{"id":57477,"date":"2020-09-24T23:15:45","date_gmt":"2020-09-25T02:15:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57477"},"modified":"2023-01-03T01:34:24","modified_gmt":"2023-01-03T04:34:24","slug":"discografia-comentada-gal-costa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/24\/discografia-comentada-gal-costa\/","title":{"rendered":"Discografia comentada: Gal Costa"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>discografia comentada por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascida em Salvador em 26 de setembro de 1945, Maria da Gra\u00e7a Costa Penna Burgos tornou-se Gal Costa. Foi a voz do Tropicalismo, foi musa do desbunde, s\u00edmbolo sexual e de liberdade para uma gera\u00e7\u00e3o e \u00e9, para muitos, a maior voz brasileira, incluindo a\u00ed a opini\u00e3o de Elis Regina, que certa vez sentenciou: \u201cNeste pa\u00eds s\u00f3 duas cantam: Gal e eu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao inv\u00e9s de qualquer tentativa nova de definir Gal \u00e9 melhor retomar a fala de Tom Z\u00e9 l\u00e1 no Programa Ensaio, da TV Cultura, em 1970:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8220;Sabe uma faca me rasgando, um mundo se acabando, num sei. Gal Costa cantora, Gal Costa a mulher, a mulher terr\u00edvel, a mulher linda, a noiva, a morta, a vi\u00fava, a maravilha: \u00e9 muito dif\u00edcil falar essas coisas, eu n\u00e3o sei. A Gal Costa sempre me trata com choques el\u00e9tricos, e eu chego pra ver ela e me arrebento por ela e me desarrumo por ela, n\u00e3o sei, \u00e9 sempre surpreendente, eu nunca sei o que vai acontecer, e cada vez \u00e9 como se a vida tivesse (sic) se partindo, se come\u00e7ando, se acabando&#8230; Gal Costa \u00e9 muito maravilhosa.&#8221;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O come\u00e7o<\/strong><br \/>\nA primeira apari\u00e7\u00e3o de Gal, ainda como Maria da Gra\u00e7a, foi em 1964, no show \u201cN\u00f3s, Por Exemplo\u201d, em Salvador, ao lado de Maria Beth\u00e2nia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Z\u00e9 e outros. Ap\u00f3s alguns shows na capital baiana, Beth\u00e2nia mudou-se para o Rio de Janeiro para substituir Nara Le\u00e3o no show \u201cOpini\u00e3o\u201d e na bagagem trouxe Caetano e Maria da Gra\u00e7a. Ela aparece cantando pela primeira vez na faixa \u201cSol Negro\u201d, ao lado de Beth\u00e2nia, em seu disco de estreia, de 1965. Nesse mesmo ano ela lan\u00e7a \u201cMaria da Gra\u00e7a\u201d, um compacto com as faixas \u201cEu vim da Bahia\u201d (Gil) e \u201cSim, Foi Voc\u00ea\u201d (Caetano), duas m\u00fasicas curtinhas e singelas, com ares de bossa nova. Em 1966, o empres\u00e1rio Guilherme Ara\u00fajo insiste que Maria da Gra\u00e7a deveria se chamar Gal, j\u00e1 Caetano Veloso queria apenas Gau. No fim, tornou-se Gal Costa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57479\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal1-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o novo nome, Gal lan\u00e7a \u201cDomingo\u201d (1967), sua estreia ao lado de Caetano, com 12 can\u00e7\u00f5es bossa-novistas: calminhos, banquinho-e-viol\u00e3o. Desse disco se destaca o dueto em \u201cCora\u00e7\u00e3o Vagabundo\u201d, de uma delicadeza \u00edmpar, que mostra o quanto o Caetano compositor tinha a oferecer e j\u00e1 define que Gal \u00e9 a melhor voz para suas composi\u00e7\u00f5es. De dura\u00e7\u00e3o curta, \u201cDomingo\u201d ainda tem como destaque a delicada \u201cZabel\u00ea\u201d (Gilberto Gil \/ Torquato Neto), que encerra o disco com aquele sabor agridoce da bossa nova apaixonada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois disso, os dois apareceriam em \u2018Tropicalia ou Panis et Circenses\u2019 (1968), disco marco do movimento de mesmo nome, ao lado de Gil, Tom Z\u00e9, Nara Le\u00e3o e Os Mutantes. Um dos momentos mais importantes da carreira de Gal aparece aqui: a faixa \u201cBaby\u201d, cantada em parceria com Caetano. Para al\u00e9m das can\u00e7\u00f5es com o grupo, o \u00fanico momento em que Gal aparece sozinha \u00e9 na bel\u00edssima \u201cMam\u00e3e, Coragem\u201d (Torquato Neto). Daqui em diante, ela come\u00e7a a lan\u00e7ar discos como solista. E o primeiro \u00e9&#8230;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57480\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal2-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal Costa\u201d (1969)<\/strong><br \/>\nMesmo ap\u00f3s o \u201cTropicalia ou Panis et Circenses\u201d, Gal ainda era uma figura atrelada \u00e0 Bossa Nova, at\u00e9 que, em novembro de 1968, ela surge no palco do IV Festival da M\u00fasica Popular Brasileira, da TV Record, com um visual moderno e um colar de espelhos, cantando \u201cDivino Maravilhoso\u201d, com toda uma pot\u00eancia vocal que nem ela mesma sabia ter. Era definitivo: Gal era rock \u2018n\u2019 roll; Gal era a musa tropicalista. Por\u00e9m o clima era de tens\u00e3o nas ruas do pa\u00eds, tanto que o disco de estreia de Gal, mesmo j\u00e1 gravado, teve seu lan\u00e7amento adiado, chegando \u00e0s lojas s\u00f3 em 1969. O lan\u00e7amento foi um estouro, vendendo mais de 100 mil c\u00f3pias e reunindo a avassaladora \u201cDivino Maravilhoso\u201d com p\u00e9rolas como \u201cBaby\u201d, \u201cQue Pena\u201d, \u201cN\u00e3o Identificado\u201d e at\u00e9 uma curiosa vers\u00e3o do cl\u00e1ssico junino \u201cSebastiana\u201d (Rosil Caetano). A versatilidade de Gal \u00e9 provada nas grava\u00e7\u00f5es de Roberto e Erasmo Carlos (na \u00e9poca, desdenhados pelos m\u00fasicos da MPB) em \u201cSe Voc\u00ea Pensa\u201d e \u201cVou Recome\u00e7ar\u201d. Com arranjos de Gilberto Gil, Rog\u00e9rio Duprat e Lanny Gordin, o disco autointitulado \u00e9 um pontap\u00e9 na porta da comportada m\u00fasica nacional. E a ousadia de Gal rendeu, pois \u201cN\u00e3o Identificado\u201d e \u201cQue Pena\u201d permaneceram tr\u00eas meses nas paradas de sucesso do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cN\u00e3o Identificado\u201d, \u201cBaby\u201d e \u201cDeus \u00e9 Amor\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSe Voc\u00ea Pensa\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57481\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal3-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal\u201d (1969)<\/strong><br \/>\nDepois do sucesso do disco de estreia, o clima se tornou ainda mais tenso no pa\u00eds: a ditadura se torna mais repressora e Caetano e Gil v\u00e3o para Londres, exilados. Gal, sozinha e com raiva, une-se a Jards Macal\u00e9 e transforma sua ira em disco, intitulado apenas \u201cGal\u201d e lan\u00e7ado ainda em 1969. Conhecido como \u201co disco psicod\u00e9lico\u201d, esse \u00e9 o \u00e1lbum mais ousado da baiana, que, influenciada pelo canto de Janis Joplin e pelas guitarras de Jimi Hendrix, transborda sua raiva em gritos agudos e numa intensidade poucas vezes vistas na m\u00fasica comercial brasileira. Gal berrava que n\u00e3o queria mais tardes \u201cmornais, normais\u201d em \u201cCinema Olympia\u201d e n\u00e3o tinha medo de cantar: \u201ca cultura e a civiliza\u00e7\u00e3o, elas que se danem\u201d. Experimental, sujo e ousado, o disco traz dois cl\u00e1ssicos populares: \u201cPa\u00eds Tropical\u201d (Jorge Ben), em uma vers\u00e3o rock, com backing vocals de Gil e Caetano; e \u201cMeu Nome \u00e9 Gal\u201d, escrita por Roberto e Erasmo, especialmente para cantora, e que se tornaria seu hino. O \u00e1lbum captura todas as tens\u00f5es e o medo de Gal, que se via sozinha como porta-voz de um movimento, o Tropicalismo, que viu seus maiores expoentes irem embora. \u201cGal\u201d \u00e9 um \u00e1lbum primordial para aquilo que chamamos de \u201crock nacional\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cCinema Olympia\u201d, \u201cCultura e Civiliza\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cCom medo, com Pedro\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cMeu nome \u00e9 Gal\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57482\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal4-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLeGal\u201d (1970)<\/strong><br \/>\nPassando a virada do ano junto de Gil, Caetano e mais uma galera em Londres, a cantora voltou com a bagagem cheia de m\u00fasicas, inclusive a cl\u00e1ssica \u201cLondon, London\u201d (que catapultaria o RPM ao megaestrelado nos anos 80). \u201cLeGal\u201d \u00e9 um disco m\u00faltiplo, de uma Gal que tenta encontrar seu espa\u00e7o, mas deixando claro que o ide\u00e1rio do Tropicalismo ainda estava ali; e para isso ela canta rocks, bai\u00f5es, frevos e bossas, tudo com aquele ar despreocupado e despudorado da Gal de in\u00edcio de carreira. As experi\u00eancias de Caetano em Londres, assim como a r\u00e1pida passagem dela por l\u00e1, aparecem no disco, como no frevo de guitarras distorcidas \u201cDeixe Sangrar\u201d, uma brincadeira com \u201cLet It Bleed\u201d, dos Rolling Stones, ou em \u201cLove, Try and Die\u201d (da pr\u00f3pria Gal, junto de Jards Macal\u00e9 e Lanny Gordin), que tem um ar moderno e zombeteiro \u00e0 la Mutantes. Com capa de H\u00e9lio Oiticica, onde o mundo e as faixas surgem sobre os cabelos da cantora, este \u00e9 um \u00e1lbum lim\u00edtrofe: entre a Gal tropicalista e a Gal musa do desbunde. Tendo como carros chefes as faixas \u201cLondon, London\u201d e a \u00f3tima vers\u00e3o de \u201cEu Sou Terr\u00edvel\u201d, o \u00e1lbum foi um grande sucesso comercial, que depois culminou no hist\u00f3rico show \u201cFa-Tal \u2013 Gal A Todo Vapor\u201d, de 1971, e no disco seguinte&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cEu sou terr\u00edvel\u201d, \u201cDeixa Sangrar\u201d e \u201cLondon, London\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cHotel das Estrelas\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57483\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal5-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFa-Tal \u2013 Gal a todo vapor\u201d (1971)<\/strong><br \/>\nNo final de 1971, Gal se reuniu ao poeta Waly Salom\u00e3o para o espet\u00e1culo \u201cA Todo Vapor\u201d, que seria encenado no rec\u00e9m aberto Teatro Tereza Raquel (atual Teatro Net Rio), em Copacabana. O espet\u00e1culo se tornaria parte daquele ver\u00e3o: a galera moderna ficava a tarde toda em Ipanema (ali pelo posto 9, na \u00e9poca as chamadas \u201cDunas de Gal\u201d), depois saia, tirava a areia do corpo e ia para \u201cFa-Tal\u201d. Estava posto um dos shows mais importantes da d\u00e9cada e da m\u00fasica nacional. Gal era assim a musa do desbunde e \u201cFa-Tal\u201d o \u00e1pice da contracultura nacional. A gravadora Philips aproveitou e gravou o show ao vivo e lan\u00e7ou em um disco duplo (o primeiro da m\u00fasica brasileira), que apresenta ru\u00eddos, falhas de improviso e at\u00e9 um viol\u00e3o que cai no ch\u00e3o. No quesito musical, \u201cFa-Tal\u201d mescla um cancioneiro cl\u00e1ssico de faixas como \u201cAssum Preto\u201d ou \u201cFruta Gog\u00f3ia\u201d as modernidades de Caetano e Jards Macal\u00e9. Uma das novidades trazidas no show \u00e9 a faixa \u201cP\u00e9rola Negra\u201d, de um ainda desconhecido Luiz Melodia. Por\u00e9m o momento mais forte do disco \u00e9 a vers\u00e3o de mais de oito minutos de \u201cVapor Barato\u201d (Jards\/Waly), com gritos e guitarras: a vers\u00e3o definitiva dessa m\u00fasica. Disco fundamental da nossa m\u00fasica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cD\u00ea um role\u201d, \u201cP\u00e9rola Negra\u201d, \u201cAssum preto\u201d, \u201cMal secreto\u201d e \u201cSua estupidez\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cVapor Barato\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57484\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal6-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c\u00cdndia\u201d (1973)<\/strong><br \/>\n\u201c\u00cdndia\u201d \u00e9 como o prel\u00fadio para o sertanejo lis\u00e9rgico que Tet\u00ea Esp\u00edndola exploraria nos anos 80. \u00c9 delicado, \u00e9 sensual, \u00e9 brejeiro, mas \u00e9 moderno e ousado. Inicia-se com os quase sete minutos da faixa t\u00edtulo (um antigo sucesso na voz de cantores sertanejos), que come\u00e7a calminha e acaba com contornos \u00e9picos. Vendido embalado num inv\u00f3lucro azul escuro para que o p\u00fablico n\u00e3o visse a capa acima, o \u00e1lbum deixou os censores da ditadura de cabelo em p\u00e9: \u201ccomo pode essa capa em que a tanga de Gal marca tudo ali embaixo?\u201d, \u201ccomo ela pode mostrar os seios na contracapa?\u201d. Eles foram al\u00e9m: a faixa \u201cPresente Cotidiano\u201d (Luiz Melodia) n\u00e3o poderia ser tocada nas r\u00e1dios nem em locais p\u00fablicos porque \u201ctrata-se de letra musical cuja tem\u00e1tica estereotipada envolve em seu bojo o sentimento de contesta\u00e7\u00e3o, protesto, revolta\u201d, anotou um censor. Sobre a censura, Gal comentou: \u201cEu dava risada. Achava tudo rid\u00edculo, n\u00e3o via motivo para se proibir uma capa daquela, tampouco achar aquela can\u00e7\u00e3o subversiva. Achava uma loucura, um absurdo, me dava raiva\u201d. Certamente, a maior ousadia de Gal era cantar \u201ceu me sinto feliz, eu me sinto contente\u201d, na faixa \u201cPontos de Luz\u201d, quando o mundo parecia explodir e os sonhos pareciam ruir, mas era isso que ela propunha: o desbunde. E \u201c\u00cdndia\u201d \u00e9 o desbunde, o tropicalismo, a ousadia, a sensualidade, tudo misturado: Luiz Melodia, Tom Jobim, Tuze de Abreu, Caetano Veloso, Waly Salom\u00e3o, Jards Macal\u00e9 e Lupic\u00ednio Rodrigues. Gal sendo brasileira, latina, portuguesa, tudo num disco de 40 minutos, num disco que firma a baiana como uma das maiores artistas do Brasil.<br \/>\nNota: 10<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cVolta\u201d, \u201cPassarinho\u201d e \u201cPontos de Luz\u201d<br \/>\nPreferida: \u201c\u00cdndia\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57485\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal7-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCantar\u201d (1974)<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uma paz, uma beleza nesse disco, que n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o. Mesmo com a triste \u201cL\u00e1grimas Negras\u201d quase ao final, o disco \u00e9 permeado por uma alegria daquelas de gente que aplaude o p\u00f4r-do-sol ou coisas do tipo. Um disco para embalar dias de sol, dias de chuva com sol, dias de arco-\u00edris. \u201cCantar\u201d re\u00fane faixas buc\u00f3licas, que passeiam por flores, r\u00e3s, baratas e baratos. \u00c9 um disco em que quase sentimos a marofa vindo em nossa dire\u00e7\u00e3o. Produzido por Caetano e com arranjos de Jo\u00e3o Donato, Gal disse \u00e0 extinta Revista Pop que o disco mesclava esse seu canto \u201ccom clareza, com afina\u00e7\u00e3o, num timbre bonito\u201d com um \u201ccantar emocionado, sujo, onde a nota sai desafinada\u201d. Sobre a resposta do p\u00fablico na \u00e9poca, Caetano, em entrevista a Ricardo Moreira, disse que \u201ca cr\u00edtica e o p\u00fablico n\u00e3o deram nenhuma aten\u00e7\u00e3o ao show e ao disco. At\u00e9 Nelson Motta, que falava bem de tudo, falou mal. Senti que Gal se retraiu. Quase tudo o que ela fez a seguir parecia oposto ao que tentamos ali\u201d. Curiosamente, hoje esse \u00e9 um dos discos da cantora mais bem quistos pelas novas gera\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m das can\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas de Caetano e Gil, \u201cCantar\u201d traz uma singela can\u00e7\u00e3o de ninar da m\u00e3e de Gal, dona Mariah Costa, chamada \u201cChululu\u201d; uma vers\u00e3o linda e singela de \u201cCan\u00e7\u00e3o Que N\u00e3o Morre no Ar\u201d, de Carlos Lyra, e conta com Caetano cantando versos de \u201cGarota de Ipanema\u201d na faixa \u201cFlor do Cerrado\u201d (flor esta que adorna os cabelos da cantora na capa do disco).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a: \u201cFlor do Cerrado\u201d, \u201cJ\u00f3ia\u201d e \u201cL\u00e1grimas Negras\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cBarato Total\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57486\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal8-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTemporada de Ver\u00e3o\u201d (1974)<\/strong><br \/>\nAo vivo gravado ao lado de Gil e Caetano, no teatro Vila Velha, em Salvador. Dentre as nove faixas, Gal aparece apenas em duas, acompanhada pelo acordeom de Dominguinhos. S\u00e3o elas as delicadas \u201cQuem Nasceu\u201d, de P\u00e9ricles Cavalcanti, e \u201cAcontece\u201d, de Cartola, duas m\u00fasicas que, infelizmente, ela n\u00e3o voltaria a gravar. As can\u00e7\u00f5es entoadas por Caetano e Gil formam um retrato importante de \u00e9poca. \u201cTemporada de Vers\u00e3o\u201d ainda marca a primeira apari\u00e7\u00e3o da bela \u201cDe Noite na Cama\u201d e ainda traz uma linda regrava\u00e7\u00e3o de \u201cFelicidade\u201d, de Lupic\u00ednio Rodrigues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cQuem nasceu\u201d e \u201cAcontece\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57487\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal9-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal Canta Caymmi\u201d (1976)<\/strong><br \/>\nEm 1975, Gal havia feito uma turn\u00ea junto com Dorival Caymmi, apresentando-se em tr\u00eas capitais brasileiras. Al\u00e9m disso, a composi\u00e7\u00e3o \u201cModinha para Gabriela\u201d, de Caymmi, era um sucesso na abertura da novela \u201cGabriela\u201d, da Rede Globo. Nesse clima, Gal acaba por lan\u00e7ar em mar\u00e7o de 76 um disco s\u00f3 com composi\u00e7\u00f5es de total autoria de Caymmi. O \u00e1lbum \u00e9 uma esp\u00e9cie de songbook da obra do baiano (nos moldes em que Ella Fitzgerald revisitava autores l\u00e1 fora), algo ainda incomum no Brasil e que tornar-se-ia pr\u00e1tica usual, vide os \u00e1lbuns de Beth\u00e2nia cantando Roberto Carlos e Vin\u00edcius de Moraes e Ney Matogrosso cantando Chico Buarque e Cartola. \u201cGal Canta Caymmi\u201d acaba por ser um \u00e1lbum popular e acess\u00edvel, que traz a for\u00e7a de Gal, mas ainda assim n\u00e3o foge muito do universo sonoro do autor. A grande diferen\u00e7a \u00e9 a delicadeza que a voz da cantora traz a essas composi\u00e7\u00f5es, sempre atreladas \u00e0 voz forte e intensa da fam\u00edlia Caymmi. A can\u00e7\u00e3o \u201cS\u00f3 Louco\u201d acabou tornando-se um sucesso na trilha da novela \u201cO Casar\u00e3o\u201d, tamb\u00e9m da Globo, fato que faz com que a can\u00e7\u00e3o retorne ao repert\u00f3rio de Gal em seus shows esporadicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cVatap\u00e1\u201d, \u201cS\u00f3 Louco\u201d e \u201cDois de fevereiro\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cO Vento\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57488\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal10.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal10.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal10-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cDoces B\u00e1rbaros\u201d (1976)<\/strong><br \/>\nDoces B\u00e1rbaros \u00e9 um supergrupo formado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Beth\u00e2nia, que se uniram para uma turn\u00ea que comemoraria os 10 anos de suas carreiras individuais. A uni\u00e3o dos quatro artistas rendeu um dos discos mais interessantes de suas carreiras, sendo quase uma pedra fundamental para todos que querem se aventurar pelo universo de qualquer um deles. Para uma percep\u00e7\u00e3o mais completa da import\u00e2ncia desse encontro e desse disco \u00e9 primordial que se assista ao document\u00e1rio \u201cOs Doces B\u00e1rbaros\u201d (1976), de JomTob Azulay, que registra os bastidores do show e, inclusive, a pris\u00e3o por porte de drogas de Gil. Idealizado por Beth\u00e2nia, o projeto Doces B\u00e1rbaros foi mal recebido na \u00e9poca, especialmente pela cr\u00edtica e pelos profissionais da m\u00fasica, por\u00e9m o tom hippie, mesclando rock e regionalismo, legou uma for\u00e7a gigantesca ao trabalho, que envelheceu como um dos melhores registros do desbunde e de todo esse flowerpower tardio que abarcava a desilus\u00e3o pol\u00edtica dos quatro artistas. Surgido apenas como show comemorativo, Gil e Caetano queriam que o trabalho fosse registrado em est\u00fadio, mas Beth\u00e2nia e Gal n\u00e3o o quiseram, assim o que temos \u00e9 um registro ao vivo, em disco duplo, com todas as falhas da \u00e9poca, mas que marcam a for\u00e7a desse encontro. A pung\u00eancia de \u201cEsot\u00e9rico\u201d, nas vozes de Gal e Beth\u00e2nia, \u00e9 um dos momentos mais belos do disco e, por conseguinte, da m\u00fasica brasileira. Em 2002, 26 anos depois, os quatro se reuniram novamente, encontro registrado no document\u00e1rio &#8220;Outros (Doces) B\u00e1rbaros&#8221; (assista no final do texto).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 10<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cEu te amo\u201d, \u201cS\u00e3o Jo\u00e3o, Xang\u00f4 Menino\u201d, \u201cF\u00e9 cega, faca amolada\u201d e \u201cAtiraste uma pedra\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cEsot\u00e9rico\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57489\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal11-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cCaras &amp; Bocas\u201d (1977)<\/strong><br \/>\n1977 \u00e9 um ano em que florescia aqueles ares de \u201co sonho acabou\u201d \u2013 mesmo com a proeminente abertura pol\u00edtica, o pa\u00eds parecia banhado em uma ressaca, em certa soturnez, que descambaria na \u201cperdida\u201d d\u00e9cada de 80. E nesse espa\u00e7o, Gal lan\u00e7a um disco muito s\u00f3lido dentro de sua carreira, depois de suas alegrias de desbunde (o fecho desta fase foi no ano anterior, com o supergrupo Doces B\u00e1rbaros). Aqui ela surge embalada por arranjos relacionados ao rock e ao jazz, com baladas rom\u00e2nticas e momentos de maior introspec\u00e7\u00e3o. H\u00e1 no disco certo romantismo doloroso, certo \u201csofrer de amor\u201d, que se relaciona at\u00e9 mesmo com a capa: negra de fontes brancas. A can\u00e7\u00e3o mais cl\u00e1ssica do disco \u00e9 certamente \u201cTigresa\u201d, escrita por Caetano Veloso, e que foi gravada, no mesmo ano, pelo autor, por Maria Beth\u00e2nia e Ney Matogrosso, mas que recebe sua vers\u00e3o certeira e definitiva na voz de Gal; o disco ainda traz outros sucessos, como \u201cLouca me Chamam\u201d (do original \u201cCrazy He Call\u2019s Me\u201d, de C. Sigman \/ B. Russel, em vers\u00e3o de Augusto de Campos) e at\u00e9 a faixa-t\u00edtulo \u201cCaras e Bocas\u201d (Caetano \/ Beth\u00e2nia). Dois momentos marcantes do \u00e1lbum se encontram na vers\u00e3o de \u201cIt\u2019s All Over Now, Baby Blue\u201d, de Bob Dylan, que virou \u201cNegro Amor\u201d nas m\u00e3os de Caetano e P\u00e9ricles Cavalcanti, em um arranjo roqueiro poderoso, em que Gal mostra uma for\u00e7a dram\u00e1tica intensa; e por segundo na vers\u00e3o ao vivo de \u201cUm Favor\u201d (Lupic\u00ednio Rodrigues), que encerra o disco com direito a assobios, gritos e risos da plateia. Esse disco tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo surgimento de Marina Lima, que aparece aqui como compositora da dram\u00e1tica \u201cMeu Doce Amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMe Recuso\u201d, \u201cTigresa\u201d e \u201cMeu doce amor\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cNegro Amor\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57490\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal12.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal12.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal12-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c\u00c1gua Viva\u201d (1978)<\/strong><br \/>\n\u201c\u00c1gua Viva\u201d coloca Gal no patamar das grandes cantoras do pa\u00eds, n\u00e3o por ser um disco inovador ou surpreendente, mas sim pela quantidade de hits radiof\u00f4nicos presentes nele. Se algu\u00e9m quer um disco que defina a carreira de Gal de forma acess\u00edvel, \u201c\u00c1gua Viva\u201d faz isso muito bem. Aqui ela interpreta seus autores usuais: Chico (que se tornaria um autor costumeiro em sua voz a partir daqui), Caetano, Caymmi, Gil, Tom, entre outros; e ainda passeia por ritmos m\u00faltiplos, do forr\u00f3 ao bai\u00e3o, do samba aos boleros. O carro chefe desse disco \u00e9 a cl\u00e1ssica \u201cFolhetim\u201d, mas a lista de sucessos \u00e9 grande: \u201cPaula e Bebeto\u201d, \u201cPois \u00e9\u201d, \u201cO Bem do Mar\u201d, \u201cQual \u00e9 Baiana?\u201d e a triste \u201cM\u00e3e\u201d. \u00c9 a Gal mostrando que ser popular tamb\u00e9m pode ser muito refinado. \u201c\u00c1gua Viva\u201d \u00e9 seu primeiro disco de ouro e a primeira vez que Gal se desvincula dos ares de cantora tropicalista, assumindo o posto de cantora popular de largo alcance. Um disco alegre, cuidadosamente produzido e que envelheceu muito bem. Al\u00e9m da qualidade musical, ressaltam-se as fotos bel\u00edssimas do encarte, feitas por Marisa Alvarez Lima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cPaula e Bebeto\u201d, \u201cQual \u00e9 baiana?\u201d e \u201cFolhetim\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cM\u00e3e\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57491\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal13-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal Tropical\u201d (1979)<\/strong><br \/>\nSeguindo os passos de \u201c\u00c1gua Viva\u201d, este \u00e9 o segundo disco de ouro de Gal, e exibe um apelo pop e um p\u00e9 no samba e no frevo, revisitados de forma moderna (\u00e0 \u00e9poca), que daria o tom da carreira de Gal nos anos 80. Este disco \u00e9 marcado pela regrava\u00e7\u00e3o de dois cl\u00e1ssicos de Gal (\u201c\u00cdndia\u201d e \u201cMeu Nome \u00e9 Gal\u201d) e tamb\u00e9m pelo sucesso de faixas como \u201cBalanc\u00ea\u201d (um hit no carnaval de 1980) e \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d, de Caetano, que se firma como uma m\u00fasica cl\u00e1ssica no repert\u00f3rio da cantora. \u201cGal Tropical\u201d \u00e9 praticamente Gal remexendo no ba\u00fa da m\u00fasica brasileira e de l\u00e1 saem velhas marchinhas, antigos sambas-can\u00e7\u00f5es, m\u00fasicas do cancioneiro popular e, claro, uma revisita\u00e7\u00e3o em faixas de seus companheiros usuais: \u201c\u00cdndia\u201d se torna algo delicado e brejeiro; \u201cA Preta do Acaraj\u00e9\u201d, de Caymmi (que havia sido gravada ao lado de Carmem Miranda), ganha uma voz empostada, mezzo samba mezzo ponto de macumba em que Gal torna-se quase uma entidade; \u201cOlha\u201d, de Roberto e Erasmo, ganha ares de bolero, com uma latinidade sedutora em meio a melancolia. \u201cGal Tropical\u201d, mesmo popular e acess\u00edvel, mostra as garras da baiana na sua nova vers\u00e3o de \u201cMeu Nome \u00e9 Gal\u201d, que traz um dueto entre sua voz e as cordas da guitarra, entremeada por uma bateria de escola de samba, provando que por mais popular que seja sua voz, sua alma \u00e9 iconoclasta e de vanguarda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cA Preta do Acaraj\u00e9\u201d, \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d e \u201cO Bater do Tambor\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cMeu nome \u00e9 Gal\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57492\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal14.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal14.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal14-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAquarela do Brasil\u201d (1980)<\/strong><br \/>\nFuncionando como um songbook da obra de Ary Barroso, \u201cAquarela do Brasil\u201d segue a sequ\u00eancia de discos de ouro da cantora, trazendo hits fortes e marcantes. Esse disco abre a d\u00e9cada de 1980 fincando a marca de Gal como grande cantora popular e de sucesso de vendas. Do mesmo modo que Gal imp\u00f4s sua personalidade sobre a obra de Caymmi, aqui isso se repete com a obra de Ary Barroso, pois esse disco n\u00e3o soa como um arremedo nost\u00e1lgico de sua obra, mas sim revitaliza suas can\u00e7\u00f5es, contextualizadas na nova d\u00e9cada que se iniciava. O \u00e1lbum surgiu de uma proposta da gravadora Polygram, que queria um disco que n\u00e3o interferisse muito no sucesso da turn\u00ea ainda em curso de \u201cGal Tropical\u201d. Com um repert\u00f3rio escolhido pessoalmente por Gal, o disco mescla o lado popular de Ary com seus momentos mais rom\u00e2nticos, destacando-se aqui a participa\u00e7\u00e3o de Caetano Veloso na deliciosa \u201cNo Tabuleiro da Baiana\u201d. No final das contas, esse disco virou um dos grandes sucessos da d\u00e9cada, trazendo a faixa \u201cAquarela do Brasil\u201d para o repert\u00f3rio usual da cantora e provando que Gal tem a manha de revitalizar compositores fundamentais do nosso cancioneiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cCamisa Amarela\u201d, \u201cTu\u201d e \u201cAquarela do Brasil\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cNo Tabuleiro da Baiana\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57493\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal15-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFantasia\u201d (1981)<\/strong><br \/>\nO disco \u201cFantasia\u201d surge do show hom\u00f4nimo, que homenageava os musicais e o teatro de revista e que foi um fracasso completo de cr\u00edtica. Ao contr\u00e1rio, o disco foi um dos maiores \u00eaxitos da cantora, com sucessos que marcam sua carreira, como \u201cCanta Brasil\u201d, \u201cMeu Bem, Meu Mal\u201d e \u201cFesta de Interior\u201d \u2013 essa \u00faltima, ali\u00e1s, deu o nome do novo show, agora dirigido por Waly Salom\u00e3o. De car\u00e1ter pop e repert\u00f3rio m\u00faltiplo, \u201cFantasia\u201d fisga o p\u00fablico pela delicadeza e versatilidade das can\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, al\u00e9m das cl\u00e1ssicas can\u00e7\u00f5es de sucesso, h\u00e1 uma beleza quase esquecida em duas delicadas faixas: \u201cFaltando um Peda\u00e7o\u201d (Djavan), cantada em tom de devaneio e sonho, com um pequeno coral a repetir onomatopeias; e \u201cEstrela, Estrela\u201d (Vitor Ramil), que encerra o disco de forma on\u00edrica, entoada apenas com a voz de Gal, tendo como instrumentos sonoros as vozes do cantor Z\u00e9luiz e da pr\u00f3pria Gal ao fundo. J\u00e1 a faixa \u201cO Amor\u201d (um poema de Vladimir Maiakovski traduzido por Ney Costa Santos e musicado por Caetano Veloso) \u00e9 de uma sonoridade tipicamente anos 80, um tanto quanto brega e exagerada, que marcaria muito das produ\u00e7\u00f5es seguintes da cantora. Este disco \u00e9 a prova daquela versatilidade de Gal: que grita e que sabe cantar baixinho. A faixa \u201cCanta Brasil\u201d seria retomada em 1992, tornando-se trilha de abertura da novela \u201cDeus nos Acuda\u201d, de S\u00edlvio de Abreu, onde o Brasil e tudo que h\u00e1 nele afundam em lama, num trabalho de Hans Donner.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMeu Bem, Meu Mal\u201d, \u201cA\u00e7a\u00ed\u201d e \u201cMassa Real\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cEstrela, Estrela\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57520\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal161.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal161.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal161-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMinha Voz\u201d (1982)<\/strong><br \/>\nContrapondo-se a euforia do disco anterior, \u201cMinha Voz\u201d galga caminhos mais introspectivos, sendo o elo perfeito com \u201cEstrela, Estrela\u201d, faixa que encerra o anterior. Delicada e um tanto melanc\u00f3lica, Gal surge intimista, como a nos contar pequenos segredos; para isso ela \u00e9 acompanhada de uma instrumenta\u00e7\u00e3o que se aproxima do jazz, mas que quase sempre surge de pano de fundo para sua voz. Primeiramente intitulado de \u201cAzul\u201d, \u201cMinha Voz\u201d acabou sendo mais um grande sucesso e traz uma das faixas fundamentais em seu repert\u00f3rio: \u201cDom de Iludir\u201d (Caetano). Por outro lado, o disco traz algumas faixas menos comerciais, naquela linha MPB quase nonsense, do tipo que Gal sabe muito bem como dar sentido; o melhor exemplo disso \u00e9 a po\u00e9tica \u201cMusa Cabocla\u201d, de Gil e Waly Salom\u00e3o, uma ode \u00e0 Gal, \u00e0 natureza e a outras coisas mais. Quebrando essa linha mais intimista, Gal aposta tamb\u00e9m em duas marchinhas de carnaval, \u201cBloco do Prazer\u201d e a cl\u00e1ssica \u201cPegando Fogo\u201d, faixas que se comunicam com outros flertes de Gal com as marchinhas durante a d\u00e9cada (se reunidas, essas faixas esparsas at\u00e9 mesmo renderiam um disco apenas com faixas de carnaval). Esse trabalho tamb\u00e9m marca a primeira apari\u00e7\u00e3o do grupo Roupa Nova ao lado da cantora, aqui trabalhando os arranjos do disco, dando aquele tom oitentista kitsch. No todo, \u201cMinha Voz\u201d n\u00e3o \u00e9 um grande disco, que se sobressaia na discografia dela, mas \u00e9 um trabalho bem resolvido, que n\u00e3o inova, mas que valoriza a voz e os ritmos da cantora. Vale ficar atento em \u201cGroupie\u201d, a faixa final, que \u00e9 um medley de algumas m\u00fasicas entremeadas por depoimentos, conversas e risos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMusa Cabocla\u201d, \u201cMinha voz, minha vida\u201d e \u201cLuz do Sol\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cDom de Iludir\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57494\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal16.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal16.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal16-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBaby Gal\u201d (1983)<\/strong><br \/>\nGal surge num vestido que mais parece um baby doll, em uma capa que envelheceu muito mal, mas em contraponto, surge de cabelos desgrenhados, cobrindo seu rosto na contracapa, em uma imagem que define melhor os amores intensos que ela canta nesse disco. \u201cBaby Gal\u201d \u00e9 rom\u00e2ntico e a cara dos anos 80, mas curiosamente envelheceu muito bem, sem ficar preso nos maneirismos da d\u00e9cada. Utilizando de instrumentos modernos naquele per\u00edodo, como teclados eletr\u00f4nicos e outras parafern\u00e1lias, Gal consegue dar conta de mesclar sua veia mais pop com toda sua sonoridade brejeira, isso tudo conciliado pela presen\u00e7a de seus compositores de sempre: Caetano, Chico, Gil, Djavan. Assim vemos o samba, o jazz, os ritmos afros, tudo mesclado de forma harmoniosa; tanto que \u201cBahia de Todas as Contas\u201d se apresenta quase como um prel\u00fadio do ax\u00e9 music \/ samba-reggae e funciona muito bem ao lado de faixas t\u00e3o ecl\u00e9ticas como \u201cRumba Louca\u201d, que traz uma sonoridade que casa Cuba e Bahia. O final do disco \u00e9 um momento a se prestar aten\u00e7\u00e3o: a voz de Gal surge perfeita em \u201cEternamente\u201d, l\u00edmpida, acompanhada de um piano simples, que logo se mescla a uma nova vers\u00e3o de \u201cBaby\u201d, acompanhada da banda Roupa Nova, num encontro que poderia ter tudo para dar errado, mas que soa saborosamente anos 80. Dentre os trabalhos de Gal produzidos por Mariozinho Rocha, esse \u00e9 o melhor: o \u00fanico em que ele consegue organizar toda a versatilidade da cantora, dando espa\u00e7o para que ela se sobressaia como uma int\u00e9rprete delicada, entregue e cada vez mais perfeccionista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMil Perd\u00f5es\u201d, \u201cRumba Louca\u201d e \u201cOlhos do Cora\u00e7\u00e3o\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSutis Diferen\u00e7as\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57495\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal17.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal17.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal17-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cProfana\u201d (1984)<\/strong><br \/>\nSob a efervesc\u00eancia de um ano politicamente fundamental na hist\u00f3ria do Brasil, Gal surge de cabelos curtos, vestido vermelho justo e brilhante na tela do Fant\u00e1stico cantando versos como \u201cderrama o leite bom na minha cara \/ e o leite mal na cara dos caretas\u201d, em meio a guitarras new wave. Ousada que s\u00f3, ela lan\u00e7a um disco sob o provocativo t\u00edtulo \u201cProfana\u201d, onde aparece quase histri\u00f4nica na capa, de pele branca e l\u00e1bios vermelhos, por\u00e9m a ousadia acaba a\u00ed, pois o que temos \u00e9 um disco interessante, por\u00e9m confuso. Indo do rock new wave as marchinhas de carnaval, passando pelo forr\u00f3 e por baladas rom\u00e2nticas t\u00edpicas dos anos 80, o disco transforma sua versatilidade em ponto fraco, soando mais como uma compila\u00e7\u00e3o de sucessos m\u00faltiplos, do que um \u00e1lbum original. Mesmo assim, alavancada pelo hit estrondoso \u201cChuva de Prata\u201d (tocado ao lado da banda Roupa Nova), o disco se tornou um sucesso gigante, vendendo mais de um milh\u00e3o e meio de c\u00f3pias. Trazendo velhas marchinhas de carnaval ao lado de cl\u00e1ssicos do forr\u00f3, \u201cProfana\u201d n\u00e3o consegue dar conta de organizar toda a explos\u00e3o sonora da cantora, um problema da produ\u00e7\u00e3o de Mariozinho Rocha. Nessa salada toda, destaca-se a participa\u00e7\u00e3o de Luiz Gonzaga na divertida faixa \u201cTem Pouca Diferen\u00e7a\u201d (em pot-pourri com \u201cCabe\u00e7a Feita\u201d e \u201cTililingo\u201d). \u201cProfana\u201d atualmente soa datado, quase esquizofr\u00eanico em sua multiplicidade, mas funcionam as faixas deslocadas do todo, trazendo assim pequenas p\u00e9rolas perdidas num caldeir\u00e3o r\u00edtmico. O vi\u00e9s mais interessante de \u201cProfana\u201d \u00e9 aquele em que Gal interpreta can\u00e7\u00f5es de versos dif\u00edceis e quase incompreens\u00edveis (\u201cVaca Profana\u201d \/ \u201cTop\u00e1zio\u201d \/ \u201cO Rev\u00f3lver do Meu Sonho\u201d), deixando tudo pop e sedutor, algo que s\u00f3 a cantora tem a manha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cOnde est\u00e1 o dinheiro\u201d, \u201cChuva de Prata\u201d e \u201cTop\u00e1zio\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cVaca Profana\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57496\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal18.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal18.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal18-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBem Bom\u201d (1985)<\/strong><br \/>\nGal em sua fase mais sensual (nesse ano ela posaria nua na revista Status, aos 40 anos), aparece linda e sorridente em seu vestido preto de couro na capa. Com a m\u00e3o de Waly Salom\u00e3o, a cantora retorna a sua verve mais roqueira, mais ousada, mesclando in\u00fameros g\u00eaneros em um s\u00f3 disco, desde o pop de uma faixa como \u201cSorte\u201d, em parceria com Caetano, at\u00e9 o romantismo (um tanto brega) de \u201cUm Dia de Domingo\u201d (Michael Sullivan e Paulo Massadas), ao lado de Tim Maia. \u201cBem Bom\u201d foi um sucesso estrondoso (como quase tudo dela nos anos 80), vendeu mais de um milh\u00e3o de c\u00f3pias, teve v\u00e1rios hits tocados \u00e0 exaust\u00e3o e \u00e9 um dos momentos em que Gal mais representa a figura de popstar nacional. Por\u00e9m, assim como o anterior, esse disco tamb\u00e9m envelheceu mal, soa datado (certamente o disco mais incrustado nos maneirismos da d\u00e9cada de 80) e n\u00e3o vem acompanhado de todo o burburinho midi\u00e1tico que teve na \u00e9poca, o que acaba diminuindo o seu glamour, mas, no fim das contas, nos traz um clima de \u201csaudades do que n\u00e3o vivemos\u201d. E \u00e9 completamente irresist\u00edvel ouvir Gal nos seduzindo com os versos de Ant\u00f4nio C\u00edcero e Marina Lima: \u201ccara, a vida \u00e9 brisa\u201d. Gal \u00e9 mesmo \u201cmusa de qualquer esta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cSorte\u201d, \u201cAcende o crep\u00fasculo\u201d e \u201cTodo amor que houver nessa vida\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cMusa de Qualquer Esta\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57497\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal19.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal19.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal19-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rio Revisited (1987)<\/strong><br \/>\nShow ao lado de Tom Jobim gravado em Los Angeles, que na verdade funciona mais como um disco dele, com participa\u00e7\u00f5es pontuais da cantora. Primordialmente, esse disco marca o encontro de Gal com um de seus \u00eddolos e um dos \u00edcones maiores da m\u00fasica nacional, mas assim como suas incurs\u00f5es subsequentes na obra de Tom, esse lan\u00e7amento tamb\u00e9m serve mais ao p\u00fablico estrangeiro ou a iniciantes em bossa nova. Funcionando mais como registro hist\u00f3rico, de um encontro \u00fanico, \u201cRio Revisited\u201d n\u00e3o acrescenta nada de novo nem na carreira de Gal e muito menos a bossa nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 4<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cDindi\u201d e \u201cCorcovado\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cWave\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57498\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal20.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal20.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal20-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLua de Mel como o Diabo Gosta\u201d (1987)<\/strong><br \/>\nDepois do sucesso de \u201cBem Bom\u201d, Gal fez uma turn\u00ea internacional e lan\u00e7ou um disco ao vivo com Tom Jobim, e com isso criou uma expectativa em torno de seu novo disco, que s\u00f3 chegou em 1987. \u201cLua de Mel como o Diabo Gosta\u201d tem uma das capas mais lindas da discografia da cantora, com ela fumando, de costas, uma ousadia para uma cantora t\u00e3o popular como Gal em n\u00e3o mostrar seu rosto na capa. E essa ousadia explode logo na primeira can\u00e7\u00e3o: \u201cArara\u201d \u00e9 raivosa, gritada e exagerada. Exagero \u00e9 a palavra desse disco: exagero rom\u00e2ntico, vocal e sonoro. S\u00e3o baladas quase melosas, de um amor sensual, que n\u00e3o foram bem recebidas nem pela cr\u00edtica nem pelo p\u00fablico. Posteriormente, a pr\u00f3pria Gal consideraria esse \u00e1lbum o mais irregular de sua carreira, mesmo assim \u00e9 um \u00e1lbum que envelheceu bem, que n\u00e3o soa t\u00e3o datado quanto \u201cProfana\u201d ou \u201cBem Bom\u201d. Ouvindo agora, esse \u00e1lbum apresenta uma artista irrequieta, que n\u00e3o quer se aprisionar e busca novos caminhos, h\u00e1 uma entrega e uma busca de algo novo, por isso a voz t\u00e3o exposta, t\u00e3o alta (e esse volume vocal n\u00e3o \u00e9 um real problema, j\u00e1 que a cantora domina as nuances de sua voz de forma intensa). Nessa busca por caminhos diferentes, Gal grava tr\u00eas m\u00fasicas de Lulu Santos e traz uma vers\u00e3o nacional de \u201cHere, There and Everywhere\u201d, dos Beatles, aqui chamada \u201cViver e Reviver\u201d. Ela ainda tenta repetir o sucesso com uma nova m\u00fasica de Michael Sullivan e Paulo Massadas, \u201cSou Mais Eu\u201d, certamente a m\u00fasica mais anos 80 do trabalho. \u00c9 realmente um disco irregular, com problemas e exageros, mas ainda assim bem melhor que um disco comum e repetitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cTodos os instrumentos\u201d, \u201cTenda\u201d e \u201cMe faz bem\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cArara\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57499\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal21.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal21.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal21-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPlural\u201d (1990)<\/strong><br \/>\nGal \u00e9 a primeira artista a apresentar ao resto do Brasil os sons vindos da Bahia e que dominariam os anos 90: o samba-reggae e a ax\u00e9 music, tudo misturado num disco pop, assertivo, festivo e classudo. Com ecos dos blocos afro, como o Il\u00ea Aiy\u00ea ou o Olodum, Gal surge alegre e popular, cantando as ladeiras da Bahia, o amor de forma livre e a liberdade em sua totalidade (inclusive dos cabelos). Impulsionado pelo sucesso \u201cCabelo\u201d, o disco vendeu mais de um milh\u00e3o e meio de c\u00f3pias, encerrando uma fase de grandes sucessos de venda da cantora. No todo, \u201cPlural\u201d d\u00e1 conta de seu t\u00edtulo: \u00e9 samba-reggae, bossa nova, rom\u00e2ntico, afro, pop, sedutor. Essa multiplicidade aparece tamb\u00e9m nos compositores gravados: de Cole Porter, Jorge Ben, Arnaldo Antunes e Marina Lima at\u00e9 artistas baianos novos (na \u00e9poca) como Carlinhos Brown e Beto Jamaica. \u00c9 um disco que n\u00e3o busca reinventar a can\u00e7\u00e3o nem que exija grandes arroubos vocais de Gal, mas \u00e9 um \u00e1lbum de can\u00e7\u00f5es sinceras, em que a cantora aparece diversa, talvez por conta da produ\u00e7\u00e3o de L\u00e9o Gandelman, que consegue mesclar o erudito e o popular de forma que nada soe for\u00e7ado. A onipresen\u00e7a de Waly Salom\u00e3o, que cuidou do repert\u00f3rio, da concep\u00e7\u00e3o art\u00edstica e do show, d\u00e3o esse tom leve, despojado, de poesia cotidiana ao \u00e1lbum. Inclusive, no texto de lan\u00e7amento, Waly Salom\u00e3o escreveu: \u201cser plural \u00e9 detonar toda raiz e detonar-se enquanto raiz. \u00c9 subdividir-se e multiplicar-se\u201d. Uma frase que resume muito da carreira de Gal, mas que infelizmente n\u00e3o se sobrepujaria em seus discos futuros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 7<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cSalvador N\u00e3o Inerte \/ Ladeira do Pel\u00f4\u201d, \u201cHolofotes\u201d e \u201cBrilho de Beleza\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cCabelo\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57500\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal22.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal22.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal22-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal\u201d (1992)<\/strong><br \/>\nDepois de mais de um ano de turn\u00ea do disco \u201cPlural\u201d, Gal lan\u00e7a um trabalho autointitulado que se reutiliza de in\u00fameras faixas cantadas na turn\u00ea, ao lado de um repert\u00f3rio cl\u00e1ssico, com faixas de Noel Rosa, Cartola e at\u00e9 mesmo uma regrava\u00e7\u00e3o da seminal \u201cTropic\u00e1lia\u201d, de Caetano. Waly Salom\u00e3o, o diretor do show \u201cPlural\u201d, n\u00e3o ficou nada feliz com o uso de suas concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em um disco do qual ele n\u00e3o participou, mas a verdade \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o de Mazolla \u00e9 um dos grandes trunfos desse \u00e1lbum, dando uma coes\u00e3o important\u00edssima \u00e0 obra. \u201cGal\u201d segue as explora\u00e7\u00f5es afro-brasileiras que apareceram em \u201cPlural\u201d, mas aqui de forma mais intensa (vide as tr\u00eas \u201cSauda\u00e7\u00f5es aos Povos Africanos\u201d que aparecem no in\u00edcio, no meio e no final do disco). \u00c9 certamente um dos \u00e1lbuns em que a cantora mais se comunica com a arte e os artistas negros: h\u00e1 o samba, os ritmos africanos, a participa\u00e7\u00e3o dos Filhos de Gandhi na faixa \u201c\u00c9 d\u2019Oxum\u201d e de Bobby McFerin em \u201cThe Laziest Gal in Town\u201d, e h\u00e1 tamb\u00e9m um respeito \u00e0 cultura e ao sincretismo afro-brasileiro. Um dos m\u00e9ritos desse disco \u00e9 que Gal revisita faixas cl\u00e1ssicas, mas insere-as no contexto proposto, onde tudo soa conectado, como se esse fosse um disco apenas de in\u00e9ditas, feitas especialmente para a voz dela. Outro detalhe saboroso do disco \u00e9 que Tom Jobim toca piano na singela faixa \u201cCaminhos Cruzados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cCoisas Nossas\u201d, \u201cCordas de A\u00e7o\u201d e \u201cFeitio de Ora\u00e7\u00e3o\u201d<br \/>\nPreferida: \u201c\u00c9 d\u2019Oxum\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57501\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal23.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal23.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal23-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cO Sorriso do Gato de Alice\u201d (1993)<\/strong><br \/>\nEste \u00e9 certamente o melhor e mais complexo disco de est\u00fadio de Gal durante a d\u00e9cada de 1990 e tamb\u00e9m o \u00faltimo disco da cantora pensado para o formato do vinil (com lado A e lado B), contando com um repert\u00f3rio baseado em cinco compositores: Caetano, Gil, Jorge Ben, Djavan e Arto Lindsay. A m\u00e3e de Gal faleceu durante as grava\u00e7\u00f5es e essa perda se reflete nos momentos mais delicados do disco, que mescla uma alegria quase soturna com viol\u00f5es melanc\u00f3licos, marcantes de uma virada de \u201cGal sucesso da MPB\u201d, para sua fase mais introspectiva, baseada em suas inten\u00e7\u00f5es vocais. O show surgido desse disco certamente foi o ponto mais pol\u00eamico da carreira de Gal: dirigida por Gerald Thomas, ela surge com roupas pretas, minimalista, estranha, culminando com a sua j\u00e1 hist\u00f3rica interpreta\u00e7\u00e3o da faixa \u201cBrasil\u201d, com os seios \u00e0 mostra. Deixando cr\u00edtica e p\u00fablico confus\u00f5es (em um sentido mais negativo), Gal n\u00e3o se arrepende dessas escolhas, pelo contr\u00e1rio, considera \u201cO Sorriso do Gato de Alice\u201d um marco de ruptura em sua carreira. No todo, esse disco \u00e9 melanc\u00f3lico, at\u00e9 quando enverga por caminhos mais alegres (vide as faixas de Jorge Ben). A voz de Gal soa difusa e solit\u00e1ria, como quem pede um afago, como que clamando um carinho, \u00e9 assim o seu pedido de que o sofrimento se v\u00e1 em \u201cNuvem Negra\u201d (Djavan). Acompanhada por m\u00fasicos como Paulinho da Viola, Marcos Suzano e Paulo Belinati, Gal faz deste um disco essencialmente devotado a sua voz: solene, intensa e m\u00faltipla. Certamente um disco a ser redescoberto e melhor compreendido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cM\u00e3e da Manh\u00e3\u201d, \u201cNuvem Negra\u201d e \u201cAlkahool\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cErr\u00e1tica\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57502\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal24.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal24.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal24-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cMina D\u2019\u00c1gua do Meu Canto\u201d (1995)<\/strong><br \/>\nEste disco d\u00e1 o tom que sua carreira assumiria a partir daqui: de revisita\u00e7\u00e3o em faixas e universos j\u00e1 conhecidos, de um sem-n\u00famero de regrava\u00e7\u00f5es, algumas com a marca de Gal e outras bastante aleat\u00f3rias. Aqui ela revisita o universo de Caetano e de Chico, cantando oito can\u00e7\u00f5es de cada um deles e uma parceria in\u00e9dita dos dois. Este disco marca o in\u00edcio de uma nova fase de Gal, onde ela deixa de lado os figurinos exuberantes, optando por seus terninhos soltos; deixando de lado os arroubos en\u00e9rgicos de cantora pop e optando por caminhos tidos como mais maduros. Isso tudo \u00e9 marcado pela produ\u00e7\u00e3o l\u00edmpida, delicada e minuciosa desse disco, com destaque primordial a sua voz e todas essas nuances. Por\u00e9m, mesmo com a produ\u00e7\u00e3o e os arranjos de Jaques Morelenbaum, tudo aqui acaba soando mon\u00f3tono, mais do mesmo, n\u00e3o fazendo jus nem a Gal nem aos compositores que ela grava. Can\u00e7\u00f5es intensas como \u201cO Quereres\u201d ou \u201cL\u00edngua\u201d poderiam ter vers\u00f5es mais ousadas, mas mesmo assim ainda s\u00e3o os pontos altos desse disco. As m\u00fasicas de Chico, muito rom\u00e2nticas, marcam os momentos mais desinteressantes de \u201cMina D\u2019\u00e1gua\u201d. Talvez a revisita\u00e7\u00e3o de \u201cOdara\u201d, em uma vers\u00e3o bem pr\u00f3xima daquela flowerpower feita por Caetano no disco \u201cBicho\u201d, com seus mais de sete minutos, seja o \u00fanico ponto alto, j\u00e1 que surge leve e despojada, ao ponto de ter se tornado o primeiro videoclipe feito pela cantora para a MTV. Talvez o maior problema desse disco seja sua extens\u00e3o: mais de uma hora de faixas j\u00e1 conhecidas, em vers\u00f5es que n\u00e3o trazem novidade alguma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 3,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cO Quereres\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cOdara\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57503\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal25.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal25.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal25-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAc\u00fastico MTV\u201d (1997)<\/strong><br \/>\nO ponto alto dos anos 90 para Gal, este show marca um momento de revisita\u00e7\u00e3o de faixas cl\u00e1ssicas de seu repert\u00f3rio e serve como apresenta\u00e7\u00e3o de sua obra para o p\u00fablico jovem da MTV. O show re\u00fane faixas b\u00e1sicas de seu repert\u00f3rio, como \u201cBaby\u201d e \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d e traz parcerias cl\u00e1ssicas, como seu encontro com Luiz Melodia, nas faixas \u201cP\u00e9rola Negra\u201d e \u201cComo 2 e 2\u201d. Acompanhada da Orquestra Petrobr\u00e1s e com reg\u00eancia do maestro Wagner Tiso, cada faixa do \u00e1lbum deixa Gal em primeiro plano, toda a intensidade da orquestra e suas cordas servem apenas de pano de fundo para a voz da baiana. Este ac\u00fastico n\u00e3o prop\u00f5e inova\u00e7\u00f5es em sua obra, mas sim certo respeito por aquelas faixas, o que traz momentos de rara delicadeza, como em \u201cSua Estupidez\u201d ou \u201cO Amor\u201d. Os momentos de destaque s\u00e3o as participa\u00e7\u00f5es de Herbert Vianna numa vers\u00e3o dolorosa de \u201cLanterna dos Afogados\u201d e de Zeca Baleiro (um quase desconhecido \u00e0 \u00e9poca) em \u201cVapor Barato\u201d seguida de sua \u201cfaixa-irm\u00e3\u201d \u201cFlor da Pele\u201d, composta pelo maranhense. O disco foi um sucesso de vendas, levando Gal para uma turn\u00ea de 19 meses e trazendo novamente ela para o centro das aten\u00e7\u00f5es. Uma das p\u00e9rolas resgatadas nesse show \u00e9 \u201cTeco-Teco\u201d, uma faixa leve, de moleca, que ela tinha lan\u00e7ado apenas em compacto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cBarato Total\u201d, \u201cVapor Barato\/Flor da Pele\u201d e \u201cVoc\u00ea n\u00e3o entende nada\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cVaca Profana\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57504\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal26.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal26.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal26-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAquele Frevo Ax\u00e9\u201d (1998)<\/strong><br \/>\nUm \u00e1lbum em que Gal prometia flertar com o universo eletr\u00f4nico e todas as novidades computadorizadas da \u00e9poca resulta num disco morno, de grava\u00e7\u00f5es amenas e de sonoridade comum. Com um tracklist invej\u00e1vel, que traz composi\u00e7\u00f5es de Tim Maia, Jorge Ben Jor, Herbert Vianna, Adriana Calcanhotto e Jos\u00e9 Miguel Wisnik, Gal n\u00e3o parece t\u00e3o intr\u00e9pida como em outros tempos. Can\u00e7\u00f5es que poderiam ter suas vers\u00f5es definitivas em sua voz, aqui ganham ares mon\u00f3tonos, como a cl\u00e1ssica \u201cEsquadros\u201d, de Calcanhotto, que ganha uma vers\u00e3o pop anos 90 que hoje soa datada. Produzido por Celso Fonseca e mixado em Nova York, o disco tenta se comunicar com as sonoridades da \u00e9poca e nesse af\u00e3 moderno s\u00f3 se sobressaem as vers\u00f5es de Tim Maia, \u201cImuniza\u00e7\u00e3o Racional\u201d e \u201cVoc\u00ea\u201d, que ganharam um ar despojado e pop. O \u00e1lbum conta com participa\u00e7\u00f5es de Milton Nascimento, Pedro Aznar e Ron Carter, mas mesmo assim n\u00e3o foi bem recebido na \u00e9poca, vendendo pouco e n\u00e3o chamando muita aten\u00e7\u00e3o. \u201cAquele Frevo Ax\u00e9\u201d n\u00e3o \u00e9 um disco ruim, s\u00f3 \u00e9 fraco para uma cantora com tanta intensidade como Gal. A prova disso \u00e9 sua interpreta\u00e7\u00e3o para \u201cAssum Branco\u201d (faixa de Jos\u00e9 Miguel Wisnik, que conversa com a cl\u00e1ssica \u201cAssum Preto\u201d, de Luiz Gonzaga), onde Gal exp\u00f5e sua intensidade, sua delicada for\u00e7a, acompanhada de um piano lamurioso tocado pelo pr\u00f3prio Wisnik; \u00e9 uma faixa que prova que este poderia ter sido um disco poderoso, mas n\u00e3o o \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 4<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cImuniza\u00e7\u00e3o Racional\u201d, \u201cA Voz do Tambor\u201d e \u201cVoc\u00ea\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cAssum Branco\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57505\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal27.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal27.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal27-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal Costa Canta Tom Jobim\u201d (1999)<\/strong><br \/>\nNesse ao vivo lan\u00e7ado em forma de disco duplo, Gal reencontra a menina Gracinha, que encantada pela bossa nova se apaixonou pela m\u00fasica e pelo canto. O \u00e1lbum funciona praticamente como um songbook do compositor (e, por conseguinte, da bossa nova), onde ela revisita as faixas mais marcantes dele. Aqui est\u00e3o \u201cGarota de Ipanema\u201d, \u201cCorcovado\u201d, \u201cDesafinado\u201d, entre outras. Tudo \u00e9 cantando com poder, com entrega e com uma limpidez da voz de Gal, cada faixa deixando transparecer a import\u00e2ncia que elas possuem para a cantora. S\u00e3o vers\u00f5es lindas, delicadas, bem produzidas, tudo muito classy, mas a verdade \u00e9 que no final das contas \u00e9 um disco chato. Tudo aqui soa mais do mesmo, aqui tudo \u00e9 muito subserviente ao original, tudo \u00e9 muito \u201chomenagem \u00e0 bossa nova\u201d. \u00c9 um disco bem feito, de bom gosto, mas completamente esquec\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cChega de saudade\u201d e \u201cA Felicidade\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cWave\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57506\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal28.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal28.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal28-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal de Tantos Amores\u201d (2001)<\/strong><br \/>\nEste \u00e9 o primeiro dentro da tr\u00edade dos \u00e1lbuns mais desanimados e esquec\u00edveis da carreira de Gal. Composto por regrava\u00e7\u00f5es de cl\u00e1ssicos de sua carreira, \u201cDe Tantos Amores\u201d traz tr\u00eas faixas in\u00e9ditas: \u201cCaminhos do Mar\u201d (Dorival e Danilo Caymmi), feita especialmente para a trilha da novela global \u201cPorto dos Milagres\u201d; \u201cAbandono\u201d, de Caetano Veloso e \u201cApaixonada\u201d, que serviu de trilha pro filme \u201cA Partilha\u201d (de Daniel Filho, 2001). Com produ\u00e7\u00e3o do cineasta Daniel Filho ao lado de Wagner Tiso, esse disco foi constru\u00eddo sob o tema \u201camor\u201d, mas o que salta aos ouvidos \u00e9 ver can\u00e7\u00f5es t\u00e3o cl\u00e1ssicas dentro do repert\u00f3rio de Gal ganhando arranjos antiquados, com ecos de um romantismo brega. Todas as vers\u00f5es aqui apresentadas s\u00e3o o suprassumo da \u201ctrilha sonora de restaurante classe A\u201d, isto \u00e9, tudo t\u00e3o mon\u00f3tono e esquec\u00edvel, que n\u00e3o causa inc\u00f4modo se tocada bem de leve ao fundo do nosso jantar. A voz de Gal jamais merecia arranjos t\u00e3o pregui\u00e7osos, por\u00e9m o mais terr\u00edvel desse disco \u00e9 ter que ouvir maravilhas como \u201c\u00cdndia\u201d ou \u201cQue Pena\u201d em vers\u00f5es monoc\u00f3rdicas. Pouco se salva desse disco, at\u00e9 a voz de Gal soa mais do mesmo, parecendo que a cantora est\u00e1 eternamente presa em algum piano bar de novela do Manoel Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 0,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d e \u201cCaminhos do Mar\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cO Amor\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57507\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal29.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal29.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal29-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGal Bossa Tropical\u201d (2002)<\/strong><br \/>\nProduzido por Marco Mazzola, esse disco tamb\u00e9m se encaixa dentro da fase de regrava\u00e7\u00f5es da cantora, mas apesar do que o t\u00edtulo possa transparecer, aqui o repert\u00f3rio \u00e9 m\u00faltiplo, indo de cover dos Beatles at\u00e9 Rita Lee, passando por faixas dos Tit\u00e3s, de Vander Lee e, claro, Caetano. Fugindo da monotonia (e do fracasso) do disco anterior, \u201cBossa Tropical\u201d aposta em faixas mais pops, numa tentativa de sucesso radiof\u00f4nico, por\u00e9m o que se tem aqui \u00e9 um disco esquec\u00edvel, fr\u00e1gil e comum. Soa como aqueles discos de cantoras de MPB que emulam a pr\u00f3pria Gal. \u201cEpit\u00e1fio\u201d, dos Tit\u00e3s, que havia sido um hit da banda na \u00e9poca, ganha uma vers\u00e3o pueril. A cl\u00e1ssica \u201cOvelha Negra\u201d, de Rita Lee, ganha uma vers\u00e3o terr\u00edvel, que numa tentativa de soar jovem e moderna, acaba se tornando completamente esquec\u00edvel, minimizando a for\u00e7a da composi\u00e7\u00e3o. O disco foi recebido de forma mais positiva pela cr\u00edtica na \u00e9poca, mas n\u00e3o fez o sucesso esperado. Os momentos mais agrad\u00e1veis s\u00e3o aqueles em que Gal consegue se mostrar mais alegre, mais solta, mesmo assim, no todo, esse disco apresenta uma Gal meio deslocada de seu tempo, buscando se conectar com um novo p\u00fablico, que na verdade ela nem sabe quem \u00e9. As faixas em que o baixo de Paulo C\u00e9sar Barreto se sobressai mostram que esse disco poderia ser melhor se houvesse um pouco mais de ousadia e menos preocupa\u00e7\u00e3o com as vendas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 2<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cSocorro\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cMarcianita\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57508\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal30.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal30.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal30-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTodas as Coisas e Eu\u201d (2003)<\/strong><br \/>\nSeguindo a onda de regrava\u00e7\u00f5es, esse disco tem um repert\u00f3rio quase memorialista, com Gal retomando can\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas que datam dos anos 20 at\u00e9 os anos 60\/70. A cantora remexe no repert\u00f3rio de artistas como Noel Rosa, Dolores Duran, Lupic\u00ednio Rodrigues, Humberto Teixeira, Ary Barroso e Herivelto Martins, num setlist que parece sa\u00eddo de algum show de Maria Beth\u00e2nia. Por\u00e9m esque\u00e7amos essa compara\u00e7\u00e3o, pois o que Gal faz \u00e9 despojar tais can\u00e7\u00f5es dos exageros dram\u00e1ticos usuais, dando a todas um tom que pretende-se classudo, artsy, mas que soa como uma longa trilha de novela (talvez fruto da produ\u00e7\u00e3o de Mariozinho Rocha, diretor musical da Globo). O tempo, ali\u00e1s, \u00e9 um problema do disco: s\u00e3o mais de 50 minutos de uma toada excessivamente homog\u00eanea, que soa mon\u00f3tona. As escolhas de repert\u00f3rio s\u00e3o, obviamente, p\u00e9rolas do cancioneiro brasileiro, mas as vers\u00f5es aqui apresentadas n\u00e3o trazem novidades, n\u00e3o aparecem modernizadas, como seria o usual da cantora. Tudo em \u201cTodas as Coisas e Eu\u201d soa repetitivo, lugar-comum, de forma menos delicada, tudo aqui \u00e9 chato demais. Aparentemente h\u00e1 uma subservi\u00eancia \u00e0s vers\u00f5es originais ou mais cl\u00e1ssicas dessas faixas, deixando claro que esse poderia ser um grande disco, se fosse um pouco mais ousado, menos careta, visto que a voz de Gal est\u00e1 em um dos seus melhores momentos: afinada, certeira e forte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 1,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cNossos Momentos\u201d e \u201cE da\u00ed?\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cNervos de A\u00e7o\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57509\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal31.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal31.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal31-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cHoje\u201d (2005)<\/strong><br \/>\n\u201cHoje\u201d foi feito no ano em que Gal completava 60 anos e \u00e9 seu primeiro disco de composi\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas em 12 anos. Aqui ela traz can\u00e7\u00f5es novas ou desconhecidas de compositores em sua maioria jovens, como Moreno Veloso, Junio Barreto, Tito Bahiense, Mois\u00e9s Santana e o congol\u00eas Lokua Kanza. Este trabalho marca uma tentativa da cantora de se comunicar com um p\u00fablico novo, investindo em novas propostas, uma atitude usual em sua carreira. Este \u00e1lbum foi lan\u00e7ado pela gravadora Trama, que na \u00e9poca investia em possibilidades diferentes, sendo poss\u00edvel (\u00e0 \u00e9poca) ouvir o \u00e1lbum em streaming no site da gravadora. Apesar de cercada de juventude, a produ\u00e7\u00e3o do disco ficou a cargo de C\u00e9sar Camargo Mariano, pianista que j\u00e1 havia trabalhado no disco \u201cBaby Gal\u201d e que d\u00e1 esse tom s\u00e9rio do disco, com toques de cool jazz. Mesmo assim esse ainda \u00e9 um trabalho muito pessoal, em que Gal surge solta, sincera, em can\u00e7\u00f5es que ela pr\u00f3pria escolhera (entre as mais de 300 composi\u00e7\u00f5es que ela possu\u00eda para selecionar). \u201cHoje\u201d \u00e9 certamente o disco mais pessoal de sua carreira: aqui n\u00e3o vemos as personas de Caetano, de Chico, de Tom Jobim, vemos apenas as escolhas de Gal, sua voz l\u00edmpida, suntuosa e sensual. Al\u00e9m dessa sensualidade madura e imponente, o disco tem ecos africanos, que v\u00e3o al\u00e9m das composi\u00e7\u00f5es de Lokua Kanza, mas sim pelos backing vocals de Silvera, cantor e instrumentista paulistano, que por acaso estava gravando no mesmo est\u00fadio e acabou participando do disco. Ali\u00e1s, o disco foi todo gravado com Gal e banda juntos no est\u00fadio, dando ainda mais intimismo e verdade ao projeto. \u201cHoje\u201d n\u00e3o \u00e9 um marco na carreira de Gal, mas certamente \u00e9 um belo disco, que mostra a sua gana por novidades, sua entrega e a verdade de seu canto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMar e Sol\u201d, \u201cPra Que Cantar\u201d e \u201cSantana\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSexo e Luz\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57510\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal32.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal32.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal32-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAo Vivo\u201d (2006)<\/strong><br \/>\nLevando o repert\u00f3rio do disco \u201cHoje\u201d para o palco, Gal n\u00e3o traz grandes mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o ao disco, tudo segue sua linha minimalista, que preza pelo protagonismo de sua voz. Talvez o melhor desse ao vivo seja o fato dele ter sido feito pela gravadora Trama, que n\u00e3o interfere explicitamente nas escolhas da cantora, uma vez que seu repert\u00f3rio n\u00e3o faz concess\u00f5es aos seus sucessos radiof\u00f4nicos, nem traz todo aquele revisionismo bossa nova que tinha dominado seus shows nos anos anteriores. Gal traz quase todas as faixas de \u201cHoje\u201d, acompanhado de alguns cl\u00e1ssicos, como \u201cFeitio de Ora\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cJuventude Transviada\u201d. N\u00e3o \u00e9 um ao vivo arrebatador ou surpreendente, mas \u00e9 saboroso poder ouvir Gal \u00e0 vontade no palco, cantando de forma alegre, fazendo com que seu sorriso surja atrav\u00e9s do \u00e1udio. Depois de anos de shows mon\u00f3tonos, esse \u00e9 um trabalho digno da for\u00e7a de Gal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cFruta Gogoia\u201d, \u201cSantana\u201d, \u201cSexo e Luz\u201d, e \u201cMeu nome \u00e9 Gal\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cTodo Amor Que Houver Nessa Vida\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57511\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal33.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal33.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal33-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLive at the Blue Note\u201d (2006)<\/strong><br \/>\nEsse ao vivo \u00e9 praticamente o \u201cGal canta Tom Jobim\u201d, s\u00f3 que em Nova York. Acrescido de algumas faixas de outros compositores, como Ary Barroso e Dorival Caymmi, o show de Gal na famosa casa de jazz nova-iorquina \u00e9 na verdade um grande espet\u00e1culo para os gringos, funciona como uma apresenta\u00e7\u00e3o de bossa nova que eles adoram, aqui com os vocais l\u00edmpidos e singulares da baiana. Entre uma faixa e outra ela conversa com um ingl\u00eas cheio do seu saboroso sotaque baiano. Eis um disco mais do mesmo que pode sorar interessante na g\u00f4ndola de \u201cworld music\u201d na Europa e nos EUA, mas completamente desnecess\u00e1rio ao p\u00fablico brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 2<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cFotografia\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57512\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal34.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal34.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal34-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRecanto\u201d (2011)<\/strong><br \/>\nDepois de seis anos de hiato de est\u00fadio, Gal retorna com um registro moderno, minimalista, com bases eletr\u00f4nicas. Quebradi\u00e7o, po\u00e9tico e quase g\u00e9lido em suas experimenta\u00e7\u00f5es, \u201cRecanto\u201d afugentou muita gente e apresentou uma Gal renovada e ousada para as novas gera\u00e7\u00f5es. O disco foi todo composto por Caetano, que tamb\u00e9m produziu as faixas ao lado de seu filho, Moreno Veloso. \u00c9 um \u00e1lbum que praticamente poderia ser assinado como o primeiro disco dos dois: \u201cCaetano Veloso &amp; Gal Costa\u201d. Gal at\u00e9 aparenta um tanto de frieza e desconforto em um territ\u00f3rio t\u00e3o diferente, baseada no rock, na eletr\u00f4nica e na m\u00fasica ambiente, mas mesmo assim soa corajosa quando p\u00f5e sua voz em contraponto com o autotune ou quando canta desavergonhadamente um funk-po\u00e9tico t\u00edpico de Caetano. \u201cRecanto\u201d \u00e9 um disco que pode ser chamado de engessado, mas que com o passar do tempo vai mostrando-se um elo forte entre Gal e as novas plateias. Atualmente, \u201cRecanto\u201d j\u00e1 pode ser visto como o marco de uma cantora que se reinventa constantemente e que n\u00e3o abandona sua for\u00e7a tropicalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cRecanto Escuro\u201d, \u201cTudo d\u00f3i\u201d e \u201cMiami Maculel\u00ea\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cNeguinho\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57513\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal35.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal35.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal35-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cRecanto Ao Vivo\u201d (2013)<\/strong><br \/>\nO show decorrente do disco \u201cRecanto\u201d \u00e9 um marco do reencontro de Gal com as plateias mais jovens e com um p\u00fablico que n\u00e3o \u00e9 o dos teatros caros que costumeiramente recebem os shows de MPB. Aqui Gal retoma sua for\u00e7a como uma voz de gera\u00e7\u00f5es e mescla seu repert\u00f3rio mais eletr\u00f4nico com suas faixas cl\u00e1ssicas, fazendo um registro \u00fanico, que deixa pra traz qualquer desconforto que sua voz aparentava no disco de est\u00fadio. Entre guitarras e programa\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas, Gal se mostra entregue num show que revisita faixas seminais, como \u201cVapor Barato\u201d e \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d, em vers\u00f5es poderosas. Acrescente-se a\u00ed a volta de faixas esquecidas no seu repert\u00f3rio, como \u201cDa Maior Import\u00e2ncia\u201d e \u201cM\u00e3e\u201d, que voltam repaginadas e se comunicando perfeitamente com nosso tempo. No palco, Gal aparece mais solta, dan\u00e7ando funk ou abrindo espa\u00e7o para as guitarras pesadas de sua banda. O disco, assim como o DVD de mesmo nome, marcam uma fase de suntuosa ousadia da cantora, mas mais que isso, servem como cart\u00e3o de visitas da obra da baiana \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es. No fim das contas, \u201cRecanto Ao Vivo\u201d \u00e9 como um manifesto em que Gal proclama: \u201cestou viva e cheia de coragem\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/05\/entrevista-gal-costa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista com Gal sobre esse disco no Scream &amp; Yell<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 9<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cTudo d\u00f3i\u201d, \u201cM\u00e3e\u201d, \u201cMiami Maculel\u00ea\u201d e \u201cFor\u00e7a Estranha\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cVapor Barato\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57514\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal36.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal36.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal36-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cLive in London \u201971\u201d (2014)<\/strong><br \/>\nDurante o ex\u00edlio de Gil e Caetano, Gal acabou indo visitar os dois em Londres e \u00e9 l\u00e1 que a cantora se fortaleceria para voltar ao Brasil como a porta-voz dos dois e do desbunde. Em novembro de 1971, Gal e Gil se apresentaram no Student Centre, na City University London, num trabalho que \u00e9 praticamente um ac\u00fastico do \u201cFa-Tal\u201d, show que Gal havia estreado um m\u00eas antes no Brasil e que seria lan\u00e7ado em disco em dezembro do mesmo ano. A grava\u00e7\u00e3o desse show ficou perdida at\u00e9 1998, quando o produtor Marcelo Fro\u00e9s foi at\u00e9 Londres buscar as fitas de um disco inacabado de Gil e acabou descobrindo essa raridade. Remasterizado e editado, o show foi lan\u00e7ado em forma de disco duplo em 2014 pelo selo de Fr\u00f3es, o Discobertas, tendo o primeiro disco grande parte do repert\u00f3rio de \u201cFa-Tal\u201d e o segundo mais baseado nas m\u00fasicas de Gil, especialmente as que comporiam o vindouro \u201cExpresso 2222\u201d (1972). Despreocupados e em um ambiente informal, esse show \u00e9 marcado por experimenta\u00e7\u00f5es, improvisos e um clima raramente captado nos ao vivos dos dois. Sendo este um texto sobre Gal, nosso foco de an\u00e1lise fica baseado no primeiro disco, que \u00e9 o show da cantora, onde ela apresenta vers\u00f5es completamente diferentes de suas faixas em solo brasileiro, aqui elas aparecem na forma ac\u00fastica e recheadas de vocaliza\u00e7\u00f5es dela e de Gil. O segundo disco, com as faixas de Gil, \u00e9 mais experimental ainda, com vers\u00f5es de mais de 10 minutos, cheias de ousadia e improvisa\u00e7\u00f5es. Mais que um registro hist\u00f3rico, esse show capta uma efervesc\u00eancia e uma empatia entre os dois artistas que n\u00e3o h\u00e1 comparativo em suas obras. \u201cLive in London \u201871\u201d \u00e9 uma p\u00e9rola de versatilidade e ousadia dos dois e, mais uma vez, confirma Gal como \u00edcone de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cVapor Barato\u201d, \u201cMaria Beth\u00e2nia \/ Bota as M\u00e3os nas Cadeiras\u201d e \u201cAcau\u00e3\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSai do Sereno\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57515\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal37.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal37.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal37-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cEstratosf\u00e9rica\u201d (2015)<\/strong><br \/>\nDepois do sucesso de \u201cRecanto\u201d, Gal se sentiu mais confiante e percebeu que havia um p\u00fablico pronto para suas ousadias. Sendo assim, ela delegou aos produtores musicais Kassin e Moreno Veloso: \u201cEnlouque\u00e7am nos arranjos. N\u00e3o quero nada careta. Quero um disco arrojado\u201d. E assim \u00e9 \u201cEstratosf\u00e9rica\u201d. Cercada de jovens artistas, tanto na produ\u00e7\u00e3o quanto nas composi\u00e7\u00f5es, Gal se apresente m\u00faltipla, indo do rock ao samba, perpassando pelas eletronices agora usuais. Gal apresenta aqui um repert\u00f3rio com nomes como C\u00e9u, Thalma de Freitas, Mallu Magalh\u00e3es, Marcelo Camelo, Criolo e, como sempre, Caetano Veloso (aqui ao lado do filho Zeca). A produ\u00e7\u00e3o de Kassin e Moreno d\u00e1 o tom ao disco, legando unidade e coes\u00e3o a essa miscel\u00e2nea, trazendo ecos (ou arremedos?) da Gal tropicalista. A voz de Gal soa enfraquecida nesse disco, mesmo assim sua for\u00e7a mutante \u00e9 sacramentada logo na faixa de abertura, \u201cSem Medo nem Esperan\u00e7a\u201d (Arthur Nogueira\/Antonio Cicero), onde em meio a guitarras poderosas, ela afirma: \u201cNada do que fiz \/ por mais feliz \/ est\u00e1 \u00e0 altura \/ do que h\u00e1 por fazer\u201d. Passado certo tempo, \u201cEstratosf\u00e9rica\u201d pode ser visto como um disco um tanto quanto esquec\u00edvel, por\u00e9m ainda assim interessante (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/15\/a-fase-estratosferica-de-gal-costa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista no Scream &amp; Yell<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6,5<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cEspelho D\u2019\u00c1gua\u201d, \u201cQuando Voc\u00ea Olha Para Ela\u201d e \u201cAnuviar\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSem Medo Nem Esperan\u00e7a\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57516\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal38.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal38.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal38-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cEstratosf\u00e9rica Ao Vivo\u201d (2017)<\/strong><br \/>\nA turn\u00ea de \u201cEstratosf\u00e9rica\u201d segue os padr\u00f5es estabelecidos em \u201cRecanto\u201d: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/02\/26\/gal-costa-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gal em vers\u00e3o mais roqueira<\/a>, em casas de show mais despojadas, com p\u00fablico em p\u00e9, em comunica\u00e7\u00e3o mais clara com uma plateia mais jovem. Com dire\u00e7\u00e3o geral novamente de Marcus Preto e produ\u00e7\u00e3o musical de Pupillo (Na\u00e7\u00e3o Zumbi), esse ao vivo traz arranjos mais focados no conceito de banda de rock, com baixo, guitarra e bateria, tudo bem solto, com Gal mais livre no palco. De todo modo, o mais interessante desse disco \u00e9 a escolha de repert\u00f3rio, que consegue unir as can\u00e7\u00f5es do disco \u201cEstratosf\u00e9rica\u201d, alguns cl\u00e1ssicos de Gal e, ainda assim, pin\u00e7ar can\u00e7\u00f5es que ela h\u00e1 anos n\u00e3o cantava, como \u201cAcau\u00e3\u201d ou \u201cArara\u201d. \u00c9 claro que h\u00e1 adapta\u00e7\u00f5es para a voz atual da cantora, que j\u00e1 n\u00e3o canta de forma t\u00e3o alta como em outros momentos, mas mesmo assim \u00e9 muito forte v\u00ea-la se comunicando de forma t\u00e3o direta e crua com as guitarras \u2013 a nova vers\u00e3o de \u201cMal Secreto\u201d \u00e9 um deleite para os f\u00e3s daquela Gal dos anos 70. Al\u00e9m disso, vale ressaltar a reedi\u00e7\u00e3o de \u201cMeu Nome \u00e9 Gal\u201d, que aparece aqui com o acr\u00e9scimo de diferentes nomes no momento do \u201cpessoal da pesada\u201d; \u00e9 muito bonito ver Gal celebrando e trocando com essa nova gera\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos e compositores. Vale acrescentar que a gravadora Biscoito Fino disponibilizou essa apresenta\u00e7\u00e3o na \u00edntegra, de forma gratuita (assista no fim do texto e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/12\/14\/entrevista-gal-costa-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">leia entrevista no Scream &amp; Yell<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cMeu nome \u00e9 Gal\u201d, \u201cMal Secreto\u201d e \u201cArara\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSem Medo Nem Esperan\u00e7a\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57517\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal39.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal39.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal39-300x134.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTrinca de Ases\u201d (2018)<\/strong><br \/>\n\u201cTrinca de Ases\u201d \u00e9 o nome da turn\u00ea que reuniu Gal, Gilberto Gil e Nando Reis durante o ano de 2017. Esse encontro virou disco duplo lan\u00e7ado em 2018 e que conta com uma mescla do repert\u00f3rio dos tr\u00eas artistas \u2013 incluindo a\u00ed tr\u00eas can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, \u201cTocarte\u201d, escrita por Gil e Nando, \u201cDupla de \u00c1s\u201d, de Nando, e \u201cTrinca de Ases\u201d, de Gil. Com dire\u00e7\u00e3o musical de Gil e Nando, \u201cTrinca de Ases\u201d n\u00e3o tem nada musicalmente surpreendente ou novo, e funciona mais como um deleite para f\u00e3s dos tr\u00eas artistas, pois \u00e9 muito mais sobre esse encontro e essa troca, do que realmente sobre a cria\u00e7\u00e3o de algo diferente. Por isso mesmo, \u00e9 v\u00e1lido para quem tem \u00e2nimo para as quase duas horas de dura\u00e7\u00e3o do que parece um grande \u201cgreatest hits\u201d do trio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cTrinca de Ases\u201d e \u201cEsot\u00e9rico\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cDois Rios\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57518\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal40.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal40.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal40-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA Pele do Futuro\u201d (2018)<\/strong><br \/>\nEmbalado pela dance music e pelos ritmos dos anos 70 e 80, \u201cA Pele do Futuro\u201d surge como mais uma tentativa de Gal de se comunicar com o moderno enquanto remexe no seu ba\u00fa. De cara, o mais evidente \u00e9 que a voz de Gal n\u00e3o tem mais a mesma pot\u00eancia e parece \u00e1spera, sem a limpidez usual. Em segundo lugar, destaca-se a profus\u00e3o um tanto confusa do disco: n\u00e3o h\u00e1 unidade, mas sim tiros em diferentes dire\u00e7\u00f5es. Faixas como \u201cSublime\u201d (Dani Black), \u201cLivre do Amor\u201d (Adriana Calcanhotto) e \u201cPalavras no Corpo\u201d (Silva \/ Omar Salom\u00e3o) soam belas e interessantes, enquanto a grande maioria soa fr\u00edvola ou at\u00e9 mesmo esquec\u00edvel \u2013 \u201cPuro Sangue (Libelo do Perd\u00e3o)\u201d (Guilherme Arantes) chega ao ponto de ser inc\u00f4moda de se ouvir. Sua parceria com Mar\u00edlia Mendon\u00e7a em \u201cCuidando de Longe\u201d \u00e9 curiosa: o encontro das duas vozes \u00e9 estranho e o backing vocal de Maria Gad\u00fa, C\u00e9u e Felipe Catto \u00e9 uma das coisas mais bregas do disco; no final das contas, torna-se o momento mais pop de Gal nos anos 2010, sem que isso seja necessariamente bom. J\u00e1 seu esperado dueto ao lado de Maria Beth\u00e2nia em \u201cMinha M\u00e3e\u201d \u00e9 outro momento estranho do disco: a voz l\u00edmpida de Beth\u00e2nia exp\u00f5e as fissuras da voz de Gal. \u201cMinha M\u00e3e\u201d \u00e9 uma faixa linda e funcionaria perfeitamente no repert\u00f3rio de Beth\u00e2nia, mas aqui soa desconexa. Com dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Marcus Preto (tamb\u00e9m respons\u00e1vel por \u201cEstratosf\u00e9rica\u201d) e produ\u00e7\u00e3o de Pupillo, \u201cA Pele do Futuro\u201d acaba oscilando entre o interessante e o repetitivo. Sem surpresas relevantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 6<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cLivre do Amor\u201d e \u201cAbre-Alas do Ver\u00e3o\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cSublime\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57519\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal41.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal41.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal41-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cA Pele do Futuro Ao Vivo\u201d (2019)<\/strong><br \/>\nSe no disco de est\u00fadio \u201cA Pele do Futuro\u201d a voz de Gal parecia fr\u00e1gil e com nuances estranhas, o ao vivo j\u00e1 mostra na primeira faixa, \u201cD\u00ea Um Rol\u00ea\u201d, um calor e uma for\u00e7a que arrebatam. E isso s\u00f3 se expande em cada can\u00e7\u00e3o: Gal est\u00e1 em momento de sublime maturidade e isso se espalha em sua voz de forma interessant\u00edssima. Marcus Pretto e Pupillo repetem a parceria de \u201cEstratosf\u00e9rica Ao Vivo\u201d e o interessante \u00e9 como o roteiro e a escolha das can\u00e7\u00f5es embaralha o tempo e constr\u00f3i esse panorama muito forte da vanguarda musical de Gal. Can\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas como \u201cMam\u00e3e, Coragem\u201d e \u201cLondon, London\u201d conversam de forma coesa com as recentes \u201cSublime\u201d (cantada em coro pela plateia) ou \u201cMotor\u201d (faixa de Teago Oliveira, da Maglore, que havia ficado de fora do setlist original do disco de Gal). Ao vivo, \u201cA Pele do Futuro\u201d consegue fechar as arestas que haviam no disco e soa mais coeso, tanto que \u201cCuidando de Longe\u201d (originalmente um dueto com Mar\u00edlia Mendon\u00e7a) se fecha bem em momento pop dan\u00e7ante quase ao final do show. De todo modo, o momento mais delicado \u00e9 o medley entre \u201cMinha M\u00e3e\u201d e a cl\u00e1ssica \u201cOra\u00e7\u00e3o da M\u00e3e Menininha\u201d, uma faixa de mais de seis minutos, que mostra essa dualidade entre a for\u00e7a e a delicadeza de Gal. \u201cA Pele do Futuro Ao Vivo\u201d \u00e9 o \u201cexplicando para confundir\u201d de Gal, pois consegue dar um panorama hist\u00f3rico de sua carreira, costurando passado e futuro e ainda assim apresenta a artista de forma t\u00e3o viva, l\u00facida e intensa, que mais uma vez nos encanta e nos atordoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nota: 8<br \/>\nOu\u00e7a: \u201cL\u00e1grimas Negras\u201d, \u201cMotor\u201d e \u201cVaca Profana\u201d<br \/>\nPreferida: \u201cMinha M\u00e3e \/ Ora\u00e7\u00e3o da M\u00e3e Menininha\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57521\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal42.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal42.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal42-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Compactos e Raridades<\/strong><br \/>\nGal lan\u00e7ou poucos compactos em sua carreira, a maioria ali pelo in\u00edcio dos anos 70, posteriormente ela at\u00e9 lan\u00e7aria singles, mas todos com faixas que retornaram em discos. Dentre os compactos, um dos melhores e mais interessantes \u00e9 o \u201cCompacto Duplo\u201d (1971), lan\u00e7ado alguns meses antes do ao vivo \u201cFa-Tal\u201d e que traz uma vers\u00e3o delicada de est\u00fadio para \u201cSua Estupidez\u201d, que fez sucesso na \u00e9poca. Al\u00e9m disso, apresenta a quase concretista \u201cZo\u00edl\u00f3gico\u201d, de Gil, e a vers\u00e3o de est\u00fadio de \u201cVapor Barato\u201d, um rock acelerado e poderoso que marca Gal como ponto central dos prim\u00f3rdios do rock nacional. O compacto se encerra com a swingada \u201cVoc\u00ea N\u00e3o Entende Nada\u201d, de Caetano, faixa que ela s\u00f3 traria novamente ao seu repert\u00f3rio no \u201cAc\u00fastico MTV\u201d, nos anos 90. Outra faixa que ela retomaria em seu ac\u00fastico est\u00e1 presente no \u201cFlor de Maracuj\u00e1 Compacto\u201d (1975): a delicada \u201cTeco-Teco\u201d, que vem acompanhada das faixas \u201cFlor de Maracuj\u00e1\u201d, \u201cA R\u00e3\u201d e \u201cBarato Total\u201d, num prel\u00fadio do disco \u201cCantar\u201d. Antes disso, ela j\u00e1 havia lan\u00e7ado o compacto \u201cEstamos a\u00ed\/ Barato Modesto\u201d (1973), com duas faixas raras, que ela n\u00e3o retomaria em sua carreira e que hoje aparecem apenas na colet\u00e2nea dupla de (28) raridades \u201cDivina Maravilhosa\u201d, presente no box \u201cGal Total\u201d (2010). Aqui ela canta duas faixas de carnaval, o frevo \u201cEstamos a\u00ed\u201d e a divertida \u201cBarato Modesto\u201d, um misto de samba e ritmos nordestinos, uma p\u00e9rola que deveria ser revisitada. Esse compacto \u00e9 como um prel\u00fadio de seus momentos mais pops e carnavalescos no in\u00edcio dos anos 80. Nessa mesma linha e tamb\u00e9m integrante Da colet\u00e2nea \u201cDivina Maravilhosa\u201d, o compacto Acorda pra cuspir \/ Sem grilos (1974) traz duas deliciosas faixas carnavalescas que tamb\u00e9m merecem mais ouvintes.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57522\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal43.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal43.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal43-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gal e o audiovisual<\/strong><br \/>\nDiferente de seus amigos Caetano e Beth\u00e2nia, as incurs\u00f5es cinematogr\u00e1ficas de Gal s\u00e3o poucas. Em 1970 ela protagonizou o curta \u201cMeu Nome \u00e9 Gal\u201d, de Ant\u00f4nio Carlos da Fontoura, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de videoclipe, de experimenta\u00e7\u00e3o audiovisual. O \u00fanico outro filme que tem Gal como protagonista \u00e9 \u201cGal: do Tropicalismo aos Dias de Hoje\u201d, de Carlos Ebert e Marcello Bartz, que na verdade usa a carreira da cantora como fio condutor para contar a hist\u00f3ria da Tropic\u00e1lia e da m\u00fasica popular brasileira. O melhor registro de Gal, infelizmente, segue n\u00e3o exibido: o show \u201cFa-Tal\u201d foi filmado na \u00e9poca pelo cineasta Leon Hirzman, mas nunca lan\u00e7ado e segue hoje guardado na Cinemateca Brasileira. Em 2017, esse material de Hirzman foi utilizado na produ\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie documental \u201cO Nome Dela \u00e9 Gal\u201d, de Dandara Ferreira, exibida pela HBO Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo nas trilhas sonoras, Gal tem poucas participa\u00e7\u00f5es. Em 1969, ela participa da trilha de \u201cBrasil Ano 2000\u201d, de Walter Lima Jr., da qual Gilberto Gil e Rog\u00e9rio Duprat eram os respons\u00e1veis. Ela canta \u201cN\u00e3o Identificado\u201d, \u201cCan\u00e7\u00e3o da Mo\u00e7a\u201d, \u201cHomem de Neandertal\u201d (ao lado de Bruno Ferreira e Rog\u00e9rio Duprat) e \u201cShow de Me Esqueci\u201d (ao lado de Bruno, Rog\u00e9rio e \u00canio Gon\u00e7alves).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas outras incurs\u00f5es importantes da voz de Gal no cinema (e na TV) est\u00e3o como trilha das personagens de Jorge Amado. \u201cTieta do Agreste\u201d (1996), de Cac\u00e1 Diegues, tem trilha composta por Caetano, que chamou Gal para um dueto na faixa hom\u00f4nima, uma esp\u00e9cie de ax\u00e9 libertinoso para Tieta, uma maravilha! J\u00e1 \u201cGabriela\u201d (1983), de Bruno Barreto, tem trilha composta por Tom Jobim, na qual Gal canta \u201cTema de amor de Gabriela\u201d, ao lado do compositor. Gabriela ali\u00e1s \u00e9 dona de uma das faixas mais cl\u00e1ssicas do repert\u00f3rio da baiana, \u201cModinha para Gabriela\u201d, de Dorival Caymmi, faixa que ela nunca registrou oficialmente em disco, mas que se tornou um cl\u00e1ssico na abertura da novela \u201cGabriela\u201d, de 1975, e mais recentemente em seu remake, em 2012. As trilhas de novela s\u00e3o at\u00e9 um cap\u00edtulo \u00e0 parte na carreira de Gal (bem como de outros artistas dos anos 70 e 80), tendo ela dado voz a in\u00fameros romances e trai\u00e7\u00f5es na TV, mas sendo em grande maioria faixas j\u00e1 gravadas em disco ou registradas posteriormente. No quesito novelas, \u00e9 de rever-se a deliciosa participa\u00e7\u00e3o da cantora em \u201cDancin Day\u2019s\u201d (1978), em que canta \u201cFolhetim\u201d e \u201cLouca me Chamam\u201d, com uma flor vermelha no cabelo, sentada no ch\u00e3o, em uma festa poderosa da personagem de S\u00f4nia Braga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais recentemente, a voz de Gal pode ser ouvida no longa \u201cMeu Tio Matou Um Cara\u201d (2004), de Jorge Furtado, onde toca uma nova vers\u00e3o de \u201cBarato Total\u201d, gravada ao lado do Na\u00e7\u00e3o Zumbi, numa \u00f3tima onda de desbunde afrociberd\u00e9lico.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57523\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal44.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal44.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal44-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Universo Infantil<\/strong><br \/>\nSempre sensual, Gal poucas vezes foi atrelada ao universo infantil. S\u00e3o apenas duas incurs\u00f5es, mas que merecem aten\u00e7\u00e3o: em 1985 ela participou de \u201cTrem da Alegria do Clube da Crian\u00e7a\u201d, primeiro disco do Trem da Alegria, pupilos de seu amigo Michael Sullivan. Gal canta \u201cLili (Hi-Lili Hi-Lo)\u201d, uma antiga can\u00e7\u00e3o popular, tema do filme \u201cLili\u201d (1953), de Charles Walters, que at\u00e9 j\u00e1 havia sido gravada por Beth\u00e2nia. Acompanhada do Trem da Alegria e de Moreno Veloso (na \u00e9poca com 13 anos), Gal canta com terna delicadeza e um ar que remete aos filmes da Disney. \u00c9 imposs\u00edvel sair imune ap\u00f3s a risada da baiana no final da m\u00fasica. Uma p\u00e9rola!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais recentemente, em 2014, ela participou da regrava\u00e7\u00e3o de \u201cA Arca de No\u00e9\u201d, projeto infantil de Toquinho e Vin\u00edcius, que fez muito sucesso nos anos 80, onde canta a delicada \u201cAs Borboletas\u201d, que ganha uma roupagem nova, meio eletr\u00f4nica, que casaria bem com o seu show \u201cRecanto Ao Vivo\u201d; \u00e9 o tipo de faixa enquadrada como infantil, mas que poderia fazer parte facilmente do repert\u00f3rio adulto da cantora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57524\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal45.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal45.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gal45-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gal &amp; Ca\u00ea<\/strong><br \/>\nCaetano \u00e9 onipresente na carreira de Gal, isso j\u00e1 \u00e9 um fato. Beth\u00e2nia inclusive j\u00e1 disse em entrevista: \u201cCaetano decidiu que Gal seria a sua cantora j\u00e1 no show \u2018N\u00f3s, Por Exemplo\u2019 (1964)\u201d. E Gal \u00e9 a cantora que melhor entende suas can\u00e7\u00f5es e sua po\u00e9tica quase concreta. Nessa parceria de mais de 50 anos, o fato \u00e9 que Gal tamb\u00e9m marca presen\u00e7a na carreira de Caetano, mas certamente o ponto mais alto de suas incurs\u00f5es na discografia dele seja no disco \u201cTransa\u201d, um dos melhores de Ca\u00ea. No \u00e1lbum cl\u00e1ssico, a voz de Gal surge em algumas faixas, entoando versos, fazendo vocaliza\u00e7\u00f5es, backing-vocal-dona-do-dom. A verdade \u00e9: \u201cNeolhitc Man\u201d jamais seria a mesma sem Gal. Dentre os muitos encontros dos dois, talvez um dos momentos mais delicados seja o clipe feito para o Fant\u00e1stico da faixa \u201cAlgu\u00e9m Cantando\u201d, em 1978. Um resumo do que \u00e9 cantar, um momento de suntuosa beleza nessa irmandade art\u00edstica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Som Imagin\u00e1rio e Gal Costa   TV Tupi 1970\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1MGsvU47x8k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Profana - Gal Costa | musical televisivo | 1985\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lUr9DYGLIlE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ensaio | Gal Costa | 1994\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gPnmwx1HQsU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tieta do Agreste | Caetano Veloso e Gal Costa | concerto televisionado (vers\u00e3o condensada completa)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MjJc7oO-KtU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Outros (Doces) B\u00e1rbaros | Maria Beth\u00e2nia, Gal Costa, Gilberto Gil, Caetano Veloso (Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KHmbtpuWIbo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ensaio | Gal Costa | 09\/07\/2008\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2eeMCSsB_W4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gal Costa | Estratosf\u00e9rica Ao Vivo (Show Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Mwe0JOOyPDQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gal Costa | A Pele do Futuro Ao Vivo (Show Completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/o1V1LnUU5VM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz.<\/a> A foto que abre o texto \u00e9 de Liliane Callegari \/ Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><strong>Outras discografias comentadas<\/strong><br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Pin Ups, por Richard Cruz (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/04\/20\/discografia-comentada-pin-ups\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Leonard Cohen, por Julio Costello (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/08\/12\/discografia-comentada-midnight-oil\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Paralamas do Sucesso, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/06\/02\/discografia-comentada-os-paralamas-do-sucesso\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Ramones, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/discografia-comentada-ramones\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: The Clash, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/16\/discografia-comentada-the-clash\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Sin\u00e9ad O\u2019Connor, por Renan Guerra (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/08\/discografia-comentada-sinead-oconnor\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Babasonicos, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/13\/discografia-comentada-babasonicos\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Suede, por Eduardo Palandi (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/15\/discografia-comentada-suede\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Alanis Morissette, por Renata Arruda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/13\/discografia-comentada-alanis-morissette\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Pato Fu, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/26\/discografia-comentada-pato-fu\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Mogwai, por Elson Barbosa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/09\/discografia-comentada-mogwai\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Wander Wildner, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/06\/discografia-comentada-wander-wildner\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Foo Fighters, por Tomaz de Alvarenga (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/discografia-comentada-foo-fighters\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Morrissey, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/02\/21\/discografia-comentada-morrissey\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Bob Dylan, por Gabriel Innocentini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/discografia-comentada-bob-dylan-parte-1\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilson Farina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2011\/06\/22\/discografia-comentada-paul-mccartney\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/09\/20\/discografia-comentada-elvis-costello\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2009\/06\/11\/discografia-comentada-echo-the-bunnymen\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: The Cure, por Samuel Martins (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/03\/2010\/11\/09\/2010\/09\/20\/2009\/04\/23\/discografia-comentada-the-cure\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Discografia comentada: Nick Cave, por Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/04\/discografia-comentada-nick-cave\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Chegando aos 75 anos de idade com mais de 50 deles dedicado \u00e0 m\u00fasica, Gal exibe uma discografia vast\u00edssima, repleta de grandes discos. Aqui repassamos um a um todos os discos de uma das maiores vozes brasileiras\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/24\/discografia-comentada-gal-costa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":57478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[967],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57477"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":70618,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57477\/revisions\/70618"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}