{"id":57049,"date":"2020-08-19T00:41:46","date_gmt":"2020-08-19T03:41:46","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57049"},"modified":"2025-03-22T10:12:56","modified_gmt":"2025-03-22T13:12:56","slug":"entrevista-andrio-maquenzi-solo-e-com-violao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/19\/entrevista-andrio-maquenzi-solo-e-com-violao\/","title":{"rendered":"Entrevista: Andrio Maquenzi solo e com viol\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por quase uma d\u00e9cada, Andrio Maquenzi andou \u201csumido\u201d. Desde 2012, quando lan\u00e7ou \u201c<a href=\"https:\/\/medialunas.bandcamp.com\/album\/intropologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Intropologia<\/a>\u201d, do Medialunas (dupla formada por ele e sua mulher, a baterista Liege Milk), o artista ga\u00facho n\u00e3o colocava um \u00e1lbum cheio na pra\u00e7a (o Medialunas chegou a lan\u00e7ar um EP de seis faixas em 2019, &#8220;<a href=\"https:\/\/medialunas.bandcamp.com\/album\/resili-ncia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Resili\u00eancia<\/a>&#8220;, gravado em 2017). Mas esse sil\u00eancio foi quebrado nas \u00faltimas semanas, com o lan\u00e7amento de \u201cContracorrente\u201d (2020), seu primeiro disco totalmente solo. Produzido entre o final de 2019 e o come\u00e7o de 2020, o disco mostra como a passagem do tempo (e o que aconteceu nesse intervalo) mudou Andrio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No lugar das guitarras no talo dos tempos de Superguidis e Medialunas, quem ganha destaque aqui s\u00e3o viol\u00f5es e arranjos semiac\u00fasticos, que lembram <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/04\/09\/entrevista-kurt-vile\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Kurt Vile<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/10\/02\/a-sensibilidade-de-nick-drake\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nick Drake<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/06\/robert-pollard-fala-dos-25-anos-de-alien-lanes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Robert Pollard<\/a> e a carreira solo de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/09\/entrevista-lee-ranaldo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lee Ranaldo<\/a>. \u201cS\u00e3o recortes da minha vida. Tem m\u00fasicas no disco que s\u00e3o de oito anos atr\u00e1s, na \u00e9poca da gesta\u00e7\u00e3o da Liege, de quando tivemos o Ian seis anos atr\u00e1s. Juntei tudo\u201d, conta Maquenzi ao Scream &amp; Yell. \u201cCom crian\u00e7a pequena que dorme cedinho, a gente senta no sof\u00e1 e pega o viol\u00e3o. \u00c9 um disco p\u00f3s-soninho do guri\u201d, diz, sobre a rotina em fam\u00edlia \u2013 com o filho, ele ouve Gilberto Gil, ska e cumbia. \u201cEle \u00e9 meio rude boy!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o foi s\u00f3 a sonoridade que mudou: o homem de \u201ctrinta e v\u00e1rios anos\u201d \u00e9 algu\u00e9m que sabe respeitar seu pr\u00f3prio tempo e o do mundo ao seu redor, seja andando de bicicleta ou fazendo sua pr\u00f3pria cerveja \u2013 na entrevista, Andrio conta sobre sua produ\u00e7\u00e3o caseira de r\u00f3tulos com ab\u00f3bora ou maracuj\u00e1, respeitando a sazonalidade dos ingredientes (aqui no Scream &amp; Yell <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/24\/duas-cervejas-caseiras-zap-e-charlipa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">voc\u00ea pode ler sobre a Charlipa<\/a>, que ele produziu em 2013). E uma pessoa que busca ser melhor \u2013 ou \u201cum pouco menos babaca\u201d, como ele mesmo diz em uma das can\u00e7\u00f5es de \u201cContracorrente\u201d, inicialmente lan\u00e7ado <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Dcra-hyna_E\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">apenas no YouTube<\/a> e para download, mas rec\u00e9m-chegado aos servi\u00e7os de streaming <a href=\"https:\/\/www.deezer.com\/br\/album\/167322092\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deezer<\/a> e <a href=\"http:\/\/open.spotify.com\/album\/44PbwDi3vXNlw8zARr0R8u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Spotify<\/a> \u2013 e com capa desenhada pelo incr\u00edvel Diego Medina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os servi\u00e7os de streaming, as lives e a rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia tamb\u00e9m foram tema da entrevista, realizada por uma chamada no WhatsApp em circunst\u00e2ncias bem caseiras \u2013 Andrio respondeu \u00e0s perguntas do Scream &amp; Yell enquanto lavava a lou\u00e7a do jantar. \u201cO Facebook \u00e9 uma rede que eu abomino. J\u00e1 <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/andriomaquenzi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o Instagram eu t\u00f4 achando legal<\/a>, at\u00e9 agora\u201d, diz. \u201cEstou sonhando com uma vida no campo, tranquila, longe de telinhas. Mas n\u00e3o d\u00e1 para virar um ermit\u00e3o total, tem que aprender a dialogar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo, Andrio tamb\u00e9m fala sobre a Superguidis, banda da qual fez parte entre meados dos anos 2000 e 2011 \u2013 e que deixou <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2011\/07\/05\/musica-superguidis-2002-2011\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um grupo de f\u00e3s apaixonados para tr\u00e1s<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/09\/25\/tributo-ao-superguidis-e-lancado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ganhou um tributo em 2018<\/a>. Para o artista, \u00e9 algo que foi bom, mas faz parte de outro tempo \u2013 a ponto de uma reuni\u00e3o estar totalmente fora dos planos. \u201cN\u00e3o me enxergo com trinta e v\u00e1rios anos cantando \u2018O Banana\u2019. Acho isso meio depr\u00ea, sabe?\u201d, afirma. E para quem fala tanto sobre o tempo, o futuro (algo nebuloso em tempos t\u00e3o sombrios) tamb\u00e9m \u00e9 um tema na pauta. Com a palavra, Andrio Maquenzi.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Contracorrente (Album | 2020)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Dcra-hyna_E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava desde 2012 sem lan\u00e7ar um \u201cdisco cheio\u201d novo \u2013 desde a estreia do Medialunas, \u201cIntropologia\u201d. O que s\u00e3o essas m\u00fasicas do \u201cContracorrente\u201d?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o recortes da minha vida. Tem m\u00fasicas desse disco que s\u00e3o de oito anos atr\u00e1s, coisas bem antigas, da \u00e9poca da gesta\u00e7\u00e3o da Liege, de quando n\u00f3s tivemos o Ian seis anos atr\u00e1s. Desde ent\u00e3o rolaram mudan\u00e7as na vida de todos n\u00f3s e isso se retratou nas m\u00fasicas do disco. Mudamos para uma casa, aprendi a ser pai desde que o beb\u00ea estava na barriga, s\u00e3o essas hist\u00f3rias. E a\u00ed juntei essas faixas para fazer o disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ou seja, est\u00e1 longe de ser um disco pensado e gravado \u201cna quarentena\u201d. Como \u00e9 lan\u00e7ar um disco numa circunst\u00e2ncia t\u00e3o singular?<\/strong><br \/>\nComecei a gravar no ano passado, estava ensaiando para fazer algumas apresenta\u00e7\u00f5es por aqui, em Porto Alegre. Tinha shows marcados aqui perto, na regi\u00e3o. E a\u00ed quando percebi que a chance desses shows rolarem t\u00e1 mais longe do que eu esperava, resolvi soltar o disco mesmo na nuvem e ver no que d\u00e1. Est\u00e1 sendo massa. N\u00e3o divulguei aos quatro cantos, mas o disco tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um segredo, e tem rolado uma audi\u00e7\u00e3o regular no YouTube. Tenho recebido muitas mensagens de gente pedindo para colocar nos servi\u00e7os de streaming. Sou bem sincero que n\u00e3o sei como faz isso, vou ter que aprender a mexer no Spotify em breve, para subir o disco para essas plataformas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(Em tempo: dias ap\u00f3s a entrevista, Andrio mandou uma mensagem dizendo que passou uma tarde trabalhando para o disco chegar \u00e0s plataformas. J\u00e1 est\u00e1 no <a href=\"https:\/\/www.deezer.com\/br\/album\/167322092\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deezer<\/a> e no <a href=\"http:\/\/open.spotify.com\/album\/44PbwDi3vXNlw8zARr0R8u\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Spotify<\/a>).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como \u00e9 que estava a tua vida antes da quarentena come\u00e7ar? Voc\u00ea \u00e9 pouco ativo nas redes sociais, tua conta no Instagram \u00e9 recente, foi dif\u00edcil fazer essa pesquisa para a entrevista\u2026<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o: desde 2010, passei a trabalhar com \u00e1udio publicit\u00e1rio. Fundei uma produtora de \u00e1udio (Coletivo 4\u201933) com mais tr\u00eas amigos. Fa\u00e7o locu\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria, esse \u00e9 o meu ganha p\u00e3o oficial. Durante esse tempo todo, trabalhei com isso. O lance de redes sociais \u00e9 porque\u2026 bem, eu estava longe das redes h\u00e1 um temp\u00e3o, desde 2016, 2017, quando come\u00e7ou a estourar o chorume, principalmente no Facebook. Facebook eu n\u00e3o tenho mais, \u00e9 uma rede que eu abomino. O Instagram n\u00e3o deixa de estar ligado ao Facebook, mas \u00e9 um lance que os colegas me incentivaram, os guris com quem eu trabalho. Eles falaram para eu fazer \u201cum Insta\u201d, falaram que n\u00e3o tem tanto chorume como o Facebook, que era bom para divulgar os meus sons. Eles me convenceram e eu t\u00f4 achando legal, at\u00e9 agora. Mas eu sou meio avesso a essas coisas. Estou sonhando com uma vida no campo, tranquila, meio longe de telinhas. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para virar um ermit\u00e3o total, tem que aprender a dialogar com essas m\u00eddias. Estou me vendo na obriga\u00e7\u00e3o de aprender a mexer no Spotify.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea ouve m\u00fasica hoje?<\/strong><br \/>\nOu\u00e7o \u00e1lbuns cheios no YouTube, tamb\u00e9m baixo umas coisas no Soulseek e ponho no celular para ouvir. E vinil, a gente escuta muito vinil em casa. O Ian gosta bastante disso. A gente ouve bastante o Kurt Vile, tenho uns quatro ou cinco discos. Ele \u00e9 superf\u00e3 de Kraftwerk tamb\u00e9m e de discos de reggae e dub. Ele \u00e9 meio rude boy. Sabe, aqueles skas do final dos anos 1960? A gente ouve essas coisas em casa, eventualmente alguma coisa nova tamb\u00e9m. Descobri esses tempos a banda Hum, achei bem massa, a Liege tinha me mostrado. O que mais? O que rola aqui em casa \u00e0 exaust\u00e3o e o fi\u00f3te adora s\u00e3o os do mestre (Gilberto) Gil, de qualquer fase, dos anos 1960 aos anos 2000. E um LP que \u00e9 uma colet\u00e2nea de cumbias peruanas dos anos 1960.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou que tinha shows marcados antes da quarentena come\u00e7ar. Qual \u00e9 o plano para levar esse disco para o palco? \u00c9 algo que voc\u00ea quer fazer?<\/strong><br \/>\n\u00c9. Assim que for poss\u00edvel, ningu\u00e9m sabe o que vai ser de amanh\u00e3. Est\u00e1vamos ensaiando para isso. Era eu, o Fu_k the Zeitgeist, que \u00e9 o alter ego do meu colega Valmor Pedretti, um cara que respira m\u00fasica 24 horas por dia. O baixista \u00e9 o Brenno di Napoli, que tocou com a Rita Lee no final dos anos 2000, fez umas turn\u00eas com ela. Na turma tem tamb\u00e9m o Andr\u00e9 Paz, baita singer\/songwriter e agitador cultural da cidade. O Lucas (Protti), que tamb\u00e9m est\u00e1 na grava\u00e7\u00e3o do disco tocando clarinete, flauta e sax, tamb\u00e9m ia participar dos ensaios para \u201cAbobadiza\u00e7\u00e3o\u201d. A gente estava esperando ficar mais entrosado para cham\u00e1-lo, mas n\u00e3o deu tempo. A ideia \u00e9 que ele fizesse uma participa\u00e7\u00e3o especial mesmo no show, s\u00f3 nessa m\u00fasica. Mas \u00e9 isso: quando as coisas melhorarem, talvez a gente fa\u00e7a algo presencial. Confesso que esse formato de live \u00e9 meio estranho, talvez eu esteja meio mal acostumado ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Confesso que eu n\u00e3o consigo curtir muito tamb\u00e9m n\u00e3o. Tem uma quest\u00e3o de grana, \u00e9 uma sa\u00edda para muitos artistas, mas como p\u00fablico eu n\u00e3o gosto tanto\u2026<\/strong><br \/>\nDou gra\u00e7as \u00e0s deusas por n\u00e3o precisar depender desse trampo para sobreviver, mas ao mesmo tempo eu entendo a galera que est\u00e1 buscando fazer live. Acho estranho, como artista e como espectador, mas enfim\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem gente que fala que show, da forma como a gente conhece, pode demorar alguns anos pra voltar. Como \u00e9 isso para voc\u00ea?<\/strong><br \/>\nSe voltar a acontecer, est\u00e1 \u00f3timo. Aqui em casa, a gente n\u00e3o estava muito nessa onda de sair \u00e0 noite. S\u00f3 se fosse cedo e perto de casa, sabe? Mas se rolar de novo vai ser massa, vai ser bem vindo. E a gente espera, enfim, fazer alguma coisa desse disco ao vivo\u2026 presencial\u2026 e cedo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u201cBabaca\u201d, voc\u00ea fala \u201ceu tamb\u00e9m j\u00e1 fui um babaca completo\/ hoje acredito ser um pouco menos\u201d. O que \u00e9 ser menos babaca, na tua vis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 a busca por evolu\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Olho hoje para umas coisas que eu pensava aos vinte e poucos anos, obviamente penso que eu era um babaca mesmo, sabe? Tem muito mais empatia rolando hoje. Isso \u00e9 uma coisa latente em mim. \u00c9 um exerc\u00edcio di\u00e1rio de tentar ser uma pessoa melhor. As brigas no tr\u00e2nsito mesmo: eu tento n\u00e3o brigar mais, estando de carro ou bicicleta. Penso duas vezes antes de erguer o dedo m\u00e9dio pra pessoa. \u00c9 algo bem importante, esse passo que eu dei (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A bicicleta sempre foi um tema frequente nas tuas m\u00fasicas. Mas tem algo que mudou: antes era algo para dar um passeio com os amigos. Agora, ela aparece em pelo menos duas m\u00fasicas. Parece parte de um estilo de vida, a bicicleta \u00e9 t\u00e3o importante que est\u00e1 na capa do disco.<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma coisa que se intensificou de uns quatro anos para c\u00e1. De repente, descobri que \u00e9 muito bom atravessar de uma cidade a outra, pedalar na estrada de manh\u00e3 cedinho ouvindo um som \u2013 em um fone s\u00f3, porque \u00e9 importante estar atento \u00e0 rodovia. Na real, \u00e9 muito bom mesmo sem m\u00fasica nenhuma, mas \u00e0s vezes sou meio teimoso quanto a isso tamb\u00e9m. A\u00ed ou\u00e7o num fone s\u00f3. \u00c9 muito prazeroso. E a\u00ed voc\u00ea vai querendo pedalar sempre mais e mais, vai superando limites. Agora eu t\u00f4 pedalando em casa. Tenho um rolo de treino, \u00e9 um suporte no qual se pendura a bicicleta. A\u00ed fico pedalando tipo hamster dentro de casa. Mas isso tudo vai passar, vai passar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por falar na capa, como \u00e9 que foi a ideia pra ela? O desenho \u00e9 do Diego Medina, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nFizemos no come\u00e7o do ano, em janeiro. Eu j\u00e1 estava gravando o disco, meio que imaginando como seria a capa. \u00c9 uma puta refer\u00eancia ao Kurt Vile, ao \u201cWaking on a Pretty Daze\u201d, um disco dele de 2013. Ele fica em segundo plano, num muro cheio de desenhos. Na Filad\u00e9lfia, os caras fizeram o grafite valendo no muro. Aqui a gente preferiu a computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica e a ast\u00facia do Medina. Mas \u00e9 essa pilha, de paisagem urbana, de degrada\u00e7\u00e3o, os pr\u00e9dios velhos. Eu jogo muito Nintendinho (Nintendo Entertainment System, videogame lan\u00e7ado pela Nintendo em 1983), gosto muito de \u201cDouble Dragon\u201d, que tem aqueles cen\u00e1rios de pr\u00e9dio abandonado. Achei que ia ter a ver com as m\u00fasicas do disco.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-57052\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/andrio2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/andrio2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/andrio2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/andrio2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na primeira audi\u00e7\u00e3o, o \u201cContracorrente\u201d surpreende quem ouviu seus \u00faltimos discos. Ele \u00e9 mais ac\u00fastico, n\u00e3o tem tanta guitarra. Por que isso? Por que abrir o disco com uma moda de viola, por exemplo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 parte dessa nova rotina em casa, n\u00e9? Ter crian\u00e7a pequena, que dorme cedinho\u2026 a\u00ed a gente senta no sof\u00e1 para n\u00e3o fazer barulho, pega o viol\u00e3o e arranha umas notas. Saiu assim, foi nesse clima, p\u00f3s-soninho do guri. Sempre gravei no celular, umas demos, s\u00f3 para ouvir como as m\u00fasicas soavam. J\u00e1 come\u00e7ava a trabalhar em produ\u00e7\u00e3o nas m\u00fasicas. Adicionar uma ideia aqui e outra ali. \u00c9 engra\u00e7ado, as demos s\u00f3 tem vocal sussurrado, parece um Jo\u00e3o Gilberto indie, essas coisas (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teve gente nos coment\u00e1rios do YouTube que falou que parecia Nick Drake. Para mim, lembrou muito o Robert Pollard, as coisas solo do Lee Ranaldo, os discos mais recentes. Para voc\u00ea teve algo que inspirou essa est\u00e9tica?<\/strong><br \/>\nMais ou menos. Estou na pilha do Kurt Vile e do Jos\u00e9 Gonzalez, me inspiraram bastante os dois caras. Tentei fazer uma coisa parecida, mas tamb\u00e9m acho massa esses coment\u00e1rios, tamb\u00e9m ou\u00e7o esse pessoal. Ainda n\u00e3o saquei os solos do Lee Ranaldo, mas ou\u00e7o bastante o Nick Drake, o Pollard\u2026 t\u00e1 no DNA de quem fez essas m\u00fasicas, n\u00e9. Estou sempre ouvindo m\u00fasica, para dormir, para acordar, as melodias est\u00e3o sempre girando na minha cabe\u00e7a. D\u00e1 vontade de fazer um disco mais lo-fi, um disco mais produzido, essas coisas, s\u00f3 tem que organizar as ideias todas. \u00c9 o jeito de se trabalhar com m\u00fasica atualmente: \u00e0s vezes, voc\u00ea lan\u00e7a um single, n\u00e3o precisa lan\u00e7ar um disco cheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, o presidente executivo do Spotify, Daniel Ek, disse que um artista n\u00e3o pode lan\u00e7ar algo a cada tr\u00eas ou quatro anos e achar que \u00e9 suficiente. Em vez disso, segundo ele, o artista precisa lan\u00e7ar coisas novas toda hora para conseguir se sustentar. O que voc\u00ea acha disso?<\/strong><br \/>\nSou contra o que esse cara falou. (M\u00fasica) n\u00e3o \u00e9 padaria, de fazer, embalar e entregar. Envolve muitas outras coisas. O modelo (de remunera\u00e7\u00e3o) do Spotify \u00e9 bem injusto, n\u00e9. J\u00e1 ouvi falar a respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea lan\u00e7ou o disco no YouTube, como um \u00e1lbum cheio, e tamb\u00e9m para download. No YouTube, o disco veio dividido em \u201cdois lados\u201d. Por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\nUm dia que eu tiver dinheiro sobrando na conta, pensei de futuramente prensar um vinil desse disco. \u00c9 um tipo de m\u00eddia que eu curto. Ia ser legal um dia ter esse registro. \u00c9 o modo como eu escuto m\u00fasica em casa. S\u00e3o discos cheios. N\u00e3o gosto de ficar pulando faixas, gosto dessa parada de lado 1 e lado 2, organizar a ordem e tal. Coisa de virginiano, n\u00e9? Ficar organizando, em ordem alfab\u00e9tica, em estilo\u2026 mas p\u00f4, j\u00e1 lavei quase toda a lou\u00e7a aqui, poxa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tamb\u00e9m fiquei sabendo que voc\u00ea faz sua pr\u00f3pria cerveja. Como \u00e9 isso?<\/strong><br \/>\nBah, cara, tamb\u00e9m tem muito dessa rela\u00e7\u00e3o com o tempo, de deixar as coisas trabalharem com o tempo. \u00c9 a fermenta\u00e7\u00e3o, a matura\u00e7\u00e3o. Tem a ver tamb\u00e9m com uma certa liberdade, de fazer a tua bebida do jeito que tu gosta. Tem um monte de analogias que eu fa\u00e7o da vida com a produ\u00e7\u00e3o de cerveja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a cerveja sai do jeito que voc\u00ea gosta?<\/strong><br \/>\nSim! Agora eu estou parado em fun\u00e7\u00e3o da quarentena. A gente mora em Porto Alegre. Normalmente, eu fa\u00e7o a cerveja em Gua\u00edba, que \u00e9 uma cidade aqui perto. \u00c9 a minha cidade e onde mora a minha m\u00e3e. Ela tem uma casinha com p\u00e1tio, que tem o espa\u00e7o ideal para enfim tu manusear as panelas grandes, sem muito estrago. Eu fazia a cerveja l\u00e1, at\u00e9 o final do ano passado. Gosto muito de uma receita com ab\u00f3bora, que eu fa\u00e7o no inverno, \u00e9 uma Pumpkin Ale. \u00c9 um processo super trabalhoso: corto a ab\u00f3bora, asso no fog\u00e3o de lenha, no mesmo fog\u00e3o que esquenta a \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o da cerveja. \u00c9 muito prazeroso e d\u00e1 trabalho, mas o resultado \u00e9 excelente. Eu n\u00e3o acho outra cerveja dessa em nenhum lugar pra tomar. E no final do ano, que t\u00e1 mais quente, eu fa\u00e7o uma com maracuj\u00e1. Gosto de trabalhar com essas sazonalidades das coisas. Acho que \u00e9 bem importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente, o Beto S\u00f3 gravou uma vers\u00e3o de \u201cO Banana\u201d para um disco s\u00f3 com releituras de bandas dos anos 2000. Numa entrevista para o Scream &amp; Yell, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/24\/entrevista-beto-so-resgata-cancoes-do-indie-nacional-anos-2000\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ele falou que foi uma gera\u00e7\u00e3o rica, que n\u00e3o deixa nada a dever para o rock dos anos 1980<\/a>. Ele fala isso aqui: \u201cPega o primeiro disco do Superguidis, n\u00e3o acho que fica devendo ao \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d (dos Tit\u00e3s). \u201cAh, mas \u2018Cabe\u00e7a Dinossauro\u2019 \u00e9 um cl\u00e1ssico\u201d. \u00c9 cl\u00e1ssico porque, nos anos 80, a m\u00fasica que tocava na Transam\u00e9rica era rock, a m\u00fasica que tocava nas novelas era rock\u201d.<\/strong><br \/>\nBah, imagino!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele prossegue: \u201cSe o Superguidis tivesse sido lan\u00e7ado no contexto da \u00e9poca, \u201cMalevolosidade\u201d n\u00e3o seria um grande hit? Eles eram \u00f3timos, viajaram pra caramba, eram supercarism\u00e1ticos, o Andrio era bonito pra caralho\u2026\u201d<\/strong><br \/>\n(interrompe) Hahahahaha, n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o Beto usa \u00f3culos, n\u00e9, cara?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ele acaba essa parte falando isso: \u201cfico com pena das pessoas que n\u00e3o conhecem a banda.\u201d Vamos por partes: o que voc\u00ea achou da vers\u00e3o dele de \u201cO Banana\u201d?<\/strong><br \/>\nAchei massa demais. O Beto sempre estava junto com a gente em Bras\u00edlia, quando a Superguidis ia gravar os discos na casa do (produtor e ex-Plebe Rude Philippe) Seabra, era um momento que a gente via os amigos l\u00e1. Ele estava no mesmo barco que a gente. \u00c9 o filho dele que fala na secret\u00e1ria eletr\u00f4nica em \u201cRiffs\u201d, no segundo disco (\u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/08\/06\/disco-da-semana-a-segunda-vinda-do-superguidis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A Amarga Sinfonia do Superstar<\/a>\u201d, de 2007) <em>(Nota do editor: na verdade, \u00e9 o filho de Beto Cavani, ent\u00e3o baterista da banda do Beto S\u00f3, que mandou o recado para o pai)<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que voc\u00ea acha do que ele disse?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, n\u00e3o sei. A gente estava fazendo m\u00fasica naquele momento das nossas vidas. N\u00e3o sei porque n\u00e3o foi assim\u2026 mais\u2026 mais pra frente. N\u00e3o \u00e9 uma coisa que eu penso hoje com pesar. Foi um fragmento da nossa hist\u00f3ria e ok, bola pra frente. Mas que legal que ele acha isso, me surpreendi. Gosto muito do \u201cCabe\u00e7a Dinossauro\u201d tamb\u00e9m, a gente ouve aqui em casa inclusive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem um contraste aqui. Um adjetivo muito comum para definir a Superguidis era urgente.<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/03\/24\/entrevista-superguidis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> Na resenha do terceiro disco<\/a>, o Marcelo Costa, aqui no Scream &amp; Yell, encerra o texto falando sobre como poderia ser o disco que viria depois do terceiro, que tinha ali um inc\u00f4modo que podia gerar algo\u2026 \u201ccl\u00e1ssico\u201d. \u00c9 uma ansiedade que podia ser sentida ali, bem diferente com a forma como voc\u00ea respeita o tempo hoje.<\/strong><br \/>\nNa \u00e9poca, acho que todas as bandas da nossa gera\u00e7\u00e3o estavam nesse impasse: ou voc\u00ea largava tudo e ia para a grande metr\u00f3pole, para o Sudeste, ou acabava. E a gente estava nesse limiar, eu lembro. Todo mundo fazia faculdade na \u00e9poca, era um per\u00edodo da vida em que voc\u00ea se agarra no que est\u00e1 dando mais certo, n\u00e9, em vez de se atirar para algo duvidoso. Puxa, acho que eu me perdi\u2026 tu tava falando do tempo, n\u00e9? Mas \u00e9 isso: n\u00e3o sou vi\u00favo dessa \u00e9poca. Foi um lance legal, mas tamb\u00e9m est\u00e1 sendo legal agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que uma coisa que impactou muita gente \u00e9 que o fim, em 2011, foi abrupto. Eu estava no \u00faltimo show em S\u00e3o Paulo. Eu podia n\u00e3o ter muita experi\u00eancia, mas nada indicava ali que a banda ia acabar.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9\u2026 n\u00e3o sei. A gente sempre subia (no palco) e tocava, daquela forma intensa e tal. Chegou uma hora ali que n\u00e3o deu (risos). Acho que \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E faltou algo pra ter dado (certo)? Voc\u00ea j\u00e1 conversou com os caras sobre isso? Faltou, sei l\u00e1, a Globo escolher uma m\u00fasica pra tocar na novela?<\/strong><br \/>\n(Risos). N\u00e3o sei. Talvez\u2026 era um per\u00edodo meio incerto. N\u00e3o sei se a gente tivesse mudado para S\u00e3o Paulo a coisa ia decolar ou n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um monte de banda que mudou para S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m n\u00e3o decolou.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Logo depois disso, os ve\u00edculos tamb\u00e9m definharam. A MTV, que era a mais esperan\u00e7osa. Foi uma coisa, n\u00e3o sei. \u00c9 dif\u00edcil precisar o que faltou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Muita gente em redes sociais pede uma volta da Superguidis, um show de reuni\u00e3o, o relan\u00e7amento dos discos em vinil\u2026 tem algum clima para alguma dessas coisas?<\/strong><br \/>\nEsse lance de reedi\u00e7\u00f5es em vinil eu acharia massa, se eu tivesse grana para isso, \u00f3bvio. Mas show? N\u00e3o vejo mais isso, sabe? N\u00e3o me enxergo com trinta e v\u00e1rios anos cantando \u201cO Banana\u201d. Acho isso meio depr\u00ea, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, sei l\u00e1, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/09\/24\/the-who-ao-vivo-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Who cantando \u201cMy Generation\u201d com 70 anos<\/a>, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nGuardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, n\u00e9, eu adoro The Who. Mas n\u00e3o vejo esse retorno. Os discos est\u00e3o a\u00ed para quem quiser ouvir, s\u00e3o que nem pinturas, mas n\u00e3o \u00e9 algo para reproduzir de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando pro presente. A \u00faltima m\u00fasica do \u201cContracorrente\u201d chama \u201cVai Ficar Tudo Certo\u201d. \u00c9 uma mensagem \u201cpra cima\u201d, mas tem um efeito no meio da m\u00fasica que parece ir\u00f4nico. Voc\u00ea est\u00e1 otimista com o futuro?<\/strong><br \/>\nCara, espero que sim, mas est\u00e1 dif\u00edcil (risos). Tamb\u00e9m n\u00e3o posso reclamar muito: tenho meus privil\u00e9gios, a publicidade n\u00e3o parou de funcionar, mas \u00e9 foda. Batemos nas 100 mil mortes, \u00e9 de chorar no canto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu n\u00e3o sou pai, mas imagino como deve ser. E vivo achando que botar um filho no mundo nos nossos tempos \u00e9 um ato de coragem.<\/strong><br \/>\nEssa talvez seja a esperan\u00e7a, n\u00e9? De\u2026 mostrar para a crian\u00e7a que o mundo pode ser bom, enfim? Trabalhar isso nela, que assim talvez as coisas melhorem. \u00c9 o copo meio cheio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra fechar: qual \u00e9 a pergunta que eu devia ter feito e eu n\u00e3o fiz? Aquela que voc\u00ea queria responder e n\u00e3o rolou\u2026<\/strong><br \/>\nPutz, n\u00e3o sei\u2026 J\u00e1 sei. \u201cPor que eu tor\u00e7o pro Gr\u00eamio numa fam\u00edlia de torcedores do Internacional?\u201d \u00c9 para complicar mesmo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Andrio Maquenzi gravando synths pro seu album solo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bn2MgOzkIHk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Brenno Di Napoli gravando baixo pro disco do Andrio Maquenzi\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m1BYX-EuUNU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trecho do ensaio com Andrio Maquenzi 11-03-20\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pziO2ZtjO3k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2013<\/strong>\u00a0Bruno Capelas<strong>\u00a0(<\/strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@noacapelas<\/a><strong>)\u00a0<\/strong>\u00e9 jornalista do Estad\u00e3o, um dos respons\u00e1veis pelo <a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e autor de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/02\/03\/entrevista-bruno-capelas-fala-sobre-o-castelo-ra-tim-bum\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Raios e Trov\u00f5es \u2013 A hist\u00f3ria do fen\u00f4meno Castelo R\u00e1-Tim-Bum<\/a>\u201d, editado pela Summues Editorial. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por quase uma d\u00e9cada, Andrio Maquenzi andou \u201csumido\u201d. 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