{"id":57362,"date":"2020-09-18T03:19:07","date_gmt":"2020-09-18T06:19:07","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57362"},"modified":"2021-06-19T00:07:28","modified_gmt":"2021-06-19T03:07:28","slug":"musica-randon-desire-de-greg-dulli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/18\/musica-randon-desire-de-greg-dulli\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Random Desire&#8221;, de Greg Dulli"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57363 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli1.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/marcelo.costa.5855\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSem desejo, a maioria dos problemas do mundo seriam resolvidos&#8230; e o mundo seria um lugar miser\u00e1vel para se viver\u201d, diz a primeira frase do release de \u201cRandom Desire\u201d (2020), primeiro disco solo de Greg Dulli, a voz, os berros, as letras e a alma do The Afghan Whigs e do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/10\/500-toques-twilight-singers-foo-fighters-e-white-stripes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twilight Singers<\/a> (descontado &#8220;Amber Highlights&#8221;, uma colet\u00e2nea de sobras do Singers que ele lan\u00e7ou em 2005). Sozinho ap\u00f3s um novo hiato dos Whigs (que deve voltar com disco novo em 2021), Greg Dulli gravou voz, baixo, guitarra, bateria, mellotron, piano, percuss\u00e3o e vibrafone enquanto alguns amigos apareciam para dar um colorido nos arranjos: Jon Skibic (Twilight Singers \/ Afghan Whigs) toca guitarra em 8 das 10 faixas; o baterista Jon Theodore (QOTSA) marca presen\u00e7a em duas; o indiano Avtar Khalsa vocaliza uma, e por ai vai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos artistas alegam que saem em carreira solo porque o som que est\u00e3o buscando n\u00e3o cabe na pris\u00e3o sonora que virou sua pr\u00f3pria banda, alega\u00e7\u00e3o que quase sempre soa uma meia verdade, mas que n\u00e3o funciona para Greg Dulli, porque tudo que se ouve em \u201cRandom Desire\u201d (at\u00e9 o trip hop \u201cLockless\u201d) foi abordado de alguma maneira pelo artista nos mais de 15 discos que gravou com os Whigs, os Singers e, ainda, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/09\/29\/disco-da-semana-adorata-ep-the-gutter-twins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gutter Twins<\/a>, projeto seu com o n\u00e3o menos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/17\/livro-sing-backwards-and-weep-a-dolorosa-biografia-de-mark-lanegan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">atormentado Mark Lanegan<\/a>. O que diferencia \u201cRandom Desire\u201d dos trabalhos anteriores de Greg Dulli \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o marota de que ele est\u00e1 cantando, mais uma vez, sobre cora\u00e7\u00f5es despeda\u00e7ados&#8230; mas agora com um sorriso no rosto de quem aprendeu a assimilar a dor. E rir dela.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57365 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli3.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli3-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi uma trajet\u00f3ria das mais f\u00e1ceis. Ap\u00f3s se autoproduzir prensando 2 mil c\u00f3pias em vinil (numa \u00e9poca em que se buscava quem vendesse 2 milh\u00f5es) de um surpreendente \u00e1lbum de estreia, \u201cBig Top Halloween\u201d (1988), os Afghan Whigs foram chamados e domados pela Sub Pop, que lan\u00e7ou seu \u00fanico disco que se aproxima de algo que possa ser chamado de grunge, \u201cUp in It\u201d (1990) \u2013 ao ser catapultada como a capital do rock no mundo no in\u00edcio dos anos 90, tudo que era de Seattle e da Sub Pop era \u201cvendido\u201d como grunge. Em \u201cCongregation\u201d (1992), ainda na Sub Pop, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2001\/10\/01\/tres-discos-yeah-yeah-yeahs-lucinda-williams-afghan-whigs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a banda j\u00e1 coloca as asinhas de fora<\/a> buscando chocar rock barulhento com soul e um vocal dolorido que parece sa\u00eddo de um corpo crucificado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo mundo que tivesse uma banda no come\u00e7o dos anos 90 nos EUA com uma micro chance de virar sucesso assinou contrato com uma grande gravadora, e a Elektra Records, que menos de dois anos antes tinha lan\u00e7ado o \u201cBlack Album\u201d, do Metallica (atualmente com 16 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas), decidiu apostar no Afghan Whigs: o amado \u201cGentlemen\u201d (1993), a obra prima da banda, um disco sobre infidelidade, arrog\u00e2ncia e autoflagela\u00e7\u00e3o balizada por rock estridente e soul, nunca entrou nas paradas; o estupendo \u201cBlack Love\u201d (1996) come\u00e7ou com uma trilha para um filme que Dulli queria fazer \u2013 e n\u00e3o fez \u2013 e soa ainda mais radical que o anterior, e fracassou ainda mais; dispensados pela Elektra e abra\u00e7ados pela Columbia, o grupo tentou soar mais pop no belo \u201c1965\u201d (1998), o que melhor equilibra soul e guitarradas, e que enfim colocou o Afghan Whigs na Hot 200 da Billboard, mais precisamente na posi\u00e7\u00e3o 176&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hoje \u00e9 dia de Afghan Whigs no Scream &amp; Yell V\u00eddeos!\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FMSxxB6U_gI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto se tratava contra depress\u00e3o, Greg Dulli estreou seu novo projeto, o Twilight Singers, em 2000, com o groove eletr\u00f4nico de \u201cTwilight as Played by The Twilight Singers\u201d (2000) e decidiu colocar um ponto final na carreira dos Whigs, que anunciou seu fim em 2001. Com os Singers, e ap\u00f3s abandonar a fase eletr\u00f4nica, Dulli se dedicou ao que sabe fazer melhor: cantar (e gritar) sobre perdedores, personagens de cora\u00e7\u00e3o de pedra condenados a sofrer por algo que nem eles mesmos entendem. A partir de 2003, quando o Twilight Singers vira uma banda de rock\u2019n\u2019soul, discos como \u201cBlackberry Belle\u201d (2003) e \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2006\/08\/21\/disco-da-semana-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Powder Burns<\/a>\u201d (2006) se tornam obrigat\u00f3rios para cora\u00e7\u00f5es desesperados em busca de algo que os permitam olhar em um espelho para perceber que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma r\u00e1pida reuni\u00e3o em 2006 para gravar duas m\u00fasicas para a colet\u00e2nea \u201cUnbreakable\u201d, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2012\/06\/01\/barcelona-primavera-sound-dia-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o Afghan Whigs se juntou em 2011 e voltou para a estrada<\/a>. Na sequencia vieram os \u00e1lbuns \u201cDo to the Beast\u201d (2014), que bateu na posi\u00e7\u00e3o 32 do ranking de vendas da Billboard (a melhor posi\u00e7\u00e3o de um disco do Whigs), e \u201cIn Spades\u201d (2017), dois registros mais rock, menos soul, mas, ainda assim, muito bons. Embalado por um novo hiato de sua banda mais famosa iniciado em 2018 (ap\u00f3s o baterista Patrick Keeler ser recrutado pelos Raconteurs, o baixista co-fundador John Curley precisar lidar com a mudan\u00e7a de seu est\u00fadio ap\u00f3s 25 anos no mesmo lugar, e o rec\u00e9m admitido guitarrista Dave Rosser perder a batalha para um c\u00e2ncer), Greg Dulli entrega ao p\u00fablico \u201cRandom Desire\u201d, mais um disco dolorosamente marcado pela dor, pelo desejo e pelo amor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57367\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"372\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli5-300x149.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lidar com as artimanhas do desejo quando se tem menos de 20 anos pode atormentar a vida de qualquer um, afinal, na adolesc\u00eancia, a dor parece infinita, intermin\u00e1vel e aparentemente absolutamente imposs\u00edvel de suportar, o que, claro, na grandess\u00edssima maioria das vezes \u00e9 um tremendo exagero (que funciona de maneira maravilhosa para a arte) que rende embates intermin\u00e1veis, dramas e mem\u00f3rias que sustentam fantasmas que n\u00e3o nos abandonam porque necessitam de nossas l\u00e1grimas para se embriagarem, enquanto n\u00f3s necessitamos deles para n\u00e3o perdemos a conex\u00e3o com o sofrimento (que a gente acredita ser) real e verdadeiro. Essa sensa\u00e7\u00e3o de autoflagela\u00e7\u00e3o moveu (e move) Greg Dulli por tr\u00eas d\u00e9cadas, e s\u00f3 o tempo ensina a perceber quando um fantasma est\u00e1 falando a verdade ou apenas blefando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 55 anos, Greg Dulli abre \u201cRandom Desire\u201d cantando, no primeiro verso, \u201cdesola\u00e7\u00e3o, venha e pegue\u201d, sobre uma linha de baixo \u00e1gil que explodir\u00e1 em guitarradas contagiantes alguns segundos depois. O clima alegre da gospel \u201cPantomima\u201d traveste Greg Dulli, com a voz impec\u00e1vel, de pierrot no carnaval. Ele n\u00e3o se arrepende do cora\u00e7\u00e3o partido, pede para que ela n\u00e3o se esque\u00e7a de que ele confiou nela, e ainda diz que aguarda que a febre o traga de volta vivo. Tudo que ele quer \u00e9 que ela venha em paz&#8230; como uma brisa de ver\u00e3o. O amor tal qual uma droga, um v\u00edcio que faz mal, mas do qual voc\u00ea n\u00e3o consegue fugir, nem negar um sorriso mesmo sabendo que o pr\u00f3ximo passo pode leva-lo ao abismo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Greg Dulli: Pantomima Official Video\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DGkUrUukLIg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Introduzida por viol\u00e3o, baixo e piano irresist\u00edveis, o tema se repete em \u201cSempre\u201d, que traz Greg cantando \u201cvoc\u00ea \u00e9 t\u00e3o cruel, e eu sabia\u201d para concluir que mesmo se sentindo \u201capedrejado\u201d, ela o ilumina como \u201cuma luz, uma centelha, uma estrela, uma vida sombria, uma vis\u00e3o, um sat\u00e9lite de precis\u00e3o m\u00e1xima\u201d. O clima de quem ri dos pr\u00f3prios dramas desaparece em \u201cMarry Me\u201d, provavelmente a grande can\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum, uma balada ac\u00fastica sombria com backings fantasmag\u00f3ricos distantes na mixagem e uma letra que fala em estar libertado, mas n\u00e3o se sentir livre, em ser enterrado ap\u00f3s ver seu amor partir. Tristemente e ironicamente sem dizer em nenhum momento a frase que d\u00e1 titulo a can\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMarry Me\u201d termina ao som de ondas quebrando na praia, e sobre esse barulho um piano introduz \u201cThe Tied\u201d, que logo mais explodir\u00e1 \u2013 no melhor estilo Afghan Whigs de \u201cBlack Love\u201d \u2013 num rock sujo, barulhento e resmungado com o personagem da letra avisando que ainda tem \u201calgumas coisas para fazer antes de desaparecer\u201d e recebendo o espirito de algum beatle repetindo \u201cShe&#8217;s so heavy\u201d no final. Piano e mellotron fazem a cama rom\u00e2ntica para outra das faixas mais doloridas do disco, \u201cScorpio\u201d, uma balada\u00e7a repleta de declara\u00e7\u00f5es de amor apaixonadas que, no entanto, sabem o destino do romance: \u201cIsso vai acabar. Acredite em mim\u201d. O mau press\u00e1gio segue em &#8220;It Falls Apart&#8221; e se amplifica em \u201cA Ghost\u201d, que flagra Greg Dulli como um Nick Cave b\u00eabado num boteco mau-iluminado de New Orleans enquanto vende sua alma, por amor, ao dem\u00f4nio.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57366 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli4.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"502\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli4.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli4-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/gregdulli4-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A metaleira brilha na fanfarra trip hop \u201cLockless\u201d, que, segundo o release, \u201chomenageia os benef\u00edcios criativos da solid\u00e3o, o choque de que voc\u00ea ainda possui a capacidade de ser surpreendido e a revela\u00e7\u00e3o entorpecente de que suas piores suspeitas geralmente se tornam realidade\u201d. Sabe qual a primeira frase que Greg canta nessa can\u00e7\u00e3o de vocal sofrido? \u201cVoc\u00ea vai ser o meu fim\u201d. O arranjo de mellotron faz estrelas flutuarem em \u201cBlack Moon\u201d, outra faixa tr\u00e1gica e apaixonada. \u201cQuando isso acaba? A sensa\u00e7\u00e3o vir\u00e1 de novo?\u201d, ele pergunta ap\u00f3s um beijo em \u201cSlow Pan\u201d, a faixa de encerramento, e promete: \u201cEu quero sentir isso mesmo que precise roubar&#8230;\u201d. O sol de ver\u00e3o est\u00e1 vencendo a noite, e tal qual um vampiro de 3 mil anos, o cavaleiro solit\u00e1rio se retira para o conforto de sua solid\u00e3o com seu desejo aleat\u00f3rio. Ele est\u00e1 sofrendo, mas est\u00e1 vivo, e&#8230; aparentemente feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRandom Desire\u201d \u00e9 um dos discos mais acess\u00edveis que Greg Dulli j\u00e1 \u201cfilmou\u201d (como ele costuma grafar \u201cgravar\u201d em seus discos, demonstrando que v\u00ea cada can\u00e7\u00e3o como uma pequena pe\u00e7a cinematogr\u00e1fica), e ainda que aparente que ele est\u00e1 dando uma piscadela para o sofrimento, o tema central segue sendo a busca incessante pela concretiza\u00e7\u00e3o do desejo, algo t\u00e3o fugaz e insaci\u00e1vel que traz um neon na testa escrito \u201cproblema\u201d. Nos anos 90, em meio ao turbilh\u00e3o em que o Afghan Whigs foi arremessado conseguindo sair de l\u00e1 com ao menos tr\u00eas \u00e1lbuns maravilhosos, havia mais desespero, menos galhardia, mais ira, menos charme, mais viol\u00eancia, menos romance na maneira com que Greg Dulli lidava com seus \u201cproblemas\u201d. Agora ele chama seus dem\u00f4nios pelo nome, serve-lhes uma ta\u00e7a de vinho, e sorri enquanto se prepara para a pr\u00f3xima queda lembrando que isso tudo faz do mundo um lugar muito melhor para se viver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Greg Dulli: Pantomima (Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qRmop7fxrgs?list=PLmgWS5ZGhUzC33i-eN6WFoir0nhQTdn4m\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cRandom Desire\u201d \u00e9 um dos discos mais acess\u00edveis que Greg Dulli j\u00e1 \u201cfilmou\u201d. 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