{"id":57645,"date":"2020-10-04T23:46:45","date_gmt":"2020-10-05T02:46:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57645"},"modified":"2020-11-17T03:19:02","modified_gmt":"2020-11-17T06:19:02","slug":"20-anos-all-that-you-cant-leave-behind-u2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/04\/20-anos-all-that-you-cant-leave-behind-u2\/","title":{"rendered":"20 anos: &#8220;All That You Can&#8217;t Leave Behind&#8221;, U2"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Texto base de um especial publicado na revista Rock Press de novembro de 2000.<br>Publicado tamb\u00e9m na terceira edi\u00e7\u00e3o da revista online Vi\u00e9s Unisinos, dezembro de 2000.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Nota do editor: \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d, d\u00e9cimo \u00e1lbum do U2 e um dos primeiros grandes discos vazados antes do lan\u00e7amento na era Napster (junto a Madonna e Radiohead), completa 20 anos em outubro de 2020, e ganha uma reedi\u00e7\u00e3o caprichada em 11 vinis ou 5 CDs incluindo o \u00e1lbum remasterizado, b-sides, o registro em \u00e1udio do show em Boston (junho de 2001) e um \u00faltimo disco de remixes. O texto abaixo foi escrito no calor do lan\u00e7amento do \u00e1lbum, e nunca havia sido publicado no Scream &amp; Yell. Confirmando a expectativa, \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d teve quatro singles e vendeu 12 milh\u00f5es de&nbsp; c\u00f3pias no mundo, tornando-se mais um grande sucesso do U2.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57656 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/u20002.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"657\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/u20002.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/u20002-300x263.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bono caminha lentamente, olha o palco, o tel\u00e3o, o est\u00e1dio do Morumbi, e comenta: \u201cIsso \u00e9 excitante\u201d. Segundos depois completa: \u201cmas cansativo\u201d. A \u201cPopMart Tour\u201d (1997\/1998) era uma vers\u00e3o ampliada e melhorada da \u201cZoo TV Tour\u201d (1992\/1993), as duas turn\u00eas tecnol\u00f3gicas que os irlandeses levaram ao mundo nos anos 90 fazendo megashows em est\u00e1dios ao redor do mundo e explorando com cinismo e consci\u00eancia o status de rock star. Bono tinha raz\u00e3o de estar cansado. E, em meio ao cansa\u00e7o, a promessa de que o pr\u00f3ximo trabalho seria uma volta \u00e0s origens, ao rock b\u00e1sico do in\u00edcio da carreira da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas anos se passaram desde o \u00faltimo trabalho oficial de est\u00fadio, \u201cPop\u201d (1997), e dois desde o \u00faltimo show da PopMart Tour, que aconteceu em mar\u00e7o de 1998 em Johannesburgo, na \u00c1frica do Sul. E, enfim, o U2 est\u00e1 de volta. \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d, o novo \u00e1lbum, que come\u00e7ou a ser trabalhado ainda em 1998, \u00e9 a promessa do primeiro paragrafo concretizada. O d\u00e9cimo \u00e1lbum de est\u00fadio do quarteto irland\u00eas \u00e9, sem d\u00favida, uma volta \u00e0s origens da banda, sem firulas eletr\u00f4nicas, sem programa\u00e7\u00f5es sequenciadas, sem explora\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Apenas um trio b\u00e1sico de instrumentistas (baixo + guitarra + bateria) aliados a um vocalista carism\u00e1tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o houvesse a obsess\u00e3o pelo detalhe talvez pud\u00e9ssemos resumir o retorno de The Edge aos harm\u00f4nicos (por vontade pr\u00f3pria e da banda, ele havia sido aconselhado a evitar usar sua marca registrada na d\u00e9cada de 90&#8230; por soar U2 demais, e tudo que o U2 90 mais queria era se distanciar do U2 80) como apenas um algo a mais em meio a tantos algo a mais que a ind\u00fastria da cultura nos prega a toda hora, mas, felizmente, h\u00e1 o detalhe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d tem tudo para ser um Greatest Hits. Todas as faixas tem potencial de single. Todas as faixas s\u00e3o mais U2 que qualquer coisa feita pela banda na d\u00e9cada de 90. E todas as faixas est\u00e3o carregadas daquele messianismo grandiloquente que fez multid\u00f5es (cerca de 25 milh\u00f5es de pessoas) levarem \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/24\/u2-em-sao-paulo-the-joshua-tree-tour-2017-noite-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Joshua Tree<\/a>\u201d para casa, em 1987, e peregrinarem aos shows da banda desde ent\u00e3o. S\u00e3o 13 anos e, pergunta b\u00e1sica ou obsess\u00e3o pelo detalhe, como queiram, o que significa esse retorno do U2 as origens em um momento que o rock procura caminhos para o futuro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira coisa a ser dita \u00e9 que \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d soa uma sequencia direta de \u201cThe Joshua Tree\u201d. Parece que a banda ignorou toda a d\u00e9cada de 90 (e \u00e1lbuns maravilhosos como \u201cActhung Baby\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/05\/u2-zooropa-especial-20-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Zooropa<\/a>\u201d) e fez um \u00e1lbum para o p\u00fablico, e para si mesma. A primeira palavra que marca esse \u201cback to basics\u201d poderia ser \u201cpaix\u00e3o\u201d, pois Bono parece realmente apaixonado pela palavra e sempre a relaciona com o novo \u00e1lbum. Inevitavelmente, \u00e9 ela que melhor exemplifica o U2 na d\u00e9cada de 80. Bono argumenta que depois do espet\u00e1culo que foram as \u00faltimas duas turn\u00eas, n\u00e3o havia outro lugar para ir a n\u00e3o ser voltar ao in\u00edcio, voltar \u00e0 can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como segunda palavra \u00e9 poss\u00edvel sugerir, quem sabe, revolu\u00e7\u00e3o. Sim, esse retorno \u00e9, tamb\u00e9m, uma volta aos ideais, aos sonhos e, principalmente, aos hinos. Aqui a banda tra\u00e7a sua liga\u00e7\u00e3o com o presente, com o real. O U2 j\u00e1 esteve na fronteira do futuro, procurando caminhos. Ficou um bom tempo afundado em experimentos eletr\u00f4nicos e tirou dessa experi\u00eancia tudo o que podia. O momento atual, para a banda, \u00e9 de chamar a aten\u00e7\u00e3o do mundo para si pr\u00f3prio. Existe melhor modo de fazer isso do que lan\u00e7ar um \u00e1lbum recheado de prov\u00e1veis singles em potencial?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 - Beautiful Day\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/co6WMzDOh1o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro single, \u201cBeautiful Day\u201d, abre \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d. A batida de bateria remete a \u201cActhung Baby\u201d no come\u00e7o, talvez uma das poucas lembran\u00e7as desse \u00e1lbum qye voc\u00ea ouvir\u00e1 nos 49 minutos e 41 segundos do CD. Neste primeiro single, o U2 compila tudo aquilo que o faz ser uma das grandes bandas do planeta. Um vocal apaixonado, refr\u00e3o pesado e aquela letra carola t\u00edpica de Bono. O resultado foram 20 mil pessoas comprando o single&#8230; no primeiro dia. Top 1 no Reino Unido (onde a parada e a venda de singles \u00e9 coisa s\u00e9ria). Bono diz n\u00e3o se preocupar com isso, mas festejou a entrada do single no primeiro lugar da parada brit\u00e2nica dizendo que era um belo dia&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O single \u201cBeautiful Day\u201d chegou \u00e0s lojas dividido em tr\u00eas partes (dois CDs e um vinil de 12 polegadas) que demonstram o quanto o U2 anos 2000 quer fazer barulho. A primeira parte traz, de cara, duas faixas in\u00e9ditas que n\u00e3o fariam feio em nenhum grande \u00e1lbum da banda. \u201cSummer Rain\u201d, uma delas (a outra \u00e9 \u201cAlways\u201d), une viol\u00e3o pesado e uma guitarra cheia de efeitos. Bono canta excelentemente bem no refr\u00e3o: \u201cI lost myself in the summer rain\u201d. A letra resume o espirito do \u00e1lbum dizendo que quem fica parado, admirando a beleza, envelhece. Ou seja, \u00e9 tempo de empunhar armas, novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevistas, Bono tem reclamado da falta de politiza\u00e7\u00e3o das pessoas, dizendo que o ideal \u201cpaz e amor\u201d tem pouco a ver com ele. Ele refor\u00e7a dizendo que est\u00e1 faltando foco, dire\u00e7\u00e3o, \u00e0s pessoas. Seria megaloman\u00edaco demais dizer que \u00e9 este foco e esta dire\u00e7\u00e3o que a banda traz no novo \u00e1lbum?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o, nem um pouco. Tanto que questionado sobre a demora do novo \u00e1lbum, Bono respondeu que as can\u00e7\u00f5es j\u00e1 estavam prontas antes da banda entrar em est\u00fadio. Era s\u00f3 entrar e gravar, mas eles estavam ocupados tentando salvar o mundo. \u00c9 fato. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, o nome da banda tem sido, frequentemente, associado ao nome do Papa, da Anistia Internacional, de quest\u00f5es sobre a divida externa de pa\u00edses do terceiro mundo, e de outras atividades de cunho social e pol\u00edtico. O guitarrista The Edge tem a defini\u00e7\u00e3o correta para a postura do quarteto quando diz que, enquanto banda, o U2 \u00e9 t\u00e3o apaixonado por pol\u00edtica quanto por rock and roll.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 - Elevation\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/19KstSgU-c0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o pense, caro leitor, que \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d \u00e9 um \u00e1lbum de can\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, no sentido tradicional do termo. O U2 fala de pol\u00edtica mandando mensagens de \u201cn\u00e3o desista\u201d, \u201cn\u00e3o deixe de sonhar\u201d, \u201cn\u00e3o deixe de amar\u201d. A faixa dois, \u201cElevation\u201d (terceiro single do disco), tem guitarra saturada, levada matadora de baixo e Bono querendo soar realmente como Bono s\u00f3 para dizer ao mundo que o amor nos faz flutuar, baby. Rock contagiante dos bons, essa \u00e9 a pol\u00edtica do U2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d \u00e9 composto por 11 faixas, das 20 que foram gravadas sendo que quatro delas, \u201cAlways\u201d, \u201cSummer Rain\u201d, &#8220;Big Girls Are Best&#8221; e a cover de Johnny Cash, \u201cDon\u2019t Take Your Guns To Town\u201d, foram liberadas como lados b de singles, e outras duas, &#8220;The Ground Beneath Her Feet&#8221;, com o U2 colocando melodia <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/chaoquelapisa.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na letra presente no livro<\/a> de Salman Rushdie, e &#8220;Stateless&#8221; sa\u00edram na trilha sonora do filme \u201cO Hotel de um Milh\u00e3o de D\u00f3lares\u201d, de Wim Wenders, que traz Bono como roteirista (nota do editor: a essas se juntar\u00e3o na reedi\u00e7\u00e3o de 2020 \u201cLevitate\u201d, \u201cLove You Like Mad\u201d e \u201cFlower Child\u201d, lan\u00e7adas anteriormente no box digital &#8220;<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/The_Complete_U2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Complete U2<\/a>&#8220;, que saiu em 2004).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brian Eno e Daniel Lanois assina a produ\u00e7\u00e3o com Steve Lilliwhite auxiliando em algumas can\u00e7\u00f5es. As melodias espelham o quanto o \u00e1lbum foi bem produzido, procurando, ao extremo, evitar o exagero. Junto ao trio b\u00e1sico de instrumentistas (mais Bono, que toca guitarra e teclado \u2013 o segundo em &#8220;Stuck in a Moment You Can&#8217;t Get Out Of&#8221;), Brian Eno colabora com sintetizadores, programa\u00e7\u00e3o, vocal de apoio e arranjo de cordas enquanto Daniel Lanois coloca uma guitarra adicional aqui e ali (h\u00e1 ainda metais de Paul Barret em &#8220;Stuck in a Moment You Can&#8217;t Get Out Of&#8221;). E s\u00f3.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 - Walk On\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gwKEdFoUB0o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As linhas de guitarras de The Edge soam, ainda, extremamente inventivas, roqueiras. \u00c9 imposs\u00edvel imaginar can\u00e7\u00f5es como \u201cElevation\u201d, \u201cWalk On\u201d e \u201cKite\u201d sem o toque do guitarrista. Mesmo nas can\u00e7\u00f5es em que, normalmente, a guitarra faria um papel coadjuvante, caso de &#8220;Stuck in a Moment You Can&#8217;t Get Out Of&#8221; e \u201cWhen I Look at The World\u201d, o guitarrista esbanja criatividade e estilo. Adam Clayton e Larry Mullen completam o instrumental com excelente execu\u00e7\u00e3o \u2013 o contrabaixo chega, certas vezes, a ter posi\u00e7\u00e3o de destaque no arranjo da can\u00e7\u00e3o, como em \u201cIn a Little While\u201d e na faixa que encerra o \u00e1lbum, \u201cGrace\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bono, por sua vez, est\u00e1 cantando magnificamente. Chega a exagerar em alguns momentos (e n\u00e3o seria Bono se n\u00e3o exagerasse), como em \u201cWild Honey\u201d, mas sempre parece estar cantando com o cora\u00e7\u00e3o. Nas letras, ele investe em amor, milagres, paix\u00e3o. \u201cQuero dizer coisas que as pessoas est\u00e3o pensando e n\u00e3o dizendo\u201d, explica. Em \u201cPeace of Earth\u201d, ele diz, carolamente, numa cita\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Lucas, que Jesus escreveu na can\u00e7\u00e3o as palavras que estavam atravessadas em sua garganta: \u201cpaz na terra\u201d. Em \u201cWalk On\u201d, faixa que traz o t\u00edtulo do \u00e1lbum, resume que voc\u00ea pode caminhar muito, mas o amor (ou a cicatriz do que um dia foi amor) \u00e9 a \u00fanica bagagem que voc\u00ea poder\u00e1 levar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como um todo, esse \u00e9 um disco que soa U2 a maior parte do tempo. Fogem do padr\u00e3o o delicioso altcountry \u201cWild Honey\u201d (\u201cNossa m\u00fasica mais alegre no disco\u201d, opina Adam), as ra\u00edzes negras norte-americanas presentes em \u201cIn a Little While\u201d (um territ\u00f3rio que a banda visitou em \u201cRattle and Hum\u201d, de 1988) e a gospel &#8220;Stuck in a Moment You Can&#8217;t Get Out Of&#8221;, sendo que a \u00faltima (segundo single do disco) teve papai Mick Jagger e sua filha Elizabeth encorpando o coro da can\u00e7\u00e3o em est\u00fadio, registro que ficou fora da mixagem final \u2013 mas cogita-se que pai e filha recebam um single de presente, especial, com a participa\u00e7\u00e3o. &#8220;Stuck in a Moment You Can&#8217;t Get Out Of&#8221; (uma conversa fict\u00edcia em que Bono tenta demover Michael Hutchence do suic\u00eddio) traz uma curiosidade particular: Brian Eno apostou 100 libras que essa ser\u00e1 reconhecida como a melhor m\u00fasica que o U2 escreveu. Ouvindo, podemos dizer que Eno perdeu a aposta, o que de maneira alguma quer dizer que a can\u00e7\u00e3o seja ruim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em meio a toda movimenta\u00e7\u00e3o de um \u00e1lbum in\u00e9dito, \u00e9 quase imposs\u00edvel fazer Bono falar do disco novo. Tudo que sai s\u00e3o meros rascunhos de opini\u00f5es e muitas brincadeiras. Numa delas, Bono disse que por pouco, muito pouco, o \u00e1lbum n\u00e3o chegou \u00e0s lojas com o t\u00edtulo de \u201cActually Pop\u201d, mas um trecho de \u201cWalk On\u201d foi a escolha final, n\u00e3o sem alguma resist\u00eancia: \u201cTodo mundo achou o t\u00edtulo muito longo e nem um pouco memor\u00e1vel\u201d, recorda Bono. \u201cA rea\u00e7\u00e3o de Larry foi: \u2018Isso nunca vai caber em uma camiseta\u2019\u201d, sarreia o vocalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retirar mais do que isso do vocalista \u00e9 tarefa \u00e1rdua. Sobram elogios aos shows do Radiohead e a voz de Thom Yorke, e reclama\u00e7\u00e3o contra o fato de ser uma celebridade. O mais sensato e s\u00e9rio que voc\u00ea ouve do vocalista, a respeito das letras, \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 tempo de ser po\u00e9tico, \u00e9 hora de levar realidade ao p\u00fablico. The Edge palpita sobre o novo disco dizendo esperar que ele os leve de volta, de alguma maneira, \u00e0 realidade. E prefere pensar na banda, e n\u00e3o no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A \u201cElevation Tour\u201d come\u00e7a em mar\u00e7o de 2001, em Miami, e a volta ao Brasil est\u00e1 marcada, inicialmente, para novembro de 2001 (nota do editor: a vinda acabou n\u00e3o se concretizando). Naquela caminhada sobre o palco do Morumbi, Bono dizia que sonhava em voltar a tocar em pequenos gin\u00e1sios. Com certeza, esse desejo permanecer\u00e1 um sonho. As can\u00e7\u00f5es do novo disco soam como hinos, s\u00e3o can\u00e7\u00f5es perfeitas para serem tocadas ao vivo, e cantadas por multid\u00f5es. Ent\u00e3o Bono ter\u00e1 que se contentar: n\u00e3o h\u00e1 jeito da banda abandonar os est\u00e1dios. O quarteto pode deixar de lado toda produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que caracterizou as duas \u00faltimas grandes turn\u00eas, mas n\u00e3o pode abrir m\u00e3o de tocar para multid\u00f5es. N\u00e3o pode deixar tudo isso para tr\u00e1s.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/05\/faixa-a-faixa-all-that-you-cant-leave-behind-u2\/\"><em>\u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d faixa a faixa, por Marcelo Costa<\/em><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 - Stuck In A Moment You Can&#039;t Get Out Of (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/R-BT2yzXP8w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 - Stateless (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VhR5Si0WoyE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 - Levitate (Lyric Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/en023xLSBMM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"U2 \u2013 All That You Can\u2019t Leave Behind 20th Anniversary (CD Unboxing Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sLH55GIaPTU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<br><\/strong>\u2013 &#8220;Songs of Experience&#8221; \u00e9 um U2 renovado, mas melanc\u00f3lico, por Rodrigo Salem (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/02\/musica-songs-of-experience-u2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<strong><br><\/strong>\u2013 U2 em S\u00e3o Paulo: The Joshua Tree Tour 2017 (Noite 2), por Marcio Guariba (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/10\/24\/u2-em-sao-paulo-the-joshua-tree-tour-2017-noite-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<strong><br><\/strong>\u2013 Especial \u2018Zooropa\u2019 20 anos \u2013 Seja tudo o que puder ser, por Marcio Guariba (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/05\/u2-zooropa-especial-20-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<strong><br><\/strong>\u2013 Especial \u2018War\u2019 30 anos \u2013 Os meninos v\u00e3o \u00e0 guerra, por Marcio Guariba (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/02\/13\/especial-u2-war-30-anos\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<strong><br><\/strong>\u2013 Live Youtube: a tecnologia caminha de m\u00e3os dadas com o U2, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/10\/26\/u2-ao-vivo-via-youtube\/\">aqui<\/a>)<strong><br><\/strong>\u2013 Os tr\u00eas primeiros \u00e1lbuns do U2 relan\u00e7ados em vers\u00e3o deluxe, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2008\/12\/09\/os-tres-primeiros-do-u2-em-versao-deluxe\/\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>)<br>\u2013 U2 em S\u00e3o Paulo: um megashow com jeito de festinha particular, por Tiago Agostini (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/u2insampa.htm\">aqui<\/a>)<br>\u2013 \u201cHow To Dismantle An Atomic Bomb\u201c: um disco frouxo do U2, por Jonas Lopes (<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/u2vertigo.html\">aqui<\/a>)<br>\u2013 Bono: um g\u00eanio de cora\u00e7\u00e3o mole ou um completo imbecil?, por Diego Fernandes (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/mais\/bono.htm\">aqui<\/a>)<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um texto de 20 anos atr\u00e1s para relembrar como foi ouvir \u201cAll That You Can&#8217;t Leave Behind\u201d, um dos primeiros grandes discos vazados na era Napster, no come\u00e7o do s\u00e9culo. O \u00e1lbum ser\u00e1 relan\u00e7ando em vers\u00e3o com 5 CDs ou 11 vinis!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/04\/20-anos-all-that-you-cant-leave-behind-u2\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":57646,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1722],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57645"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58488,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57645\/revisions\/58488"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57646"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}