{"id":56558,"date":"2020-06-29T13:00:01","date_gmt":"2020-06-29T16:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56558"},"modified":"2020-07-27T01:06:46","modified_gmt":"2020-07-27T04:06:46","slug":"entrevista-ana-frango-eletrico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/29\/entrevista-ana-frango-eletrico\/","title":{"rendered":"Entrevista: Ana Frango El\u00e9trico"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O encontro estava agendado para as 22 horas de Lisboa (18 horas no Rio de Janeiro), numa quarta-feira do m\u00eas de Junho. Alguns minutos depois da hora marcada, inicio a entrevista com <a href=\"https:\/\/anafrangoeletrico.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ana Frango El\u00e9trico<\/a>, por skype, contemplando diversos aspectos da sua carreira. No di\u00e1logo evidencia-se uma cantora e compositora expansiva, apaixonada por seu trabalho e pelas refer\u00eancias art\u00edsticas que integram o seu imagin\u00e1rio. Das suas palavras, resultam a cren\u00e7a de que o confinamento pode estimular a criatividade e alguma apreens\u00e3o pelo momento conturbado que o Brasil est\u00e1 passando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos tra\u00e7os caracter\u00edsticos de Ana Frango El\u00e9trico \u00e9 o grau fantasioso e on\u00edrico das letras das can\u00e7\u00f5es, cujo impacto \u00e9 amplificado musicamente por um cruzamento sonoro refrescante, acompanhado de repeti\u00e7\u00f5es fr\u00e1sicas. \u201cNa maioria das letras eu estou na posi\u00e7\u00e3o de observadora, no entanto, atualmente, sinto que o meu m\u00e9todo mudou para algo pessoal e \u00edntimo, ficando mais atrelado \u00e0 m\u00fasica\u201d, conta-me, enquanto destaca o seu apego ao modo instrumental, abrindo espa\u00e7o para parcerias l\u00edricas e variados est\u00edmulos criativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um 2019 que lhe rendeu muito reconhecimento (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/10\/apca-elege-os-melhores-de-2019-em-10-categorias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pr\u00eamio da APCA<\/a> e presen\u00e7a com um dos grandes discos do ano <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/18\/melhores-discos-nacionais-2019\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na vota\u00e7\u00e3o do Scream &amp; Yell<\/a>), de uma forma espont\u00e2nea, Ana Frango El\u00e9trico revela-me que j\u00e1 est\u00e1 trabalhando em novo material e que, igualmente, estava muito animada com a perspectiva de se apresentar <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em Portugal<\/a> (o show que ocorreria em 13 de Maio na sala lisboeta Musicbox foi cancelado devido \u00e0 pandemia), acrescentando que seria como se recome\u00e7asse a sua carreira. \u201cEu ia-me apresentar sozinha em Lisboa e fiz o mesmo no Rio quando n\u00e3o tinha p\u00fablico. Lembro-me que sentia um frio na barriga e vontade de conquistar coisas novas e julgo que iria suceder algo parecido em Portugal\u201d, conta, e conclui com uma promessa: \u201cFarei um show a\u00ed logo que seja poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do Rio de Janeiro para Lisboa, Ana Frango El\u00e9trico conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Frango Ele?trico - Little Electric Chicken Heart (Full album)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4ZN8z5AVlQI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi o momento em que voc\u00ea sentiu que pretendia fazer da m\u00fasica a sua profiss\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu tenho uma banda de col\u00e9gio, desde os meus 16 anos, que se chama <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/almoconubanda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Almo\u00e7o Nu<\/a>. Inicialmente, toc\u00e1vamos vers\u00f5es e depois (o repert\u00f3rio) se tornou autoral. Comecei a compor para esse grupo tanto sozinha como coletivamente. Depois fiz outras can\u00e7\u00f5es com uma pegada que eu n\u00e3o entendia ao certo. Quando sa\u00ed do col\u00e9gio, eu pretendia estudar artes pl\u00e1sticas e n\u00e3o queria fazer m\u00fasica. No ano em que entrei para a faculdade de Belas Artes, apresentei-me sozinha em lugares pequenos como Ana Frango El\u00e9trico, interpretando aquelas can\u00e7\u00f5es diferentes que n\u00e3o eram do Almo\u00e7o Nu e para as quais usei esse alter-ego. A partir desse momento as coisas foram avan\u00e7ando, larguei a faculdade e comecei a tocar bastante. No final da semana existiam sempre concertos, quando me chamavam eu ia, fosse numa cena underground do Rio de Janeiro ou em outros lugares. Gradualmente, criei o meu p\u00fablico, de porte m\u00e9dio, nas casas de shows. E reparei que os espet\u00e1culos ficavam lotados e o trabalho espalhou-se mais. Houve um momento na minha carreira em que eu seguia o fluxo (e ainda procedo assim), mas tive de pegar as r\u00e9deas no sentido de levar a s\u00e9rio aquilo que estava fazendo. Refiro-me ao fato das pessoas ganharem \u00e0 nossa custa e n\u00e3o estou falando que n\u00e3o devem receber. Mas, a dado momento, ficou desproporcional, porque todos lucravam menos eu e desgastou-me energeticamente e financeiramente. O meu hobby passou a ser uma ocupa\u00e7\u00e3o. Ao fim de muita atividade eu assumi o comando e o meu segundo disco, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/06\/tres-discos-tantao-e-os-fita-saskia-e-ana-frango-eletrico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Little Electric Chicken<\/a>\u201d (2019), fala bastante sobre isso e na necessidade de me profissionalizar dentro das minhas ambi\u00e7\u00f5es. Sinto que do primeiro \u00e1lbum para o atual me organizei mais. Pode ser loucura, mas pretendo expandir isso at\u00e9 no meu trabalho como pintora ou em outras quest\u00f5es gr\u00e1ficas que me rodeiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que \u00e9 que o seu projeto se chama Ana Frango El\u00e9trico?<\/strong><br \/>\nO meu sobrenome \u00e9 Ana Fainguelernt, que est\u00e1 ligado \u00e0 minha fam\u00edlia que veio da R\u00fassia. \u00c9 algo dif\u00edcil de pronunciar, porque tem muitas consoantes. A hist\u00f3ria \u00e9 longa, mas resulta de uma brincadeira po\u00e9tica com a palavra, o som e com a vontade de sair da quest\u00e3o patriarcal. Trata-se de uma forma de desvincula\u00e7\u00e3o do nome de batismo e de liga\u00e7\u00e3o a outras possibilidades de exist\u00eancia ou sexualidade; questionando se \u00e9 homem, mulher, bicho, etc. Quando era crian\u00e7a, brincavam comigo chamando-me Ana Esparguete e outros adjetivos, por isso escolhi o nome Ana Frango El\u00e9trico para controlar a brincadeira e automaticamente essa designa\u00e7\u00e3o encarna no meu la\u00e7o criativo, mas j\u00e1 n\u00e3o sou s\u00f3 eu. Sinto que o meu trabalho ainda est\u00e1 se processando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Yoko Ono \u00e9 uma das suas maiores refer\u00eancias art\u00edsticas. Nela, encontro um sentido provocat\u00f3rio e alguma estrid\u00eancia vocal que ressoam na sua m\u00fasica. S\u00e3o apenas estes os aspectos da sua admira\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nExistem mais raz\u00f5es. A irrever\u00eancia interessa-me. N\u00e3o que eu tenha que insultar toda a gente ou mostrar a minha bunda num show, mas a irrever\u00eancia faz parte de mim. Inclusivamente, questiono as coisas de que gosto, os artistas do passado e isso acontece por mais que eu ame isso tudo. Por essa raz\u00e3o, admiro muito a estrid\u00eancia e irrever\u00eancia da Yoko e, principalmente, as quest\u00f5es po\u00e9ticas dela agradam-me bastante. Al\u00e9m disso, destaco o aspecto da produ\u00e7\u00e3o sutil. Quando produzimos m\u00fasica n\u00e3o temos de falar s\u00f3 de frequ\u00eancia ou do microfone em que cantamos, devemos pensar na energia e na cor. Temos de nos saber comunicar com outros artif\u00edcios e eu sinto isso nela, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 t\u00e9cnica. Na m\u00fasica \u201cImagine\u201d, de John Lennon, est\u00e1 l\u00e1 a Yoko Ono, a can\u00e7\u00e3o \u00e9 ela. Julgo que a Yoko ficou muito associada a um \u2018peace and love\u2019 deitado na cama. Mas, o John entendeu e conseguiu traduzir a ideia que ela lhe apresentou: uma poesia libertadora, que cria possibilidades, desperta a imagina\u00e7\u00e3o e \u00e9 para todas as idades. O livro da Yoko (\u201cGrapefruit\u201d) est\u00e1 nesse contexto. Acho bonito quando a poesia e a m\u00fasica apresentam possibilidades de proposi\u00e7\u00f5es. Quando voc\u00ea escreve, fala ou prop\u00f5e, as pessoas que leem ou escutam sentem coisas, mas tamb\u00e9m pode trazer nostalgia ou lembran\u00e7as. Ela tem isso e a sua poesia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 surrealismo, tem engajamento e potencia, lugares onde queremos chegar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No \u00e1lbum de estreia, \u201c<a href=\"https:\/\/anafrangoeletrico.bandcamp.com\/album\/morma-o-queima\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Morma\u00e7o Queima<\/a>\u201d (2018), a Ana abordou o experimentalismo e a psicodelia por uma quest\u00e3o de gosto pessoal ou por sentir que essas sonoridades serviam melhor \u00e0s can\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nUm pouco dos dois. No \u201cMorma\u00e7o Queima\u201d, as can\u00e7\u00f5es reportavam aos meus 16 e 18 anos, comecei a grav\u00e1-las aos 18 e acabei por lan\u00e7\u00e1-las dois anos depois. Eu tocava sozinha, mas hoje em dia (tocando s\u00f3) fa\u00e7o isso de uma forma diferente de h\u00e1 quatro anos atr\u00e1s. Quando come\u00e7amos a produzir o \u201cMorma\u00e7o\u201d (o disco foi produzido por Ana Frango El\u00e9trico em parceria com Guilherme Lirio, Gustavo Benj\u00e3o, Marcelo Callado e Thiago Nassif), ficamos em d\u00favida se us\u00e1vamos click, se iriamos tocar ao vivo e foi dif\u00edcil tomar uma decis\u00e3o. Mas n\u00f3s escolhemos que a aposta era em mim e o que ditava a regra era que tocasse sozinha. Foi uma escolha ousada, porque talvez n\u00e3o valorizasse tanto as can\u00e7\u00f5es e outras coisas entrariam em jogo. Decidimos n\u00e3o usar click e a primeira coisa que gravamos foi voz e guitarra. Por isso, era o meu timbre e som de guitarra aos 18 anos e quando o disco foi lan\u00e7ado, j\u00e1 estava tocando de forma diferente. S\u00f3 de gravar o disco senti que a minha maneira de o registar tamb\u00e9m mudou. Eu era mais rebelde e perguntava-me: \u201cPorqu\u00ea click?\u201d, \u201cQue produ\u00e7\u00e3o musical \u00e9 essa em que a \u00faltima coisa que chega \u00e9 a voz da cantora cantando? N\u00e3o h\u00e1 voz no processo?\u2019. Nesse sentido, quisemos desvincular certos procedimentos f\u00e1licos e machistas, que s\u00e3o muito repetidos, e criamos um novo sistema em cima de mim. Foi uma experi\u00eancia. Houve coisas que funcionaram e continuo usando, enquanto outras nem por isso. Atualmente, n\u00e3o sou t\u00e3o subversiva, porque fiz algo surreal e psicod\u00e9lico e agora j\u00e1 posso explorar novas ideias. Mas o \u201cMorma\u00e7o\u201d foi um disco muito importante, abriu-me v\u00e1rias portas, aprendi bastante durante o processo e o meu ouvido mudou muito depois dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim, \u201cRoxo\u201d \u00e9 uma das melhores can\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fez. Gostaria de saber como foi a transposi\u00e7\u00e3o do conceito musical para o clipe.<\/strong><br \/>\nSinto que a faixa \u201cRoxo\u201d (mesmo tendo elementos que possam me incomodar um pouco), musicalmente ou como v\u00eddeo, foi onde consegui traduzir melhor a quest\u00e3o cinest\u00e9sica associada ao meu trabalho. Porque estou falando de uma cor da qual eu n\u00e3o menciono o nome durante toda a can\u00e7\u00e3o, apenas falo da mistura de magenta e azul (que resulta em roxo). Para al\u00e9m disso, estou abordando processos po\u00e9ticos, como agora e depois, em cima ou em baixo, e notar que enquanto estamos conversando tem algu\u00e9m transando no apartamento de cima. Todos esses paralelos s\u00e3o verdadeiros e n\u00e3o s\u00e3o inventados. As pinturas no clipe s\u00e3o minhas e acho que consegui retratar esse aspecto cinest\u00e9sico, porque estou falando de pintura, mas n\u00e3o s\u00f3 disso, uma vez que eu entro nos meus quadros e misturo as tintas. Consequentemente, \u00e9 algo que est\u00e1 em mim e representa a forma como eu sinto as coisas. Existe uma interliga\u00e7\u00e3o entre as cores, o gosto e a m\u00fasica e eu trabalho assim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Frango El\u00e9trico - Roxo (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BeMPAiZ3-Bw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do seu disco mais recente, \u201cLittle Electric Chicken\u201d (2019), retenho a boa conviv\u00eancia entre um pop exuberante (\u201cSe No Cinema\u201d) e uma soul tropical (\u201cChocolate\u201d), mas acima de tudo as suas interpreta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais classicistas. Concorda com esta leitura?<\/strong><br \/>\nConcordo! Esse disco \u00e9 classudo e doido ao mesmo tempo. Foi como eu pretendia. Quando digo que \u00e9 doido refiro-me \u00e0 circunst\u00e2ncia das estruturas n\u00e3o serem t\u00e3o cl\u00e1ssicas, alguns pormenores s\u00e3o menos \u00f3bvios e a po\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 tradicional. Sinto que o trabalho \u00e9 quase um sample de classe, mas com outros aspectos. Houve duas imagens que me nortearam no processo do \u00e1lbum, uma delas resultou do trecho de um poeta revolucion\u00e1rio russo que gosto muito, Vladimir Maiakovski: \u201cA todas voc\u00eas, que eu amei e que eu amo, \u00edcones guardados num cora\u00e7\u00e3o-caverna\u2026\u201d. Acho que esse excerto \u00e9 sobre o \u201cLittle Electric Chicken\u201d e isso despertou a minha imagina\u00e7\u00e3o. Nele, est\u00e3o presentes os meus afetos amorosos, familiares, lembran\u00e7as e nostalgias. O poema orientou bastante e houve outra imagem decisiva, o churrasco num antiqu\u00e1rio. Eu sinto que \u00e9 como se eu entrasse num brech\u00f3 (loja vintage) e fizesse um churrasco de calcinha e suti\u00e3 com biqu\u00ednis de n\u00e9on e \u00f3culos do ano 2000. Nesse contexto, juntei refer\u00eancias, que apliquei em outras coisas, dando-lhes um pouco de po\u00e9tica, sarcasmo e acidez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que medida o confinamento afetou a sua produtividade e influenciou a sua criatividade?<\/strong><br \/>\nBastante! Mas em nenhum momento fiquei desanimada com as coisas que ca\u00edram. O que me causou tristeza foram outras situa\u00e7\u00f5es. Apenas pensei: \u201cQue pena isso acontecer! Tinha tantos shows legais para fazer\u2026\u201d. Sem me lamentar nem olhar para o meu umbigo devido a quest\u00f5es de agenda. Relativamente \u00e0 criatividade, a quarentena influenciou-me muito. No momento, vivo uma fase de desvaloriza\u00e7\u00e3o de algumas coisas e reaprendendo e aprendendo outras mat\u00e9rias. Tenho gravado em casa, estou preparando um novo single (\u201cMama Planta Baby\u201d), que ser\u00e1 editado no segundo semestre deste ano e assinando uma produ\u00e7\u00e3o musical sozinha. \u00c9 a primeira vez que tomo posse do processo criativo e em que gravo uma bateria eletr\u00f4nica e um \u00f3rg\u00e3o. Repensei alguns aspectos e n\u00e3o tenho feito muitas composi\u00e7\u00f5es, mas musiquei uma letra da Ava Rocha que eu lhe pedi (j\u00e1 registrei uma base da can\u00e7\u00e3o e solicitei a um amigo que gravasse a bateria). \u00c9 uma fase interessante, na qual equacionei o uso da tecnologia no meu trabalho e atualizei alguns m\u00e9todos que estavam atrelados ao s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 come\u00e7ou a gravar novas m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nSim! No princ\u00edpio, planejava gravar um novo disco no final do ano ou no come\u00e7o de 2021 e j\u00e1 tinha nome e repert\u00f3rio. Agora estou repensando algumas coisas, mas tenho dois projetos em mente. Sinto-me ativa, mas n\u00e3o tanto como estive, porque nos meus \u00e1lbuns anteriores tinha muita pressa e estava ansiosa. Julgo que aconteceu pelo fato de ser mais nova e querer fazer as coisas rapidamente. Como j\u00e1 fiz isso, atualmente n\u00e3o sinto tanta necessidade. Acalmei, embora seja um pouco obsessiva no trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que voc\u00ea mais ambiciona como artista?<\/strong><br \/>\nO meu objetivo passa por me sustentar mais com a minha arte e n\u00e3o ter de ceder. Gostaria de produzir a m\u00fasica de outros artistas e atingir um universo criativo completo, interligando a minha pintura, os meus desenhos e a minha m\u00fasica. Tamb\u00e9m pretendo viajar, conhecer lugares, conquistar novos espa\u00e7os e estabelecer parcerias com outras pessoas. Entretanto, irei apresentar este ano um livro de poesia chamado \u201cEscoliose\u201d, lancei um vinil no Jap\u00e3o e quero edit\u00e1-lo na Europa, tal como nos Estados Unidos e tenho ambi\u00e7\u00f5es nos v\u00e1rios continentes. No entanto, tenciono organizar o meu trabalho e expandir-me de uma forma bonita e n\u00e3o colonialista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acredita que os problemas que o Brasil est\u00e1 enfrentando ter\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEspero que sim. Sinto que a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no Governo atual e al\u00e9m disso o Brasil tem uma estrutura de constru\u00e7\u00e3o muito triste, colonialista e racista. Acredito que a arte pode ser uma locomotiva para essa resolu\u00e7\u00e3o e a tecnologia poder\u00e1 abrir espa\u00e7os de conversa e repensamentos. Mas, sinceramente, est\u00e1 tudo t\u00e3o complicado e entristece-me cada vez mais assistir a isso e perceber que temos o pior presidente do mundo. O Rio de Janeiro teve governantes que roubaram muito. \u00c9 dram\u00e1tico verificar que mesmo num cen\u00e1rio de pandemia existem respons\u00e1veis pol\u00edticos desviando dinheiro destinado ao sistema de sa\u00fade, ou seja, assassinando pessoas. A nossa elite \u00e9 bastante mal educada, escravocrata e sem no\u00e7\u00e3o. Por isso, n\u00e3o sei onde vamos parar, quando o presidente vai perdendo apoios e quem resta \u00e9 ainda mais radical.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Frango El\u00e9trico - Chocolate\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4NWPgGt9af8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Frango Ele?trico | Sala de Estar\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ltVaO22Zwfo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Frango El\u00e9trico - Farelos (Ao Vivo no Est\u00fadio MangoLab)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D0Ce_18Bc5o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ana Frango El\u00e9trico @ Sesc Av. Paulista (18.10.2019)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cwkmvYygjkQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Hick Duarte \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n&#8211; Show: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/01\/em-clima-de-ensaio-aberto-ana-frango-eletrico-mostra-ao-vivo-um-dos-grandes-discos-do-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em clima de ensaio, Ana Frango El\u00e9trico mostra um dos grandes discos do ano<\/a><br \/>\n&#8211; Cr\u00edtica: <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/12\/06\/tres-discos-tantao-e-os-fita-saskia-e-ana-frango-eletrico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cLittle Electric Chiken Heart\u201d \u00e9 um interessante cart\u00e3o de visitas de Ana Frango El\u00e9trico<\/a><br \/>\n&#8211; <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/18\/os-melhores-de-2019-do-scream-yell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cLittle Electric Chiken Heart\u201d, 3\u00ba melhor disco de 2019 na vota\u00e7\u00e3o do Scream &amp; Yell<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ap\u00f3s um 2019 que lhe rendeu muito reconhecimento (pr\u00eamio da APCA e presen\u00e7a com um dos grandes discos do ano na vota\u00e7\u00e3o do Scream &#038; Yell, entre outros), Ana Frango El\u00e9trico j\u00e1 come\u00e7a a produzir material novo (h\u00e1 single planejado para o segundo semestre), prepara um livro de poesia e planeja voos maiores. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/29\/entrevista-ana-frango-eletrico\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":56559,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4047],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56558"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56584,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56558\/revisions\/56584"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}