{"id":57028,"date":"2020-08-17T01:19:51","date_gmt":"2020-08-17T04:19:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=57028"},"modified":"2020-10-08T01:22:49","modified_gmt":"2020-10-08T04:22:49","slug":"entrevista-denise-fraga-e-luiz-villaca-falam-de-horas-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/17\/entrevista-denise-fraga-e-luiz-villaca-falam-de-horas-em-casa\/","title":{"rendered":"Entrevista: Denise Fraga e Luiz Villa\u00e7a falam de &#8220;Horas em Casa&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 curioso tentar iniciar essa mat\u00e9ria sem apelar para a frase &#8220;Em tempos de confinamento&#8230;&#8221;, linha de abertura em tantos textos do jornalismo cultural nos \u00faltimos (quase) seis meses. Talvez seja pelo fato de n\u00e3o estar escrevendo acerca de sa\u00eddas para tal confinamento dentro de op\u00e7\u00f5es de leitura, de filmes, de atividades f\u00edsicas ou de trabalho para pessoas que t\u00eam a sorte de poder laborar em casa (para n\u00e3o usar o &#8220;inglesado&#8221; termo home office). Enfim, s\u00e3o op\u00e7\u00f5es de enxergar formas de conseguir passar pelas 24 horas do dia enquanto pessoas s\u00e3s mentalmente. Pessoas que podem ser consideradas conscientes da gravidade da situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica que muitos (o pr\u00f3prio &#8220;mandat\u00e1rio&#8221; da na\u00e7\u00e3o, inclusive) j\u00e1 pararam de encarar com a seriedade necess\u00e1ria. Aqui, a ideia n\u00e3o \u00e9 trazer op\u00e7\u00f5es para ela, mas falar dessa realidade de clausura e como a mesma tem afetado seres humanos reclusos e, tamb\u00e9m, muitos daqueles que por necessidades urgentes e de sustento, precisam se arriscar em sair \u00e0 rua. Na figura dessas v\u00e1rias pessoas que espelham muitos brasileiros e brasileiras est\u00e1 a atriz Denise Fraga, que encarna em um mon\u00f3logo preciso nossas diversas ang\u00fastias, preocupa\u00e7\u00f5es, questionamentos (factuais e existenciais), al\u00e9m, tamb\u00e9m, de alguns poucos prazeres encontrados em uma rotina em casa de forma compuls\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoras em Casa\u201d, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCDI_SkBOl1_IuoOzoY3PlAQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">webs\u00e9rie semanal dispon\u00edvel no YouTube todos os s\u00e1bados<\/a>, foi idealizada por Denise, por seu parceiro profissional e de vida, o cineasta Luiz Villa\u00e7a, bem como pelos roteiristas Rafael Gomes, Silvia Gomez e Cassia Conti, e traz a rotina n\u00e3o somente da atriz, m\u00e3e e dona de casa, Denise. Em sua maneira en\u00e9rgica e de um carisma singular, enxergamos em Denise Fraga a presen\u00e7a de professores, de entregadores, de vizinhos, de filhas e filhos, de pais de adolescentes, dos pr\u00f3prios adolescentes, de jornalistas, de cientistas, enfim, de uma vasta gama de personagens encarnados pela atriz de maneira a trazer n\u00e3o somente a leveza e gra\u00e7a daquelas situa\u00e7\u00f5es, mas de nos fazer refletir acerca dos muitos absurdos e tristezas com as quais nos deparamos durante os \u00faltimos meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia original para a webs\u00e9rie vem da pe\u00e7a \u201cEu de Voc\u00ea\u201d, que estreou em agosto do ano passado, mas teve sua turn\u00ea suspensa pela pandemia. Nela, os mon\u00f3logos trazidos por Denise Fraga e dirigidos por Luiz Villa\u00e7a j\u00e1 levavam ao p\u00fablico essa ideia de perceber o cotidiano como modo de reflex\u00e3o. &#8220;Foi uma pe\u00e7a feita a partir de relatos reais que recebemos. L\u00e1, o Luiz falava sempre para eu ter cuidado em n\u00e3o fazer muito o personagem. Para eu me deixar atravessar pela viv\u00eancia da pessoa&#8221;, explica a atriz. Para a adapta\u00e7\u00e3o na proposta vista em \u201cHoras em Casa\u201d, a naturalidade do ambiente e da perman\u00eancia da pessoa em sua resid\u00eancia salientou a proposta. &#8220;Essa ideia que parece ser (a personagem) do jeito que est\u00e1, com a cara limpa, sem peruca, sem caracteriza\u00e7\u00e3o, eu acho que tem uma concep\u00e7\u00e3o nisso a\u00ed que \u00e9 a de que eu sou todos. Eu, Denise, sou todos. Porque eu acho que cada um de n\u00f3s \u00e9 todo mundo. Essa ideia de que n\u00f3s somos todas as viv\u00eancias e h\u00e1 um pouco de n\u00f3s em cada um que a gente encontra&#8221;, pontua a atriz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa entrevista ao Scream &amp; Yell, o casal fala mais sobre essa maneira de levar reflex\u00e3o, sensibilidade, mas, tamb\u00e9m, um pouco de sorrisos a tempos amargos e dolorosos. Confira!<\/p>\n<figure id=\"attachment_57030\" aria-describedby=\"caption-attachment-57030\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-57030 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/horasdecasa1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/horasdecasa1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/horasdecasa1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-57030\" class=\"wp-caption-text\"><em>Denise, o filho Pedro e o marido Luiz filmando a webs\u00e9rie em casa<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ideia para a webs\u00e9rie &#8220;Horas em Casa&#8221; surgiu nesse contexto de confinamento, mas a partir da pe\u00e7a &#8220;Eu de Voc\u00ea&#8221;, que chegou a estrear em agosto de 2019, mas teve suas apresenta\u00e7\u00f5es suspensas devido a pandemia. Como foi adaptar a proposta do mon\u00f3logo l\u00e1 para essa atual abordagem?<\/strong><br \/>\nLuiz Villa\u00e7a: Estreamos a pe\u00e7a &#8220;Eu de Voc\u00ea&#8221; em agosto. Est\u00e1vamos come\u00e7ando a viajar, e tivemos que parar. Devemos retomar um dia, a hora que puder. Foi a partir da\u00ed que a gente resolveu fazer a s\u00e9rie. Ela \u00e9 inspirada em coisas que a gente est\u00e1 vivendo e nas not\u00edcias que estamos tendo. A cada semana, a gente sente que deve caminhar por um lado. Ela (a s\u00e9rie) \u00e9 muito aberta. Por exemplo, na semana passada (N.E. Papo em 07\/08), que a gente falou da quest\u00e3o pais, filhos e professores. N\u00e3o t\u00ednhamos um dado concreto de um professor, mas fizemos um depoimento de um professor meio desesperado, que n\u00e3o consegue nem dar aula para os filhos dele em casa, mas tem que pensar em voltar \u00e0s aulas presenciais na escola. O que \u00e9 um drama, n\u00e9?! \u00c9 uma trag\u00e9dia essa possibilidade. Na pr\u00f3xima semana, por exemplo, \u00e9 uma semana que vem com uma fic\u00e7\u00e3o, mas com muitos dados da atualidade do que a gente est\u00e1 vivendo. Inclusive sobre chegar, infelizmente, nesse n\u00famero lament\u00e1vel de 100 mil mortes. (N.E. O Brasil alcan\u00e7ou essa marca oficialmente em 08\/08). Voc\u00ea vai ver que a gente at\u00e9 compara, n\u00e3o no tamanho da trag\u00e9dia, claro, mas comparamos o n\u00famero de mortes que aconteceram em Hiroshima e Nagazaki. N\u00f3s estamos chegando l\u00e1, entendeu? N\u00f3s, Brasil, estamos chegando, infelizmente, nesses n\u00fameros por conta de uma doen\u00e7a que foi muito mal administrada. De uma forma absolutamente ineficaz. De uma forma pol\u00edtica, o que \u00e9 muito triste para o pa\u00eds todo. Ent\u00e3o, toda hora que a gente pode, a gente vai interferindo. Tem at\u00e9 uma personagem que aparece em quase todos os epis\u00f3dios que \u00e9 uma forma quase de um editorial que a gente tem do nosso pensamento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CALEND\u00c1RIO | HORAS EM CASA #010\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S5G8Vl-iiHo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De fato, essa abordagem calcada nos reais acontecimentos \u00e9 percept\u00edvel nas situa\u00e7\u00f5es que &#8220;Horas em Casa&#8221; aborda. E h\u00e1 esse equil\u00edbrio entre as situa\u00e7\u00f5es serem inseridas em um contexto mais direto, como foi o caso da morte de Jo\u00e3o Pedro, bem como com os dramas dos entregadores. Como funciona esse desenvolvimento com o time de roteiristas?<\/strong><br \/>\nLuiz Villa\u00e7a: Toda semana, nas nossas reuni\u00f5es de roteiro, a gente opta por falar de alguma coisa que est\u00e1 nos gerando uma ang\u00fastia, essa inquietude para todo mundo e que temos vontade de atacar. Acaba que a s\u00e9rie se torna muito atual no sentido de que em cada epis\u00f3dio falamos de uma coisa que est\u00e1 acontecendo naquele momento. E, sim, quando existem fatos com nomes reais, como foi o caso do Jo\u00e3o Pedro, como foi o caso do entregador, como foi o caso da enfermeira, que a gente fez, tamb\u00e9m tentamos, de alguma forma, colocar essa sensa\u00e7\u00e3o, essa atitude que est\u00e1 acontecendo a\u00ed todos os dias.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"IDENTIDADES | HORAS EM CASA #003\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nuuS_8Wepl8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assistindo aos diversos personagens interpretados pela Denise, em certo momento me veio a lembran\u00e7a de &#8220;Jogo de Cena&#8221;, do Eduardo Coutinho.<\/strong><br \/>\nLuiz Villa\u00e7a: Sim, verdade. Coutinho ser\u00e1 sempre uma refer\u00eancia. Nesse processo de adapta\u00e7\u00f5es de coisas reais, passamos tamb\u00e9m por um momento muito importante da nossa carreira que foi o &#8220;Retrato Falado&#8221; (quadro exibido no Fant\u00e1stico), onde a gente contava hist\u00f3rias reais de uma outra forma. Eu acho que tem muito a ver, sim. Eu acho que tem essa mistura que a pe\u00e7a tamb\u00e9m gera, que voc\u00ea um dia vai poder assistir, se tudo correr bem. Ela gera essa possibilidade para a Denise. Voc\u00ea viajar entre a Denise, atriz, mulher, brasileira, e esses v\u00e1rios personagens, que s\u00e3o muito pr\u00f3ximos. Porque, na verdade, todas as hist\u00f3rias que contamos, apesar de n\u00e3o serem reais, elas s\u00e3o inspiradas em coisas que a gente est\u00e1 vivendo no dia a dia. Nas nossas casas, que sabemos que est\u00e1 acontecendo nas ruas atrav\u00e9s dos jornais. Nas pessoas que precisam sair para trabalhar. Passam por isso e acabam relatando para a gente. \u00c9 algo muito forte, sabe? De a gente quase n\u00e3o atuar. Casos raros, como um dos pr\u00f3ximos que tem um professor a mais no tom, assim, de atua\u00e7\u00e3o. Mas, em geral, \u00e9 para ter mesmo uma grande mistura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denise Fraga: Eu acho que tem uma coisa que temos buscado, at\u00e9 mesmo na pe\u00e7a que a gente fazia antes, a &#8220;Eu de Voc\u00ea&#8221;. Foi uma pe\u00e7a feita a partir de relatos reais, relatos que a gente recebeu. E o Luiz falava sempre para mim isso: &#8220;Cuidado para voc\u00ea n\u00e3o fazer muito o personagem. Para voc\u00ea se deixar atravessar pela viv\u00eancia da pessoa&#8221;. At\u00e9 essa ideia, que parece ser do jeito que est\u00e1, com a cara limpa, sem peruca, sem caracteriza\u00e7\u00e3o. Mas eu acho que tem uma concep\u00e7\u00e3o nisso a\u00ed que \u00e9 a de que eu sou todos. Eu, Denise, sou todos. Eu acho que cada um de n\u00f3s \u00e9 todo mundo. Essa ideia de que n\u00f3s somos todas as viv\u00eancias. E h\u00e1 um pouco de n\u00f3s em cada um que a gente encontra. E a\u00ed vem essa hist\u00f3ria que a gente vinha falando, dessa coisa de voc\u00ea se colocar no lugar do outro. A pe\u00e7a &#8220;Eu de Voc\u00ea&#8221; tem muito essa ideia. Tem esse nome, pois \u00e9 voc\u00ea se colocar no lugar do outro. Voc\u00ea se deixar atravessar pela viv\u00eancia, por aquela experi\u00eancia, mais do que tentar caricaturar ou compor um personagem. A gente se preocupa com isso. \u00c9 um limite fino, n\u00e9? Que \u00e9 deixar se passar por aquela viv\u00eancia. Basicamente, o que eu penso para fazer \u00e9: &#8220;E se fosse eu? E se eu estivesse atravessando isso?&#8221; Claro que eu tento dar essa diferen\u00e7a, um pouco de ritmo, mas eu n\u00e3o busco compor muitas vozes, falar muito diferente, fazer um trejeito exagerado nessa diferencia\u00e7\u00e3o. Porque eu acho que assim a gente fugiria da ideia de que tudo isso somos n\u00f3s. E todos n\u00f3s estamos passando por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 uma identifica\u00e7\u00e3o do p\u00fablico com as diversas situa\u00e7\u00f5es representadas pelos seus personagens. Principalmente pela reflex\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos absurdos que nos vemos inseridos e que &#8220;Horas em Casa&#8221; traz de modo pontual. Absurdos como o modo irrespons\u00e1vel como o Brasil lidou (e vem lidando) com a pandemia.<\/strong><br \/>\nLuiz Villa\u00e7a: \u00c9 um caminho que nos trabalhos que tivemos a chance de fazer juntos, eu e a Denise, a gente sempre teve essa luta de fazer sorrir, mas fazer se emocionar, tamb\u00e9m. De termos a leveza, mas ao mesmo tempo n\u00e3o deixar de aprofundar temas que s\u00e3o super importantes. Nesse sentido, a s\u00e9rie caminha tamb\u00e9m por a\u00ed. Tem a com\u00e9dia, momentos de humor, de leveza. E n\u00f3s tivemos a quest\u00e3o do otimismo pelo o que vir\u00e1. A delicadeza de perceber o lado, de se olhar, de perceber o outro. E ao mesmo tempo n\u00e3o fugir \u00e0s verdades. Ent\u00e3o, o programa ele tem, sim, uma postura bastante pol\u00edtica. Epis\u00f3dios como o pr\u00f3ximo (N.E. Epis\u00f3dio 10), \u00e9 um que questiona tudo. Todos n\u00f3s. O que a gente est\u00e1 fazendo, e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 questionar os poderes e os governos como est\u00e3o agindo. Mas a gente tamb\u00e9m. Chegou uma hora que a gente come\u00e7ou a questionar, &#8220;mas, fulano est\u00e1 fazendo isso? Mas eu tenho direito de julgar? Mas eu n\u00e3o vou fazer, porque eu acho que \u00e9 um ato de amor eu ficar em casa. Tem que pensar n\u00e3o s\u00f3 na minha vida.&#8221; Eu acho que tentamos fazer o tempo inteiro foi um pouquinho essa m\u00e9dia: fazer um programa que levasse as pessoas a refletirem, ao pensamento, a colocar quest\u00f5es que a gente acha absurdamente importantes e, ao mesmo tempo, n\u00e3o negar que \u00e9 um programa de entretenimento. E que atrav\u00e9s desse entretenimento, podemos tocar as pessoas e fazer com que elas, ao acabarem de assistir, reflitam sobre elas mesmas. Sobre o que a gente est\u00e1 fazendo. Como que a gente est\u00e1 agindo nesse momento t\u00e3o tr\u00e1gico da humanidade, e que, no Brasil, infelizmente, a gente tem uma lente de aumento por incompet\u00eancia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ANSIEDADES | HORAS EM CASA #005\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CRcE2OqH_y4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denise Fraga: Recebemos um coment\u00e1rio do epis\u00f3dio sobre educa\u00e7\u00e3o, sobre a volta \u00e0s aulas. Uma mo\u00e7a escreveu assim: &#8220;Nossa, nesse eu fui m\u00e3e, professora e aluna&#8221;. Eu acho que tem muito isso. Mesmo os personagens diferentes, eles t\u00eam uma identifica\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes com v\u00e1rias partes de n\u00f3s. Acho que essa pandemia, esse isolamento, cada um na sua casa, estabeleceu as diferen\u00e7as de uma maneira escancarada. As diferen\u00e7as se escancaram. Parece que jogaram um contraste na humanidade, porque aparece como cada um lida diferente com o mesmo problema. As diferen\u00e7as ficam muito vis\u00edveis, muito acentuadas. O programa partiu disso. Dessa inquietude da gente de pensar: mas e a pessoa que est\u00e1 em 70m\u00b2 com crian\u00e7as de sete e seis anos tendo aula pela internet? E quem est\u00e1 em um c\u00f4modo com sete pessoas? \u00c9 a gente ir se colocando nas diversas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assisti a todos os epis\u00f3dios de &#8220;Horas em Casa&#8221; e foi certeira essa identifica\u00e7\u00e3o com as situa\u00e7\u00f5es que as personagens trazem. Identifica\u00e7\u00e3o e uma sensa\u00e7\u00e3o de achar naquilo um pouco de leveza para se tornar esperan\u00e7a, para curar a ang\u00fastia. E isso foi uma sensa\u00e7\u00e3o boa.<\/strong><br \/>\nDenise Fraga: Se h\u00e1 coisa de que gostamos \u00e9 de tratar o cotidiano com leveza. Quando a gente ouve algo sobre as v\u00e1rias pe\u00e7as que fizemos, filmes que fizemos por esse lugar que transitamos, e agora sobre &#8220;Horas em Casa&#8221;, o coment\u00e1rio que eu mais gosto de ouvir sobre esses trabalhos \u00e9: &#8220;Nossa, eu n\u00e3o sabia se eu ria ou se eu chorava.&#8221; Eu adoro esse lugar que \u00e9 esse fio fininho que fica entre a com\u00e9dia e o drama; o humor e a emo\u00e7\u00e3o; uma pessoa que est\u00e1 com l\u00e1grima no olho, mas d\u00e1 uma gargalhada e vice-versa. Uma pessoa que est\u00e1 rindo, e d\u00e1 aquela risadinha interrompida. Eu falo que \u00e9 a risada pior que h\u00e1. No teatro, a gente escuta muito isso. Aquela risada interrompida. E a pessoa que ri se reconhece no meio e fala: &#8220;Pior que \u00e9. A gente faz isso. A gente \u00e9 assim&#8221;. Eu acho que essa \u00e9 arte como reconhecimento, n\u00f3s atrav\u00e9s do humor, da leveza, da ironia, da emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 voc\u00ea conseguir fazer esse espelho cr\u00edtico, conseguir se olhar e falar: &#8220;Olha s\u00f3 o que a gente est\u00e1 fazendo da nossa vida? Ser\u00e1 que n\u00e3o pode ser diferente? Como pode ser diferente?&#8221; Eu fico muito feliz em ouvir voc\u00ea falar que lhe d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o boa. Porque, \u00e0s vezes, eu fico pensando: &#8220;Poxa, no meio disso tudo, a gente ainda d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o ruim para as pessoas?&#8221; J\u00e1 s\u00e3o tempos t\u00e3o dif\u00edceis. Mas acho que tanto para n\u00f3s, que estamos fazendo o &#8220;Horas em Casa&#8221;, como para quem v\u00ea, pelos coment\u00e1rios que temos recebido, acho que tem sido salvador. E o que acho bonito nessa hora \u00e9 que esse programa surgiu tamb\u00e9m pela nossa ang\u00fastia. A gente est\u00e1 fazendo um programa, tamb\u00e9m, para a gente se salvar. E, com ele, conseguimos compartilhar essa t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o com bastante gente. Fico feliz com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Luiz Villa\u00e7a: Um dos epis\u00f3dios que fizemos representou a raz\u00e3o do programa existir. Foi sobre &#8220;A Hora \u00e9 Agora&#8221;, sobre ser esse o momento de voc\u00ea retomar rela\u00e7\u00f5es, de voc\u00ea falar alguma coisa que voc\u00ea deixou de falar. E a Denise recebeu de uma amiga uma mensagem falando sobre uma hist\u00f3ria que ela tinha contado para a Denise h\u00e1 tr\u00eas anos. Era sobre como ela tinha rompido com a melhor amiga dela e estava se sentindo muito mal com isso. Elas n\u00e3o se falavam h\u00e1 tr\u00eas anos. Ela mandou uma mensagem para a Denise dizendo: &#8220;Denise, obrigado. Eu liguei para ela&#8221;. E nisso ela passou todo o di\u00e1logo que teve com essa amiga e a retomada da amizade. Ent\u00e3o, isso, por si s\u00f3, j\u00e1 vale ter feito a s\u00e9rie. \u00c0s vezes, \u00e9 um ato que j\u00e1 vale a s\u00e9rie. E ao mesmo tempo, como a Denise estava falando, o programa que vem nesse s\u00e1bado (N.E. Dia 08\/08), \u00e9 um que nasceu de uma coisa que a Denise me pergunta todos os dias. Porque todos os dias ela vira e fala assim: &#8220;Eu estou louca? Est\u00e1 acontecendo isso porque eu estou louca?&#8221; Ou ent\u00e3o, &#8220;Fulano fez uma festa. Eu estou louca?&#8221; E da\u00ed essa coisa que todo mundo est\u00e1 sentindo: &#8220;Ser\u00e1 que eu que estou louco? Est\u00e1 acontecendo mesmo isso?&#8221; J\u00e1 gerou tamb\u00e9m um novo programa. Ent\u00e3o, eu acho que s\u00e3o viv\u00eancias nossas que s\u00e3o coincidentes com todo mundo. E que vamos vai tentando, de alguma forma, colocar naqueles dez minutinhos ai que a gente produz.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"AGORA | HORAS EM CASA #008\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nGJQgpWHaKY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Denise, diante de tantos personagens que voc\u00ea interpreta a cada epis\u00f3dio, h\u00e1 algum pelo qual voc\u00ea tenha tido maior identifica\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nDenise Fraga: Eu acho que eu sou um pout-pourri de todos os personagens. Em v\u00e1rios pontos eu me identifico. Mas, nesse programa do dia 08 de agosto, o Rafael escreveu uma coisa muito boa que se chama &#8220;engarrafamento cerebral&#8221;. E temos um especialista em engarrafamento cerebral, que \u00e9 essa situa\u00e7\u00e3o em que a gente est\u00e1, na qual s\u00e3o v\u00e1rios est\u00edmulos que recebemos sem sair do lugar. Esse especialista d\u00e1 um exemplo que \u00e9 como se a cabe\u00e7a dele estivesse em uma esteira ergom\u00e9trica. Que ela n\u00e3o sai do lugar, mas a vida continua. \u00c9 inspirada em uma personagem que fiz na pe\u00e7a &#8220;Eu de Voc\u00ea&#8221;. Veio de uma carta que recebemos de uma mulher que trabalha muito, e tem a vida em alta voltagem, prestes a um blecaute. Ent\u00e3o, fizemos uma homenagem a ela, a essa pessoa que est\u00e1 com esse pensamento de perceber como \u00e9 louco que a nossa vida foi se adaptando \u00e0 quarentena, mas a alta voltagem continua. Com o n\u00famero de coisas que a gente est\u00e1 fazendo pela internet, o n\u00famero de mensagens que a gente tem de responder. Na primeira semana, parecia que tudo ia parar, mas a gente n\u00e3o para. Essa m\u00e1quina 110v ligada no 220v que n\u00f3s viramos h\u00e1 muito tempo a servi\u00e7o das tecnologias. Mas \u00e9 como se n\u00f3s estiv\u00e9ssemos a servi\u00e7o dela e n\u00e3o o contr\u00e1rio. Como se n\u00f3s estiv\u00e9ssemos mais sendo usados do que a usando. E a gente, na quarentena, com tanto est\u00edmulo diferente, contradit\u00f3rios muitas vezes, chega a esse atordoamento que me faz me perguntar se a louca sou eu, quando n\u00f3s estamos tentando manter a sa\u00fade, se isolar, e as pessoas convidando para um ch\u00e1 de beb\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Lembro-me de, em fevereiro e mar\u00e7o, quando morriam 800 pessoas por dia na It\u00e1lia, essa not\u00edcia chegou aqui com um choque imenso. Hoje, temos 1200 pessoas em m\u00e9dia morrendo por dia aqui, e a preocupa\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 em reabrir com\u00e9rcio.<\/strong><br \/>\nLuiz Villa\u00e7a: Esse \u00e9 (foi) o nosso programa do s\u00e1bado, dia 08. E voc\u00ea sabe que, hoje, est\u00e1 acontecendo uma coisa muito curiosa. Se voc\u00ea escutar hoje \u00e0s not\u00edcias, todo mundo est\u00e1 noticiando que s\u00e3o as 300 mortes em Beirute (N.E. &#8211; Villa\u00e7a se refere \u00e0 explos\u00e3o no porto de Beirute, no L\u00edbano), e agora que acabou de cair um avi\u00e3o na \u00cdndia com vitimas e quando voc\u00ea escuta que morreram 300 pessoas em Beirute e mais em uma queda de avi\u00e3o, isso \u00e9 muito! E a gente aqui com 1200 por dia, e as pessoas lidando como se fosse uma tabela de campeonato. &#8220;Hoje foram quantas? 1200? Ah, vamos chegar a 100 mil no s\u00e1bado&#8221;. Quer dizer, \u00e9 uma loucura o que a gente est\u00e1 vivendo e \u00e9 um loucura que tenhamos no governo pessoas que est\u00e3o achando que est\u00e1 tudo bem, que \u00e9 isso a\u00ed. &#8220;Retomem \u00e0 vida e vamos ser campe\u00f5es de morte&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"JANELAS | HORAS EM CASA #007\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/K0RtZPB-DMQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sobre a parte t\u00e9cnica da s\u00e9rie, como funciona o processo de constru\u00e7\u00e3o desde a ideia do roteiro, passando pela mesa de discuss\u00f5es, grava\u00e7\u00f5es, montagem, som, como se d\u00e1 esse desenvolvimento?<\/strong><br \/>\nLuiz Villa\u00e7a: Fazemos uma reuni\u00e3o semanal com roteiristas, quando discutimos o que vir\u00e1 e lemos o que vai ser na semana que a gente vai gravar. Temos uma equipe de autores que \u00e9 capitaneada pelo Rafael Gomes, e tem a Cassia (Conti) e a Silvia (Gomez). Discutimos o tema que vamos desenvolver e lemos o roteiro daquela semana para entendermos se est\u00e1 tudo certo. A partir do momento que a gente tem o roteiro, gravamos tudo em casa. Uma equipe bem grande, eu, a Denise e o meu filho, Pedro (risos). O Pedro se forma em Cinema daqui a seis meses. O figurino \u00e9 feito pela Denise, a maquiagem tamb\u00e9m. A dire\u00e7\u00e3o de arte sou eu. O Pedro fotografa, todo mundo dirige junto, e a gente faz a coisa acontecer em dois dias de grava\u00e7\u00e3o. Esse material \u00e9 enviado todo via drive, pela internet, para o nosso montador, o Marcola Marinho. Afinamos online o processo. Depois tem o tratamento de som. E a partir da\u00ed, o projeto est\u00e1 fechado naquela semana. Em termos de capta\u00e7\u00e3o, a gente usa uma c\u00e2mera semiprofissional. \u00c9 um projeto bastante amador no sentido de amar o que estamos fazendo. A nossa luz \u00e9 a luz de abajur, e o nosso som \u00e9 rezando para nenhum cachorro latir, por que \u00e9 o microfone da c\u00e2mera. Latiu algum cachorro, tem que fazer de novo. Fazemos de uma forma muito simples. Isso foi uma coisa que foi um desejo e uma vontade de brincar com o simples. Por isso \u00e9 sempre s\u00f3 um figurino. Por isso a Denise n\u00e3o tem maquiagem. E \u00e9 muito legal a gente perceber isso. A gente chegou a fazer um filme que rolava na janela de um pr\u00e9dio, claramente janelas de uma casa, e as pessoas embarcaram (N.E. \u201cDe Onde Eu Te Vejo\u201d, filme de 2016). Quer dizer, o que vale, mais do que tudo, \u00e9 um bom texto e uma atriz como a Denise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Denise Fraga: Uma coisa bonita que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que a gente grava na nossa casa. J\u00e1 vamos agora para o epis\u00f3dio n\u00famero 10, e como essas vidas dessas pessoas v\u00e3o povoando a nossa casa. Outro dia, fomos gravar em um canto da casa, e o Luiz falou, &#8220;mas aqui j\u00e1 \u00e9 a M\u00e1rcia&#8221; (risos). Na verdade, a casa \u00e9 a nossa e a gente n\u00e3o tem tanto espa\u00e7o, ent\u00e3o acaba repetindo. N\u00e3o temos tantos quartos, a gente vai fazer o quarto de todo mundo no mesmo, quase. &#8220;Mas aqui j\u00e1 foi n\u00e3o sei quem&#8230;&#8221;. E engra\u00e7ado que os cantos de nossa casa foram ficando com o nome de personagens. &#8220;Aqui foi o quarto daquela que achava que estava morta&#8221;; &#8220;Aqui \u00e9 o quarto da M\u00e1rcia.&#8221;; &#8220;Aqui foi o Cl\u00e1udio.&#8221;. &#8220;A jornalista j\u00e1 tem um lugar fixo na nossa casa&#8221;. \u00c9 engra\u00e7ado porque eu fico vendo em cima daquela ideia que eu falei no in\u00edcio, do (espet\u00e1culo teatral) &#8220;Eu de Voc\u00ea&#8221;. Como essas viv\u00eancias v\u00e3o entrando na nossa quarentena, tamb\u00e9m. E essas pessoas todas. Teve um epis\u00f3dio que eu gostei muito que foi o que abordamos a ansiedade, que tinha o personagem com o saco de p\u00e3o na m\u00e3o, paralisado. Toda vez que eu estou na bancada, cozinhando, eu penso nele. Estou l\u00e1 cortando cebola, e lembro. Eu penso que \u00e9 a mesma bancada onde eu cortei cebola para aquele que se demitiu. Essas viv\u00eancias todas v\u00e3o se misturando com a nossa vida real.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"FRONTEIRAS | HORAS EM CASA #001\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PLqdtkly4kQZxW_A8OTzYxa5xcAWRtTzbq\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto&nbsp;<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do&nbsp;<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na figura de v\u00e1rias pessoas que espelham muitos brasileiros, a atriz Denise Fraga encarna um mon\u00f3logo sobre nossas ang\u00fastias, preocupa\u00e7\u00f5es, questionamentos e alguns poucos prazeres encontrados na rotina em casa na quarentena.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/17\/entrevista-denise-fraga-e-luiz-villaca-falam-de-horas-em-casa\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":57029,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,36],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57028"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57028"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57028\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57036,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57028\/revisions\/57036"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57029"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}