{"id":57928,"date":"2020-10-20T00:33:36","date_gmt":"2020-10-20T03:33:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57928"},"modified":"2020-11-25T00:27:27","modified_gmt":"2020-11-25T03:27:27","slug":"entrevista-midnight-mocca-da-turminha-indie-folk-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/20\/entrevista-midnight-mocca-da-turminha-indie-folk-de-bh\/","title":{"rendered":"Entrevista: Midnight Mocca, da &#8216;turminha indie-folk de bh&#8217;."},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A m\u00fasica produzida nas Minas Gerais tem crescido, na \u00faltima d\u00e9cada, de maneira exponencial e multifacetada. E como fruto desta pluralidade \u00e9 interessante observar que no meio de tantas bandas e artistas, dos mais variados g\u00eaneros, aos poucos vem se consolidando uma aut\u00eantica cena calcada no indie-folk. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/07\/19\/entrevista-andre-travassos-moons\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Moons<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/08\/entrevista-bernardo-bauer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bernardo Bauer<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/12\/18\/tres-cds-mordomo-sara-nobat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sara N\u00e3o Tem Nome<\/a>, Young Lights, entre tanto outros, fazem parte desta cena constru\u00edda. E a <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/midmocca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Midnight Mocca<\/a> \u00e9 mais uma prova desta ascens\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fundado em 2016, o grupo aposta em letras agridoces, cantadas em ingl\u00eas, embaladas pela sonoridade indie folk. Eles j\u00e1 lan\u00e7aram tr\u00eas EPs, sendo que o mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/15UQsilkNY0BnX17wVhnSY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Higher Ground<\/a>\u201d (2020), foi disponibilizado no m\u00eas de outubro. Gravado no est\u00fadio Ilha do Corvo (MG) junto ao requisitado produtor <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/02\/download-o-novo-disco-de-leonardo-marques\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Marque<\/a>s (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/20\/entrevista-teago-oliveira-fala-sobre-boa-sorte-seu-primeiro-disco-solo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Teago Oliveira<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/18\/entrevista-maglore-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Maglore<\/a>, H\u00e9lio Flanders), o registro contou ainda com as participa\u00e7\u00f5es de T\u00falio Mour\u00e3o (ex \u2013 Mutantes) e Lucas Noacco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, o compositor Lucas Mileb (voz, viol\u00e3o, guitarra) fala sobre a pandemia, o processo de grava\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o \u201cHigher Ground\u201d, o trabalho ao lado do produtor Leonardo Marques, o mercado musical em tempos de enfraquecimento do formato \u00e1lbum, o cotidiano como inspira\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00f5es especiais, a cena indie-folk mineira, a m\u00fasica na era do streaming, planos futuros e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Midnight Mocca feat. T\u00falio Mour\u00e3o - Soul of The Street [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uuTi-DX78DY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente como voc\u00eas est\u00e3o nestes tempos de pandemia?<\/strong><br \/>\nPor ora, tudo bem dentro do poss\u00edvel, \u00e9 o que posso dizer pelo menos da minha parte. E pelo contato que tivemos no \u00faltimo final de semana, quando fizemos a live em VHS, poderia dizer pelos demais que tamb\u00e9m est\u00e3o bem. Estamos assustados com os notici\u00e1rios e um tanto incr\u00e9dulos com os rumos da na\u00e7\u00e3o, mas tudo bem conosco e nossas fam\u00edlias. O nosso encontro para live, depois de seis meses sem nos encontrar, nos fez muito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste terceiro EP a banda segue apostando em letras agridoces embaladas em melodias folk. Como foi o processo de grava\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o deste trabalho?<\/strong><br \/>\nBom, para falar do nosso terceiro EP \u00e9 importante falar tamb\u00e9m de todo o processo criativo desde que come\u00e7amos, l\u00e1 em 2017. De l\u00e1 pra c\u00e1, nunca estivemos muito distantes do est\u00fadio, e mantivemos certa regularidade nas visitas \u00e0 Ilha do Corvo. \u00c9 claro que, com tr\u00eas anos de estrada e tocando com o mesmo time h\u00e1 um entendimento maior do lugar em que cada um ocupa. Posso dizer que a grava\u00e7\u00e3o do novo disco foi um processo muito semelhante \u00e0quilo que j\u00e1 est\u00e1vamos fazendo desde o nosso debut no EP \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/15UQsilkNY0BnX17wVhnSY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Where Are You Guys From?<\/a>\u201d, de 2018. E foi tamb\u00e9m de certa forma, uma continuidade dos EP&#8217;s seguintes. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s composi\u00e7\u00f5es foi tudo muito semelhante tamb\u00e9m, eu criava as novas can\u00e7\u00f5es, mostrava para o Leo Marques e para os amigos da banda, e no est\u00fadio tudo acontecia naturalmente. A diferen\u00e7a maior foram as participa\u00e7\u00f5es especiais do Lucca Noacco e do T\u00falio Mour\u00e3o, al\u00e9m de um certo &#8216;ar&#8217; de encerramento dessa trilogia inicial que apresentamos com os tr\u00eas EPs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leonardo Marques h\u00e1 tempos tem deixado sua assinatura em diversas produ\u00e7\u00f5es musicais. Por que decidiram trabalhar com ele? Quais as contribui\u00e7\u00f5es o produtor trouxe para o resultado final?<\/strong><br \/>\nO est\u00fadio Ilha do Corvo, que \u00e9 o est\u00fadio do Leo, \u00e9 um verdadeiro ber\u00e7o da Midnight Mocca. O Leo se tornou um amigo ao longo dos \u00faltimos anos e \u00e9 dif\u00edcil nos enxergar trabalhando com outro produtor musical. Ele \u00e9 o nosso &#8216;quinto beatle&#8217;, o &#8216;man behind the curtains&#8217; e a sonoridade que alcan\u00e7amos e pretendemos s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel por conta de seu talento, e por conta dessa parceria tamb\u00e9m. \u00c9 curioso que ao mesmo tempo em que ele \u00e9 fundamental para nossa exist\u00eancia como conjunto, \u00e9 dif\u00edcil pontuar suas contribui\u00e7\u00f5es pormenorizadamente. O Leo \u00e9 aquela pessoa sens\u00edvel que te orienta de modo certeiro para um caminho\/ sonoridade com muita ternura, e esse cuidado \u00e9 fundamental para o resultado final. Ele \u00e9 um dos grandes respons\u00e1veis pela qualidade de grandes trabalhos da cena mineira, e talvez por isso, contribui tamb\u00e9m para que cada grupo busque e tenha sua pr\u00f3pria identidade, apesar das semelhan\u00e7as que possam existir entre uma banda e outra. Sem o Leo a Midnight Mocca n\u00e3o existiria como ela \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando sobre formatos, h\u00e1 uma grande discuss\u00e3o relacionada a como o p\u00fablico consome m\u00fasica na atualidade onde muitos dizem que o formato \u00e1lbum &#8220;morreu&#8221;, dando lugar aos singles e EPs. A escolha por este formato na discografia de voc\u00eas se deve a este fator?<\/strong><br \/>\nBom, pra responder essa tamb\u00e9m preciso voltar l\u00e1 em 2017 quando resolvemos come\u00e7ar a gravar. \u00c9ramos simplesmente quatro caras do interior de Minas, l\u00e1 de Divin\u00f3polis, desconhecidos da maioria da cena em BH. Eu n\u00e3o tinha naquele momento uma ideia clara sobre como apresentar minhas can\u00e7\u00f5es, e naturalmente, com as primeiras sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, fomos decidindo por fazer o debut com um EP de quatro can\u00e7\u00f5es. Num jarg\u00e3o do business, seria uma forma de &#8216;testarmos&#8217; o nosso produto, nossa banda, como um &#8216;m\u00ednimo produto vi\u00e1vel&#8217;. Seria esse nosso lan\u00e7amento\/nascimento como banda, um EP com quatro can\u00e7\u00f5es. Quando finalizamos o primeiro EP, e come\u00e7amos a tocar j\u00e1 est\u00e1vamos gravando outras quatro m\u00fasicas, que entraram no EP \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/15UQsilkNY0BnX17wVhnSY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Road Goes On\u201d<\/a>, nosso segundo trabalho. Acredito muito no formato \u00e1lbum, inclusive tenho desejo de gravar um (quem sabe seja o pr\u00f3ximo passo da nossa carreira?), e de forma alguma acho que o formato tenha morrido, mas pra n\u00f3s, fez mais sentido que nossa &#8216;apresenta\u00e7\u00e3o&#8217; para o mundo, como Midnight Mocca, se desse de forma gradual, gravando aos poucos, mas com consist\u00eancia. Ao fim desses tr\u00eas anos de estrada \u00e9 bonito ver como h\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas trabalhos, que juntos somam 12 m\u00fasicas autorais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cotidiano soa pra mim como uma for\u00e7a-motriz do trabalho de voc\u00eas. O qu\u00e3o complicado (ou n\u00e3o) \u00e9 lidar com tempos t\u00e3o tempestuosos e ainda sim conseguir transformar o tempo em arte?<\/strong><br \/>\nSim, sem d\u00favidas o cotidiano \u00e9 uma for\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o para o nosso trabalho. 2020 tem sido um ano muito estranho, por tudo que est\u00e1 acontecendo. Definitivamente s\u00e3o tempos dif\u00edceis para quem \u00e9 sens\u00edvel. N\u00e3o seria f\u00e1cil, a meu ver, produzir, gravar e divulgar um trabalho 100% gerado nesses tempos. Entretanto, o \u201cHigher Ground\u201d, nosso terceiro EP, foi gerado antes da pandemia, e estava pronto para ser lan\u00e7ado em um show no teatro Sesiminas aqui em BH, em maio, quando, por raz\u00f5es \u00f3bvias, tivemos que cancelar essa grande festa de lan\u00e7amento, que contaria com a participa\u00e7\u00e3o do T\u00falio Mour\u00e3o, do Andr\u00e9 Travassos e do Leo Marques. Diante desse cen\u00e1rio, tivemos que refletir e acabamos optando por fazer o lan\u00e7amento do EP de modo fracionado, single a single, e agora, olhando para esse processo, parece ter feito mais sentido e dado um rumo, um verdadeiro respiro, nesse horizonte t\u00e3o tempestuoso. Poxa, a cada dois meses, mais ou menos, nos envolv\u00edamos com um novo lan\u00e7amento de single, produzindo videoclipes, gerando conte\u00fado sobre, e isso acabou mantendo a chama acesa tamb\u00e9m de modo constante. N\u00e3o foi f\u00e1cil, mas acabou sendo uma forma interessante de seguirmos ativos apesar do cen\u00e1rio de incertezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00falio Mour\u00e3o (ex-Mutantes) e Lucas Noacco participam deste novo trabalho. Como se deu a aproxima\u00e7\u00e3o de ambos e o que eles trouxeram de bagagem para construir o resultado final?<\/strong><br \/>\nO Lucca \u00e9 um amigo que conheci em BH, e que convidei para fazer um arranjo de banjo na nossa can\u00e7\u00e3o \u201cHow Can We Forget?\u201d, do primeiro EP. Na noite anterior ao \u00faltimo dia de grava\u00e7\u00f5es daquele disco, fomos a um show da Moons, e na curti\u00e7\u00e3o acabamos exagerando na noite, e a participa\u00e7\u00e3o e o banjo acabaram n\u00e3o acontecendo. \u00c9 curioso como o solo do Pedro Flora (guitarra) naquela can\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das coisas que mais amo em tudo que j\u00e1 fizemos na MidMocca. Tr\u00eas anos depois, a ideia de reunirmos no est\u00fadio permaneceu, e finalmente conseguimos fazer a parceria no in\u00edcio de 2020, quando passamos um dia no est\u00fadio. O banjo ficou pra tr\u00e1s e Lucca al\u00e9m de cantar tamb\u00e9m gravou o piano em \u201cHiding All The Traces\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria com o T\u00falio \u00e9 bem interessante. Primeiro que ele tamb\u00e9m \u00e9 natural de Divin\u00f3polis, e \u00e9 muito amigo de nosso baixista Renato Saldanha, que apesar de tocar baixo na MidMocca, \u00e9 um espetacular violonista, que j\u00e1 ganhou inclusive o pr\u00eamio BDMG de m\u00fasica instrumental. Foi num jantar na casa do pianista que o Renatinho apresentou os bounces das can\u00e7\u00f5es do \u201cHigher Ground\u201d, e, na ocasi\u00e3o, ao ouvir \u201cSoul of the Street\u201d, o T\u00falio gostou da m\u00fasica de imediato e come\u00e7ou a tocar piano na sala da sua casa. Renatinho prontamente fez um v\u00eddeo pelo celular e nos mandou pelo whatsapp dizendo que o amigo tinha gostado e toparia participar da can\u00e7\u00e3o. Realmente uma surpresa maravilhosa pra n\u00f3s todos, que um m\u00fasico do calibre do T\u00falio, tenha desejado gravar uma can\u00e7\u00e3o com uma banda independente, ainda pouco conhecida. No est\u00fadio tivemos um dia muito leve tamb\u00e9m e tudo se deu de um modo muito natural. E o resultado \u00e9 hist\u00f3ria. Achei lindo o feat. e esse encontro de gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Midnight Mocca est\u00e1 inserido numa cena belo-horizontina diversa, plural em diversos sentidos. Mas \u00e9 tamb\u00e9m interessante observar que atualmente a sonoridade o folk e o indie tem se tornado a predile\u00e7\u00e3o sonora de artistas como o Moons, o Young Lights, Bernardo Bauer, Sara N\u00e3o Tem Nome, entre outros, criando um certo universo de &#8220;camaradagem&#8221; local. Como se deu este movimento e qu\u00e3o pr\u00f3xima \/ unida a cena local est\u00e1 de fato?<\/strong><br \/>\nSomos mais pr\u00f3ximos da turma da Moons, e foi justamente abrindo pra eles que tocamos com a MidMocca pela primeira vez. J\u00e1 tocamos no interior juntos tamb\u00e9m em um evento. Fui convidado para acompanhar a grava\u00e7\u00e3o do \u00faltimo disco deles, o \u201cDreaming Fully Awake\u201d (2019), e os considero verdadeiros padrinhos por todo o carinho. O Andr\u00e9 Travassos, por exemplo, colaborou com os vocais adicionais em nossos dois primeiros EPs, e foi quem me apresentou ao Leo Marques (est\u00fadio Ilha do Corvo) e \u00e9 um grande amigo de longa data.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do ano, quando lan\u00e7amos o single \u201cIt Feels Like the Ocean\u201d e partimos em uma mini-turn\u00ea nacional por algumas capitais do sudeste, o Brazin, que gravou a bateria do nosso novo trabalho, n\u00e3o pode nos acompanhar e convidamos o Matheus Fleming, da Young Lights. Ele, que \u00e9 multi-instrumentista, chegou e assumiu as baquetas nesses shows antes da pandemia e ficamos bem pr\u00f3ximos tamb\u00e9m. \u00c9 muito querido e acabou assinando tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos de \u201cSoul of the Street\u201d e \u201cFar From Everyone\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Sara N\u00e3o Tem Nome e o Nadinho Bauer s\u00e3o artistas incr\u00edveis que me influenciam muito com seus trabalhos. Eu mesmo no in\u00edcio da pandemia pedi \u00e0 Sara pra tocar uma can\u00e7\u00e3o dela, numa live que fiz para um festival. De um modo geral, acredito que a cena poderia estar mais integrada, de modo a desenvolver alguns eventos juntos, ou mesmo buscando mais espa\u00e7o e di\u00e1logo, com vistas a construir de modo mais organizado essa cena. H\u00e1 sim uma camaradagem, uma amizade, e \u00e9 comum nos encontrarmos nos shows uns dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pessoalmente penso que talvez exista um receio por parte dos contratantes\/ produtores, nessa associa\u00e7\u00e3o, sendo raro que, por exemplo, quando uma banda entre num festival\/ evento uma outra tamb\u00e9m consiga espa\u00e7o. Idealmente vejo que h\u00e1 uma grande possibilidade nessa uni\u00e3o, de modo que os p\u00fablicos possam tamb\u00e9m se unir, o que faria a cena ganhar mais consist\u00eancia e for\u00e7a. Pois \u00e9 ineg\u00e1vel que exista um verdadeiro movimento, que \u00e9 originalmente muito especial, pois s\u00e3o muitos artistas talentosos no mesmo lugar, com sonoridade e ang\u00fastias semelhantes, que se inspiram entre si e com idades pr\u00f3ximas. Enfim, dentro das limita\u00e7\u00f5es e dificuldades que temos como artistas independentes, acho que cada um ao seu modo est\u00e1 fazendo o seu melhor, e qualquer ouvido mais atento pode perceber a for\u00e7a do talento dessa &#8216;turminha indie-folk de bh&#8217;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra discuss\u00e3o pertinente aos nossos tempos diz respeito a forma de divulga\u00e7\u00e3o do trabalho de um artista independente. Sei que a m\u00fasica de voc\u00eas hoje est\u00e1 dispon\u00edvel nas principais plataformas de streaming como o Spotify, mas h\u00e1 quem defenda que a melhor forma de ter a sua m\u00fasica comercializada \u00e9 via Bandcamp, devido a remunera\u00e7\u00e3o mais justa. Como voc\u00eas lidam com este embate?<\/strong><br \/>\nQuando decidimos gravar e nos associamos ao Leo Marques como produtor musical, acabamos optando por fazer a distribui\u00e7\u00e3o nas principais plataformas de streaming como forma de buscar um alcance mais amplo para a nossa m\u00fasica, mesmo sabendo que a m\u00fasica comercializada via Bandcamp \u00e9 mais favor\u00e1vel aos artistas. Talvez n\u00e3o estejamos buscando propriamente uma remunera\u00e7\u00e3o nesse momento, j\u00e1 que ainda somos uma banda independente pouco conhecida, e qui\u00e7\u00e1 enxergamos nas principais plataformas de streaming um jeito mais f\u00e1cil de transmitir nosso som com um maior alcance, mesmo com a remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o adequada. Confesso que depois dessa pergunta, fiquei com vontade de reativar a conta do Bandcamp e subir por l\u00e1 alguns sons que ainda n\u00e3o foram gravados oficialmente por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda tinha planos de excursionar em 2020, mas que tiveram que ser adiados devido a pandemia. Sei que voc\u00eas j\u00e1 realizaram uma live recentemente e t\u00eam produzido videoclipes, mas \u00e9 poss\u00edvel continuar ativo nestes tempos? Quais s\u00e3o os planos futuros?<\/strong><br \/>\nO ano de 2020 trouxe muitas incertezas e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil se manter ativo, com um cen\u00e1rio t\u00e3o estranho, n\u00e9? Foi muito gratificante se manter ativo ao longo do ano com o lan\u00e7amento dos singles de nosso novo EP, de fato est\u00e1vamos atuantes, produzindo v\u00eddeos, criando conte\u00fado e divulgando o novo trabalho. A live em VHS que fizemos foi como uma celebra\u00e7\u00e3o desse encerramento de ciclo, do lan\u00e7amento do disco, e um encontro com os amigos de banda depois de mais de seis meses sem nos encontrarmos. Pessoalmente, n\u00e3o vejo fazer muito sentido seguir muito ativo nas redes sociais sem ter, de fato, um material novo e bem produzido para trabalhar. Ainda estamos produzindo um \u00faltimo v\u00eddeo para a can\u00e7\u00e3o \u201cHiding All The Traces\u201d, mas ap\u00f3s essa &#8216;entrega&#8217; \u00e9 bem dif\u00edcil imaginar seguir ativo e presente, sobretudo enquanto perdurar o atual cen\u00e1rio de pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto temos sim alguns planos para o futuro, e estamos conversando entre si sobre. J\u00e1 compus algumas novas can\u00e7\u00f5es e adoraria gravar elas. Quem sabe pensar na produ\u00e7\u00e3o de um disco\/\u00e1lbum cheio, seria um caminho, pra quem j\u00e1 lan\u00e7ou tr\u00eas eps, certo? Ademais fizemos alguns testes de vers\u00f5es ac\u00fasticas tamb\u00e9m, num duo de viol\u00f5es, e o resultado foi muito interessante, alguns ouvintes que nos acompanham gostaram muito e enviaram pedidos para que pens\u00e1ssemos com carinho nesse formato. Talvez esse formato ac\u00fastico seja um caminho poss\u00edvel para o futuro, diante de tantas incertezas, para mantermos a atividade, revisitar algumas can\u00e7\u00f5es e ao mesmo tempo apresentar novidades.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Midnight Mocca Live VHS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uskUpH22yns?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Midnight Mocca - Far From Everyone [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/J-EM2mC0ijE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Midnight Mocca - It Feels Like the Ocean [OFFICIAL VIDEO]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g9tMffLAcpI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>&nbsp;&nbsp;\u00e9 redator\/colunista&nbsp;do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fundado em 2016, o grupo aposta em letras agridoces, cantadas em ingl\u00eas, embaladas pela sonoridade indie folk. Eles j\u00e1 lan\u00e7aram tr\u00eas EPs, sendo que o mais recente, \u201cHigher Ground\u201d (2020), foi disponibilizado no m\u00eas de outubro. Conhe\u00e7a!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/20\/entrevista-midnight-mocca-da-turminha-indie-folk-de-bh\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":57931,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3681,995,4902,4794,1538,985,1889],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57928"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57928"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57928\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58448,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57928\/revisions\/58448"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57931"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57928"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57928"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57928"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}