{"id":56742,"date":"2020-07-17T01:27:09","date_gmt":"2020-07-17T04:27:09","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56742"},"modified":"2020-08-25T10:31:49","modified_gmt":"2020-08-25T13:31:49","slug":"entrevista-gary-floyd-dicks-sister-double-happiness-black-kali-ma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/17\/entrevista-gary-floyd-dicks-sister-double-happiness-black-kali-ma\/","title":{"rendered":"Entrevista: Gary Floyd (Dicks, Sister Double Happiness, Black Kali Ma)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos nomes importantes do cen\u00e1rio underground dos EUA, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/gary.floyd.37\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gary Floyd<\/a> consegue como ningu\u00e9m fazer a sua voz potente e marcante passear com facilidade pelos mais diferentes estilos musicais. A lista inclui desde o punk\/hardcore seminal do Dicks (1980\/1986 \u2013 2004\/2005), respons\u00e1vel por introduzir o hardcore no Texas, at\u00e9 projetos recentes mais calcados no blues, como The Buddha Brothers, incluindo tamb\u00e9m uma das bandas mais cultuadas do rock alternativo dos anos 1990, o Sister Double Happiness (<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/7MDf6JghkZ3ONnF2oaBWnr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ou\u00e7a a playlist da entrevista<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo de toda sua carreira, que inclui tamb\u00e9m diversos discos solo e bandas talvez menos conhecidas, mas n\u00e3o menos interessantes, como o Black Kali Ma, Floyd sempre manteve como caracter\u00edstica marcante a mistura das mais diferentes influ\u00eancias, nunca se prendendo a um r\u00f3tulo ou estilo espec\u00edfico. \u201cA m\u00fasica sempre foi uma express\u00e3o do que eu estava sentindo\u201d, afirma o m\u00fasico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita em abril deste ano, j\u00e1 em meio \u00e0 pandemia do Coronav\u00edrus, o sempre divertido Gary fala sobre os 40 anos de hist\u00f3ria do Dicks, os principais pontos da carreira do Sister Double Happiness, relembra como foi dividir turn\u00eas e o palco com nomes como Nirvana, Mudhoney (que regravou &#8220;Hate The Police&#8221;) e Soundgarden, comenta sobre como foi gravar com James Williamson, do Stooges, e aponta os discos que mudaram a sua vida. Confira abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE DICKS - Live @ Chaos in Tejas - 5\/18\/06 (2 of 2)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kpLlKlNwRHg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2020 marca uma data importante: 40 anos desde que os Dicks foram criados em Austin.<\/strong><br \/>\nSim! O anivers\u00e1rio \u00e9 (foi) em 16 de maio. N\u00f3s \u00edamos tocar. Eu tinha passagens compradas para ir pra Austin. Mas tudo foi cancelado. Seria meio que uma surpresa, eu iria aparecer, mas agora n\u00e3o vou mais. Vamos fazer isso no anivers\u00e1rio de 80 anos da banda (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea v\u00ea o legado da banda depois de 40 anos? Tem um disco, m\u00fasica ou show favorito, por exemplo?<\/strong><br \/>\nEu tenho, mas \u00e9 algo que pode mudar com o meu humor. Tenho sorte por sempre ter gostado das bandas em que estive, ent\u00e3o ainda consigo escutar a maioria das coisas. N\u00e3o escuto nenhuma delas com frequ\u00eancia, mas se ou\u00e7o algo que uma das bandas fez, geralmente gosto. Porque sempre fui meio que rigoroso comigo mesmo. Ent\u00e3o se eu n\u00e3o gostava de uma m\u00fasica ou achava que era boba ou n\u00e3o fazia sentido, n\u00e3o seguia com aquilo, mesmo l\u00e1 atr\u00e1s. Fico surpreso que 40 anos depois algu\u00e9m ainda esteja interessado o bastante para fazer qualquer pergunta sobre isso. Mas consigo enxergar que o que fizemos tinha um lugar. Porque n\u00f3s \u00e9ramos muito diretos sobre a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Acho que eu, como um gay comunista, que se vestia como drag, meio que parecia fora do comum (risos). Mas acho que as coisas precisavam ser ditas e aquela era uma \u00e9poca do punk em que as pessoas ficavam facilmente chocadas. E aproveitei isso, adorava isso. Agora ningu\u00e9m choca mais ningu\u00e9m. Ok, o Trump \u00e9 presidente, isso \u00e9 chocante (risos). Acho que esse \u00e9 o maior choque para qualquer um (risos). Mas n\u00f3s fizemos algumas coisas bem legais. As m\u00fasicas eram meio \u201cna sua cara\u201d. E a parte pol\u00edtica era bem \u00e0 esquerda, obviamente. Ent\u00e3o, sempre fui muito feliz de termos feito isso tudo. Penso que fizemos e paramos no momento certo. Ainda falo sobre pol\u00edtica. E ainda toco algumas dessas m\u00fasicas, quando n\u00f3s fazemos shows. Mas n\u00e3o sinto que o mundo parou porque a banda acabou. Ainda tocamos depois disso. Algo como um show a cada um ou dois anos. Tudo acontece no momento certo, eu acho. Menos o Trump (risos).<\/p>\n<figure id=\"attachment_56745\" aria-describedby=\"caption-attachment-56745\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56745 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/thedicks.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/thedicks.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/thedicks-300x202.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56745\" class=\"wp-caption-text\"><em>The Dicks<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o Dicks existiu originalmente, nos anos 1980, o Ronald Reagan era o presidente dos EUA. Naquela \u00e9poca, voc\u00ea conseguia pensar na possibilidade de ter algu\u00e9m ainda pior no cargo, como o Trump atualmente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. N\u00e3o, n\u00f3s n\u00e3o pens\u00e1vamos. Tenho um amigo com quem costumo falar sobre essas coisas e n\u00f3s sempre pensamos&#8230; Bem, eu pensei isso pela primeira vez quando o Nixon era presidente, porque isso era algo t\u00e3o louco. Ent\u00e3o depois veio o Reagan. E a\u00ed tivemos o Bush pai e o Bush filho. E voc\u00ea sempre pensa: \u201cIsso \u00e9 muito louco, \u00e9 o mais estranho que j\u00e1 vi, nunca poder\u00e1 ficar mais estranho do que isso\u201d (risos). E n\u00f3s sempre voltamos a isso: \u201cIsso \u00e9 o mais estranho que j\u00e1 aconteceu\u201d. Quer dizer, as coisas est\u00e3o mais estranhas do que nunca. Nunca pensei que algu\u00e9m como o Trump pudesse ser presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, quando voc\u00ea mudou do Texas para San Francisco, na Calif\u00f3rnia, e reformou o Dicks, o som da banda ficou um pouco mais aberto, mais rock\u00b4n roll, talvez menos \u201cpreso\u201d ao punk e hardcore, vamos dizer. Essa foi uma decis\u00e3o consciente ou mais uma consequ\u00eancia das mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o da banda e da nova cidade em que voc\u00ea estava?<\/strong><br \/>\nBom, eu estive em bandas desde quando era jovem. Ent\u00e3o sempre gostei de m\u00fasica e rock. Tipo todo mundo, desde Stooges a Joni Mitchell \u2013 e Janis Joplis, \u00e9 claro, adorava ela. Ent\u00e3o nunca fui estagnado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica que gostava de ouvir. Por isso, quando o punk come\u00e7ou a realmente influenciar o meu gosto, entrei de cabe\u00e7a nele. Mas ainda assim sempre gostei de muitos outros estilos de m\u00fasica. E quando me mudei para San Francisco, j\u00e1 t\u00ednhamos feito alguns discos e singles. A m\u00fasica sempre foi uma express\u00e3o do que eu estava sentindo. E o lance do punk era uma express\u00e3o do tipo \u201cEstou realmente bravo com as coisas racistas e sexistas que acontecem\u201d. Mas se voc\u00ea fica bravo, voc\u00ea enlouquece. \u00c9 claro que ainda estou puto com essas coisas como naquela \u00e9poca&#8230; porque o Trump \u00e9 o presidente (risos). Tudo isso est\u00e1 a\u00ed. Mas voc\u00ea precisa conseguir projetar qualquer tipo de emo\u00e7\u00e3o de uma maneira mais s\u00e3. N\u00e3o estou dizendo que aquilo era insano. Estou apenas dizendo que encontrei maneiras diferentes de expressar sentimentos diferentes atrav\u00e9s da m\u00fasica. Ent\u00e3o com aquela segunda forma\u00e7\u00e3o do Dicks \u2013 Lynn, Sebastian e Tim Carroll \u2013 comecei a expandir as maneiras de me expressar. E isso nem sempre significava gritar e berrar \u201cEu odeio isso\u201d e \u201cEu odeio aquilo\u201d e todas essas coisas. Porque, de verdade, eu n\u00e3o quero odiar tudo. Eu n\u00e3o quero odiar nada. Quer dizer, eu quero, mas preferiria lidar com o meu \u00f3dio de uma maneira que n\u00e3o me deixasse nervoso. Ent\u00e3o \u00e9 isso que come\u00e7ou a acontecer. A cena como um todo estava ficando&#8230; um pouco estagnada \u2013 era o que eu sentia. Sempre que voc\u00ea gostava de qualquer outro tipo de m\u00fasica, a cena hardcore te enchia. E eu nunca quis ser compartimentado de forma que n\u00e3o pudesse me expressar com qualquer tipo de m\u00fasica que eu quisesse. Ent\u00e3o a Lynn, baterista da banda&#8230; Eu e ela est\u00e1vamos meio que cansados disso e est\u00e1vamos vendo muitas coisas sexistas na cena, muitos skinheads. Ent\u00e3o pensamos \u201cQuer saber? Vamos dar um tempo e come\u00e7ar outra banda\u201d. E n\u00f3s literalmente fizemos isso. Conhecemos o Ben Cohen, que era o guitarrista do Sister (Double Happiness), e ensaiamos por cerca de um ano antes de fazer o primeiro show da banda. E escrevemos quase todas as m\u00fasicas daquele primeiro disco antes da entrada do Mikey, que tinha tocado em uma banda punk chamada Offenders. Ele era um \u00f3timo baixista. Ele se mudou de Austin para San Francisco e o convidei para a banda e ent\u00e3o ele passou a tocar conosco. Quando come\u00e7amos a tocar, todos est\u00e1vamos um pouco&#8230; n\u00e3o quer\u00edamos que ningu\u00e9m viesse nos dizer \u201cVoc\u00eas n\u00e3o podem tocar isso porque n\u00e3o \u00e9 punk o bastante\u201d. Havia uma m\u00fasica dos Dicks chamada \u201cGeorge Jackson\u201d, do disco \u201cThese People\u201d (1985). E as pessoas costumavam gritar \u201cmais r\u00e1pido\u201d quando n\u00f3s toc\u00e1vamos essa m\u00fasica. E era como: \u201cN\u00e3o, n\u00e3o vou tocar mais r\u00e1pido. Vou deixar essa porra mais devagar se for preciso\u201d (risos). Mas um bom n\u00famero de pessoas estava expandindo os seus gostos musicais na mesma \u00e9poca que o Sister come\u00e7ou. Ent\u00e3o meio que muito rapidamente n\u00f3s t\u00ednhamos bastante gente indo nos ver. E acabamos ganhando uma base de f\u00e3s de maneira bem r\u00e1pida. O primeiro disco foi gravado, produzido e mixado em 48 horas (risos). Ele certamente tinha uma pegada punk, do tipo \u201cVamos fazer isso, vamos manter isso verdadeiro\u201d. Com quase nenhum overdub e tudo mais, foi feito bem rapidamente. Penso que essas m\u00fasicas eram muito boas, mas tamb\u00e9m n\u00e3o eram produzidas demais. Ent\u00e3o isso meio que criou uma cena interessante para n\u00f3s. E muitas outras bandas tamb\u00e9m estavam come\u00e7ando a expandir um pouco. Mantendo o lema punk, mas sem ficar presos em nenhum tipo de som, algo como \u201cVoc\u00ea toca o que quiser tocar\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Dicks - George Jackson\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F9p7_8c4N9E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acredita que o Sister Double Happiness recebeu o reconhecimento merecido com o passar do tempo?<\/strong><br \/>\nO que eu gostaria \u00e9 que n\u00f3s tiv\u00e9ssemos tido a chance de fazer outro disco, como na Warner. N\u00f3s tivemos uma pequena separa\u00e7\u00e3o de caminhos a\u00ed. N\u00f3s quer\u00edamos que fosse algo mais representativo dos shows. E a gravadora queria que fosse algo mais representativo de uma banda de est\u00fadio. E o nosso lance todo era tocar ao vivo. Por isso, decidimos que n\u00e3o quer\u00edamos gravar um segundo disco com eles e eles n\u00e3o tiveram problema com isso. Quer dizer, eles n\u00e3o tiveram nenhum problema mesmo com isso. Ent\u00e3o os discos gravados depois disso, como \u201cUncut\u201d (1993) e \u201cHorsey Water\u201d (1994), queria que eles tivessem sido melhor distribu\u00eddos. Porque penso que eles s\u00e3o os nossos melhores \u00e1lbuns. Depois de um tempo, n\u00f3s fomos para a Europa e as coisas estavam indo muito bem l\u00e1. Mas a Europa ficava muito longe de casa, n\u00f3s n\u00e3o pod\u00edamos viver l\u00e1. Quer dizer, eu poderia, eu poderia ter morado l\u00e1 em um segundo (risos). Mas n\u00e3o sei, muitas pessoas parecem conhecer o Dicks, mas nem tantas assim parecem saber sobre o Sister. Isso \u00e9 verdade ou n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quer dizer, eu s\u00f3 conheci o Sister muitos anos depois de ter ouvido o Dicks pela primeira vez. Ent\u00e3o sim, aconteceu um intervalo grande para mim entre as duas bandas.<\/strong><br \/>\nE voc\u00ea tem esses discos (do Sister)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na verdade, n\u00e3o. Apenas os escuto online, em servi\u00e7os de streaming e no YouTube, por exemplo. \u00c9 dif\u00edcil encontrar esses discos para comprar por aqui.<\/strong><br \/>\n\u00c9, \u00e9 dif\u00edcil encontr\u00e1-los em qualquer lugar (nota do editor: mesmo em streaming). O \u201cHorsey Water\u201d (editado pela Sub Pop) \u00e9 um disco de que eu realmente gosto. \u00c9 o \u00faltimo disco que fizemos juntos. Mas foi quando tivemos a maior liberdade no est\u00fadio ent\u00e3o. O cara que produziu o disco passou a maior parte do tempo dormindo em outra sala. Na verdade, ele aparecia um dia ou outro, parava por uns 15 ou 20 minutos para escutar e ent\u00e3o voltava a dormir (risos). Mas naquela \u00e9poca j\u00e1 t\u00ednhamos passado tempo suficiente em est\u00fadios, de maneira que n\u00f3s \u00e9 que realmente est\u00e1vamos produzindo o \u00e1lbum. Esse \u00e9 o meu disco favorito que fizemos juntos. Se tiver a chance, escute esse disco. De verdade, foi meio que o lan\u00e7amento definitivo do Sister. Sempre tive muito orgulho dele. Mas sempre fiquei meio que triste de as pessoas nunca terem escutado. E elas est\u00e3o meio que nos julgando com base no primeiro disco, pela SST, e no disco da Warner (\u201cHeart and Mind\u201d, 1991), quando h\u00e1 outros dois discos depois disso. E houve mais um disco at\u00e9 (\u201cA Stone&#8217;s Throw from Love\u201d, gravado em 1992, lan\u00e7ado em 1999). Era um disco ao vivo, ac\u00fastico. \u00c9 um disco muito bom. Eu fiquei meio encolhido quando estava acontecendo porque era um grande show com ingressos esgotados, n\u00f3s est\u00e1vamos no pico da nossa popularidade aqui na cidade. Foi em uma casa de shows grande e bonita. A Lynn tocou piano e foi tudo ac\u00fastico. E eu estava nervoso, estava muito nervoso porque tocar de forma ac\u00fastica \u00e9 algo muito diferente. Se voc\u00ea fizer alguma merda com as palavras em um show el\u00e9trico, ningu\u00e9m vai ouvir (risos). Mas se isso acontecer em um show ac\u00fastico, todo mundo vai pensar que voc\u00ea \u00e9 um idiota (risos). Ent\u00e3o n\u00f3s temos todos esses outros discos e \u00e9 triste para mim, queria que as pessoas me conhecessem pelo Dicks, mas realmente gostaria que eles conhecessem mais sobre o Sister Double Happiness.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SISTER DOUBLE HAPPINESS -  LIVE in ZURICH - HD AUDIO\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/czxsI4wb7t4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, o Sister tocava um som mais ligado ao rock alternativo, voc\u00eas estavam em uma cidade pr\u00f3xima a Seattle e tiveram at\u00e9 um disco lan\u00e7ado pela Sub Pop. Por isso, queria saber como voc\u00ea via toda a cena de Seattle. Voc\u00eas tiveram alguma liga\u00e7\u00e3o com aquelas primeiras bandas de Seattle, como Melvins, Soundgarden, Mudhoney, Screaming Trees e Green River?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s costum\u00e1vamos tocar l\u00e1. E um dos caras do Screaming Trees, n\u00e3o consigo lembrar o nome dele&#8230; Sempre fui um pouco distante de muitas coisas. Ent\u00e3o, alguns dos outros integrantes (do Sister) conheciam as pessoas melhor do que eu porque depois que n\u00f3s toc\u00e1vamos, eu geralmente sa\u00eda \u2013 ou ia beber. N\u00e3o bebo h\u00e1 muito tempo, mas perdi muito da minha carreira bebendo (risos). Qual \u00e9 o nome dele, um cara meio alto do Screaming Trees (nota do editor: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/17\/livro-sing-backwards-and-weep-a-dolorosa-biografia-de-mark-lanegan\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">que deve ser o Mark Lanegan<\/a>)? N\u00e3o consigo lembrar agora, mas ele me escreveu um e-mail uma vez, dizendo que era um grande f\u00e3 e eu fiquei muito emocionado, era uma carta muito bonita. E o cara do Nirvana, o Kurt, era um f\u00e3. \u00c9 por isso que n\u00f3s tocamos com eles na turn\u00ea do \u201cNevermind\u201d (1991). Isso muito legal. N\u00f3s ficamos em turn\u00ea com eles por umas duas semanas, eu acho. Quando n\u00f3s est\u00e1vamos em turn\u00ea, o \u201cNevermind\u201d passou a tocar sem parar na MTV e vendeu um milh\u00e3o de c\u00f3pias. Ent\u00e3o foi legal para a gente, mas quando eles agendaram a turn\u00ea, o \u00e1lbum tinha acabado de sair. E as casas de shows que tinham sido agendadas n\u00e3o eram grandes o bastante para eles. Ent\u00e3o todo show era um caos, o que era \u00f3timo. Eles eram muito legais, \u00f3timos caras para se estar em turn\u00ea. Ent\u00e3o sim, n\u00f3s t\u00ednhamos&#8230; Quando n\u00f3s toc\u00e1vamos l\u00e1 (em Seattle), eram grandes shows. N\u00e3o lembro exatamente com quem n\u00f3s tocamos. Mas, de novo, como eu disse, eu nunca realmente prestei aten\u00e7\u00e3o em tudo isso. Eu estava apenas flutuando por a\u00ed fazendo o meu lance. Mas eles sempre foram muito legais conosco. Quando n\u00f3s toc\u00e1vamos l\u00e1, todas essas bandas iam nos ver. Mas eu nunca&#8230; se eles chegassem para dar um \u201cOi\u201d, eu sempre era muito amig\u00e1vel, mas n\u00e3o me lembro de muita coisa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56743\" aria-describedby=\"caption-attachment-56743\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-56743\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sister-Double-Happine.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sister-Double-Happine.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Sister-Double-Happine-300x231.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56743\" class=\"wp-caption-text\"><em>Sister Double Happiness<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea curtia o som deles? Tipo o Mudhoney, que gravou um cover do Dicks, e o Nirvana, essas bandas que tinham uma liga\u00e7\u00e3o maior com o proto-punk e o punk?<\/strong><br \/>\nAli\u00e1s, sabe o que mais? N\u00f3s tamb\u00e9m fizemos uma turn\u00ea com o Soundgarden. Fizemos uma turn\u00ea com eles quando eles lan\u00e7aram o \u201cBadmotorfinger\u201d (1991). N\u00f3s \u00e9ramos a dama de honra, eles eram a noiva. Mas foi \u00f3timo, tivemos muita exposi\u00e7\u00e3o durante essa \u00e9poca. E os caras do Mudhoney sempre iam nos ver. Eu cantei \u201cThe Dicks Hate the Police\u201d com eles no palco uma vez aqui na cidade. Eles tinham me pedido uma vez em Bruxelas, na B\u00e9lgica, quando tocamos no mesmo lugar. Eu tinha acabado de chegar \u00e0 Europa e estava com um jet lag terr\u00edvel. Estava no backstage, ainda n\u00e3o t\u00ednhamos tocado, e eles disseram \u201cEi, voc\u00ea cantaria \u201cThe Dicks Hate the Police\u201d com a gente mais tarde?\u201d. E eu falei \u201cN\u00e3o, estou muito cansado\u201d e eles responderam \u201cAh, s\u00e9rio?\u201d. Depois li que eles foram entrevistados por uma revista e foram perguntados se tinham tocado comigo e disseram: \u201cN\u00e3o, ele foi um idiota, n\u00e3o cantou com a gente\u201d, e eu fiquei chocado (risos). Um tempo depois eles tocaram aqui (San Francisco), acho que o show era Mudhoney e Black Kali Ma (banda que Gary formou no fim dos anos 1990 e lan\u00e7ou um disco pela Alternative Tentacles). E o cara (do Mudhoney) veio falar comigo no backstage: \u201cEi, voc\u00ea quer cantar com a gente?\u201d. Ent\u00e3o respondi: \u201cN\u00e3o, estou cansado\u201d. Ent\u00e3o ele olhou para mim e todos come\u00e7aram a rir e eu disse: \u201c\u00c9 claro que vou cantar com voc\u00eas\u201d. E ent\u00e3o pudemos falar sobre o assunto, eu disse \u201cEi, voc\u00eas me chamaram de idiota\u201d e ele respondeu \u201cBem, voc\u00ea foi\u201d (risos). De qualquer forma, todos rimos e eu cantei com eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns anos, voc\u00ea gravou uma m\u00fasica meio obscura do Stooges (\u201cCock in My Pocket\u201d) com o James Williamson, que tocou guitarra na banda nos anos 1970 e 2000. Como foi essa experi\u00eancia, de poder conhecer e gravar com o James? Sei que o Iggy Pop e o Stooges sempre foram algo importante na sua vida.<\/strong><br \/>\nBom, foi \u00f3timo. \u00c9 engra\u00e7ado, eu estava falando com outra pessoa e ent\u00e3o fui convidado para isso e respondi \u201cClaro, mas n\u00e3o conhe\u00e7o a m\u00fasica realmente\u201d. Ent\u00e3o eles me enviaram a m\u00fasica e eu concordei em fazer. Eles me disseram que a grava\u00e7\u00e3o seria feita em Berkeley e eu disse que n\u00e3o tinha realmente como ir para l\u00e1. Ent\u00e3o o James me ligou e disse \u201cEu vou te buscar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uau.<\/strong><br \/>\nSim, eu sei (risos). Ent\u00e3o estou esperando l\u00e1 fora e uns 20 minutos antes de ele chegar, eu pensei: \u201cO James Williamson do Stooges est\u00e1 vindo me buscar\u201d. Quer dizer, eu n\u00e3o fiquei muito nervoso por conhec\u00ea-lo, mas estava um pouco nervoso. Era algo como \u201cMeu Deus, esse cara \u00e9 da porra do Stooges\u201d. \u00c9 tipo a alta realeza logo ali. Ele chegou muito tranquilo, disse \u201cPrazer em te conhecer\u201d e acabou que ele era do Texas. E n\u00f3s apenas falamos e falamos, nos demos muito bem. Eu fiquei no est\u00fadio por umas tr\u00eas ou quatro horas, fizemos a m\u00fasica e mixamos um pouco. E ent\u00e3o eles basicamente disseram \u201cOk, voc\u00ea pode ir agora, temos um carro l\u00e1 fora para te levar embora\u201d (risos). Apertamos as m\u00e3os, dissemos adeus e nunca mais falei realmente com ele depois disso. Ele me enviou o disco e uma camiseta. Foi uma \u00f3tima experi\u00eancia, ele acabou sendo um cara muito legal. Se ele tivesse sido um pouco diferente, teria sido algo que teria mexido muito com meus nervos. Mas ele era f\u00e1cil de conversar, um cara legal e muito tranquilo no est\u00fadio. Ent\u00e3o n\u00e3o tenho nada al\u00e9m de coisas boas para dizer sobre ele.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cock in My Pocket\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2_W1KJQyhJY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre gosto de perguntar essa. Me diga por favor tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nBom&#8230; (risos). Penso que provavelmente o \u201cWhite Album\u201d (1968), dos Beatles. E o \u201cHard Again\u201d (1977), do Johnny Winter e do Muddy Waters (o disco foi produzido pelo Johnny Winter). E ent\u00e3o provavelmente, preciso dizer o primeiro disco do Ramones (1976). Quando o disco do Ramones saiu, o \u201cWhite Album\u201d era o disco perfeito. Era apenas t\u00e3o&#8230; Quer dizer, n\u00e3o sei o que dizer, apenas que a m\u00fasica era t\u00e3o incrivelmente produzida, era realmente incr\u00edvel. Esse \u00e1lbum do Johnny Winter e Muddy Waters, com \u201cMannish Boy\u201d, era o melhor blues. E o primeiro disco do Ramones porque \u00e9 a porra do primeiro disco do Ramones (risos). Era algo como \u201cIsso \u00e9 t\u00e3o certo\u201d. Estava meio que entre esse e o \u201cNever Mind the Bollocks\u201d (1977), do Sex Pistols. E sei que todo mundo parece odi\u00e1-los (Pistols). Est\u00e1 meio que na moda dizer que voc\u00ea n\u00e3o gosta disso e de tudo aquilo, mas o \u201cBollocks\u201d \u00e9 um disco do caralho. Mas o Ramones, aquele \u201c1, 2, 3, 4\u201d no come\u00e7o das m\u00fasicas. E eu os vi quando eles tocaram em Austin pela primeira vez. E n\u00e3o me lembro de estar muito lotado, estava meio que cheio. Ent\u00e3o pudemos ficar bem perto do palco. E aquele disco&#8230; ele apenas te dava permiss\u00e3o, cara. Tipo \u201cEssas pessoas fazem isso muito bem, mas voc\u00ea tamb\u00e9m pode fazer\u201d. Era apenas um disco perfeito. Isso \u00e9 o bastante? Posso listar uns cinquenta ou cem mil discos. No Facebook, todo mundo sempre pede para voc\u00ea colocar os seus discos favoritos e j\u00e1 fiz isso umas cinco ou seis vezes, mas com discos totalmente diferentes. Provavelmente tenho uns 100 \u00e1lbuns favoritos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas s\u00e3o as duas \u00faltimas perguntas. Do que tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nDo que eu tenho mais orgulho? De que sempre fiz as coisas da maneira que queria. Sempre fiz meio que o que queria e nunca prejudiquei ningu\u00e9m fazendo isso. E quando tudo terminar, poderei dizer: \u201cQuer saber? Para o melhor ou pior, eu fiz do meu jeito\u201d (nota: neste momento, Gary canta de brincadeira \u201cI Did it My Way\u201d, de Frank Sinatra) \u2013 (risos). Soa um pouco besta dizer isso, mas eu sobrevivi e estou aqui e estou feliz. E a outra coisa \u00e9 que sempre soube quando era a momento de seguir em frente, de n\u00e3o me prender \u00e0s coisas. Isso pode significar apenas a morte de&#8230; n\u00e3o apenas da criatividade, mas do seu esp\u00edrito \u2013 ou algo assim. J\u00e1 ouvi algumas pessoas me dizendo coisas como \u201cOh, aquela \u00e9poca do punk. Sinto tanta falta daqueles tempos. Foram os melhores dias da minha vida\u201d. E ent\u00e3o respondo: \u201cS\u00e9rio? Voc\u00ea est\u00e1 brincando comigo. Eu era um miser\u00e1vel, totalmente quebrado. N\u00e3o tinha nada, estava puto\u201d (risos). E eles falam \u201cSim, isso \u00e9 \u00f3timo\u201d. Agora eu sou apenas velho. Mas sou t\u00e3o feliz quanto um gato velho (risos). Ent\u00e3o, jogar pelas minhas regras e n\u00e3o me apegar quando era hora de deixar para tr\u00e1s. Penso que sou muito feliz por isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea quer ser lembrado?<\/strong><br \/>\nComo algu\u00e9m muito, muito magro (risos). \u201cAh \u00e9, o Gary Floyd, ele era muito magro\u201d (risos). Mas n\u00e3o sei, de verdade. Como algu\u00e9m que era s\u00e9rio, mas podia rir. Apenas saber que voc\u00ea podia rir, mas tamb\u00e9m podia ser s\u00e9rio. N\u00e3o quero ser lembrado como algu\u00e9m que estava na sua cara te dizendo como viver e todas essas coisas. Essa \u00e9 uma raz\u00e3o pela qual sou muito feliz de ter descoberto meu eu espiritual e meu esp\u00edrito generoso. A minha parte hindu, que me mant\u00e9m focado, nunca me impediu de rir. Ent\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias coisas, mas acho que \u00e9 melhor colocarmos apenas \u201cmagro\u201d (risos). \u201cEle n\u00e3o era gordo?\u201d, \u201cN\u00e3o, nem um pouco, muito magro\u201d (risos). Ent\u00e3o, de qualquer forma, \u00e9 isso a\u00ed, camarada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Floyd Autobiography\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h1yaJUTvnCU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Something on Your Mind by Gary Floyd&#039;s Buddha Brothers (Karen Dalton)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yXO0a3Aa_GY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Gary Floyd&#039;s Black Kali Ma &amp; Stinky&#039;s Peep Show Go-Go Dancers - Shaking The Nun at @FillmoreSF\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hnMc70dHDuE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201cN\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA\u201d e \u201cN\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nome importante do underground dos EUA, Gary Floyd consegue fazer a sua voz potente passear com facilidade pelos mais diferentes estilos: do hardcore do Dicks ao blues do The Buddha Brothers ao rock alternativo do Sister Double Happiness, entre outros. 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