonotti em 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas respostas \u00e0s perguntas enviadas por Scream &amp; Yell, Mario revela suas preocupa\u00e7\u00f5es com o governo Bolsonaro, o que acha que vai ocorrer no mercado de shows quando a pandemia terminar e o que aprendeu com Kevin Shields, do My Bloody Valentine, durante os anos em que a banda viveu na Inglaterra. Confira o papo a seguir!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"WRY - Tumulto, Barulho e Confus\u00e3o (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VgcRmz0ee64?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 est\u00e3o de volta ao Brasil h\u00e1 mais de 10 anos, mas este \u00e9 o primeiro \u00e1lbum completo gravado aqui desde o retorno, certo? Como foi a experi\u00eancia de gravar no est\u00fadio pr\u00f3prio da banda, o Deaf Haus? Especialmente do ponto de vista t\u00e9cnico, h\u00e1 muita diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos est\u00fadios em que voc\u00eas trabalharam na Inglaterra?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 o primeiro \u00e1lbum cheio, sem contar singles. A gente sempre teve um est\u00fadio por onde a gente passou. Seja construindo numa garagem em Londres ou alugando um espa\u00e7o para ficarmos \u00e0 vontade. Mas esse de agora \u00e9 o mais profissional de todos. Alugamos e gravamos para outras bandas tamb\u00e9m, al\u00e9m de fazermos eventos. A experi\u00eancia \u00e9 sensacional porque voc\u00ea pode ir a hora que quiser [risos]. Entre o Deaf Haus e os est\u00fadios em que gravamos em Londres, a diferen\u00e7a \u00e9 tamanho e equipamentos. Mas em Londres tamb\u00e9m gravamos em est\u00fadios menores do que o que temos hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2016, voc\u00eas deram <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/12\/entrevista-wry\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma entrevista para o Scream &amp; Yell<\/a> na qual j\u00e1 falavam sobre a grava\u00e7\u00e3o do disco, mas ele s\u00f3 saiu quatro anos depois. Foi o trabalho mais demorado da banda at\u00e9 hoje? Por qu\u00ea? E de que forma isso impactou o resultado?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei o que falei l\u00e1, mas imagino que era a inten\u00e7\u00e3o mesmo. Entre 2015 e 2016, fizemos cerca de 100 shows, e come\u00e7amos a constru\u00e7\u00e3o do est\u00fadio nessa \u00e9poca tamb\u00e9m. Por\u00e9m acabamos s\u00f3 lan\u00e7ando uns singles em 2017 e 2018. Organizamos o (festival) Circad\u00e9lica nesses dois anos, al\u00e9m de fazermos outros 50 shows. Outra coisa que rolou foi o \u00cdtalo, baterista que entrou pra banda em 2016. Com todas essas coisas, ainda mudamos um pouco o foco quando come\u00e7aram as campanhas das elei\u00e7\u00f5es. Eu estava tocando synth e percebi que n\u00e3o fazia sentido mais. Queria empunhar uma guitarra. O som que estava meio dream pop foi se tornando mais p\u00f3s-punk de novo. Ent\u00e3o, o grosso do disco foi feito em 2019 mesmo, quando realmente t\u00ednhamos terminado de construir o est\u00fadio e sentimos que est\u00e1vamos prontos pra gravar o \u00e1lbum oficialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pandemia influenciou ou impactou o processo de grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nQuando come\u00e7ou o distanciamento social, a gente ainda gravou uma nova linha de vocal com nova letra para &#8220;Absoluta Incerteza&#8221; e algumas guitarras e percuss\u00f5es. Mas foi s\u00f3 isso, o restante j\u00e1 estava pronto, n\u00e3o teve um impacto aparente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais foram as inspira\u00e7\u00f5es para o novo disco? Qual \u00e9 o principal tema do \u00e1lbum \u2014 levando em conta que os t\u00edtulos s\u00e3o um tanto obscuros, como &#8220;Morre a Esperan\u00e7a&#8221;, &#8220;Absoluta Incerteza&#8221; e &#8220;Weapon In My Hand&#8221;? E de onde vem o t\u00edtulo &#8220;Noites Infinitas&#8221;?<\/strong><br \/>\nO principal tema das letras \u00e9 sobre lidar com a ansiedade em tempos como os atuais, de diferentes formas, sob diferentes perspectivas. O nome inicial do \u00e1lbum era &#8220;Noites em Claro, Dores Infinitas e Pensamentos Repetitivos&#8221;, que veio das sensa\u00e7\u00f5es que podem rolar numa crise de ansiedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No press release do novo disco, voc\u00ea falam sobre Sorocaba ser uma cidade &#8220;ultra conservadora&#8221; e sobre como isso inspirou as m\u00fasicas. Acreditam que a cidade seja mais conservadora do que a m\u00e9dia do Brasil, um pa\u00eds que hoje tem um governo que muitos qualificam como de extrema direita?<\/strong><br \/>\nEu tenho certeza que Sorocaba est\u00e1 entre as mais conservadoras, mas n\u00e3o duvido que tenham outras que ganham o p\u00f3dio. A cultura aqui, sob o ponto de vista da prefeitura, \u00e9 quase inexistente, e quem faz de forma independente n\u00e3o tem nenhum apoio. E olha que a cidade \u00e9 bem grande. Isso \u00e9 s\u00f3 um exemplo que est\u00e1 pr\u00f3ximo de mim. Fora isso, o conservadorismo gritante \u00e9 visto de forma bem clara, muito antes do Bolsonaro. Inclusive, ele teve por volta de 75% de votos aqui na cidade [Nota: <a href=\"https:\/\/especiais.gazetadopovo.com.br\/eleicoes\/2018\/resultados\/municipios-sao-paulo\/sorocaba-sp\/presidente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foram 73,72% dos votos<\/a>]. S\u00e3o muitos exemplos do dia a dia que nos fazem pensar assim sobre a cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A WRY sempre teve um som que remetia aos anos 90 ou a um lado mais barulhento dos anos 80, mas nesse novo \u00e1lbum d\u00e1 para perceber ecos de The Smiths, Echo and the Bunnymen e outras bandas oitentistas. Voc\u00eas se inspiraram racionalmente nesse tipo de som para fazer o novo disco ou as influ\u00eancias aparecem de forma natural\/instintiva mesmo?<\/strong><br \/>\nAs influ\u00eancias aparecem naturalmente. Fazemos rock alternativo que sempre oscilou entre p\u00f3s-punk e shoegaze, mas sempre de uma forma atual, pois isso tamb\u00e9m \u00e9 natural na gente. Apesar das influ\u00eancias, n\u00e3o acho que fazemos um som nost\u00e1lgico. Escutamos mais bandas atuais do que antigas, por\u00e9m tamb\u00e9m temos os famosos momentos de redescobertas, como tivemos com The Cure e The Clash recentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum est\u00e1 saindo pelo selo independente norte-americano OAR. Qual o papel de uma gravadora para uma banda como o WRY no cen\u00e1rio atual?<\/strong><br \/>\nA gravadora d\u00e1 o suporte financeiro que precisamos no come\u00e7o, como gastos com assessoria de imprensa, prensagem de discos, distribuidores de r\u00e1dio, entre outras coisas. E, nesse caso espec\u00edfico, abre-se algumas portas para os Estados Unidos, o que \u00e9 massa, pois temos muita vontade de tocar l\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/mondowry.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na p\u00e1gina de voc\u00eas no Bandcamp<\/a> s\u00f3 h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre o lan\u00e7amento do \u00e1lbum em formato digital. Tamb\u00e9m ser\u00e3o disponibilizadas vers\u00f5es f\u00edsicas?<\/strong><br \/>\nSim, assim que entrarmos em turn\u00ea de novo, teremos vers\u00f5es f\u00edsicas, incluindo em vinil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58324\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WRY2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WRY2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WRY2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WRY2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o &#8220;She Science&#8221; (2009), voc\u00eas v\u00eam compondo tamb\u00e9m em portugu\u00eas. Como voc\u00eas definem se uma can\u00e7\u00e3o ter\u00e1 letra em ingl\u00eas ou em portugu\u00eas? \u00c9 algo na sonoridade que influencia a escolha do idioma? H\u00e1 alguma quest\u00e3o mais t\u00e9cnica envolvida ou depende mais da inspira\u00e7\u00e3o e do feeling de cada m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nOlha, isso pode vir de forma natural, mas tamb\u00e9m de forma for\u00e7ada mesmo. J\u00e1 gravamos em casa quase um \u00e1lbum inteiro nessa pandemia, e essas can\u00e7\u00f5es novas est\u00e3o todas em portugu\u00eas. N\u00e3o significa que n\u00e3o teremos em ingl\u00eas tamb\u00e9m. Mas voltando \u00e0 pergunta, no nosso caso n\u00e3o tem uma regra clara, pode variar mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/31\/tres-perguntas-pedro-verissimo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Ver\u00edssimo<\/a> fala que o problema das bandas brasileiras n\u00e3o \u00e9 cantar em portugu\u00eas, e sim o que ele chama de &#8220;s\u00edndrome do jingle&#8221;. Ou seja, o vocal acaba sendo mixado em um volume muito acima dos instrumentos. Como voc\u00eas veem essa quest\u00e3o, especialmente sendo uma banda que come\u00e7ou somente no ingl\u00eas e vem compondo em portugu\u00eas nos \u00faltimos registros?<\/b><br \/>\nEu acho que o \u00fanico dilema \u00e9 que as palavras em portugu\u00eas s\u00e3o mais longas do que em ingl\u00eas. Para fazer rock ou algo parecido com rock, em ingl\u00eas acaba ficando mais f\u00e1cil. Mas em portugu\u00eas pode ficar legal tamb\u00e9m. Se n\u00e3o tem o costume, \u00e9 legal estudar bem cada palavra, cada frase. Eu vejo muito artista brasileiro recente mudando t\u00f4nica de palavras para encaixar na melodia \u2014 isso \u00e9 uma coisa que n\u00e3o gosto muito. Mas sobre mixagem, eu acho que essa varia\u00e7\u00e3o existe em qualquer lugar do mundo, em qualquer l\u00edngua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais as principais mudan\u00e7as no cen\u00e1rio do rock alternativo do Brasil desde a \u00e9poca em que voc\u00eas come\u00e7aram, l\u00e1 nos anos 90, para os dias de hoje? Hoje est\u00e1 melhor ou pior?<\/strong><br \/>\nEu creio que o segmento underground n\u00e3o mudou muito, a n\u00e3o ser o crescimento natural de tudo \u2014 tanto a tecnologia quanto a quantidade de festivais, bandas e pessoas. Mas \u00e9 o que acontece em todo o mundo. O negativo cresceu mais, que \u00e9 o monop\u00f3lio da ind\u00fastria sertaneja, nivelando todo o resto pra baixo. Isso \u00e9 ruim pra tudo, e chega a me irritar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O p\u00fablico da WRY se renovou ou as mesmas pessoas que acompanhavam a banda na \u00e9poca cresceram junto com voc\u00eas? Ou as duas coisas?<\/strong><br \/>\nEu creio que as duas coisas, mas tendendo mais para a renova\u00e7\u00e3o, principalmente pelo fato de n\u00f3s mesmos, da banda, n\u00e3o pararmos no tempo e nos envolvermos com o que acontece hoje, seja fazendo shows com bandas da nova gera\u00e7\u00e3o, sendo organizando shows e festivais com tais artistas tamb\u00e9m. Gosto de saber e escutar o que h\u00e1 de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante o per\u00edodo na Inglaterra, voc\u00eas gravaram com o Gordon Raphael (produtor dos Strokes) e cruzaram com o Kevin Shields (guitarrista do My Bloody Valentine). Que aprendizados o contato com profissionais dessa estatura trouxe para a banda? Tem alguma dica de grava\u00e7\u00e3o, t\u00e9cnica ou outro detalhe que eles tenham comentado e que voc\u00eas tenham usado nas grava\u00e7\u00f5es de &#8220;Noites Infinitas&#8221;?<\/strong><br \/>\nAs experi\u00eancias em si ensinaram bastante. Talvez algo espec\u00edfico que me lembro de ter usado, foi quando Kevin Shields me disse que nunca usava aquele monte de amplificadores que vemos nos shows ao mesmo tempo. No m\u00e1ximo, quatro amps simult\u00e2neos. E me explicou porque ele fazia aquilo, que era principalmente para criar camadas diferentes, como se tivessem outros guitarristas tocando ao mesmo tempo, fazendo sons diferentes. Foi ent\u00e3o que usamos isso em \u201cShe Science\u201d, inclusive nos shows: eu usava dois amplificadores e o Luciano (guitarrista) outros dois. Cada um dos quatro emitindo um som com efeitos diferentes e, muitas vezes, contrastantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No disco de covers &#8220;National Indie Hits&#8221; voc\u00eas regravaram algumas das principais m\u00fasicas do rock independente brasileiro \u2014 como &#8220;Guts&#8221;, dos Pin Ups, e &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/03\/28\/download-aovivoasteroid-walverdes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Novos Adultos<\/a>&#8220;, dos Walverdes. A letra dessa \u00faltima, especialmente, parece cada vez mais confrontar o cen\u00e1rio da m\u00fasica brasileira, em que os grandes nomes da MPB s\u00e3o cada vez mais reverenciados \u2014 a live do Caetano Veloso, por exemplo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/12\/infografico-os-numeros-da-live-lenda-de-caetano-veloso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">foi um sucesso em 2020<\/a>. Como voc\u00eas veem esse fen\u00f4meno? Os &#8220;novos adultos&#8221; s\u00e3o cada vez mais &#8220;pessoas velhas&#8221;, como diz a letra da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nSim, eu acho. O rock n\u00e3o faz parte da cultura brasileira, \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o, mas a MPB sim, e talvez devido ao monop\u00f3lio do sertanejo, que falei anteriormente, v\u00e1rios \u00edcones da MPB acabam at\u00e9 tocando em festivais alternativos, colocando-os assim no mesmo segmento onde a juventude est\u00e1. Acho que &#8220;Novos Adultos&#8221; est\u00e1 bem atual [risos]. De qualquer forma, n\u00e3o acho isso t\u00e3o negativo. Acho at\u00e9 legal, parece que o Brasil est\u00e1 em processo de cria\u00e7\u00e3o de um genu\u00edno &#8220;indie brasileiro&#8221;, bem ecl\u00e9tico e misturado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual o posicionamento da banda em rela\u00e7\u00e3o a quest\u00f5es pol\u00edticas? Sentem vontade de se manifestar \u2014 seja artisticamente, por meio das m\u00fasicas, ou por meio de a\u00e7\u00f5es mais diretas? Especialmente no momento em que vivemos, no qual a cultura vem sendo negligenciada (para dizer o m\u00ednimo) pelo governo.<\/strong><br \/>\nA gente j\u00e1 est\u00e1 se manifestando em algumas letras, como em &#8220;Morreu a Esperan\u00e7a&#8221;, mas eu sempre falo que assim que pudermos sair \u00e0s ruas, eu gostaria de me juntar \u00e0s massas para protestar. N\u00e3o quero ficar s\u00f3 na internet ou na m\u00fasica que produzimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma voc\u00eas veem o futuro do mercado de shows no pa\u00eds, em fun\u00e7\u00e3o dos impactos da pandemia? Como propriet\u00e1rios de um espa\u00e7o em Sorocaba (a casa de shows Asteroid), imagino que estejam vivendo de perto essa quest\u00e3o. J\u00e1 conseguem ver um caminho para a sobreviv\u00eancia?<\/strong><br \/>\nEu acho muito dif\u00edcil ter uma vis\u00e3o clara, porque temos o Bolsonaro no governo. Mas tenho a plena certeza de que, assim que formos todos liberados para organizar e fazer shows, os lugares ficar\u00e3o bem cheios. E acho que, por pelo menos um ano, n\u00e3o vai ser t\u00e3o dif\u00edcil ter bastante p\u00fablico nos eventos. Tomara! [risos]<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"WRY - Morreu a Esperan\u00e7a (Video Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ks6UtDVYibo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"WRY - Travel (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DzIJ5JGS7ds?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"WRY - Sister\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KqbE6DwXa3M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista e produtor de conte\u00fado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O sexto disco est\u00fadio do WRY \u2014 e o primeiro desde \u201cShe Science\u201d, de 2009 \u2014 traz 10 faixas que refletem a experi\u00eancia de viver em uma cidade conservadora e que espelham a ansiedade, o desespero e a busca por caminhos n\u00e3o convencionais em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/11\/12\/entrevista-wry-lanca-noites-infinitas-primeiro-album-em-11-anos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":63,"featured_media":58323,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1221],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58321"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/63"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58321"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58386,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58321\/revisions\/58386"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58323"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}