{"id":57820,"date":"2020-10-12T00:13:26","date_gmt":"2020-10-12T03:13:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57820"},"modified":"2020-11-18T01:11:17","modified_gmt":"2020-11-18T04:11:17","slug":"entrevista-autores-falam-da-hq-arquivos-secretos-da-segunda-guerra-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/12\/entrevista-autores-falam-da-hq-arquivos-secretos-da-segunda-guerra-mundial\/","title":{"rendered":"Entrevista: Autores falam da HQ \u201cArquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevistas por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro dos quadrinhos voltados para um p\u00fablico n\u00e3o infantil, o tema das guerras e suas consequ\u00eancias f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas nos seres humanos sempre foi um terreno incrivelmente f\u00e9rtil para abordagens mais densas e desafiadoras. Tais desafios de narrativas chegam tanto a desenhistas quanto a roteiristas, inclusive. Pensar em obras como &#8220;Pers\u00e9polis&#8221;, &#8220;\u00c1s Inimigo&#8221;, &#8220;Maus&#8221;, &#8220;Le\u00f5es de Bagd\u00e1&#8221;, &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/01\/08\/hqs-aurora-punho-de-ferro-arabe\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O \u00c1rabe do Futuro<\/a>&#8220;, para citar algumas, nos d\u00e1 uma confirma\u00e7\u00e3o de como a insanidade dos conflitos b\u00e9licos, al\u00e9m de suas consequ\u00eancias monstruosas, podem gerar obras de reflex\u00f5es urgentes, e que, muitas vezes, s\u00e3o oriundas das pr\u00f3prias viv\u00eancias dos artistas por tr\u00e1s da cria\u00e7\u00e3o daquelas p\u00e1ginas. Em outras, o estudo aprofundado e a fidelidade \u00e0s pesquisas de fatos em torno do per\u00edodo hist\u00f3rico rendem narrativas que, baseadas em fatos reais, trazem ao leitor uma imers\u00e3o dentro daqueles dias sombrios. Do mesmo modo, a liberdade criativa e imaginativa de desenhistas e roteiristas podem mesclar aquelas realidades a situa\u00e7\u00f5es em que o fant\u00e1stico oferece resultados cat\u00e1rticos e recompensas narrativas que preencham as imers\u00f5es destes mesmos leitores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;<a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/guerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial<\/a>&#8221; \u00e9 um exemplo desse tipo de proposta. Com 160 p\u00e1ginas, o quadrinho lan\u00e7ado pela <a href=\"https:\/\/editoradraco.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Editora Draco<\/a> alcan\u00e7ou mais de 300% de <a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/guerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sua meta de financiamento coletivo<\/a>, permitindo, assim, a editora investir em um acabamento de qualidade, imprimir e lan\u00e7ar o material no mercado. Dentre as hist\u00f3rias na colet\u00e2nea, &#8220;Ligeiro&#8221;, desenhada pelo artista baiano Ademir Leal e roteirizada por Celso Menezes, aborda a participa\u00e7\u00e3o brasileira na Segunda Guerra durante as miss\u00f5es dos pracinhas na It\u00e1lia fascista de Mussolini. &#8220;Como apreciador de temas militares, venho estudando sempre sobre os fatos e hist\u00f3rias da FEB (For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira) durante a Segunda Guerra Mundial com historiadores, tendo meu pr\u00f3prio acervo digital contendo imagens de armamentos, uniformes, mapas, livros e datas de conflitos. Com isso, facilitou a elabora\u00e7\u00e3o de \u2018Ligeiro\u2019 usando essas refer\u00eancias, tornando-se prazerosa em fazer e estruturar o contexto com o roteiro, e entregar o projeto conforme Celso e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/raphafernandes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Raphael (Fernandes<\/a>, editor da Draco) esperavam&#8221;, explica Ademir acerca do processo de jun\u00e7\u00e3o do texto escrito por Celso com sua arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o editor Raphael Fernandes, a import\u00e2ncia de se abordar a Segunda Guerra Mundial em uma m\u00eddia como a das hist\u00f3rias em quadrinhos se torna ainda mais crucial para os dias atuais. &#8220;As HQs inspiradas em conflitos b\u00e9licos e guerras s\u00e3o das mais importantes hist\u00f3rias em quadrinhos de todos os tempos, como \u2018Gen &#8211; P\u00e9s Descal\u00e7os\u2019 e \u2018Cr\u00f4nicas de Jerusal\u00e9m\u2019. Por\u00e9m, a Segunda Guerra Mundial foi um conflito que definiu a segunda metade do S\u00e9culo XX e influencia nossa a pol\u00edtica e a sociedade at\u00e9 hoje. No momento, somos v\u00edtimas de governos autorit\u00e1rios e com muitas caracter\u00edsticas neofascistas. Ou seja, fazem a\u00e7\u00f5es populistas, criam inimigos invis\u00edveis, escondem dados problem\u00e1ticos e nos enterram em toneladas de mentiras e informa\u00e7\u00f5es falsas\u201d. Sobre o projeto, o Scream &amp; Yell conversou com o roteirista Celso Menezes, o desenhista Ademir Leal, dupla por tr\u00e1s da cria\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u201cLigeiro\u201d, presente na colet\u00e2nea, e com o editor Raphael Fernandes. Confira o papo completo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57826\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SegundaGuerra-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1051\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SegundaGuerra-capa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/SegundaGuerra-capa-214x300.jpg 214w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dentro de um mercado de quadrinhos dominado por publica\u00e7\u00f5es oriundas de gigantes como Marvel e DC, vemos o cen\u00e1rio independente resistir, com projetos de lan\u00e7amentos realizados atrav\u00e9s de financiamentos coletivos e editoras que, mesmo sem o poder de gigantes como a Panini, ainda conseguem se firmar. Para voc\u00eas, Ademir Leal e Celso Menezes, como co-autores de &#8220;Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial&#8221;, e Raphael Fernandes, editor da Draco, al\u00e9m do aspecto financeiro, quais as principais dificuldades nesse adentrar em um mercado como esse?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 A Editora Draco completou 10 anos em 2019 e estamos mais fortes do que nunca! Somos uma editora independente, totalmente focada na produ\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias originais feitas por autores brasileiros de diversos lugares, g\u00eaneros, etnias e classes. O principal objetivo da Draco \u00e9 contar novas hist\u00f3rias de fantasia, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e terror, mas sempre buscando um jeito pr\u00f3prio de fazer, e que leve os nossos leitores para aventuras que foram feitas especialmente para que ele se identifique. Ou seja, o nosso maior desafio \u00e9 fazer as nossas HQs e livros chegarem a um n\u00famero cada vez maior de leitores. O financiamento coletivo tem permitido isso, e sem intermedi\u00e1rios. A Editora Draco lida diretamente com o p\u00fablico. Afinal, somos apenas dois caras escrevendo e editando hist\u00f3rias que sempre sonhamos em contar. Queremos fazer os leitores se divertirem e viajarem junto com a gente por mundos fant\u00e1sticos, mas falando especialmente sobre quem somos e onde vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 O mundo mudou muito nos \u00faltimos anos, mas acredito que a chegada da internet jogue a nosso favor. Antigamente, basicamente ou voc\u00ea sa\u00eda pela Editora Abril ou n\u00e3o sa\u00eda. A internet fortaleceu nichos e viabilizou projetos, como este pr\u00f3prio, atrav\u00e9s de financiamento coletivo. Al\u00e9m disso, meu primeiro livro, o &#8220;<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/livrariadafolha\/2010\/03\/703776-hq-jambocks-mostra-participacao-da-fab-na-segunda-guerra-mundial.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jambocks!<\/a>&#8220;, s\u00f3 saiu porque eu me inscrevi, via internet, no edital Proac de Quadrinhos. Ent\u00e3o, apesar das dificuldades, creio que hoje \u00e9 muito mais vi\u00e1vel ser publicado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quadrinhos fora do contexto de super-her\u00f3is, em um vi\u00e9s mais adulto e voltado para documentar situa\u00e7\u00f5es baseadas em fatos reais, possuem um apelo significativo junto ao p\u00fablico. Principalmente na quest\u00e3o dram\u00e1tica dos conflitos b\u00e9licos. Basta observar publica\u00e7\u00f5es como &#8220;Pers\u00e9polis&#8221;, &#8220;O \u00c1rabe do Futuro&#8221; e, dentro de um contexto de f\u00e1bula, mas ainda calcado no real, &#8220;Maus&#8221;, &#8220;Le\u00f5es de Bagd\u00e1&#8221;, al\u00e9m de &#8220;\u00c1s Inimigo&#8221;, este mais calcado em aspectos po\u00e9ticos textuais e visuais, s\u00e3o outros exemplos que v\u00eam \u00e0 mente. Para &#8220;Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial&#8221;, quais foram os temas propostos dentro dessa abordagem calcada no real?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes &#8211; Sem d\u00favida as HQs inspiradas em conflitos b\u00e9licos e guerras s\u00e3o das mais importantes hist\u00f3rias em quadrinhos de todos os tempos, como &#8220;Gen &#8211; P\u00e9s Descal\u00e7os&#8221; e &#8220;Cr\u00f4nicas de Jerusal\u00e9m&#8221;. Por\u00e9m, a Segunda Guerra Mundial foi um conflito que definiu a segunda metade do S\u00e9culo XX e influencia nossa a pol\u00edtica e a sociedade at\u00e9 hoje. No momento, somos v\u00edtimas de governos autorit\u00e1rios e com muitas caracter\u00edsticas neofascistas. Ou seja, fazem a\u00e7\u00f5es populistas, criam inimigos invis\u00edveis, escondem dados problem\u00e1ticos e nos enterram em toneladas de mentiras e informa\u00e7\u00f5es falsas. Nas hist\u00f3rias em quadrinhos da colet\u00e2nea &#8220;Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial&#8221; trabalhamos narrativas de pontos de vista diversos, mas demos \u00eanfase ao que brasileiros viveram durante o per\u00edodo. Em especial, h\u00e1 duas hist\u00f3rias focadas nas a\u00e7\u00f5es da For\u00e7a Expedicion\u00e1ria Brasileira, que era formada por 25 mil soldados enviados para o front italiano para enfrentar as for\u00e7as nazistas e fascistas. Hoje, vivemos em um Brasil que comunga e aceita muitas falas e a\u00e7\u00f5es dos pol\u00edticos que remetem ao pensamento dos inimigos enfrentados na Segunda Guerra. Nosso principal objetivo \u00e9, atrav\u00e9s de hist\u00f3rias de guerra emocionantes e de entretenimento, despertar uma consci\u00eancia no p\u00fablico de nossos antepassados deram a vida e a juventude para enfrentar esses mesmos pensamentos que hoje apoiamos. Mais do que nunca, o sacrif\u00edcio e a luta dos brasileiros merece ser respeitada, al\u00e9m da democracia e a luta por um Brasil mais justo e igualit\u00e1rio para todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ademir, observando o trecho de sua hist\u00f3ria divulgada na p\u00e1gina do Catarse, e em conversa com o roteirista Celso Menezes, nota-se uma abordagem bem direcionada \u00e0 materializa\u00e7\u00e3o dos acontecimentos reais dentro das p\u00e1ginas da HQ. Salientando ser o texto de &#8220;Ligeiro&#8221; baseado em fatos reais, voc\u00ea poderia falar um pouco de como se estruturou em sua concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica essa constru\u00e7\u00e3o para o leitor?<\/strong><br \/>\nAdemir Leal \u2013 Como apreciador de temas militares, venho estudando sempre sobre os fatos e hist\u00f3rias da FEB durante a Segunda Guerra Mundial com historiadores, tendo meu pr\u00f3prio acervo digital contendo imagens de armamentos, uniformes, mapas, livros e datas de conflitos. Com isso, facilitou a elabora\u00e7\u00e3o de &#8220;Ligeiro&#8221; usando essas refer\u00eancias, tornando-se prazerosa em fazer e estruturar o contexto com o roteiro, e entregar o projeto conforme Celso e Raphael esperavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda neste aspecto, ao ler alguns trechos de \u201cArquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial\u201d presentes na p\u00e1gina do Catarse, observei uma grande variedade de estilos. Minha pergunta \u00e9 sobre esse processo de escolha de estilos dentro das possibilidades que a arte sequencial oferece. Como se d\u00e1 essa escolha dentro da linha editorial proposta por voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 Ao selecionar e construir uma colet\u00e2nea, a Editora Draco busca trazer a mesma experi\u00eancia de uma mixtape. Se todas as hist\u00f3rias forem iguais, tudo se torna cansativo e repetitivo. At\u00e9 mesmo a ordem das HQs tem que contar uma hist\u00f3ria a apresentar uma narrativa. Sem falar que o principal objetivo de uma boa colet\u00e2nea \u00e9 trazer os mais diversos aspectos e pontos de vista de um mesmo tema. Essa \u00e9 uma proposta que defendemos em toda a nossa linha editorial e pode ser identificada desde em trabalhos de horror como &#8220;<a href=\"https:\/\/editoradraco.com\/produto\/o-rei-amarelo-em-quadrinhos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Rei Amarelo<\/a>&#8221; a publica\u00e7\u00f5es de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica como &#8220;<a href=\"https:\/\/editoradraco.com\/produto\/periferia-cyberpunk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Periferia Cyberpunk<\/a>&#8220;. E buscamos isso tamb\u00e9m na diversidade de autores, que s\u00e3o de todas regi\u00f5es do pa\u00eds, de v\u00e1rias etnias, g\u00eaneros, sexualidades etc. Se queremos apresentar hist\u00f3rias novas, o caminho est\u00e1 em encontrar os narradores que ainda n\u00e3o foram amplamente apresentados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57822\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1048\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_3-215x300.jpg 215w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celso, na parte da pesquisa, como se d\u00e1 o desenvolvimento da hist\u00f3ria a partir de sua concep\u00e7\u00e3o original? &#8220;Ligeiro&#8221; \u00e9 baseado em fatos reais, mas gostaria de adentrar um pouco mais neste conceito de desenvolvimento. Voc\u00ea costuma criar o argumento j\u00e1 visualizando mentalmente storyboards ou situa\u00e7\u00f5es que podem ser exploradas por uma perspectiva de arte gr\u00e1fica?<\/strong><br \/>\nCelso Menezes \u2013 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/livrariadafolha\/2010\/04\/714602-veteranos-se-sentem-esquecidos-diz-autor-de-hq-sobre-brasil-na-segunda-guerra.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Quando fiz minha pesquisa<\/a> para o &#8220;Jambocks!&#8221; reuni material para uns 10 livros, pelo menos. Quando o Raphael fez a proposta n\u00e3o demorou muito para me lembrar de algo que eu tivesse achado interessante e logo criar toda a hist\u00f3ria. Como j\u00e1 faz mais de um ano e meio que passei por este processo, n\u00e3o me lembro dos detalhes, de onde tirei cada coisa. Mas, certamente, cada cena e personagem foi baseado em algo ou algu\u00e9m que existiu. Eu s\u00f3 adaptei para 20 p\u00e1ginas. Sobre os layouts, eu tento deixar o artista livre para explorar seu talento como narrador visual. \u00c0s vezes, detalho uma cena para uma melhor compreens\u00e3o, mas, no geral, tento deixar algumas lacunas para serem exploradas pelo desenhista. E, assim como foi com o Felipe Massafera, em &#8220;Jambocks!&#8221;, toda colabora\u00e7\u00e3o do Ademir engrandeceu o resultado. Cada vez que chegava uma p\u00e1gina, eu notava como o Ademir \u00e9 um artista nato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda no aspecto citado na pergunta anterior, voc\u00eas poderiam aprofundar o tema dessa jun\u00e7\u00e3o entre a narrativa escrita e a arte sequencial? Como se d\u00e1 esse processo de constru\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAdemir Leal \u2013 Cada cena, cada momento, \u00e9 escrito detalhadamente como dever\u00e1 ser abordado, e eu, como o artista, tenho que unir a descri\u00e7\u00e3o e as falas para criar as cenas. Feito isso, fa\u00e7o um esbo\u00e7o (rascunho) de todas as cenas, e envio para o Celso e Raphael verem se a narrativa est\u00e1 correta. Se \u00e9 o que estamos propondo como leitura para o leitor. Com aprova\u00e7\u00e3o dos rascunhos, passo para o processo de arte mais elaborada, que chamamos de arte final, e, por fim, \u00e0s cores, que s\u00e3o muito importantes neste processo de constru\u00e7\u00e3o tendo como objetivo dar vida \u00e0 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 N\u00e3o tenho muito a acrescentar. O Ademir \u00e9 muito inteligente e sens\u00edvel, al\u00e9m de muito estudioso. Tudo o que escrevi saiu ou exatamente da forma que imaginei ou melhor. Como roteirista, n\u00e3o tem nada que se possa desejar mais. Al\u00e9m de que o Ademir foi uma pessoa muito dedicada e f\u00e1cil de lidar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Celso, ainda em rela\u00e7\u00e3o a esse aspecto de cria\u00e7\u00e3o textual, voc\u00ea poderia abordar um pouco sua trajet\u00f3ria como roteirista?<\/strong><br \/>\nCelso Menezes \u2013 Ironicamente, &#8220;Ligeiro&#8221;, uma HQ feita por encomenda, \u00e9 mais fiel ao meu estilo do que &#8220;Jambocks!&#8221;, que \u00e9 autoral. Isso se explica pelo fato de que, em &#8220;Jambocks!&#8221;, eu assumi que o leitor m\u00e9dio nunca tinha visto aquela hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, tentei ser um pouco mais did\u00e1tico. Paradid\u00e1tico, para ser preciso. Tentei passar o contexto sem que ficasse muito enfadonho. J\u00e1 em &#8220;Ligeiro&#8221;, como n\u00e3o preciso explicar nada, pois a colet\u00e2nea \u00e9 autoexplicativa, me ative apenas \u00e0 hist\u00f3ria e tentei ser o mais minimalista poss\u00edvel. As estrelas s\u00e3o as formas como os personagens lidam com as situa\u00e7\u00f5es e o jeito que o Ademir nos mostra isso. Evitei di\u00e1logos para tentar atrapalhar o m\u00ednimo poss\u00edvel essa fluidez. Foi importante o olhar cl\u00ednico do Raphael. Embora n\u00e3o me recorde de ter feito nenhuma altera\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao texto original, estava seguro de que se houvesse algum problema com a hist\u00f3ria, ele me alertaria. Por sorte, n\u00e3o foi o caso, mas poderia ter sido e tudo bem, faz parte do processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Raphael, como editor, como funciona a sua influ\u00eancia nesse processo de analisar, dentro de um crit\u00e9rio mercadol\u00f3gico, a cria\u00e7\u00e3o a partir de um conjunto t\u00e3o amplo de desenhistas e escritores? Como se d\u00e1 esse passo a passo desde a cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar na diagrama\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o final do produto?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 N\u00f3s temos a caracter\u00edstica principal de ser uma editora criativa. A maioria dos nossos projetos partiu de conceitos e cria\u00e7\u00f5es de dentro da Editora Draco, e foram compartilhadas com nossos autores. Tamb\u00e9m h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que autores da casa oferecem projetos desde o in\u00edcio e participamos de todo o processo de produ\u00e7\u00e3o, colaborando com conceitos, roteiro, desenho, arte-final, cores e produ\u00e7\u00e3o da capa. Como h\u00e1 um projeto editorial definido na Draco, n\u00f3s aprendemos a identificar quadrinhos e livros que tenham sinergia com a nossa produ\u00e7\u00e3o. N\u00f3s queremos hist\u00f3rias de entretenimento de g\u00eanero, como vemos nas s\u00e9ries de TV e filmes de sucesso, mas constru\u00eddas com o ponto de vista dos brasileiros. Trazendo vis\u00f5es inovadoras e pr\u00f3ximas do leitor brasileiro para tramas de fantasia, fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e terror, al\u00e9m de outros g\u00eaneros que come\u00e7amos a explorar como faroeste e guerra. E tudo na Draco \u00e9 feito por poucas pessoas, mas com muita paix\u00e3o. Somos todos contadores de hist\u00f3ria, al\u00e9m de editores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 o momento da escrita dessa pauta, &#8220;Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial&#8221; se aproximava de triplicar sua meta no Catarse. E isso com semanas de anteced\u00eancia ao final do prazo. Isso denota uma confian\u00e7a imensa do p\u00fablico leitor e colecionador na Draco e na qualidade de seu material gr\u00e1fico e editorial. Raphael, a pergunta que quero lhe fazer \u00e9 acerca desse mercado baseado justamente na confian\u00e7a do p\u00fablico dentro de um projeto que depende de seu investimento pr\u00e9vio para se concretizar. Como empreendedor, voc\u00ea poderia aprofundar para o p\u00fablico essa rela\u00e7\u00e3o entre empresa e consumidor? O modelo comercial a partir do financiamento coletivo \u00e9 o mais atrativo? Deve-se firmar como o mais vi\u00e1vel nos anos a seguir?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 Por conta da crise das livrarias, percebemos que precis\u00e1vamos expandir a nossa forma de chegar ao p\u00fablico. N\u00f3s sempre fizemos os principais eventos de literatura e da cultura pop, como CCXP, FIQ, Bienal do Livro, Anime Friends e muitos outros. Por\u00e9m, em 2019, decidimos expandir isso fazendo podcasts para conversar diretamente com o p\u00fablico e lan\u00e7ando as publica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s do financiamento coletivo. Quando um projeto da Draco entra no Catarse, n\u00f3s j\u00e1 temos tudo pronto e estamos na reta final de fechamento do projeto. Por isso, quando algu\u00e9m apoia, recebe seu pacote no menor tempo poss\u00edvel. N\u00f3s s\u00f3 precisamos do prazo para fechar os arquivos, impress\u00e3o e envio. Com essa proposta muito s\u00f3lida, temos ampliado o nosso p\u00fablico e recebido muitos elogios dos apoiadores. Certamente, o modelo do financiamento coletivo \u00e9 um caminho inevit\u00e1vel para editoras que querem estar pr\u00f3ximas de seu p\u00fablico e n\u00e3o depender das flutua\u00e7\u00f5es do mercado livreiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda em rela\u00e7\u00e3o a esse processo, o custo m\u00e9dio de um projeto como esse em rela\u00e7\u00e3o ao tipo de papel, gramaturas, revis\u00f5es ortogr\u00e1ficas, design digital, \u00e9 muito alto? Poderia falar um pouco acerca desse processo t\u00e9cnico do investimento?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 Sim, qualquer publica\u00e7\u00e3o colorida e com papel de qualidade custa quatro vezes mais que uma publica\u00e7\u00e3o em preto e branco com papel mais modesto. Por isso, gra\u00e7as ao Catarse, podemos fazer obras com acabamento mais refinado sem correr o risco de investir demais em um produto que n\u00e3o atraia um grande p\u00fablico. Tanto que a gente costuma reservar as &#8220;melhorias&#8221; no projeto gr\u00e1fico para as metas extras, como fizemos na campanha do livro &#8220;<a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/rubra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guirlanda Rubra<\/a>&#8220;, que come\u00e7ou como um projeto capa mole e no fim foi impresso em capa dura, com fitilho de seda e muitas ilustra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57823\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"486\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_7-300x194.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Segunda Guerra Mundial rendeu filmes, s\u00e9rie dram\u00e1ticas e documentais (as duas que est\u00e3o na Netflix s\u00e3o soberbas), sem contar as pr\u00f3prias imagens reais da guerra. Mesmo abordando a miss\u00e3o dos brasileiros na It\u00e1lia, um aspecto pouco documentado pelo cinema e com uma quantidade limitada de imagens, esse acervo do cinema e da TV que ilustra o imagin\u00e1rio das pessoas desde o per\u00edodo do conflito at\u00e9 os dias de hoje funcionou como inspira\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o de enquadramentos e de temas dram\u00e1ticos na hist\u00f3ria original? Se sim, poderiam falar acerca desse desenvolvimento tanto na quest\u00e3o da escrita do roteiro quanto na cria\u00e7\u00e3o das artes?<\/strong><br \/>\nCelso Menezes \u2013 Na verdade, apesar do trabalho de resgate e conserva\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria e patrim\u00f4nio hist\u00f3rico no Brasil serem uma vergonha desde sempre, h\u00e1 um vasto material produzido atrav\u00e9s de conversas com veteranos. Tive a felicidade de entrevistar alguns da FAB e isso enriqueceu muito a minha pesquisa. Mas as estruturas dos acontecimentos e dramas j\u00e1 foram muito exploradas e tem aspectos que n\u00e3o fogem muito disso. O medo de morrer, o temor de matar, o frio, a lama, a fome, os colegas sendo mortos&#8230; tudo isso \u00e9 meio universal numa guerra. O que eu acho que diferencia o brasileiro \u00e9 um certo senso de humor e capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a dificuldades. Em &#8220;Ligeiro&#8221;, tento passar um pouco disso. Apesar da situa\u00e7\u00e3o tensa que os personagens est\u00e3o passando, sempre h\u00e1 um espa\u00e7o para o inusitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ademir, observando suas publica\u00e7\u00f5es de trabalhos art\u00edsticos em redes sociais, percebe-se um tra\u00e7o bastante ligado ao real, com um estilo direcionado a uma cria\u00e7\u00e3o totalmente veross\u00edmil tanto no aspecto da anatomia humana, quanto na cria\u00e7\u00e3o de paisagens dentro de uma perspectiva geogr\u00e1fica real. Como foi moldado esse estilo dentro da sua trajet\u00f3ria como artista gr\u00e1fico?<\/strong><br \/>\nAdemir Leal \u2013 Sempre fui apaixonado pela arte do realismo, no estilo de pintura barroco de Caravaggio, dos artistas mais atuais como Norman Rockewell, Frank Frazetta, quadrinistas Alex Ross, Stuart Immonen, Olivier Coipel e Riccardo Federici, tenho me inspirado nesses artistas e em v\u00e1rios outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre sua trajet\u00f3ria, Ademir, gostaria de abordar um pouco suas refer\u00eancias no \u00e2mbito de arte sequencial tanto no Brasil quanto l\u00e1 fora. Como voc\u00ea come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\nAdemir Leal \u2013 Sou autodidata. Comecei a desenhar aos 4 anos de idade, e sempre tive em mente de que queria seguir nessa \u00e1rea como profissional. H\u00e1 15 anos, n\u00e3o imaginaria que estaria voltado para \u00e1rea digital, quadrinhos e gr\u00e1ficos. Meus planos eram trabalhar como retratista e pintura em tela. Mas, hoje, trabalho com tudo. Sempre estudo tudo que \u00e9 voltado para artes, seja tradicional ou digital. Atualmente, trabalho para o mercado internacional como ilustrador e quadrinista. Desde o in\u00edcio deste ano fui agenciado pelas ag\u00eancias de talentos ComiConArt, dos Estados Unidos, e pela nacional Rascunho Studio. Atrav\u00e9s delas, tenho feito quadrinhos para editoras americanas em estilo comics, entre outros.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57825\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_17.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1059\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_17.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_17-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ademir, observando o trecho de sua hist\u00f3ria, e em conversa com o roteirista Celso Menezes, nota-se uma abordagem bem direcionada \u00e0 materializa\u00e7\u00e3o dos acontecimentos reais dentro das p\u00e1ginas da HQ. Salientando ser o texto de &#8220;Ligeiro&#8221; baseado em fatos reais, voc\u00ea poderia falar um pouco de como se estruturou em sua concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica essa constru\u00e7\u00e3o para o leitor?<\/strong><br \/>\nAdemir Leal \u2013 Eu me considero um cara ecl\u00e9tico no mundo das artes, todo tipo de arte me atrai. Tenho buscado me aperfei\u00e7oar mais no estilo realista, pois \u00e9 a \u00e1rea qual mais me identifico, e com isso eu junto o \u00fatil ao agrad\u00e1vel transmitindo a arte nas ilustra\u00e7\u00f5es digitais. Gosto de usar refer\u00eancias fotogr\u00e1ficas para elaborar com m\u00e1ximo de realismo poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Raphael, ao ler alguns dos trechos de Arquivos Secretos da Segunda Guerra Mundial\u201d pude observar que o quadrinho trar\u00e1 uma abordagem, tamb\u00e9m, centrada no fant\u00e1stico, utilizando aspectos psicol\u00f3gicos dentro da quest\u00e3o dos traumas oriundos do conflito. Como editor, como funcionou essa sele\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias dentro da busca por um equil\u00edbrio de temas em um mesmo comp\u00eandio?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 Apesar de ter temas fant\u00e1sticos, todas as hist\u00f3rias carregam o peso real de uma guerra desse porte. N\u00f3s n\u00e3o idealizamos ou amenizamos nada sobre os horrores da guerra. Ent\u00e3o, a fantasia, o terror e a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foram utilizadas como uma met\u00e1fora para as grandes quest\u00f5es que envolvem esse conflito. N\u00e3o esperem encontrar hist\u00f3rias de a\u00e7\u00e3o divertidas sobre lobisomens nazistas enfrentando zumbis sovi\u00e9ticos. O foco \u00e9 em trabalhar reflex\u00f5es dos horrores da guerra e muitas vezes o tema fant\u00e1stico permite extrapolar os fatos e entender o imagin\u00e1rio desse per\u00edodo hist\u00f3rico. Gosto muito de pensar que nossas refer\u00eancias para esse tipo de proposta narrativa s\u00e3o nomes como Guillermo Del Toro, Neil Gaiman, Alan Moore, Hayao Miyazaki, Dennison Ramalho, Shirley Jackson, Margaret Atwood, Jordan Peele, Mary Shelley, David Cronenberg, John Carpenter e muitos outros. Onde o fant\u00e1stico \u00e9 apenas uma ferramenta para entender quem somos, como uma boa narrativa xam\u00e2nica na beira de uma fogueira. Como editor, essa mistura \u00e9 a ess\u00eancia do meu trabalho na Draco e uma das marcas que caracterizam o nosso plano editorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma mat\u00e9ria anterior <a href=\"http:\/\/pelicula-virtual.blogspot.com\/2020\/09\/hq-pandemonium.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que escrevi para o Jornal A Tarde<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/05\/entrevista-hq-pandemonium-autores-falam-sobre-desafios-no-lancamento-independente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">para o Scream &amp; Yell<\/a>&nbsp; acerca de uma HQ baiana chamada &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/05\/entrevista-hq-pandemonium-autores-falam-sobre-desafios-no-lancamento-independente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pandemonium<\/a>&#8220;, uma das quest\u00f5es levantadas pelo grupo de autores foram as negativas recebidas por diversas editoras no que tange \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do material (atualmente em campanha no Catarse). Em algumas das cita\u00e7\u00f5es, foram pontuadas quest\u00f5es quanto \u00e0 ideia de arriscar-se em temas mais pesados, j\u00e1 vistos no passado em publica\u00e7\u00f5es como Heavy Metal, Animal, Kripta, Spectro, dentre outras. Mesmo observando que a Draco possui em seu cat\u00e1logo quadrinhos de terror com abordagens mais voltadas ao slasher e gore, gostaria de perguntar tanto a Raphael, na fun\u00e7\u00e3o de editor, quanto a Celso e Ademir como autores, suas vis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a essa quest\u00e3o de se arriscar mais dentro da liberdade de express\u00e3o em tempo de diversos cancelamentos digitais. Os tempos est\u00e3o mais caretas? Vejo t\u00edtulos como &#8220;<a href=\"https:\/\/www.necron.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Necron<\/a>&#8221; e &#8220;<a href=\"https:\/\/pipocaenanquim.com.br\/produto\/druuna-vol-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Druuna<\/a>&#8221;&nbsp; voltarem a cat\u00e1logos, mas, ao mesmo tempo, diversos autores me falam sobre problemas de convencimento de novas e semelhantes propostas junto a editoras. Voc\u00eas poderiam aprofundar mais esses crit\u00e9rios tanto no \u00e2mbito de comercial quanto de cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 Sinceramente, recebemos centenas de propostas de autores com projetos de quadrinhos e literatura, mas o grande problema deles n\u00e3o \u00e9 uma abordagem agressiva ou pesada. Muitas vezes, os autores disparam emails para as mais diversas editoras sem nem mesmo conferir se o cat\u00e1logo da casa editorial combina com a sua publica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m h\u00e1 uma quest\u00e3o interna na Draco: n\u00f3s evitamos projetos prontos. Nosso trabalho \u00e9 criativo e queremos fazer parte do processo de produ\u00e7\u00e3o de uma obra. Se ela est\u00e1 pronta, n\u00e3o precisa de uma editora como a nossa. N\u00e3o acredito que os tempos est\u00e3o mais caretas. Por\u00e9m, as hist\u00f3rias que hoje soam novas e originais fogem de certos preconceitos e limita\u00e7\u00f5es impostos pelo pensamento n\u00e3o progressista. Vejo exatamente como o contr\u00e1rio. As novas possibilidades de protagonistas, pontos de vista, experi\u00eancias pessoas e viv\u00eancias diversas permitem uma infinidade de hist\u00f3rias que ainda n\u00e3o foram nem mesmo imaginadas. N\u00e3o sou a favor do cancelamento, pois dever\u00edamos deixar as decis\u00f5es autorit\u00e1rias aos conservadores. Tudo pode ser discutido e trabalhado, mas tem que ser feito com intelig\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Celso Menezes \u2013 Sinto que a cria\u00e7\u00e3o e sucesso da linha Vertigo mostrou ao mercado de quadrinhos que n\u00e3o h\u00e1 limites desde que se conte uma boa hist\u00f3ria. Pessoalmente gosto tanto de hist\u00f3rias mais comerciais quanto outras mais desafiadoras. E tenho uma ideia para um projeto que come\u00e7a bem comercial, mas depois trilha caminhos considerados mais ousados. Acho que, acima de tudo, o autor tem que acreditar no que est\u00e1 fazendo e ent\u00e3o dar o seu melhor para provar que h\u00e1 uma raz\u00e3o para aquela hist\u00f3ria existir. Uma pequena curiosidade: Quando fui procurar patroc\u00ednio para o pr\u00f3ximo volume de &#8220;Jambocks!&#8221;, conversei com o diretor de uma multinacional que me recebeu muito bem, mas me disse que era proibido de apoiar projetos que envolvessem qualquer tipo de conflito. Ironicamente eu tinha procurado a empresa justamente porque ela foi fornecedora de suplementos para os soldados durante a Segunda Guerra Mundial. Ent\u00e3o \u00e0s vezes h\u00e1 algum tipo de censura mesmo nos lugares mais improv\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em quanto, em termos de dificuldades para se concretizar um lan\u00e7amento, o formato f\u00edsico dos quadrinhos \u00e9 um barreira financeira para lan\u00e7amentos? Pergunto isso n\u00e3o como um entusiasta da m\u00eddia digital, esclare\u00e7o. Para mim, n\u00e3o h\u00e1 outra forma de se acessar uma HQ se n\u00e3o no papel. Mas, pensando mercadologicamente, h\u00e1 um consumo\/retorno significativo em um lan\u00e7amento digital?<\/strong><br \/>\nRaphael Fernandes \u2013 Pelo contr\u00e1rio, as publica\u00e7\u00f5es digitais ainda n\u00e3o foram popularizadas a ponto de alcan\u00e7arem o grande p\u00fablico. Por\u00e9m, podem ser uma forma mais acess\u00edvel para produtores independentes come\u00e7aram a formar um p\u00fablico e constru\u00edrem suas habilidades narrativas. Os projetos impressos ainda s\u00e3o a melhor forma de publicar uma hist\u00f3ria em quadrinhos ou um livro, mas tamb\u00e9m acreditamos que as possibilidades digitais levam nossas hist\u00f3rias para lugares que n\u00e3o alcan\u00e7aremos de outra forma. O grande desafio \u00e9 alcan\u00e7ar e criar mais leitores com o nosso trabalho, seja digital ou impresso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57824\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1041\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/LIGEIRO_page_9-216x300.jpg 216w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"HQ lan\u00e7ada pela Editora Draco alcan\u00e7ou mais de 300% de sua meta de financiamento coletivo lan\u00e7ando luz sobre a Segunda Guerra Mundial, &#8220;um conflito que definiu a segunda metade do S\u00e9culo XX e influencia nossa a pol\u00edtica e a sociedade at\u00e9 hoje&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/12\/entrevista-autores-falam-da-hq-arquivos-secretos-da-segunda-guerra-mundial\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":57821,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[3816],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57820"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57820"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58468,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57820\/revisions\/58468"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57821"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}