{"id":57471,"date":"2020-09-23T01:27:33","date_gmt":"2020-09-23T04:27:33","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57471"},"modified":"2020-11-17T03:50:28","modified_gmt":"2020-11-17T06:50:28","slug":"entrevista-da-argentina-acorazado-potemkin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/23\/entrevista-da-argentina-acorazado-potemkin\/","title":{"rendered":"Entrevista: da Argentina, Acorazado Potemkin"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>&nbsp;<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 2009 o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/AcoPotemkin\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acorazado Potemkin<\/a> vem entregando \u00e1lbuns onde cada can\u00e7\u00e3o soa como trilha sonora para uma determinada ideia. S\u00e3o cria\u00e7\u00f5es muito particulares dentro da est\u00e9tica direta e nada banal que a banda escolheu, complexas o bastante para n\u00e3o permitir associa\u00e7\u00e3o com nenhuma cena ou \u201cturma\u201d, e assimil\u00e1veis e en\u00e9rgicas o suficiente para se enquadrarem, sem drama, no que chamamos de rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juan Pablo Fern\u00e1ndez (voz e guitarra), Luciano \u201cLulo\u201d Esain (bateria) e Federico Ghazarossian (baixo) j\u00e1 tinham uma trajet\u00f3ria digna de nota nas fileiras da m\u00fasica argentina. Fern\u00e1ndez vinha de quase 15 anos com a banda cult <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/pequenaorquestra.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Peque\u00f1a Orquesta Reincidentes<\/a> enquanto Esain vinha de passagens pelo igualmente cultuado projeto Flopa-Manza-Minimal e pela emblem\u00e1tica agremia\u00e7\u00e3o rockabilly Motorama, al\u00e9m de formar parte, at\u00e9 hoje, do quarteto indie <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/01\/25\/entrevista-valle-de-munecas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Valle de Mu\u00f1ecas<\/a> e da Delta Jazz Band. J\u00e1 Ghazarossian vinha de um universo mais amplo, que lhe permitiu circular do tango ao p\u00f3s-punk (\u00e0s vezes juntando as duas coisas) em grupos como Me Dar\u00e1s Mil Hijos, Los Visitantes, Los Crayones e Don Cornelio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7aram quatro \u00e1lbuns em seus 11 anos de trajet\u00f3ria: \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2r3SoMr59UxQl8FC5OmAhr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mugre<\/a>\u201d (2011), \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/15F2NimJeAcZ8DPvWmvY5B\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Remolino<\/a>\u201d (2014), \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5FD8nL46pPJmUv7qbvyocR\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Labios del R\u00edo<\/a>\u201d (2017) e \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2HDtisQaGjWoNH6J3Ff988\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Piel<\/a>\u201d (2019), os tr\u00eas \u00faltimos produzidos por Mariano Esain, irm\u00e3o de Lulo e seu parceiro no Valle de Mu\u00f1ecas. Os discos parecem seguir uma progress\u00e3o natural de um som que busca a s\u00edntese de cada can\u00e7\u00e3o via um processo que acontece n\u00e3o necessariamente pelo minimalismo, mas pela depura\u00e7\u00e3o de tudo que n\u00e3o \u00e9 essencial. Como se a busca fosse chegar \u00e0 vers\u00e3o definitiva de cada tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito dessa forma, parece algo muito et\u00e9reo, mas n\u00e3o \u00e9. Pense em quantas bandas voc\u00ea conhece \u2013 bandas boas, inclusive \u2013 cujos temas se prestam a muitas recria\u00e7\u00f5es, a ganhar cad\u00eancias ou vers\u00f5es diferentes com relativa facilidade. No caso do Acorazado Potemkin, simplesmente n\u00e3o d\u00e1. Tentar desconstruir qualquer can\u00e7\u00e3o da banda, mesmo as mais ligeiras, \u00e9 t\u00e3o descabido quanto, digamos, pegar a trilha sonora de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/12\/23\/blog-do-editor-cinco-monologos-classicos-do-cinema\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Apocalypse Now<\/a>\u201d e us\u00e1-la para sonorizar uma daquelas com\u00e9dias-padr\u00e3o do Adam Sandler.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPiel\u201d \u00e9 um passo adiante nessa constru\u00e7\u00e3o, um \u00e1lbum mais denso, de velocidade reduzida, mas com uma din\u00e2mica mais ampla. \u00c9, tamb\u00e9m, um disco que s\u00f3 foi apresentado ao vivo uma \u00fanica vez, por conta da pandemia do coronav\u00edrus. Se tudo correr como planejado, ter\u00e1 sua segunda execu\u00e7\u00e3o nos palcos em novembro, em uma live transmitida a partir de Niceto, uma das mais resilientes casas de shows da noite de Buenos Aires.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa noite de quarta-feira bem no meio de setembro, Juan Pablo, Fede e Lulo conversaram, por videoconfer\u00eancia, pelo Scream &amp; Yell. A conversa repassou a trajet\u00f3ria da banda, a import\u00e2ncia do palco para a exist\u00eancia de sua m\u00fasica, o processo compositivo e como decidiram fazer uma vers\u00e3o de uma composi\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/adriana-calcanhotto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adriana Calcanhotto<\/a> (!).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Acorazado Potemkin - La Mitad (Video Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZYYQJiLyDBY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas viveram um momento de grande impacto na m\u00fasica argentina, que foi o choque <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/republicacromagnon.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00f3s-Croma\u00f1on<\/a>. Era um per\u00edodo no qual muitos clubes fecharam e organizar shows era dific\u00edlimo. E hoje est\u00e3o passando por um momento em que simplesmente n\u00e3o h\u00e1 como tocar para o p\u00fablico. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, voc\u00eas veem semelhan\u00e7as entre os desafios de ambos os momentos?<\/strong><br \/>\nFede Ghazarossian: O p\u00f3s-Croma\u00f1on n\u00e3o me parecia t\u00e3o esquisito porque comecei a tocar tango bem nessa \u00e9poca, ou seja, estava tocando m\u00fasica ac\u00fastica em lugares como centros culturais ou nas ruas. Eram locais para 50 pessoas, ent\u00e3o n\u00e3o posso dizer que vivi uma dificuldade nessa \u00e9poca. Mas n\u00e3o d\u00e1 para comparar com hoje: j\u00e1 s\u00e3o seis meses sem tocar, e sem perspectiva de voltar a faz\u00ea-lo a n\u00e3o ser nesses shows por streaming ou em drive-ins, o que n\u00e3o cogito fazer. Que loucura que \u00e9 isso de 2020, um ano de n\u00e3o poder se abra\u00e7ar, n\u00e3o ter contato de pele!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo Esain: Hoje \u00e9 como em uma guerra: voc\u00ea coloca sua vida em standby por alguns anos. Estamos todos esperando em uma esp\u00e9cie de \u201cenquanto isso\u201d gigantesco e temos que fazer coisas para suportar esse \u201cenquanto isso\u201d. Nunca fiquei tanto tempo sem tocar bateria. Em algum momento a m\u00fasica ao vivo vai voltar e vai vir algo diferente, como sempre acontece depois de crises grandes. Mas em 2006 foi algo bem diferente de hoje. Era outra situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E diante disso, o que est\u00e1 no futuro de curto prazo para o Acorazado Potemkin? Afinal, voc\u00eas s\u00e3o uma banda para a qual o palco \u00e9 um espa\u00e7o fundamental. Por outro lado, voc\u00eas ainda est\u00e3o trabalhando \u201cPiel\u201d, lan\u00e7ando v\u00eddeos para as can\u00e7\u00f5es do disco&#8230;<\/strong><br \/>\n<em>(H\u00e1 um instante de sil\u00eancio e hesita\u00e7\u00e3o, no qual um integrante procura na tela alguma cumplicidade entre os demais)<\/em><br \/>\nFede: Eu n\u00e3o sei. Estamos esperando e vendo no que vai dar o dia a dia. Eu, pessoalmente, acho que se isso continuar por muito mais tempo, vou querer sentar para compor, porque a \u00fanica coisa que pode fluir nesse momento \u00e9 a m\u00fasica. \u00c9 isso: acho que em algum momento vai bater um \u201cpico\u201d de composi\u00e7\u00e3o e talvez tentemos fazer algo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Eu concordo. Tocamos uma \u00fanica vez esse disco, e felizmente foi no Niceto. Tocaremos novamente em novembro, vai ser a segunda apresenta\u00e7\u00e3o do disco \u2013 s\u00f3 que em uma live sem p\u00fablico, claro. Esses v\u00eddeos que estamos lan\u00e7ando eram para acompanhar os shows, em proje\u00e7\u00f5es. Agora estamos mudando o uso deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>M\u00fasica n\u00e3o precisa ser algo de turma, de cenas, mas admito que me intriga bastante ouvir a banda e perceber o que o som do Acorazado Potemkin \u00e9 t\u00e3o caracter\u00edstico que n\u00e3o d\u00e1 para associar com nada do que est\u00e1 estabelecido na m\u00fasica argentina.<\/strong><br \/>\nJuan Pablo Fern\u00e1ndez: Foi muito bom ouvir isso (risos) Creio que existe uma identidade que se constr\u00f3i disco a disco, que \u00e9 mais que simplesmente um estilo. N\u00f3s tr\u00eas somos bem curiosos e viemos de ambientes musicais bem distintos, tocando em projetos bem diferentes, e para conciliar isso usamos uma estrutura cada vez mais aberta [para compor]. Por outro lado, somos um trio, e existe a busca por fazer o m\u00e1ximo com uma forma\u00e7\u00e3o mais enxuta. O resultado n\u00e3o \u00e9 um clich\u00ea, n\u00e3o soa como o som do R\u00edo Plata (nota: mal comparado, o equivalente argentino para nossa MPB), nem como indie, nem como coisas mais tangueras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E se voc\u00eas pudessem imaginar um festival dos sonhos, com quem voc\u00eas gostariam de estar? Quem voc\u00eas veriam ou como pares, ou como gente com quem voc\u00eas poderiam se relacionar musicalmente?<\/strong><br \/>\nJuan Pablo: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/10\/04\/discografia-comentada-nick-cave\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nick Cave<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/11\/um-breve-olhar-sobre-a-discografia-de-leonard-cohen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonard Cohen<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fede (rindo): O Cohen est\u00e1 morto! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00e1 valendo! (risos)<\/strong><br \/>\nJuan Pablo (s\u00e9rio): \u00c9 que eu gostaria de tocar com algu\u00e9m com quem eu pudesse aprender. Poderia ser um grupo pequeno que est\u00e1 come\u00e7ando ou um velho cl\u00e1ssico. Poderia ser o Flaming Lips.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Para tocar dentro de bolhas? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juan: Isso! Assim eu aprendo! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fede: Estou com o Juan. Eu quero estar ao lado de gente com quem posso aprender, e que tenha a ver com o que fa\u00e7o. Posso tocar com uma sinf\u00f4nica ao meu lado&#8230; tocar Villa Lobos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Ou talvez&#8230; (cantarola a Marcha Imperial de \u201cStar Wars\u201d)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juan Pablo: Eu escuto muito Tinariwen e Max Riechter e adoraria tocar com eles, n\u00e3o porque tenho como aportar algo ao que eles fazem ou porque os vejo como semelhantes, mas porque tenho o que aprender deles. E no caso do Nick Cave, abrir\u00edamos para ele para economizar o dinheiro dos ingressos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Eu gostaria de tocar com o Neil Young.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPiel\u201d tem uma densidade que os outros \u00e1lbuns n\u00e3o tinham. Apesar de ter algumas can\u00e7\u00f5es bem diretas, como \u201cA La Encandilada\u201d ou \u201cPank\u201d, ele traz o baixo desempenhando um papel diferente, a guitarra soa mais grave, h\u00e1 outros caminhos harm\u00f4nicos. \u00c9 dif\u00edcil encontrar uma refer\u00eancia para o que est\u00e1 no disco, foi um aprofundamento em elementos que eram mais sutis nos \u00e1lbuns anteriores. O que provocou essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nFede: Eu vejo \u201cPiel\u201d como um disco muito r\u00e1pido. N\u00e3o na velocidade das can\u00e7\u00f5es, mas da feitura mesmo, porque foi feito muito rapidamente. Ensaiamos tr\u00eas ou quatro meses como loucos e entramos para gravar. Mas de fato, os outros tr\u00eas s\u00e3o mais ligeiros musicalmente, e fico feliz de termos conseguido mudar, porque o mais dif\u00edcil como trio \u00e9 encontrar essa din\u00e2mica de n\u00e3o se repetir cada disco e conseguir encontrar coisas novas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Est\u00e1 bom que te custe encontrar um parentesco ou uma refer\u00eancia direta para o som. Porque n\u00e3o somos paraquedistas. Eu e Juan Pablo escutamos muita m\u00fasica daqui e de fora, mas n\u00e3o \u00e9 como se procur\u00e1ssemos refer\u00eancias conscientes em meio a tudo que ouvimos. O que acontece nesse disco \u00e9 uma busca mais consciente por outros espa\u00e7os sonoros. Nos tr\u00eas anteriores existia uma interpreta\u00e7\u00e3o do Manza (nota: apelido pelo qual Mariano Esain \u00e9 conhecido) sobre o que poderia ser feito em termos de sonoridade, e nesse tivemos uma ideia mais pr\u00f3pria de como cada um queria fazer seu instrumento soar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A turn\u00ea de \u201cLabios del Rio\u201d foi bem grande e passou por outros pa\u00edses. Ter tocado para p\u00fablicos novos pode ter feito voc\u00eas repensarem a pr\u00f3pria m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nJuan Pablo: Pode ser. Nunca tinha pensado nisso, mas vendo agora, me parece que \u00e9 algo que realmente mudou nossa forma de trabalhar. Quando voc\u00ea come\u00e7a a trabalhar muito na estrutura de show para que seja, entre aspas, mais profissional, voc\u00ea come\u00e7a a pensar mais sobre as etapas da composi\u00e7\u00e3o, sobre o que acontece da porta pra dentro na sala de ensaio. Acho que esse vai ser o desafio quando voltarmos a nos encontrar. Potemkin sempre teve a ver com trabalho em grupo, e agora n\u00e3o estamos compondo juntos. Ent\u00e3o creio que o pr\u00f3ximo momento vai ser de tocar e se conectar. N\u00e3o que existam jams e improvisos, n\u00e3o compomos assim. Mas ningu\u00e9m vem com uma ideia j\u00e1 fechada. \u00c0s vezes a gente come\u00e7a com uma c\u00e9lula r\u00edtmica e a partir dela trabalhamos at\u00e9 achar o que queremos fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como se fosse encontrar a ess\u00eancia compositiva da can\u00e7\u00e3o. Uma trilha sonora para uma ideia espec\u00edfica, que s\u00f3 pode ser executada daquela forma.<\/strong><br \/>\nJuan Pablo: Isso mesmo! \u00c9 voc\u00ea quem est\u00e1 dizendo, mas pode dizer que fomos n\u00f3s, porque gostei disso. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Tinha uma \u00e9poca em que o Fede dizia que nossas can\u00e7\u00f5es eram como bolhas fechadas em si. \u00c9 uma defini\u00e7\u00e3o da qual sempre gostamos, mas vamos nos apropriar dessa da trilha sonora para uma ideia (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Todos voc\u00eas tocam em muitos outros projetos. Ainda assim, o Potemkin parece ocupar um espa\u00e7o especial na atividade musical de voc\u00eas. Ele \u00e9 a prioridade de todos, musicalmente falando?<\/strong><br \/>\nJuan Pablo: No meu caso, sim. Sinto que \u00e9 o meu projeto e que \u00e9 o lugar onde coloco as coisas que estou pensando, e que tem essa personalidade que se forma coletivamente. Se algum dia tenho uma ideia meio experimental ou meio esquisita, n\u00e3o acho que vou levar a banda nessa dire\u00e7\u00e3o. N\u00f3s n\u00e3o somos m\u00fasicos de acompanhamento, somos de interven\u00e7\u00e3o, de composi\u00e7\u00e3o. Geramos nosso pr\u00f3prio arranjo, nossa pr\u00f3pria proposta. Eu posso dizer que quero um baixo assim ou uma bateria assado, mas quando entramos na sala de ensaio e vamos tocar essa ideia, tudo muda totalmente. Existe muito respeito e muita generosidade, existe amor e carinho entre os companheiros. Quando isso acontece, qualquer ideia fica melhor. E na verdade, as melhores ideias s\u00e3o as que chegam mais abertas para cria\u00e7\u00e3o pelos tr\u00eas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fede: Eu trabalho como m\u00fasico, toco com outras bandas e toco tango, toco com bandas que misturam tango com outros g\u00eaneros. Isso \u00e9 meu ganha-p\u00e3o, mas o Potemkin \u00e9 uma quest\u00e3o pessoal, \u00e9 como um casamento: trabalhamos em tr\u00eas de uma maneira muito pr\u00f3xima. Todos temos uma fome individual de buscar o que n\u00e3o \u00e9 autorrepeti\u00e7\u00e3o, jogamos coisas diferentes e pessoais no processo criativo, e isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque, como disse o Juan Pablo, existe amor no caminho. Estamos sempre gerando aquilo que \u00e9 o m\u00e1ximo poss\u00edvel para n\u00f3s, que nos faz sair dos nossos lugares c\u00f4modos, das nossas zonas de conforto. Acho que \u00e9 por isso que n\u00e3o nos veem como uma banda tipicamente argentina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Como m\u00fasico de v\u00e1rias bandas simult\u00e2neas que chegou a ter tr\u00eas projetos principais, precisei me equilibrar. O que fiz foi n\u00e3o guardar nada: \u201cah, isso \u00e9 para o Motorama, isso \u00e9 para o Valle de Mu\u00f1ecas, isso \u00e9 para o Acorazado Potemkin&#8230;\u201d Jamais fa\u00e7o isso. O meu tocar est\u00e1 a servi\u00e7o da m\u00fasica que estou fazendo no momento. E nesse momento, o Potemkin \u00e9 meu grupo principal, porque os integrantes do Motorama se dispersaram e o Manza (que \u00e9 frontman do Valle de Mu\u00f1ecas) est\u00e1 mais dedicado ao projeto solo dele. Mas [tocar com o Acorazado Potemkin] \u00e9 tipo um fogo que j\u00e1 estava aceso, e se reaqueceu quando nos aproximamos. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil dizer que \u00e9 nosso projeto mais afetivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que estamos falando bastante do Manza, acho que vale perguntar: pelo fato de ele ter tido um papel mais decisivo na sonoridade dos discos e ser um colaborador frequente, voc\u00eas o diriam que \u2013 no melhor clich\u00ea roqueiro \u2013 ele \u00e9 quase um quarto integrante da banda?<\/strong><br \/>\nJuan Pablo: N\u00e3o sei se ele \u00e9 o quarto integrante, porque a composi\u00e7\u00e3o vem antes da sonoridade e ele n\u00e3o participa da composi\u00e7\u00e3o. O que ele faz conosco \u00e9 traduzir as ideias de forma que consigamos plasm\u00e1-las, e ele opina nas letras, \u00e0s vezes. Mas cada vez mais temos mais confian\u00e7a para falar com ele, para ser mais assertivos no que queremos. Por outro lado, o Potemkin \u00e9 uma c\u00e9lula com v\u00e1rias pessoas trabalhando, trazemos os m\u00fasicos convidados para essas c\u00e9lulas e eles se somam \u00e0s nossas entregas. Ent\u00e3o existem muitos \u201cquartos integrantes\u201d nessa hora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lulo: Cada disco que fizemos com ele teve um approach diferente, ele sabia entender nossas aspira\u00e7\u00f5es e conduzir tanto uma grava\u00e7\u00e3o no Ion (nota: c\u00e9lebre est\u00fadio de Buenos Aires) quanto uma grava\u00e7\u00e3o com todos tocando juntos em uma \u00fanica sala. S\u00e3o diferentes maneiras de ir chegando ao que queremos. Ele nos ajuda n\u00e3o com o que dizer, mas com como diz\u00ea-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para encerrar, queria saber como voc\u00eas chegaram \u00e0 ideia de fazer uma vers\u00e3o de \u201cUns Versos\u201d, da Adriana Calcanhotto.<\/strong><br \/>\nJuan Pablo: Veio por nossa conta. Em geral, algum de n\u00f3s prop\u00f5e um cover, e a\u00ed n\u00e3o pensamos muitos, vamos e fazemos. Mas esse decidimos gravar. Eu escutava muito o disco \u201cP\u00fablico\u201d, da Calcanhotto, em dado momento da minha vida \u2013 um momento bem triste, como voc\u00ea pode imaginar. Eu estava depr\u00ea, chorava muito, bu\u00e1 (os outros riem). Para a vers\u00e3o, fizemos um exerc\u00edcio de manter o tempo e a melodia tais como eram, mas todo o resto era o som do Potemkin: com volume, com delay, pot\u00eancia. Para mim, foi um importante fechamento de uma etapa pessoal e tamb\u00e9m trouxe o desafio de cantar uma m\u00fasica escrita por uma mulher. Eu diria que tamb\u00e9m envolveu o desafio de nos apropriarmos de um estilo de m\u00fasica muito diferente do nosso, mas pensando bem, vejo que ela (Adriana Calcanhotto) tem uma d\u00edvida muito grande com a m\u00fasica ga\u00facha. N\u00e3o com a m\u00fasica caipira, mas tem muito mais a ver com a gente do que com a m\u00fasica que se faz no Rio de Janeiro, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fede: Eu vejo a Calcanhotto como mais portenha e mais moderna em sua musicalidade, se for comparar com outros nomes da m\u00fasica brasileira. Mas n\u00e3o sou o maior conhecedor do que se faz no Brasil, escutei coisas pontuais de m\u00fasica brasileira, como Baden Powell, Milton, Egberto Gismonti \u2013 quase tudo erudito, se voc\u00ea for ver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Acorazado Potemkin - &quot;Mundo Lego&quot; (Video oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yQf5BH8xdhU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Acorazado Potemkin - &quot;Pank&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NLbGLlErrk0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;Unos versos&quot; - Acorazado Potemkin (Mugre)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BFxaflsANSM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LAS CAJAS (Video lyrics) - Acorazado Potemkin\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/R6p73eYGiv0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Acorazado Potemkin - &quot;A la encandilada&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xBxtNpCXRz8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Acorazado Potemkin \/ El Pan del Facho [VIDEO OFICIAL]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ag8QaCOwExI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Acorazado Potemkin - Flying Saucers (EN VIVO en Niceto Club)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLcjpWG3lBQkGaxSyaNqG-2KlK-KIed9QO\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde 2009 o Acorazado Potemkin vem entregando \u00e1lbuns onde cada can\u00e7\u00e3o soa como trilha sonora para uma determinada ideia. \u201cPiel\u201d, o novo disco, \u00e9 um passo adiante nessa constru\u00e7\u00e3o&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/23\/entrevista-da-argentina-acorazado-potemkin\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":57473,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4919,4756,45],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57471"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57471"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57471\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58522,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57471\/revisions\/58522"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57473"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}