{"id":57258,"date":"2020-09-07T19:58:57","date_gmt":"2020-09-07T22:58:57","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57258"},"modified":"2020-11-17T04:10:22","modified_gmt":"2020-11-17T07:10:22","slug":"faixa-a-faixa-terror-da-terra-de-gabriel-ede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/07\/faixa-a-faixa-terror-da-terra-de-gabriel-ede\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: &#8220;Terror da Terra&#8221;, Gabriel Ed\u00e9"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Herbert Moura<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabriel Ed\u00e9, m\u00fasico e compositor chileno-brasileiro, lan\u00e7ou em agosto seu primeiro \u00e1lbum solo, &#8220;<a href=\"https:\/\/gabrielede.fanlink.to\/terrordaterra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Terror da Terra<\/a>&#8221; (2020), um disco que, segundo ele, \u00e9 &#8220;sobre profecias em tampas de bueiro, bezerros pr\u00f3digos, boleros da quebrada chilena, meteoritos mentais, cosmogonias pessoais, o sol dos loucos, a desincorpora\u00e7\u00e3o da realidade, o ritmo das paix\u00f5es, a fluidez material da alma, as flutua\u00e7\u00f5es pl\u00e1sticas da mat\u00e9ria e o vampirismo nosso de cada dia. Musicalmente, \u00e9 um trabalho permeado por colagens sonoras, modula\u00e7\u00f5es r\u00edtmicas, drones, afina\u00e7\u00f5es n\u00e3o convencionais, melodias ancestrais e barulhos ut\u00f3picos, viol\u00f5es aveludados e rasgados, guitarras \u00e1cidas, ritmos pulsantes, violinos rangentes, baterias eletr\u00f4nicas, pianos de cabar\u00e9, e o canto ora aveludado, ora enlouquecido&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado durante dois anos no est\u00fadio Lebu\u00e1, em S\u00e3o Paulo, com produ\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Gabriel Ed\u00e9 e coprodu\u00e7\u00e3o de Ivan Gomes (produtor e multi instrumentista que esteve presente em obras como &#8220;Folhuda&#8221;, de Juliana Perdig\u00e3o; &#8220;Abacaxepa&#8221;, da banda Abacaxepa; &#8220;Bolerinho&#8221;, da banda Bolerinho, e &#8220;Sat\u00e9lite Perdido&#8221;, de Gustavo Galo e Peri Pane, entre outros), o \u00e1lbum possui nove faixas autorais que \u201ctrazem muito das influ\u00eancias e pesquisas que t\u00eam sido desenvolvidas ao longo dos anos, com can\u00e7\u00f5es de quase 10 anos atr\u00e1s e outras de um passado mais recente\u201d. Artistas como Negro Leo, Rafael Montorfano (Chic\u00e3o), Mike Watson (da Sun Ra Arkestra EUA), Vitor Wutzki, Marina Bastos, Juliano Ver\u00edssimo, Lucas Rodrigues, Bruno Trochmann e Remi Chatain participaram do processo gravando faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gabriel largou Ci\u00eancias Sociais na USP para ingressar, em 2011, em M\u00fasica na UNICAMP. Em 2014 cocriou o TUDOS, um selo de artes experimentais que visava ir al\u00e9m da universidade ao criar um ambiente de trabalho conjunto entre estudantes e artistas de diversas \u00e1reas, desenvolvendo trabalhos experimentais no centro da cidade de Campinas. Desde ent\u00e3o, o TUDOS produziu mais de 30 eventos em Campinas e S\u00e3o Paulo, ocupando espa\u00e7os diversos, lan\u00e7ando 12 \u00e1lbuns, al\u00e9m de ter sido contemplado pelo Edital Aluno-Artista, em 2015. O selo recebeu ainda alguns artistas de fora, como Maur\u00edcio Takara e Jozef van Wissem (Holanda). Ed\u00e9 integrou a banda de punk noise experimental Denominadores Incomuns, o grupo indie piscod\u00e9lico BIN BERI BAN, e formou com Vitor Wutzki e Waldomiro Mugrelise a Orquestra de \u00cdm\u00e3s de Geladeira. Agora chega em &#8220;<a href=\"https:\/\/gabrielede.fanlink.to\/terrordaterra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Terror da Terra<\/a>&#8220;, que ele comenta, faixa a faixa, abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Terror da terra - Gabriel Ed\u00e9 (\u00e1lbum completo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Gc1uWA5LETI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) Terror da Terra \u2013<\/strong> A can\u00e7\u00e3o inici\u00e1tica que estabelece o cen\u00e1rio para esta queda de paraquedas num mar de sombras e espelhos. \u00c9 um caminho por cenas prof\u00e9ticas, hipn\u00f3ticas e alucinat\u00f3rias. Da arqueologia de cristos debru\u00e7ados no asfalto ao uivo de deuses adormecidos na boca dos animais. E no desencontro profundo, na solid\u00e3o extrema, o despertar da loucura, a conversa com o inanimado que depois, na consuma\u00e7\u00e3o da loucura, sofre uma invers\u00e3o de pap\u00e9is entre os interlocutores: o inanimado toma voz e o pensante cala-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) Baby Blues \u2013<\/strong> O que \u00e0 primeira vista se apresenta como uma can\u00e7\u00e3o de amor, remetendo no refr\u00e3o ao \u201cbaby, baby\u201d na can\u00e7\u00e3o americana, refere-se aqui tamb\u00e9m ao sentido cl\u00ednico da tristeza p\u00f3s-parto: Baby blues \u00e9 um blues do \u201cbeb\u00ea\u201d. Nessa persistente ambiguidade, a can\u00e7\u00e3o traz uma reflex\u00e3o sobre a maternidade e a filia\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de uma perspectiva n\u00e3o da m\u00e3e, mas do \u201cnascido\u201d: da crian\u00e7a ao adulto. O que seduz e embala numa embalagem pop e pseudo-amorosa carrega o discurso cr\u00edtico e cru da cria, do beb\u00ea: a palavra da prole.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) Geia \u2013<\/strong> Como um c\u00e9rebro geleia, m\u00e1quina rec\u00e9m acordada, que engendra, gira e gera, Geia apresenta o nascimento da consci\u00eancia, a incorpora\u00e7\u00e3o de si, como orientadora e reguladora da exist\u00eancia do mundo, da determina\u00e7\u00e3o do tempo e do nascimento de deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) A Dem\u00eancia dos Touros \u2013<\/strong> Quando li o poema, instaurou-se um cen\u00e1rio. Uma esp\u00e9cie de cabar\u00e9 habitado por seres estranhos: her\u00f3is e vil\u00f5es discutindo a retomada dos gestos \u00ednfimos no ritmo das paix\u00f5es. Surgia a sedu\u00e7\u00e3o do canto e do corpo belo e deformado dan\u00e7ando boleros ancestrais. Nesse nascimento acelerado da can\u00e7\u00e3o, via um inferninho: o tempo condensado, o claustro do n\u00e3o-horizonte e o erotismo putrefato curvando-se ao culto da desmem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) Astronauta \u2013<\/strong> A conex\u00e3o que te liga \u00e0 nave-m\u00e3e, esta\u00e7\u00e3o espacial, o cord\u00e3o umbilical que se rompe e que te abandona, criatura-astronauta, assustado, solto e desprotegido \u00e0 intemp\u00e9rie de meteoritos mentais. Qual o futuro poss\u00edvel? Onde pisar? Como \u00e9 poss\u00edvel estar e ser? Como sobreviver no abismo da placenta sideral?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) Quando os Deuses Adormecem \u2013<\/strong> Um sonho, uma alucina\u00e7\u00e3o, uma jornada nas profundezas de si e nas delimita\u00e7\u00f5es e separa\u00e7\u00f5es com o outro. \u00c9 uma conversa de despedida, de t\u00e9rmino, de adeus e de recome\u00e7o e retomada dos caminhos individuais. \u00c9 tamb\u00e9m um exerc\u00edcio de atomiza\u00e7\u00e3o existencial, um exerc\u00edcio de crueldade frente ao apocalipse, ao fim do mundo, ao fundo do ser. S\u00e3o asas abertas que cobrem a noite e o sono e abrem caminho para o tempo da comunh\u00e3o dos corpos e da supera\u00e7\u00e3o da solid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) Sin Dios \u2013<\/strong> Quem \u00e9 deus? Uma ilumina\u00e7\u00e3o cegante e febril, uma coroa que rege a \u00f3rbita dos mundos, uma voz s\u00edsmica de trov\u00e3o, uma l\u00f3gica suprema e impec\u00e1vel? N\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 deus na falsas imagens. N\u00e3o h\u00e1 deus nos falsos \u00eddolos. N\u00e3o h\u00e1 deus nas buscas por deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) Ao Cordeiro, Destino do Mundo \u2013<\/strong> O fascismo submerso que emerge, desponta e crepita nos pontos cegos, sob os tapetes, nas paredes e em nossas mentes. A amea\u00e7a constante, o ar pesado, os olhares agudos: a viol\u00eancia latente. A paranoia que implode nas respira\u00e7\u00f5es e no sonambulismo: a m\u00e1scara de ossos. As proje\u00e7\u00f5es, os cen\u00e1rios, os jogos armados, as garrafas quebradas, os sentidos agu\u00e7ados e preparados para uma briga de bar: pai e filho contra g\u00e2ngsters e jogadores de p\u00f4quer no \u00faltimo entardecer da terra. H\u00e1 momentos para recitar poesia e momentos para boxear.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) Abismo \u2013<\/strong> Sobre o abismo existencial e a necessidade inescap\u00e1vel de sair de si para tocar o outro. Um convite a penetrar nos infernos mirando os c\u00e9us. Tr\u00e1gico, como se estivesse pendurado da boca do inferno. Rom\u00e2ntico, como se o c\u00e9u estivesse ao alcance da m\u00e3o. Numa gangorra emotiva, espremido entre duas cordilheiras, na dualidade de signos: o singelo e o \u00e9pico, a delicadeza e a viol\u00eancia, o particular e o universal.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Abismo - Gabriel Ed\u00e9 (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XQst8gqqxDk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gabriel Ed\u00e9, m\u00fasico e compositor chileno-brasileiro, lan\u00e7ou em agosto seu primeiro \u00e1lbum solo, &#8220;Terror da Terra&#8221; (2020), um disco que, segundo ele, \u00e9 &#8220;sobre profecias em tampas de bueiro, bezerros pr\u00f3digos, boleros da quebrada chilena, meteoritos mentais e cosmogonias pessoais&#8221;. Conhe\u00e7a faixa a faixa!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/07\/faixa-a-faixa-terror-da-terra-de-gabriel-ede\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":57259,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4930,4740],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57258"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57258"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57262,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57258\/revisions\/57262"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}