{"id":5757,"date":"2010-08-28T20:30:15","date_gmt":"2010-08-28T23:30:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5757"},"modified":"2010-08-31T00:41:54","modified_gmt":"2010-08-31T03:41:54","slug":"dvd-amores-brutos-inarritu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/28\/dvd-amores-brutos-inarritu\/","title":{"rendered":"DVD: Amores Brutos, In\u00e3rritu"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-5758\" title=\"amores_perros\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/amores_perros.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/amores_perros.jpg 250w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/amores_perros-213x300.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por Miguel F. Luna<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>Texto publicado no Scream &amp; Yell em 24\/05\/2002<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Filme mexicano? Quase tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o? Sobre cachorros? Com amor no t\u00edtulo? T\u00f4 fora&#8221;. \u00c9 mais ou menos o que se ouviu sair de muita boca precipitada por a\u00ed. Tudo bem, M\u00e9xico e amor s\u00e3o palavras que quando muito pr\u00f3ximas nos fazem lembrar daquelas novelas de t\u00edtulos impag\u00e1veis que o SBT compra a toque de caixa, \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa hora muita gente nem quer saber se o tal &#8220;Amores Brutos&#8221; (&#8220;Amores Perros&#8221;, no original, lembrando que perro \u00e9 cachorro em espanhol) ganhou pr\u00eamio da Mostra Internacional ou se foi indicado como filme estrangeiro ao Globo de Ouro e ao Oscar. E o medo de pagar ingresso e dar de cara com a Maria-n\u00e3o-sei-das-quantas e seu penteado de baile de formatura chorando pelo amor de Ram\u00f3n, o bigodudo galanteador?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem. Esque\u00e7a novelas, estere\u00f3tipos, pr\u00eamios, tudo. O diretor Alejandro Gonz\u00e1lez In\u00e3rritu e seus 150 minutos de amores realmente brutos sem d\u00favida fazem valer o ingresso. Contando tr\u00eas hist\u00f3rias distintas por\u00e9m interligadas, o filme conecta diferentes mundos atrav\u00e9s de um acidente de carro onde se envolvem Octavio (Gael Garc\u00eda Bernal), um rapaz metido com apostas ilegais em rinhas de c\u00e3es, e Valeria (Goya Toledo), uma celebridade do mundo da moda. A principal testemunha \u00e9 El Chivo &#8211; O Bode (Emilio Echevarr\u00eda), ex-guerrilheiro, hoje mendigo e matador-de-aluguel. Tr\u00eas personagens, tr\u00eas mundos, tr\u00eas hist\u00f3rias. O lugar comum: a brutalidade do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Valendo-se das diferen\u00e7as entre a atmosfera de cada hist\u00f3ria, o filme encontra equil\u00edbrio entre a ferocidade da primeira, um thriller com direito a espancamentos e persegui\u00e7\u00f5es com carros, a naturalidade e fluidez da segunda, que provavelmente nem precisaria de di\u00e1logo algum para se fazer presente na balan\u00e7a, e a introspec\u00e7\u00e3o e o suspense da terceira, que fecha o ciclo de forma sublime. Assim sendo, o diretor consegue pintar o amor com cores completamente distintas para, ao contr\u00e1rio, mostrar a universalidade do mesmo. Muda a roupa e o tipo do amor, mas a visceralidade e a ess\u00eancia revelam-se as mesmas. Para completar, o modo como o destino das personagens \u00e9 tra\u00e7ado ao longo do roteiro a partir de mudan\u00e7as causadas pelo relacionamento entre elas e seus c\u00e3es \u00e9 sensacional, ainda que isso possa inicialmente passar desapercebido para o espectador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 muita refer\u00eancia a ser dada em rela\u00e7\u00e3o ao elenco, pois \u00e9 bem prov\u00e1vel que qualquer ator mirim iraniano seja mais conhecido do que qualquer um dos execelentes atores de &#8220;Amores Brutos&#8221;. Basta dizer que as atua\u00e7\u00f5es s\u00e3o no m\u00ednimo satisfat\u00f3rias, isso para n\u00e3o correr o risco de pecar pelo exagero e classificar todas como \u00f3timas, tenta\u00e7\u00e3o que certamente \u00e9 despertada em grande parte do p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gael Garc\u00eda Bernal, o jovem Octavio, esbanja talento e cara de bom mo\u00e7o, al\u00e9m do jeit\u00e3o rom\u00e2ntico de gal\u00e3 latino. Goya Toledo, a loirona de pernas longas no papel da modelo Valeria, lembra uma Rebecca De Mornay menos psicopata. Emilio Echevarr\u00eda, o mendigo mercen\u00e1rio de personalidade e passado complexos, tem atua\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel e \u00e9 realmente a estrela do filme. Talvez nem Sir Sean Connery teria feito um sujismundo t\u00e3o convincente e de olhar t\u00e3o expressivo. E ainda h\u00e1 lugar para boas interpreta\u00e7\u00f5es em pap\u00e9is coadjuvantes como o de um t\u00edpico dono de casa de apostas clandestina, um amigo meio clubber, um rom\u00e2ntico infiel, um yuppie, e por a\u00ed vai. Al\u00e9m, \u00e9 claro, de c\u00e3es. V\u00e1rios c\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme mostra-se din\u00e2mico, principalmente quando alterna entre uma hist\u00f3ria e outra. Da mesma forma, consegue ser violento sem ser gratuito. Entre trag\u00e9dias, romances e trai\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios tipos, h\u00e1 tamb\u00e9m espa\u00e7o para algumas boas risadas. Ao contr\u00e1rio do que pode-se imaginar, o espet\u00e1culo \u00e9 urbano e n\u00e3o h\u00e1 regionalismo algum. Fora a loca\u00e7\u00e3o &#8211; a Cidade do M\u00e9xico &#8211; e o idioma espanhol no qual o filme \u00e9 falado, tudo \u00e9 t\u00e3o internacional quanto qualquer produ\u00e7\u00e3o hollywoodiana. Portanto, n\u00e3o espere um Central do M\u00e9xico com esta\u00e7\u00f5es de trem e analfabetos ditando cartas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 90% do filme o clima \u00e9 de caos completo. In\u00e3rritu e seu roteirista, Guillermo Arriaga, n\u00e3o d\u00e3o um segundo de esperan\u00e7a ao espectador e passam todo o tempo desenhando fam\u00edlias desestruturadas vivendo em uma cidade ca\u00f3tica. A fam\u00edlia, inclusive, \u00e9 o foco principal dos ataques do roteiro com a trai\u00e7\u00e3o de irm\u00e3os em foco. Por\u00e9m, ap\u00f3s jogar o p\u00fablico na vala do final dos tempos, &#8220;Amores Perros&#8221; se v\u00ea abra\u00e7ando um final moralista, cuja saida para a sociedade, defendida pelo personagem El Chivo, \u00e9 o abandono da cidade grande e a volta para o campo. Muitos cidad\u00e3os de S\u00e3o Paulo v\u00e3o entender o recado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da experi\u00eancia em si pode-se tirar pelo menos tr\u00eas conclus\u00f5es, para continuar no embalo do n\u00famero. A primeira delas \u00e9 que novela mexicana assusta mesmo, mas os filmes podem valer a pena. A segunda, e talvez mais importante, \u00e9 que \u00e0s vezes o amor pode aparecer de forma rude e tosca, mas nem por isso deixa de ser aut\u00eantico e belo. E, por fim, a mais inusitada. Um cachorro pode realmente mudar a sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-5759 aligncenter\" title=\"amores1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/amores1.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/amores1.jpg 605w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/amores1-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Miguel F. Luna\n&#8220;Filme mexicano? Quase tr\u00eas horas de dura\u00e7\u00e3o? Sobre cachorros? Com amor no t\u00edtulo? T\u00f4 fora&#8221;. N\u00e3o cometa esse erro&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/28\/dvd-amores-brutos-inarritu\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5757"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5757"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5785,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5757\/revisions\/5785"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}