{"id":5778,"date":"2010-08-31T00:39:06","date_gmt":"2010-08-31T03:39:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5778"},"modified":"2023-03-29T00:09:42","modified_gmt":"2023-03-29T03:09:42","slug":"livro-seu-madruga-vila-e-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/31\/livro-seu-madruga-vila-e-obra\/","title":{"rendered":"Livro: Seu Madruga, Vila e Obra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-5779\" title=\"madruga_vida_obra\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/madruga_vida_obra.jpg\" alt=\"\" width=\"292\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/madruga_vida_obra.jpg 292w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/madruga_vida_obra-219x300.jpg 219w\" sizes=\"(max-width: 292px) 100vw, 292px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Antonio Bart<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro Groucho-marxismo, o fil\u00f3sofo anarquista Bob Black prega, sem rodeios, que \u201cningu\u00e9m jamais deveria trabalhar (\u2026) Para parar de sofrer, precisamos parar de trabalhar\u201d. Seu Madruga, o desempregado cr\u00f4nico que garante de forma involuntariamente tragic\u00f4mica a alegria \u2013 e o pathos \u2013 da vila onde mora o garoto Chaves, nunca ouviu falar de Black. Mas certamente gostaria de seus escritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inusitada ponte entre o subversivo e o malandro mexicano \u00e9 uma das conclus\u00f5es a que Pablo Kaschner chega em seu livro &#8220;Seu Madruga \u2013 Vila e Obra&#8221; (Editora Mirabolante). O autor, carioca de 28 anos que j\u00e1 editou outro livro (&#8220;Chaves de um sucesso&#8221;) sobre o humor\u00edstico mexicano exibido pelo SBT, comp\u00f4s menos uma biografia do que um \u201clivro-homenagem\u201d sobre o personagem, tido como o mais popular do programa entre os f\u00e3s brasileiros (e n\u00e3o s\u00f3 eles). Para Kaschner, Madruga, cria\u00e7\u00e3o do ator Ram\u00f3n Vald\u00e9s\u00a0 (1923-1988), desperta tanta identifica\u00e7\u00e3o por incorporar (com sua avers\u00e3o ao trabalho, as d\u00edvidas eternas, as humilha\u00e7\u00f5es e o humor diante das dificuldades) um pouco do car\u00e1ter do brasileiro t\u00edpico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Mesmo mexicano, Madruga tem o famoso jeitinho brasileiro \u2013 constata o autor, diplomado em r\u00e1dio e TV. \u2013 Dos personagens do Chaves, ele \u00e9 o mais maroto, o que d\u00e1 voltas nos outros, o mais politicamente incorreto. Basta andar pelas ruas das cidades brasileiras e \u00e9 poss\u00edvel encontrar s\u00f3sias do Seu Madruga em todo lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de n\u00e3o ter um car\u00e1ter de ampla pesquisa biogr\u00e1fica, &#8220;Vila e Obra&#8221; traz muita informa\u00e7\u00e3o e curiosidades sobre Vald\u00e9s e seu mais famoso personagem, tudo em tom muito bem humorado. Dividido em 14 cap\u00edtulos (um para cada m\u00eas de aluguel que Madruga deve ao Seu Barriga, d\u00edvida que nunca ser\u00e1 saldada), o volume mostra que Vald\u00e9s j\u00e1 era um ator de carreira consolidada ao ser convidado para entrar em &#8220;El Chavo del Ocho&#8221; (nome original do programa Chaves) em 1971.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Madruga, originalmente chamado apenas Don Ram\u00f3n, era parecido em tudo com o pr\u00f3prio Vald\u00e9s. A \u00fanica recomenda\u00e7\u00e3o que Roberto Gomes Bola\u00f1os (criador do programa e int\u00e9rprete do pr\u00f3prio Chaves) deu ao ator era que Vald\u00e9s \u201cfosse ele mesmo\u201d. E, confirma Kaschner, atrav\u00e9s de depoimentos dos filhos do ator, que Vald\u00e9s realmente se vestia como Madruga (jeans surrados, camisetas b\u00e1sicas) e repetia diante da c\u00e2mera frases de seu vocabul\u00e1rio cotidiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o autor, a pregui\u00e7a e a voca\u00e7\u00e3o para o \u00f3cio de Madruga o tornaram um \u00edcone latino-americano. Ou, como o pr\u00f3prio Kaschner brinca, \u201cladino-americano\u201d:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Ele agora \u00e9 mais que um \u00edcone pop. Nas ruas, h\u00e1 mais camisetas com o rosto do Madruga do que com a foto do Che Guevara \u2013 arrisca. \u2013 O interessante \u00e9 que essa identifica\u00e7\u00e3o superou um bloqueio hist\u00f3rico que os brasileiros tinham com a cultura mexicana, que aqui sempre foi sin\u00f4nimo de dramalh\u00e3o, de coisa brega. Costumo dizer que o Chaves conseguiu unificar a Am\u00e9rica Latina, algo que o (Hugo) Chavez n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exibido pelo SBT desde 1983, Chaves \u00e9 certamente um caso \u00fanico de longevidade na TV brasileira, qui\u00e7\u00e1 mundial. Desde sua estreia, o programa nunca deixou a grade da emissora, apesar do excesso de reprises (o canal de Silvio Santos recebeu seus \u00faltimos epis\u00f3dios in\u00e9ditos em 1992!), sendo transmitido praticamente todos os dias da semana durante esses 27 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1990, chegou aos 36 pontos de audi\u00eancia, superando a Rede Globo v\u00e1rias vezes, apesar das tresloucadas trocas de hor\u00e1rio. A assessoria de imprensa do SBT informa que agora, exibido apenas aos s\u00e1bados (\u00e0s 6h e 12h45) e aos domingos (das 9h \u00e0s 11h), o seriado ainda atinge 7 pontos de m\u00e9dia. Mesmo assim, sabe se l\u00e1 quando voc\u00ea estar\u00e1 lendo esse texto, verifique na grade do SBT para ter certeza dos hor\u00e1rios de exibi\u00e7\u00e3o do programa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O brasileiro se mobiliza por poucas coisas. O Chaves \u00e9 uma delas \u2013 conclui Pablo Kaschner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marco Antonio Bart (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@BartBarbosa<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/telhadodevidro.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Telhado de Vidro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Marco Antonio Bart\nEm seu livro Groucho-marxismo, o fil\u00f3sofo anarquista Bob Black prega, sem rodeios, que &#8220;ningu\u00e9m jamais deveria trabalhar&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/31\/livro-seu-madruga-vila-e-obra\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5778"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5778"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5778\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73617,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5778\/revisions\/73617"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5778"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5778"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5778"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}