{"id":57460,"date":"2020-09-21T01:38:01","date_gmt":"2020-09-21T04:38:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57460"},"modified":"2020-11-17T03:57:07","modified_gmt":"2020-11-17T06:57:07","slug":"entrevista-alice-bag-uma-punk-safra-77","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/21\/entrevista-alice-bag-uma-punk-safra-77\/","title":{"rendered":"Entrevista: Alice Bag, uma punk safra 77"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala das origens do movimento punk \u00e9 comum pensar em bandas como os <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/discografia-comentada-ramones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ramones<\/a>, os Sex Pistols ou o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/16\/discografia-comentada-the-clash\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Clash<\/a>. Mas para al\u00e9m destas bandas ic\u00f4nicas, muitas pessoas, bandas e artistas tamb\u00e9m tiveram um papel importante na constru\u00e7\u00e3o deste movimento, ainda que n\u00e3o tenham tido a mesma exposi\u00e7\u00e3o e\/ou reconhecimento. Uma dessas pessoas \u00e9 Alice Bag.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Natural de Los Angeles, Calif\u00f3rnia, Alicia Armendariz (seu nome de batismo) acumula fun\u00e7\u00f5es ligadas ao ativismo social, ao feminismo, a carreira de professora, e cantora. Sua trajet\u00f3ria no meio musical foi iniciada em 1977 quando fez parte da Bags, uma das primeiras bandas punks a emergir em LA, que, inclusive, aparece no ic\u00f4nico document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=OxWjbpP6Fio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Decline of Western Civilization<\/a>\u201d (1981), de Penelope Sheeris, sob o nome de Alice Bag Band. devido a problemas judiciais com sua ex-companheira de banda Patricia Morrison.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto esteve na ativa, entre 1977 e 1981, a Bags lan\u00e7ou apenas um compacto, o cl\u00e1ssico 7 polegadas &#8220;Survive&#8221; \/ &#8220;Babylonian Gorgon&#8221;, al\u00e9m de figurar na compila\u00e7\u00e3o \u201cYes L.A.\u201d (1979) com a faixa &#8220;We Don&#8217;t Need the English&#8221; e com &#8220;Gluttony&#8221; na trilha de \u201cThe Decline of Western Civilization\u201d (1980). Em 2007, o selo Artifix Records colocou nas ruas \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rPHqpiWE0CE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">All Bagged Up &#8230; The Collected Works 1977-1980<\/a>\u201d, uma colet\u00e2nea de material in\u00e9dito da Bags com 19 faixas incluindo as quatro faixas lan\u00e7adas oficialmente na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s o t\u00e9rmino do grupo em 1981, Alice de dedicou a outros projetos musicais, mas decidiu se afastar do mercado musical durante os anos 90 para se dedicar a maternidade e a carreira de professora. Apesar disso, ela n\u00e3o abandonou universo da m\u00fasica e do ativismo por completo. Prova disso \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da comunidade feminina \u201cStay At Home Bomb\u201d, no qual aborda restri\u00e7\u00f5es sociais impostas as mulheres tanto dom\u00e9stica quanto musicalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2011, Alice retornou ao mercado cultural com seu primeiro livro, a autobiografia \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Violence-Girl-L-Hollywood-Chicana\/dp\/1936239124\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Violence Girl \u2013 East L.A. Rage to Hollywood Stage: a Chicana Punk Story<\/a>\u201d, onde rememora sua inf\u00e2ncia dif\u00edcil, sua entrada no movimento punk e a luta feminista. J\u00e1 em 2015, a autora lan\u00e7ou sua segunda autobiografia \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Pipe-Bomb-Soul-Alice-Bag\/dp\/0692433198\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pipe Bomb for the Soul<\/a>\u201d, onde fala sobre sua experi\u00eancia enquanto ativista na Nicar\u00e1gua nos anos 80.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu retorno a cena musical se deu em 2016 com <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3MaBkywrJ1juBymiak7R2k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um \u00e1lbum solo autointitulado<\/a>. De l\u00e1 para c\u00e1, lan\u00e7ou \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3MaBkywrJ1juBymiak7R2k\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blueprint<\/a>\u201d em 2018 e o mais recente, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/79otKGft668fFqnQK37E47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sister Dynamite<\/a>\u201d, em 2020. Nestes trabalhos ela segue transformando can\u00e7\u00f5es raivosas em manifestos em prol de uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta inspiradora entrevista, a ativista fala sobre a pandemia, o movimento punk de ontem e de hoje, a influ\u00eancia do educador brasileiro Paulo Freire, seu processo de composi\u00e7\u00e3o, a arte e o seu poder transformador de realidades, o movimento \u201cBlack Lives Matter\u201d, o seu lado escritora, feminismo e o meio musical, elei\u00e7\u00f5es americanas e muito mais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alice Bag - Sender Is Blocked\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vdzJnihcfMY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em primeiro lugar, como voc\u00ea est\u00e1 neste momento de pandemia?<\/strong><br \/>\nEstou bem. Os \u00faltimos dias foram um pouco loucos. Tivemos uma queda de energia de tr\u00eas dias e h\u00e1 inc\u00eandios ao nosso redor em Los Angeles. H\u00e1 muita fuma\u00e7a e cinzas no ar, mas minha fam\u00edlia e eu estamos todos saud\u00e1veis, ent\u00e3o n\u00e3o posso reclamar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea pode acompanhar o movimento punk em sua g\u00eanese quando fazia parte <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/5pH5qJ27fH66nDMtQIozYK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">da banda Bags em 1977<\/a>. Desde ent\u00e3o, a cena passou por diversas transforma\u00e7\u00f5es socioculturais, inclusive sendo protagonista em muitas delas. Ent\u00e3o, qual \u00e9 o lugar que o punk ocupa hoje na sociedade?<\/strong><br \/>\nO punk \u00e9 menos popular do que era nos anos 70 e 80, mas para aqueles que foram transformados pela cultura punk, os efeitos s\u00e3o duradouros. Acho que o punk pode ser uma experi\u00eancia transformadora para as pessoas que dele participam. Definitivamente isso mudou a maneira como eu via meu lugar no mundo. Isso me ajudou a me ver como algu\u00e9m que tem o poder de mudar meu ambiente. O punk me mostrou que eu fazia parte de uma comunidade, que estava ligada a uma ideologia de autossufici\u00eancia e autodetermina\u00e7\u00e3o. O tipo de punk com que cresci desafiava a autoridade e clamava pela verdade em oposi\u00e7\u00e3o ao poder. Depois de aprender a questionar a autoridade, a falar, gritar ou cantar sua verdade, a unir for\u00e7as e a agir em solidariedade com as pessoas que compartilham seus valores, voc\u00ea simplesmente n\u00e3o desaprende isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sou professor e como voc\u00ea tenho a pedagogia do oprimido, de Paulo Freire, como algo essencial para o universo da educa\u00e7\u00e3o e seu poder transformador. Por mais que conhe\u00e7amos e defendamos seus ideais, h\u00e1 quem o critique, especialmente aqueles que defendem as ideias liberais pr\u00f3 capitalistas. Como voc\u00ea teve acesso \u00e0 obra de Paulo Freire e como isso influenciou na sua vida?<\/strong><br \/>\nComecei a dar aulas no ensino fundamental em meados dos anos 80. Naquela \u00e9poca, eu fazia p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em uma universidade local, e um dos meus professores me apresentou o livro \u201c<a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/paulo-freire-17-livros-para-baixar-em-pdf\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedagogia do Oprimido<\/a>\u201d (1974). Logo depois, Paulo Freire falou em nosso campus. Havia outra professora da minha escola que tamb\u00e9m foi ouvi-lo falar e depois nos conectamos e discutimos o impacto da visita de Freire. Ela me contou que Freire havia sido consultado pelos sandinistas para ajudar a desenvolver seu programa de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Eu estava ensinando crian\u00e7as a ler e muitas delas eram da Am\u00e9rica Central, ent\u00e3o decidi ir para a Nicar\u00e1gua e ser volunt\u00e1ria em seu trabalho de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Foi uma experi\u00eancia reveladora que narrei em meu livro \u201cPipe Bomb for the Soul.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu \u00faltimo \u00e1lbum, \u201cSyster Dynamite\u201d (2020), re\u00fane can\u00e7\u00f5es que s\u00e3o furiosas, mas que direcionam essa energia para algo positivo, como a autoafirma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, como \u00e9 o processo de cria\u00e7\u00e3o para voc\u00ea? Qual a import\u00e2ncia de ser capaz de transformar algo negativo em positivo?<\/strong><br \/>\nAprender a redirecionar minha raiva e frustra\u00e7\u00e3o foi um processo muito longo. Quando eu era mais jovem, esses sentimentos costumavam se manifestar com comportamentos destrutivos, como brigar e usar drogas ou \u00e1lcool. Descobri que escrever e fazer m\u00fasica poderia me ajudar a canalizar minhas emo\u00e7\u00f5es e me conectar com outras pessoas que compartilharam meus sentimentos, mas s\u00f3 muito recentemente comecei a trabalhar para mudar conscientemente minha perspectiva l\u00edrica de negativa para positiva. Por exemplo, no \u201cSister Dynamite\u201d tenho uma m\u00fasica chamada \u201cGate Crasher\u201d, que \u00e9 uma m\u00fasica inspirada por imigrantes e quebradores de regras que movem a sociedade para a frente. Meses antes de escrever \u201cGate Crasher\u201d, eu estava escrevendo uma m\u00fasica sobre os DREAMers: estudantes sem documentos aqui nos Estados Unidos que frequentam a escola desde a inf\u00e2ncia. O atual governo estava amea\u00e7ando seu status legal, amea\u00e7ando-os com deporta\u00e7\u00e3o. Fiquei muito irritada, especialmente porque eu costumava ensinar crian\u00e7as imigrantes, e sabia das lutas e determina\u00e7\u00e3o que essas crian\u00e7as e suas fam\u00edlias precisam para ter acesso a uma educa\u00e7\u00e3o que possa ajud\u00e1-los a realizar seus sonhos. Comecei a escrever uma m\u00fasica sobre estes DREAMers, mas quando coloquei meu cora\u00e7\u00e3o nela, o que estava fluindo de mim foi uma melodia lenta e melanc\u00f3lica e, embora tivesse uma melodia bonita, a mensagem melanc\u00f3lica n\u00e3o era o que eu queria transmitir. Deixei a m\u00fasica de lado e uma ou duas semanas depois escrevi \u201cGate Crasher\u201d, uma m\u00fasica mais desafiadora e comemorativa. \u201cGate Crasher\u201d \u00e9, parcialmente, sobre imigrantes sem documentos, mas tamb\u00e9m sobre mulheres, queers ou qualquer outra pessoa cujas a\u00e7\u00f5es ou exist\u00eancia desafiem o status quo. O sentimento da m\u00fasica \u00e9 sobre ser impar\u00e1vel e acho que a positividade a torna muito mais forte do que minha m\u00fasica original sobre os DREAmers.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje o mundo est\u00e1 sendo governado por ideais excludentes de extrema direita que ignoram as minorias. Como ativista, voc\u00ea acredita que o grande poder de mudan\u00e7a reside nas artes em geral?<\/strong><br \/>\nO poder est\u00e1 ao nosso redor e dentro de n\u00f3s \u2013 tudo o que temos que fazer \u00e9 control\u00e1-lo. Temos poder sobre nossas pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es. Temos o poder de iniciar discuss\u00f5es com amigos, familiares e colegas de trabalho. Temos o poder de iniciar o di\u00e1logo com pessoas que discordam de n\u00f3s. Artistas, m\u00fasicos, dan\u00e7arinos e pessoas que se comunicam de maneiras que n\u00e3o s\u00e3o estritamente verbais podem frequentemente atingir as pessoas e abordar assuntos que s\u00e3o dif\u00edceis de se comunicar com palavras. Posso apreciar, sentir e compreender o trabalho de algu\u00e9m que pode n\u00e3o falar a mesma l\u00edngua que eu ou ter a mesma forma\u00e7\u00e3o. Se houver alguma verdade e humanidade naquilo, ao experiment\u00e1-lo isso nos conectar\u00e1. As palavras tamb\u00e9m podem nos conectar, mas em alguns casos elas nos separam porque a maneira como falamos pode ser codificada com suposi\u00e7\u00f5es sobre ra\u00e7a, g\u00eanero, classe, etnia, etc. M\u00fasica e arte visual podem ressoar no corpo de uma pessoa e por isso acho que processamos a arte de uma forma mais imediata e pessoal. A arte tamb\u00e9m pode acessar diretamente nossas emo\u00e7\u00f5es e s\u00e3o as emo\u00e7\u00f5es que impulsionam nossas a\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, sinto que a arte \u00e9 um grande acelerador se voc\u00ea quiser deixar as pessoas entusiasmadas e motiv\u00e1-las a agir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;White Justice&#8221;, can\u00e7\u00e3o de sua autoria presente em \u201cBlueprint\u201d (2018), voc\u00ea fala sobre a supremacia branca na sociedade. Sei que essa can\u00e7\u00e3o foi inspirada nos movimentos civis dos anos 70, mas, infelizmente, o preconceito contra o povo negro continua. Como voc\u00ea v\u00ea as manifesta\u00e7\u00f5es de &#8220;Black Lives Matter&#8221; nos EUA? Voc\u00ea acredita que eles podem construir uma nova realidade racial?<\/strong><br \/>\nSim! Eu definitivamente acho que o movimento \u201cBlack Lives Matter\u201d est\u00e1 na vanguarda da cria\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as t\u00e3o necess\u00e1rias. Acredito que quando algu\u00e9m est\u00e1 lutando por uma mudan\u00e7a social, \u00e9 importante permanecer focado na mudan\u00e7a ao longo do tempo, porque temos que mudar a mente das pessoas, n\u00e3o apenas ter como objetivo restringir suas a\u00e7\u00f5es. Temos que pensar sobre o pacto que temos uns com os outros como sociedade e nos perguntar o que devemos uns aos outros e o que esperamos uns dos outros. O que temos n\u00e3o s\u00e3o apenas algumas pessoas racistas, mas um sistema quebrado que precisa ser completamente reimaginado. \u00c9 uma tarefa enorme, mas acredito que a mudan\u00e7a j\u00e1 come\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para muitos, revisitar o passado pode ser um exerc\u00edcio assombroso, para outros uma d\u00e1diva. Nesse sentido, como foi o processo de composi\u00e7\u00e3o de sua autobiografia &#8220;Violence Girl&#8221;?<\/strong><br \/>\nEscrever minhas mem\u00f3rias foi uma jornada introspectiva que me ajudou a me entender melhor, me for\u00e7ou a vivenciar e lidar com o trauma do meu passado que eu havia tentado suprimir. Houve momentos em que eu estava me lembrando de algo e ria alto, mas tamb\u00e9m havia momentos em que uma lembran\u00e7a me fazia chorar e me sentir fisicamente doente. Houve eventos na minha inf\u00e2ncia que n\u00e3o processei totalmente e que me impactaram negativamente mais tarde na vida. Eu realmente n\u00e3o entendia minhas a\u00e7\u00f5es at\u00e9 que as escrevi e pude olhar para minha inf\u00e2ncia a partir da dist\u00e2ncia segura da idade adulta. Recomendo escrever, especialmente para quem est\u00e1 se envolvendo em um comportamento destrutivo que n\u00e3o entende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns anos li a biografia de Kim Gordon (&#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/03\/12\/girl-in-a-band-a-memoir-kim-gordon\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Girl in a Band<\/a>&#8220;) e no livro ela fala, entre outros assuntos, sobre a opress\u00e3o vivida pelas mulheres, em um mundo onde o patriarcado est\u00e1 erroneamente presente. Para voc\u00ea, que est\u00e1 h\u00e1 muito tempo no cen\u00e1rio musical, tem visto uma evolu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a feminina no universo das artes?<\/strong><br \/>\nEu vejo uma evolu\u00e7\u00e3o. H\u00e1 muito mais mulheres ocupando espa\u00e7o e marcando presen\u00e7a. Do meu ponto de vista, vejo o punk como um fator importante nisso. O punk \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o do poder do esp\u00edrito humano, \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o das expectativas da sociedade e, como tal, \u00e9 um convite aberto a todos aqueles que carecem do privil\u00e9gio de antecedentes, de forma\u00e7\u00e3o, de acesso a dinheiro ou recursos. A cena punk foi feita para e por mulheres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cena punk brasileira \u00e9 rica em exemplos de bandas femininas de ontem e de hoje. Esse movimento segue crescendo e \u00e9 percept\u00edvel cada vez mais a presen\u00e7a feminina neste universo. O que voc\u00ea tem ouvido? E ainda: como veterana, qual \u00e9 a mensagem que voc\u00ea tem para quem est\u00e1 come\u00e7ando na cena?<\/strong><br \/>\nPosso pensar em tantas bandas femininas mais do que posso nomear aqui. E a maioria das bandas punk que escuto tem mulheres. Alguns das minhas favoritas agora s\u00e3o Fea, Amyl e The Sniffers, Special Interest, Fatty Cakes e The Puff Pastries, Bacchae e Squid Ink. Acho que faz parte do DNA do punk procurar por algo que est\u00e1 quebrando o molde, algo que \u00e9 novo e excitante e n\u00e3o apenas seguindo a f\u00f3rmula de uma boy band fofa. Mas para n\u00e3o dizer que n\u00e3o posso apreciar isso, gosto de assistir a um v\u00eddeo da Shinee (banda de kpop) de vez em quando, mas o que realmente me inspira \u00e9 a energia crua de mulheres, queers e pessoas de cor, envolvendo um p\u00fablico com ideias provocantes e perspicazes que balan\u00e7am meu corpo e minha mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que em tempos de coronav\u00edrus \u00e9 dif\u00edcil pensar em planos futuros, mas esse per\u00edodo tem sido de grande reflex\u00e3o em v\u00e1rias esferas da sociedade. Como voc\u00ea viu esse momento? E ainda: voc\u00ea acredita que a onda de protestos nos EUA pode interferir na reelei\u00e7\u00e3o de Donald Trump?<\/strong><br \/>\nVou ser honesta com voc\u00ea, estou com medo. Tenho medo de n\u00e3o termos elei\u00e7\u00f5es justas. \u00c9 preciso cada grama de foco e determina\u00e7\u00e3o para permanecer positivo, mas estou tentando. Precisaremos de uma vit\u00f3ria esmagadora nas urnas, qualquer coisa marginal vai ficar enviesada em favor do atual governo. N\u00f3s (e com isso quero dizer a humanidade, n\u00e3o apenas os estadunidenses) precisamos de l\u00edderes que estejam comprometidos em salvar nosso planeta do caminho devastador em que est\u00e1 atualmente. Trump n\u00e3o \u00e9 essa pessoa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alice Bag - Sister Dynamite\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yj_gRIRwAGo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alice Bag - Spark\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1PfiHLK9GWU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alice Bag - 77\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ZmnTGTyRjEM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alice Bag Band - Gluttony\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bWKidzzA2FQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Alice Bag - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_2NriUP2WHs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>&nbsp;&nbsp;\u00e9 redator\/colunista&nbsp;do&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Natural de Los Angeles, Calif\u00f3rnia, Alicia Armendariz (seu nome de batismo) acumula fun\u00e7\u00f5es ligadas ao ativismo social, ao feminismo, a carreira de professora, e cantora. 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