{"id":58029,"date":"2020-10-28T12:29:58","date_gmt":"2020-10-28T15:29:58","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=58029"},"modified":"2020-11-23T01:11:27","modified_gmt":"2020-11-23T04:11:27","slug":"entrevista-mark-barney-greenway-fala-do-novo-disco-do-napalm-death","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/28\/entrevista-mark-barney-greenway-fala-do-novo-disco-do-napalm-death\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mark &#8220;Barney&#8221; Greenway e o novo disco do Napalm Death"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abra\u00e7ar as pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es pode ser uma maneira de manter a integridade. Bem como saber conviver com o diferente, com o que destoa do tido normal e at\u00e9 com poss\u00edveis controv\u00e9rsias que venham a surgir pelo caminho. Exercitar a toler\u00e2ncia com opostos, ao passo que se preserva convic\u00e7\u00f5es, \u00e9 uma arte que o Napalm Death domina t\u00e3o bem quanto fazer m\u00fasica agressiva de gabarito. O lan\u00e7amento do d\u00e9cimo sexto \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3AASIPHf14TujhNRkluEiA?si=Ck00FWcrScGhxT_w0sfFBA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Throes of Joy in the Jaws of Defeatism<\/a>\u201d, em setembro de 2020, refor\u00e7a tal percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 um disco de sonoridades extremas, como \u00e9 de se esperar do grupo ingl\u00eas pioneiro do grindcore, por\u00e9m n\u00e3o \u00f3bvias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o chega a ser novidade, mas o Napalm Death segue como ant\u00edtese. Principalmente neste momento, em que parte da cena pesada parece tender ao conservadorismo \u2014 musical, est\u00e9tico e de ideais. O contraponto se faz, justamente, pela busca de diversidade nas influ\u00eancias e pela escolha de temas que exp\u00f5em o qu\u00e3o mesquinho o ser humano pode ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No instrumental, o Napalm faz barulho ao misturar g\u00eaneros que sempre estiveram entre suas refer\u00eancias, mas que agora ganham destaque e ajudam a distanciar, ainda mais, a banda de princ\u00edpios sonoros puristas. Liricamente, trabalha tem\u00e1ticas inclusivas em vez dos tradicionais assuntos do cancioneiro heavy. Mesmo que seja complexo entender o que \u00e9 vociferado em meio \u00e0 zoeira de baixo, bateria e guitarra, tenha ci\u00eancia de que ali existe uma mensagem. E n\u00e3o \u00e9 sobre algo fantasioso. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o observa\u00e7\u00f5es da vida real, das mazelas que afligem qualquer um com disposi\u00e7\u00e3o para perceber que o mundo n\u00e3o vai bem. No caso espec\u00edfico do registro mais recente, o tema principal, em linhas gerais, \u00e9 o outro. Ou melhor: o tratamento nem sempre igualit\u00e1rio dado ao semelhante que, porventura, possa ser diferente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-58040\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/np20.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"625\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/np20.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/np20-300x250.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fato que o conjunto de Birmingham n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a expressar percep\u00e7\u00f5es de injusti\u00e7a por meio das composi\u00e7\u00f5es que produz. Mas agrega relev\u00e2ncia por seguir com essa pr\u00e1tica contestadora desde cedo na carreira. Em alguns momentos dos seus quase 40 anos de servi\u00e7os prestados \u00e0 m\u00fasica brutal e n\u00e3o ortodoxa (a funda\u00e7\u00e3o foi por volta de 1981), o Napalm at\u00e9 flertou com tend\u00eancias. Mas sempre soube como perseguir a pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de uma banda que aproveita o antagonismo da exist\u00eancia em que habita como \u00edmpeto criativo. Mark \u2018Barney\u2019 Greenway (voz), Shane Embury (baixo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/16\/entrevista-shane-embury-napalm-death-apresenta-seu-novo-projeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que lan\u00e7ou um disco de seu projeto solo Dark Sky Burial neste ano<\/a>) e Danny Herrera (bateria) \u2014 juntos desde a primeira metade dos 1990 \u2014 nunca tiveram vergonha de mostrar apre\u00e7o pelo que \u00e9 menos not\u00f3rio. At\u00e9 2014, o trio ainda contava com a parceria do guitarrista Mitch Harris (que tamb\u00e9m entrou para o grupo no in\u00edcio da \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo passado), afastado desde ent\u00e3o para cuidar de quest\u00f5es familiares. Mitch segue longe das atividades com o Napalm, mas gravou as seis cordas do novo material, embora n\u00e3o tenha contribu\u00eddo com nada autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As dualidades que cercam o fazer art\u00edstico, e nos rondam como indiv\u00edduos, foram tema da entrevista a seguir, feita por Skype com Barney. O papo tamb\u00e9m teve como assunto governos autorit\u00e1rios, o gosto de Lemmy Kilmister (Mot\u00f6rhead) por artigos militares, Bad Religion e os espasmos de alegria que as pequenas realiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de proporcionar. The world keeps turning!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - Amoral (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/T5ChaOiPZGo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o novo \u00e1lbum \u201cThroes of Joy in the Jaws of Defeatism\u201d tem \u201co outro\u201d, ou o \u201ctratamento do outro\u201d, como tema principal, em um contexto amplo, vou tentar trazer isso para a nossa conversa. Ao mesmo tempo, gostaria de misturar a pauta com mais um assunto: as contradi\u00e7\u00f5es, na falta de uma palavra melhor, que todos n\u00f3s experimentamos como seres humanos. Talvez antagonismo possa ser aplicado aqui. Por exemplo: em todas as suas entrevistas que vi ou li, voc\u00ea \u00e9 muito gentil e educado. Algumas pessoas podem pensar que n\u00e3o \u00e9 o tipo de atitude que teria um cara t\u00e3o fren\u00e9tico e intenso quando grita com sua banda. Como voc\u00ea percebe isso?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o entendo muito bem. Porque o que os seres humanos desejam \u00e9 ser singular em sua abordagem das coisas. Acho que o que voc\u00ea est\u00e1 tentando dizer \u00e9 que, porque eu grito e berro no Napalm Death, que tem um som confrontacional e agressivo, \u00e9 assim que eu deveria ser como pessoa. Ou que deveria ser esse o caso. Sou um ser humano e tenho capacidade de muitas emo\u00e7\u00f5es diferentes. Claro, tenho momentos em que fico realmente irritado com as coisas. Mas se eu estou conversando com algu\u00e9m que est\u00e1 sendo gentil o suficiente para falar sobre seu interesse na m\u00fasica e nas ideias do Napalm Death, ent\u00e3o eu terei uma conversa amig\u00e1vel. Para mim, \u00e9 apenas o jeito natural das coisas. Percebo que as pessoas veem a diferen\u00e7a de tom, obviamente, entre a express\u00e3o que fazemos especificamente no Napalm Death, na qual criamos nossa arte e m\u00fasica. Mas n\u00e3o vou gritar com ningu\u00e9m no telefone, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A pr\u00f3pria identidade musical do Napalm tem sua dicotomia, por ser um som extremo, mas com letras sobre temas humanit\u00e1rios ou relacionados a quest\u00f5es sociais. Como voc\u00ea lida com esse dualismo?<\/strong><br \/>\nGosto disso. Acho que \u00e9 uma coisa positiva. Porque somos uma banda, mas em um sentido mais amplo, somos uma express\u00e3o de arte. \u00c0s vezes na vida, as coisas podem ser um pouco previs\u00edveis quando tudo vai na mesma dire\u00e7\u00e3o. De um jeito bom em algumas situa\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o menos previs\u00edvel. A arte \u00e9 capaz de ficar mon\u00f3tona assim. Ent\u00e3o, se voc\u00ea consegue ter uma contradi\u00e7\u00e3o, uma entrega agressiva, mas com ideias promovendo paz e toler\u00e2ncia, me parece \u00f3timo. Conseguir isso \u00e9 bem positivo, n\u00e3o \u00e9 um problema para mim. Pessoas fora da Napalm Death talvez tenham suas pr\u00f3prias opini\u00f5es sobre isso, e eu respeito totalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra \u201ccontradi\u00e7\u00e3o\u201d que sempre me chamou a aten\u00e7\u00e3o no Napalm \u00e9 que, apesar de a banda estar relacionada com o lado mais extremo da m\u00fasica, nunca teve vergonha de mostrar apre\u00e7o por artistas menos pesados. Como na foto interna no encarte do \u201cUtopia Banished\u201d em que voc\u00ea est\u00e1 vestindo uma camiseta do Bad Religion, por exemplo. Atitudes assim meio que permitiram a mim, e acredito que a outras pessoas, curtir grupos fora do espectro mais brutal. \u00c9 o oposto da ideia de verdadeiro metal ou outros pensamentos elitistas. Voc\u00ea percebe o qu\u00e3o interessante foi dar visibilidade a essa diversidade de gostos musicais e como ela tem poder de influenciar as pessoas a expandir pensamentos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 o seguinte: o cen\u00e1rio geral da m\u00fasica \u00e9 um microcosmo da vida. E pode ser t\u00e3o ruim em termos de aplica\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos quanto qualquer outro. Ent\u00e3o, sempre achei um pouco rid\u00edculo todo esse ideal de \u201cse voc\u00ea quer ser metal, voc\u00ea tem que ser metal, voc\u00ea tem que ser pesado&#8221;. Quem se importa? Basta ser voc\u00ea mesmo. Se voc\u00ea quer se conformar com aquelas imagens tradicionais do suposto metal, tudo bem, fa\u00e7a. Mas se voc\u00ea n\u00e3o quiser, porque n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, voc\u00ea n\u00e3o sente aquilo, ent\u00e3o n\u00e3o precisa. Voltando \u00e0s refer\u00eancias do Bad Religion, lembre que tudo vem de algum lugar. N\u00f3s somos grindcore, \u00e9 o que o Napalm Death \u00e9, tornou-se amplamente conhecido e aceito. Mas efetivamente, de onde veio o Napalm Death em primeiro lugar, as origens, \u00e9 a cena punk. E o Bad Religion \u00e9 uma banda punk. O Bad Religion \u00e9 uma banda de punk hardcore no sentido agressivo das coisas? N\u00e3o sei bem sobre qual subdivis\u00e3o do estilo eles se enquadram, mas o Bad Religion veio, eu diria, do lado mais direto do punk. As conex\u00f5es est\u00e3o l\u00e1. N\u00e3o acho nada estranho olhar para mim mesmo usando uma camiseta deles. Al\u00e9m disso, o \u00e1lbum \u201cSuffer\u201d (1988), do Bad Religion, \u00e9 um \u00f3timo disco at\u00e9 hoje. \u00c9 um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - A Bellyful of Salt and Spleen (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TLKjpobj4vg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falo disso porque no novo disco do Napalm essa gama de refer\u00eancias de v\u00e1rios subg\u00eaneros musicais parece mais evidente. Esse ecletismo sempre existiu no som da banda, com certeza. Mas agora parece se destacar. Como essas influ\u00eancias de bandas fora do metal e do hardcore funcionam para voc\u00eas e como isso afeta a musicalidade?<\/strong><br \/>\n\u201cThroes of Joy in the Jaws of Defeatism\u201d \u00e9 nosso d\u00e9cimo sexto \u00e1lbum. A ideia de ser uma c\u00f3pia de n\u00f3s mesmos \u00e9 algo que n\u00e3o nos interessa, porque \u00e9 a maneira mais f\u00e1cil de fazer nosso trabalho. N\u00e3o estou interessado nisso. Qual \u00e9 o objetivo? Isso n\u00e3o seria apenas prestar um desservi\u00e7o a n\u00f3s mesmos, mas tamb\u00e9m a uma grande parcela das pessoas que seguem o Napalm. Acho que os estar\u00edamos enganando. H\u00e1 certo grupo de f\u00e3s que realmente adoraria que fiz\u00e9ssemos um \u00e1lbum de 20 ou 25 faixas com 20 segundos. Podemos fazer isso com as m\u00e3os amarradas nas costas. Mas, de certa forma, essa \u00e9 a sa\u00edda f\u00e1cil. Ainda temos esses elementos do nosso primeiro \u00e1lbum. No Napalm esse lado ainda existe 100%. Mas h\u00e1 muitos outros aspectos do nosso som, como noise rock, industrial, p\u00f3s-punk. N\u00e3o \u00e9 menos extremo do que aquilo que se pode pensar sobre uma banda caracter\u00edstica do metal extremo ou da cena hardcore. \u00c9 apenas extremo com um som diferente. \u00c9 isso que fazemos e continuaremos a fazer. Eu entendo, j\u00e1 que os dois \u00faltimos \u00e1lbuns em particular deram alguns passos adiante no jogo, que isso n\u00e3o seja para todos. H\u00e1 algumas pessoas que prefeririam que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos ido t\u00e3o longe, mas temos que ir. Nossa paleta de extremidades \u00e9 realmente ampla. Se esse tipo de motiva\u00e7\u00e3o est\u00e1 dentro de n\u00f3s, devemos segui-la. E no fim das contas, se as pessoas n\u00e3o gostarem, temos de conviver com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguns de seus \u00e1lbuns subestimados dos anos 1990 t\u00eam uma vibe Killing Joke que tamb\u00e9m pode ser percebida em \u201cThroes of Joy in the Jaws of Defeatism\u201d. Mencionei Killing Joke, mas sempre houve refer\u00eancias \u00e0s bandas barulhentas e alternativas em sua m\u00fasica, como Swans, Einst\u00fcrzende Neubauten, Sonic Youth e Cocteau Twins. Mas agora as pessoas parecem entender isso mais do que no passado, considerando que o novo \u00e1lbum tem sido elogiado, ao contr\u00e1rio de outros como \u201cDiatribes\u201d (1996) e \u201cInside the Torn Apart\u201d (1997). O que voc\u00ea acha?<\/strong><br \/>\n\u00c9 engra\u00e7ado. Se voc\u00ea juntar 10 pessoas diferentes que tenham algum tipo de interesse ou conhecimento no Napalm Death, tocar o novo \u00e1lbum para elas e dizer &#8220;me d\u00ea uma descri\u00e7\u00e3o disso baseado em trabalhos anteriores do Napalm&#8221;, h\u00e1 uma grande chance de que uma porcentagem significativa dar\u00e1 respostas completamente diferentes. Porque \u00e9 isso que a m\u00fasica \u00e9: subjetiva. Durante as entrevistas que tenho feito j\u00e1 me disseram &#8220;esse \u00e9 o disco mais r\u00e1pido e mais louco que voc\u00eas fizeram em anos&#8221;. Tamb\u00e9m j\u00e1 ouvi coment\u00e1rios como &#8220;\u00e9 o seu \u00e1lbum mais experimental, al\u00e9m do mais r\u00e1pido feito em anos&#8221;. N\u00e3o \u00e9 constante, \u00e9 sempre diferente. Acho que esse novo \u00e1lbum \u2014 se voc\u00ea comparar com, digamos, \u201cDiatribes\u201d ou \u201cInside the Torn Apart\u201d \u2014 tem melhor acabamento relacionado \u00e0 composi\u00e7\u00e3o e um foco melhor. Eu sugeriria, e voc\u00ea esperaria isso depois de muitos trabalhos juntos, esse aprimoramento. E tamb\u00e9m pense na ambi\u00eancia, o som do disco est\u00e1 mais furioso do que talvez em \u201cInside the Torn Apart\u201d. Hoje em dia, as grava\u00e7\u00f5es t\u00eam uma ambienta\u00e7\u00e3o espacial de verdade, elas s\u00e3o realmente furiosas, mas com uma distribui\u00e7\u00e3o mais ampla e adequada dessa brutalidade no som. N\u00e3o s\u00f3 no que escrevemos, mas tamb\u00e9m na sonoridade. Aprendemos muito, porque voc\u00ea sempre aprende quando toca m\u00fasica. Aprendemos como projetar a intensidade da m\u00fasica. Claro, com a ajuda inestim\u00e1vel de Russ Russell, nosso produtor. Eu compararia o disco novo diretamente com o \u201cFear, Emptiness, Despair\u201d (1994)? N\u00e3o, porque acho que em alguns aspectos \u00e9 mais furioso e feroz. Em outros, \u00e9 mais experimental. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o compararia diretamente com nenhum dos \u00e1lbuns dos anos 1990. Eu acho que \u201cThroes of Joy in the Jaws of Defeatism\u201d \u00e9, na falta de uma frase melhor, um \u00e1lbum bem 2020.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando ao tratamento do outro como tema: houve algum acontecimento espec\u00edfico que o levou a escrever com esse t\u00f3pico em mente?<\/strong><br \/>\nPensei que era absolutamente urgente falarmos sobre isso. Voc\u00ea tem que lembrar que a marginaliza\u00e7\u00e3o das pessoas sempre existiu, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada novo. Est\u00e1 a\u00ed h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es. A diferen\u00e7a agora \u00e9 que temos governos muito poderosos neste mundo que usam essa linguagem. Que adotam essas t\u00e1ticas para prejudicar as pessoas marginalizadas. Bolsonaro \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico. N\u00e3o apenas pelas coisas que ele faz em rela\u00e7\u00e3o a assuntos como o meio ambiente, isso \u00e9 particularmente problem\u00e1tico para o resto do mundo tamb\u00e9m. Sigo Bolsonaro antes mesmo de ele ser eleito, ent\u00e3o conhe\u00e7o sobre ele. <a href=\"https:\/\/catracalivre.com.br\/cidadania\/jair-bolsonaro-como-ele-reagiria-se-tivesse-um-filho-gay\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quando o cara foi questionado sobre o que ele faria se o filho fosse gay, a resposta foi vergonhosa<\/a>. Se vamos ter governos, teremos l\u00edderes. Mas algu\u00e9m demonstrar desrespeito com pessoas que nunca fizeram nada com ele&#8230; Simplesmente acho desumano, basicamente. Esse \u00e9 apenas um exemplo, temos governos na Europa que est\u00e3o usando t\u00e1ticas semelhantes tamb\u00e9m. Claro que h\u00e1 o caso \u00f3bvio do outro lado do Atl\u00e2ntico \u2014 n\u00e3o \u00e9 preciso nem dar o nome. Ent\u00e3o, considerei muito importante falarmos sobre o assunto. Voc\u00ea tem que se lembrar disso: na Europa, nos anos 1930, t\u00ednhamos pessoas muito carism\u00e1ticas que usavam esse tipo de artif\u00edcio para solidificar o pr\u00f3prio poder. E isso levou, especialmente na Alemanha, ao assassinato em massa de pessoas marginalizadas que n\u00e3o fizeram nada a ningu\u00e9m exceto existir. Achei que era muito importante abordar isso porque essas coisas est\u00e3o ficando mais fortes. Pelo que nos cabe como banda, apesar de o Napalm Death ser uma gota no oceano, n\u00e3o quer dizer que temos de ficar calados sobre temas sens\u00edveis. \u00c9 importante lidarmos com isso em particular. Obviamente, tamb\u00e9m sei que situa\u00e7\u00f5es semelhantes ocorreram na Am\u00e9rica do Sul, o Brasil viveu uma ditadura, o que \u00e9 inacredit\u00e1vel. Bolsonaro e seus apoiadores, que pensam de forma muito semelhante em algumas formas de retorno aos anos de ditadura, s\u00e3o uma loucura de merda. Pensei apenas nos aspectos de marginaliza\u00e7\u00e3o, que \u00e9 uma t\u00e1tica comum nesse tipo de regime. Acho que precisamos conversar sobre isso. E, claro, o Napalm se posicionar pelo que vale como ant\u00edtese. Dizer: n\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel! S\u00e3o seres humanos semelhantes, isso n\u00e3o \u00e9 aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pegando o t\u00edtulo do novo \u00e1lbum: voc\u00ea acha que vivemos em tempos de derrotismo? Num sentido de que as pessoas s\u00e3o for\u00e7adas a se sentirem abatidas porque vivem bombardeados com propaganda vendendo felicidade que n\u00e3o se pode comprar, o mundo est\u00e1 ficando mais competitivo a cada dia e a solid\u00e3o e o ego\u00edsmo est\u00e3o crescendo?<\/strong><br \/>\nHonestamente, esse n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno novo. Isso sempre esteve l\u00e1. O mundo sempre foi uma merda tortuosa. Voc\u00ea pode voltar nos s\u00e9culos e perceber que sempre tem algo ruim acontecendo. Vou compensar dizendo que o mundo tamb\u00e9m pode ser um lugar maravilhoso. H\u00e1 muitas coisas boas para experimentar na vida. Mas tamb\u00e9m pode ser uma merda, como disse. N\u00e3o estou apenas atacando esses temas porque \u00e9 um alvo f\u00e1cil. Mas a ascens\u00e3o do populismo, nacionalismo, esse tipo protecionismo no qual se pensa \u201ceste \u00e9 o meu pa\u00eds e farei o que for melhor para ele, foda-se todo o resto desde que meu pa\u00eds esteja bem\u201d. Isso meio que cria esse tipo de isolamento. Porque as pessoas passaram por uma lavagem cerebral para pensar que precisam proteger seu pequeno quadrado de terra contra o invasor estrangeiro, seja ele quem for. Esse sentimento de solid\u00e3o e isolamento \u00e9 uma consequ\u00eancia natural disso de v\u00e1rias maneiras. Precisamos fazer uma virada 360\u00ba absoluta para nos focarmos um pouco como seres humanos e entendermos que, se a ra\u00e7a humana \u00e9 para ser sustent\u00e1vel, n\u00e3o podemos continuar nos tratando assim. E, acima e al\u00e9m disso, precisamos dar uma olhada em como o mundo realmente funciona. O fato de termos comida suficiente para alimentar o planeta inteiro e n\u00e3o conseguirmos&#8230; Sei que no Brasil tem gente acordando, uma porcentagem significativa de pessoas, tentando saber se v\u00e3o comer naquele dia. Como pode? Se todos os supostos avan\u00e7os da civiliza\u00e7\u00e3o, como as pessoas \u00e0s vezes gostam de dizer, se somos t\u00e3o avan\u00e7ados e aprendemos tantos caminhos, mas n\u00e3o podemos alimentar a todos, h\u00e1 algo errado. N\u00e3o \u00e9 um conceito novo, j\u00e1 foi falado muitas vezes, mas \u00e9 necess\u00e1ria uma redistribui\u00e7\u00e3o de riqueza. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que uma pequena porcentagem do mundo se beneficie realmente de tudo e uma grande parcela de pessoas tenha menos do que nada. Isso n\u00e3o est\u00e1 certo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - Backlash Just Because (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FFDHuCeaM_Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea pode escolher suas m\u00fasicas favoritas de \u201cThroes of Joy in the Jaws of Defeatism\u201d e nos contar sobre as respectivas refer\u00eancias musicais e l\u00edricas?<\/strong><br \/>\nDiria &#8216;Backlash Just Because&#8217;, o primeiro lan\u00e7amento do disco. \u00c9 uma m\u00fasica foda pra caramba! O baixo de Shane no come\u00e7o soa como uma porra de uma escavadeira. No Napalm gostamos desse som do baixo meio trator, \u00e9 uma esp\u00e9cie de t\u00e1tica favorita nossa. Quando Shane toca o trecho de abertura, isso simplesmente me coloca no ch\u00e3o. E acho que acelera toda a m\u00fasica, atacando do in\u00edcio ao fim com um tipo de riff no final que \u00e9 realmente \u00f3timo. Isso realmente d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o boa e el\u00e9trica. Eu tamb\u00e9m citaria \u201cAmoral\u201d, tamb\u00e9m m\u00fasica do Shane, que \u00e9 bem Killing Joke. Muitas pessoas perceberam. \u00c9 uma \u00f3tima composi\u00e7\u00e3o na qual eu e Shane compartilhamos os vocais. A din\u00e2mica em termos de vozes funciona muito bem em conjunto. A letra de \u201cBacklash Just Because\u201d aborda o populismo e coisas assim. Por exemplo: no jornal voc\u00ea pode ler \u201ctodos esses imigrantes de merda fizeram isso ou aquilo\u201d. A rea\u00e7\u00e3o est\u00e1 a\u00ed e as pessoas enlouquecem tentando desacreditar pessoas assim (imigrantes). E isso se torna uma onda de rea\u00e7\u00e3o como um rolo compressor. Acho que se voc\u00ea perguntasse para maioria das pessoas com essa postura (xenof\u00f3bica) se elas entenderam por que est\u00e3o dizendo aquilo, o que est\u00e3o dizendo, muitas n\u00e3o seriam capazes de dar uma resposta. Em outras palavras, a rea\u00e7\u00e3o existe s\u00f3 porque voc\u00ea quer. Nenhuma base de realidade, eu sugeriria. Com \u201cAmoral\u201d, a letra do Shane \u00e9 sobre onde estamos como seres humanos, eu acho. Estamos neste ponto em que ningu\u00e9m realmente d\u00e1 a m\u00ednima para os outros. Ou parece que \u00e9 assim na maior parte do tempo. A faixa \u00e9 questionadora dessa coisa toda: onde, por que e como estamos nessa situa\u00e7\u00e3o? N\u00e3o aprendemos nada com milhares de anos registrados da chamada civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso n\u00e3o tem nada a ver especificamente com o Napalm, mas \u00e9 uma pol\u00eamica que me deixa curioso sobre o que as pessoas pensam. Vi uma entrevista na qual voc\u00ea disse que o Mot\u00f6rhead foi uma grande refer\u00eancia na m\u00fasica. At\u00e9 acho que voc\u00ea tem uma tatuagem do snaggletooth (mascote do Mot\u00f6rhead) na panturrilha. O que voc\u00ea pensa da cole\u00e7\u00e3o militar de Lemmy, incluindo objetos nazistas e uso de imagens que podem estar relacionadas a isso?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o conhecia o Lemmy muito bem. Eu o encontrei algumas vezes. Dito isso, como ser humano, pelo menos com o tempo limitado que tive com ele, o cara era uma pessoa fant\u00e1stica. Um ser muito humano. Todas as coisas militares e nazistas eram um fasc\u00ednio para ele. Ele era atra\u00eddo pela psicologia disso. Da mesma forma que eu leio muitos livros sobre ditaduras e coisas assim. Sou completamente oposto a isso, claro. Mas tamb\u00e9m fico fascinado pela psicologia de como esses sistemas funcionam. N\u00e3o vou dizer nada positivo ou apoiar, mas certamente vou aprender algo sobre isso. Um dos erros que as pessoas cometem \u2014 e eu uso a palavra \u201cerros\u201d livremente na vida \u2014 \u00e9 que elas apenas se concentram e procuram ver conhecimento nas coisas que as deixam confort\u00e1veis. N\u00e3o tentam aprender sobre assuntos dos quais discordam ou que s\u00e3o obviamente prejudiciais \u00e0 continua\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana. Com Lemmy e sobre o que voc\u00ea est\u00e1 falando, acho que era realmente algo que despertava o interesse dele. Ele certamente n\u00e3o endossou a pr\u00e1tica. Se voc\u00ea olhar qualquer entrevista com Lemmy sobre isso, ele foi questionado diretamente sobre nazismo muitas vezes, e dizia que era a pessoa mais antifascista que h\u00e1. Era uma forma de ele se expressar em entrevistas dizendo essa frase, mas pelo que eu sei do Lemmy por ser um seguidor do Mot\u00f6rhead ao longo dos anos, ele era o menos nazista ou simpatizante entre muitas outras pessoas que conhe\u00e7o. Sugerir que imagens que o cara usava tinham qualquer conex\u00e3o com isso, n\u00e3o acho que seja correto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como ter um pouco de alegria no meio deste mundo que nos oprime diariamente?<\/strong><br \/>\nEu sempre busco alegria, voc\u00ea tem que procurar. Porque o resultado final desejado por bandas como o Napalm, que promovem a paz e a toler\u00e2ncia, \u00e9 que a ra\u00e7a humana seja feliz no final. Conforme falamos sobre alegria, o Napalm lida com muita negatividade porque \u00e9 o ideal, basicamente, expor algumas situa\u00e7\u00f5es deste mundo e menos como elas deveriam ser. O resultado final desejado, como eu disse, \u00e9 termos um mundo feliz. Eu procuro a felicidade na vida. Tenho muita sorte, moro a dois minutos de bicicleta do litoral, da praia. Gosto de realiza\u00e7\u00f5es simples, como estar na praia em um dia de tempestade quando voc\u00ea pode ver os trov\u00f5es nas nuvens e o oceano com uma apar\u00eancia doida. Isso para mim \u00e9 positivo. \u00c9 realmente um ponto brilhante para mim na vida. Tenho grande prazer com as coisas bem simples. N\u00e3o sou uma pessoa materialista. N\u00e3o preciso de ac\u00famulo de bens para fazer minha exist\u00eancia valer a pena ou para me fazer sentir melhor comigo mesmo. N\u00e3o necessito dirigir um carro r\u00e1pido, n\u00e3o preciso do dispositivo mais moderno. Eu s\u00f3 preciso obter felicidade nas coisas simples.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - LIVE @NANTES DEATHFIST 2020 - #WAREHOUSE - HD - [FULL SET - MULTI CAM] 28\/02\/2020\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Xzy66tVP-MA?start=1822&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - The Wolf I Feed (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/el5ewJxBASo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - Standardization (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FNlWLtZMvko?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Napalm Death - (The Abyss) Houston,Tx 8.15.97\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4e5HcBuYliA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista, vocalista da&nbsp;<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Diokane<\/a>&nbsp;e respons\u00e1vel pelo videocast&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As dualidades que cercam o fazer art\u00edstico, e nos rondam como indiv\u00edduos, foram tema da entrevista. No papo, ainda, governos autorit\u00e1rios, o gosto de Lemmy Kilmister por artigos militares, Bad Religion e os espasmos de alegria que as pequenas realiza\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de proporcionar.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/28\/entrevista-mark-barney-greenway-fala-do-novo-disco-do-napalm-death\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":58031,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4330,4893],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58029"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58029"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58029\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58429,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58029\/revisions\/58429"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58031"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}