{"id":5765,"date":"2010-08-28T21:05:26","date_gmt":"2010-08-29T00:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5765"},"modified":"2017-06-01T09:37:29","modified_gmt":"2017-06-01T12:37:29","slug":"entrevista-glen-hansard-swell-season","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/28\/entrevista-glen-hansard-swell-season\/","title":{"rendered":"Entrevista: Glen Hansard, Swell Season"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5766 aligncenter\" title=\"sweel1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/sweel1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/carmessias\" target=\"_blank\">Carlos Messias<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, se voc\u00ea percebeu pelas fotos, o The Swell Season \u00e9 formado pelo casalzinho fofo do filme \u201cApenas uma Vez\u201d (\u201cOnce\u201d), vencedor do Oscar 2008 de melhor can\u00e7\u00e3o original com \u201cFalling Slowly\u201d. Incurs\u00f5es cinematogr\u00e1ficas e fen\u00f4menos midi\u00e1ticos \u00e0 parte, o duo de indie-folk do cantor e violonista irland\u00eas Glen Hansard, 40 anos, e da cantora e multi-instrumentista tcheca Mark\u00e9ta Irglov\u00e1, 22, se segura muito bem musicalmente. Um bom exemplo disso \u00e9 \u201cStrict Joy\u201d, terceiro disco da dupla (contando a trilha-sonora do filme), lan\u00e7ado no ano passado, que acaba de sair no Brasil. No \u00e1lbum, Hansard e Irglov\u00e1 se emancipam do folk mel\u00f3dico e basic\u00e3o (ainda que consistente) dos trabalhos anteriores e incorporam o alcance vocal do soul (como Van Morrison j\u00e1 fazia), estruturas harm\u00f4nicas bem trabalhadas, como da m\u00fasica celta, floreios que remetem \u00e0 m\u00fasica erudita e certo feeling do blues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Hansard, o maior diferencial foi que este disco teve a participa\u00e7\u00e3o do The Frames, sua banda \u201ctitular\u201d, formada em 1990 e bastante cultuada na Europa. Antes disso, o m\u00fasico se apresentava nas ruas de Dublin, como o protagonista de \u201cOnce\u201d. Este e outros momentos da trajet\u00f3ria de Glen Hansard \u2013 como sua participa\u00e7\u00e3o (na \u00e9poca com longas madeixas) no filme \u201cThe Commitments\u201d, de 1991 \u2013 s\u00e3o lembrados na entrevista que o m\u00fasico concedeu por e-mail, de Nova York, no come\u00e7o de agosto (por isso n\u00e3o foi mencionado o suic\u00eddio de um espectador em show do Swell Season que aconteceu no \u00faltimo fim de semana \u2013 leia <a href=\"www.hitfix.com\/articles\/fan-commits-song-at-swell-season-show-band-responds\" target=\"_blank\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O plano era que a entrevista fosse realizada por telefone, mas, para total surpresa do rep\u00f3rter, Hansard atendeu ao telefone completamente sem voz \u2013 o que, felizmente, foi solucionado antes da vinda da dupla ao Brasil. Por\u00e9m, como pode ser visto a seguir, ele compensou o contratempo sendo bastante generoso ao responder por escrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais s\u00e3o suas expectativas quanto aos shows no Brasil?<\/strong><br \/>\nBem, eu honestamente n\u00e3o sei o que esperar. Ouvi falar t\u00e3o bem do Pa\u00eds e das pessoas, especialmente por amigos que j\u00e1 tocaram a\u00ed. Damien Rice, meu amigo irland\u00eas, ama o Brasil e relatou experi\u00eancias muito boas. Mas o que eu sei sobre o Brasil, tenho vergonha de dizer, \u00e9 bem limitado. Adoro o filme do Fernando Meirelles, \u201cCidade de Deus\u201d, e o cantor Caetano Veloso. Estou muito ansioso para chegar e formar minha pr\u00f3pria imagem e opini\u00e3o sobre o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como est\u00e3o sendo os shows da turn\u00ea atual?<\/strong><br \/>\nEstamos nos apresentando como uma banda completa: eu e Mark\u00e9ta junto aos membros do The Frames. Tocamos as can\u00e7\u00f5es do filme, algumas do \u201cStrict Joy\u201d e, se o clima pedir, uma ou duas do The Frames.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que mudou no Swell Season ap\u00f3s o sucesso do filme?<\/strong><br \/>\nAcho que tudo mudou. Quando algu\u00e9m passa a vida inteira tentando atingir sucesso e esse dia chega, quase do nada, \u00e9 muito empolgante, quase inacredit\u00e1vel, e estremece tudo aquilo que voc\u00ea conhece. \u00c9 maravilhoso, mas voc\u00ea precisa reestruturar suas expectativas e perspectivas sobre tudo. Depois de 16 anos de luta com uma banda, tudo que voc\u00ea sabe fazer \u00e9 lutar, ent\u00e3o voc\u00ea luta contra o sucesso por um tempo, at\u00e9 restabelecer sua autoconfian\u00e7a e voltar a fazer o melhor trabalho que consegue. N\u00f3s possivelmente nunca visitar\u00edamos o Brasil se n\u00e3o fosse o sucesso do filme, e agora que podemos, esperamos fazer um bom show para as pessoas, assim (se as pessoas gostarem) teremos um bom motivo para voltar. A principal diferen\u00e7a entre agora e antes \u00e9 que n\u00f3s temos um p\u00fablico. Onde quer que a gente toque teremos pessoas dispostas a nos escutar e isso, basicamente, \u00e9 tudo que qualquer banda espera&#8230; uma plateia. Existem muitas bandas boas sem p\u00fablico e muitas bandas de merda com um grande p\u00fablico. O para\u00edso \u00e9 algum lugar no meio do caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea n\u00e3o acha engra\u00e7ado estar em uma banda indie que tem uma estatueta do Oscar?<\/strong><br \/>\nBem, antes do Oscar n\u00f3s est\u00e1vamos fazendo o mesmo tipo de m\u00fasica que continuamos a fazer depois\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tinha atuado no filme \u201cThe Commitments\u201d, de 1991. Chegar ao cinema atrav\u00e9s da m\u00fasica era algo que voc\u00ea planejava?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo que nunca passou pela minha cabe\u00e7a, honestamente. Eu estava tocando nas ruas de Dublin em 1990, quando me ofereceram um papel no musical \u201cThe Commitments\u201d. Aceitei e curti fazer, mas depois disso eu nunca mais pensei em atuar at\u00e9 o John Carney [diretor de \u201cOnce\u201d] me convidar para substituir um ator [o tamb\u00e9m irland\u00eas Cillian Murphy] que havia desistido. Eu s\u00f3 aceitei fazer, honestamente, porque ele \u00e9 meu amigo e eu n\u00e3o queria deix\u00e1-lo na m\u00e3o. Hoje sou muito satisfeito com essa decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cOnce\u201d voc\u00ea interpreta um m\u00fasico de rua que ganha a vida consertando aspiradores de p\u00f3. Esta \u00e9 uma atividade que tamb\u00e9m j\u00e1 tenha feito? Quais suas melhores recorda\u00e7\u00f5es como m\u00fasico de rua?<\/strong><br \/>\nNunca consertei aspiradores, apenas bicicletas, mas quando eu era bem jovem. E cantei nas ruas dos 14 at\u00e9, talvez, uns 20. Ainda fa\u00e7o isso \u00e0s vezes, por divers\u00e3o. Sempre curti muito fazer isso. \u00c9 como aprendi a cantar e compor. Na verdade, todos os meus amigos de hoje s\u00e3o pessoas que conheci enquanto tocava nas ruas ou, logo depois, no palco. Minhas \u00fanicas lembran\u00e7as negativas s\u00e3o de quando, eventualmente, eu era roubado. Como no filme, eu normalmente sabia quem tinha me roubado e acab\u00e1vamos dando um jeito. As pessoas da rua se unem de maneiras estranhas\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u201cOnce\u201d saiu do papel?<\/strong><br \/>\nCarney estava trabalhando a alguns anos em uma hist\u00f3ria sobre um m\u00fasico de rua e me fez v\u00e1rias perguntas sobre a minha experi\u00eancia. Contei-lhe hist\u00f3rias e ele incluiu algumas no roteiro. Ele tamb\u00e9m pediu para eu compor algumas can\u00e7\u00f5es para o projeto, o que me deixou muito contente e honrado. Eu estava morando parcialmente na Rep\u00fablica Tcheca com a fam\u00edlia da Mark\u00e9ta, os Irglov\u00e1s. John estava procurando algu\u00e9m que soubesse cantar e tocar piano para o personagem da mulher, ent\u00e3o eu a indiquei para o papel. John a conheceu e achou-a perfeita. O Cillian desistiu do papel dele por algum motivo que n\u00e3o ficou claro e estava bem pr\u00f3ximo do in\u00edcio das filmagens. John ficou desesperado. Ele pediu que eu indicasse algumas outras pessoas, mas todo mundo estava ocupado, at\u00e9 que ele acabou me convidando. Preciso admitir que \u00e0 princ\u00edpio eu era contra porque n\u00e3o me julgava capaz de interpretar o papel. Mas depois de muita insist\u00eancia de John e Mark\u00e9ta, aceitei fazer uma tentativa. Fiz o John prometer que iria me demitir se eu fosse um lixo e ele quase fez isso no primeiro dia. Mas, depois nos acertamos e foi muito divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2006, antes de o filme sair, voc\u00ea e a Mark\u00e9ta lan\u00e7aram um disco como Swell Season. Como aconteceu este \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nHav\u00edamos gravado algumas can\u00e7\u00f5es do filme e outras num est\u00fadio em Praga. Nunca imaginamos que o filme teria o lan\u00e7amento de uma trilha-sonora oficial, ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de nome\u00e1-lo como \u201cAs M\u00fasicas de Once\u201d, resolvemos cham\u00e1-lo de \u201cSwell Season\u201d. Foi s\u00f3 depois de John terminar o filme e despertar alguma aten\u00e7\u00e3o que percebemos que dever\u00edamos ter dado algum outro nome. Mas acabou funcionando\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea e a Mark\u00e9ta se envolveram romanticamente durante as filmagens, mas hoje voc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o mais juntos, certo? Como \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nSempre fomos muito pr\u00f3ximos e, sim, durante as filmagens, at\u00e9 um pouco depois, nossa amizade se desenvolveu e tornou-se rom\u00e2ntica. Na \u00e9poca vivemos momentos muito intensos, mas depois de um tempo percebemos que fic\u00e1vamos melhor apenas como amigos e voltamos a ter esse tipo de relacionamento. Sempre vou amar muito a Mark\u00e9ta, ela abriu uma parte de mim que estava fechada e sempre serei grato por seu amor e paci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5767 aligncenter\" title=\"sweel2\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/sweel2.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"403\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/sweel2.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/sweel2-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas se conheceram?<\/strong><br \/>\nFoi em um festival na Rep\u00fablica Tcheca. Eu estava l\u00e1 com o The Frames e nos hospedamos na casa dos pais dela. Eles fizeram uma festa para a gente, que durou o dia inteiro, no quintal. Acabamos cantando juntos e a Mar tocou um pouco de Mendelssohn no piano para mim.  Continuamos noite afora e, alguns meses depois, visitei os pais dela e voltamos a tocar. Foi muito natural. Ela trouxe algo para as minhas can\u00e7\u00f5es que ningu\u00e9m nunca tinha trazido. Toquei em alguns lugares pequenos na Rep\u00fablica Tcheca e ela me acompanhou no piano e nos vocais. Acho que foi assim que tudo come\u00e7ou, entre 2003, 2004. Rodamos o filme em 2005.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Qual voc\u00ea acha que \u00e9 a maior contribui\u00e7\u00e3o dela a sua m\u00fasica?<\/strong><\/span><br \/>\nTalvez a forma\u00e7\u00e3o dela em m\u00fasica cl\u00e1ssica, o que soma muito bem. Mark\u00e9ta tem um dom natural para a harmonia e estrutura mel\u00f3dica. \u00c9 a musicista mais talentosa que conhe\u00e7o. Flui bem. Ela d\u00e1 um toque suave e feminino \u00e0s can\u00e7\u00f5es, levando-as a lugares que eu n\u00e3o conseguiria sozinho. Me sinto afortunado por fazer m\u00fasica com uma pessoa t\u00e3o talentosa. Ela pode instigar e mudar a dire\u00e7\u00e3o de uma m\u00fasica sem jamais interferir no feeling da can\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 muito raro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mudando de assunto, \u201cLow Rising\u201d (faixa de abertura de \u201cStrict Joy\u201d) est\u00e1 na trilha da novela mais popular do Brasil, \u201cPassione\u201d. Como voc\u00ea se sente com isso?<\/strong><br \/>\nEu realmente n\u00e3o fazia ideia quanto a isso. \u00c9 um bom programa? Depois que uma m\u00fasica \u00e9 lan\u00e7ada ela assume vida pr\u00f3pria. Como as pessoas v\u00e3o perceb\u00ea-la, ignor\u00e1-la ou detest\u00e1-la, realmente, n\u00e3o \u00e9 da minha conta. Tudo que voc\u00ea pode esperar \u00e9 que algu\u00e9m ir\u00e1 se identificar com algo na can\u00e7\u00e3o, ou ao menos que ir\u00e3o bater o p\u00e9 com o ritmo&#8230; Imagino que tentar controlar como a sua m\u00fasica ser\u00e1 usada ou percebida seja algo muito dif\u00edcil&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar de voc\u00eas lan\u00e7arem pela ANTI Records (selo n\u00e3o-punk da Epitaph) desde antes do filme, o Swell Season atingiu um status mainstream. Por que voc\u00eas continuam com eles?<\/strong><br \/>\nA ANTI tem sido muito boa com a gente ao longo dos anos e s\u00e3o todos nossos amigos. Eles j\u00e1 tinham lan\u00e7ado alguns discos do The Frames e sempre fizeram um trabalho decente. N\u00e3o ter\u00edamos por que mudar. Se pudermos vender mais discos, prefiro fazer isso com pessoas em que confio e com as quais tenho uma amizade. E n\u00e3o com alguma corpora\u00e7\u00e3o duas caras que n\u00e3o estaria nem a\u00ed. Assim conseguimos compartilhar nossa boa sorte com os amigos, todo mundo sai ganhando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cStrict Joy\u201d soa mais ambicioso que o primeiro disco.<\/strong><br \/>\nYeah, \u201cStrict Joy\u201d \u00e9 mais um disco de banda. Gravamos o primeiro em quarto dias com uma verba min\u00fascula. Quisemos fazer com que este soasse mais como a gente soa ao vivo com a banda. Fiquei muito satisfeito. Talvez no pr\u00f3ximo disco fa\u00e7amos algo diferente novamente, quem sabe&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois de \u201cOnce\u201d, o Swell Season se tornou seu projeto principal e o The Frames ficou em segundo plano. Como foi tomar essa decis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSimplesmente fez sentido seguir o caminho que o filme colocou na nossa frente. Ter\u00edamos sido malucos se n\u00e3o fiz\u00e9ssemos assim. E, musicalmente, t\u00eam sido uns dos melhores anos da minha vida. Tocar com a Mark\u00e9ta e a minha banda tem sido uma grande experi\u00eancia. O The Frames \u00e9 a minha banda e eu, enquanto eu estiver curtindo, sempre retornarei. Mas esta tem sido uma aventura incr\u00edvel e surpreendente, nunca vou me arrepender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea prefere tocar, o folk fo Swell Season ou o som mais rock do The Frames?<\/strong><br \/>\nAmbos. Ambos t\u00eam o seu lugar. Na verdade, existe tanta diferen\u00e7a entre as duas bandas? S\u00e3o todas m\u00fasicas compostas pelas mesmas pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 declarou que a \u201csant\u00edssima trindade\u201d \u2013 quando voc\u00ea estava crescendo \u2013 era formada por Bob Dylan, Leonard Cohen e Van Morisson. De onde veio essa influ\u00eancia?<\/strong><br \/>\n[Risos] Acho que eu falei mesmo isso. Essa influ\u00eancia vem da minha m\u00e3e. Ela amava os grandes cantores e adorava cantar. Ela me ensinou a letra de \u201cBird on the Wire\u201d [de Leonard Cohen] no meu anivers\u00e1rio de cinco anos e ainda estou tentando entender o significado daquelas palavras. Dylan foi o meu primeiro her\u00f3i e por esta simples raz\u00e3o ele sempre ser\u00e1. Van Morrison \u00e9 incompar\u00e1vel, ele \u00e9 pura alma e fogo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E folk irland\u00eas e a m\u00fasica celta? D\u00e1 para notar uma influ\u00eancia na estrutura harm\u00f4nica do Swell Season.<\/strong><br \/>\nSer irland\u00eas \u00e9 o que traz este feeling. N\u00e3o h\u00e1 como fugir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 h\u00e1 alguns anos o folk est\u00e1 vivendo um bom momento. O que voc\u00ea acha de outros artistas desta gera\u00e7\u00e3o como Damien Rice, Fionn Regan, Bonnie \u201cPrince\u201d Billy, Conor Oberst, Bon Iver, Laura Marling etc.?<\/strong><br \/>\nTodos s\u00e3o grandes m\u00fasicos e tive a sorte de conhecer ou tocar com alguns deles. Will Oldham [nome oficial de Bonnie \u201cPrince\u201d Billy] \u00e9 um talento extraordin\u00e1rio, fico mistificado com o trabalho dele h\u00e1 anos. Desde o primeiro disco do Palace Brothers ele \u00e9 uma grande influ\u00eancia e continua sendo. Bon Iver tem sido uma fonte de tranquilidade e calmaria em momentos dif\u00edceis e por isso lhe sou grato. Fionn \u00e9 incr\u00edvel, um \u00f3timo cara. E Damien tem sido um amigo ao longo dos anos e uma inspira\u00e7\u00e3o por sua paix\u00e3o e comprometimento com a can\u00e7\u00e3o. Eu tenho muito carinho por ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo \u201cStrict Joy\u201d foi tirado de um poema de James Stephens (c\u00e9lebre romancista e poeta irland\u00eas). O que este texto, em particular, significa para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nEle fala sobre a necessidade do homem de escavar pela verdade. Para se livrar de todas as baboseiras at\u00e9 sobrar a verdade, n\u00e3o importa o qu\u00e3o assustador isso possa parecer. A verdade, quando pronunciada com clareza, deve trazer contentamento. Essa \u00e9 a alquimia da honestidade. Stephens sabia disso e escreveu isso, da\u00ed vem o tamanho prazer que preenche o trabalho dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><span style=\"color: #000000;\">Como tem sido sua vida em Nova York? Saudades de Dublin?<\/span><\/strong><br \/>\nEstou me dividindo entre as duas cidades. Na verdade, faz tempo que n\u00e3o estou em algum lugar que eu possa chamar de lar, mas tudo bem. No ano que vem vamos tirar alguns meses de folga para recarregar as baterias e decidir o que fazer. T\u00eam sido uns anos loucos, acho que \u00e9 hora de deixar o cora\u00e7\u00e3o e a mente sossegarem um pouco [esta semana foi noticiado na imprensa americana que Hansard pretende gravar um novo disco com o The Frames e que Mark\u00e9ta ir\u00e1 gravar um trabalho solo].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que voc\u00ea perdeu sua voz (quatro dias antes de ele responder a estas perguntas) no come\u00e7o da semana?<\/strong><br \/>\nPeguei um resfriado que evoluiu em uma infec\u00e7\u00e3o no peito e, de tanto tossir, acabei perdendo a minha voz. \u00c9 algo muito assustador para um cantor, tenho bebido litros de ch\u00e1 com mel e tentado ficar em repouso (isso \u00e9 muito dif\u00edcil para um irland\u00eas!). Espero voltar a trabalhar nos pr\u00f3ximos dias, dedos cruzados!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5768 aligncenter\" title=\"sweel3\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/sweel3.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Swell Season ao vivo no Rio de Janeiro<br \/>\npor <a href=\"http:\/\/twitter.com\/jotadablio\" target=\"_blank\">Jorge Wagner<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noite de s\u00e1bado, 28 de agosto. Passam alguns minutos das 22h30 quando Glen Hansard, munido apenas de um viol\u00e3o Takamine esburacado, sobe ao palco do Vivo Rio e toca alguns acordes em meio a aplausos. As palmas cessam e d\u00e3o lugar a alguns \u201cxiiiiius\u201d. O som \u00e9 ambiente, sem microfones e todos est\u00e3o atentos quando Glen canta &#8220;I&#8217;m scratching at the surface now \/ and I&#8217;m trying hard to work it out&#8221;e pede, logo em seguida: \u201cportanto, se voc\u00ea tiver algo a dizer, me diga agora!\u201d. O recado \u00e9 entendido. Novos aplausos. E Glen Hansard, esse ruivo jovem senhor, sorri.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSay It To Me Now\u201d, m\u00fasica de abertura do segundo show do The Swell Season pelo Brasil, \u00e9 tamb\u00e9m aquela que marca no filme \u201cOnce\u201d (traduzido por esses lados do Atl\u00e2ntico como \u201cApenas Uma Vez\u201d), de 2006, o primeiro encontro entre Glen Hansard e Marketa Irglov\u00e1. Premiado com o Oscar de melhor can\u00e7\u00e3o original (por \u201cFalling Slowly\u201d), o filme conta a hist\u00f3ria de um casal \u2013 ele, um m\u00fasico de rua e ela, uma pianista \u2013 que se conhece pelas ruas de Dublin e se envolve, de forma muito mais l\u00fadica que real, num roteiro um tanto quanto raso, mas que serve do pretexto para boas atua\u00e7\u00f5es e excelentes n\u00fameros musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Vivo Rio, por\u00e9m, o encontro acontece na m\u00fasica seguinte, quando a bela t\u00edmida Marketa Irglov\u00e1 entra em cena descal\u00e7a, de cabelos curtos e ensaiando um esfor\u00e7ado \u201cboa noite\u201d. Ela acompanha Hansard em \u201cAll The Way Down\u201d, antecedendo ao convite para que os demais m\u00fasicos \u2013 velhos conhecidos de Glen no The Frames, banda capitaneada pelo ruivo desde a d\u00e9cada de 90 \u2013 tamb\u00e9m subam ao palco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Low Rising&#8221;, a primeira m\u00fasica tocada no show com o formato banda, a verdadeira respons\u00e1vel pela vinda do Swell Season ao Brasil (mais do que a trilha sonora de \u201cOnce\u201d). Isto porque o single de \u201cStrict Joy\u201d, disco mais recente da dupla, com lan\u00e7amento nacional pela Som Livre, foi inclu\u00eddo na trilha sonora da novela \u201cPassione\u201d. E por mais que sempre existam aqueles que critiquem tal forma de divulga\u00e7\u00e3o, quando o soul irland\u00eas de Hansard \u00e9 executado \u2013 com direito \u00e0 cita\u00e7\u00e3o de \u201cSexual Healing\u201d, de Marvin Gaye \u2013, o p\u00fablico presente na casa de shows s\u00f3 tem a agradecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que se v\u00ea no palco \u00e9 uma banda t\u00e3o livre e satisfeita que deixa a impress\u00e3o de um grande ensaio aberto. E, ignorando o fato do som do Swell Season ser definido pela cr\u00edtica como triste e melanc\u00f3lico, n\u00e3o h\u00e1 nenhum sinal de tristeza no palco. Pelo contr\u00e1rio: aqui os m\u00fasicos se esfor\u00e7am em agradar, ora com suas performances, ora com agradecimentos em portugu\u00eas \u2013 um \u201cmuito obrigado\u201daqui, um \u201cvoc\u00eas s\u00e1um f\u00f3das\u201dali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre alguns dos momentos mais divertidos da noite destacam-se as hist\u00f3rias contadas por Glen, como a da m\u00fasica que fez para uma namorada g\u00f3tica que teve na adolesc\u00eancia (\u201cEla gostava de David Bowie e The Cure. Eu gostava de AC\/DC\u201d, conta), ou da bossa-nova que comp\u00f4s na v\u00e9spera em homenagem ao tr\u00e2nsito brasileiro e aos motoboys de S\u00e3o Paulo, batizada de&#8230; \u201cHonda\u201d. Em outro momento curioso, algumas garotas mais empolgadas da plat\u00e9ia s\u00e3o convidadas a sambar no palco e, como se j\u00e1 n\u00e3o bastasse, levam a tcheca Marketa a ensaiar alguns passos \u2013 que parecem de mambo \u00e0 cancan, menos samba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 ainda espa\u00e7o para um cover de \u201cInto The Mystic\u201d, de Van Morrison, cita\u00e7\u00f5es de \u201cRing of Fire\u201d, de Johnny Cash, e, claro, encerrando a primeira parte do show, a dobradinha \u201cWhen Your Mind&#8217;s Made Up\u201de \u201cFalling Slowly\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De volta para o bis, Marketa Irglov\u00e1 afirma gostar muito de uma can\u00e7\u00e3o interpretada por Caetano Veloso. Diz que desejava homenagear o Brasil com ela, e ent\u00e3o descobriu que era cantada em espanhol e n\u00e3o em portugu\u00eas. Desejando que esse pequeno detalhe n\u00e3o impedisse o sentido da homenagem, a banda apresenta uma bela vers\u00e3o para \u201cCucurrucuc\u00fa Paloma\u201d, de T\u00f3mas M\u00e9ndes, que Caetano interpreta em uma passagem l\u00edrica do filme &#8220;Fale Com Ela&#8221;, de Pedro Almod\u00f3var.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de encerrar, Hansard convida a banda respons\u00e1vel pela abertura do show para retornar ao palco. Embora care\u00e7am de maturidade (aka ensaios) para soarem como algo al\u00e9m de um grupo de universit\u00e1rios em um lual p\u00f3s-aula, os Varandistas \u2013 projeto do qual faz parte a onipresente Maria Gad\u00fa, uma das maiores fontes de renda da Som Livre atualmente \u2013 demonstram bom gosto para os arranjos, lembrando, com suas divis\u00f5es de vozes, os tempos \u00e1ureos do Clube da Esquina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao lado de Glen e Marketa, o grupo toca \u201cYou Ain&#8217;t Goin&#8217; Nowhere\u201d (Bob Dylan) e \u201cDevil Town\u201d (Daniel Johnston) e tudo vira festa, como se todos os presentes, no palco e no p\u00fablico, se conhecessem de longa data. E assim, uma noite em que o bom humor falou mais alto que a melancolia, chega ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Carlos Messias \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/semanualdeinstrucoes.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Sem Manual de Instru\u00e7\u00f5es<\/a><br \/>\n&#8211; Jorge Wagner \u00e9 jornalista e assina o twitter <a href=\"http:\/\/twitter.com\/jotadablio\" target=\"_blank\">@jotadablio<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">*******<br \/>\n<strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; Cenas da vida em SP &#8211; Bonnie \u2018Prince\u2019 Billy ao vivo, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/11\/28\/cenas-da-vida-em-sao-paulo-parte-bonnie-prince-billy\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;The Commitments&#8221;: filme obrigat\u00f3rio para todo mundo que quer ter uma banda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/12\/10\/um-alan-parker-e-dois-woody-allen\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Carlos Messias e Jorge Wagner\nSim, se voc\u00ea percebeu pelas fotos, o The Swell Season \u00e9 formado pelo casalzinho fofo que ganhou o Oscar com o filme Once&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/28\/entrevista-glen-hansard-swell-season\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":42,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5765"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5765"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5765\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5773,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5765\/revisions\/5773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}