{"id":57578,"date":"2020-09-29T00:28:35","date_gmt":"2020-09-29T03:28:35","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57578"},"modified":"2020-11-17T03:47:42","modified_gmt":"2020-11-17T06:47:42","slug":"entrevista-pedro-pastoriz-jogando-pingue-pongue-com-o-abismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/29\/entrevista-pedro-pastoriz-jogando-pingue-pongue-com-o-abismo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Pedro Pastoriz jogando \u201cPingue-Pongue com o Abismo&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cVim (de Porto Alegre para S\u00e3o Paulo) sem conhecer ningu\u00e9m, naquele querer ing\u00eanuo de viver de m\u00fasica, atr\u00e1s de uma novidade. (&#8230;) Depois de um ano, numa dieta de \u00e1gua da torneira, banana, pipoca e arroz com ketchup, com 63Kg e com os mesmos 1.88m, eu morava em uma pens\u00e3o e tinha algumas m\u00fasicas novas. J\u00e1 conhecia uns caras que moravam em Perdizes. Fiquei sabendo que eles procuravam algu\u00e9m pra alugar um quarto na casa deles. Eram os Mustache e os Apaches\u201d, conta <a href=\"http:\/\/trabalhosujo.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Pastoriz<\/a>, na entrevista abaixo, sobre a banda que ele passou a integrar e o revelou no cen\u00e1rio da m\u00fasica (e que ele deixou logo ap\u00f3s essa entrevista ir ao ar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m banda, Pedro mant\u00e9m uma carreira solo em franca ascens\u00e3o, que come\u00e7ou com um disco gravado em um take s\u00f3, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0NIp620Q9olRtXX8cvUXnm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1<\/a>\u201d (2015), ganhou contornos de banda no segundo disco, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6mkqCIVF3OvPf9KRnIMhg8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Proje\u00e7\u00f5es<\/a>\u201d (2016), que trazia Andr\u00e9 Vac na guitarra, o Arthur Decloedt no baixo e Tim Bernardes na bateria, e agora registra uma nova fase, com o excelente rec\u00e9m-lan\u00e7ado \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7F9OFZaRdzFfaUfwIUZ0nd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pingue-Pongue com o Abismo<\/a>\u201d (2020), que traz Charles Tixier na bateria (no lugar de Tim). \u201c\u2019Pingue-Pongue com o Abismo\u2019 tem muito da produ\u00e7\u00e3o do Charles e do Arthur, das ideias e conversas que fomos encontrando nos shows, e refer\u00eancias em comum que trouxemos pro est\u00fadio\u201d, revela Pedro no papo abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2018Pingue-Pongue com o Abismo\u2019 \u00e9 um lugar imagin\u00e1rio, uma metr\u00f3pole de papel\u00e3o, uma tarde ensolarada numa paisagem cinzenta, um brinquedo s\u00e9rio. Como em seus discos anteriores, Pedro Pastoriz condensa sensa\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es em can\u00e7\u00f5es que soam como cr\u00f4nicas, contos ou conversas, que descrevem relacionamentos, mem\u00f3rias e ansiedades\u201d, conta <a href=\"http:\/\/trabalhosujo.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o jornalista Alexandre Matias<\/a> no release do novo disco \u2013 segundo Pedro, Matias participou bastante das ideias fora do est\u00fadio. Na entrevista abaixo, feita por e-mail, Pedro fala sobre a teimosia de lan\u00e7ar o disco em meio a pandemia, crowdfunding, Carl Solomon e a experi\u00eancia de uma turn\u00ea na Alemanha, entre outras coisas. Papo bom!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Pastoriz - Chicletes Replay (Clipe Vertical)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4VEjZSDeF5g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente, eu gostaria de saber como voc\u00ea est\u00e1 passando esse per\u00edodo de pandemia, se voc\u00ea est\u00e1 bem e como toda essa loucura em que se transformou 2020 mexeu com voc\u00ea, afinal lan\u00e7ar um disco novo j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil em tempos normais, que dir\u00e1 nesse caos que estamos vivendo?<\/strong><br \/>\nNesses \u00faltimos meses tenho aprendido e repensado bastante coisa. Como o p\u00fablico interage com um disco, como pensar um disco, o que \u00e9 um show, enfim, vejo quase tudo de um jeito um diferente. Comecei a trabalhar nesse \u00e1lbum assim que finalizei o anterior, e foi um caminho que durou dois anos. Come\u00e7a com a contribui\u00e7\u00e3o dos parceiros que pegaram junto o desafio, Charles Tixier e Arthur Decloedt. Eles formam a banda e tamb\u00e9m produziram o disco, gravado no Est\u00fadio Canoa, a convite do amigo Gui Jesus Toledo. \u00c9 um lan\u00e7amento do Selo Risco, parceria que tinha come\u00e7ado no meu trabalho anterior, o \u201cProje\u00e7\u00f5es\u201d (2016). E no pr\u00e9-pandemia j\u00e1 t\u00ednhamos v\u00e1rios desafios, normais pra quem est\u00e1 acostumado a trabalhar com m\u00fasica autoral: gravar, finalizar, promover e excursionar com um disco novo. Nesse momento eu tinha datas do lan\u00e7amento e primeiros ensaios j\u00e1 marcados, e tudo parecia mais ou menos tranquilo. Bom, foi tudo cancelado por motivos \u00f3bvios. E restou o que pode se chamar teimosia de lan\u00e7ar esse disco. Entrei num processo de financiamento coletivo, e o p\u00fablico que me acompanha pegou junto na ideia. Essa conversa com o p\u00fablico foi a parte mais importante do trabalho. E foi bem at\u00edpico, com toda a comunica\u00e7\u00e3o nas redes sociais. Antes as redes sociais funcionavam praticamente s\u00f3 pra divulgar os shows, que eram o lugar pra esse encontro com o p\u00fablico acontecer. Ainda assim n\u00e3o vejo a hora de apresentar o show ao vivo, at\u00e9 porqu\u00ea tenho conversado com pessoas que n\u00e3o me conheciam antes desse disco, que ouvem agora os discos mas nunca assistiram o show.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Pingue-Pongue com o Abismo&#8221; \u00e9 fruto desse crowdfunding, e eu queria saber como foi essa experi\u00eancia de trabalhar com financiamento coletivo?<\/strong><br \/>\nFoi intenso, com emo\u00e7\u00e3o. Produzi esse financiamento sozinho. J\u00e1 tinha lan\u00e7ado o disco anterior por financiamento coletivo tamb\u00e9m, e acredito nesse formato. Aproxima o trabalho do p\u00fablico, \u00e9 uma maneira de contar mais do processo, de como foram as etapas, e tamb\u00e9m de se criar materiais que n\u00e3o existiriam fora desse processo. Como no caso do zine com os di\u00e1rios da grava\u00e7\u00e3o, onde eu conto sobre como foram as di\u00e1rias, de onde vieram as composi\u00e7\u00f5es, e tem algumas listas de filmes e livros, piadas, desenhos. \u00c9 uma organiza\u00e7\u00e3o dos di\u00e1rios que eu escrevi no est\u00fadio, nessa \u00e9poca de grava\u00e7\u00e3o. Uma outra contrapartida s\u00e3o demos do disco, da fase de pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o, gravadas em casa. J\u00e1 estou na \u00faltima etapa desse processo, momento de entrega dessas contrapartidas. Abrir o financiamento no in\u00edcio da pandemia me rendeu alguns conselhos pessimistas, talvez bem sensatos, mas s\u00f3 fez aumentar a satisfa\u00e7\u00e3o de quando recebi a not\u00edcia de que tinha sido aprovado. \u00c0s vezes ajuda n\u00e3o ter o plano B, e foi a solu\u00e7\u00e3o pra lan\u00e7ar o disco f\u00edsico, p\u00f4steres, camisetas, que far\u00e3o parte da lojinha logo depois de finalizar essa etapa da entrega pras pessoas que participaram do financiamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como &#8220;<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/literatura\/uivoeoutrospoemas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Uivo<\/a>&#8221; e Allen Ginsberg entraram na sua vida e como foi traz\u00ea-los, de alguma forma, para o disco?<\/strong><br \/>\nO \u201cUivo\u201d talvez seja o maior poema Beat, ou o mais conhecido, e \u00e9 dedicado pra esse amigo do Allen Ginsberg, o Carl Solomon. Tem uma passagem que diz: \u201cEstou contigo em Rockland \/ Onde voc\u00ea grita numa camisa-de-for\u00e7a que est\u00e1 perdendo o jogo do verdadeiro pingue-pongue com o abismo\u201d. Eu conheci o livro do Carl Solomon, \u201cDe Repente Acidentes\u201d, com 18 ou 19 anos, um pouco antes de vir morar em S\u00e3o Paulo. Tinha come\u00e7ado a morar sozinho, trabalhava em com\u00e9rcio, e fazia bicos em bares, tentando fazer algum dinheiro. Foi uma \u00e9poca tipo aquela carta do Tarot do Enforcado, o cara que v\u00ea com clareza um mundo de cabe\u00e7a pra baixo. E esse livro me marcou, foi a primeira vez que eu reli um livro v\u00e1rias vezes. Ficava andando com ele debaixo do bra\u00e7o por a\u00ed. Foi um livro que me abriu pra coisas novas. A vida continuou, dei falta desse livro. Achei o livro em algum sebo, li novamente e n\u00e3o senti o mesmo \u00eaxtase, mas foi uma janela pra esse outro per\u00edodo da vida. Reencontrar um livro ou m\u00fasica tem esse poder, de transportar no tempo, pra percep\u00e7\u00f5es que t\u00ednhamos quando descobrimos aquilo, etc. Quase acabando de reler o livro, recebi a liga\u00e7\u00e3o de que minha m\u00e3e tinha falecido. Isso foi em Mar\u00e7o de 2018. Peguei o primeiro avi\u00e3o pra Porto Alegre e me dei conta quando cheguei por l\u00e1, que estava de novo com o \u201cDe Repente Acidentes\u201d debaixo do bra\u00e7o, caminhando em Porto Alegre. Muitas associa\u00e7\u00f5es rolaram. E esse disco fecha alguns ciclos e repeti\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tive muita d\u00favida, era o \u201cPingue-Pongue com o Abismo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No que as mudan\u00e7as de sua banda, principalmente com a sa\u00edda do Tim Bernardes (que tocou no \u00e1lbum e na turn\u00ea do &#8220;Proje\u00e7\u00f5es&#8221;) e a entrada de Charles Tixier, influenciaram na sonoridade de &#8220;Pingue-Pongue com o Abismo&#8221;? Como voc\u00ea o v\u00ea em compara\u00e7\u00e3o com o \u201cProje\u00e7\u00f5es&#8221;?<\/strong><br \/>\nO disco anterior teve um cuidado maior na fase de produ\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao meu primeiro disco, o \u201c1\u201d. No caso do \u201c1\u201d (2015) eu gravei todo \u00e1lbum em \u00fanico take, uma di\u00e1ria. E mais do que tudo eu queria gravar, sem pensar muito nos desdobramentos disso. Convites de show apareceram, consegui cumprir uma ideia de turn\u00ea do primeiro disco e parti pro segundo. No \u201cProje\u00e7\u00f5es\u201d eu curtia muito tocar com aquela banda, com o Tim Bernardes na bateria, Andr\u00e9 Vac na guitarra e o Arthur Decloedt no baixo. Tinha um entrosamento, um senso de humor em comum que rolou f\u00e1cil com os caras. Mas no caso dessa banda tamb\u00e9m pens\u00e1vamos em gravar o disco, e n\u00e3o muito na continuidade daquilo, Tim e o Vac j\u00e1 tinham compromissos com outras bandas. Da\u00ed logo que finalizamos as grava\u00e7\u00f5es do \u201cProje\u00e7\u00f5es\u201d (2016-17), eu j\u00e1 trouxe algumas m\u00fasicas novas pro repert\u00f3rio, numa ideia de continuar o trabalho. Os shows continuaram e come\u00e7aram a rolar trocas na banda, at\u00e9 que o Charles Tixier entrou na bateria e a banda firmou, ganhou um entrosamento interessante com a combina\u00e7\u00e3o de MPC e Synths \/Baixo\/ Guitarra. Ali sentimos que tinha uma cara legal pra um novo trabalho. Em 2018 a gente tinha a ideia de gravar um disco novo, e tudo parou por conta dessa perda inesperada da minha m\u00e3e, e fiquei meses depois disso concentrando for\u00e7as pra conseguir fazer a barba e coisas profissionais do tipo. Em 2019 retomei a ideia, e o som do \u201cPingue-Pongue com o Abismo\u201d tem muito da produ\u00e7\u00e3o do Charles e do Arthur, das ideias e conversas que fomos encontrando nos shows, e refer\u00eancias em comum que trouxemos pro est\u00fadio. Foi um processo entre composi\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o um pouco mais longo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiram as ideias das vinhetas? Foi algo no processo que despertou o interesse e levou voc\u00eas para esse caminho ou j\u00e1 era uma coisa planejada desde o in\u00edcio?<\/strong><br \/>\nAs sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o foram espa\u00e7adas no segundo semestre de 2019, e em algum momento senti que faltava alguma coisa. Como quem cozinha mesmo, estava faltando algum outro gosto pra equilibrar com essas primeiras m\u00fasicas. E conversando com um amigo que participou bastante das ideias fora do est\u00fadio, o jornalista Alexandre Matias, marcamos um \u201cShow Teste\u201d no Teatro Centro da Terra em S\u00e3o Paulo. Um pouco pra testar o repert\u00f3rio e ideias que n\u00e3o sabia como iriam funcionar. Esse show foi o primeiro de 26. Tomei gosto e queria repensar mais coisas sobre o repert\u00f3rio, nessa rela\u00e7\u00e3o direta com o p\u00fablico, que era uma coisa que estava sentindo falta. L\u00e1 por 2011\/12 com os Mustache e os Apaches, a gente tocava dias inteiros nas ruas, e muito material novo pinta quando tem essa intera\u00e7\u00e3o viva com o p\u00fablico. Coisas boas ficam pro pr\u00f3ximo show, outras v\u00e3o mudando. Ent\u00e3o marquei mais alguns shows teste e a cada novo que eu fazia, mais shows pintavam. Veio o convite de um amigo cantor sueco, Adam Evald, pra abrir 15 shows dele em uma turn\u00ea na Alemanha. E eu fui com \u201cEsse show \u00e9 um teste &#8211; Diese Show ist ein Test\u201d. Tinha participa\u00e7\u00f5es especiais a cada edi\u00e7\u00e3o, foi ganhando uma cara de show de variedades, com hist\u00f3rias, piadas, etc. Voltei pro est\u00fadio e trouxe bastante ideia nova, algumas que tinham mais a ver com as m\u00fasicas que j\u00e1 tinham sido gravadas entraram, como as vinhetas. Algumas n\u00e3o entraram, liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas e outras coisas que ficaram guardadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Me fala mais dessa experi\u00eancia na Alemanha? Como foi desde o entrave da l\u00edngua at\u00e9 a percep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico local e da pr\u00f3pria emo\u00e7\u00e3o em estar tocando em um pa\u00eds diferente?<\/strong><br \/>\nFoi uma experi\u00eancia incr\u00edvel. Eu gosto de tocar todo dia, acho que traz entrosamento, naturalidade, mesmo tocando sozinho. Esse show de abertura dos shows do Adam Evald, meu amigo sueco que me convidou pra entrar na turn\u00ea, foi aos poucos virando uma coisa s\u00f3. Espero que a gente possa retomar em algum momento esse show conjunto aqui no Brasil. Ele tem um show muito bom, com hist\u00f3rias, conversas e momentos improvisados entre as m\u00fasicas, e a gente foi bastante pra esse lado. A gente ficou muito \u00edntimo, cruzamos a Alemanha tocando todo o dia, o Adam dirigiu o tempo todo. Em alguns lugares como Munique, Hamburgo e Stuttgart tocamos pra um p\u00fablico de universit\u00e1rios, a recep\u00e7\u00e3o foi muito boa. E muita coisa nova pintou desses shows, eu falava todos os textos em ingl\u00eas, e me senti compreendido. Uma parte da turn\u00ea aconteceu em cidades do interior. Na Alemanha parece que existe uma tradi\u00e7\u00e3o de apresenta\u00e7\u00f5es caseiras, em salas e jardins, onde cada pessoa traz uma comida, e tu se apresenta pra 20, 30 pessoas que est\u00e3o confort\u00e1veis, atentas, interessadas. E algumas apresenta\u00e7\u00f5es como em Dresden foram assim, pra pequenos p\u00fablicos. E a gente quebrava o gelo com essas conversas, com hist\u00f3rias dos shows anteriores e da turn\u00ea, e hist\u00f3rias nonsense inventadas sobre o Brasil e a Su\u00e9cia. Tivemos alguns shows muito inesperados, como em Senden, onde apresentamos em um show beneficente, abrindo uma programa\u00e7\u00e3o com bandas folcl\u00f3ricas alem\u00e3s e um cover italiano do Michael Jackson. Esse foi um dos shows mais engra\u00e7ados que eu fiz na minha vida, fui pro hotel com c\u00e2imbras de tanto rir. Ainda tenho o diploma que nos foi entregue, dizendo que contribu\u00edmos com o bem estar das criancinhas de Senden. E muita coisa do tipo rolou. Foi foda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea ainda est\u00e1 morando em S\u00e3o Paulo? Queria saber como foi essa mudan\u00e7a de Porto Alegre para c\u00e1 e como voc\u00ea se sente hoje nessa cidade maluca?<\/strong><br \/>\nSim, n\u00e3o t\u00f4 conseguindo curtir o lado bom da cidade nesses \u00faltimos meses, mas me sinto bem aqui. Sobre a chegada, vim sem conhecer ningu\u00e9m, naquele querer ing\u00eanuo de viver de m\u00fasica, atr\u00e1s de uma novidade. Eu era bem teimoso, me ajudou a seguir fazendo planos por aqui. Depois de um ano, numa dieta de \u00e1gua da torneira, banana, pipoca e arroz com ketchup, com 63Kg e com os mesmos 1.88m, eu morava em uma pens\u00e3o e tinha algumas m\u00fasicas novas. J\u00e1 conhecia uns caras que moravam em Perdizes. Fiquei sabendo que eles procuravam algu\u00e9m pra alugar um quarto na casa deles. Eram os Mustache e os Apaches. Chegando l\u00e1 eu j\u00e1 tinha o plano feito na cabe\u00e7a de fazer uma banda de Skiffle com eles, e eles j\u00e1 tinham o h\u00e1bito de inventar n\u00fameros de improviso pra tocar nos bares. Da\u00ed come\u00e7ou a banda. \u00c9 uma banda bem paulista, conheci muita gente legal a partir da\u00ed. Em algum momento vim pro Centro, me apaixonei, fiquei mais realista, e sigo com planos na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Caetano <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/12\/infografico-os-numeros-da-live-lenda-de-caetano-veloso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em sua live<\/a> causou certa como\u00e7\u00e3o no p\u00fablico ao ter Moreno tocando prato e faca. Como \u00e9 ter um solo de liquificador e um tocador de ta\u00e7as no \u00e1lbum? Como essas coisas entram no processo de arranjo?<\/strong><br \/>\nQueria muito a participa\u00e7\u00e3o do Tom\u00e1s Oliveira, meu companheiro de Mustache e os Apaches, que inventou esse instrumento, a Harpa de Vidro. S\u00e3o ta\u00e7as que ele toca com os dedos molhados, e tem um som muito interessante. Gravamos bolhas de sab\u00e3o, liquidificador e outras coisas do tipo, procurando sons que estavam na cabe\u00e7a, e quase tudo entrou. Foi bem livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Pingue-Pongue com o Abismo&#8221; tamb\u00e9m tem uma forte liga\u00e7\u00e3o com a partida da sua m\u00e3e, e achei muito bonito a maneira que voc\u00ea expressou isso para explicar &#8220;Alzira&#8221; <a href=\"https:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/2020\/09\/08\/pedro-pastoriz-faixa-a-faixa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">no faixa a faixa que o Tenho Mais Discos Que Amigos publicou<\/a>. Como era sua rela\u00e7\u00e3o com ela e como foi lidar com todos esses sentimentos no meio da produ\u00e7\u00e3o do disco?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o consegui pensar de forma muito racional e controlada no processo de composi\u00e7\u00e3o dessas m\u00fasicas. Muitas das m\u00fasicas vieram de imagens que tive em sonho, e meu inconsciente traduziu o dia a dia em cenas improv\u00e1veis. Fui por esse lado. E sei que pessoas que fazem parte da minha hist\u00f3ria tem dificuldades em ouvir o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea est\u00e1 planejando para os pr\u00f3ximos meses? O disco saiu e, acredito, voc\u00ea n\u00e3o conseguiu nem fazer shows para mostra-lo. Os clipes, felizmente, est\u00e3o saindo. O que vem mais por ai? Qual o futuro de &#8220;Pingue-Pongue com o Abismo\u201d?<\/strong><br \/>\nConforme as semanas foram passando nessa quarentena eu pensei em novas formas de me apresentar, em uma ideia de show, de di\u00e1logo com o p\u00fablico a partir da internet. E <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/pedropastoriz\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tenho feito um programa quinzenal caseiro<\/a>, em uma ideia de show. \u00c9 o Comit\u00ea, tem 10 minutos em m\u00e9dia por epis\u00f3dio, misturando coisas que invento na semana, pequenas esquetes, curtinhas em stop motion, m\u00fasicas em vers\u00f5es caseiras, conto hist\u00f3rias, respondo perguntas do p\u00fablico, etc. O programa j\u00e1 teve 8 epis\u00f3dios, e eu fa\u00e7o tudo no programa, edi\u00e7\u00e3o, roteiro, filmagem, etc. \u00c9 uma ideia de \u201cshow\u201d que t\u00f4 curtindo fazer no momento. Participei tamb\u00e9m de algumas lives, m\u00fasicais ou bate papos com amigos, e outras vir\u00e3o. Espero que shows presenciais aconte\u00e7am ainda nesse ano, estou com saudade de tocar ao vivo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Pastoriz - Dolores\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NsdpF1pVRPc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pedro Pastoriz - Fric\u00e7\u00e3o (Video-letra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xQIcKeiYwec?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Comit\u00ea # 8 (Programa Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Fsc12YRh1SA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina o blog&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Integrante da Mustache &#038; os Apaches, Pedro Pastoriz mant\u00e9m uma produtiva carreira solo que chega, em 2020, ao seu terceiro disco. Nesta conversa, Pedro fala sobre a teimosia de lan\u00e7ar um disco em meio a pandemia, crowdfunding, Carl Solomon e a experi\u00eancia de uma turn\u00ea na Alemanha&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/29\/entrevista-pedro-pastoriz-jogando-pingue-pongue-com-o-abismo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":57579,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1345],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57578"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57578\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58515,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57578\/revisions\/58515"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}