{"id":56931,"date":"2020-08-06T00:05:00","date_gmt":"2020-08-06T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56931"},"modified":"2020-10-07T09:33:59","modified_gmt":"2020-10-07T12:33:59","slug":"entrevista-alessandro-andreola-editora-barbante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/06\/entrevista-alessandro-andreola-editora-barbante\/","title":{"rendered":"Entrevista: Alessandro Andreola (Editora Barbante)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por Marcelo Costa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trabalhar com qualquer coisa relacionada com cultura nestes anos inacredit\u00e1veis n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um ato de coragem, mas, principalmente, um ato de amor, uma maneira de devolver ao mundo um pouco da paix\u00e3o que a cultura nos deu \u2013 e em muitos casos, nos salvou para que, tamb\u00e9m, pud\u00e9ssemos salvar algu\u00e9m. Nesse quesito, \u00e9 dif\u00edcil pensar em algo mais bonito do que ter uma editora em 2020, fazer das tripas cora\u00e7\u00e3o para colocar um livro na rua, esperando que aquelas palavras e imagens impressas em papel possam fazer por outros um pouco do que fazem por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fruto da paix\u00e3o de um casal de jornalistas, Alessandro Andreola Paola Marques, a Editora Barbante nasceu em 2016 com um livro sobre m\u00fasica (\u201c<a href=\"http:\/\/www.editorabarbante.com.br\/pd-6d9bcf-musica-do-dia.html?ct=&amp;p=1&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">M\u00fasica do Dia<\/a>\u201d, que \u00e9 \u201cuma colet\u00e2nea de textos que contam a hist\u00f3ria de v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es e \u00e1lbuns, al\u00e9m de reunir alguns perfis que v\u00e3o de Hendrix e Phil Spector a Poly Styrene e Jarvis Cocker\u201d, explica Alessandro) e outro sobre fotografia (\u201c<a href=\"http:\/\/www.editorabarbante.com.br\/pd-6d9bd9-wadad.html?ct=&amp;p=1&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Wadad<\/a>\u201d, em que o fot\u00f3grafo Eduardo Macarios reconta a trajet\u00f3ria da av\u00f3, que veio do L\u00edbano para o Brasil nos anos 1950, num misto de di\u00e1rio e acervo fotogr\u00e1fico familiar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDe l\u00e1 para c\u00e1, a luta tem sido para que a editora se firme como nossa atividade principal, o que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil\u201d, conta Alessandro em conversa por e-mail, explicando que a Barbante segue o modelo de \u201cslow publishing mesmo, e com \u00eanfase no slow. S\u00e3o poucos t\u00edtulos, com tiragens pequenas\u201d. Para ele, \u201co que tem quebrado um pouco esse ecossistema (de editoras independentes) n\u00e3o \u00e9 nem esse momento pol\u00edtico lament\u00e1vel, acho, mas a pandemia. Sem feiras para vender seus materiais, as editoras pequenas sofrem muito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, Alessandro fala sobre \u201cM\u00fasica do Dia\u201d e tamb\u00e9m sobre \u201c<a href=\"http:\/\/www.editorabarbante.com.br\/pd-6d9bd5-ouca-este-livro-20-playlists-surpreendentes.html?ct=&amp;p=1&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ou\u00e7a Este Livro: 20 Playlists Surpreendentes<\/a>\u201d, de Cassiano Fagundes, al\u00e9m dos dois livros da s\u00e9rie Sound+Vision da editora, que aprofundam o olhar sobre os discos \u201c<a href=\"http:\/\/www.editorabarbante.com.br\/pd-6d9bb3-the-war-on-drugs-lost-in-the-dream.html?ct=&amp;p=1&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lost In The Dream<\/a>\u201d, do The War on Drugs, e \u201c<a href=\"http:\/\/www.editorabarbante.com.br\/pd-6d9bad-corredor-polones.html?ct=&amp;p=1&amp;s=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Corredor Polon\u00eas<\/a>\u201d, da Patife Band, ambos aprofundados no formato faixa a faixa. Andreola tamb\u00e9m conta como foi a experi\u00eancia de ter uma livraria de rua em Curitiba, e avisa que a Livraria Barbante logo ganhar\u00e1 um endere\u00e7o online. Fique atento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.editorabarbante.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.editorabarbante.com.br<\/a>\u00a0 \u00a0&#8211;\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/editorabarbante\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.facebook.com\/editorabarbante\/<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56932\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/corredor.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/corredor.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/corredor-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu a ideia de criar a Editora Barbante e como \u00e9 para voc\u00eas manter uma editora num momento da hist\u00f3ria do pa\u00eds em que a cultura \u00e9 t\u00e3o vilanizada?<\/strong><br \/>\nA editora nasceu porque eu tinha decidido me autopublicar \u2014 no que viria a ser o \u201cM\u00fasica do Dia\u201d \u2014 ao mesmo tempo em que a Paola Marques, que al\u00e9m de minha s\u00f3cia na editora \u00e9 tamb\u00e9m minha esposa, trabalhava na edi\u00e7\u00e3o de um fotolivro chamado \u201cWadad\u201d, que conta a vida de uma imigrante libanesa no Brasil. Tanto eu como a Paola somos jornalistas e ambos j\u00e1 t\u00ednhamos trabalhado marginalmente com a edi\u00e7\u00e3o de livros, mas esses dois projetos eram os primeiros em que a gente tomava \u00e0 frente. Ent\u00e3o coincidiu disso estar acontecendo simultaneamente, e quando vimos que t\u00ednhamos esse dois livros nas m\u00e3os olhamos um pro outro e falamos \u201cbom, parece que agora temos um editora\u201d. Isso foi 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, a luta tem sido para que a editora se firme como nossa atividade principal, o que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil. Obviamente n\u00e3o ajuda muito que o governo seja ocupado por esses caras inacredit\u00e1veis, em muitos aspectos a coisa \u00e9 realmente catastr\u00f3fica. Por outro lado, acho que s\u00e3o nesses momentos que se formam as resist\u00eancias, e eu vi isso de perto, porque logo depois da elei\u00e7\u00e3o do Bolsonaro parece que houve uma prolifera\u00e7\u00e3o de novas editoras e feiras de publica\u00e7\u00e3o \u2014 a gente mesmo se aventurou a abrir uma livraria s\u00f3 de independentes aqui em Curitiba, que teve vida curta, mas foi uma experi\u00eancia super legal. O que tem quebrado um pouco esse ecossistema n\u00e3o \u00e9 nem esse momento pol\u00edtico lament\u00e1vel, acho, mas a pandemia. Sem feiras para vender seus materiais, as editoras pequenas sofrem muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No cat\u00e1logo de voc\u00eas \u00e9 poss\u00edvel encontrar livros sobre m\u00fasica e fotografia. Como voc\u00eas escolhem o que lan\u00e7ar? Como \u00e9 feita essa curadoria para publica\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nA verdade \u00e9 que n\u00f3s temos mais ideias do que damos conta de realizar. Como a editora \u00e9 basicamente eu e Paola, n\u00e3o existe hoje uma estrutura para dar vaz\u00e3o a tudo o que gostar\u00edamos de lan\u00e7ar. Ent\u00e3o, at\u00e9 por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, o nosso modelo \u00e9 de slow publishing mesmo, e com \u00eanfase no slow. S\u00e3o poucos t\u00edtulos, com tiragens pequenas. N\u00f3s tentamos sempre pensar um pouco \u00e0 frente, mas o que realmente \u00e9 publicado depende de uma s\u00e9rie de fatores, que incluem tempo, grana e um bocado de sorte tamb\u00e9m. Mas de modo geral tentamos nos concentrar nessas duas \u00e1reas, mesmo que eu n\u00e3o goste muito da ideia de ficar ref\u00e9m desses assuntos. Pode ser que hora dessas a gente resolva publicar um livro de cinema, um infantil ou de outra \u00e1rea qualquer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que te motivou a escrever sobre o \u201cLost In The Dream\u201d, do The War on Drugs? \u00c9 um livro que se encaixaria maravilhosamente bem na s\u00e9rie \u201cO Livro do Disco\u201d (33 ?), mas acho importante a ideia de voc\u00ea lan\u00e7ar de maneira independente, por sua pr\u00f3pria editora. Essa s\u00e9rie, Sound+Vision, \u00e9 pensada para isso: livros sobre discos?<\/strong><br \/>\nSou um super f\u00e3 da 33 ? e acho que a Cobog\u00f3, que publica a s\u00e9rie aqui como \u201cO Livro do Disco\u201d, faz um trabalho excelente, inclusive com os t\u00edtulos sobre discos brasileiros. Mas de in\u00edcio o meu livro sobre o The War On Drugs n\u00e3o foi feito pensando nesse formato \u2014 pelo menos n\u00e3o conscientemente. O que aconteceu \u00e9 que sou um grande f\u00e3 do \u201cLost In The Dream\u201d, ouvi muito quando ele saiu em 2014. Tr\u00eas anos depois, por nenhuma raz\u00e3o espec\u00edfica, voltei a escutar e a ler muito sobre o disco. E praticamente todas as mat\u00e9rias e entrevistas falavam sobre o tal colapso nervoso que levou o Adam Granduciel a compor o \u00e1lbum. Comecei a ter muitas ideias, ao ponto de ficar obsessivo, e decidi escrever uma esp\u00e9cie de ensaio bem solto, como uma esp\u00e9cie de terapia. Eu queria tirar aquilo do meu sistema antes que eu tamb\u00e9m tivesse um colapso. O formato faixa a faixa veio naturalmente, era um jeito f\u00e1cil de organizar a coisa toda. Quando ficou pronto, eu pensei que aquilo dava um pequeno livro, uma coisa de f\u00e3 para f\u00e3, mas tamb\u00e9m me pareceu algo que poderia agradar qualquer pessoa interessada em processos criativos. Convidei esse talento imenso que \u00e9 o Andr\u00e9 Ducci para ilustrar cada uma das faixas do disco e fizemos ent\u00e3o uma tiragem min\u00fascula \u2014 80 exemplares, com capa dura em serigrafia e lombada de tecido, uma coisa muito caprichada. Esgotou meio r\u00e1pido, e a\u00ed veio essa nova vers\u00e3o em brochura, j\u00e1 dentro da Sound + Vision. Que \u00e9 nada mais do que uma releitura pessoal da 33 ? \u2014 no nosso caso, a ideia \u00e9 que todos os livros sigam essa estrutura de faixa a faixa, sempre com um artista convidado para dar sua representa\u00e7\u00e3o visual dessas can\u00e7\u00f5es, seja por meio de ilustra\u00e7\u00f5es, fotos, colagens, o que for. Al\u00e9m disso, a prefer\u00eancia \u00e9 por \u00e1lbuns n\u00e3o t\u00e3o conhecidos, apesar disso n\u00e3o ser uma regra.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56934\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/musica.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"749\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/musica.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/musica-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/musica-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria que voc\u00ea falasse um pouco sobre os livros \u201cM\u00fasica do Dia\u201d, que voc\u00ea escreveu (e que tenho usado como um livro da sorte: abro aleatoriamente numa p\u00e1gina e acabo mergulhando no universo sonoro depois), e \u201cOu\u00e7a Este Livro\u201d, do Cassiano Fagundes.<\/strong><br \/>\nOs dois livros t\u00eam origens parecidas. Tanto o Cassiano como eu trabalhamos por um bom tempo como curadores de um servi\u00e7o h\u00edbrido de streaming e not\u00edcias chamado Power Music Club (\u00e9 s\u00e9rio), mantido pela finada GVT. L\u00e1, escrevemos literalmente milhares de textos, que inclu\u00edam notinhas, colunas, cr\u00edticas de discos e um monte de outras coisas. O diabo \u00e9 que quando a GVT foi vendida, e o servi\u00e7o consequentemente desativado, todo esse material foi para o limbo da internet. Simplesmente sumiu. Felizmente eu tinha o h\u00e1bito de salvar c\u00f3pias do que sa\u00eda, ent\u00e3o consegui recuperar grande parte do material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de compilar alguns dos melhores textos em livro era uma coisa que j\u00e1 me passava pela cabe\u00e7a quando eu ainda trabalhava por l\u00e1 \u2014 porque, naturalmente, o que o cliente do servi\u00e7o queria n\u00e3o era ler sobre m\u00fasica, mas ouvir. E al\u00e9m disso os artistas mais executados eram Ivete Sangalo, Jorge e Mateus, coisas muito populares. Nesse sentido, publicar um texto sobre Serge Gainsbourg ou Elvis Costello era quase uma molecagem. A gente fazia, porque tinha muita liberdade editorial, mas a verdade \u00e9 que eram textos que n\u00e3o estavam encontrando seus leitores. E eu achei que o livro era um caminho para isso, ent\u00e3o a\u00ed nasceu o \u201cM\u00fasica do Dia\u201d, que \u00e9 uma colet\u00e2nea de textos que contam a hist\u00f3ria de v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es e \u00e1lbuns, al\u00e9m de reunir alguns perfis que v\u00e3o de Hendrix e Phil Spector a Poly Styrene e Jarvis Cocker.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso do Ou\u00e7a Esse Livro, o lance \u00e9 que o Cassiano sempre foi muito bom de playlist \u2014 ele \u00e9 desses sujeitos que t\u00eam um grande repert\u00f3rio e muita facilidade tanto com nomes e datas, assim como para concatenar coisas que aparentemente s\u00e3o completamente d\u00edspares, mas que juntas acabam fazendo sentido. N\u00f3s resgatamos alguns textos dele com o crit\u00e9rio de escolher as coisas mais curiosas e bizarras, e a\u00ed eles fez playlists exclusivas para o livro. \u00c9 bem legal pra quem gosta de curiosidades do pop\/rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O lan\u00e7amento mais recente da Barbante \u00e9 o livro sobre o \u201cCorredor Polon\u00eas\u201d, \u00e1lbum cl\u00e1ssico da Patife Band, com texto do Marcelo Dallegrave e da Melissa Medroni. \u00c9 um disco muito conhecido no underground, mas pouco ouvido, assim como a pr\u00f3pria Patife. Como foi pra voc\u00ea ler a vers\u00e3o final do livro? Novidades? Surpresas?<\/strong><br \/>\nEu confesso que, at\u00e9 editar o livro, conhecia muito pouco a Patife e a cena do Lira Paulistana. Sabia do status cult do \u00e1lbum, mas acho que tinha ouvido uma ou duas vezes, se muito. A hist\u00f3ria do livro \u00e9 que o Marcelo Dallegrave tinha lido o War On Drugs e me disse o quanto tinha gostado e como ele gostaria de fazer algo parecido, mas n\u00e3o tinha uma ideia. Falei pra ele escrever sobre o \u201cCorredor Polon\u00eas\u201d, que \u00e9 um disco que ele adora. E falei meio da boca pra fora, eu n\u00e3o imaginava que ele ia fazer de verdade. Pois bem: seis meses depois ele me aparece com o livro, que ele escreveu junto com a Melissa depois de entrevistar todos os envolvidos com o \u00e1lbum que eles conseguiram encontrar. Eu acho comovente que o livro n\u00e3o seja uma biografia super detalhada sobre a Patife, algo que a rigor talvez s\u00f3 me causasse um interesse antropol\u00f3gico, mas sim uma esp\u00e9cie de carta de amor, que ronda alguns temas espec\u00edficos. E, em ess\u00eancia, ele se parece em muitos aspectos com o que eu fiz no War On Drugs, apesar de ter uma pegada um pouco diferente. Caiu como uma luva para a cole\u00e7\u00e3o, tenho muito orgulho de ter editado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, gostaria de saber como foi a experi\u00eancia de ter uma livraria de rua. A Livraria Barbante fechou as portas no final de dezembro passado, certo? E como foi, para voc\u00eas, viver essa experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\nCuritiba tem meia d\u00fazia de livrarias de rua, fora os sebos. E desde que come\u00e7amos a nos envolver com esse universo das publica\u00e7\u00f5es independentes come\u00e7amos a acalentar a ideia de ter um espa\u00e7o exclusivo para esse tipo de material \u2014 n\u00e3o somente livros, mas tamb\u00e9m zines, prints e outros objetos inclassific\u00e1veis, al\u00e9m de ser um espa\u00e7o aberto para discuss\u00f5es a respeito dessa cena. No segundo semestre de 2018 surgiu uma esp\u00e9cie de tempestade perfeita para tirar a ideia do papel, e fomos em frente. Durou 15 meses em que acredito termos ajudado a movimentar um cen\u00e1rio que infelizmente \u00e9 um pouco modorrento. O que eu posso dizer \u00e9: ter uma editora \u00e9 dif\u00edcil \u00e0s vezes, mas ter uma livraria \u00e9 muito mais. \u00c9 a\u00ed que se sente mais na pele como h\u00e1 esse certo desprezo pela cultura, que voc\u00ea me perguntou l\u00e1 em cima. Mas, por mais que a livraria nunca tenha dado lucro, e que no seu ciclo final tenha come\u00e7ado a dar preju\u00edzo mesmo, o grande motivo de termos fechado as portas foi, digamos, \u201cextracampo\u201d: nossa filha nasceu e logo ficou claro que n\u00e3o dava para manter uma editora e uma livraria enquanto est\u00e1vamos criando uma beb\u00ea. Entre a livraria e a editora, optamos pela editora. Foi a coisa mais sensata a fazer. E agora que demos um tempo, a livraria deve voltar em breve, s\u00f3 que dessa vez online. Logo aparecem novidades.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIVE TATU\u00cd | Alessandro Andreola\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/buyROcWcxFs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"http:\/\/twitter.com\/#%21\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) edita o Scream &amp; Yell desde 2000 e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Fruto da paix\u00e3o de um casal de jornalistas, a Editora Barbante nasceu em 2016 e vem se especializando em lan\u00e7ar livros &#8220;para ler e ouvir&#8221;. Nesta conversa, Alessandro fala sobre alguns livros da editora e da dificuldade de manter um projeto independente em tempos de pandemia.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/06\/entrevista-alessandro-andreola-editora-barbante\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":56933,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[4591,4593,4592],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56931"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56931"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56931\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56936,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56931\/revisions\/56936"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56933"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56931"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56931"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56931"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}