{"id":57859,"date":"2020-10-15T20:43:44","date_gmt":"2020-10-15T23:43:44","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57859"},"modified":"2020-11-19T00:34:03","modified_gmt":"2020-11-19T03:34:03","slug":"esse-voce-precisa-ouvir-30-anos-de-nowhere-ride","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/15\/esse-voce-precisa-ouvir-30-anos-de-nowhere-ride\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ouvir: 30 anos de &#8220;Nowhere&#8221;, Ride"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57879 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ride2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ride2.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ride2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/ride2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem nasceu nos anos 70 h\u00e1 que se lembrar com alguma clareza dos acontecimentos hist\u00f3ricos marcantes das d\u00e9cadas de 80 e 90, dentre eles a Queda do Muro de Berlim, a campanha pelas Elei\u00e7\u00f5es Diretas aqui no Brasil (ou o fim da Ditadura), a Perestroika. O in\u00edcio da d\u00e9cada de 90 viu ainda a soltura de Nelson Mandela, a derrota de Thatcher e, no nosso contexto, o infame sequestro da poupan\u00e7a pelo governo Collor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imperavam as fitas VHS e as locadoras, as cal\u00e7as bag, e a Internet era um sonho distante; informa\u00e7\u00f5es, primordialmente, s\u00f3 atrav\u00e9s da Revista Bizz, que s\u00f3 nos abria o apetite com tantos nomes de bandas novos e defini\u00e7\u00f5es que ati\u00e7avam a curiosidade. Ride era um deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 parte o turbilh\u00e3o de acontecimentos hist\u00f3ricos\/culturais e nosso prec\u00e1rio acesso ao que acontecia l\u00e1 fora, o in\u00edcio da d\u00e9cada que precedeu o fim do mil\u00eanio viu alguns \u00e1lbuns basilares serem lan\u00e7ados naquele ano: \u201cViolator\u201d (Depeche Mode), \u201cBossanova\u201d (Pixies), \u201cPills\u2019N\u2019Thrills and Bellyaches\u201d (Happy Mondays), \u201cFear of Black Planet\u201d (Public Enemy), \u201cGoo\u201d (Sonic Youth) e \u201cNowhere\u201d, marcante \u00e1lbum de estreia de um quarteto de Oxford, Ride. Um \u201cestranho no ninho\u201d dentro do contexto musical reinante, mas que se alinhava, por exemplo, com \u201cIsn\u2019t Anything\u201d, estreia dos irlandeses do My Bloody Valentine lan\u00e7ada dois anos antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na contram\u00e3o da vigente cena Indie-Dance ou da Dance-Music que imperava em solo brit\u00e2nico com for\u00e7a e se espalhava pelo mundo, onde as boates eram como templos e as raves como \u201cmissas\u201d, s\u00f3 que regadas a ecstasy e m\u00fasica para chacoalhar o esqueleto, o quarteto capitaneado pela dupla de vocalistas e guitarristas Andy Bell e Mark Gardener surgia com um \u00e1lbum que recolocava as guitarras como elemento principal das can\u00e7\u00f5es, numa profus\u00e3o de riffs barulhentos, mas tamb\u00e9m com belas e empolgantes passagens mel\u00f3dicas e harmonias vocais, escudados pelas linhas de baixo densas de Steve Queralt e a precis\u00e3o r\u00edtmica de Laurence Colbert. Ah, e sem esquecer os muitos Ah-Ah-Ahs, elemento chave de v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se no ano anterior seus contempor\u00e2neos do Stones Roses sacudiram as paradas, as pistas, e a m\u00fasica pop com seu perfeito \u00e1lbum de estreia, o Ride, em \u201cNowhere\u201d, sem o mesmo estardalha\u00e7o e sem o hype, surpreendeu a muitos com um perfeito e coeso conjunto de can\u00e7\u00f5es t\u00e3o boas quanto e que tamb\u00e9m buscavam inspira\u00e7\u00e3o nos anos 60, essencialmente nas melodias assobi\u00e1veis e harmonias vocais de grupos como The Byrds e Beatles \u2013 lembrado j\u00e1 na abertura com a linha de baixo de \u201cSeagull\u201d e sua aproxima\u00e7\u00e3o com \u201cTaxman\u201d (do \u00e1lbum \u201cRevolver\u201d) \u2013, mas temperavam os arranjos com muralhas de guitarras envoltas em distor\u00e7\u00f5es, feedbacks e microfonias, seja nos momentos mais explosivos como na citada faixa de abertura ou em \u201cKaleidoscope\u201d e \u201cDecay\u201d, as faixas mais esporrentas do \u00e1lbum.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride - Vapour Trail (Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pVhNi5cU8mo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da tend\u00eancia de enveredar pelas camadas de barulho, olhando de perto percebe-se que a predomin\u00e2ncia \u00e9 de passagens mais mel\u00f3dicas, constru\u00eddas principalmente com o uso da Rickenbacker de Andy Bell. Nesses momentos, o grupo consegue esculpir uma obra prima na quase balada \u201cVapour Trail\u201d, primeiro single do \u00e1lbum: \u201cVoc\u00ea \u00e9 um rastro de vapor, em um c\u00e9u azul profundo\u201d. De autoria de Andy, \u00e9 uma das can\u00e7\u00f5es mais belas da banda e tamb\u00e9m dos anos 90. N\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o sonhar com o cadenciamento hipn\u00f3tico e texturas mel\u00f3dicas de \u201cIn A Different Place\u201d. Enquanto arrancam \u201cl\u00e1grimas de pedras\u201d na subestimadamente emocionante \u201cParalysed\u201d, onde a mescla melodia e barulho atinge os pontos mais altos, enquanto se encharca em efeitos fuzz e wah-wahs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importante lembrar que a banda havia sido formada cerca de dois anos antes, em 1988, e que antes de lan\u00e7arem \u201cNowhere\u201d haviam soltado tr\u00eas bons EP\u2019s, todos em 90. A banda vivia num per\u00edodo t\u00e3o prol\u00edfico que, das faixas que entraram na vers\u00e3o final do \u00e1lbum em vinil, apenas \u201cSeagull\u201d j\u00e1 havia sido lan\u00e7ada, no EP \u201cFall\u201d. E, com certeza, foram os anos mais luminosos do quarteto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sediados <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/04\/06\/1991-the-year-creation-records-broke\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na m\u00edtica gravadora Creation<\/a>, de onde sa\u00edram nomes importantes da cena musical brit\u00e2nica e mundial como The Jesus and Mary Chain, Primal Scream, The House of Love e tantos outros, o Ride, junto com o My Bloody Valentine e o Slowdive, \u00e9 considerado um dos pilares do que se convencionou chamar de Shoegaze, junto com Lush, Swervedriver, Pale Saints, Catherine Wheel, Chapterhouse e Boo Radleys.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado por Mark Waterman e mixado por Alan Moulder, que posteriormente produziria trabalhos de um monte de gente do meio alternativo, \u201cNowhere\u201d foi oficialmente lan\u00e7ado no dia 15 de outubro de 1990, h\u00e1 exatos 30 anos. Sua capa, uma fotografia de Warren Bolster que na vers\u00e3o original traz absolutamente nada escrito (o nome Ride \/ &#8220;Nowhere&#8221; passou a ser adotado nas reedi\u00e7\u00f5es em CD p\u00f3s 2001), mostra um mar aparentemente tranquilo em tons azulados e com uma leve ondula\u00e7\u00e3o. Ela capta de forma perfeita a m\u00fasica do grupo, equilibrada entre placidez mel\u00f3dica e tempestades de barulho. No anivers\u00e1rio de 20 anos, em 2010, o selo Rhino relan\u00e7ou o \u00e1lbum estendendo o tracking list de 8 can\u00e7\u00f5es do disco original <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4fW7CblaSvdhPWmcCFgZbQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">para 15 faixas<\/a>, acrescentando ainda um \u00e1lbum ao vivo extra, de 11 faixas, com um show de 1991.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucas bandas conseguem j\u00e1 em seu \u00e1lbum de estreia alcan\u00e7ar um patamar t\u00e3o elevado que tudo que venham a lan\u00e7ar na sequ\u00eancia seja sempre comparado com seu debute, e o Ride entra nesse pante\u00e3o: \u201cNowhere\u201d \u00e9 disco de estreia grandioso, um cl\u00e1ssico que nunca ganhou edi\u00e7\u00e3o brasileira. O pr\u00f3prio Ride manteve as guitarras altas apenas at\u00e9 1996, quando se separaram ap\u00f3s quatro discos, que influenciaram um mundo de bandas indies planeta afora (Brasil incluso). <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/26\/entrevista-ride\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Retornaram em 2014<\/a> e finalmente fizeram <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/30\/ride-brilha-no-balaclava-fest\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um grande show em S\u00e3o Paulo, em 2019<\/a>, possibilitando que velhos f\u00e3s pudessem soltar, enfim, a voz e gritar os hinos do \u201cNowhere\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/esse-voce-precisa-ouvir\/\">um disco que voc\u00ea precisa ouvir<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride - Seagull\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLECBCD00965884C5A\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride - Live The ULU, London 06.04.90 (Full Show)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/78uYU-u3pVI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride - Live @ Brixton Academy, London - 27th March 1992 [FULL SET]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hL-bffg1fXo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ride | Pitchfork Music Festival 2017 | Full Set\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/eC6PxenMnF0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"RIDE - Full set | Amazon Music Session (Sept. 25 2017)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KVGoEfkkqCo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a> \u00e9 editor e redator na empresa <a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Poucas bandas conseguem j\u00e1 em seu \u00e1lbum de estreia alcan\u00e7ar um patamar t\u00e3o elevado que tudo que venham a lan\u00e7ar na sequ\u00eancia seja sempre comparado com seu debute, e o Ride entra nesse pante\u00e3o: \u201cNowhere\u201d \u00e9 disco de estreia grandioso\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/15\/esse-voce-precisa-ouvir-30-anos-de-nowhere-ride\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":91,"featured_media":57878,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4782,4854,3679],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57859"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/91"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57859"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58452,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57859\/revisions\/58452"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}