{"id":56715,"date":"2020-07-13T02:17:15","date_gmt":"2020-07-13T05:17:15","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56715"},"modified":"2020-08-13T00:36:48","modified_gmt":"2020-08-13T03:36:48","slug":"entrevista-pitty-nada-substitui-a-experiencia-de-um-show-ao-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/13\/entrevista-pitty-nada-substitui-a-experiencia-de-um-show-ao-vivo\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Pitty: &#8220;NADA substitui a experi\u00eancia de um show ao vivo&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na luta dentro do cen\u00e1rio underground desde 1998, quando fazia parte do grupo de hardcore Inkoma, Pitty conseguiu nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas desbravar o terreno machista do rock nacional. E o \u00e1rduo trabalho recompensado hoje a coloca numa c\u00f4moda posi\u00e7\u00e3o de \u00edcone e refer\u00eancia para artistas de ontem e de hoje. Mas muito se engana quem acha que isto fa\u00e7a com que ela esteja em uma zona de conforto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Movida pela inquietude, a cantora baiana segue trabalhando constantemente, mesmo no per\u00edodo da pandemia. Prova disso \u00e9 que Pitty lan\u00e7ou recentemente a compila\u00e7\u00e3o \u201cVideo Trackz\u201d onde, de maneira artesanal, produziu (com a ajuda do editor\/ diretor <a href=\"https:\/\/twitter.com\/otaviosousa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Otavio Sousa<\/a>) v\u00eddeos caseiros para cada das faixas de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6SzAMGol9sxx8D6KP3ds1K\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Matriz<\/a>\u201d (2019), seu mais recente trabalho. N\u00e3o obstante, ela agora mant\u00e9m um canal na <a href=\"https:\/\/www.twitch.tv\/pitty\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitch.tv<\/a>, o qual alimenta semanalmente com conte\u00fados in\u00e9ditos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesta (segunda) conversa com o Scream &amp; Yell, Pitty fala sobre inquietude art\u00edstica, o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cVideo Trackz\u201d, o retorno \u00e0s ra\u00edzes de \u201cMatriz\u201d, m\u00fasica e politiza\u00e7\u00e3o, o exerc\u00edcio da maternidade, exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, a parceria com a gravadora Deck, a luta por espa\u00e7o num cen\u00e1rio musical machista e desequilibrado, a sua participa\u00e7\u00e3o no programa \u201cSaia Justa\u201d, a arte em tempos de pandemia e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pitty - VideoTrackz Matriz\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/e9uRyebgHCU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/02\/04\/entrevista-pitty\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em entrevista aqui mesmo para o S&amp;Y (em 2010)<\/a> voc\u00ea declarou ser uma pessoa inquieta. Nesse sentido, como voc\u00ea tem lidado com estes tempos de isolamento social?<\/strong><br \/>\nA inquietude, que \u00e9 interna, continua. Tanto \u00e9 que acabei at\u00e9 produzindo mais do que imaginava nesse per\u00edodo, e isso sem for\u00e7ar nada, apenas porque foram surgindo vontades. Outras inquietudes referentes \u00e0 idade, est\u00e1gio de vida, essas v\u00e3o mudando com a maturidade e as experi\u00eancias. Ser m\u00e3e d\u00e1 uma bela mudada no aspecto impaci\u00eancia. Mas considero inquietude uma outra coisa de forma geral: \u00e9 uma vontade de sempre caminhar, descobrir, ir adiante. \u00c9 prezar mais pelo trajeto do que pelo final.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que o &#8220;V\u00eddeoTracks&#8221; tenha nascido justamente para sanar esta necessidade de estar em movimento. Como foi o processo cria\u00e7\u00e3o deste projeto?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, exatamente. Eu queria continuar falando sobre meu \u00faltimo disco, \u201cMatriz\u201d. A gente estava numa fase super especial, turn\u00ea bombando, shows lotados, \u00f3tima repercuss\u00e3o do disco&#8230; e a\u00ed veio a pandemia. Fiquei a fim de produzir algo que reavivasse a hist\u00f3ria contada no \u00e1lbum, pelo sentimento de que o assunto ainda n\u00e3o havia se encerrado. Pensei no conceito do \u2018do it yourself\u2019, do isolamento, de usar o espa\u00e7o e equipamentos \u00e0 m\u00e3o para criar micro v\u00eddeos para cada faixa. Escrevi pequenos roteiros baseados na sensa\u00e7\u00e3o de cada m\u00fasica e fui me filmando. Pensando em texturas, cores, uma coisa mais sinest\u00e9sica mesmo. O desafio da auto filmagem, o uso de recursos acess\u00edveis, tudo isso estava no plano. Aprendi bastante, e me arrisquei tamb\u00e9m, sem muita pretens\u00e3o. E a\u00ed fui mandando o (material) bruto para Otavio Sousa que editou e fez a finaliza\u00e7\u00e3o. A ideia era mesmo criar uma miniss\u00e9rie onde cada m\u00fasica \u00e9 um cap\u00edtulo do \u201cMatriz\u201d, com come\u00e7o, meio e fim. Fiz pensando na linguagem de Stories, e depois compilei tudo para um v\u00eddeo s\u00f3 que est\u00e1 no Youtube.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Matriz&#8221; foi lan\u00e7ado h\u00e1 pouco mais de um ano. Nesse disco voc\u00ea promove um retorno \u00e0s suas ra\u00edzes. Para muitas pessoas, olhar para tr\u00e1s \u00e9 um exerc\u00edcio herc\u00faleo, assombroso, e para outras \u00e9 um ato necess\u00e1rio para a evolu\u00e7\u00e3o pessoal. Como foi para voc\u00ea lidar com este retrospecto?<\/strong><br \/>\nFoi um chamado que veio nesse momento. Quando vi, eu estava nessa situa\u00e7\u00e3o reflexiva. N\u00e3o saudosista, mas um olhar cr\u00edtico e uma an\u00e1lise sobre essa viv\u00eancia. O que ficou, o que passou, o que est\u00e1 presente e que eu nunca tinha reconhecido de fato\u2026 usando o exemplo que voc\u00ea deu, sinto como um passo de evolu\u00e7\u00e3o pessoal. Autoconhecimento, que apesar de singular, se volta, em resultado, para o coletivo. Porque \u00e9 o disco que tem mais participa\u00e7\u00f5es, parcerias e interfer\u00eancias externas. Inclusive de outros estilos musicais. \u00c9 um disco amplo em termos de cores e cheiros, mas fiel \u00e0 uma ess\u00eancia, \u00e0 um ch\u00e3o. Eu fui me deixando levar por esse processo, sem querer gui\u00e1-lo. Fui indo, fui indo, e quando vi estava mergulhada nessa Bahia que me pariu, provavelmente n\u00e3o a que as pessoas conhecem do cart\u00e3o postal, mas a terra-m\u00e3e mesmo. E deixei rolar, e pintar os sons que tivessem de pintar, sem ficar viajando no que eu deveria ser. S\u00f3 sendo e sentindo. Psican\u00e1lise das brabas, bicho (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Faixas como &#8220;Bicho Solto&#8221; e &#8220;Noite Inteira&#8221; mostram uma Pitty politizada, postura essa que voc\u00ea adotou por toda carreira. Mas recentemente voc\u00ea postou no Twitter sobre ser uma ANTIFA e isto lhe causou uma enorme s\u00e9rie de ataques por parte da oposi\u00e7\u00e3o Bolsonarista, que n\u00e3o entende que voc\u00ea sempre defendeu pautas progressistas. Em tempos reacion\u00e1rios, se posicionar contra ao fascismo \u00e9 um exerc\u00edcio essencial?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Isso sempre esteve presente no meu som, postura, falas e a\u00e7\u00f5es. Mas parece que tem uma p\u00e1 de gente que agora est\u00e1 se dando conta do que significa. E tem tamb\u00e9m um monte de gente que absolutamente n\u00e3o sabe o que quer dizer ser antifascista, que recebe informa\u00e7\u00f5es truncadas da tia do zap, cards com frases que Churchill nunca disse, isso que a gente tem visto a\u00ed. Uma desinforma\u00e7\u00e3o geral, que, apoiada pelo vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o, se propagava loucamente. O fato de algumas pessoas demonizarem a luta antifascista, antirracista, ou qualquer movimento pr\u00f3 democracia e contra preconceitos e discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 algo incompreens\u00edvel pra mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seu mais novo single, &#8220;Submersa&#8221;, \u00e9 uma ode \u00e0 maternidade e ao puerp\u00e9rio. Nesta faixa, voc\u00ea, de forma geral, desaromatiza a fun\u00e7\u00e3o de ser m\u00e3e, expondo as dificuldades inerentes a este exerc\u00edcio de grande responsabilidade. Nesse sentido, o qu\u00e3o transformadora \u00e9 esta fase?<\/strong><br \/>\nProfundamente transformadora. \u00c9 um rito de passagem muito importante nesse jogo da vida. Deixar de ser filha para ser m\u00e3e, ver o ciclo se completar, ter uma rela\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 voc\u00ea, mas vem de voc\u00ea, \u00e9 muito doido e lindo. Cada fase tem sua dor e del\u00edcia, e para cada uma pode ser diferente. Esse come\u00e7o, para mim, foi de muita reflex\u00e3o, um sentimento de solid\u00e3o mesmo cercada de apoio, muito cansa\u00e7o f\u00edsico; e a\u00ed as mudan\u00e7as corporais tamb\u00e9m, o se reconhecer num novo corpo, numa nova pele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tempos atr\u00e1s uma foto publicada em suas redes sociais com a Madalena, sua filha, causou uma enorme como\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e da imprensa. Mas em contrapartida voc\u00ea tem apostado em ser mais discreta quanto a exposi\u00e7\u00e3o dela, postura esta que tenho tentado seguir com os meus filhos tamb\u00e9m, por mais dif\u00edcil que isto seja. Como figura p\u00fablica, \u00e9 dificultoso lidar com o fato de que as pessoas acham que a sua vida tenha que ser um livro aberto?<\/strong><br \/>\n\u00c9, mas acho que quem tem que dar esse limite \u00e9 a gente mesmo. \u00c9 assim em tudo na vida, n\u00e9? Em todas as rela\u00e7\u00f5es. Temos que refletir e escolher o que achamos melhor pra nossa vida \u2013 e claro, n\u00e3o sem arcar com b\u00f4nus e \u00f4nus dessas escolhas. Eu botei na balan\u00e7a e sempre senti que preservar essa parte diz respeito n\u00e3o s\u00f3 a mim, mas \u00e0s pessoas que convivem comigo. Ningu\u00e9m \u00e9 obrigado (risos). E nesse caso, \u00e9 principalmente respeitar a privacidade de um ser humano que ainda n\u00e3o tem como escolher se quer ou n\u00e3o aparecer. Uma vez que postou, j\u00e1 era, fica ali pra sempre. E se um dia ela n\u00e3o curtir, se sentir invadida? Prefiro deixar que ela escolha, um dia: os registros e as lembran\u00e7as estar\u00e3o aqui se ela quiser compartilhar. Para al\u00e9m disso, mesmo antes da maternidade, minha vida privada sempre foi algo preservado. Acho bom assim para n\u00e3o bagun\u00e7ar as fronteiras entre o que \u00e9 meu e o que \u00e9 p\u00fablico, que \u00e9 minha arte. Eu n\u00e3o sou de ningu\u00e9m al\u00e9m de mim mesma. E tamb\u00e9m acho que fortalece a arte em detrimento da persona, quebra um pouco a objetifica\u00e7\u00e3o, mant\u00e9m na cabe\u00e7a das pessoas espa\u00e7o para imagina\u00e7\u00e3o sobre o artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea contou, a turn\u00ea &#8220;Matriz&#8221; foi interrompida devido \u00e0 pandemia. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/17\/tal-qual-uma-heroina-moderna-pitty-mostra-que-e-bicho-solto-em-grande-show-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A gente viu o show no Scream &amp; Yell<\/a> e nele voc\u00ea apostou em novos formatos ao dividi-la em duas etapas (antes e ap\u00f3s lan\u00e7amento do disco) e na cria\u00e7\u00e3o do projeto &#8220;Palco Aberto&#8221;, onde voc\u00ea realizou uma curadoria para selecionar bandas de abertura. O qu\u00e3o desafiadora foram estas apresenta\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nAmbas foram bastante desafiadoras, por serem in\u00e9ditas pra mim. Nunca tinha passado por nenhum desses formatos, mas a gra\u00e7a \u00e9 essa mesmo: ir inventando novos jeitos de fazer. Foi muito interessante esse processo coletivo de criar estando no palco, e poder compartilhar esbo\u00e7os, sentir a rea\u00e7\u00e3o das pessoas para uma can\u00e7\u00e3o absolutamente in\u00e9dita. E depois, quando veio o disco e turn\u00ea \u201cMatriz\u201d foi montada de fato, foi como um encontro com algo que t\u00ednhamos constru\u00eddo. Os shows estavam sendo muito, muito especiais. Essa turn\u00ea foi montada de forma muito cuidadosa e detalhada, com uma hist\u00f3ria sendo contada ali. Viajo nessa coisa de roteiro, de espet\u00e1culo meio como era montado mais das antigas. Depois o show virou uma coisa que a banda sobe l\u00e1, toca as m\u00fasicas, com a luz piscando desenfreadamente e pronto. Tudo bem tamb\u00e9m, tudo tem seu contexto. Mas eu tinha vontade de montar uma mistura de pe\u00e7a com show \u2013 sem texto, sem dramaturgia \u2013 mas com momentos marcados e distintos, com mudan\u00e7a de clima, de luz, de cen\u00e1rio. Isso rolou em \u201cMatriz\u201d. E a\u00ed veio essa maledeta pandemia. O Palco Aberto tamb\u00e9m foi um lance que me deixou muito realizada como artista, como contribuinte para a cena. Sempre pensei num projeto que pudesse trazer visibilidade para artistas novos. Eu estive nesse lugar e sei o quanto \u00e9 dif\u00edcil \u00e0s vezes simplesmente ter um palco pra tocar. Oportunidade de mostrar o som, de tocar pra uma galera, de exercer seu potencial. Era isso que eu queria com o projeto: mostrar o potencial de artistas diversos pelo pa\u00eds todo. E foi lindo! A cada cidade, uma descoberta. Envolver o p\u00fablico nesse processo era requisito primordial pra mim: quem faz a cena \u00e9 o p\u00fablico. Trazer essa responsa de cada um de n\u00f3s de alimentar e fomentar os artistas da nossa cidade. Eu sei porque vim de Salvador, muita gente fica de olho nas bandas de fora e nem percebe que ali no bar do lado tem uma banda massa tocando. Contei tamb\u00e9m com a curadoria do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tonyaiex\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tony (Aiex)<\/a>, do <a href=\"https:\/\/www.tenhomaisdiscosqueamigos.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TMDQA,<\/a>\u00a0porque achava importante unir p\u00fablico e cr\u00edtica. Chegar nesse consenso. E priorizei, nos resultados, artistas e bandas femininas pra equilibrar esse espa\u00e7o que j\u00e1 \u00e9 t\u00e3o masculino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assisti recentemente ao document\u00e1rio &#8220;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7temFowpGtg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tudo Pela M\u00fasica<\/a>&#8221; (2019), que conta a trajet\u00f3ria de 20 anos da gravadora Deck. Acredito que durante a sua carreira voc\u00ea deve ter recebido in\u00fameras propostas para que assinasse com uma major, mas voc\u00ea optou por continuar apostando num selo independente. A que se deve esta escolha?<\/strong><br \/>\nPrincipalmente ao fato de priorizar a liberdade art\u00edstica e criativa. Eu sabia que numa major eu podia ter mais grana, mas n\u00e3o tinha certeza se conseguiria manter as coisas do jeito que acredito artisticamente. E, tamb\u00e9m, sabia que estaria competindo com artistas mais populares, e nessa hora a prioridade \u00e9 quem vende mais, quem est\u00e1 na modinha. Eu n\u00e3o queria ficar ref\u00e9m disso. E encontrei na Deck o ambiente ideal para continuar criando livremente, sem demanda externa, gravando e lan\u00e7ando quando tenho vontade \u2013 leia-se, quando vem a inspira\u00e7\u00e3o e se faz um disco ou o que o valha! Ali tenho parceria para minhas experi\u00eancias art\u00edsticas mais inusitadas e arriscadas, desde bolar o VideoTracks at\u00e9 fazer remixes, ou o que seja. O que importa \u00e9 a arte e o amor \u00e0 m\u00fasica. Nada \u00e9 mais importante pra mim do que isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredito que o seu sucesso como cantora e compositora, num pa\u00eds onde o machismo se faz presente em v\u00e1rias esferas, abriu um precedente para que houvesse uma maior presen\u00e7a feminina no cen\u00e1rio musical como vemos hoje. Voc\u00ea acredita nessa afirma\u00e7\u00e3o? E, se sim, voc\u00ea sente algum peso em ser uma refer\u00eancia por gera\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEu acredito que sim, mas acho que fa\u00e7o parte de um movimento que vem rolando. Pensando em quando lancei meu primeiro disco era realmente um neg\u00f3cio bem ex\u00f3tico ter uma roqueira e ainda por cima baiana \u2013 vai vendo! \u2013 toda pelo avesso, a bichinha. (risos) Mas as coisas foram mudando, os debates e a lutas sobre direitos das mulheres foram se intensificando, ganhando for\u00e7a e complexidade. E isso tem por maravilhosa consequ\u00eancia mais representatividade. H\u00e1 que se continuar, pois a balan\u00e7a ainda n\u00e3o est\u00e1 equilibrada&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Num Brasil cada vez mais dividido voc\u00ea acredita que suas can\u00e7\u00f5es e a sua postura podem contribuir para um debate franco sobre pautas que est\u00e3o em voga na atualidade?<\/strong><br \/>\nPoxa, espero humildemente que sim. Estamos a\u00ed pra somar, pra contribuir, pra aprender. Eu adoro trocar. \u00c0s vezes eu penso que mais que cantora\/ compositora, eu sou mesmo \u00e9 uma comunicadora. Esse lance de ter uma web Tv na Switch tem me mostrado muito isso tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 tr\u00eas temporadas voc\u00ea apresenta o &#8220;Saia Justa&#8221; junto a Astrid Fontenelle, M\u00f4nica Martelli e a Gaby Amarantos. No programa voc\u00eas discutem temas variados e que s\u00e3o pertinentes a contemporaneidade. O qu\u00e3o libertador \u00e9 poder falar semanalmente, de forma aberta, sobre temas que s\u00e3o tidos como tabus para uma boa parcela da sociedade?<\/strong><br \/>\n\u00c9 maravilhoso, enriquecedor porque aprendo muito a cada semana. E libertador por poder expor ideias, refletir, discordar tamb\u00e9m. Rapaz, eu estava pensando outro dia que boca eu j\u00e1 tinha, s\u00f3 me faltava o trombone! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um pergunta que sempre fa\u00e7o neste per\u00edodo \u00e9 que pandemia tem sido um per\u00edodo de grande reflex\u00e3o em v\u00e1rias esferas da sociedade. A classe art\u00edstica, por sua vez, tem sofrido arduamente devido a impossibilidade de realizar apresenta\u00e7\u00f5es que, geralmente, s\u00e3o a principal fonte de renda. As lives (patrocinadas ou n\u00e3o), via Instagram ou Twitch, tem surgido com uma alternativa para os artistas manterem contato com o p\u00fablico. Voc\u00ea acredita que este formato veio pra ficar, mesmo ap\u00f3s a pandemia? Qual seria o futuro da m\u00fasica daqui pra frente?<\/strong><br \/>\nPense numa pergunta dif\u00edcil, meu amigo. Tem hora que eu acho que geral vai dar uma saturada desse lance digital. Que quando a pandemia passar a gente vai sair na rua abra\u00e7ando todo mundo feito doido, dando mosh em show, o escambau. E \u00e0s vezes eu penso que isso vai demorar a be\u00e7a e que as pessoas v\u00e3o passar por um per\u00edodo de ficar meio cabreiro de gente tamb\u00e9m. Sabe? Um medo, um descostume desse tro\u00e7o de se encontrar. De qualquer jeito, essas alternativas digitais que a gente tem agora para acesso \u00e0 arte, cultura, entretenimento, s\u00e3o fant\u00e1sticas. Est\u00e3o salvando o rol\u00ea, mesmo. E acho que muito disso vai ficar, simplesmente porque a gente descobriu que tamb\u00e9m d\u00e1 pra fazer v\u00e1rias coisas em casa se quiser. Muitos tipos de trabalho, entrevista, v\u00eddeos, ser\u00e1 que tamb\u00e9m a gente n\u00e3o rodava demais, gastava gasolina demais, polu\u00eda demais? Gastava tempo demais no tr\u00e2nsito? Acho que vai rolar repensar isso tudo. Mas: nada, e em caps pra valorizar, NADA substitui a experi\u00eancia de um show ao vivo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pitty - Submersa (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/s3a01G-xurI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pitty - Ningu\u00e9m \u00e9 de Ningu\u00e9m (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G8AVHnq0gz4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pitty - Noite Inteira (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DbIRvTW2PFA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0\u00a0\u00e9 redator\/colunista\u00a0do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.opoderosoresumao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Poder do Resum\u00e3o<\/a>. Escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nesta conversa com o Scream &#038; Yell, Pitty fala sobre inquietude art\u00edstica, o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cVideo Trackz\u201d, o retorno \u00e0s ra\u00edzes de \u201cMatriz\u201d, m\u00fasica e politiza\u00e7\u00e3o, o exerc\u00edcio da maternidade, exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, a parceria com a gravadora Deck e muito mais!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/13\/entrevista-pitty-nada-substitui-a-experiencia-de-um-show-ao-vivo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":56716,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1009],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56715"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56715"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56717,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56715\/revisions\/56717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56716"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}