{"id":56645,"date":"2020-07-07T03:17:03","date_gmt":"2020-07-07T06:17:03","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56645"},"modified":"2023-12-11T15:07:43","modified_gmt":"2023-12-11T18:07:43","slug":"especial-ringo-starr-80-anos-por-joao-barone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-joao-barone\/","title":{"rendered":"Especial: Ringo Starr 80 anos, por Jo\u00e3o Barone"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Richard Starkey nasceu em Liverpool em 07 de julho de 1940. Cresceu enfrentando v\u00e1rias doen\u00e7as que o deixaram anos hospitalizado, isso em um per\u00edodo de conflito b\u00e9lico mundial, em uma cidade sendo bombardeada. Ainda assim, Ringo perseverou e se tornou algu\u00e9m que ajudou a construir o Rock and Roll como uma express\u00e3o cultural do s\u00e9culo XX. Hoje, Ringo chega aos 80 e, sim, continua por aqui, lan\u00e7ando discos e tocando sua bateria. Ainda bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ringo entrou nos Beatles em 14 de agosto de 1960 e logo conquistou seu espa\u00e7o na banda utilizando o que tanto Jo\u00e3o Barone (Paralamas do Sucesso) quanto Charles Gavin (ex-Tit\u00e3s) reconhecem como um jeito bastante pessoal de tocar bateria, sem ser espalhafatoso (como muitos bateristas da \u00e9poca), trabalhando para a can\u00e7\u00e3o, para a banda. &#8220;Ele tem uma energia tremenda e sempre nos ajudou a acertar o ritmo certo para uma m\u00fasica e deu esse apoio \u2013 essa batida s\u00f3lida \u2013 que tornou a grava\u00e7\u00e3o de todas as m\u00fasicas dos Beatles muito mais f\u00e1cil&#8221;, observou certa vez o produtor George Martin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Jo\u00e3o Barone, que come\u00e7ou a ouvir os Beatles atrav\u00e9s dos irm\u00e3os mais velhos, e precisou comprar toda a cole\u00e7\u00e3o dos Fab Four quando eles sa\u00edram de casa levando seus vinis, Ringo Starr era seu beatle favorito. \u201cEle era o cara que mais parecia que estava se divertindo ali. De todo mundo, ele parecia o que mais se divertia (risos)\u201d, observa Barone. \u201cRingo sempre foi uma refer\u00eancia como baterista de banda de rock que tinha para mim essa import\u00e2ncia, essa primazia. Porque dava sempre essa impress\u00e3o de que ele foi um pioneiro nisso tudo. Um cara que estava mostrando para todo mundo como era legal tocar bateria\u201d, completa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais importante ainda, pontua Jo\u00e3o Barone na conversa abaixo, \u201cquando o Ringo entrou para a banda, os Beatles deram certo. Come\u00e7aram a ganhar a reputa\u00e7\u00e3o deles. Porque foi a partir desse momento que a banda se projetou para virar o fen\u00f4meno que eles viraram. E isso s\u00f3 atesta a sua import\u00e2ncia. Porque, muitas vezes, j\u00e1 tem outros casos de bandas que acabaram porque o baterista saiu, ou perderam a import\u00e2ncia porque entrou outro no lugar. E o Ringo foi aquele cara que teve esse papel important\u00edssimo na amalgama do fen\u00f4meno beatle\u201d. Em comemora\u00e7\u00e3o aos 80 anos de Ringo Starr, Jo\u00e3o Barone fala sobre seu legado e influ\u00eancia no rock!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M -&gt; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-charles-gavin\/\">ESPECIAL: RINGO STARR 80 ANOS, POR CHARLES GAVIN<\/a><\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_56647\" aria-describedby=\"caption-attachment-56647\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56647 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/joaobarone.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/joaobarone.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/joaobarone-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56647\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jo\u00e3o Barone, baterista d&#8217;Os Paralamas do Sucesso<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro de ler no livreto que acompanha a lata \u201cP\u00f3lvora\u201d, lan\u00e7ada nos anos 1990 com a discografia at\u00e9 ent\u00e3o dos Paralamas do Sucesso, um belo texto da Ana Maria Bahiana no qual, em certo momento, ela cita como um show da banda semente dos Paralamas (ainda com Vital na bateria) \u201cencheu os olhos e ouvidos de um Jo\u00e3o Barone cuja banda tinha uma certa predile\u00e7\u00e3o obsessiva pelos Beatles\u201d. Voc\u00ea poderia falar um pouco desse come\u00e7o de sua rela\u00e7\u00e3o com a banda e com Ringo?<\/strong><br \/>\nPois \u00e9, isso realmente \u00e9 parte dessa minha narrativa. Eu, enquanto filho mais novo de uma fam\u00edlia com quatro irm\u00e3os, eu ouvia muita m\u00fasica j\u00e1 na minha inf\u00e2ncia. O meu pai gostava muito de Jazz, de Big Bands, de m\u00fasica brasileira da \u00e9poca. E os meus irm\u00e3os j\u00e1 foram para o lado do Rock. Ouviram muito Rock. Principalmente Beatles nessa primeira fase. E isso foi determinante na minha forma\u00e7\u00e3o. Ouvindo m\u00fasicas de muitas fontes. Mas os Beatles tinham uma import\u00e2ncia muito grande porque era uma unanimidade. Era um neg\u00f3cio obrigat\u00f3rio no meio dos anos 1960. Aqui no Brasil, chegava tudo com certo atraso, mas me lembro dos meus irm\u00e3os chegando em casa com compactos dos Beatles, com os \u00e1lbuns, os LPs e tudo o mais. E quando eles foram embora de casa, levaram os discos com eles (risos). Fui obrigado a usar minha mesada, depois, para comprar os LPs dos Beatles na \u00e9poca em que relan\u00e7aram a discografia oficial, no meio dos anos 1970. Foi quando a discografia inglesa foi lan\u00e7ada oficialmente no Brasil, e eu fui comprando todos os \u00e1lbuns novamente. Eu tinha um encantamento muito grande pelo Ringo e pela bateria. O Ringo era o meu beatle favorito. Ele era o cara que mais parecia que estava se divertindo ali. De todo mundo, ele parecia o que mais se divertia (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Aquela sinergia de Ringo acompanhado por seu carisma eram elementos que atra\u00edram muitos jovens para o instrumento.<\/strong><br \/>\nSim. A bateria tem um apelo muito forte para a crian\u00e7ada. Porque \u00e9 um instrumento muito l\u00fadico. \u00c9 um instrumento que d\u00e1 a impress\u00e3o de que voc\u00ea n\u00e3o precisa ter aquele aprendizado formal para fazer alguma coisa, que nem \u00e9 com o viol\u00e3o ou a guitarra, o piano, o violino (risos). A\u00ed vem todo aquele cabedal de piadas sobre o baterista ser um cara que anda com m\u00fasicos (risos). Eu, desde sempre, gostei muito de bateria, e o Ringo sempre foi um cara que me despertou esse interesse ing\u00eanuo com a m\u00fasica. Eu tenho uma pr\u00e9-hist\u00f3ria antes de virar baterista dos Paralamas, porque eu gostava muito de bateria. Sempre gostei. Isso ficava claro nas conversas de recreio (risos), nas horas em que a gente estava falando sobre m\u00fasica durante o jogo de futebol. E meus amigos, naquela \u00e9poca, estavam come\u00e7ando a aprender a tocar viol\u00e3o com professor. E a\u00ed viraram aquelas brincadeiras: \u201cAh, quando a gente for formar uma banda, vamos te chamar para ser o baterista\u201d. Porque eu j\u00e1 falava muito que gostava de bateria, mas nem tinha uma. E nessa pr\u00e9-hist\u00f3ria dos Paralamas, eu acabei tendo uma experi\u00eancia muito explicita com tocar o instrumento. Porque o pai de um amigo meu arranjou uma bateria velha, e eu fiquei incumbido de restaurar a bateria para a gente poder tocar e ensaiar na nossa pretensa banda de rock. Quando vi, eu estava tocando bateria com os amigos. Tinha um baterista de uma banda de baile no meu bairro que foi o meu primeiro professor. Primeiro e \u00fanico professor de bateria. As aulas, vamos dizer, n\u00e3o eram nada mais do que voc\u00ea ficar tirando m\u00fasicas em um toca-discos. Esse toca-discos do professor tinha uma velocidade reduzida na rota\u00e7\u00e3o, para voc\u00ea tocar devagar e depois tocar na velocidade normal, acompanhando o disco. Nessa, muitas m\u00fasicas dos Beatles serviram de aula. Antes de eu ter a bateria, eu me lembro que tocava em almofadas. Tocava com baquetas de bambu que eu fazia. Ficava acompanhando os discos tocando em almofadas. E o Ringo sempre foi uma refer\u00eancia como baterista de banda de rock que tinha para mim essa import\u00e2ncia, essa primazia. Porque dava sempre essa impress\u00e3o de que ele foi um pioneiro nisso tudo. Um cara que estava mostrando para todo mundo como era legal tocar bateria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Ele conseguia unir aquela t\u00e9cnica pioneira a uma empatia genu\u00edna com o p\u00fablico e com o instrumento.<\/strong><br \/>\nH\u00e1 outra hist\u00f3ria que eu costumo reputar ao Ringo. Acho que a gente est\u00e1 saltando v\u00e1rias perguntas que voc\u00ea pretendia fazer (risos), mas a empolga\u00e7\u00e3o em falar do Ringo \u00e9 grande. Tem uma coisa que eu sempre falo sobre ele e que mostra a sua import\u00e2ncia dentro do contexto dos Beatles. Quando o Ringo entrou para a banda, os Beatles deram certo. Os Beatles come\u00e7aram a ganhar a reputa\u00e7\u00e3o deles. Porque foi a partir do momento que ele entrou que a banda se projetou para virar o fen\u00f4meno que eles viraram. E isso s\u00f3 atesta a sua import\u00e2ncia. Porque, muitas vezes, j\u00e1 tem outros casos de bandas que acabaram porque o baterista saiu, ou perderam a import\u00e2ncia porque entrou outro baterista no lugar. E o Ringo foi aquele cara que teve esse papel important\u00edssimo na amalgama do fen\u00f4meno beatle. Saltando um pouco algumas d\u00e9cadas, essa minha impress\u00e3o do Ringo ficou comprovada quando eu li o livro sobre bateria (N.E. \u2013 \u201cThe Big Beat: Conversations with Rock&#8217;s Greatest Drummers\u201d) do Max Weinberg, que \u00e9 o baterista do Bruce Springsteen. Ele escreveu esse livro nos anos 1980 falando sobre o instrumento e os seus mais amplos aspectos. E ele conta uma hist\u00f3ria muito interessante sobre o Ringo e da import\u00e2ncia dele. Porque existe uma pol\u00eamica que as pessoas repetem de que o Ringo era &#8220;o cara mais sortudo do mundo porque ele entrou para os Beatles&#8221; e &#8220;ele nem era esse baterista todo, pois tinha outros bateristas muito mais espalhafatosos do que ele e o caramba&#8221;. Mas, o Max Weinberg escreveu no livro dele um aspecto que pouca gente tinha prestado aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 aquele momento que foi o seguinte: o dia que os Beatles apareceram na TV dos EUA, naquele fevereiro de 1964. Aquilo foi alguns meses depois do assassinato do Kennedy. Naquele dia, o Ringo apareceu com os Beatles no programa do Ed Sullivan e, no dia seguinte, foram vendidas todas as baterias que tinham nas lojas de instrumentos dos EUA. Ou seja, ele foi um dos caras que ajudou a popularizar o instrumento como poucos bateristas at\u00e9 ent\u00e3o tinham feito. Ele tem essa import\u00e2ncia. Eu acho que esses dois epis\u00f3dios marcam profundamente a import\u00e2ncia dele dentro da forma\u00e7\u00e3o dos Beatles.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56651\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/drums.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/drums.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/drums-300x204.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 no\u00e7\u00f5es de tempo precisas na t\u00e9cnica de Ringo que permitiram a John, Paul e George uma consist\u00eancia exata no resultado final de suas composi\u00e7\u00f5es. Imaginar os Beatles sem tal precis\u00e3o \u00e9 imagin\u00e1-los sem suas principais can\u00e7\u00f5es pilares.<\/strong><br \/>\nSim. Um dos grandes atributos do Ringo era essa no\u00e7\u00e3o de tempo muito s\u00f3lida. E ele era um cara que, talvez, exemplificasse melhor, durante toda a trajet\u00f3ria dos Beatles, a ideia de pensar na m\u00fasica mais do que qualquer coisa. Ele estava ali para somar. Ele estava ali para complementar. E acho que isso, por si s\u00f3, explica muita coisa de como ele era importante nesse contexto. Porque, se n\u00e3o tivesse o Ringo, n\u00e3o teria Beatles. Acho que a gente pode simplificar isso sem medo. Porque n\u00e3o haveria nada parecido se tivesse um baterista de personalidade diferente no lugar do Ringo. N\u00e3o tem como voc\u00ea botar, por exemplo, o batera do Jimmy Hendrix, o Mitch Mitchel, no lugar do Ringo ou qualquer outro baterista. Esse lugar n\u00e3o existe. \u00c9 uma hip\u00f3tese totalmente fal\u00edvel. E acho que ele demonstrou ao longo das obras primas dos Beatles a sua capacidade de pensar em cada uma das m\u00fasicas. Em fazer com que as coisas funcionassem dentro dos somat\u00f3rios. Isso \u00e9 uma virtude. O m\u00fasico em si tem uma ideia musical de quando ele est\u00e1 construindo. Ele tem uma percep\u00e7\u00e3o musical do que ele est\u00e1 ouvindo. Mas o p\u00fablico em geral n\u00e3o tem muito isso. Uma pessoa que tem uma certa instru\u00e7\u00e3o, uma certa refer\u00eancia musical, \u00e9 capaz de entender a m\u00fasica pelo seu somat\u00f3rio. Cada uma das partes, se voc\u00ea for desmembrar, voc\u00ea vai ter determinadas sensa\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es. Mas o p\u00fablico em geral fica meio sujeito a uma vis\u00e3o mais superficial da m\u00fasica, do efeito causador. Ent\u00e3o, muitas vezes equivocadamente, as pessoas s\u00e3o levadas a achar que Ringo era um baterista limitado. E talvez, ele realmente tivesse algumas limita\u00e7\u00f5es, afinal, todos n\u00f3s temos as nossas limita\u00e7\u00f5es. Mas, no caso dele, ele trabalhava muito bem as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. Ele n\u00e3o era um cara que gostava de solar, ele n\u00e3o era um cara muito espalhafatoso. Mas teve momentos em que ele foi espalhafatoso. Principalmente nos primeiros dois \u00e1lbuns dos Beatles. Principalmente o \u201cWith The Beatles\u201d, voc\u00ea v\u00ea como a bateria tem um poder ali na coisa das levadas, da import\u00e2ncia do ritmo. Algo exacerbado ali. Em algumas horas, o Ringo, n\u00e3o tem muitas viradas, mas voc\u00ea v\u00ea que ele est\u00e1 tocando com um contratempo aberto, que \u00e9 um efeito de dar uma esp\u00e9cie de uma tela, uma esp\u00e9cie de uma cortina para todo mundo aparecer na frente. O contratempo aberto d\u00e1 aquela sensa\u00e7\u00e3o de preenchimento da m\u00fasica. E, ao mesmo tempo, certa agressividade. E eu acho que o Ringo fez esse papel magistralmente. Para a nossa sorte, eu acho que a grande parte do p\u00fablico reconhece isso do Ringo, dentro do contexto dos Beatles. E tem um ou outro que acaba querendo aparecer mais ao afirmar que o Ringo era um cara med\u00edocre. Sempre vai haver um hater. Ao longo desses anos, sempre houve, mas, hoje em dia, est\u00e1 mais identific\u00e1vel a imagem do hater por conta das m\u00eddias sociais, mas eu acho que \u00e9 um equ\u00edvoco voc\u00ea menosprezar o trabalho do Ringo, e \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de falta de entendimento. \u00c9 uma certa ignor\u00e2ncia minimizar a import\u00e2ncia dele dentro do contexto dos Beatles. Mesmo tendo caras geniais como eram Lennon. McCartney e o Harrison. Mas o Ringo teve o seu trunfo todo a\u00ed durante o fen\u00f4meno beatle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As inova\u00e7\u00f5es que ele trouxe naquele momento do come\u00e7o dos anos 1960, influenciaram diversos outros m\u00fasicos. A sua pegada diferente nas baquetas, que seguiam uma forma alternativa ao \u201ctraditional grip\u201d do Jazz, \u00e9 um exemplo.<\/strong><br \/>\nVoc\u00ea falou algo a\u00ed que muita gente n\u00e3o se atenta, que \u00e9 o fato dele usar uma pegada que se tornou uma pegada do rock na bateria. A maneira de segurar as baquetas. Todo mundo segurava como se fosse o jazzista, que \u00e9 o grip tradicional. Pegada tradicional na m\u00e3o esquerda, com a baqueta entre o polegar e o indicador ali no apoio dos dedos e tal. Ent\u00e3o, o Ringo, realmente, tem um monte de atributos que a gente pode sintetizar muito bem, como voc\u00ea falou, que a bateria se divide em dois momentos. Antes e depois do Ringo. Mesmo que a gente respeite a import\u00e2ncia da bateria no Jazz. O som da bateria vem do Jazz, mesmo, e de repente ela entrou de forma contundente no contexto da m\u00fasica jovem, da m\u00fasica pop, e do Rock, da inven\u00e7\u00e3o do Rock. A bateria disputa muito com a guitarra el\u00e9trica a primazia do Rock. E o Ringo est\u00e1 com esse peso, esse trunfo, a favor dele. Ele \u00e9 um cara que mostrou para todo mundo como era divertido tocar bateria, como era legal, e acabou, ao mesmo tempo, mostrando a import\u00e2ncia disso no contexto da m\u00fasica moderna. Tem outra s\u00edntese que a gente pode usar em favor dos bateristas que \u00e9 o seguinte: j\u00e1 que a gente \u00e9 t\u00e3o motivo de piada, a verdade \u00e0s vezes vem por outros canais. Tem uma m\u00e1xima no meio da m\u00fasica, do mundo pop principalmente, que diz o seguinte: se uma banda n\u00e3o tiver um baterista bom, ela n\u00e3o vai a lugar nenhum. Era uma m\u00e1xima falada durante muito tempo a partir dos anos 1960\/70 e reafirma a import\u00e2ncia do baterista em uma banda, em uma forma\u00e7\u00e3o. No momento em que a presen\u00e7a do baterista seja essencial, seja necess\u00e1ria. E \u00e9 do contexto. Mas \u00e9 uma afirma\u00e7\u00e3o que tem muito a ver com o papel do Ringo nos Beatles. Mesmo que ele n\u00e3o seja um cara que se deva comparar com os bateristas mais espalhafatosos, como a gente falou aqui, no caso do Keith Moon ou do John Bonham, mesmo porque eles s\u00e3o muito diferentes. O Ringo, mesmo assim, ele conseguia imprimir a personalidade dele no instrumento, ele tinha sonoridade, ele tinha estilo, ele tinha pegada.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"World&#039;s Great Drummers Salute Ringo Starr\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wJTjjAXDZSY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O fato dele, tamb\u00e9m, desde o in\u00edcio dos Beatles j\u00e1 ser um baterista que canta. Isso \u00e9 algo not\u00e1vel, tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nO Ringo era surpreendente. Como ele conseguia trazer um elemento surpresa para uma apresenta\u00e7\u00e3o dos Beatles. E n\u00e3o foram poucas m\u00fasicas que ele cantava. Nos sets, ele sempre tinha uma presen\u00e7a. Mas dentro dessa frequ\u00eancia dele cantando, foram muitas m\u00fasicas diferentes nas apresenta\u00e7\u00f5es na TV inglesa. Lembro de uma apresenta\u00e7\u00e3o dele com \u201cCan\u00b4t Take My Eyes of You\u201d, do Frank Valli. Ele realmente chamava para si, mesmo. Acho que a m\u00fasica dele \u00e9 \u201cBoys\u201d e, depois, \u201cI Wanna Be Your Man\u201d. Quando ele aparece naquele disco ao vivo do Hollywood Bowl, a galera vem abaixo (risos). Dizem que o Ringo recebia mais cartas do que o Paul e o John, dos f\u00e3s. \u00c9 uma hist\u00f3ria meio curiosa, n\u00e3o sei se ele estava fazendo o marketing dele, mas dizem que ele recebia mais cartas do que os outros tr\u00eas beatles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curioso observar o contexto em que Ringo viveu, como uma garoto que cresceu passando por diversas doen\u00e7as que o deixaram anos hospitalizado. Os cinco primeiros anos de vida bem no meio de um conflito b\u00e9lico mundial, em uma cidade como Liverpool, sendo bombardeada. E, ainda assim, perseverar e se tornar algu\u00e9m que ajudou a construir o Rock and Roll como uma express\u00e3o cultural do s\u00e9culo XX.<\/strong><br \/>\nEu tenho uma teoria meio louca que diz que o Rock \u00e9 filho da Segunda Guerra Mundial. Porque gosto dos dois assuntos t\u00e3o intensamente que, \u00e0s vezes, tento fazer algum tipo de correla\u00e7\u00e3o entre eles. Existem alguns aspectos que explicam o Rock como uma decorr\u00eancia do que o mundo se transformou depois da Segunda Guerra Mundial. E a gente sabe que, na Europa, que j\u00e1 sofreu muitas guerras, as pessoas t\u00eam uma mentalidade muito diferente da nossa. Porque, l\u00e1, as pessoas t\u00eam que guardar comida para o inverno, os dias de ver\u00e3o s\u00e3o tr\u00eas ou quatro durante a esta\u00e7\u00e3o invernal. Ent\u00e3o, eles t\u00eam uma vis\u00e3o do mundo muito mais austera do que a gente. Os momentos onde acontece uma coisa mais esfuziante, assim como foi o nascimento do Rock, eles s\u00e3o muito profundos. Porque eles colocam todo mundo que tem essa mentalidade muito severa, como a gente v\u00ea na sociedade europ\u00e9ia e tudo, como algo que vem para iluminar muito as vidas das pessoas. E eu acho que essa minha teoria pode ter algum sentido, porque a gente entende as terr\u00edveis situa\u00e7\u00f5es pelas quais as pessoas passaram durante a Segunda Guerra Mundial, e logo as sequ\u00eancias disso tudo na reconstru\u00e7\u00e3o da sociedade, das cidades, da vida. Dos avan\u00e7os, das beneficies que vieram por conta dessa necessidade de reconstru\u00e7\u00e3o, de retomada da vida das pessoas depois de tantos percal\u00e7os. E eu acho que a gente sabe, tamb\u00e9m, das dificuldades que o John teve na fam\u00edlia. O Paul perdeu a m\u00e3e muito cedo. George teve uma vida familiar muito menos traum\u00e1tica do que o John e o Ringo, por exemplo. E isso tudo refletiu enormemente na persona de cada um deles. Na maneira de ver o mundo, na maneira de reagir \u00e0s coisas. Os Beatles s\u00e3o um retrato de um momento impar na Hist\u00f3ria. Quando o rock estava virando uma linguagem comum para toda aquela juventude ali que, pela primeira vez na Hist\u00f3ria, n\u00e3o estava indo para uma guerra. Uma guerra mundial, no caso. A gente viu outros conflitos regionais aconteceram. Vietnam, por exemplo. Mas, teve uma gera\u00e7\u00e3o ali, no pessoal do p\u00f3s-guerra, que, pela primeira vez em muitos anos ali, naquela hora do s\u00e9culo XX, n\u00e3o foi necessariamente jogada em uma guerra. N\u00e3o teve que pegar em um fuzil. E eu acho que os Beatles tinham essa import\u00e2ncia, mesmo. Por tudo que eles simbolizaram naquele momento e todas as diferen\u00e7as pelas quais eles passaram nesse curto espa\u00e7o a\u00ed.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56650\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/redandblue.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"664\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/redandblue.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/redandblue-300x266.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Em apenas oito anos, entre 1962, com a grava\u00e7\u00e3o do \u201cPlease Please Me\u201d. e 1970, com o lan\u00e7amento do \u201cLet it Be\u201d, as mudan\u00e7as que eles trouxeram para um espa\u00e7o de tempo t\u00e3o curto \u00e9 algo que impressiona.<\/strong><br \/>\nHoje em dia a gente acha que \u00e9 curto, mas, na \u00e9poca, parecia que o tempo ainda n\u00e3o era t\u00e3o r\u00e1pido como hoje (risos). Aquelas duas colet\u00e2neas, \u201cAzul\u201d e \u2018Vermelha\u201d, por exemplo, em que eles aparecem fazendo uma foto no mesmo lugar em que fizeram a foto do \u201cPlease Please Me\u201d, define bem. Eles sa\u00edram daquela peruquinha, daquele cabelinho, para os cabeludos dos anos 1968, 1969. Ent\u00e3o, eles sa\u00edram dos terninhos para as roupas psicod\u00e9licas. E isso atribui essa vis\u00e3o que eles tinham \u00e0 din\u00e2mica que eles buscavam na composi\u00e7\u00e3o, na coisa musical. Ela evoluiu enormemente de um disco para o outro. Eles realmente foram muito ousados, foram muito criativos nessa trajet\u00f3ria que, a gente olhando hoje, parece que foi muito curta, muito ef\u00eamera, mas, na \u00e9poca, representava muita ousadia, muita for\u00e7a e criatividade. E \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o. A gente est\u00e1 at\u00e9 hoje aqui falando de Beatles. E parece muito \u00f3bvio falar dos Beatles, da import\u00e2ncia que eles t\u00eam dentro dessa li\u00e7\u00e3o de criatividade musical que eles deram. E eu mesmo lembro assim, eu era um beatleman\u00edaco daqueles que sabia tudo. Datas e lugares do que eles estavam fazendo. Depois vieram muitos outros livros que entregavam isso para muita gente, essas coisas de &#8220;o que os Beatles estavam fazendo nessa data em 1967?&#8221; (risos) Eu era um desses. Hoje, para a nossa sorte, temos a internet. Qualquer coisa a gente vai l\u00e1 e olha. Mas eu era um daqueles que podia ir em um programa de perguntas e respostas sobre a vida dos Beatles. Mas, aos poucos, eu fui deixando isso um pouco de lado. At\u00e9 teve uma vez em que eu discuti com o Renato Russo. Ele n\u00e3o se lembrava a data. Ele achava que o anivers\u00e1rio do Ringo era em um dia, e eu corrigia, &#8220;n\u00e3o, Renato, \u00e9 no dia 07 de julho.&#8221; A\u00ed ele disse: &#8220;Ah, eu acho que n\u00e3o&#8221;. A\u00ed ele pegou um livro, a gente estava na casa do Dado, e a\u00ed ele falou: &#8220;Ih, Jo\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 certo. \u00c9 no dia 07 de Julho, mesmo.&#8221; Isso \u00e9 algo que eu me orgulho (risos). Corrigi o Renato Russo quanto ao anivers\u00e1rio do Ringo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Eu tenho uma identifica\u00e7\u00e3o de vida muito forte com os Beatles nesse sentido de relacionar os momentos da minha trajet\u00f3ria com algo ligado a eles. Ainda n\u00e3o era nascido quando John foi assassinado, mas lembro-me como se fosse ontem daquele 29 de novembro de 2001, quando George sucumbiu ao c\u00e2ncer.<\/strong><br \/>\nSim. Teve esse trauma muito forte com a perda do John. Eu me lembro que eu larguei a m\u00e3o, assim. &#8220;N\u00e3o, p\u00f4, todo esse amor, toda essa entrega, essa paix\u00e3o, e, de repente, chegar nesse momento t\u00e3o triste, t\u00e3o sombrio?&#8221; Ent\u00e3o, passei muito tempo meio que com uma esp\u00e9cie de um luto muito grande. Isso, tamb\u00e9m, serviu um pouco para eu olhar para outras coisas, porque acabei descobrindo o Police, tamb\u00e9m (risos). E acho que era uma necessidade de ir atr\u00e1s de outras coisas, tamb\u00e9m musicalmente interessantes e abrir um pouco mais o espectro musical. Mas, a\u00ed, quando voc\u00ea v\u00ea, voc\u00ea lembra dessa import\u00e2ncia toda, desse peso espec\u00edfico todo. O conjunto da obra dos Beatles \u00e9 um neg\u00f3cio que todo mundo precisa reconhecer. E sobre o George, eu tamb\u00e9m lamentei muito essa maneira precoce como ele partiu. Mas ao menos foi uma coisa mais aceit\u00e1vel, do que uma morte est\u00fapida como foi a do John. Realmente, n\u00e3o deixa de ser terr\u00edvel quando algu\u00e9m que a gente preza tanto e que a gente acompanhou a vida inteira, de repente n\u00e3o est\u00e1 mais. \u00c9 fogo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea conseguiria elencar as can\u00e7\u00f5es dos Beatles cuja presen\u00e7a de Ringo mais te marcou?<\/strong><br \/>\n\u00c0s vezes eu tento e n\u00e3o consigo (risos) fazer essas listas. Mas tem uma m\u00fasica dos Beatles que eu gosto muito que o Ringo toca maravilhosamente bem que \u00e9 a faixa \u201cBirthday\u201d, do \u201c\u00c1lbum Branco\u201d. Eu adoro essa m\u00fasica. \u201cBirthday\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que eu me lembro que era uma das que eu ficava tocando em travesseiro. (risos) Nela, ele est\u00e1 matando a pau. E tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00fasica que \u00e9 uma s\u00edntese do Rock and Roll. Super legal. Um riff de guitarra e uma bateria pujante. Gosto muito dessa m\u00fasica. Em \u201cHere Comes The Sun\u201d ele t\u00e1 bem pra caramba. Ele j\u00e1 contou como foi complicado para ele fazer aquela m\u00fasica com os diferentes tempos que ela tem. S\u00e3o algumas das p\u00e9rolas do Ringo. Eu gosto muito da maneira como ele parecia que estava tocando bolero em \u201dP.S. I love You\u201d. Muito interessante a maneira meio latina como ele a toca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Birthday (2018 Mix)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UeOHAzjxLhk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Birthday (Take 2 \/ Instrumental Backing Track)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NCWIo4RVGLQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Beatles - Here Comes The Sun (2019 Mix)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KQetemT1sWc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"P.S. I Love You (Remastered 2009)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MA5DkiVKSlM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e com o Scream &amp; Yell desde 2005<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M -&gt; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-charles-gavin\/\">ESPECIAL: RINGO STARR 80 ANOS, POR CHARLES GAVIN<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cQuando o Ringo entrou para a banda, os Beatles deram certo. Come\u00e7aram a ganhar a reputa\u00e7\u00e3o deles. Porque foi a partir desse momento que a banda se projetou para virar o fen\u00f4meno que eles viraram. E isso s\u00f3 atesta a sua import\u00e2ncia&#8221;, opina Jo\u00e3o Barone nos 80 anos de Ringo Starr.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/07\/especial-ringo-starr-80-anos-por-joao-barone\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":56649,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4538,4274,1521],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56645"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56645"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78554,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56645\/revisions\/78554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}