{"id":57939,"date":"2020-10-21T01:30:19","date_gmt":"2020-10-21T04:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57939"},"modified":"2020-11-25T00:27:34","modified_gmt":"2020-11-25T03:27:34","slug":"entrevista-editor-paulo-henrique-silva-fala-sobre-a-revista-elipse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/21\/entrevista-editor-paulo-henrique-silva-fala-sobre-a-revista-elipse\/","title":{"rendered":"Entrevista: Editor Paulo Henrique Silva fala sobre a revista Elipse"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante esta entrevista ao Scream &amp; Yell, o editor-chefe da <a href=\"https:\/\/issuu.com\/ongcontato\/docs\/elipse2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revista Elipse<\/a>, Paulo Henrique Silva, cravou uma precisa an\u00e1lise da triste, por\u00e9m necess\u00e1ria, met\u00e1fora existente no nome da \u00fanica publica\u00e7\u00e3o impressa atualmente dedicada aos variados aspectos de cria\u00e7\u00e3o do Cinema Brasileiro: &#8220;Depois de duas d\u00e9cadas de uma produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, de uma mesma pol\u00edtica, um pensamento para o cinema brasileiro, isso est\u00e1 sendo, mais uma vez, descontinuado. Mas buscamos outras maneiras de pensar. E eu acho que a (palavra) elipse \u00e9 muito clara nesse sentido. Agora, estamos um pouquinho longe do sol, mas vamos fazer esse movimento. Daqui a pouco, estaremos pr\u00f3ximos e vamos nos aquecer de novo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao manter um olhar voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nacional, a revista Elipse, concebida em Minas Gerais pela <a href=\"https:\/\/ongcontato.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ONG Contato<\/a>, salienta a import\u00e2ncia do nosso Cinema como modo de propaga\u00e7\u00e3o da Cultura Brasileira, bem como um potente gerador de emprego e renda. Algo, hoje, ainda mais urgente. E esse salientar acontece de modo embasado, distante de fal\u00e1cias e &#8220;achismos&#8221; que regram a opini\u00e3o comum que busca marginalizar a produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica do pa\u00eds. Na leitura da Elipse \u00e9 percept\u00edvel uma preocupa\u00e7\u00e3o com tal embasamento das informa\u00e7\u00f5es apresentadas, mantendo um senso cr\u00edtico, sim, mas, do mesmo modo, apresentado fatos concretos, oriundos de pesquisas oficiais, para comprovar a estupidez governamental de um projeto de executivo calcado em birras, pol\u00eamicas infundadas e em um proposital e leviano interesse na desinforma\u00e7\u00e3o como plataforma pol\u00edtica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s <a href=\"https:\/\/issuu.com\/ongcontato\/docs\/elipse1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a edi\u00e7\u00e3o 1<\/a> trazer a atriz paraense Dira Paes na capa e um foco na produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica mineira, a ponte Minas com Bahia \u00e9 feita <a href=\"https:\/\/issuu.com\/ongcontato\/docs\/elipse2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">para o exemplar 2<\/a>. Duas entrevistas pujantes com dois dos principais nomes recentes da atua\u00e7\u00e3o oriundos do estado apresentam um panorama anal\u00edtico do cen\u00e1rio: Wagner Moura e Fabr\u00edcio Boliveira. O diretor de \u201cMarighela\u201d traz um relato profundo sobre vivermos a \u00e9poca do &#8220;triunfo do homem med\u00edocre&#8221;, quando governantes de dois dos principais pa\u00edses economicamente relevantes no mundo apresentam uma &#8220;predisposi\u00e7\u00e3o psicop\u00e1tica&#8221; durante a atual crise pand\u00eamica. Paulo Henrique explica que &#8220;a entrevista \u00e9 muito forte na maneira como ele (Wagner Moura) percebe o Cinema, a Cultura e a pr\u00f3pria pol\u00edtica do Brasil. E isso vindo de uma pessoa que est\u00e1 morando (a trabalho) nos Estados Unidos, pa\u00eds com um governante que \u00e9, tamb\u00e9m, conservador, e que tomou atitudes muito semelhantes (\u00e0s do daqui) no in\u00edcio da pandemia em rela\u00e7\u00e3o ao enfrentamento da doen\u00e7a viral. O Wagner, na entrevista, fala sobre isso com muita propriedade. N\u00f3s quer\u00edamos uma entrevista que fosse algo de f\u00f4lego, como aconteceu na primeira edi\u00e7\u00e3o, quando a capa foi com a Dira Paes&#8221;, compara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na presen\u00e7a de Fabr\u00edcio Boliveira como outro destaque da Bahia na edi\u00e7\u00e3o de Elipse, uma conversa sobre quest\u00f5es de ra\u00e7a dentro do audiovisual, bem como acerca das atitudes predat\u00f3rias do governo contra o potencial de uma ind\u00fastria como a cultural. &#8220;Ele falou sobre a idiotice que \u00e9 a atitude de um governo ir contra o pr\u00f3prio Cinema. Porque o Cinema \u00e9 economia. O audiovisual movimenta muito mais recursos que outros setores da economia. \u00c9 dinheiro que est\u00e1 sendo investido em diversas \u00e1reas do audiovisual. Ent\u00e3o, \u00e9 uma burrice&#8221;, contextualiza Paulo. O editor-chefe da Elipse salienta, ainda, a fala de Boliveira na comprova\u00e7\u00e3o de que, apesar da sabotagem, o movimento cinematogr\u00e1fico n\u00e3o vai parar. &#8220;Os grupos e os coletivos v\u00e3o continuar fazendo cinema. Mesmo que seja na guerrilha&#8221;, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com mat\u00e9ria sobre a rica produ\u00e7\u00e3o do cinema de anima\u00e7\u00e3o na Bahia; uma reportagem sobre \u201cCaf\u00e9, Pepi e Lim\u00e3o\u201d, pr\u00f3ximo lan\u00e7amento de Lula Oliveira (DocDoma), bem como um resgate de duas obras simb\u00f3licas a tratar dos aspectos da religiosidade de matriz africana e da di\u00e1spora (\u201cBarravento\u201d, de Glauber Rocha; e \u201cJardim das Folhas Sagradas\u201d, de Pola Ribeiro) em um brilhante artigo escrito pelo professor, babalorix\u00e1 e acad\u00eamico Erisvaldo Pereira dos Santos, a edi\u00e7\u00e3o dois de Elipse abrange, em suas 72 p\u00e1ginas, um panorama hist\u00f3rico do cinema baiano, sem deixar de focar no futuro desse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando come\u00e7amos a pensar a n\u00famero 2, chegou a passar pela cabe\u00e7a a possibilidade de lan\u00e7ar tudo digital. Mas, n\u00e3o. O carinho das pessoas (pelo impresso) ficou evidente. Vamos perceber isso daqui a 10, 15 anos, quando algu\u00e9m chegar e falar que tem guardada a revista at\u00e9 hoje. Que tem muito carinho com ela, que a usa como fonte para as mat\u00e9rias, para as pesquisas, para os estudos&#8221;. A Revista Elipse pode ser solicitada gratuitamente pelo e-mail <span style=\"color: #ff0000;\"><strong>ongcontato@gmail.com<\/strong><\/span>. Abaixo, voc\u00ea confere o papo completo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57940\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/elipse0.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"516\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/elipse0.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/elipse0-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A revista Elipse chega a sua segunda edi\u00e7\u00e3o impressa trazendo um destaque variado a nomes da cinematografia baiana. Com uma capa dedicada a Wagner Moura, uma entrevista pungente feira pela Fl\u00e1via Guerra, o diretor de \u201cMarighella\u201d traz uma perspectiva profunda sobre a situa\u00e7\u00e3o do Brasil em termos pol\u00edticos e culturais. Como editor-chefe, como foi essa busca por um nome como o de Wagner para ilustrar a revista?<\/strong><br \/>\nO Wagner Moura est\u00e1 morando nos Estados Unidos, onde se prepara para a s\u00e9rie \u201cNarcos\u201d. Sentimos que ele estava num momento de autopreserva\u00e7\u00e3o, porque sabia que, quando falasse, seriam coisas muito potentes. E n\u00e3o deu outra. A entrevista \u00e9 muito forte na maneira como ele percebe o cinema, a cultura e a pol\u00edtica no Brasil. E isso vindo de uma pessoa que est\u00e1 morando nos Estados Unidos, com um governante que \u00e9, tamb\u00e9m, conservador, e que tomou atitudes muito semelhantes no in\u00edcio da pandemia, em rela\u00e7\u00e3o ao enfrentamento da doen\u00e7a viral. Na entrevista, o Wagner fala sobre isso com muita propriedade. N\u00f3s quer\u00edamos uma entrevista que fosse de f\u00f4lego, como aconteceu na primeira edi\u00e7\u00e3o, quando a capa foi com a Dira Paes. N\u00e3o quer\u00edamos nos ater a apenas os filmes mais recentes dele, mas falar da maneira como vem projetando a carreira e desse momento dif\u00edcil do cinema do pa\u00eds. Ele \u00e9, sem d\u00favida, o grande ator latino americano da atualidade. Era muito oportuno falar com ele sobre diversas coisas. A Fl\u00e1via Guerra conseguiu conversar com ele via plataforma digital e encontrou um Wagner Moura bastante \u00e0 vontade para falar sobre Brasil, Bolsonaro, cinema e tudo que est\u00e1 envolvendo a Cultura neste momento. E tamb\u00e9m sobre \u201cMarighella\u201d. Da expectativa de que, agora, finalmente, o filme vai ser lan\u00e7ado. Foi uma entrevista na qual ele estava bem \u00e0 vontade. Ele estava muito precavido antes, por conta de uma leitura errada que fizeram de uma entrevista dele em Sidney, quando foi j\u00fari de um festival (N.E. <a href=\"https:\/\/www.dailytelegraph.com.au\/entertainment\/sydney-confidential\/narcos-actor-wagner-moura-on-sydney-film-festival-judging-panel\/news-story\/e2342459b38ff5eb81956fa31170fef1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Entrevista concedida ao jornal The Daily Telegraph<\/a>). Nessa entrevista, inclusive, ele fala que n\u00e3o tem rede social. \u00c9 uma forma dele se proteger. Porque, certamente, ele seria atacado de todos os lados, como vem sendo j\u00e1. O cara cujo personagem Capit\u00e3o Nascimento era o s\u00edmbolo da direita, &#8220;virou para o outro lado&#8221; ao fazer \u201cMarighella\u201d. Falo entre aspas, porque n\u00e3o tem isso de direita ou esquerda nesse caso. Mas tem essas leituras oportunistas que as pessoas fazem, sem ao menos ver o filme. Quando foi lan\u00e7ado no Festival de Berlim, no ano passado, o Wagner chamou a aten\u00e7\u00e3o para o que acontecia no Brasil. Assim como o Kleber Mendon\u00e7a fez na \u00e9poca de \u201cAquarius\u201d e \u201cBacurau\u201d. A estagna\u00e7\u00e3o do cinema brasileiro veio em um momento em que estava no \u00e1pice. V\u00ednhamos de um ano como 2019, com uma dupla premia\u00e7\u00e3o em festivais importantes. (N.E. \u201cBacurau\u201d e \u201cA Vida Invis\u00edvel\u201d, do diretor Karim A\u00efnouz, ambos premiados em Cannes). N\u00f3s est\u00e1vamos na crista da onda. Depois de 20 anos de uma constru\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica, de uma forma\u00e7\u00e3o de uma &#8220;ind\u00fastria&#8221;. Digo entre aspas porque essa ind\u00fastria nunca aconteceu de fato. O que aconteceu foram pol\u00edticas que favoreceram que esses filmes pudessem ser feitos. Quando conseguimos encontrar meios para assegurar uma continuidade, veio esse duplo baque. Primeiro por parte do governo que, descaradamente e explicitamente, vem sabotando o cinema e a arte de forma geral. E depois com a pandemia, que surgiu como um golpe fatal, a ponto de paralisar as produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um momento de desola\u00e7\u00e3o, mesmo. Em um dos textos da revista, o Alfredo Manevy cita uma das falas do atual presidente acerca da declarada extin\u00e7\u00e3o da Ancine sob o pretexto de que o poder p\u00fablico &#8220;n\u00e3o tem nada que se meter a fazer filme&#8221;. O que \u00e9 uma imbecilidade, uma vez que o cinema \u00e9 um gerador de empregos, de renda. Um potencial econ\u00f4mico imenso.<\/strong><br \/>\nSim, o Wagner Moura cita isso na entrevista dele. O governo n\u00e3o pode ter essas atitudes de ir contra o cinema. \u00c9 uma idiotice, porque o cinema \u00e9 economia. O audiovisual movimenta muito mais recursos que outros setores. \u00c9 dinheiro que est\u00e1 sendo investido em diversas \u00e1reas que envolvem o audiovisual, gerando emprego e renda. Ent\u00e3o, \u00e9 uma burrice. Mas o Fabr\u00edcio Boliveira, em outra entrevista potente da revista, fala que, apesar disso, ele tem visto que h\u00e1 um movimento que \u00e9 dif\u00edcil de parar, que \u00e9 dif\u00edcil de se interromper. Que j\u00e1 est\u00e1 por a\u00ed, espalhado. Os grupos e os coletivos v\u00e3o continuar fazendo cinema. Mesmo que seja na guerrilha. Um exemplo disso \u00e9 o que trouxemos na se\u00e7\u00e3o Making Off, um mat\u00e9ria sobre o filme \u201cCaf\u00e9, Pepi e Lim\u00e3o\u201d, <a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xv-panorama\/apresentacao\/juri-competitiva-internacional\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que o Lula Oliveira<\/a> produziu. Foi um filme feito na guerrilha. C\u00e2mera na m\u00e3o, filmado na rua. Isso n\u00e3o vai parar. Durante a entrevista, Wagner Moura <a href=\"https:\/\/emais.estadao.com.br\/noticias\/gente,fernanda-montenegro-critica-retrocesso-da-arte-no-brasil-nao-vamos-acabar,70003423045\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">citou uma frase da Fernanda Montenegro<\/a> que n\u00f3s at\u00e9 colocamos na capa da revista. &#8220;Eu sei que n\u00f3s, artistas, a Arte e a Cultura, vamos existir. E isso vai passar. Governos passam&#8221;. O cinema vai continuar, s\u00f3 que \u00e9 dif\u00edcil. \u00c9 doloroso. Tem muita gente que vive disso, que realmente precisou de aux\u00edlio durante a pandemia. Porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 diretor, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ator. N\u00f3s acabamos por falar muito de uma certa parte que est\u00e1 ali em cima, na ponta do iceberg. Mas tem todo um ch\u00e3o de f\u00e1brica. Tem os eletricistas, os maquinistas, os contrarregras&#8230; Enfim, \u00e9 muita gente que recebe um, dois sal\u00e1rios. Recebe s\u00f3 quando tem alguma coisa sendo realizada, pois, muitas vezes, \u00e9 um trabalho freelancer. E esse pessoal ficou muito na m\u00e3o agora. A Lei Aldir Blanc vem ajudar nesse sentido. Trata-se de um momento muito complicado que estamos passando. Os filmes v\u00e3o continuar, certamente, mas n\u00e3o com aquela mesma frequ\u00eancia, com aquela mesma regularidade. Sempre vai ser uma luta para conseguir colocar esses filmes em cartaz, para conseguir uma libera\u00e7\u00e3o da Ancine, para conseguir levar um filme a um festival. Os obst\u00e1culos ser\u00e3o muitos. Temos um governo que, infelizmente, n\u00e3o apoia a arte brasileira, que \u00e9 a grande bandeira do pa\u00eds. A imagem que o pa\u00eds tem l\u00e1 fora vem muito dessa produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, com a m\u00fasica e o cinema, principalmente. Desde Glauber Rocha, que foi de suma import\u00e2ncia para a internacionaliza\u00e7\u00e3o do nosso cinema, e \u201cO Pagador de Promessas\u201d, cujo diretor, Anselmo Duarte, n\u00e3o \u00e9 baiano, mas fez o filme que respira toda essa baianidade ao ser realizado na Bahia. Enfim, \u00e9 complicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A revista Elipse \u00e9 um projeto que tem voc\u00ea como editor-chefe e a ONG Contato \u00e0 frente da empreitada. Como surgiu o convite da ONG para voc\u00ea assumir essa miss\u00e3o de editar uma revista impressa?<\/strong><br \/>\nEu j\u00e1 cubro essa \u00e1rea de cinema h\u00e1 25 anos. Puxa, 25 anos, j\u00e1? Isso tudo? (risos) E a Contato \u00e9 uma ONG cujas pessoas que fazem parte eu conhe\u00e7o h\u00e1 um tempo. Trata-se de uma ONG voltada fundamentalmente para a \u00e1rea cultural. E o <a href=\"https:\/\/www.otempo.com.br\/diversao\/ong-contato-chega-aos-18-anos-anunciando-parcerias-e-novidades-1.2364009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Helder Quiroga<\/a>, que \u00e9 um dos coordenadores, tem uma presen\u00e7a pol\u00edtica muito forte aqui em Minas Gerais. Ele est\u00e1 sempre presente nos debates, nos pleitos que s\u00e3o feitos pela classe juntos aos governantes. Tanto na esfera municipal como na estadual. Ele \u00e9 uma voz muito ativa e eu j\u00e1 o entrevistei algumas vezes antes. Com a mudan\u00e7a dos jornais a partir da internet, nos \u00faltimos anos, a parte de Cultura (no impresso) foi ficando cada vez mais debilitada. No caso do cinema, o espa\u00e7o para as cr\u00edticas de cinema foi diminuindo. O espa\u00e7o \u00e9 sempre maior para os blockbusters, para os filmes mais conhecidos. Eu agrade\u00e7o ao jornal onde trabalho h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas (o Hoje em Dia) por eu ainda poder continuar escrevendo sobre cinema. Atualmente, eu sou o \u00fanico setorista cobrindo cinema no Estado. Isso entre os ve\u00edculos tradicionais. Ent\u00e3o, o Helder, conhecendo o meu trabalho, vendo a cobertura que eu fazia da pol\u00edtica cinematogr\u00e1fica em Minas Gerais, me chamou para ser o editor da revista. E eu fiquei muito feliz. Porque era um sonho antigo meu fazer uma revista de cinema. Enquanto presidente da Abraccine, eu cheguei a cogitar isso algumas vezes. Mas o pessoal achava que era uma loucura por todas essas mudan\u00e7as que eu acabei de falar. A impress\u00e3o era de que o papel \u00e9 algo ultrapassado. H\u00e1 um certo consenso de que tudo, hoje, tem que ser digital. Mas n\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos <a href=\"https:\/\/abraccine.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o site da Abraccine<\/a>, que, entre suas se\u00e7\u00f5es, publicava cr\u00edticas e mat\u00e9rias. Ent\u00e3o essa ideia de fazer uma revista ficou guardada. Quando veio o convite do Helder foi como um sonho sendo realizado. E eu confesso que fiquei meio temeroso. &#8220;Puxa, uma revista em papel? (risos) Como \u00e9 que \u00e9 isso? Como vai ser essa recep\u00e7\u00e3o?&#8221; Aquele temor de todos, aquelas ressalvas todas, pareciam ter me contaminado no in\u00edcio. Durante a produ\u00e7\u00e3o da revista, por\u00e9m, eu n\u00e3o tive d\u00favida de que a revista seria um marco. Hoje, ela \u00e9 a \u00fanica revista de cinema impressa com reportagens e an\u00e1lises exclusivamente sobre a produ\u00e7\u00e3o brasileira. Existe a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/revistateorema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Teorema<\/a>, que publica cr\u00edticas, mas com esse nosso perfil, a Elipse \u00e9 \u00fanica. Antigamente, a gente tinha a Revista de Cinema, que infelizmente encerrou a parte impressa. N\u00e3o queremos que isso se repita com a Elipse. Esperamos que ela n\u00e3o seja uma revista de curta dura\u00e7\u00e3o, como aconteceu muito no passado. Minas Gerais tem um exemplo disso com a <a href=\"http:\/\/www.cultura.mg.gov.br\/component\/gmg\/story\/1892-livros-reunem-textos-da-lendaria-revista-de-cinema-referencia-critica-nos-anos-1950-e-1960-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Revista de Cinema<\/a>, l\u00e1 nos anos 1950, feita pelo Centro de Estudos Cinematogr\u00e1ficos de Minas Gerais. Importante celeiro de cr\u00edticos, de debates para o cinema brasileiro. E eles fizeram poucas edi\u00e7\u00f5es. Mas eram revistas muito fortes, muito potentes. Apesar de feita h\u00e1 cinco d\u00e9cadas, at\u00e9 hoje recorremos aos seus textos para falar sobre neorrealismo, a metodologia de cr\u00edtica&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57941\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse1-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As entrevistas com Wagner Moura e Fabr\u00edcio Boliveira, realmente, trazem reflex\u00f5es urgentes sobre o que vem acontecendo.<\/strong><br \/>\n\u00c9 meio estranho eu falar isso como editor, mas s\u00e3o mat\u00e9rias muito fortes, muito pujantes. Que retratam bem o momento que o audiovisual brasileiro est\u00e1 passando. De bom e de ruim. Isso ficou bem claro para a gente desde o in\u00edcio. De que precis\u00e1vamos tra\u00e7ar esse di\u00e1logo. N\u00e3o seria mais uma revista para falar apenas de bastidores, sobre o que estava vindo. N\u00f3s precis\u00e1vamos ir mais a fundo e refletir todos os setores da produ\u00e7\u00e3o do audiovisual do Brasil. E, para isso, voc\u00ea tem que falar de pol\u00edtica, muitas vezes. A Elipse \u00e9 uma revista muito forte nesse sentido, politicamente. At\u00e9 pelo momento que a gente est\u00e1 vivendo, n\u00e3o tem como voc\u00ea escapar disso. Quando voc\u00ea pergunta para um ator, para um diretor, como o Fabr\u00edcio Boliveira ou o Wagner Moura, que s\u00e3o muito articulados, muito ligados \u00e0 quest\u00e3o do cinema como um movimento, como representatividade, a resposta \u00e9 direta. No caso do Wagner, mesmo hoje ele estando com uma carreira internacional, a quest\u00e3o dele, hoje, \u00e9 fazer um projeto com personagens latinos que n\u00e3o caiam num estere\u00f3tipo. E o Boliveira, durante essa quarentena, est\u00e1 na Bahia fazendo v\u00e1rios experimentos de lives, filmes feitos na guerrilha. Esses dois, ao darem entrevistas e ao serem questionados sobre como est\u00e3o vendo o momento atual, oferecem uma resposta muito cr\u00edtica, muito c\u00e9tica em rela\u00e7\u00e3o ao pensamento do governo brasileiro em rela\u00e7\u00e3o ao cinema. S\u00e3o observa\u00e7\u00f5es que v\u00eam bem fundamentadas. Temos uma coluna do Alfredo Manevy, que foi secret\u00e1rio do Minist\u00e9rio da Cultura e presidente da SPCine, uma pessoa que conhece profundamente a hist\u00f3ria da pol\u00edtica cultural no pa\u00eds desde muito tempo. Quando ele fala nessa edi\u00e7\u00e3o sobre a falta que o Minist\u00e9rio da Cultura faz em um governo como o de hoje, faz todo sentido. Porque voc\u00ea v\u00ea que a Cultura est\u00e1 sendo jogada a\u00ed, de secretaria em secretaria, minist\u00e9rio em minist\u00e9rio, mostrando qual \u00e9 a dimens\u00e3o que esse governo tem sobre a Cultura. Enquanto voc\u00ea tem um minist\u00e9rio, voc\u00ea valoriza a Cultura de um pa\u00eds, criando mecanismos para capacitar e engradecer mais essa arte que \u00e9 produzida no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome Elipse \u00e9 bem representativo deste momento.<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito por isso. Eu mesmo, como jornalista, percebo que \u00e9 algo muito not\u00f3rio escrevermos sempre sobre os ciclos. &#8220;O cinema brasileiro vive em ciclos&#8221;. Foi algo que virou quase um chav\u00e3o. E hoje, mais uma vez, infelizmente, isso se comprovou. Depois de duas d\u00e9cadas de uma produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, de uma mesma pol\u00edtica, um pensamento para o cinema brasileiro, tudo est\u00e1 sendo, mais uma vez, descontinuado. O que propomos como publica\u00e7\u00e3o s\u00e3o outras maneiras de pensar sobre o cinema brasileiro que v\u00e3o al\u00e9m dos filmes que est\u00e3o em cartaz. E eu acho que a elipse \u00e9 uma imagem muita clara nesse sentido. Agora n\u00f3s estamos um pouquinho longe do sol, mas vamos continuar esse movimento de transla\u00e7\u00e3o e, daqui a pouco, estaremos pr\u00f3ximos de novo. \u00c9 aquilo que eu te falei agora a pouco sobre o Wagner Moura. Isso vai passar. N\u00f3s estamos um pouco longe, est\u00e1 meio frio agora. Daqui a pouco, vamos nos aquecer de novo, pois tenho certeza que estaremos perto sol outra vez. Enquanto isso n\u00e3o acontece, a gente vai aqui, debatendo, conversando, apontando caminhos, mostrando onde que o cinema, apesar de tudo, est\u00e1 sendo produzido. Quais as ideias que est\u00e3o sendo pensadas. Ideias, existem muitas. Em todos os lugares. E essas ideias n\u00e3o est\u00e3o concentradas apenas em Rio, S\u00e3o Paulo ou Minas Gerais. Est\u00e3o na Bahia, no Amazonas, no Par\u00e1&#8230; E esse \u00e9 o grande barato da revista quando ela prop\u00f5e fazer uma edi\u00e7\u00e3o tem\u00e1tica. N\u00f3s tivemos Minas Gerais, primeiramente, como norte da revista. E nessa segunda edi\u00e7\u00e3o, a Bahia. Mas a Bahia como um exemplo do passado, do presente e do futuro do cinema brasileiro. Usando esse local para falar de uma realidade macro do pa\u00eds. E a Bahia, nesse sentido, funciona muito bem, porque tem uma presen\u00e7a muito forte na hist\u00f3ria do cinema brasileiro. Com o Cinema Novo, por exemplo. Temos um artigo saboroso do Orlando Senna em que ele fala que as origens do Cinema Novo est\u00e3o l\u00e1, tamb\u00e9m, naquelas produ\u00e7\u00f5es estrangeiras que vieram para c\u00e1 e usaram a m\u00e3o de obra dos profissionais baianos. N\u00f3s olhamos para o presente com os nomes que se confirmaram e contribu\u00edram para dar essa cara t\u00e3o diversa de nosso cinema. A Helena Ignez, musa do Cinema Novo e do Cinema Marginal, de uns 15 anos para c\u00e1 se revelou como uma brilhante diretora. Ela at\u00e9 fala na entrevista que poderia ter se destru\u00eddo totalmente ao ter convivido com duas pot\u00eancias intelectuais t\u00e3o fortes (Glauber Rocha e Rog\u00e9rio Sganzerla). Mas, n\u00e3o. Ela se reinventou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57943\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse3-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 percept\u00edvel um foco das pautas das duas edi\u00e7\u00f5es para mat\u00e9rias que abrangem uma maior diversidade e representatividade no cinema brasileiro. Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre esse direcionamento editorial e sobre a reflex\u00e3o acerca disso no contexto do cinema brasileiro como ind\u00fastria?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s temos essa preocupa\u00e7\u00e3o de trazer pautas que foquem em mulheres, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/30\/entrevista-emerson-dindo-plataforma-diaspora-conecta\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">negros<\/a> e g\u00eaneros. De mostrar essas v\u00e1rias vozes que est\u00e3o presentes, hoje, no cinema brasileiro. Al\u00e9m da Helena Ignez e da figurinista Ver\u00f4nica Julian, nesta edi\u00e7\u00e3o temos o Fabr\u00edcio Boliveira, que est\u00e1 despontando fortemente, tanto no teatro e na TV quanto no cinema, com pap\u00e9is muito potentes. O \u00faltimo deles (N.E. No filme \u201cBreve Miragem de Sol\u201d), dirigido pelo Eryk Rocha, eu acho que foi o grande desafio da carreira dele, como um personagem, um taxista, que retrata esse momento desesperan\u00e7oso vivido no Brasil. Temos uma se\u00e7\u00e3o na revista chamada Representatividade. Acho que isso j\u00e1 diz muito. <a href=\"https:\/\/issuu.com\/ongcontato\/docs\/elipse1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Na primeira edi\u00e7\u00e3o<\/a>, tivemos um excelente texto da D\u00e9bora Ivanov, que \u00e9 uma pesquisadora nesse assunto e, dentro da Ancine, estimulou muito a cria\u00e7\u00e3o de editais e leis que se voltassem para o aumento da participa\u00e7\u00e3o da mulher. Ela lutou muito para isso. Pela inclus\u00e3o da mulher negra, da mulher trans. Ela traz esse artigo para a edi\u00e7\u00e3o 1 e mostra muito claramente que houve um avan\u00e7o muito pequeno ainda. Tem crescido, mas n\u00e3o ainda de uma forma que seja mais pr\u00f3xima da participa\u00e7\u00e3o do homem. Ainda tem muito a ser conquistado. A gente pensa sempre em atriz, diretora e, no m\u00e1ximo, roteirista. Mas, nesse artigo, a D\u00e9bora vai olhando para cada setor dentro do audiovisual. Diretoras de arte, diretoras de fotografia, cada vez que voc\u00ea vai aprofundando, vai percebendo o qu\u00e3o reduzido \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o de pessoas negras e mulheres nesse segmento. Para n\u00f3s, \u00e9 muito importante falar sobre isso, porque reflete a discuss\u00e3o do hoje. Essa \u00e9 a grande quest\u00e3o que se est\u00e1 debatendo. N\u00e3o s\u00f3 na Cultura, mas no pa\u00eds como um todo. Tivemos avan\u00e7os nesse sentido, da busca de igualdade, de dar voz a essas pessoas. E sofremos um retrocesso nos \u00faltimos dois, tr\u00eas anos. Na segunda edi\u00e7\u00e3o, foi a quest\u00e3o da religiosidade. Como que ela foi tratada dentro do Cinema Brasileiro. Muitas vezes com certo estere\u00f3tipo, principalmente quando voc\u00ea olha para as religi\u00f5es de matriz africana. Quando voc\u00ea vai buscar um filme mais palp\u00e1vel, mais fiel aos preceitos dessas religi\u00f5es, s\u00e3o pouqu\u00edssimos exemplos. Ent\u00e3o, o Erisvaldo Pereira, que fez p\u00f3s-doutorado na Universidade Federal da Bahia e \u00e9 o autor do texto, pega o \u201cBarravento\u201d, do Glauber Rocha, e o \u201cJardim das Folhas Sagradas\u201d, do Pola Ribeiro, e faz uma compara\u00e7\u00e3o de como isso foi abordado dentro desses dois filmes como drama. O Erisvaldo \u00e9 um Babalorix\u00e1 a quem n\u00f3s demos essa voz na revista. Essa voz do candombl\u00e9, das religi\u00f5es de matriz africana, que, tamb\u00e9m, est\u00e3o sendo muito perseguidas hoje. H\u00e1 certa press\u00e3o pelas religi\u00f5es mais evang\u00e9licas como preponderantes na atualidade por partes de alguns governos. Ent\u00e3o, \u00e9 importante dar essa voz tamb\u00e9m. E n\u00e3o s\u00f3 nessa se\u00e7\u00e3o, mas tudo isso se reflete na pr\u00f3pria condu\u00e7\u00e3o da revista. Tivemos a Dira Paes na capa da edi\u00e7\u00e3o 1, que, talvez, seja o maior s\u00edmbolo feminino do atual cinema brasileiro. Uma atriz paraense. E a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o vai ter uma outra mulher em destaque. Eu ainda n\u00e3o posso revelar, mas teremos uma novidade bacana para a terceira edi\u00e7\u00e3o dentro dessa perspectiva nossa. N\u00e3o se trata apenas de escolha das pessoas, mas do que elas podem falar. A entrevista do Fabr\u00edcio Boliveira, por exemplo, \u00e9 quase toda sobre a quest\u00e3o de ra\u00e7a. Hoje ele tem uma import\u00e2ncia semelhante a do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/26\/entrevista-lazaro-ramos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">L\u00e1zaro Ramos<\/a>. Ele conseguiu ser um protagonista de novela e de filmes. Na revista, Fabr\u00edcio fala como \u00e9 dif\u00edcil se tornar um exemplo. Ele tenta tornar isso mais suave. Mas nunca deixa de ser um peso na carreira dele ter esse papel, essa incumb\u00eancia. E isso justamente por serem apenas dois atores com esse destaque atualmente, ele e o L\u00e1zaro Ramos. Poderia ser muito mais. Fabr\u00edcio gostaria que chegasse a um ponto que n\u00e3o precisasse dizer ator negro. Ele lembrou do que aconteceu com o Simonal. Se o Simonal estivesse com outros artistas negros ali em volta dele, se houvesse um movimento ali, haveria gente para apoi\u00e1-lo. E ele n\u00e3o ia passar parte da vida tachado como um mentiroso, como um delator, e n\u00e3o teria ca\u00eddo no ostracismo depois, como \u00e9 mostrado no filme que o Fabr\u00edcio protagonizou.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57942\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse2-300x205.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na entrevista, inclusive, o Wagner Moura fala a respeito da situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de profissionais do cinema que trabalham fora do holofote. Ele cita diversas profiss\u00f5es t\u00e3o importantes quanto a dos protagonistas para a arte coletiva que \u00e9 o cinema. Observei que a Elipse dedica uma se\u00e7\u00e3o especial a profissionais dessas \u00e1reas, como contrarregra, figurinista. Bem louv\u00e1vel esse destaque. Na que tem a figurinista Ver\u00f4nica Julien, as informa\u00e7\u00f5es sobre paletas de cores, sobre jun\u00e7\u00f5es com a dire\u00e7\u00e3o de fotografia, s\u00e3o surpreendentes.<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9 a Se\u00e7\u00e3o \u201cT\u00e1 nos Cr\u00e9ditos\u201d. \u00c9 a dobradinha que a gente tenta fazer: ao mesmo tempo em que voc\u00ea est\u00e1 se aprofundando, apontando caminhos e discutindo o cinema brasileiro, est\u00e1, tamb\u00e9m, informando. Essa \u00e9 a dobradinha ideal que buscamos. Voc\u00ea tem uma pauta muito forte, que \u00e9 uma entrevista como a do Fabr\u00edcio Oliveira falando sobre a quest\u00e3o racial, e tem uma mat\u00e9ria sobre o funcionamento do cinema. A cada edi\u00e7\u00e3o, vamos falar de uma profiss\u00e3o envolvida com cinema. Embora os atores estejam ali na capa da revista, porque \u00e9 natural que isso aconte\u00e7a, por quest\u00f5es comerciais e editoriais, nunca vamos esquecer dessas outras pessoas que est\u00e3o ali participando para que o cinema continue existindo. Tivemos uma mat\u00e9ria sobre um contrarregra (Ben Bittencourt, conhecido como Benhur), que trouxe hist\u00f3rias saboros\u00edssimas. \u00c9 interessante perceber como eles participam com ideias e, muitas vezes, podem at\u00e9 mudar o rumo de uma hist\u00f3ria. Cinema \u00e9 uma arte coletiva. Sabemos muito bem disso. Tem diretores que chegam ao set e abrem aquele processo de escuta. Est\u00e3o muito abertos para isso. Helena Ignez trouxe uma frase \u00f3tima na entrevista a respeito disso. Uma coisa que ela aprendeu com o Sganzerla \u00e9 voc\u00ea estar atento aos pequenos milagres que acontecem dentro do processo de filmar. Voc\u00ea chega com um filme j\u00e1 com roteiro, tudo estabelecido, mas ocorrem certas coisas durante o processo que s\u00e3o m\u00e1gicas. Que podem ser uma ideia vinda de algu\u00e9m, uma a\u00e7\u00e3o que est\u00e1 acontecendo ali do lado, uma conversa informal&#8230; Se ficar atento a tudo isso, voc\u00ea absorve, se apropria disso para o filme, e este fica cada vez mais rico. \u00c9 o que o Sganzerla chamava de milagre. E ainda nesse aspecto de destacar outros campos t\u00e9cnicos, temos uma se\u00e7\u00e3o chamada \u201cSom &amp; M\u00fasica\u201d, escrita por M\u00e1rio Di Poi e o Alexandre Guerra. \u00c9 uma rara oportunidade de se aprofundar nesse tema do som, que \u00e9 t\u00e3o importante quanto a imagem. N\u00f3s nos atemos muito \u00e0 quest\u00e3o da imagem, e esquecemos do som. Esquecemos o quanto ele contribui para o filme ser realizado, para criar um suspense. Por exemplo, quando voc\u00ea pensa na cena do \u201c2001 &#8211; Uma Odisseia no Espa\u00e7o\u201d, em que o Hal 9000 est\u00e1 escutando o astronauta desligando os equipamentos. O som, ali, entra para fazer o seu papel. No Brasil, o som sempre foi um pouco marginalizado e relegado. Felizmente, isso tem mudado. Temos empresas de ponta, como a INPUT, onde o M\u00e1rio Di Poi trabalha. Hoje, ele est\u00e1 criando uma filial l\u00e1 nos Estados Unidos. Ele fez o som do \u201cDemocracia em Vertigem\u201d, filme da Petra Costa. Trouxe para o Brasil um designer de som famoso e premiado nos Estados Unidos, o <a href=\"https:\/\/www.imdb.com\/name\/nm0789458\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leslie Shatz<\/a>, que ficou impressionado com o trabalho feito aqui. Ele mesmo fala que isso n\u00e3o tem muita bandeira. \u00c9 s\u00f3 aprender, ter o conhecimento e fazer. Ter as condi\u00e7\u00f5es ideais para voc\u00ea produzir e replicar isso no Brasil. Temos conseguido isso, felizmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na edi\u00e7\u00e3o dois, temos diversas pautas voltadas para artistas da Bahia, como o Wagner, o Fabr\u00edcio. Produ\u00e7\u00f5es daqui no \u00e2mbito de live action e de anima\u00e7\u00f5es. Esse planejamento de contemplar a Bahia como tema surgiu de que modo na concep\u00e7\u00e3o da revista?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o me lembro em que momento a Bahia surgiu como uma ideia da pauta. Eu gostaria muito de poder falar: &#8220;eu tive a ideia de dar o destaque \u00e0 Bahia&#8221; (risos). N\u00e3o. A coisa foi se formando. Por tudo isso que est\u00e1 acontecendo na Bahia. O interesse em entrevistar o Fabr\u00edcio, em entrevistar o Wagner. Quando a gente come\u00e7ou a pensar a revista, o \u201cMarighella\u201d tinha acabado de ser exibido. Ent\u00e3o, n\u00f3s ach\u00e1vamos que era legal ter uma entrevista com o Wagner Moura. Ele est\u00e1 com essa super carreira l\u00e1 fora, participando de filmes importantes. S\u00f3 nos \u00faltimos tempos, foram tr\u00eas filmes em que ele atuou. E a gente aponta tamb\u00e9m para o futuro, com o cinema de anima\u00e7\u00e3o feito na Bahia, que vem crescendo de maneira muito exponencial. Eram poucos antes. A gente tinha s\u00f3 o Chico Liberato que, mesmo com t\u00e3o pouco, fez v\u00e1rios longas e construiu uma hist\u00f3ria importante dentro da anima\u00e7\u00e3o brasileira. Hoje, voc\u00ea v\u00ea isso a\u00ed com v\u00e1rias produtoras, v\u00e1rias pessoas fazendo anima\u00e7\u00e3o na Bahia. Al\u00e9m disso, temos pessoas pr\u00f3ximas da Bahia que nos relatam como essa produ\u00e7\u00e3o no estado vem acontecendo. O Orlando Senna \u00e9 muito pr\u00f3ximo ao Helder, \u00e9 um amigo. Ent\u00e3o, as coisas foram meio que sendo costuradas desse modo. Quando vimos, pensamos: &#8220;\u00e9 Bahia!&#8221; E Minas com Bahia tem tudo a ver, n\u00e9? Tem aquela m\u00fasica da Daniela Mercury com o Samuel Rosa em que eles cantam isso. E tem tudo a ver, mesmo. N\u00f3s temos uma conex\u00e3o muito forte com a Bahia como trocas de ideias. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=N6kmGoESEb4&amp;fbclid=IwAR2xFInlzQ95X3rNkJjro8KKXFbDyU1QBQ9Gx6EHm_xt6ithc84CaXFnZJ0b\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fizemos uma live recentemente<\/a> com o Fabr\u00edcio Boliveira para lan\u00e7ar a revista. Animado, vestindo uma camisa com a bandeira de Minas, ele lan\u00e7ou essa ideia de movimentar o pessoal l\u00e1 na Bahia e a gente aqui em Minas. Unir for\u00e7as. \u00c9 muito isso. Acho que o baiano e o mineiro t\u00eam muito disso. Est\u00e3o prontos para as ideias, para fazer trabalhos coletivos, a escutar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Podemos imaginar as edi\u00e7\u00f5es futuras com um foco em estados espec\u00edficos do Brasil?<\/strong><br \/>\nA coisa est\u00e1 caminhando nesse sentido. Mas n\u00e3o \u00e9 algo estanque. \u00c0s vezes pode ser um estado, pode ser uma regi\u00e3o. Por exemplo, n\u00e3o d\u00e1 para fazer uma revista com foco em Roraima, pois a hist\u00f3ria deles com o cinema \u00e9 bem recente. Mas pode ser uma regi\u00e3o. Voc\u00ea junta ali Amazonas, Rond\u00f4nia, Acre, a\u00ed sim, vai dar um panorama bom. Quantas pessoas bacanas que v\u00eam dessas regi\u00f5es, desses estados que pertencem a essa regi\u00e3o? A ideia \u00e9 ir vasculhando, ir passando por esses lugares, a partir deste prisma que eu lhe falei: falar do local para chegar ao macro.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57945\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"516\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse5-300x206.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em um per\u00edodo no qual as publica\u00e7\u00f5es impressas t\u00eam deixado de existir (algo que me angustia, pois adoro o impresso. Trabalho em um ve\u00edculo impresso e dependo disso para sobreviver nesse campo), como foi tratada essa quest\u00e3o financeira na elabora\u00e7\u00e3o do projeto de Elipse em um formato em papel?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s estamos viabilizando a revista porque ela foi aprovada pela Lei de Incentivo de Cultura do Estado. Temos patrocinadores que v\u00e3o viabilizar um determinado n\u00famero de exemplares. E a nossa expectativa \u00e9 que isso continue. Porque ela vem dando super certo. Eu lhe falei do meu receio inicial, mas, quando voc\u00ea v\u00ea a revista, as pessoas a manuseando, tem um carinho, uma certa ternura ali. Ela \u00e9 bem bonita, tem um projeto gr\u00e1fico soberbo do Fred Paulino, um dos grandes artistas visuais aqui de Minas Gerais, que faz voc\u00ea querer folhear. Essa quest\u00e3o t\u00e1til \u00e9 muito forte. Durante o lan\u00e7amento da primeira edi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o da segunda foi totalmente virtual, n\u00f3s trouxemos a Dira Paes aqui para Belo Horizonte, para a sede da ONG Contato. Tamb\u00e9m estava presente o Helv\u00e9cio Ratton. Naquele dia, havia uma energia ali. Uma percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia de uma revista como essa estar falando sobre o cinema brasileiro nesse momento. Ela d\u00e1 um certo endosso. Percebemos que n\u00e3o estamos sozinhos. O virtual vem sendo, hoje, a nossa forma de comunica\u00e7\u00e3o por causa da pandemia. Mas nada tira a sensa\u00e7\u00e3o de voc\u00ea estar ali, comungando aquelas ideias. \u00c9 a mesma coisa com uma sala de cinema. Hoje, estamos vendo filmes cada vez mais em uma telinha. Acompanhando os festivais de cinema todos de forma on-line. Mas compare um festival on-line, como aconteceu com o <a href=\"https:\/\/olhardecinema.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Olhar de Cinema<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.festivaldegramado.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gramado<\/a>, com o que acontecia l\u00e1 de forma presencial. \u00c9 algo muito mais rico. Voc\u00ea est\u00e1 muito mais aberto a aprender. Voc\u00ea est\u00e1 ali para aquilo. Em casa, cobrindo festivais, voc\u00ea est\u00e1 suscet\u00edvel a interrup\u00e7\u00f5es. O telefone toca, algu\u00e9m bate na porta. Enfim, em um festival, voc\u00ea est\u00e1 imerso naquilo. E com a revista, aconteceu algo semelhante. A import\u00e2ncia que as pessoas d\u00e3o \u00e0quilo \u00e9 muito maior. A gente vai perceber isso daqui a 10, 15 anos, quando algu\u00e9m chegar para mim e falar que tem guardada a revista at\u00e9 hoje. Que tem muito carinho com ela, que a usa como fonte para as mat\u00e9rias, para as pesquisas, para os estudos. Da mesma forma como \u00e9, hoje, a Revista de Cinema mineira e tantas outras publica\u00e7\u00f5es. A internet \u00e9 um buraco negro. Ela te devora. Vai te levando para diversos caminhos. E n\u00f3s n\u00e3o sabemos como isso tudo vai ser preservado. Nem os filmes sabemos como ser\u00e3o preservados. Como essas c\u00f3pias ficar\u00e3o no digital? \u00c9 uma grande discuss\u00e3o hoje. Quando acontece alguma edi\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/cineop.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mostra de Cinema de Ouro Preto<\/a>, essa \u00e9 um grande discuss\u00e3o sempre: qual \u00e9 o caminho? Qual \u00e9 o padr\u00e3o para preservar todo esse material? E vira e mexe acabam chegando \u00e0 mesma conclus\u00e3o de que a pel\u00edcula \u00e9 a forma mais segura, ideal de preserva\u00e7\u00e3o de filmes. No caso das publica\u00e7\u00f5es, o problema do papel \u00e9 que \u00e9 bem mais caro. O digital se resume a contratar um webdesigner, pegar o conte\u00fado e colocar no ar. Aqui voc\u00ea tem outras inst\u00e2ncias. Voc\u00ea tem a gr\u00e1fica e a distribui\u00e7\u00e3o. Mas tem valido muito a pena e acho que vai continuar assim por um bom tempo. Assim espero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. No meu caso pessoal, sempre recorro ao meu acervo de revistas impressas, como a SET, a Revista de Cinema, dentre outras. Imaginar esse potencial com a Elipse \u00e9 algo bem empolgante.<\/strong><br \/>\nA revista, da forma como a estamos concebendo, ela \u00e9 s\u00f3 um ponto de partida. A nossa ideia \u00e9, futuramente, fazer uma plataforma tamb\u00e9m. Fazer um portal de not\u00edcias em que a revista vai estar l\u00e1 dentro. \u00c9 importante, politicamente, para o cinema brasileiro. Acho que n\u00e3o tem hoje um portal de informa\u00e7\u00e3o, de not\u00edcia nacional falando de tudo que est\u00e1 acontecendo em todos os estados, em todos os lugares. Tem algumas coisas muito pontuais, que servem a alguns prop\u00f3sitos, voltados alguns deles para o mercado, mas o projeto que o Helder pretende fazer \u00e9 uma coisa muito maior. E esperamos conseguir isso futuramente. Podem surgir livros e estudos em determinadas quest\u00f5es do cinema brasileiro que n\u00e3o foram contempladas. Precisamos fazer pesquisas sempre. Constantemente. Qual o n\u00famero de produtoras nas cidades? N\u00famero de cinemas? Esse tipo de coisa. Prospec\u00e7\u00e3o, mesmo. \u00c9 poss\u00edvel abrir mais um cinema? O que est\u00e1 faltando? Est\u00e1 faltando algum tipo de projeto? Esse tipo de comp\u00eandio de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o temos. N\u00e3o sei se na Bahia, mas em Minas n\u00e3o tem esse tipo de levantamento sobre a raz\u00e3o das pessoas irem ao cinema, ou n\u00e3o irem. O que se tem s\u00e3o coisas muito pontuais. Mas uma pesquisa de f\u00f4lego, que vai cruzando todas essas informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tem. \u00c9 algo que vai ajudar muito a entendermos o papel do cinema brasileiro. Porque, vira e mexe, ouvimos aquela hist\u00f3ria de que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio. At\u00e9 hoje, ouvimos falar que s\u00f3 tem mulher pelada no cinema nacional (risos). \u00c9 incr\u00edvel esse argumento. &#8220;Ah, s\u00f3 tem pornografia, s\u00f3 tem devassid\u00e3o&#8221;, esse tipo de coisa. N\u00f3s ouvimos isso com uma frequ\u00eancia aterrorizante, ainda. Ent\u00e3o, a gente precisa tirar esses mitos. Ter uma pesquisa, nesse sentido, \u00e9 fundamental para compreender o que as pessoas entendem como cinema brasileiro. O que elas esperam do cinema brasileiro? De onde elas tiram essas informa\u00e7\u00f5es do cinema brasileiro? Elas assistem a filmes brasileiros, realmente? Quais filmes elas est\u00e3o vendo? Dos anos 1970, por acaso? Est\u00e3o vendo no Canal Brasil, na Netflix ou no cinema? Qual o par\u00e2metro dessa pessoa? Qual seria o par\u00e2metro de um filme que n\u00e3o \u00e9 lascivo? Ent\u00e3o, s\u00e3o perguntas que ficam meio que no ar. \u00c9 um passo para a Elipse, j\u00e1 falando de uma coisa maior, fazer futuramente. As ideias s\u00e3o muitas, como voc\u00ea v\u00ea. Temos essa inquieta\u00e7\u00e3o de trazer esses elementos para o cinema brasileiro e aprofundar mais nele. Fazendo essa revista, ficamos cada vez mais cientes dessas lacunas, dessas aus\u00eancias existentes na nossa produ\u00e7\u00e3o. Aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o, mesmo. Quando lemos um artigo como o da D\u00e9bora Ivanov e da Luciana Vieira apresentando n\u00fameros da participa\u00e7\u00e3o da mulher, \u00e9 uma coisa que d\u00f3i na gente. Machuca, mesmo. O qu\u00e3o pequeno \u00e9 o papel da mulher nos diversos setores da cadeia produtiva do audiovisual \u00e9 impressionante. Sabemos que \u00e9 pouco, mas n\u00e3o t\u00e3o pouco como imagin\u00e1vamos. Transformando tudo isso me n\u00fameros, vamos consolidando uma pol\u00edtica, um pensamento, para mudar e melhorar o estado de coisas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57946\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"519\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Elipse6-300x208.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto&nbsp;<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do&nbsp;<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9&nbsp; de Julia Alves.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o 1 trazer a atriz paraense Dira Paes na capa e um foco na produ\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica mineira, a ponte Minas com Bahia \u00e9 feita para o exemplar 2 da revista Elipse, nova publica\u00e7\u00e3o impressa sobre cinema brasileiro. Conhe\u00e7a&#8230; e pe\u00e7a a sua!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/21\/entrevista-editor-paulo-henrique-silva-fala-sobre-a-revista-elipse\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":57947,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[4795,4901],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57939"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57939\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58446,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57939\/revisions\/58446"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}