{"id":56793,"date":"2020-07-23T00:48:10","date_gmt":"2020-07-23T03:48:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56793"},"modified":"2020-09-03T09:49:31","modified_gmt":"2020-09-03T12:49:31","slug":"entrevista-zeca-baleiro-apresenta-portugal-ao-publico-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/23\/entrevista-zeca-baleiro-apresenta-portugal-ao-publico-brasileiro\/","title":{"rendered":"Entrevista: Zeca Baleiro apresenta Portugal ao p\u00fablico brasileiro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zeca Baleiro criou um estilo pessoal com base numa h\u00e1bil mistura entre os ritmos tradicionais brasileiros e elementos do rock, pop e m\u00fasica eletr\u00f4nica, que se refletiram favoravelmente nos discos \u201cPor Onde Andar\u00e1 Stephen Fry?\u201d (1997), \u201cV\u00f4 Imbol\u00e1\u201d (1999) e \u201cPet Shop Mundo C\u00e3o\u201d (2002). Respeitado e acarinhado no Brasil e em Portugal pela sua obra, Baleiro sempre apreciou o desafio de gravar autores diferentes e merecem destaque as suas parcerias composicionais com Chico C\u00e9sar, Lob\u00e3o, Wado, Arnaldo Antunes, Lenine e Zeca Pagodinho, entre outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A paix\u00e3o pela m\u00fasica portuguesa come\u00e7ou a tomar forma por via de uma fita cassete que lhe foi oferecida nos anos 80 e que inclu\u00eda can\u00e7\u00f5es de Fausto, Vitorino, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/20\/roque-da-casa-11-sergio-godinho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">S\u00e9rgio Godinho<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/02\/24\/ouca-15-cancoes-do-pop-portugues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Zeca Afonso<\/a>. Outro passo decisivo para efetivar a sua jornada portuguesa ocorreu na d\u00e9cada seguinte, quando recebeu e encantou-se pelo disco \u201cViagens\u201d (1994), de Pedro Abrunhosa, com o qual dividiria o palco em S\u00e3o Paulo no evento \u201cNavegar \u00e9 Preciso\u2019 (1998), concebido para promover encontros entre artistas brasileiros e portugueses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seguir-se-ia uma atua\u00e7\u00e3o com S\u00e9rgio Godinho na Festa do Avante (2001), <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=qbOBU_0DSEM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">um show no SESC Pompeia na companhia da banda Cl\u00e3<\/a> (2009), que seria retribu\u00eddo em Lisboa, parcerias com o grupo Ala dos Namorados e a cantora Susana Travassos e <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7ySoWxpMnsI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a participa\u00e7\u00e3o memor\u00e1vel no Rock In Rio Lisboa<\/a> ao lado de Jorge Palma (2010). Em disco, entre outras colabora\u00e7\u00f5es, destacam-se o dueto que fez com S\u00e9rgio Godinho na faixa \u201cCoro das Velhas\u201d (do \u00e1lbum de Godinho \u201cO Irm\u00e3o do Meio\u201d, de 2003, e presente na colet\u00e2nea \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5DK2dVIMbwSM59M5qr85yg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lado Z<\/a>\u201d, de Zeca, no Brasil) e uma grava\u00e7\u00e3o de \u201cFr\u00e1gil\u201d (de Jorge Palma), que foi editada em 2006 como faixa-b\u00f4nus do CD \u201cBaladas do Asfalto e Outros Blues\u201d lan\u00e7ado em Portugal (<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4hoXjJtwttVfph9kyojfKK\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dispon\u00edvel em streaming na vers\u00e3o brasileira do \u00e1lbum<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O seu mais recente trabalho, \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u2019Al\u00e9m-Mar\u201d (<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/7oAKgr2uVdPSvmvxPmrWzi\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nas plataformas digitais desde de 10 de Julho<\/a> e com edi\u00e7\u00e3o f\u00edsica prevista at\u00e9 ao final do ano), \u00e9 definido pelo pr\u00f3prio como \u201cum recorte afetivo do cancioneiro portugu\u00eas feito por um m\u00fasico brasileiro, numa homenagem sincera e apaixonada\u201d, e concretiza uma ideia que Baleiro tinha h\u00e1 v\u00e1rios anos e na qual transporta o seu afeto para um patamar superior. O objetivo primordial do \u00e1lbum reside na tentativa de despertar a curiosidade do p\u00fablico brasileiro por cantores e compositores portugueses renomados mas, tamb\u00e9m, colocar a marca interpretativa e musical de Zeca Baleiro nas can\u00e7\u00f5es. A releitura de \u201c\u00c0s Vezes O Amor\u201d, de S\u00e9rgio Godinho, sobressai pelo frescor pop, \u201cAli Est\u00e1 A Cidade\u201d, de Fausto, surge renovada com tons jazz\u00edsticos e em \u201cBairro do Amor\u201d, de Jorge Palma, Baleiro assina uma interpreta\u00e7\u00e3o emotiva. Nas 11 vers\u00f5es apresentadas, onde tamb\u00e9m se incluem temas de Zeca Afonso, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/09\/contrafm-roque-da-casa-01-e-02\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es<\/a>, Pedro Abrunhosa, Rui Veloso e Carlos T\u00ea, Ornatos Violeta, Jo\u00e3o Gil e Jo\u00e3o Monge, Vitorino e Jos\u00e9 Cid, emerge uma vis\u00e3o art\u00edstica simultaneamente classicista e explorat\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante esta entrevista, Zeca Baleiro demonstrou conhecer bem a cultura de Portugal e revelou um genu\u00edno interesse pela m\u00fasica dos novos e velhos compositores (possui uma cole\u00e7\u00e3o de discos portugueses diversificada). Por entre quest\u00f5es hist\u00f3ricas e a sua liga\u00e7\u00e3o ao \u00e1lbum \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u00b4Al\u00e9m-Mar\u201d, passando pelas afinidades art\u00edsticas, perspectivando um eventual interesse do p\u00fablico brasileiro ou desafiando os m\u00fasicos lusitanos a efetuarem um investimento pessoal, para alcan\u00e7ar um p\u00fablico receptivo, Zeca Baleiro deixou no ar a hip\u00f3tese de fazer um segundo volume que poder\u00e1 contemplar artistas e bandas que admira e ficaram de fora como Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Lu\u00eds Represas, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/09\/tres-discos-portugueses-birds-are-indie-cla-filipe-sambado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cl\u00e3<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/14\/deolinda-ao-vivo-na-praca-xv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Deolinda<\/a>, Xutos &amp; Pontap\u00e9s ou R\u00e1dio Macau. Como obra, \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u00b4Al\u00e9m-Mar\u201d assume um papel muito importante no contexto das rela\u00e7\u00f5es culturais luso-brasileiras. Dir-se-ia que \u00e9 um pequeno passo, mas seguro, que justifica novas audi\u00e7\u00f5es e favorece a descoberta da m\u00fasica portuguesa. De S\u00e3o Paulo para Lisboa, Zeca Baleiro conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/23\/faixa-a-faixa-cancoes-alem-mar-por-zeca-baleiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Zeca Baleiro comenta faixa a faixa as 11 m\u00fasicas de &#8220;Can\u00e7\u00f5es D&#8217;Al\u00e9m-Mar&#8221;<\/strong><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro - Tu N\u00e3o Sabes (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tKHfJL8dh68?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 longa a sua liga\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica portuguesa. Como voc\u00ea materializou esse gosto num disco que se apoia em composi\u00e7\u00f5es de autores portugueses?<\/strong><br \/>\nNo Brasil, durante os anos 70, ouvia-se muito fado nas r\u00e1dios, da mesma forma que passavam m\u00fasica italiana, especialmente os grandes crooners, mas tamb\u00e9m Serge Gainsbourg. Depois disso, tudo o que se escutava de Portugal veio pelo folclore de Roberto Leal, que era um artista bastante querido no Brasil, com quem eu faria uma parceria, mas poucos meses depois morreu. O filho dele convidou-me para colaborar, disse-me que o Roberto era meu f\u00e3 e eu fiquei feliz, porque admirava a sua trajet\u00f3ria mas, infelizmente, esse trabalho n\u00e3o se concretizou. Considero que ele fez um grande servi\u00e7o e um desservi\u00e7o tamb\u00e9m, porque passou a ideia de que a m\u00fasica portuguesa se resumia ao folclore, algo que j\u00e1 \u00e9 muito comum entre os brasileiros. Ainda assim, faltava esse conhecimento de uma sonoridade mais pop e contempor\u00e2nea, o equivalente \u00e0 m\u00fasica popular brasileira, que surge na d\u00e9cada de 60. Eu tomei contato com essa realidade atrav\u00e9s de uma cassete que duas amigas me deram nos anos 80, uma delas chama-se Laurinda, mora em Oliveira de Azem\u00e9is e \u00e9 casada com um portugu\u00eas. Elas presentearam-me com uma grava\u00e7\u00e3o que tinha Fausto e Vitorino e no outro lado da k7 estavam m\u00fasicas de S\u00e9rgio Godinho, Zeca Afonso e alguns artistas de que n\u00e3o me recordo. Foi a minha primeira conviv\u00eancia com essa m\u00fasica mais nova de Portugal. Posteriormente, recebi o disco \u201cViagens\u201d, de Pedro Abrunhosa, conheci as colabora\u00e7\u00f5es dos Xutos &amp; Pontap\u00e9s com os Tit\u00e3s e na cena rock familiarizei-me com os Delfins. Mas, o meu encantamento maior foi com a gera\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0 do Edu Lobo, Jo\u00e3o Bosco e Chico Buarque, que est\u00e1 na linha do S\u00e9rgio Godinho e do Zeca Afonso, embora as idades n\u00e3o sejam iguais. Fiquei encantado com a qualidade musical, po\u00e9tica e pol\u00edtica desse repert\u00f3rio e pensei: \u201cUm dia vou gravar isso num disco\u201d. S\u00f3 que eu n\u00e3o queria fechar-me numa determinada \u00e9poca e houve um amigo que me aconselhou a escolher temas recentes. Eu escutei Salvador Sobral, Virgem Suta e Capit\u00e3o Fausto, mas o meu afeto tinha que passar pela gera\u00e7\u00e3o anterior. \u00c9 um pouco como se um portugu\u00eas fizesse um disco de m\u00fasica brasileira e n\u00e3o inclu\u00edsse Chico Buarque ou Gilberto Gil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Neste trabalho, voc\u00ea reuniu a orquestra de cordas russa St. Petersburgo Studio Orchestra e diversos m\u00fasicos portugueses e brasileiros. Voc\u00ea pretendia uma abordagem diversificada para as can\u00e7\u00f5es ou tinha em mente uma sonoridade espec\u00edfica de conjunto?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um disco de int\u00e9rprete, de cantor. Quando interpreto m\u00fasicas de outros compositores, tento trazer essas can\u00e7\u00f5es para o meu universo e pretendo que os temas se pare\u00e7am comigo. J\u00e1 fiz isso noutros trabalhos e gravei v\u00e1rios autores. Poderia ter feito o \u00e1lbum com uma banda lusitana, mas acho que \u00e9 mais interessante colocar esse tempero da musicalidade brasileira nas can\u00e7\u00f5es portuguesas. Achei por bem convidar tr\u00eas m\u00fasicos de Portugal (Manuel Paulo, Pedro J\u00f3ia e Nathanael Sousa) para trazerem a sua arte e eu queria esse ingrediente. Mas, tamb\u00e9m gostava que fosse gravado por m\u00fasicos brasileiros. A St. Petersburgo Studio Orchestra j\u00e1 tinha sido usada num disco anterior e o Sasha, um amigo arranjador que trabalha muito com eles, deu a dica. S\u00e3o cordas de cinema e o custo-benef\u00edcio \u00e9 muito razo\u00e1vel. \u00c9 quase o mesmo valor do que gravar cordas no Brasil, sem esquecer a qualidade das orquestras russas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A escolha do repert\u00f3rio de \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u00b4Al\u00e9m-Mar\u201d contemplou as \u00faltimas d\u00e9cadas e privilegiou diversos artistas consagrados, entre os quais S\u00e9rgio Godinho, Fausto, Jorge Palma ou Pedro Abrunhosa. Sentiu que eles estavam mais pr\u00f3ximos de si musicalmente ou foi apenas uma quest\u00e3o afetiva?<\/strong><br \/>\nEu coloquei-me menos como um parceiro e mais como f\u00e3 e ouvinte. A parte bonita das parcerias musicais \u00e9 que admiramos aquilo que n\u00e3o temos e vice-versa. S\u00e3o temas que eu poderia ter feito se fosse capaz para tal. Por exemplo, escutei muitas m\u00fasicas maravilhosas do Jorge Palma como \u00e9 o caso de \u201cEstrela do Mar\u201d ou \u201cD\u00e1-me Lume\u201d, no entanto acabei por me identificar com o disco \u201cBairro do Amor\u201d, que \u00e9 antol\u00f3gico. Nos arranjos das can\u00e7\u00f5es tentei imprimir a minha marca e a escolha do repert\u00f3rio revelou-se dif\u00edcil, mas sinto que foi uma quest\u00e3o de admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201c\u00c0s Vezes o Amor\u201d, de S\u00e9rgio Godinho, foi a sua aposta para primeiro single. Quando selecionou esta m\u00fasica, tinha em mente uma eventual ades\u00e3o popular?<\/strong><br \/>\nAdoro o estilo do S\u00e9rgio Godinho e at\u00e9 tent\u00e1mos fazer uma m\u00fasica juntos, mas n\u00e3o deu certo. Ele tem can\u00e7\u00f5es muito emblem\u00e1ticas: \u201cCom Um Brilhozinho nos Olhos\u201d, \u201cO Primeiro Dia\u201d, \u201cSal\u00e3o de Festas\u201d ou \u201cLisboa Que Amanhece\u201d. Mas, rendi-me ao frescor fm e radiof\u00f4nico que a faixa \u201c\u00c0s Vezes o Amor\u201d representa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Li numa entrevista sua que sente o disco como \u201cuma miss\u00e3o de fazer a ponte entre as duas margens do Atl\u00e2ntico e assim trazer para o p\u00fablico brasileiro, m\u00fasicas como \u201cCan\u00e7\u00e3o do Engate\u201d de Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es (que integra o seu repert\u00f3rio nos shows), entre outras\u201d. Acredita que este \u00e1lbum, em fun\u00e7\u00e3o do p\u00fablico que voc\u00ea tem no Brasil, poder\u00e1 despertar o interesse pelo cancioneiro portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nCuriosamente, isso j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. Avaliando a repercuss\u00e3o do disco nas redes sociais (como n\u00e3o vamos ter shows t\u00e3o cedo), tenho visto que as pessoas est\u00e3o encantadas com um repert\u00f3rio que ignoravam. Quando me mostraram esse trabalho dos compositores portugueses, sempre achei que era uma pena o p\u00fablico brasileiro n\u00e3o o conhecer. O S\u00e9rgio Godinho, quando atua no Brasil, toca num espa\u00e7o chamado Casa de Portugal, que \u00e9 bastante restrito e o grande p\u00fablico n\u00e3o conhece. Por isso, sempre tive vontade de fazer um projeto em que eu fosse o mestre de cerim\u00f4nias de alguns desses autores. Mas, isso tem um custo muito alto e \u00e9 deveras complicado de operacionalizar. O \u00e1lbum \u00e9 apenas uma primeira amostra e \u00e9 poss\u00edvel que surja no futuro o segundo volume desse trabalho, relendo outra \u00e9poca ou apostando numa vertente atualizada. No meu entender, Fausto, S\u00e9rgio Godinho e os outros m\u00fasicos portugueses deviam fazer concertos no Brasil regularmente. J\u00e1 conversei com eles e uma das dificuldades que apontam \u00e9 o entendimento da l\u00edngua, bem como o fato da log\u00edstica ser cara. As gravadoras brasileiras lan\u00e7avam poucos discos portugueses e, contrariamente, as editoras lusitanas eram mais interessadas na divulga\u00e7\u00e3o dos discos brasileiros. Eu sou razoavelmente conhecido em Portugal devido a essa raz\u00e3o. Acho delicioso escutar o sotaque portugu\u00eas e ouvir o Jorge Palma cantando, mas \u00e9 dif\u00edcil para quem n\u00e3o tem familiaridade. Julgo que isso seria atenuado com mais atua\u00e7\u00f5es. Devido \u00e0s v\u00e1rias parcerias que ele tem feito, Ant\u00f3nio Zambujo j\u00e1 canta com pouco sotaque e est\u00e1 habilitado a ter mais p\u00fablico no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 atuou ao lado de m\u00fasicos portugueses como Pedro Abrunhosa, S\u00e9rgio Godinho, Cl\u00e3 e Jorge Palma. O que recorda de especial nessas experi\u00eancias?<\/strong><br \/>\nA primeira experi\u00eancia de palco que eu tive com um m\u00fasico portugu\u00eas foi com o Pedro Abrunhosa. Decorreu no Centro Cultural de S\u00e3o Paulo, em 1998. Eu tinha acabado de lan\u00e7ar o meu primeiro disco (\u201cPor Onde Andar\u00e1 Stephen Fry?\u201d) e conhecia o \u00e1lbum dele \u201cViagens\u201d (1994) de ponta a cabe\u00e7a. Sabia as m\u00fasicas todas, tanto que cantamos \u201cSocorro\u201d e \u201c\u00c9 Preciso Ter Calma\u201d e depois o Pedro regressou ao palco e cantou comigo \u201cHeavy Metal do Senhor\u201d. Desde a\u00ed fic\u00e1mos pr\u00f3ximos e sempre que eu vou a Portugal ele vai assistir aos meus shows. No ano 2000, o S\u00e9rgio Godinho estava de f\u00e9rias com a fam\u00edlia em Salvador da Bahia e assistiu a um concerto em que eu promovia o \u00e1lbum \u201cV\u00f4 Imbol\u00e1\u201d (1999). No final, ele falou comigo (eu j\u00e1 o conhecia de nome) e fiquei muito encantado com a simplicidade da sua abordagem. Disse que tinha adorado a atua\u00e7\u00e3o e acrescentou que gostaria de fazer uma colabora\u00e7\u00e3o. Em 2001 o S\u00e9rgio convidou-me para cantar com ele na Festa do Avante e tratou-se do meu primeiro concerto massivo em Portugal. Foi mesmo interessante e abriu-me diversas portas. A partir desse momento realizei mais shows por l\u00e1. Aqui no Brasil fiz uma dobradinha especial em 2009, no SESC Pompeia, com os Cl\u00e3, que teve a participa\u00e7\u00e3o do Arnaldo Antunes e, se me recordo, a Fernanda Takai tamb\u00e9m colaborou. Depois atuei com o Jorge Palma no Rock In Rio Lisboa 2010 e tamb\u00e9m gostei muito.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56794\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cancoesalemmar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cancoesalemmar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cancoesalemmar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/cancoesalemmar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Grande parte do conhecimento sobre a m\u00fasica portuguesa no Brasil adv\u00e9m do fado ou do folclore. Para si, o que falta \u00e0 nova m\u00fasica portuguesa, no segmento pop, rock e hip-hop, para ter maior visibilidade junto do p\u00fablico brasileiro?<\/strong><br \/>\nEu desconhe\u00e7o as inten\u00e7\u00f5es desses m\u00fasicos. Mas, se o objetivo \u00e9 fazer uma carreira no Brasil, eles deveriam vir c\u00e1 mais vezes, como se fosse um investimento pessoal. No caso de um brasileiro tocar em Portugal existe uma demanda, os produtores mobilizam-se investem, arriscam e gastam dinheiro. Aqui \u00e9 diferente. Isso aconteceu apenas com o Madredeus, que foi um fen\u00f4meno de mercado e art\u00edstico em simult\u00e2neo. Poucas pessoas conhecem os Deolinda, mas se eles quiserem aparecer e criar o h\u00e1bito de atuar no Brasil (uma vez por ano ou de dois em dois anos), naturalmente ir\u00e3o conquistar mais p\u00fablico. O brasileiro apesar de ser refrat\u00e1rio, tamb\u00e9m \u00e9 muito receptivo. Somos um povo meio estranho, um pouco bipolar (risos), porque ao mesmo tempo que mostramos o nosso lado amoroso, tamb\u00e9m revelamos uma faceta fascista e agora estamos vendo isso claramente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m do Live de 10 de Julho, no seu canal do Instagram, voc\u00ea pretende tocar os temas de \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u00b4Al\u00e9m-Mar\u201d futuramente ao vivo?<\/strong><br \/>\nNessa Live, em que o Pedro Abrunhosa participou, toquei metade do repert\u00f3rio no viol\u00e3o. E irei fazer mais uma colabora\u00e7\u00e3o com outro compositor. Claro que \u00e9 um p\u00e9riplo pequeno, mas n\u00e3o deixa de ser interessante. Quando esse surto pand\u00e9mico acalmar, pretendo tocar algumas dessas can\u00e7\u00f5es, sem fazer um show espec\u00edfico, porque poderia ser indigesto para a assist\u00eancia. Por isso, juntarei essas m\u00fasicas ao meu cancioneiro. No ano passado, lancei dois discos autorais: \u201cO Amor no Caos \u2013 Vol.1\u201d e \u201cO Amor no Caos \u2013 Vol.2\u201d. Ainda estou em turn\u00ea com esses trabalhos e tive de interromper o tour, no entanto a ideia passa por atrelar esse repert\u00f3rio \u00e0s m\u00fasicas portuguesas e come\u00e7ar a populariz\u00e1-las. Eu sinto que algumas sele\u00e7\u00f5es, como \u201cBairro do Amor\u201d ou \u201cCan\u00e7\u00e3o do Engate\u201d podem soar muito \u00f3bvias. Mas, eu sempre pensei na outra via, ou seja, mostrar ao p\u00fablico brasileiro essa produ\u00e7\u00e3o. O Ant\u00f3nio Varia\u00e7\u00f5es tem outras can\u00e7\u00f5es incr\u00edveis, como \u201cAnjo da Guarda\u201d, \u201cO Corpo \u00c9 Que Paga\u201d, \u201c\u00c9 Pra Amanh\u00e3\u201d\u2026 Mesmo assim, foi incontorn\u00e1vel a escolha da \u201cCan\u00e7\u00e3o do Engate\u201d, j\u00e1 que \u00e9 um cl\u00e1ssico e comove a gente. No caso do Fausto, optei por um lado b (\u201cAli Est\u00e1 A Cidade\u201d), que poucas pessoas conhecem. Consequentemente, eu introduzi esse equil\u00edbrio para n\u00e3o ma\u00e7ar ningu\u00e9m. O objetivo foi fazer um disco, mas se conseguir estabelecer uma ponte ficarei muito recompensado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recuando a 1997 e mais concretamente ao disco \u201cPor Onde Andar\u00e1 Stephen Fry?\u201d, destaco a faixa \u201cHeavy Metal do Senhor\u201d, porque sempre achei que a tem\u00e1tica estava envolta numa met\u00e1fora. Pode-me explicar qual \u00e9 o \u00e2mbito da can\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nBoa pergunta! Recentemente, um amigo disse-me: \u201cP\u00f4xa\u201d! Voc\u00ea foi prof\u00e9tico nessa can\u00e7\u00e3o\u201d. O mundo inteiro j\u00e1 est\u00e1 pirando com o heavy metal do senhor (risos). \u00c9 um tema muito presente na cultura nordestina, no cordel e no repente, que retrata a luta de deus e o diabo. Isso resultou tamb\u00e9m no t\u00edtulo do disco de 1979 \u201cA Peleja do Diabo com o Dono do C\u00e9u\u201d, de Z\u00e9 Ramalho. Universalmente, \u00e9 uma quest\u00e3o recorrente, porque a briga entre o bem e o mal est\u00e1 no imagin\u00e1rio humano. Eu quis fazer uma alegoria, em que atualizava o assunto e enquadrava-o no mundo do showbizz. A dada altura deus fica com a bola toda e estamos presenciando a ideia, num quase totalitarismo religioso do bem. Mas, na verdade, de bem n\u00e3o tem nada e o diabo com o seu charme rom\u00e2ntico est\u00e1 perdendo espa\u00e7o (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea avalia o papel do artista brasileiro em face da atual conjuntura social e pol\u00edtica do Brasil?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um momento muito dif\u00edcil para todos. Atualmente, a cultura est\u00e1 muito demonizada aqui no Brasil. Por um lado, a maior parte dos artistas est\u00e1 ligada \u00e0 esquerda e isso \u00e9 inevit\u00e1vel. Por outro lado, as pessoas que est\u00e3o no poder trabalham para um p\u00fablico mais conservador, que n\u00e3o atribui \u00e0 cultura o valor que n\u00f3s damos: algo de absoluto, edificante e relacionado com a cidadania. Eles encaram isso com desconfian\u00e7a. O sentimento que o brasileiro tem pelos estrangeiros \u00e9 de vergonha e constrangimento. N\u00f3s temos uma promessa social e de futuro t\u00e3o brilhante e nunca conseguimos concretiz\u00e1-la. E ainda por cima agora estamos retrocedendo. A nossa democracia tem 30 anos e quando sent\u00edamos que iriamos estabelecer um patamar razo\u00e1vel no cen\u00e1rio pol\u00edtico acabamos por recuar 100 anos. Eu conversei com um poeta e compositor portugu\u00eas, Tiago Torres da Silva, que gravou um disco no Brasil, em que eu participei, e ele ficou chocado com a situa\u00e7\u00e3o, porque os brasileiros n\u00e3o t\u00eam voca\u00e7\u00e3o para isso. Pode parecer um clich\u00e9, mas trata-se do pa\u00eds do futebol, da m\u00fasica, do cinema, de uma certa alegria e afetividade muito claras e subitamente transformamo-nos nessa na\u00e7\u00e3o obscura. \u00c9 uma inc\u00f3gnita que tem inquietado todos n\u00f3s e imagino que voc\u00eas em Portugal olham para este panorama com o mesmo espanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No momento, sente-se mais pr\u00f3ximo da melancolia do \u00e1lbum \u201cO Amor no Caos \u2013 Vol.2 (2019)\u201d ou do teor pol\u00edtico do EP \u201cEsc\u00f3ria\u201d (2020)?<\/strong><br \/>\nSinto-me no meio do caminho (risos). A melancolia est\u00e1 presente na minha m\u00fasica e um amigo meu que escutou o disco \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u00b4Al\u00e9m-Mar\u201d disse-me: \u201cZeca, voc\u00ea escolheu can\u00e7\u00f5es bem tristes\u201d. A minha escolha acabou recaindo nessas m\u00fasicas, porque eu tamb\u00e9m sou triste. \u00c9 igualmente um tra\u00e7o da m\u00fasica portuguesa, mesmo o rock e o pop t\u00eam um pouco dessa alma lusitana e n\u00e3o tem como tirar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gostaria de deixar uma mensagem aos leitores do Scream &amp; Yell?<\/strong><br \/>\nOs tempos est\u00e3o estranhos no mundo. Portugal est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais est\u00e1vel. Mas, o planeta est\u00e1 em convuls\u00e3o e o cen\u00e1rio \u00e9 meio apocal\u00edptico. A m\u00fasica, para al\u00e9m de ser um ref\u00fagio da alma, dos sentimentos e das emo\u00e7\u00f5es, pode funcionar tamb\u00e9m como instrumento de transforma\u00e7\u00e3o e operar pequenos milagres na consci\u00eancia das pessoas. O seu poder de penetra\u00e7\u00e3o \u00e9 imediato (mais do que qualquer arte). Para suportarmos o caos desse cen\u00e1rio que estamos vivendo de agita\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica, do fluxo de imigrantes e refugiados, que est\u00e1 fazendo com que o mundo ganhe outra fei\u00e7\u00e3o, bem como o crescimento da extrema-direita e a sua ascens\u00e3o global, s\u00f3 com poesia, m\u00fasica e atitude \u00e9 que poderemos superar todas essas contrariedades. Acho que temos de nos posicionar e a m\u00fasica popular pode ser a grande ferramenta para fazermos uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro - \u00c0s Vezes o Amor (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/39sJkClIM8M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia no Scream &amp; Yell mais de 100 reportagens sobre a nova m\u00fasica portuguesa<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/06\/24\/tres-discos-zeca-baleiro-dario-julio-os-franciscanos-odair-jose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8220;Amor no Caos &#8211; Vol. 1&#8221;: Quando Zeca Baleiro comp\u00f5e s\u00f3 os resultados s\u00e3o mais fortes<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/08\/29\/cds-zeca-baleiro-bnegao-siba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cO Disco do Ano\u201d \u00e9 o retrato de um artista que merecia estar na moda<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/12\/29\/toni-platao-tom-ze-e-zeca-baleiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cO Cora\u00e7\u00e3o do Homem Bomba 1\u201d \u00e9 para bailar a noite toda<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/05\/20\/zeca-baleiro-ricardo-koctus-e-fito-paez\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cO Cora\u00e7\u00e3o do Homem Bomba 2\u201d \u00e9 mais contemplativo e dif\u00edcil que seu irm\u00e3o direto<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O seu mais recente trabalho, \u201cCan\u00e7\u00f5es d\u2019Al\u00e9m-Mar\u201d (2020), \u00e9 definido pelo pr\u00f3prio como \u201cum recorte afetivo do cancioneiro portugu\u00eas feito por um m\u00fasico brasileiro, numa homenagem sincera e apaixonada\u201d, e concretiza uma ideia que Baleiro tinha h\u00e1 v\u00e1rios anos e na qual transporta o seu afeto para um patamar superior.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/23\/entrevista-zeca-baleiro-apresenta-portugal-ao-publico-brasileiro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":56795,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47,2648],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56793"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56793"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56793\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56803,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56793\/revisions\/56803"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}