{"id":57174,"date":"2020-09-02T00:03:54","date_gmt":"2020-09-02T03:03:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57174"},"modified":"2020-10-01T00:44:17","modified_gmt":"2020-10-01T03:44:17","slug":"entrevista-thiago-brandao-apresenta-o-projeto-em-ti-me-dar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/02\/entrevista-thiago-brandao-apresenta-o-projeto-em-ti-me-dar\/","title":{"rendered":"Entrevista: Thiago Brand\u00e3o apresenta o projeto &#8220;em ti me dar&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem conhece a cena rocker de Salvador, j\u00e1 se deparou com as pancadas poderosas e, tamb\u00e9m, sutis de Thiago Brand\u00e3o na bateria de bandas como as atuais <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/06\/entrevista-eric-assmar-trio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eric Assmar Trio<\/a>, Cavern Beatles e, at\u00e9 2016, com a Lo Han. Na sua trajet\u00f3ria com as baquetas, o jovem m\u00fasico ajudou a criar nas bandas citadas uma unicidade potente, construindo em conjunto uma evolu\u00e7\u00e3o palp\u00e1vel tanto em shows repletos de energia, quanto em discos singulares como o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5V1MfOyXJJaZA9bZdprllk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Morning<\/a>\u201d, segundo \u00e1lbum da Eric Assmar Trio, e o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/0hZ8kQQwwrQNKdBH9aXHR4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Get High<\/a>\u201d, primeiro trabalho da Lo Han. Al\u00e9m disso, em paralelo a esse crescimento t\u00e9cnico e musical como baterista, Thiago tamb\u00e9m tem em sua trajet\u00f3ria <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/7Iwg4n2DuXsk2U5qm754He\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um consistente trabalho como compositor<\/a> por tr\u00e1s do viol\u00e3o e guitarra, bem como nos vocais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ando em 2020 o projeto \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/emtimedar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em ti me dar<\/a>\u201d, o m\u00fasico divulgou nesse m\u00eas de julho o videoclipe de \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d, faixa com pegada folk e texto reflexivo acerca de um futuro incerto, combalido pelo nosso atual presente, mas sem perder a ut\u00f3pica esperan\u00e7a de seu t\u00edtulo. Trata-se de uma m\u00fasica cuja jun\u00e7\u00e3o da letra com as imagens de seu videoclipe trazem essa an\u00e1lise do presente em seu cerne. \u201cDependendo de como voc\u00ea interpreta [a letra], acaba que parece que eu estou sugerindo que \u2018utopia \u00e9 o que nos resta para viver e uma voz que traga sentido para tudo de novo.\u2019 Mas eu estou muito mais citando essa vis\u00e3o das pessoas que parecem que se perdem nisso. Em vez de tentar ouvir umas \u00e0s outras e buscar uma voz que seja comum, n\u00e3o, tem que ter uma voz de cima que meio que obrigue aos outros a seguir sempre essa voz. Isso me incomoda muito\u201d, explica Thiago acerca da faixa que conta com sua produ\u00e7\u00e3o e mixagem, e com a guitarra de Eric Assmar e o baixo de Vitor Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa segunda faixa a trazer tal reflex\u00e3o (a primeira, \u201cO Irrespons\u00e1vel\u201d, lan\u00e7ada em mar\u00e7o, possui em sua letra e imagens de videoclipe um recado mais direto quanto ao caos pol\u00edtico que nos cerca), o m\u00fasico reflete sobre esse estilo de cria\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma marca das minhas composi\u00e7\u00f5es. Geralmente, elas partem de inc\u00f4modos assim. E quando eu vi que esse era um caminho poss\u00edvel para essa letra, eu investi muito nesse lado. De trazer esses inc\u00f4modos e, ao mesmo tempo, de mostrar um caminho que n\u00e3o precisa ser por a\u00ed\u201d, contextualiza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo tido a bateria como primeiro instrumento de express\u00e3o, o m\u00fasico reflete acerca dessa varia\u00e7\u00e3o em seu prop\u00f3sito art\u00edstico de cria\u00e7\u00e3o. \u201cO primeiro instrumento musical que eu senti em mim foi o meu pr\u00f3prio corpo. Batucando na minha perna, no meu peito. Essa coisa do ritmo, da baianidade. Eu sinto muito isso em mim. Eu cresci no Candeal, e, nessa \u00e9poca, ainda tinham os ensaios em que o pessoal ficava subindo e descendo ladeira tocando timbal. Isso formou muito, agu\u00e7ou muito a minha no\u00e7\u00e3o r\u00edtmica. As pessoas que conviveram comigo quando eu era crian\u00e7a t\u00eam essa cena cl\u00e1ssica: eu batucando na mesa, batucando na perna ou batucando onde eu estivesse\u201d, relembra Thiago.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O in\u00edcio do contato com a bateria ainda na inf\u00e2ncia permitiu ao m\u00fasico, no passar dos anos, um ac\u00famulo t\u00e9cnico dentro do rock como estilo escolhido de express\u00e3o do instrumento, mas sempre tendo o viol\u00e3o como outro modo de criar. \u201cA figura de Dave Grohl me mostrou esse caminho. O primeiro cara que eu queria ser foi o Dave Grohl. Depois vieram outros \u00edcones da d\u00e9cada de 1990. Eu tenho 33 anos e vivi essas realidades das primeiras figuras que marcaram o gosto musical nos anos noventa. Mas, paralelo a isso, eu estava sempre percebendo que o viol\u00e3o era o que reunia mais as pessoas. E, volta e meia, o amigo que estava ali tocando comigo na banda, aos 15 anos de idade, ou da banda que j\u00e1 estava semi-profissional, estavam me ensinando. E eu sempre fui um cara que absorve muita coisa facilmente. Essa amizade com o viol\u00e3o foi surgindo aos poucos. Foi mais lenta. A parte r\u00edtmica, da bateria, sempre foi muito forte\u201d, salienta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Thiago Brand\u00e3o, al\u00e9m de m\u00fasico, \u00e9 tamb\u00e9m videomaker e montador, trabalhando na cria\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios clipes, como \u00e9 o caso dos recentes lan\u00e7amentos do projeto \u201cem ti me dar\u201d, bem como com o Eric Assmar Trio, no qual montou e finalizou o clipe da faixa \u201cMorning\u201d, abertura do disco hom\u00f4nimo lan\u00e7ado em 2016. Com experi\u00eancia em trabalhos na publicidade e cinema (foi da equipe de montagem de document\u00e1rios sobre Augusto Omol\u00fa e Rog\u00e9rio Duarte), Thiago tem no audiovisual uma maneira a mais de expressar sua m\u00fasica e buscar fazer essa diferen\u00e7a dando voz e imagem a causas pouco vistas. \u201c[Trabalhar no doc sobre Omol\u00fa] foi um aprendizado extremo e, para al\u00e9m da t\u00e9cnica do editar, de como existem pessoas invisibilizadas hoje e que precisam ter essa voz atrav\u00e9s de um document\u00e1rio. Nessa primeira experi\u00eancia, eu percebi que o fazer document\u00e1rios \u00e9 uma coisa que eu quero levar para minha vida nesse sentido de poder trabalhar valorizando ou dando vida a quest\u00f5es que, \u00e0s vezes, a televis\u00e3o n\u00e3o d\u00e1, ou ent\u00e3o ainda n\u00e3o deram evid\u00eancia. Como era o caso de trabalhos como os de Augusto Omol\u00fa\u201d, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na rela\u00e7\u00e3o entre sua m\u00fasica e trabalho com audiovisual, Thiago \u00e9 preciso ao salientar essa import\u00e2ncia. \u201cSinto-me assim na obriga\u00e7\u00e3o de contar hist\u00f3rias, mas n\u00e3o \u00e9 qualquer tipo de hist\u00f3ria. \u00c9 uma hist\u00f3ria que eu me sinta parte. Mesmo distante fisicamente, mas que eu me encontre. Isso tem tudo a ver com \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d. \u00c9 a tal da utopia. Eu me sinto parte dessa utopia e tento trazer isso para as outras pessoas. \u00c9 uma das maneiras de eu me sentir vivo em momentos t\u00e3o estranhos\u201d, finaliza. Confira o papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"em ti me dar - esta\u00e7\u00e3o esperan\u00e7a (part. Eric Assmar) - videoclipe\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/baA_3nsBRN8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O single \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d, descrito como uma viagem folk, come\u00e7ou a ser gestado h\u00e1 tr\u00eas anos. Como foi esse processo de composi\u00e7\u00e3o diante de tantas experi\u00eancias pelas quais voc\u00ea passou e essa adapta\u00e7\u00e3o do contexto da letra com as jun\u00e7\u00f5es das imagens do clipe em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo atual do mundo e, sobretudo, do Brasil?<\/strong><br \/>\nO tal do folk que eu aprendi a gostar \u00e9 essa linguagem mais ac\u00fastica que, geralmente, d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de calmaria. Eu aprendi a gostar disso ouvindo Pink Floyd, David Gilmour, e o viol\u00e3o \u00e9 um amigo que eu tenho h\u00e1 muito tempo do lado, me ajudando a alcan\u00e7ar essa express\u00e3o e a realizar muita coisa que \u00e0s vezes s\u00f3 acontece atrav\u00e9s da melodia, mesmo. A melodia puxa alguns sentidos, assim. Alguns sentimentos. E, \u00e0s vezes, as palavras voam junto com esses sentimentos. H\u00e1 tr\u00eas anos, eu estava em um momento bem assim. Bem intimo. Somente eu e o viol\u00e3o. Eu estava buscando uma respira\u00e7\u00e3o diferente daqui da cidade. Minha m\u00fasica fala sobre isso bastante. Sobre como o cotidiano, a vida cotidiana, a vida repetitiva, \u00e0s vezes tira um pouco da alma da gente. Do prazer de viver, sabe? Eu estava no interior da cidade de Palmeiras. Minha companheira \u00e9 de l\u00e1. E eu tenho um amor enorme pela Chapada Diamantina por l\u00e1 ser esse mundo poss\u00edvel que \u00e0s vezes eu olho com muito interesse. Um lugar onde eu possa me doar mais \u00e0 natureza, a uma vida mais calma. E de maneira bastante espont\u00e2nea, nesse dia, eu estava de frente para uma parte do terreno onde as pessoas plantam manga, uva, essas coisas. E surgiu essa ideia do \u201ctrem da meia noite\u201d. O \u201cTrem da Meia Noite\u201d da letra \u00e9 uma coisa como se fosse uma fuga. \u00c9 uma&#8230; (pausa) como eu posso dizer? \u00c9 aquele momento em que voc\u00ea precisa se dar, sabe? Para continuar vivendo coisas que voc\u00ea sabe que n\u00e3o v\u00e3o te fazer bem, mas voc\u00ea precisa fugir um pouco disso. Precisa sair para conhecer pessoas, para falar sobre isso. E a m\u00fasica come\u00e7ou disso a\u00ed. E a levada, tamb\u00e9m, me remete um pouco a essa coisa do trem. \u00c9 como se fosse uma coisa que a gente precisa, tamb\u00e9m. Seguir esse outro trilho. Outros trilhos. E se permitir viajar para algum lugar que a gente nem sabe aonde vai chegar. Mas s\u00f3 precisamos de algo diferente. \u00c0s vezes, chegamos a lugares importantes. E esse lugar importante veio um pouco depois, a melodia ficou um pouco presa nisso. E para a gente que est\u00e1 compondo, que est\u00e1 criando, \u00e0s vezes a gente vai aos poucos entendendo aonde se quer chegar. Onde que eu posso chegar com essa m\u00fasica? E acabou nessa palavra que eu n\u00e3o tenho. O que eu recebo mais dela \u00e9 essa coisa do futuro dist\u00f3pico que a gente v\u00ea no cinema. Mas eu nunca tinha usado \u201cutopia\u201d assim. Essa palavra nunca tinha figurado em nenhuma m\u00fasica minha. E sem muito pensar assim. \u00c0s vezes, as melhores m\u00fasicas saem assim, sem essa&#8230; (pausa) a palavra surge do nada, do inconsciente. Bom, n\u00e3o \u00e9 do nada. Claro que teve alguma coisa acontecendo. Mas essa coisa da \u201cutopia \u00e9 o que nos resta para viver.\/Uma voz que traga sentido para tudo de novo\u201d, \u00e9 uma continuidade da primeira situa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica. Eu acho que, quando surgiu essa segunda parte, a gente j\u00e1 estava em um momento em que existia um extremismo muito grande aqui no Brasil. \u00c0s vezes me parece doentio essa figura, essa ideia de que tem que ter um l\u00edder para ter uma voz que represente as pessoas e tudo mais. Isso estava martelando muito a minha cabe\u00e7a. Dependendo de como voc\u00ea interpreta a m\u00fasica, acaba que parece que eu estou sugerindo que &#8220;utopia \u00e9 o que nos resta para viver e uma voz que traga sentido para tudo de novo.&#8221; Mas eu estou muito mais citando essa vis\u00e3o das pessoas que parecem que se perdem nisso. Em vez de tentar ouvir umas \u00e0s outras e buscar uma voz que seja comum, n\u00e3o, tem que ter uma voz de cima que meio que obrigue aos outros a seguir sempre essa voz. Isso me incomoda muito. E \u00e9 uma marca assim das minhas composi\u00e7\u00f5es. Geralmente, elas partem de inc\u00f4modos assim, sabe? E quando eu vi que esse era um caminho poss\u00edvel para essa letra, eu investi muito nesse lado. De trazer esses inc\u00f4modos e, ao mesmo tempo, de mostrar um caminho que n\u00e3o precisa ser por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe, para mim, uma necessidade social do artista como presen\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o de ideias e di\u00e1logo. Nesse caminho, como montador experiente em videoclipes e document\u00e1rios, voc\u00ea cria uma jun\u00e7\u00e3o pulsante de imagens para o clipe \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d. Eu queria abordar essa op\u00e7\u00e3o de colocar a figura do atual presidente como \u201cuma voz que traga sentido\u201d, ao inv\u00e9s de ser mais direto em coloc\u00e1-lo como a trag\u00e9dia que ele realmente representa.<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 \u00e9 o segundo clipe que eu fa\u00e7o nesse paralelo. O primeiro foi o da faixa \u201cO Irrespons\u00e1vel\u201d. Surgiu de uma inspira\u00e7\u00e3o primeira para o que pode ser entendido do mundo de hoje. Em um primeiro momento, eu estava muito ruim da cabe\u00e7a e \u201cO Irrespons\u00e1vel\u201d foi uma maneira de eu me sentir um pouco mais leve. Para a gente que trabalha com entretenimento, voc\u00ea sabe que ainda \u00e9 uma coisa muito delicada voc\u00ea se expor. Tem muita gente com medo. Eu compartilho desse medo. Aquele momento de \u201cO Irrespons\u00e1vel\u201d e, agora, com \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d s\u00e3o dois passos importantes para arranjar um jeito de enfrentar esse medo, sabe? Eu n\u00e3o estou dizendo diretamente as coisas. Eu n\u00e3o sei se ficou muito direto. Eu evitei, principalmente nesse \u00faltimo. O primeiro, \u201cO Irrespons\u00e1vel\u201d, \u00e9 muito mais direto. A minha insatisfa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao governo Bolsonaro \u00e9 expl\u00edcita. Em \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d eu acho que j\u00e1 deixo mais aberto a interpreta\u00e7\u00f5es. Eu deixo mais nas entrelinhas. Mas quem consegue ler essas entrelinhas, consegue entender quando eu falo \u201c\u00e0s vezes a gente busca tamb\u00e9m um del\u00edrio para evitar algumas verdades\u201d. E no momento de del\u00edrio, eu coloco a imagem dos militares olhando para Bolsonaro com a cara de iludidos. Eu n\u00e3o sei se eles est\u00e3o iludidos ou se est\u00e3o comprando esse jogo do governo de Bolsonaro. Como eu coloquei ali naquele contexto, eu acho que est\u00e1 muito mais trazendo como se fosse uma ilus\u00e3o. E eu acho que eu n\u00e3o fui t\u00e3o r\u00edspido. Eu vou ser sincero que eu senti um pouco de medo. No primeiro momento, no primeiro clipe, foi uma coisa assim para gritar, mesmo. \u201dAcorde! Algu\u00e9m que esteja vendo, pelo amor de Deus, acorde! Espalhe essa palavra!\u201d No segundo, como eu estou usando esse texto: &#8220;uma voz que traga sentido para tudo de novo&#8221;, eu me vi na obriga\u00e7\u00e3o de inserir a voz de Bolsonaro, a voz de Trump, a voz de Lula e a voz de Marielle para n\u00e3o cair em uma vis\u00e3o extremista de quem est\u00e1 apoiando Bolsonaro. Para tentar alcan\u00e7ar mais pessoas. E esses dois momentos de cria\u00e7\u00e3o que foram recentes, eles me revelaram uma coisa que est\u00e1 me fazendo muito bem. Eu sempre tive essa pretens\u00e3o de transformar a m\u00fasica em um discurso mais pol\u00edtico. E eu j\u00e1 tentei isso atrav\u00e9s da Acord, uma banda antiga que eu tinha. Terminou em 2011. E eu tentei at\u00e9 trazer a Acord para esse lado. Esse nome \u00e0s vezes soa um pouco \u00f3bvio e pobre, mas Acord era no intuito de trazer algo, propondo algo. Acabou que a banda n\u00e3o virou isso. Mas eu venho amadurecendo, sabe? Como me colocar como artista, dizendo algo que n\u00e3o seja sobre mim. O que eu tenho das minhas insatisfa\u00e7\u00f5es que podem alcan\u00e7ar novos horizontes. Talvez eu esteja muito&#8230;(pausa) Qual \u00e9 a palavra? Esteja esperando muito desses objetivos. Mas \u00e9 uma coisa que me faz bem assim. Eu acho que um dos movimentos poss\u00edveis para quem est\u00e1 a fim de transformar atrav\u00e9s dessas inspira\u00e7\u00f5es, dessas transpira\u00e7\u00f5es, \u00e9 n\u00e3o cair no extremismo. Ao mesmo tempo, eu olho para o Glauber (Braga), que \u00e9 o deputado que aparece ali no clipe. Ali foi, inclusive, uma historinha que eu contei e que n\u00e3o existiu,. Na letra, eu canto: &#8220;uma voz que traga sentido para tudo de novo&#8221;, e as imagens d\u00e3o a entender que seria o Bolsonaro. E depois tem o Glauber chamando ele de mentiroso. S\u00f3 que quem Glauber estava chamando de mentiroso era Moro. E a\u00ed eu tentei trazer para aquilo ali. Mas \u00e9 isso. Esse medo que eu falei ainda me representa. Eu ainda busco uma maneira de trazer um pouco das minhas vis\u00f5es que t\u00eam muito a ver com a esquerda, sim. Mas que n\u00e3o caia em um discurso que \u00e9 taxado como extremo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"em ti me dar - o irrespons\u00e1vel (part. Eric Assmar)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ofplmg848Ys?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. O Glauber Braga tem essa postura mais en\u00e9rgica. Da mesma forma como o Freixo \u00e9 e a Marielle era. Para mim, essa postura, para lidar com o fascismo em ascens\u00e3o, \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/strong><br \/>\nO Glauber \u00e9 um pouco mais extremo. Eu o vejo como um extremista necess\u00e1rio. Mas eu n\u00e3o vejo ainda as pessoas capacitadas para entender isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea, al\u00e9m de not\u00f3rio baterista, traz no projeto \u201cem ti me dar\u201d outra faceta art\u00edstica que \u00e9 a de compositor e o dom\u00ednio do viol\u00e3o como outro instrumento de expressar sua m\u00fasica. Sem contar a experi\u00eancia como videomaker, atrav\u00e9s da qual voc\u00ea dirige e monta seus pr\u00f3prios clipes e os de bandas como a Eric Assmar Trio. Poderia falar um pouco sobre esse equil\u00edbrio de \u00e1reas distintas de atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nRapaz, n\u00e3o tenha d\u00favida de que as coisas se somam. Assim, no meio do caminho, eu j\u00e1 ouvi mais de uma vez que eu ia ter que escolher entre audiovisual ou m\u00fasica. Na minha cabe\u00e7a, eu tinha bem claro, quanto mais eu trabalhava, que eram duas coisas que poderiam caminhar em paralelo. Em muitos momentos, foi dif\u00edcil manter a vida da madrugada, de quem vira a noite tocando, para depois acordar no outro dia para editar v\u00eddeo para o YouTube, para um document\u00e1rio, para uma s\u00e9rie de TV. Mas foram quest\u00f5es que me fizeram amadurecer para chegar nesse ponto que estou hoje. O \u201cem ti me dar\u201d \u00e9 expor coisas que geralmente s\u00e3o m\u00fasicas. Eu j\u00e1 estou come\u00e7ando de uma maneira diferente. J\u00e1 tem algumas coisas que eu chamo de poesia visual. Como se fosse um videoclipe, s\u00f3 que de poesia. \u00c9 uma maneira de expor coisas com uma express\u00e3o mais visceral e potente do que eu consigo tirar de mim. E esse \u201cmim\u201d, ele \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o musical e audiovisual. Atrav\u00e9s dos conhecimentos que eu tive de edi\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo. Eu sou um cara de muita sorte. Eu comecei a editar v\u00eddeos editando um document\u00e1rio sobre Augusto Omol\u00fa (N.E. \u201cOMOL\u00da \u2013 DAN\u00c7A.RITUAL.VIDA\u201d, com dire\u00e7\u00e3o de Laura Larriel), que foi um dan\u00e7arino daqui de Salvador. Ele tirou a sua dan\u00e7a do Candombl\u00e9 tendo nascido e sido criado nele. Ele foi para a dramaturgia, teve contato com o bal\u00e9, com as coisas da Europa, misturou isso e conseguiu levar para o mundo. Depois trouxe para c\u00e1 e teve v\u00e1rios projetos sociais de tirar pessoas da rua para aprender inform\u00e1tica e outras atividades profissionais. Enfim, \u00e9 um cara que expandiu muito a cultura afrodescendente. Eu n\u00e3o conhecia esse cara. Eu ca\u00ed de paraquedas em uma oficina onde tive a oportunidade de editar um curta-metragem sobre Augusto Omol\u00fa. Foi um aprendizado extremo e, para al\u00e9m da t\u00e9cnica do editar, de como existem pessoas invisibilizadas hoje e que precisam ter essa voz atrav\u00e9s de um document\u00e1rio ou de um v\u00eddeo no YouTube. E, assim, j\u00e1 nessa primeira experi\u00eancia, eu percebi que o fazer document\u00e1rios \u00e9 uma coisa que eu quero levar para minha vida nesse sentido de poder trabalhar valorizando ou dando vida a quest\u00f5es que, \u00e0s vezes, a televis\u00e3o n\u00e3o d\u00e1, ou ent\u00e3o ainda n\u00e3o deram evid\u00eancia. Como era o caso de trabalhos como o de Augusto Omol\u00fa. Isso me formou bastante naquela pergunta que \u00e0s vezes a gente se faz: &#8220;para que eu estou trabalhando, mesmo? Qual o prop\u00f3sito da minha vida? O que eu quero da minha vida?&#8221; Ent\u00e3o, a partir desse primeiro momento, eu tive a sorte de trabalhar com Walter Lima, na VPC Cinemavideo, produtora que organizou durante muito tempo o Festival Cine Futuro. E j\u00e1 foi outra inje\u00e7\u00e3o de inspira\u00e7\u00e3o no audiovisual. Eu fui assistente de montagem no document\u00e1rio sobre Rog\u00e9rio Duarte (N.E. \u201cRog\u00e9rio Duarte, o Tropikaoslista\u201d com dire\u00e7\u00e3o de Walter Lima), uma das cabe\u00e7as do Tropicalismo. Eu tive a oportunidade grandiosa de fazer assist\u00eancia de dire\u00e7\u00e3o com o Walter Lima. \u00c9 um document\u00e1rio que passa pelo momento ali pr\u00e9-Tropicalia. Mostra um pouco da conjuntura pol\u00edtica que gerou a primeira pris\u00e3o de um artista conhecido p\u00f3s AI-5, na ditadura, que foi a do Rog\u00e9rio Duarte, designer gr\u00e1fico e um dos cabe\u00e7as do Tropicalismo. Depois teve um momento de pesquisa religiosa. Uma vida magn\u00edfica. Eu tive, com essa experi\u00eancia, uma inje\u00e7\u00e3o cultural. Uma inje\u00e7\u00e3o de vanguardismo, tamb\u00e9m. Porque o document\u00e1rio fala muito sobre essa forma\u00e7\u00e3o cultural dos anos 1960, 1970. E, ao mesmo tempo, a produtora de cinema VPC, que foi uma das mais importantes aqui durante um tempo, estava terminando. E eu tive que perceber essa transi\u00e7\u00e3o da empresa e caminhar pela publicidade, trabalhar em ag\u00eancia, aprender linguagem de internet. Depois disso, eu fui para outra produtora, depois para outra. Hoje, eu voltei para essa linguagem do document\u00e1rio. Eu estou trabalhando com s\u00e9ries documentais para uma produtora aqui em Salvador. Sinto-me assim na obriga\u00e7\u00e3o de contar hist\u00f3rias, mas n\u00e3o \u00e9 qualquer tipo de hist\u00f3ria. \u00c9 uma hist\u00f3ria que eu me sinta parte. Mesmo distante fisicamente, mas que eu me encontre. Ent\u00e3o, isso tem tudo a ver com \u201cEsta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\u201d. \u00c9 a tal da utopia. Eu me sinto parte dessa utopia e tento trazer isso para as outras pessoas. \u00c9 uma das maneiras de eu me sentir vivo em momentos t\u00e3o estranhos. \u00c9 uma coisa que me faz muito bem, assim. Esses s\u00e3o os paralelos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Realmente, encontrar esses paralelos na uni\u00e3o entre realiza\u00e7\u00e3o profissional e sentido em sua rotina \u00e9 um norte. No seu caso, ao usar sua experi\u00eancia como videomaker no aperfei\u00e7oamento de sua obra musical, colabora bastante.<\/strong><br \/>\nSim. E eu percebo que, hoje, atrav\u00e9s das redes sociais, principalmente para o artista independente, sem um recurso visual expressivo, ele n\u00e3o tem muito alcance. As pessoas est\u00e3o assimilando muito a imagem ao inv\u00e9s do som. E j\u00e1 percebendo essas quest\u00f5es tamb\u00e9m que eu aprendi aos poucos a aceitar que o trabalho ia ser muito maior, al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o, da transpira\u00e7\u00e3o, do tocar e do escrever. O trabalho ia ser muito maior editando e pensando esses v\u00eddeos, mas eu ia conseguir chegar a um lugar aonde eu ia me sentir mais realizado, sabe?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"em ti me dar - ser feliz e nada mais - videoclipe\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ma8ZhQ7Qg_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com o streaming sendo hoje a principal forma de consumo de m\u00fasica, essa absor\u00e7\u00e3o de conte\u00fado que, no passado, por conta das m\u00eddias f\u00edsicas e visuais, eram mais densas, acaba se tornando, se n\u00e3o tomarmos cuidado, bastante superficiais. Isso por conta do bombardeio de informa\u00e7\u00e3o e uma falsa necessidade de consumo r\u00e1pido.<\/strong><br \/>\nInfelizmente, eu percebo que isso de consumir m\u00fasica sem essa rapidez \u00e9 algo que est\u00e1 se perdendo. E eu percebo isso em mim, tamb\u00e9m. Quando voc\u00ea percebe isso em voc\u00ea, \u00e9 porque realmente j\u00e1 est\u00e1 meio que impregnado. Recentemente, na metade do ano passado pra c\u00e1, eu me forcei \u00e0 possibilidade de ouvir m\u00fasica sem fazer nada ao mesmo tempo. Eu tinha perdido isso. Eu perdi muito esse costume de: &#8220;vou colocar um disco para ouvir, vou me separar de tudo, vou ficar off line e vou ouvir s\u00f3 m\u00fasica agora&#8221;. Eu falo em mim porque eu sou m\u00fasico, eu gosto de pesquisar m\u00fasica. Gosto quando vou l\u00e1 e encontro e um m\u00fasico da Su\u00e9cia que toca o hard rock na \u00e9poca em que n\u00e3o havia quase nada desse tipo de som. Ent\u00e3o, se isso chegou at\u00e9 mim, \u00e9 como se esse tipo de aprecia\u00e7\u00e3o musical estivesse se perdendo, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea vem de uma s\u00e9rie de composi\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas em EPs e singles nos \u00faltimos anos. Como tem sido esse crescimento como compositor e m\u00fasico dentro do mercado independente?<\/strong><br \/>\nMeu \u00faltimo disco, &#8220;Perdido em Contos e Sonhos&#8221;, que fiz em 2017, eu usava um nome que, hoje, eu n\u00e3o me sinto mais t\u00e3o representado. O nome Andaluz. Eu dividi a produ\u00e7\u00e3o com (o m\u00fasico e produtor chileno, radicado na Bahia) Jorge Solovera. Nessa \u00e9poca, eu n\u00e3o me sentia muito capaz de pesquisar e realizar todos esses processos que fiz desde a pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 a finaliza\u00e7\u00e3o do \u00e1udio. Agora em 2020, j\u00e1 diante de tudo isso que a gente est\u00e1 conversando, dos gastos e tudo mais, eu percebi que teria que meter a cara para tentar fazer tudo evitando gastos para continuar conseguindo produzir. Claro que tudo com qualidade. At\u00e9 para poder investir em alcances novos, como campanhas patrocinadas no Google, YouTube, Instagram, numa futura assessoria de imprensa. Ent\u00e3o, foram escolhas que, agora, a partir de 2020, eu parei e tive um momento de bastante pesquisa. \u201cComo que eu chego a um viol\u00e3o que soe bem, como \u00e9 que ele vai soar bem dentro de uma mixagem de uma m\u00fasica que se diz folk, mas \u00e9 rock?\u201d Eu tive um trabalho grande, que, a princ\u00edpio, eu n\u00e3o queria ter em 2017, mas, hoje, eu me vejo na obriga\u00e7\u00e3o de ter para realizar com o que eu tenho, o que \u00e9 muito mais importante. Economizar recursos para expandir o alcance desse trabalho. Eu estou desbravando essas coisas do Google, dos links patrocinados, medindo onde eu consigo chegar com essas quest\u00f5es, com esses recursos. Eu vejo algumas campanhas de crowndfunding come\u00e7ando a funcionar bem para alguns artistas. Vejo artistas tentando e quase chegando l\u00e1 na capta\u00e7\u00e3o de recursos para financiar os trabalhos. Mas, eu percebo que em um dado momento vai ter que existir uma atualiza\u00e7\u00e3o nessa rela\u00e7\u00e3o de quem est\u00e1 ouvindo com quem est\u00e1 produzindo para haver um equil\u00edbrio e n\u00e3o ficar essa situa\u00e7\u00e3o estranha de quem est\u00e1 produzindo muito e ganhando pouco. E os streamings a\u00ed, bombando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea ficou bem conhecido pela bateria como principal instrumento em sua carreira como m\u00fasico. Como \u00e9 migrar para outras linguagens na m\u00fasica atrav\u00e9s da guitarra, viol\u00e3o e voz?<\/strong><br \/>\nO primeiro instrumento musical que eu senti em mim foi o meu pr\u00f3prio corpo. Batucando na minha perna, no meu peito. Essa coisa do ritmo, da baianidade. Eu sinto muito isso em mim. Eu cresci no Candeal (N.E. Bairro de Salvador onde nasceu a Timbalada), e, nessa \u00e9poca, ainda tinham os ensaios em que o pessoal ficava subindo e descendo ladeira tocando timbal. Ent\u00e3o, isso formou muito, agu\u00e7ou muito a minha no\u00e7\u00e3o r\u00edtmica. As pessoas que conviveram comigo quando eu era crian\u00e7a t\u00eam essa cena cl\u00e1ssica. Eu batucando na mesa, batucando na perna ou batucando onde eu estivesse. Primeiro veio a bateria. A figura de Dave Grohl, tamb\u00e9m. Ele foi um cara que me mostrou esse caminho. O primeiro cara que eu queria ser foi o Dave Grohl. Depois vieram outros \u00edcones da d\u00e9cada de 1990. Eu tenho 33 anos, voc\u00ea tem 39, ent\u00e3o a gente viveu realidades parecidas ali das primeiras figuras que marcaram o gosto musical nos anos 1990. Mas, paralelo a isso, eu estava sempre percebendo que o viol\u00e3o era o que reunia mais as pessoas. E, volta e meia, o amigo que estava ali tocando comigo na banda, aos 15 anos de idade, ou da banda que j\u00e1 estava semi-profissional, estavam ali me ensinando. E eu sempre fui um cara que absorve muita coisa facilmente. Essa amizade com o viol\u00e3o foi surgindo aos poucos. Foi mais lenta. A parte r\u00edtmica, da bateria, sempre foi muito forte. A parte do viol\u00e3o foi aos poucos. Ela ganhou for\u00e7a e ficou forte em mim, amadureceu, quando eu passei por um momento muito dif\u00edcil da minha vida, quando eu tive que passar oito meses fazendo fisioterapia, sem poder tocar bateria. Eu tive um problema em um nervo do bra\u00e7o, aquele que quando voc\u00ea bate o cotovelo, sente um choque. Nessa \u00e9poca, eu fiquei muito reflexivo, triste. &#8220;O que eu vou fazer se eu n\u00e3o conseguir tocar bateria?&#8221; Foi uma \u00e9poca em que eu escrevi bastante. Criei muitas m\u00fasicas. E o viol\u00e3o, desde essa \u00e9poca, que foi em meados de 2010, 2011, virou o mecanismo. Quando tem alguma coisa que eu preciso colocar para fora, encostou no viol\u00e3o, saiu. \u00c9 impressionante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Lo Han - Dance With The Devil (Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VYOkuajcmwM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 nesse per\u00edodo que acontece a sua entrada na Lo Han?<\/strong><br \/>\nA Lo Han surge justamente nessa volta. Quando eu passei oito meses sem tocar bateria, me curando. Lo Han estava em um processo de proximidade com \u00c1lvaro Assmar, que produziu o disco da banda. Ela estava se preparando para gravar disco com \u00c1lvaro, s\u00f3 que estava um entra e sai de bateristas. Eu j\u00e1 conhecia Rafa (N.E. Rafael Breschi, vocalista da Lo Han) h\u00e1 muito tempo. J\u00e1 tinha dado canja na Lo Han algumas vezes. E acredite se quiser: eu estava em um momento, virando a noite no Rio Vermelho, bebendo em um bar, e a\u00ed eu encontrei os caras. Eles falaram que estavam precisando de um baterista. E foi assim que eu entrei na banda (risos). Antes da Lo Han, eu j\u00e1 vinha com um trabalho com a Acord, que tinha deixado gravado um CD com Andr\u00e9 T. (N.E. Produtor bastante atuante em Salvador), que tinha me dado um amadurecimento musical muito forte pela linguagem que eu tive que pesquisar. Com a Acord, fiz shows s\u00f3 tocando Led Zeppelin, s\u00f3 tocando Rolling Stones, s\u00f3 tocando Grand Funk Railroad. Tamb\u00e9m com a linguagem do rock nacional, que acabou sugando dessa energia setentista com Mutantes, Secos &amp; Molhados, Novos Baianos. A gente tamb\u00e9m tinha um pouco disso. Ent\u00e3o, quando eu cheguei na Lo Han, eu j\u00e1 estava muito bem preparado. J\u00e1 conseguindo tocar com o metr\u00f4nomo, dominar uma grava\u00e7\u00e3o em um take s\u00f3. Foi um trabalho muito r\u00e1pido porque eu j\u00e1 dominava essa linguagem. E a proximidade com \u00c1lvaro tamb\u00e9m aconteceu em paralelo a isso nessa \u00e9poca. \u00c1lvaro acabou me vendo tocar e me convidou para tocar alguns shows com ele, na Mojo Blues Band. E foi a\u00ed que eu comecei a tocar com Eric, no Eric Assmar Trio. Eric eu j\u00e1 conhecia da noite. J\u00e1 o admirava bastante. Dividi o palco com ele pela primeira vez em um show do \u00c1lvaro. Ele me convidou e eu acabei entrando na banda em que sempre queria estar, que era a Eric Assmar Trio. E eu levei em paralelo com a Lo Han durante bastante tempo. S\u00f3 que, no meio do caminho, eu fui convidado para a Cavern Beatles (N.E. Banda onde Eric Assmar \u00e9 guitarrista junto com Ted Sim\u00f5es nos vocais e viol\u00e3o, Rafael Zumaeta no baixo e Estevam Dantas nos teclados). E acabou que essa vida louca de ter tr\u00eas bandas e trabalhar, tamb\u00e9m, com audiovisual, ficou insustent\u00e1vel. A\u00ed eu tive que fazer uma escolha. Foi nesse momento que eu tive que me ausentar da Lo Han. Mas sinto muita falta. At\u00e9 hoje. S\u00e3o boas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro-me de um show do \u00c1lvaro Assmar com a Mojo Blues Band no Dia dos Pais, em agosto de 2016, no Parque da Cidade. A Eric Assmar Trio tocou e o Rafael Breschi, da Lo Han, deu uma canja sensacional com \u201cRock and Roll\u201d, do Led Zeppelin.<\/strong><br \/>\nAquele dia no Parque da Cidade foi um dos sonhos. Um dos sonhos que voc\u00ea vai realizando um pouquinho na sua jornada profissional. Aquele palco do Parque da Cidade, para mim, \u00e9 um palco m\u00e1gico. Aquela proximidade toda com a natureza. De novo, a natureza, n\u00e9? A forma daquele palco ali naquele parque. Extremamente realizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na bateria da Lo Han, como foi a experi\u00eancia de trabalhar com o saudoso \u00c1lvaro Assmar?<\/strong><br \/>\nAs coisas com \u00c1lvaro funcionaram em paralelo, mesmo. Porque \u00c1lvaro j\u00e1 estava produzindo a banda antes de eu entrar na Lo Han. Eu s\u00f3 coloquei a minha linguagem e as coisas que eu havia aprendido com Andr\u00e9 T. Eu meti a m\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o um pouquinho, no sentido de coisas assim, que, hoje, eu vejo que s\u00e3o elementares na produ\u00e7\u00e3o musical. Por exemplo, quando voc\u00ea tem a estrutura b\u00e1sica de verso, ponte e refr\u00e3o. Geralmente, na bateria, quando voc\u00ea sai do primeiro refr\u00e3o, voc\u00ea tenta trazer algo para o verso, que est\u00e1 ali depois do primeiro refr\u00e3o. Ent\u00e3o, coisas como isso de tentar enxugar um pouco e trazer uma respira\u00e7\u00e3o nova para uma linguagem que \u00e9 do rock and roll cl\u00e1ssico. Eu mostrei como um caminho poss\u00edvel a todos atrav\u00e9s de v\u00e1rias sugest\u00f5es. Na finaliza\u00e7\u00e3o, nas arestas dos arranjos finais, principalmente do instrumental, eu coloquei um pouquinho das experi\u00eancias que eu aprendi com Andr\u00e9 T. na produ\u00e7\u00e3o do disco da Acord. Em paralelo a isso, \u00c1lvaro olhou para mim, resolveu arriscar e me chamou para tocar com ele. E para mim foi uma coisa que mudou muito a minha maneira de tocar bateria. \u00c9 uma hist\u00f3ria engra\u00e7ada (risos). Em um dos primeiros ensaios que eu toquei com \u00c1lvaro, eu cheguei me sentindo o cara. &#8220;Ah, eu domino essa linguagem, eu tenho muito a oferecer a \u00c1lvaro e vai funcionar&#8221;. Ent\u00e3o, voc\u00ea chega com aquele ego de m\u00fasico que acha que tem algo a acrescentar. E enche a m\u00fasica com as suas pessoalidades. E a\u00ed, voc\u00ea, baterista, tocando com \u00c1lvaro, que faz isso desde quando? Desde sempre! E a\u00ed, \u00c1lvaro diz: &#8220;P\u00e9ra! Para! Para! Para tudo!&#8221; Ele olha pra mim e fala assim: &#8220;Bateria, pouca alegria&#8221;. (risos) O que ele quis dizer com isso? &#8220;Toque com pouca nota, porque isso aqui n\u00e3o \u00e9 sua carreira solo, rapaz&#8221;. (risos). &#8220;Bateria, pouca alegria.&#8221; Ai, meu Deus. Inesquec\u00edvel. E acabou que isso foi uma inje\u00e7\u00e3o de realidade. Assim, eu consegui me distanciar um pouco desse ego. Porque eu sempre me coloquei nesse lugar. N\u00e3o de m\u00fasico profissional, mas de m\u00fasico que transborda arte. Que faz o que sente, e tudo mais. Atrav\u00e9s de \u00c1lvaro e dessa inje\u00e7\u00e3o de realidade, eu fui ver que n\u00e3o. Eu preciso aprender quais s\u00e3o os contextos. Para quem que eu estou tocando. Eu estou sentado ali \u00e0 bateria para servir a que estilo? Qual \u00e9 o artista? O que ele quer com a arte dele? Ent\u00e3o, \u00c1lvaro foi quem me deu esse start. E Eric, tamb\u00e9m, posteriormente. Esse start de enxergar a m\u00fasica em geral, principalmente a bateria, como uma forma de trabalho, mesmo. Para que voc\u00ea est\u00e1 em cima do palco? Para voc\u00ea botar para fora os seus dem\u00f4nios e a sua vontade de explodir a bateria (risos) ou para se comunicar com as pessoas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea administrou essa mudan\u00e7a em sua linguagem musical?<\/strong><br \/>\nEu sempre fui um baterista que oferecia \u00e0 m\u00fasica muito do que eu estou sentindo. E eu percebo claramente que j\u00e1 me perdi nesses momentos, nessa maneira de tocar, em v\u00e1rias vezes. E quando isso aconteceu na frente de \u00c1lvaro, ele soube me colocar em um lugar que eu nunca me coloquei. A primeira rea\u00e7\u00e3o que eu tive foi de inc\u00f4modo. Ningu\u00e9m gosta de ouvir esse tipo de observa\u00e7\u00e3o como &#8220;saia da sua caixinha porque aqui n\u00e3o tem lugar para esse tipo de m\u00fasico que n\u00e3o entende o contexto. Ent\u00e3o,\u201d bateria, pouca alegria\u201d. E a\u00ed, colocando isso em pr\u00e1tica, o que eu fui perceber? Que o blues tem v\u00e1rios estilos, mas a bateria est\u00e1 ali para servir \u00e0 m\u00fasica. Ela est\u00e1 para dar o sentimento e a crescente para o cl\u00edmax, que geralmente est\u00e1 no interprete, no solo do interprete. Houve vezes em que eu tive muita dificuldade de tocar com pouco. Pouca nota \u00e9 um desafio maior porque os intervalos entre uma nota e outra s\u00e3o enormes. E voc\u00ea tem que respirar mais. E isso, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que voc\u00ea encher a m\u00fasica de nota e colocar o que d\u00e1 na telha. Muitas vezes eu tive que me for\u00e7ar a tocar somente uma nota de bumbo e uma nota no aro. Uma nota de bumbo e uma nota no aro. Isso na linguagem do slow blues, que era um dos gostos musicais em que \u00c1lvaro adorava solar. Os aprendizados foram progressivos. No meio do caminho, eu percebi que esse desafio de tocar com pouca nota fica mais f\u00e1cil quando voc\u00ea est\u00e1 tocando com um metr\u00f4nomo. E passou a ser uma exig\u00eancia do pr\u00f3prio \u00c1lvaro que eu tocasse com um metr\u00f4nomo ao vivo. O metr\u00f4nomo, ao mesmo tempo em que ele te ajuda a manter essa linha das batidas por minuto do come\u00e7o at\u00e9 o final, ele um pouco que segura a sua express\u00e3o dentro da m\u00fasica. (Sobre isso) Eu at\u00e9 acompanho o Rick Beato, no YouTube, que \u00e9 um cara que est\u00e1 mandando muito bem nas observa\u00e7\u00f5es que faz sobre essa transi\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pop, da m\u00fasica comercial dos anos 1960 at\u00e9 hoje. E como que isso foi se perdendo nessa linguagem do atrasar um pouco e correr um pouco no andamento da m\u00fasica. Como que isso acabava dando uma c\u00e9lula r\u00edtmica mais humana, consequentemente, mais rica, com mais carisma. E eu aprendi a abdicar um pouco desse carisma, dessa humanidade, para servir ao que a m\u00fasica pedia. E tamb\u00e9m a me colocar no lugar do solista. O cara que est\u00e1 improvisando, est\u00e1 tentando trazer uma novidade pra cada vez que ele toca a m\u00fasica dele, o solo dele. Ele precisa de um ch\u00e3o, ele precisa de uma firmeza no groove e na levada da bateria, no baixo, para ter certeza de onde ele pode chegar. Ent\u00e3o, eu aprendi a me comunicar no palco atrav\u00e9s desses olhares de \u00c1lvaro e desses sinais. Em 70% do momento em que eu toco bateria, eu toco de olhos fechados. \u00c9 muito mais uma comunica\u00e7\u00e3o com o meu interior do que com o olhar dos m\u00fasicos. Atrav\u00e9s de \u00c1lvaro, eu me senti obrigado a abrir os olhos e a olhar para ver onde que ele ia caminhar, onde que ele queria chegar com aquele solo, quando que pedia uma aproxima\u00e7\u00e3o, um crescimento de din\u00e2mica, intensidade e tudo mais. Isso foi uma constru\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou com \u00c1lvaro. Posterior ao trabalho com ele, eu me aproximei e fiquei realmente com Eric. E Eric \u00e9 uma pessoa formada atrav\u00e9s dessas percep\u00e7\u00f5es do pai. Apesar de j\u00e1 ter bastante coisa diferente no trabalho dos dois, mas s\u00e3o posturas bem parecidas no palco. De como se comunicar e de trazer possibilidades para a m\u00fasica ao vivo que exigem que voc\u00ea entenda essas quest\u00f5es e se comunique melhor no palco. Essas coisas me marcaram bastante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Banda Cavern Beatles\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mARmIuNnlx0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre a experi\u00eancia de trabalhar em uma banda como a Cavern Beatles?<\/strong><br \/>\nDe todas as bandas que eu toquei, a mais desafiadora foi a Cavern. Porque, justamente, \u00e9 um mundo que eu nunca tive pretens\u00e3o de participar, que \u00e9 o mundo do entretenimento. Desse tipo de festa em que o m\u00fasico est\u00e1 ali para fazer funcionar, independente do que seja. Mas, no caso da Cavern Beatles, foi uma quest\u00e3o que me interessou bastante pela proximidade que eu tinha com Eric. Nessa \u00e9poca em que eu entrei na banda, meados de 2015, eu estava muito pr\u00f3ximo ao Eric. E isso me instigou bastante. De poder experimentar esse outro lado desafiador de trabalhar com entretenimento dentro da m\u00fasica. Dessa coisa do baile, do casamento, da formatura, do anivers\u00e1rio. Mas eu me senti mais \u00e0 vontade, mais a fim de comprar esse desafio por causa da linguagem da Cavern Beatles. Ent\u00e3o, apesar de eu sempre ter sido um cara muito mais ligado ao Pink Floyd, ao Led Zeppelin, do que aos Beatles, em um dado momento, a proximidade que eu tive com Andr\u00e9 T, principalmente, me deu a oportunidade de entender a riqueza e a criatividade do Ringo Starr. Como que, \u00e0s vezes, parece uma coisa s\u00f3, mas s\u00e3o tr\u00eas takes de bateria. Como que eles conseguiram formar uma linguagem pop, que tem muito a ver n\u00e3o s\u00f3 com as composi\u00e7\u00f5es de Lennon &amp; McCartney, mas tamb\u00e9m com a pulsa\u00e7\u00e3o do Ringo. Apesar de ser uma linguagem meio suja, assim, de bateria, \u00e9 uma linguagem muito criativa. Foi isso que me deu vontade. Eu nunca entrei na m\u00fasica com essa pretens\u00e3o. Eu n\u00e3o entrei pensando: &#8220;eu quero fazer isso porque eu quero ganhar dinheiro&#8221;. Nunca foi isso. S\u00f3 que a Cavern Beatles foi essa oportunidade de experimentar. E foi um desafio absurdo. Primeiro pelo volume de shows. Eu cheguei a tocar ali, em 2016, tr\u00eas shows no mesmo dia. Cada show com duas horas. Perder noite e, no outro dia, de manh\u00e3, ter que trabalhar com audiovisual. Mas foi um aprendizado absurdo. Primeiro por poder entender melhor esses contextos, algo que tem a ver com o que eu estava falando antes, mas nesse contexto de entretenimento. Voc\u00ea est\u00e1 subindo no palco para que? N\u00e3o s\u00f3 como baterista, mas como qualquer m\u00fasico, [a resposta \u00e9]: voc\u00ea est\u00e1 subindo no palco para se comunicar com as pessoas. Ent\u00e3o, primeiramente, voc\u00ea tem que entender quais s\u00e3o as pessoas que est\u00e3o ali como p\u00fablico e como que voc\u00ea pode chegar at\u00e9 elas. Como \u00e9 que voc\u00ea pode traz\u00ea-las para perto. O prop\u00f3sito da Cavern Beatles \u00e9 sempre com essa inten\u00e7\u00e3o. Em qualquer lugar que a gente tocar, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre trazer as pessoas para perto dessa linguagem. N\u00e3o s\u00f3 dos Beatles, mas, tamb\u00e9m, das coisas que foram formadas atrav\u00e9s das influ\u00eancias deles aqui no Brasil, e, tamb\u00e9m, dependendo do p\u00fablico, tentando alcan\u00e7ar um pouco do que aconteceu no rock nacional dos anos 1980 e 1990. \u00c9 uma linguagem diversa que eu tive que, para al\u00e9m de pesquisar as composi\u00e7\u00f5es de artistas como, por exemplo, Paralamas do Sucesso, Raul Seixas, Tim Maia e artistas internacionais, tive que entender como \u00e9 que a banda funcionava. E a banda tem um estilo de se adaptar. A banda n\u00e3o toca igual. Eu, no ritmo de vida que levava e no ritmo de crescimento que a banda estava, tive que, mais ainda, abdicar do meu ego, da minha maneira de tocar, para entender como \u00e9 que eles tocavam. A principio foram experi\u00eancias estranhas, de n\u00e3o me sentir parte, e, aos poucos, eles pr\u00f3prios foram percebendo que n\u00e3o tinham como seguir dessa maneira t\u00e3o fria e calculista. Ent\u00e3o, a gente foi trazendo para uma linguagem de groove, principalmente. Uma linguagem entre o que eu era antes e o que a Cavern Beatles era antes. Foi um ano para isso acontecer. Eu acho que j\u00e1 em 2016, a banda teve um crescimento. Todos chegaram a esse consenso. Um crescimento absurdo. E tamb\u00e9m teve um grande desafio que foi cantar e tocar bateria durante um show todo. \u00c0s vezes durante duas horas. Quando voc\u00ea vai cantar, voc\u00ea prepara todo o seu organismo, principalmente seu pulm\u00e3o, sua respira\u00e7\u00e3o, para voc\u00ea aguentar e emitir o som dependendo do que voc\u00ea quer. Agora, imagine voc\u00ea condicionar o seu organismo para cantar e tocar quase um show todo, durante duas horas. Foi uma coisa que exigiu uma prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica, tamb\u00e9m. E eu n\u00e3o preciso nem dizer que eu cresci muito e olhei para a m\u00fasica com outros olhos. Com um olhar de que eu sou uma pessoa de extrema sorte de ter a possibilidade de gerar renda atrav\u00e9s de uma m\u00fasica que eu me sinto t\u00e3o parte, que \u00e9 a desse sotaque rock dos anos 1960 e1970. Dessas melodias vocais que eu me sinto, por mais clich\u00eas que \u00e0s vezes pare\u00e7am aquelas primeiras linhas vocais dos Beatles, eu me sinto muito bem cantando aquelas vozes extras, as melodias que s\u00e3o diferentes e que se somam, s\u00e3o constru\u00e7\u00f5es musicais que me interessam bastante. Ent\u00e3o, a Cavern \u00e9 um caminho que eu nunca pensei em seguir, mas que hoje eu n\u00e3o me vejo sem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea trabalhou com nomes da produ\u00e7\u00e3o e da t\u00e9cnica de som bem atuantes em Salvador. Pessoas como Andr\u00e9 T., Jorge Solovera, M\u00e1rcio Portuga, \u00c1lvaro Assmar. Hoje, voc\u00ea segue uma produ\u00e7\u00e3o individual do seu pr\u00f3prio material. Contando com o suporte de amigos m\u00fasicos, mas em um norte que \u00e9 somente seu. Como esse processo de aprendizagem com tantos nomes marcantes se refletiu em seu trabalho recente?<\/strong><br \/>\nPortuga, na t\u00e9cnica, \u00e9 um cara que me ensinou muito mais as quest\u00f5es de como que eu posso tirar o som que eu quero do instrumento, a bateria. Quais s\u00e3o os microfones, onde posicionar, porque nesse palco, nessa sala, eu preciso disso e tudo mais. Ele \u00e9 um cara que entende muito dessa linguagem do rock e do blues. Ent\u00e3o, essa parte t\u00e9cnica foi muito atrav\u00e9s de Portuga. Capta\u00e7\u00e3o do som. Eu acho que a gente vai aprendendo com as pessoas as maneiras diversas se realizar a mesma coisa. J\u00e1 o Andr\u00e9 T. tem uma maneira de produzir os discos dele. Ele tem uma maneira de se colocar na produ\u00e7\u00e3o, na influ\u00eancia que ele faz como voz extra \u00e0 banda. O \u00c1lvaro tinha um jeito. Solovera tem outro jeito. Ent\u00e3o, eu, nessa trajet\u00f3ria, fui vendo as diversas maneiras de se produzir. E das coisas que eu tenho trazido para mim, que s\u00e3o v\u00e1rias, uma delas \u00e9 que voc\u00ea tem que ter um m\u00e9todo b\u00e1sico para criar. Consequentemente, eu criei um m\u00e9todo para finalizar, para mixar. Esse m\u00e9todo \u00e9 mais recente. Mas, assim, dessas tantas pessoas com quem eu aprendi e tive a experi\u00eancia de trabalhar junto, foram os m\u00e9todos delas, sabe? Vamos come\u00e7ar por Andr\u00e9 T. S\u00e3o v\u00e1rias perguntas que voc\u00ea tem de se fazer quando voc\u00ea est\u00e1 se colocando dessa maneira musical, artisticamente falando. Primeiro voc\u00ea precisa entender que a sua arte, a sua express\u00e3o, a sua viv\u00eancia, ela acaba virando um produto que voc\u00ea vai vender. E \u00e9 legal que voc\u00ea pense em quem voc\u00ea vai alcan\u00e7ar. Essas primeiras quest\u00f5es eu tive inicialmente com Andr\u00e9 T. Naquele momento, a Acord era uma banda muito verde. A banda n\u00e3o sabia para onde queria ir, mas queria viver de m\u00fasica. Foi uma banda que cometeu erros de tentar comercializar uma m\u00fasica que n\u00e3o \u00e9 comercial. Consequentemente, eu acabei me distanciando e ela terminou. Muito tempo depois eu comecei a compor. E compor um tipo de m\u00fasica que n\u00e3o tinha pretens\u00e3o de nada. S\u00f3 tinha pretens\u00e3o de sair. De colocar para fora algumas coisas que eu estava vivenciando naquela \u00e9poca que eu falei, em 2010, 2011, quando eu estava com alguns problemas pessoais, deixando de tocar bateria durante oito meses e fazendo fisioterapia. Eu precisava colocar algumas coisas para fora. Independente de quem ouvisse ou n\u00e3o. Esse processo da Acord me ajudou muito a perceber que, \u00e0s vezes, voc\u00ea precisa colocar para fora e se sentir feliz com o que voc\u00ea est\u00e1 colocando para fora, para depois voc\u00ea ver quem \u00e9 que vai gostar disso. Isso virou uma maneira de produ\u00e7\u00e3o de Thiago. Quando eu estava gravando com Solovera, eu j\u00e1 tinha percebido isso. Que primeiro eu preciso me sentir bem para, consequentemente, a pessoa que est\u00e1 ouvindo sentir essa veracidade e chegar at\u00e9 ela. Mas se a pessoa n\u00e3o sente, n\u00e3o tem problema nenhum. Se essa m\u00fasica aqui \u00e9 verdade para mim e me faz feliz, mesmo sendo de nicho, tamb\u00e9m n\u00e3o tem problema nenhum. S\u00f3 que a\u00ed surgem v\u00e1rios questionamentos quando voc\u00ea come\u00e7a a se colocar nessa situa\u00e7\u00e3o de carreira, de compositor, e o que eu vou ter em troca disso. Aquela coisa do &#8220;Eu preciso pagar minhas contas&#8221; (risos). Logo quando eu fui fazer esse primeiro disco com Solovera, eu cheguei a compor tr\u00eas discos. Um primeiro disco que era desse primeiro modo, que era uma coisa muito mais densa, intimista, mais a ver com o meu universo interior, com quest\u00f5es at\u00e9 um pouco melanc\u00f3licas. Depois que eu fui vendo que eu queria ter um retorno para continuar fazendo isso. Acabei compondo outro disco, que era um pouco mais comunicativo, um pouco mais comercial. Depois eu neguei isso. Porque me coloquei no palco e eu n\u00e3o queria ser essa pessoa. A\u00ed eu fiz um terceiro disco, que era o entre esses dois mundos. E depois eu resolvi voltar para o primeiro disco, &#8220;Perdido em contos e sonhos&#8221;, que era uma coisa mais densa e tudo mais. E \u00e9 isso. Eu acabei trazendo essas experi\u00eancias diversas de produ\u00e7\u00e3o para criar m\u00e9todos de trabalho. M\u00e9todos de cria\u00e7\u00e3o que sempre est\u00e3o muito vinculados ao viol\u00e3o como ferramenta de composi\u00e7\u00e3o para eu chegar a uma forma da m\u00fasica. Depois, perceber o que essa m\u00fasica quer passar para depois escrever a letra, pensar nos outros arranjos. Posterior \u00e0 grava\u00e7\u00e3o desse disco em 2017, eu percebi que a minha vida paralela no audiovisual n\u00e3o me permitia ficar me deslocando muito. Eu tinha que trabalhar em casa para ter um trabalho cont\u00ednuo da produ\u00e7\u00e3o musical. Em 2018 eu voltei a Solovera e falei: &#8220;Solovera, eu gostaria que voc\u00ea me desse algumas aulas de mixagem.&#8221; E foi nesse momento que eu comecei a pesquisar. Hoje, para quem quer se informar, para quem quer buscar m\u00e9todos, plug-ins e segredos de mixagem e finaliza\u00e7\u00e3o e capta\u00e7\u00e3o de \u00e1udio, a internet est\u00e1 cheia. Nesse processo, acabei condensando bastante coisas e buscando transformar isso em m\u00e9todos que tornassem poss\u00edvel uma produ\u00e7\u00e3o mais aut\u00f4noma e \u00e1gil na coisa. Consequentemente, barateando o processo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eric Assmar Trio - Morning\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BcwYNDnrMCk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E os j\u00e1 cinco anos com o Eric Assmar Trio? Como essa parceira com Eric Assmar e Rafael Zumaeta cresceu a partir de todas essas experi\u00eancias?<\/strong><br \/>\nEu acho que essa resposta vai passar por entre as outras que a gente falou sobre linguagem e bateria. Eu j\u00e1 tinha aquela experi\u00eancia com \u00c1lvaro na Mojo Blues Band. J\u00e1 estava me transformando e entendendo os contextos novos, para al\u00e9m do rock pesado. Percebendo que existem N maneiras de se tocar bateria. Existem v\u00e1rias maneiras de se conduzir um ritmo. E o Eric me empurrou para isso. Em v\u00e1rios momentos no est\u00fadio, a gente teve brigas intensas. Assim, dele me for\u00e7ar (risos) usando todos os recursos poss\u00edveis a entender essa linguagem blues, cl\u00e1ssica, que ele aprendeu com o pai dele. A partir do momento que eu entendi isso, foi uma aproxima\u00e7\u00e3o que gerou shows de pot\u00eancia musical que eu nunca tinha experimentado na minha vida. Tem um show muito marcante que foi do pr\u00eamio que ele estava concorrendo (N.E Pr\u00eamio Caymmi de M\u00fasica, em 2015), que ele ganhou at\u00e9 das m\u00e3os de Armandinho o trof\u00e9u de Melhor Instrumentista. A gente estava concorrendo e tocamos um show no teatro da Livraria Cultura, ali no Salvador Shopping. Nesse show a gente j\u00e1 estava t\u00e3o sincronizado que&#8230;(pausa) A m\u00fasica blues cont\u00e9m essas possibilidades de improvisa\u00e7\u00e3o. Ela vai dando voltas, n\u00e9? Parecido com o Jazz. E para cada volta voc\u00ea pode ir trazendo uma coisa nova ou tirando. Com Eric e com \u00c1lvaro, eu aprendi muito mais a tirar, aprender a dar mais express\u00e3o com a m\u00fasica tirando elementos, trazendo o vazio. Esse \u00e9 um ensinamento que o Roger Waters fala muito. \u00c0s vezes o vazio dentro da m\u00fasica fala at\u00e9 mais do que o excesso de informa\u00e7\u00e3o. Nesses shows, eu consegui meio que aos poucos perceber essas mudan\u00e7as. O Thiago que existia antes, o baterista que gosta de tocar pesado, e que gosta de tocar para dentro, ele poderia, sim, conviver com o Thiago que toca com o Eric e que aprendeu que \u00e0s vezes ele tem que servir ao artista solo ou ao que a m\u00fasica pede. E isso foi uma experi\u00eancia de amadurecimento musical muito grande. Eu j\u00e1 admirava Eric desde muito tempo. Eu j\u00e1 olhava para ele como uma pessoa com quem eu me sentia representado pela express\u00e3o musical que ele traz para o cen\u00e1rio de m\u00fasica daqui da Bahia. Eu sempre gostei desse tipo de m\u00fasica mais visceral. De express\u00e3o de guitarra mais visceral dos solos. Eu sempre adorei esse tipo de visceralidade. E o formato de power trio e tamb\u00e9m atrav\u00e9s do Led Zeppelin, do Hendrix, eu j\u00e1 tinha um pouco desse sotaque musical, mas foi atrav\u00e9s principalmente de Zuma (Rafael Zumaeta, baixista), tamb\u00e9m, que eu entendi melhor e comecei a ver que \u00e9 um desafio. \u00c9 uma exposi\u00e7\u00e3o que voc\u00ea tem que enxergar para depois voc\u00ea ver o que pode oferecer dentro dessa exposi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tr\u00eas pessoas tocando. A m\u00fasica tem que ser grande, mas com poucos elementos. O que voc\u00ea pode oferecer para a m\u00fasica? Ent\u00e3o, \u00e9 muito nessa quest\u00e3o de aceitar as minha limita\u00e7\u00f5es e ver o que eu posso fazer dessa m\u00fasica. Com essas limita\u00e7\u00f5es, o que eu posso trazer de grandioso para a m\u00fasica que Eric faz, que \u00e9 uma coisa que beira o rock cl\u00e1ssico e o blues cl\u00e1ssico. E no \u201cMorning\u201d isso j\u00e1 tinha acontecido. A gente j\u00e1 estava em um n\u00edvel de sincronia bastante avan\u00e7ado. Foi um disco que tem mais foco em can\u00e7\u00f5es. Foi muito r\u00e1pido a produ\u00e7\u00e3o. Eric, nessa \u00e9poca, tinha uma maneira de trabalhar muito fren\u00e9tica, na busca de resultados r\u00e1pidos. Hoje, n\u00e3o tanto. S\u00f3 que como a gente j\u00e1 estava com uma sincronia bastante amadurecida pelos dois projetos paralelos, Cavern Beatles e Eric Assmar Trio, o \u201cMorning\u201d acabou sendo um disco cujos arranjos foram feitos praticamente em tr\u00eas semanas. Um m\u00eas depois a gente j\u00e1 estava gravando o disco. Foi algo assim. Um m\u00eas, dois meses depois. E \u00e9 isso. \u00c9 uma realiza\u00e7\u00e3o extrema para mim. Quando eu vejo essa hist\u00f3ria que Eric carrega, que ele herda do pai, eu vejo que eu tenho que ajud\u00e1-lo nessa campanha. E a\u00ed eu come\u00e7o, tamb\u00e9m, a ajud\u00e1-lo na produ\u00e7\u00e3o do audiovisual, dos shows, e tamb\u00e9m aprendo bastante nessas quest\u00f5es. Porque o audiovisual sempre esteve na minha m\u00e3o atrav\u00e9s da edi\u00e7\u00e3o e da finaliza\u00e7\u00e3o de ideias pr\u00e9-concebidas de outras pessoas. Nessa \u00e9poca, em 2016, eu editei o clipe do \u201cMorning\u201d e foi quando eu estava come\u00e7ando a realizar que eu quero, sim, \u00e9 estar nesse lugar de diretor. E que a ilha de edi\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes \u00e9 um espa\u00e7o insuficiente. Que ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico lugar onde eu quero estar dentro do mundo do audiovisual.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Para al\u00e9m do instrumento - Esta\u00e7\u00e3o Esperan\u00e7a\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FLdATqUZDkg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"em ti me dar - abra\u00e7o a tr\u00eas (part. Danilo Figueiredo e Allan Villas B\u00f4as)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dokrKdMddnU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"em ti me dar - Cris\u00e1lida - Ao vivo no Teatro Gamboa\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NJB9k4YwNbg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9\u00a0 de Geovana C\u00f4rtes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Baterista da Eric Assmar Trio, Cavern Beatles e, at\u00e9 2016, da Lo Han, Thiago Brand\u00e3o tamb\u00e9m tem em sua trajet\u00f3ria um consistente trabalho como compositor por tr\u00e1s do viol\u00e3o e guitarra, bem como nos vocais. Aqui ele repassa sua carreira e fala do projeto em ti me dar.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/09\/02\/entrevista-thiago-brandao-apresenta-o-projeto-em-ti-me-dar\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":57175,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4610],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57174"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57174"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57174\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57176,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57174\/revisions\/57176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}