{"id":5710,"date":"2010-08-24T01:52:05","date_gmt":"2010-08-24T04:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=5710"},"modified":"2016-09-09T17:12:20","modified_gmt":"2016-09-09T20:12:20","slug":"a-grande-jogada-do-fino-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/24\/a-grande-jogada-do-fino-coletivo\/","title":{"rendered":"A grande jogada do Fino Coletivo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-5711\" title=\"finocoletivo\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/finocoletivo.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/finocoletivo.jpg 400w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/finocoletivo-150x150.jpg 150w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/finocoletivo-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"http:\/\/twitter.com\/aovinagrete\" target=\"_blank\">Rodrigo Fernandes<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizem por a\u00ed que todo carioca \u00e9 marrento pra caramba. Uma das coisas mais interessantes que se v\u00ea no Rio de Janeiro \u00e9 uma certa bipolaridade, que n\u00e3o se resume ao dueto asfalto e favela, sendo muit\u00edssimo dificultoso hoje em dia distinguir o que \u00e9 um e o que \u00e9 outro. J\u00e1 tem favela muito perfeitamente asfaltada e os barracos j\u00e1 invadiram as pistas faz muita ra\u00e7a de tempo, tudo convivendo, \u00e9 claro, benza Deus, na mais perfeita harmonia tropical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem \u00e9 da \u00e1rea tamb\u00e9m sabe que na cidade do S\u00e3o Sebasti\u00e3o h\u00e1 dois movimentos musicais antag\u00f4nicos e complementares. Saca, Batman e Curinga, Lula e FHC, Paulo Coelho e Raul Seixas? \u00c9 por a\u00ed. De um lado encontra-se a espontaneidade e o improviso do sub\u00farbio: o partido alto, o funk, a africanidade, as g\u00edrias das ruas e outras mumunhas populares; caldo que resultou nessa muta\u00e7\u00e3o de alt\u00edssima voltagem que \u00e9 O Rappa, \u2018for example\u2019. No outro extremo da cidade (e da proposta) est\u00e1 a sonoridade estudadinha da Zona Sul. Da Bossa Nova, da MPB cabe\u00e7uda, da poesia depurada a doses de Jack Daniels. Tudo muito fino, in, cult e cool. Descontadas as devidas simplifica\u00e7\u00f5es, pouqu\u00edssimos conseguiram amarrar essas duas pontas com compet\u00eancia e moldar a carioquice perfeita. Paulinho da Viola foi um, Lulu Santos e seu pop zen-surfista, outro. Muita tentativa houve e muita quebra\u00e7\u00e3o de cara tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Fino Coletivo se arriscou na empreitada e se sagra campe\u00e3o moral da peleja. \u201cCopacabana\u201d, rec\u00e9m sa\u00eddo do forno, \u00e9 uma das bon\u00edssimas surpresas do ano. Can\u00e7\u00f5es como \u201cBatida de Trov\u00e3o\u201d, \u201cCoisa Mais Linda do Mundo\u201d e a sacudid\u00edssima \u201cAi de Mim\u201d abrem o trabalho com estilo e poderiam muito bem ter sido gravadas pelo Jorge Ben em sua vers\u00e3o setentista. Na boa, n\u00e3o existe elogio maior. Todos os bons elementos do chef\u00e3o alquimista est\u00e3o l\u00e1, evident\u00edssimos, exibindo a primeira grande virtude do grupo: \u00e9 preciso um bocado de ousadia e autoconfian\u00e7a para andar por essa trilha personal\u00edssima sem esbarrar na caricatura ou no pl\u00e1gio. Mas ainda que seja muito tentador rotular o som do grupo como \u201csamba-rock\u201d \u00e9 certo que ele vai al\u00e9m do duvidoso termo. As interven\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicas d\u00e3o um colorido de pista a praticamente todas as faixas. Trata-se de um \u00e1lbum deliciosamente hedonista: tem cara de trilha sonora de pelada na praia, sim. Mas pode ser levado \u00e0 balada mais descolada do peda\u00e7o sem problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFidelidade\u201d, parceria de Adriano Siri com Alvinho Lancelloti, tr\u00e1s uma letra esperta (\u201cPois \u00e9 coisa da antiga\/ ser malandro traidor\/ hoje eu visto a camisa pelo bem do nosso amor\u201d) embalada por metais a la Bebeto. \u00c9 uma \u00f3tima surpresa. A regrava\u00e7\u00e3o de \u201cSwing de Campo Grande\u201d dos Novos Baianos se mostra um tributo \u00e0 altura do super grupo. Para formar o repert\u00f3rio deste segundo disco, o sexteto voltou a emprestar algumas can\u00e7\u00f5es dos discos de Wado, um ex-Fino Coletivo: \u201cSe Vacilar Jacar\u00e9 Abra\u00e7a\u201d, um sambinha ajambrado do disco \u201cA Farsa do Samba Nublado\u201d (2004) ganhou uma roupagem caribenha e \u201cBeijou Voc\u00ea\u201d (da estr\u00e9ia de Wado, \u201cO Manifesto da Arte Perif\u00e9rica\u201d, de 2001) mant\u00e9m as rota\u00e7\u00f5es l\u00e1 em cima. Estas e \u201cNhem Nhem Nhem\u201d s\u00e3o bacanas, menos perolares que as demais, mas colaboram para uma assimetria necess\u00e1ria na composi\u00e7\u00e3o de um todo que n\u00e3o \u00e9 menos que excelente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pontos baixos ficam por conta de \u201cDoce em Madrid\u201d um instrumental perfeitamente dispens\u00e1vel e \u201cAbalando Geral\u201d que tr\u00e1s a participa\u00e7\u00e3o de De Leve com um rap medonho. Duas tentativas canhestras de se abra\u00e7ar um Rio \u201ctotal\u201d que fracassam fragorosamente, mas que n\u00e3o chegam a abalar a bacaneza do conjunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande jogada do Fino foi assumir sem restri\u00e7\u00f5es uma atitude de pop de qualidade que n\u00e3o descamba nem pra uma massifica\u00e7\u00e3o desvairada (Jota Quest?) nem para um som pseudo-intelectual e intencionalmente mal acabado (Los Hermanos?). Uma terceira via, mais emepeb\u00edstica, que passa pela escola soft-brochante de Arto Lindsay tamb\u00e9m foi corajosamente evitada. Essa \u00e9 a aula que todo mundo do universo pop-rock aqui do Eldorado tupiniquim pareceu gazetear. A li\u00e7\u00e3o: vender a alma ao mercado \u00e9 t\u00e3o danoso quanto fazer pose blas\u00e9 no melhor (pior) estilo mantendo-a-integridade-art\u00edstica. Se em seu \u00e1lbum de estreia o grupo apresentou um punhado de can\u00e7\u00f5es espertas que apontavam para algo promissor, com \u201cCopacabana\u201d o destemido time formado por Adriano Siri (voz), Alvinho Cabral (viol\u00e3o, guitarra e voz), Alvinho Lancellotti (voz), Daniel Medeiros (baixo e voz), Donatinho (teclados) e Marcus C\u00e9sar (bateria) fez bonito numa \u00e9poca onde todo mundo parece ter se esquecido como se faz uma festa. Eles sabem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">********<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rodrigo Fernandes assina o blog <a href=\"http:\/\/www.aovinagrete.blogspot.com\/\" target=\"_blank\">Ao Vinagrete<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-5712 aligncenter\" title=\"fino_coletivo1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2010\/08\/fino_coletivo1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d, o disco faixa a faixa, por Wado (<a href=\"..\/..\/blog\/2009\/08\/05\/atlantico-negro-de-wado-para-download\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Wado lan\u00e7a \u201cAtl\u00e2ntico Negro\u201d no Studio SP, por Marcelo Costa (<a href=\"..\/2009\/10\/12\/ao-vivo-wado-e-cidadao-instigado\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; Fino Coletivo e M\u00f3veis Coloniais de Acaj\u00fa no Sesc Pomp\u00e9ia, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/2009\/02\/01\/o-show-mais-divertido-do-pais\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; A estreia do Fino Coletivo, a nova m\u00fasica popular brasileira, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/08\/27\/disco-da-semana-a-estreia-do-fino-coletivo\/\" target=\"_self\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"por Rodrigo Fernandes\nO Fino Coletivo se arriscou na empreitada de dois movimentos musicais antag\u00f4nicos do Rio e se sagra campe\u00e3o moral da peleja.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/08\/24\/a-grande-jogada-do-fino-coletivo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1150],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5710"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5710"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5710\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40074,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5710\/revisions\/40074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}