{"id":56870,"date":"2020-08-25T04:01:55","date_gmt":"2020-08-25T07:01:55","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56870"},"modified":"2020-09-27T22:18:06","modified_gmt":"2020-09-28T01:18:06","slug":"entrevista-o-momento-dor-e-alivio-de-rico-dalasam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/25\/entrevista-o-momento-dor-e-alivio-de-rico-dalasam\/","title":{"rendered":"Entrevista: O momento dor e al\u00edvio de Rico Dalasam"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">2020 marca uma esp\u00e9cie de retorno de Rico Dalasam \u00e0 m\u00eddia, depois de cerca de dois anos sem lan\u00e7amentos. Esse afastamento \u00e9 chamado por ele de \u201ctempo de aus\u00eancia\u201d, um espa\u00e7o de se reconectar consigo mesmo e de entender a import\u00e2ncia de sua voz na m\u00fasica nacional. O retorno vem a primeira parte de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6hDHGjQJs9K8DFFCUdfahv\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Dolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio<\/a>\u201d (2020), EP com menos de 15 minutos, mas com intensidade que reverbera de forma como poucos discos nesse ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rico Dalasam tem no portf\u00f3lio uma gama de hits, can\u00e7\u00f5es de refr\u00e3o pegajoso e fez sucesso nacional como poucos de sua gera\u00e7\u00e3o, por isso \u00e9 interessante acompanhar as suas investiga\u00e7\u00f5es musicais e po\u00e9ticas em \u201cDolores Dala\u201d, num processo de constru\u00e7\u00e3o bem mais complexo do que qualquer tag possa colocar sobre ele. Rico nunca pareceu t\u00e3o sincero e t\u00e3o sem medo do que se espera dele (ou mesmo do que se cria sobre sua figura), como ele diz \u201cparece que a gente t\u00e1 sempre falando de racismo, de luta, mas na verdade a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 garantir que as nossas subjetividades estejam plenas e protegidas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fala inteligente, que vai e volta de forma instigante, o artista tem uma lucidez sobre seu espa\u00e7o na m\u00eddia e sabe bem como lidar com os meandros da ind\u00fastria, por isso mesmo parece ainda mais livre em sua arte. Conversamos com Dalasam via whatsapp durante quase meia-hora: falamos sobre afeto, poesia, discos e amores. De forma aberta, Rico conta sobre sua carreira, sobre a import\u00e2ncia de sua organiza\u00e7\u00e3o financeira e sobre como o Brasil cada vez mais inspira seu trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confira a entrevista na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rico Dalasam feat. Dinho - Braille [HORIZONTE SESSIONS]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ga4LerPmyrk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para come\u00e7ar, gostaria de saber como voc\u00ea est\u00e1 nesse tempo de distanciamento social?<\/strong><br \/>\nEstou bem, estou olhando as coisas, equilibrando tudo: esse semestre, esse ano, o que ainda tem pra se ver, mas em paralelo a essas mudan\u00e7as todas, a essa confus\u00e3o toda, a minha vida no modo pessoal talvez entrou num est\u00e1gio mais calmo, mais tranquilo, mais leve. Apesar de tudo, na contrama\u00e7\u00e3o de tudo, isso tem me feito bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>J\u00e1 nessa fase de distanciamento \u00e9 que o seu EP \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d foi lan\u00e7ado. Como voc\u00ea sentiu a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, j\u00e1 que tudo foi \u00e0 dist\u00e2ncia, sem shows, apenas com lives?<\/b><br \/>\nSim, a gente j\u00e1 estava at\u00e9 com algumas datas de lan\u00e7amentos em algumas capitais e tal. De algum modo, essas m\u00fasicas da primeira parte do \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d s\u00e3o m\u00fasicas que, talvez, se fossem numa inten\u00e7\u00e3o festiva, numa inten\u00e7\u00e3o noturna das coisas, mais profano ou pra outras linhas, talvez elas soassem estranhas, n\u00e3o s\u00f3 contradit\u00f3rias, mas n\u00e3o ia combinar com a l\u00f3gica do pensamento coletivo nesse instante. (Por isso) Elas s\u00e3o m\u00fasicas que caem de forma ok dentro desse instante e isso pode estar nos ajudando a fazer as pessoas consumirem refletirem a mensagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea entende que em algum momento as pessoas te colocaram numa caixinha que era a do \u201crapper gay negro\u201d e elas esperavam determinadas coisas de voc\u00ea? Isso \u00e9, voc\u00ea entende, de alguma forma, que \u00e9 at\u00e9 subversivo voc\u00ea lan\u00e7ar um EP que fala de afeto, de amor e que fala dos seus sentimentos de uma forma que vai contra essas expectativas que s\u00e3o criadas?<\/strong><br \/>\nAs pessoas t\u00eam planos, elas criam mercados, causas, e \u00e9 natural tamb\u00e9m isso na arte \u2013 sobretudo na arte. Eu vim desse tempo de pr\u00e1tica de aus\u00eancia, que \u00e9 esse tempo que eu fiquei sem lan\u00e7ar as coisas, refletindo, pensando, vindo do \u00faltimo trampo que era o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1LzLMBpzJ5zxr0QGRjqTbe\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Balanga Raba<\/a>\u201d (2017), que obedecia todos esses c\u00f3digos de artista queer, tendo uma rela\u00e7\u00e3o com o pop, e a\u00ed a gente volta com outra coisa, porque, inclusive, a vida est\u00e1 em outro est\u00e1gio, ningu\u00e9m mais est\u00e1 no mesmo lugar, nem na frente e nem atr\u00e1s, e existem essas outras coisas, que s\u00e3o outras demandas. Na verdade, eu estou escolhendo os mesmos c\u00f3digos para criar uma narrativa do \u00e1lbum, s\u00f3 que por outro vi\u00e9s, eu estou muito mais interessado em colocar subjetividades no prato do que as outras l\u00f3gicas que eram menos subjetivas e mais luta, fervo, outras dualidades, diferente de agora, que \u00e9 a dor e o al\u00edvio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea entende que isso tamb\u00e9m \u00e9 parte de um processo seu de se sentir a vontade de falar dessas coisas t\u00e3o \u00edntimas?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um processo, antes de tudo, de desencanto. Porque entre eu e os meus amigos, entre as pessoas com quem fa\u00e7o m\u00fasica, eu sempre vinha fazendo can\u00e7\u00f5es como essas, como tantas outras que existem. Talvez o meu problema nem seja ter can\u00e7\u00f5es, mas eu estava muito atendendo uma demanda de um momento, de tempo, da constru\u00e7\u00e3o de uma coisa, porque fundar um lugar que n\u00e3o existe ainda \u2013 voc\u00ea entende que n\u00e3o existe, mesmo existindo v\u00e1rios artistas a\u00ed fazendo rap e vindo de periferia, cruzando essa est\u00e9tica de periferia e sexualidade \u2013, um lugar que n\u00e3o \u00e9 natural, desnaturalizado, recorrente na cultura brasileira, n\u00e3o tinha uma ancestral do Rico Dalasam na m\u00fasica brasileira. Eu posso ir um pouco mais longe, ao norte da Am\u00e9rica e tentar achar quem \u00e9 esse ancestral do Rico Dalasam, mas ele n\u00e3o existe de fato, sobretudo aqui no sul da Am\u00e9rica. Ent\u00e3o \u00e9 fundar um lugar e isso ainda est\u00e1 acontecendo, isso n\u00e3o est\u00e1 posto, voc\u00ea pode cruzar v\u00e1rias coisas, no pop, no rap, num monte de coisas, mas \u00e9 um lugar que n\u00e3o necessariamente \u00e9 interessante para o mercado e para as marcas ou para uma s\u00e9rie de organismos que ajudam a legitimar um segmento dentro de uma cultura popular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando um pouco no tempo, voc\u00ea teve esse espa\u00e7o em que voc\u00ea estava muito pop, muito grande, e ao mesmo tempo voc\u00ea teve respostas do p\u00fablico e da internet quando voc\u00ea questionou os seus direitos enquanto criador e tudo mais. Como voc\u00ea entende, ent\u00e3o, esse tempo que voc\u00ea teve de ficar afastado, em que voc\u00ea teve todas essas rea\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias a essa cobran\u00e7a sua pelos direitos?<\/strong><br \/>\nAcho que isso tem rolado muito nessa sociedade que vive das polariza\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo em que a gente est\u00e1 tendo de novo um epis\u00f3dio que \u00e9 recorrente na m\u00fasica brasileira. Isso \u00e9 recorrente, s\u00f3 que as pessoas, seja artista ou seja o p\u00fablico, elas est\u00e3o condicionados ao silencio ou ao silenciamento das coisas que ocorrem, e prejudicam pessoas que \u00e0s vezes est\u00e3o meramente inocentes criando versos. Mas com a mudan\u00e7a e o andar do tempo as pessoas t\u00eam se informado e \u00e0s vezes um artista como eu tem a possibilidade de n\u00e3o seguir seu caminho com esse sofrimento de entender que fez algo relevante nacionalmente, mas que vai morrer sem o reconhecimento daquilo, sem poder ter nenhuma atitude retroativa que seja a isso, que seja recuperar o que \u00e9 seu de propriedade. Acho que hoje essa possibilidade \u00e9 maior. Os recursos que anteriormente eu vim juntando tamb\u00e9m me deram essa possibilidade, porque \u00e0s vezes voc\u00ea precisa de dois, tr\u00eas advogados para resolver uma coisa. Enfim, no fim de tudo, a gente sabe que isso \u00e9 uma grande distra\u00e7\u00e3o, porque nesse processo de construir um lugar numa cultura que ainda n\u00e3o existe, todo tempo \u00e9 muito precioso e um acontecimento desses te p\u00f5e para observar e recalcular a rota por dois anos. No caminho voc\u00ea entende que a miss\u00e3o \u00e9 muito maior e muito gigante, t\u00e1 ligado? E o verso e o poema precisam ver o que ela pensa, pelo menos nesse instante. Eu gosto de fazer farofa, de fazer coisas que eu sei que v\u00e3o bater na pista, o que vai funcionar numa festa popular, numa festa de largo, num carnaval e tenho v\u00e1rias coisas aqui feitas e guardadas, interessantes nessa pesquisa e nessa an\u00e1lise de Brasil. Mas o tempo nesse instante \u00e9 para esses versos, \u00e9 para que eu consiga, n\u00e3o s\u00f3 compartilhar com as pessoas, mas tamb\u00e9m criar em mim subjetividades. Porque parece que a gente est\u00e1 sempre falando de racismo, de luta, mas na verdade a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 garantir que as nossas subjetividades estejam plenas e protegidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea acha que talvez esse seu caminho no pop e esse seu acesso a outros espa\u00e7os tamb\u00e9m te deram alguma seguran\u00e7a e estabilidade econ\u00f4mica para que voc\u00ea consiga agora assumir outros passos que te s\u00e3o mais interessantes?<\/strong><br \/>\nO rap tem um teto muito baixo, porque ele n\u00e3o \u00e9 um expoente natural da cultura brasileira, ent\u00e3o apenas alguns expoentes do rap conseguem fazer uma grana enquanto tem um mont\u00e3o de gente que consegue sobreviver e tem mais um outro mont\u00e3o que \u00e9 muito m\u00e1gico, muito talentoso, mas que n\u00e3o consegue ganhar nada de grana. E ent\u00e3o voc\u00ea vai entender o sistema da coisa, que se as pessoas t\u00eam alguma possibilidade de flertar com o popular, ou com esse lugar a\u00ed da MPB, elas fazem porque o teto aumenta, \u00e9 outra grana, \u00e9 outra coisa. E talvez eu tenha trabalhado uns quatro anos, sem parar, sem entender esse neg\u00f3cio de f\u00e9rias, porque no meio v\u00e1rias divers\u00f5es aconteceram e v\u00e1rias coisas legais. Ter uma vida muito simples me fez ter uma grana, pra me assegurar de algumas coisas e talvez num momento t\u00e3o cr\u00edtico como esse eu n\u00e3o esteja enfrentando uma s\u00e9rie de problemas que uma s\u00e9rie de pessoas do mesmo ramo que eu est\u00e3o enfrentando. E tem a certeza meio do que voc\u00ea est\u00e1 fazendo: eu n\u00e3o tenho certeza nenhuma sobre o pa\u00eds, certeza sobre o consumo, o nicho, sobre pra onde as coisas v\u00e3o, eu s\u00f3 tenho certeza do que eu estou narrando, da minha s\u00edntese de pa\u00eds, que inclusive pode estar muito certa pra mim hoje e amanh\u00e3 eu veja que eu estava enxergando errado uma s\u00e9rie de coisas. E a liberdade \u00e9 meio que por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, hoje, como que voc\u00ea olha para todo esse caminho que voc\u00ea j\u00e1 trilhou, j\u00e1 que voc\u00ea teve um bom tempo sem lan\u00e7amentos, meio que low-profile?<\/strong><br \/>\nEu chamo esse tempo de pr\u00e1tica de aus\u00eancia. Mesmo assim continuei fazendo m\u00fasica, fazendo outras coisas, mas \u00e9 dif\u00edcil voc\u00ea tirar dois anos da sua pr\u00e1tica profissional, num ritmo com todas as m\u00e1quinas funcionando. Pude fazer isso, e acho que olhar pra tudo isso, pra minha vida pessoal e para a recupera\u00e7\u00e3o dentro de um ecossistema de m\u00fasica, num pa\u00eds t\u00e3o grande e com um teto t\u00e3o baixo para a cultura, acho que me fez rever e redimensionar, entender o que eu tinha vivido. Porque \u00e0s vezes voc\u00ea lan\u00e7ou sua m\u00fasica no 14 de dezembro sem ningu\u00e9m saber quem era voc\u00ea e no 3 de janeiro voc\u00ea est\u00e1 na Rede Globo, nos programas de TV, depois voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 cruzando em rol\u00eas com pessoas que est\u00e3o 20, 30 anos no mercado e voc\u00ea est\u00e1 no caldo ainda sem saber direito o que \u00e9 fazer um show e o que \u00e9 ter repert\u00f3rio e todas as coisas que envolvem a pr\u00e1tica dessa arte da m\u00fasica. E quando voc\u00ea v\u00ea voc\u00ea est\u00e1 na Europa e fazendo v\u00e1rias coisas e as pessoas achando in\u00fameras coisas de voc\u00ea que voc\u00ea ainda nem tinha elaborado, sabe? Tem uma verdade em tudo que eu tive nos dois, tr\u00eas primeiros anos, era uma grande verdade, mas muito pouca t\u00e9cnica de como processar e operar essa verdade. Hoje tenho muito mais tranquilidade para entender o que estou fazendo, minha respira\u00e7\u00e3o, meu corpo. E como isso \u00e9 e como junto tudo isso quando vou conceber uma imagem, a constru\u00e7\u00e3o est\u00e9tica das coisas e isso me d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de paz pras minhas ambi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando dessas quest\u00f5es est\u00e9ticas, isso \u00e9 algo muito importante pra voc\u00ea e sempre foi. Como voc\u00ea se alimenta de refer\u00eancias, de ideias, o que te inspira nesse sentido?<\/strong><br \/>\nNo primeiro instante, foi algo muito americano, nesse universo do rap, tanto que a primeira coisa que fiz quando pingou uma possibilidade foi ir pra Nova York, entender tudo. Fui pras festas de queer rap que existem l\u00e1 \u2013 inclusive aqui elas nem existem, a gente tem uma <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/batekoo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Batekoo<\/a>, uma coisa que n\u00e3o s\u00e3o as festas que tem l\u00e1, de orgulho negro gay, e enfim, fundar isso \u00e9 uma outra coisa, um outro business, aqui a coisa funciona de outro jeito. No meu processo tamb\u00e9m fui viajando o Brasil, fui para v\u00e1rios lugares que eu n\u00e3o conhecia, e fui me identificando mais, fui conseguindo criar uma correla\u00e7\u00e3o com o meu bairro, l\u00e1 em Tabo\u00e3o da Serra, com esse conceito das pessoas sendo retirantes de v\u00e1rias extremidades do pa\u00eds no mesmo quintal e consegui talvez passar num lugar e pensar \u201c\u00f3 aqui \u00e9 de onde veio a fulana, que \u00e9 minha vizinha\u201d, \u201caqui \u00e9 de onde veio a minha outra vizinha, outro vizinho\u201d, \u201caqui \u00e9 a terra do pai de n\u00e3o sei quem\u201d, e fui entendendo essas pessoas nesse recorte da zona sul de S\u00e3o Paulo e a grandeza do lugar de onde elas v\u00eam, isso foi me instigando enquanto poeta. E depois ainda os lugares que fui no sul da Am\u00e9rica, poder cantar e fazer as coisas. Fui me entendendo politicamente sem Estados Unidos, e cada vez mais tirando os Estados Unidos das inten\u00e7\u00f5es das coisas e colocando a magia das coisas que eu encontro pelo Brasil, pelo sul da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/2017\/07\/21\/rico-dalasam-entrevista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eu achei uma entrevista sua de 2017<\/a>, no Tenho Mais Discos que Amigos, em que voc\u00ea falava sobre o disco \u201cLuz\u201d, do Djavan, que era um disco que nunca estava totalmente consumido. E a\u00ed eu te pergunto agora, nesse 2020, al\u00e9m do \u201cLuz\u201d, quais outros discos que voc\u00ea acha que n\u00e3o est\u00e3o totalmente consumidos e que voc\u00ea est\u00e1 sempre aprendendo com eles?<\/strong><br \/>\nAh, o Brasil \u00e9 m\u00e1gico nisso. \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3lcMJgSMQvhX85yVjvQpRa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Refazenda<\/a>\u201d [disco de 1975 de Gilberto Gil], \u00e9 um deles, com certeza. Djavan tem muitos, mas tem um que eu j\u00e1 era nascido quando saiu, que \u00e9 o \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6RnT2W5jK3g7ETuQHv1U5F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Coisa de Acender<\/a>\u201d (1992), que \u00e9 um disco m\u00e1gico. Tem Jo\u00e3o Bosco, em um disco que \u00e9 Jo\u00e3o Bosco e Aldir Blanc, <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3yXcHMlgO35KCn2t1sCpfa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">esse disco \u00e9 extremamente m\u00e1gico<\/a>. E tem os discos de rap que as pessoas passam batido: <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/artist\/3lhhkRFNyUUA1US4BuMQsB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">os discos do Pent\u00e1gono<\/a> s\u00e3o discos que precisam ser revisitados; <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6HNoNczfw0EsT7W5UgRzZ7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a primeira mixtape da Flora Matos<\/a> \u00e9 um disco que precisa ser revisitado em algum momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em disco, \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d ter\u00e1 uma segunda parte. Voc\u00ea j\u00e1 tem alguma previs\u00e3o, como est\u00e1 esse processo?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o tenho previs\u00e3o ainda. Na real, tenho algumas coisas ainda pra fechar. Apesar de tudo, na real, estou feliz, com um g\u00e1s, com um monte de coisas. Queria estar fazendo a turn\u00ea do \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d. E estou com essa hist\u00f3ria pra encontrar esse lugar que \u00e9 quase da literatura praticamente, porque estou tratando essas can\u00e7\u00f5es como a trilha sonora de uma obra liter\u00e1ria. Tanto que no outro ano eu quero trazer o livro de poemas \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d, que s\u00e3o coisas que escrevo e n\u00e3o quis transformar em m\u00fasica, mas situam a gente nesse processo a\u00ed que eu estava desenhando um cora\u00e7\u00e3o no sul da Am\u00e9rica, um corpo preto aqui no sul da Am\u00e9rica. Mas j\u00e1 tenho as m\u00fasicas todas que quero. Na verdade, acho que \u00e9 muito sobre escolher o que eu acho que n\u00e3o \u00e9 pra entrar, do que produzir. Esses dias mesmo estou terminando de fazer o interl\u00fadio e entendendo o que \u00e9 esse interl\u00fadio. E tamb\u00e9m de voc\u00ea tratar um disco, pois a segunda parte completa e transforma ele num \u00e1lbum cheio, a\u00ed vai dar pra entender melhor a hist\u00f3ria, porque agora quem ouve o EP vai ver o \u201cDDGA\u201d, o enunciado, ele j\u00e1 segue de \u201cMudou Como?\u201d, depois \u201cBraille\u201d, depois o outro interl\u00fadio [\u201cCircular 3\u201d], que \u00e9 minha m\u00e3e, depois o \u201cVividir\u201d. E agora a hist\u00f3ria se completa: antes do \u201cDDGA\u201d vem outra coisa, vem outra coisa antes de \u201cBraille\u201d e \u201cMudou Como?\u201d, no meio tem outra coisa e \u201cVividir\u201d n\u00e3o \u00e9 o fim, tem outra coisa depois, \u00e9 meio que por a\u00ed. S\u00f3 que tem um interl\u00fadio que ainda estou na busca de achar o que \u00e9, j\u00e1 fiz umas tr\u00eas m\u00fasicas aqui pra achar esse interl\u00fadio e t\u00f4 nessa, mas na soma de tudo eu sei bem o que \u00e9, est\u00e1 na minha cabe\u00e7a, no meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu li em uma das suas entrevistas no lan\u00e7amento desse trabalho que voc\u00ea falava sobre a import\u00e2ncia de se falar desses afetos negros e de como, de alguma forma, voc\u00ea demorou para ter um namoro, por exemplo, como essas coisas foram mais lentas para voc\u00ea. Eu queria que voc\u00ea falasse um pouco sobre esse processo e como \u00e9 importante para voc\u00ea escrever sobre isso nesse momento?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um processo que n\u00e3o \u00e9 passageiro, que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre mim, \u00e9 sobre uma s\u00e9rie de pessoas, a maioria das com quem convivo, inclusive. T\u00e1 posto, voc\u00ea v\u00ea ali nos primeiros passos, na escola, ali quando a gente vai descobrindo os primeiros passos afetivos e sexuais. O corpo preto, um corpo preterido, ele n\u00e3o tem ali um lugar do desejo. E \u00e0s vezes tem um corte seco do corpo preterido para o corpo hiperssexualizado e pula toda uma fase de descobrir coisas, de afetos, de namorar e terminar, de andar de m\u00e3os dadas, de coisas muito simples, de coisas muito naturais que se vive no primeiro amorzinho, na adolesc\u00eancia, muito mais do que sexo, e voc\u00ea corta para coisas realmente violentas. E tentando ser compacto, \u00e9 tudo sobre esse processo de admitir em mim, de deixar de me anular, deixar de me negar pelo medo tamb\u00e9m de entender que as coisas est\u00e3o sempre sendo medidas por essa r\u00e9gua violenta, que enxerga o corpo preto para tantas coisas e n\u00e3o consegue enxergar subjetividades nele. E a\u00ed quando eu estou falando de um relacionamento inter-racial em \u201cBraille\u201d, ou estou falando de uma situa\u00e7\u00e3o abusiva e t\u00f3xica em \u201cMudou Como?\u201d, estou s\u00f3 tratando a\u00ed de coisas que s\u00e3o t\u00e3o naturais, infelizmente, nas rela\u00e7\u00f5es, coisas que podem acontecer em qualquer relacionamento heteressoxeual, em qualquer relacionamento, mas que nem tem no imagin\u00e1rio enquanto um corpo preto, porque parece que n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel. E n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para o corpo preto discutir as suas emo\u00e7\u00f5es e acho que, assim como em outro momento eu discutia fervo e luta, discutia outras coisas, agora uso esse mesmo c\u00f3digo trazendo para um lugar muito profundo da minha viv\u00eancia, para continuar sendo o mesmo Rico Dalasam l\u00e1 de \u201cAceite-C\u201d, l\u00e1 de \u201cDeixe\u201d. Se voc\u00ea for no \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2NJn96pQQYEEW7nFRJZK9j\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Modo Diverso<\/a>\u201d (2015) e pegar \u201cDeixa\u201d e \u201cAceite-C\u201d, voc\u00ea entender que eu n\u00e3o consegui dar muitos passos enquanto afetos, em rela\u00e7\u00e3o a \u201cBraille\u201d mudou pouco, parece que eu n\u00e3o consegui fazer nem um supletivo, eu consegui fazer uma pr\u00e9-escola dos afetos, das experi\u00eancias. As pessoas tiveram experi\u00eancias com 15, 17, 20, 22 anos, namorou, sei l\u00e1, morou junto, n\u00e3o deu certo, \u00e9 natural tamb\u00e9m, da vida, mas sei l\u00e1, eu devo ter uns 5 anos de experi\u00eancia e eu tenho 30 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00ea surgiu estava muito inserido nesse cen\u00e1rio que se chamava de queer, ao lado de alguns outros artistas que estavam surgindo. Agora a gente v\u00ea que h\u00e1 uma diversidade muito maior de artistas que falam de diferentes viv\u00eancias e hist\u00f3rias, e eu queria saber um pouco como voc\u00ea tem lidado com isso. Por exemplo, voc\u00ea \u00e9 amigo da Jup do Bairro, est\u00e1 no \u00e1lbum dela, tem novas vozes surgindo cantando outras coisas.<\/strong><br \/>\nSim. Pensando em produto, mercado e ind\u00fastria, a gente junta toda essa prateleira m\u00e1gica: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/28\/entrevista-a-multiartista-jup-do-bairro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jup [do Bairro]<\/a>, Alice Gu\u00e9l, os meninos do Quebrada Queer, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/08\/faixa-a-faixa-hiran-comenta-galinheiro-seu-novo-album\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hiran<\/a> \u2013 eu estou falando de est\u00e9tica de periferia e de pessoas que tem proximidade com o \u201cModo Diverso\u201d, pessoas que eu passei a encontrar a partir do \u201cModo Diverso\u201d e que hoje est\u00e3o lan\u00e7ando seus trabalhos \u2013 Ventura Profana, Ceci Dellacroix, a Bruna BG, a Cronista do Morro. Acho que toda essa prateleira \u00e9 muito rica, pois voc\u00ea est\u00e1 falando de uma est\u00e9tica de periferia, e agora voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 saindo desse eixo cafona que \u00e9 Rio\/S\u00e3o Paulo, indo pra Salvador, pra Minas, pra Bel\u00e9m do Par\u00e1, S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o e acho a qualidade que vem nas an\u00e1lises do que cada um desses artistas fazem mostra que, inclusive, era para isso a\u00ed estar dominando os line-ups, sabe? De todas as coisas. S\u00f3 que a gente sabe que \u00e9 uma for\u00e7a muito maior e um empenho muito maior para poder emplacar em qualquer coisa. E quando emplaca, quando a gente consegue emplacar, o Rico Dalasam, consegue emplacar a Jup, consegue emplacar a Linn [da Quebrada], e a\u00ed a Linn traz um mont\u00e3o de fulanos, o Rico traz fulano e fulano, a Jup traz fulano e fulano, a\u00ed voc\u00ea cria uma possibilidade, porque voc\u00ea come\u00e7a a demandar o mercado e a\u00ed quem quiser continuar reproduzindo s\u00f3 branquitude, doideiras que \u00e0s vezes nem tem relev\u00e2ncia para aquele tempo, mas pela press\u00e3o dos escrit\u00f3rios, dos agentes, e dos petit comit\u00e9s, vai fazer, mas quem quiser narrar Brasil, narra. E quando as pessoas querem narrar Brasil \u00e9 n\u00f3s que eles procuram, quando eles querem pautar emerg\u00eancias brasileiras n\u00e3o \u00e9 o telefone do Silva que toca, n\u00e3o \u00e9 o telefone de v\u00e1rios caras a\u00ed que tocam. Sem querer citar nome de ningu\u00e9m\u2026 Quando falo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/12\/06\/entrevista-silva-lucio-silva\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Silva<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/05\/28\/entrevista-duda-beat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Duda Beat<\/a>, s\u00e3o pessoas que eu tenho um carinho e que eu consigo reconhecer o trabalho que eles fazem e achar bonito e me emociona, mas eu estou falando de uma estrutura que vai sempre reproduzir o que eles consideram vi\u00e1vel e mercadologicamente poss\u00edvel de reproduzir, mas quando eles querem enaltecer emerg\u00eancias ou se acessar o token da emerg\u00eancia, eles procuram a n\u00f3s e n\u00e3o existe nenhuma disparidade de qualidade. E a\u00ed fazendo ju\u00edzo de valor sim, t\u00e1 ligado?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra terminar, eu queria saber o que voc\u00ea tem escutado, o que tem te divertido e tem sido interessante nesses \u00faltimos tempos?<\/strong><br \/>\nAh, eu estou escutando tudo que sai, que aparece, estou com tempo e escutando tudo, mas eu t\u00f4 muito ouvindo o disco do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/01\/21\/ao-vivo-juntos-afrocidade-e-russo-passapusso-fazem-show-memoravel-em-salvador\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Afrocidade<\/a>, que o Mahal [Pita] est\u00e1 fazendo \u2013 Afrocidade \u00e9 uma coisa massa, acho que ano que vem \u00e9 isso, Afrocidade, o disco n\u00e3o saiu ainda, mas estou aqui com o Mahal ouvindo, \u00e9 um disco foda pra caramba. Enfim, t\u00f4 ouvindo uns raps que a galera est\u00e1 fazendo e manda aqui. Al\u00e9m disso, o \u201cModo Diverso\u201d faz cinco anos esse ano e a\u00ed eu t\u00f4 fazendo, paralelo a segunda parte do \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d, uma edi\u00e7\u00e3o de anivers\u00e1rio do disco. E vai ter um mont\u00e3o de gente dentro, revisitando essas can\u00e7\u00f5es e tal, estou muito empenhando nisso, e acabo ouvindo essas coisas. Fora isso, de playlist, eu estou escutando s\u00f3 interl\u00fadios, eu botei ali interlude de todas as ordens para entender o que \u00e9 essa coisa que ajuda o \u00e1lbum a contar hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que era isso. Agrade\u00e7o muito seu tempo. Sua disponibilidade.<\/strong><br \/>\nEu que agrade\u00e7o tamb\u00e9m as perguntas inteligentes, massa. \u00c9, eu tento ao m\u00e1ximo n\u00e3o criar nenhuma possibilidade de pol\u00eamica nas coisas que falo, nem criar nenhuma possibilidade de aspas que v\u00e3o me levar para esse lugar de que as pessoas j\u00e1 esperam, que quer arrumar briga com fulano e n\u00e3o sei o que. Inevitavelmente, uma hora ou outra, sai alguma coisa assim que \u00e9 s\u00f3 de uma an\u00e1lise sociocultural das coisas, \u00e9 s\u00f3 uma faceta social de uma an\u00e1lise de alguma coisa, n\u00e3o tem nenhuma pretens\u00e3o de criar nenhuma aspa, como falei a\u00ed de fulano quando as pessoas querem alguma coisa ligam pra um, quando querem outra coisa ligam pra outro. Quando estou falando de uma multiplicidade, n\u00e3o \u00e9 pra diminuir ou tratar com desvalor ou desmerecer algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No S&amp;Y a gente sempre publica as entrevistas na \u00edntegra pra evitar isso, porque cada vez menos se publicam entrevistas na \u00edntegra, ent\u00e3o \u00e9 o nosso padr\u00e3o editorial, para tamb\u00e9m n\u00e3o tirar de contexto essas falas.<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rico Dalasam |Vividir| ft.Dinho Souza\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WSj35bfynTQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rico Dalasam - Fogo em Mim (feat. Mahal Pita) (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1c9LlYtXcdk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rico Dalasam - Riqu\u00edssima [ Mahal Pita remix]   VIDEO CLIPE\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gxAQ4mOpLyM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rico Dalasam|Mudou Como?|ft.Mahal Pita,Chibatinha|\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lFUM7nIhGU3ds5VdEI295ntuUDVp5r4yQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a> \u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o <a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz.<\/a> A foto que abre o texto \u00e9 de Larissa Zaidan.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em uma conversa via Whatsapp, Rico fala sobre afeto, poesia, discos e amores. De forma aberta, conta sobre sua carreira, sobre a import\u00e2ncia de sua organiza\u00e7\u00e3o financeira, sobre como o Brasil cada vez mais inspira seu trabalho e sobre o novo EP \u201cDolores Dala Guardi\u00e3o do Al\u00edvio\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/08\/25\/entrevista-o-momento-dor-e-alivio-de-rico-dalasam\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":57085,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1550],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56870"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56870"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56870\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57084,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56870\/revisions\/57084"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57085"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56870"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56870"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56870"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}