{"id":56519,"date":"2020-06-26T00:10:40","date_gmt":"2020-06-26T03:10:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56519"},"modified":"2020-07-27T01:06:23","modified_gmt":"2020-07-27T04:06:23","slug":"entrevista-os-fantasmas-dancando-no-ar-do-cowboy-junkies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/26\/entrevista-os-fantasmas-dancando-no-ar-do-cowboy-junkies\/","title":{"rendered":"Entrevista: O slowcore blues do Cowboy Junkies"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001014501083\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adriane Perin<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1987, tr\u00eas irm\u00e3os e um amigo procuravam um lugar em Toronto para gravar o segundo disco de sua banda. Eles queriam captar o som como ele acontecia no palco. N\u00e3o queriam efeitos, nem \u201carruinar\u201d o som em um est\u00fadio. Foi quando o produtor do trabalho de estreia, que j\u00e1 os registrara em uma performance ao vivo, sugeriu tentar uma igreja. A sugest\u00e3o trouxe ao mundo o cl\u00e1ssico balzaquiano \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/60Gqz0TnyxnQMXUx6Iymjk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Trinity Session<\/a>\u201d, lan\u00e7amento independente de 1988, pela Latent Recordings, gravado na Igreja da Sant\u00edssima Trindade. A banda \u00e9 a canadense <a href=\"https:\/\/www.cowboyjunkies.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cowboy Junkies<\/a>, que ao longo dos \u00faltimos 30 anos e 27 t\u00edtulos lan\u00e7ados (o mais recente, &#8220;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6X93mLWSGOp8XzuyuWbcuJ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ghosts<\/a>&#8220;, saiu em abril) se tornou cultuada por suas can\u00e7\u00f5es hipnotizantes e cinematogr\u00e1ficas, que podem levar mentes e cora\u00e7\u00f5es da melancolia \u00e0 sublima\u00e7\u00e3o em segundos, atravessados por uma sonoridade sussurrante que transcende e transporta para um outro lugar, como um abra\u00e7o reconfortante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o melhor de tudo \u00e9 que mais de tr\u00eas d\u00e9cadas depois, aqueles irm\u00e3os e o amigo de inf\u00e2ncia seguem brindando este mundo cada vez mais ca\u00f3tico com belas can\u00e7\u00f5es, muitas vezes doloridas, que encontram inspira\u00e7\u00e3o naqueles sentimentos e sensa\u00e7\u00f5es mais fortes que comp\u00f5em a vida: alegrias, tristezas, frustra\u00e7\u00f5es, medos, falta. \u201cPerda e amor est\u00e3o se unindo\/ Em torno das mem\u00f3rias que compartilhamos\/ Fantasmas que estamos criando\/ Dan\u00e7ando no ar\u201d, dizem Michael Timmins e Alan Anton, os amigos de inf\u00e2ncia, em \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/track\/1QL0o2zFWw7QgyvoG1l6xU?si=fiaX7ziwQhmRllaMQaMagQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Breathing<\/a>\u201d, m\u00fasica cantada por Margo Timmins, sob o manto de prote\u00e7\u00e3o sonoro dos \u201cCowboy Junkies\u201d, que se completam com Peter Timmins na bateria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 natural, portanto, que o mais recente trabalho da banda fale sobre perda, afinal \u201cGhosts\u201d (2020) \u00e9 dedicado \u00e0 mem\u00f3ria da m\u00e3e de Margo, Michael e Peter Timmins, que faleceu em 2018. Na p\u00e1gina da banda, Michael explica que as can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum falam sobre tristeza, dor, medo, ansiedade, beleza em um \u201cconjunto de m\u00fasicas que examinam a complexidade das emo\u00e7\u00f5es que nos absorvem ap\u00f3s a perda dos pais\u201d. Dois meses depois do lan\u00e7amento de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5bjIk6pVi070NwT4JWGbql\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">All That Reckoning<\/a>\u201d (2018), os irm\u00e3os Timmins perderam a m\u00e3e e perceberam que ainda havia acertos de contas pendentes. As composi\u00e7\u00f5es de \u201cGhosts\u201d come\u00e7aram a nascer ainda durante a turn\u00ea de \u201cAll That Reckoning\u201d, enquanto a banda ia se dando conta de que as novas can\u00e7\u00f5es faziam parte do mesmo ciclo de sentimentos envolvidos no disco anterior. \u201cFicou claro para n\u00f3s que pertenciam, como parte ou pelo menos como um adendo, \u00e0s m\u00fasicas que comp\u00f5em o \u2018All That Reckoning\u2019. Os dois discos lidam com o acerto de contas final, o acerto de contas que vem com a morte de um ente querido e a reavalia\u00e7\u00e3o pela qual se passa quando se tenta processar tal perda\u201d, diz ele.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56524\" aria-describedby=\"caption-attachment-56524\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56524 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/cowboys.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/cowboys.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/cowboys-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56524\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u201cAll That Reckoning\u201d (2018) e &#8220;Ghosts&#8221; (2020), os dois discos mais recentes do Cowboy Junkies<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBreathing\u201d, que parece provocar uma sensa\u00e7\u00e3o de falta de ar, \u00e9 uma das tr\u00eas, entre as oito can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum, feita em parceria com o amigo, com quem Michael viveu tamb\u00e9m as aventuras e desventuras das primeiras bandas e com quem fincou as bases para o Cowboy Junkies \u2013 ele na guitarra e Alan, no baixo. Michael assina a produ\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o e a mixagem do \u00e1lbum, masterizado por Peter Moore, o produtor dos primeiros discos, aquele que sugeriu que experimentassem gravar em um igreja para ver como o ambiente afetaria o desempenho e a grava\u00e7\u00e3o. \u201cFoi um grande dia. Capturamos exatamente o que esper\u00e1vamos capturar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ao lado do amigo de inf\u00e2ncia, nascido Alan Alizojvodic, que o jovem Michael fez, no final dos anos 70, uma romaria em busca de seu lugar no palco, partindo de Toronto para Nova York, onde fez todo tipo de bicos para sobreviver, e para Londres, onde estavam as bandas com as quais mais se identificavam na \u00e9poca. Suas primeiras bandas faziam um som mais pesado e cru, como o The Hurger Project, embebido de lembran\u00e7as evidentes de Joy Divison e mergulhado no p\u00f3s-punk. No mais genu\u00edno \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d, eles foram percebendo que o t\u00e9dio pode habitar at\u00e9 a mais incr\u00edvel das cenas, quando voc\u00ea n\u00e3o faz parte dela. Assim, depois de passagens por NY e Londres, e j\u00e1 com algumas bandas na bagagem, Michael retornou \u00e0 Toronto onde reencontrou o velho amigo. Logo decidiram alugar uma casa e transformar a garagem em est\u00fadio de ensaio. Os irm\u00e3os Peter e John j\u00e1 estavam tocando juntos e ainda n\u00e3o sabiam quem faria o vocal. At\u00e9 se darem conta que Margo, a irm\u00e3 Timmins mais nova, j\u00e1 tinha cantado na escola. O fasc\u00ednio despertado em Michael pelo blues quando ele trabalhava em uma loja de discos em Londres foi um elemento revelador para o som que eles fariam a partir dali, mas foi quando Margo encontrou seu registro que a m\u00e1gica se deu e nasceu o estilo \u00fanico, que o guitarrista define como \u201cSlowcore Blues\u201d. A cr\u00edtica os considera precursores do que depois ficou conhecido como alt-country, m\u00fasica que conversa com o country, com o rock, com o blues e alternativo, mas a verdade \u00e9 que eles foram al\u00e9m e transformaram tudo em um som inconfund\u00edvel: o som do Cowboy Junkies.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56526\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/cowboys2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/cowboys2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/cowboys2-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste per\u00edodo de caminhada, o grupo passou por duas gravadoras majors antes de retornar ao selo independente da banda, o Latent: a RCA relan\u00e7ou \u201cThe Trinity Session\u201d, tornando-o conhecido no mundo (o \u00e1lbum foi revisitado em 2009 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/26\/ryan-adams-she-and-him-cowboys-junkies\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">com diversos convidados<\/a>); e com \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/3eCquDv8Z5zTQYU3oaaAEr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lay it Down<\/a>\u201d (1996) pela Geffen, gravadora que lan\u00e7ou \u201cNevermind\u201d (1991), do Nirvana. Ou seja, entre idas e vindas, sem perder seu jeito pr\u00f3prio de fazer can\u00e7\u00f5es, Cowboy Junkies sempre esteve ali no limiar do underground e do mainstream musical \u2013 e assim tornou-se uma banda cultuada em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Michael foi quem respondeu \u00e0s perguntas da reportagem por e-mail. Simp\u00e1tico desde o primeiro contato, ele conta que a m\u00fasica \u201cgeralmente \u00e9 uma desculpa para eu examinar minha vida e meu relacionamento com ela de uma maneira mais profunda e significativa. Uma maneira de tentar entender as coisas\u201d. Fala tamb\u00e9m da trajet\u00f3ria da banda, sobre o mais emblem\u00e1tico disco da carreira, sobre gravadoras e selos independentes. E, ainda, sobre o que vem por a\u00ed, como a biografia da banda e a possibilidade de shows no Brasil, abrindo todas as portas para a realiza\u00e7\u00e3o do \u2018nosso sonho\u2019 de v\u00ea-los tocar aqui e de ler em portugu\u00eas a hist\u00f3ria da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Margo Timmins, a musa de voz maliciosamente sussurrante, considerada pelo irm\u00e3o \u201co elemento mais importante no som da banda\u201d, tamb\u00e9m respondeu algumas perguntas. Diz que no come\u00e7o, n\u00e3o sabia se conseguiria cantar e fala sobre a possibilidade de outro disco solo (ela lan\u00e7ou um \u00e1lbum de covers em 2009, \u201cMargo&#8217;s Corner: Ty Tyrfu Sessions, Volume 1\u201d, cantando can\u00e7\u00f5es de Bob Dylan, Leonard Cohen, Bruce Springsteen, Lucinda Williams, Cat Stevens e Beatles, entre outros) e sobre como a m\u00fasica torna sua vida especial. Entrevista na integra abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ghosts\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nQG2y3_FnwQYleEz96rckTRLhAA5YJjaI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como os tr\u00eas irm\u00e3os se envolveram com m\u00fasica e quando decidiram torn\u00e1-la uma profiss\u00e3o? Existiu um plano ou foi meio sem querer?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 N\u00f3s todos \u00e9ramos f\u00e3s de m\u00fasica antes de sermos m\u00fasicos. Alan e eu come\u00e7amos nossa primeira banda quando t\u00ednhamos 19 anos de idade e, de repente, tudo ficou s\u00e9rio. Cinco anos depois, Margo e Peter se envolveram e nunca mais paramos. Nada \u00e9 realmente &#8220;planejado\u201d quando voc\u00ea \u00e9 jovem, especialmente carreiras musicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para voc\u00ea, um dos fundadores da banda, qual foi o papel de Margo na cria\u00e7\u00e3o da sonoridade do Cowboy Junkies?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Ela \u00e9 o elemento mais importante do nosso som. Sua voz \u00e9 o que a maioria das pessoas identifica imediatamente ao ouvir a banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantos anos voc\u00ea e os seus irm\u00e3os tinham quando entrou para a banda, Margo? Como voc\u00ea recebeu o convite e como foi este in\u00edcio, afinal eles j\u00e1 tinham experi\u00eancia musical.<\/strong><br \/>\nMargo \u2013 Eu tinha vinte e poucos anos e n\u00e3o sabia muito bem se conseguiria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tinha alguma experi\u00eancia musical antes disso?<\/strong><br \/>\nMargo \u2013 Nenhuma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E agora, passado tanto tempo, como \u00e9 fazer m\u00fasica com os irm\u00e3os? De que forma a m\u00fasica e essa conviv\u00eancia constante entre voc\u00eas se reflete na vida \u2013 e o contr\u00e1rio tamb\u00e9m: como a vida de voc\u00eas se reflete na m\u00fasica que fazem?<\/strong><br \/>\nMargo \u2013 Eu realmente n\u00e3o conhe\u00e7o outra maneira de fazer m\u00fasica. D\u00e1 \u00e0 minha vida um significado especial. \u00c9 dif\u00edcil colocar em palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tamb\u00e9m lan\u00e7ou um trabalho solo. Como foi a experi\u00eancia? Tem vontade de repetir?<\/strong><br \/>\nMargo \u2013 Foi divertido. Fazer isso com Jeff (Bird, produtor do disco de covers e membro honor\u00e1rio dos Junkies, acompanhando a banda em grava\u00e7\u00f5es e turn\u00eas desde \u201cThe Trinity Session\u201d) me deu algum conforto. Posso faz\u00ea-lo novamente, mas n\u00e3o tenho certeza, no momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A banda nasceu em 1985 e em 1988, com \u201cThe Trinity Session\u201d, ganhou a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia e de um p\u00fablico mais amplo. Como era a cena musical em Toronto para novas bandas? Havia lugares para tocar, gravar, p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Era uma cena musical muito boa. Muitos clubes e, mais importante, um p\u00fablico disposto a ouvir m\u00fasicas novas e bandas jovens. E as pessoas n\u00e3o estavam procurando apenas um tipo de m\u00fasica. Eles queriam ouvir algo original e \u00fanico. N\u00e3o havia muitos est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o e a maioria deles era muito caro para bandas independentes e jovens. Ent\u00e3o todo mundo estava focado em se apresentar ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a decis\u00e3o de gravar em uma Igreja, logo no in\u00edcio da carreira? No disco est\u00e1 um dos maiores sucessos de voc\u00eas at\u00e9 hoje, a vers\u00e3o de \u201cSweet Jane\u201d, elogiada pelo Lou Reed. O que mais os marcou dessa experi\u00eancia e qual a import\u00e2ncia deste \u00e1lbum pra voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Quer\u00edamos capturar o som da banda como o ouvimos no palco, em apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo. N\u00e3o est\u00e1vamos interessados em gerar efeitos ou arruinar o som em um est\u00fadio. N\u00f3s t\u00ednhamos trabalhado com Peter Moore em nosso primeiro \u00e1lbum e adotamos a mesma abordagem para a grava\u00e7\u00e3o. Ele sugeriu que experiment\u00e1ssemos a igreja para ver como o ambiente afetaria nosso desempenho e a grava\u00e7\u00e3o. Foi um grande dia. Capturamos exatamente o que esper\u00e1vamos capturar. O \u00e1lbum \u00e9 vital para nossas carreiras. \u00c9 o que nos colocou no caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cThe Trinity Session\u201d abriu os caminhos e voc\u00eas foram tocar pelos EUA, onde existia um mercado, passaram para uma major. Conte como foi esse segundo momento da banda, j\u00e1 com plateias maiores e viajando para tocar com mais estrutura.<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Foi um avan\u00e7o para n\u00f3s quase imediatamente ap\u00f3s o lan\u00e7amento. N\u00f3s o lan\u00e7amos em nosso pr\u00f3prio selo e recebemos muita aten\u00e7\u00e3o da imprensa. Logo as grandes gravadoras come\u00e7aram a nos ligar. A RCA \/ BMG o relan\u00e7ou e nosso p\u00fablico continuou a crescer. Isso n\u00e3o afetou o nosso enfoque. Continuamos em turn\u00ea, mas em locais maiores e com mais demanda em todo o mundo&#8230; foi quando nos tornamos m\u00fasicos &#8220;profissionais&#8221;. Em outras palavras, paramos de fazer outros trabalhos e come\u00e7amos a tocar m\u00fasica para viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>S\u00e3o mais de 30 anos de estrada e 27 \u00e1lbuns. Neste per\u00edodo, o amadurecimento pessoal encontrou seu equivalente no amadurecimento de uma sonoridade que se tornou caracter\u00edstica de voc\u00eas, definida por alguns como \u2018alt country\u2019 ou indie rock. Para mim, \u00e9 rock. Com boas letras, belas melodias, inspirado no folk, no blues e no soul. Como voc\u00eas definem o som que fazem?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Slowcore Blues.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Hurger Project, que voc\u00ea e Alan tiveram antes do Cowboy Junkies, \u00e9 algo mais p\u00f3s punk com guitarras gritando, mais cru. Diferente da sonoridade mais cool, serena e at\u00e9 cinematogr\u00e1fica dos Junkies. Como s\u00e3o as refer\u00eancias e influ\u00eancias dos m\u00fasicos da banda, com mais afinidades ou mais diversidade entre si?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Existem muitas semelhan\u00e7as entre o Hunger Project e o Cowboy Junkies, dependendo da \u00e9poca\/estilo do Cowboy Junkies em que voc\u00ea se concentra. Sempre que voc\u00ea toca com outro m\u00fasico, ele traz suas influ\u00eancias e estilo pessoal para a m\u00fasica, provocando mudan\u00e7as em maior ou menor escala. Esta \u00e9 uma das principais raz\u00f5es para tocar com outros m\u00fasicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cada disco tem sua hist\u00f3ria. Voc\u00eas chegaram a ser um septeto e reuniram at\u00e9 25 m\u00fasicos em sess\u00f5es experimentais de grava\u00e7\u00f5es. Depois de \u201cTrinity\u201d veio \u201cThe Caution Horses\u201d (1990), gravado em duas etapas e definido por voc\u00ea como a produ\u00e7\u00e3o mais complexa; \u201c200 More Miles\u201d (1995) marca a sa\u00edda da RCA e com \u201cLay it Down\u201d foram para a Geffen. Depois voltaram a ser independentes e gerenciar a pr\u00f3pria carreira, a esta altura, j\u00e1 consolidada. Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o com cada \u00e1lbum e fase dessa hist\u00f3ria musical?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Essa \u00e9 uma pergunta dif\u00edcil de responder em um e-mail. Exigiria algumas p\u00e1ginas. Mas, em termos simples, qualquer que seja a gravadora, estar ou n\u00e3o em uma gravadora, \u00e9 apenas uma parte do neg\u00f3cio da m\u00fasica e n\u00e3o tem nada a ver com a arte de fazer m\u00fasica. Sempre tentamos manter essas duas coisas separadas. Mas, \u00e9 claro, que a empresa tem algum efeito sobre a forma como abordamos um \u00e1lbum, porque o or\u00e7amento dispon\u00edvel tem efeito sobre como e onde gravamos, quantos m\u00fasicos externos podemos nos dar ao luxo de usar, se usamos um produtor externo, para citar algumas quest\u00f5es log\u00edsticas e financeiras. Essa \u00e9 a resposta simples, mas \u00e9 uma pergunta complicada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os tr\u00eas primeiros \u00e1lbuns foram gravados com todos juntos, ao vivo, quando o mais comum eram as grava\u00e7\u00f5es separadamente em est\u00fadio. \u00c9 uma prefer\u00eancia da banda gravar desta forma? De que forma isso interfere na sonoridade do grupo?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Sempre tentamos, na maioria das vezes, ter um elemento de performance ao vivo quando gravamos. N\u00f3s sentimos que tocar ao vivo \u00e9 a melhor maneira de nos comunicarmos e \u00e9 isso que estamos tentando fazer quando gravamos um \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ter uma banda por tanto tempo j\u00e1 \u00e9 complicado. E ter uma banda com irm\u00e3os por tanto tempo como \u00e9 para voc\u00eas? Afinal, n\u00e3o faltam na m\u00fasica pop hist\u00f3rias de rela\u00e7\u00f5es complicadas entre irm\u00e3os&#8230;<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Bem, ainda estamos juntos, em turn\u00ea e fazendo novas m\u00fasicas, ent\u00e3o \u00e9 um relacionamento que funcionou. \u00c9 imposs\u00edvel dizer se isso tornou mais dif\u00edcil ou mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E depois de tanto tempo existe uma rotina musical? Comp\u00f5em juntos? Existem tarefas definidas para cada um? Voc\u00ea, al\u00e9m de compositor, produtor \u00e9 quem cuida das quest\u00f5es \u2018n\u00e3o art\u00edsticas\u2019, digamos assim &#8211; tipo falar com jornalistas?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 As composi\u00e7\u00f5es ca\u00edram sobre meus ombros durante a maior parte da hist\u00f3ria da banda. Para \u201c\u201cAll That Reckoning\u201d, Alan e eu nos reunimos muito e ele me deu muitas ideias musicais centradas em algumas partes de baixo e teclado que ele havia desenvolvido. Eu realmente n\u00e3o tenho uma rotina para escrever m\u00fasicas. Basicamente, preciso reservar um tempo e encontrar um pouco de isolamento e foco apenas nas composi\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m fa\u00e7o muito do lado comercial, mas os outros tamb\u00e9m se dedicam a muitas das tarefas necess\u00e1rias para administrar uma banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos vivendo momento complicado no mundo e voc\u00eas costumam tratar em suas m\u00fasicas de tem\u00e1ticas e sentimentos despertados pela realidade. No disco anterior voc\u00eas refletiram diretamente sobre a realidade pol\u00edtica do mundo. O que move os Junkies a seguirem fazendo m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 A inspira\u00e7\u00e3o geralmente vem dos relacionamentos interpessoais que comp\u00f5em uma vida. Esses relacionamentos s\u00e3o afetados por tudo o que os rodeia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cGhosts\u201d \u00e9 um disco que fala sobre perda. E seu envolvimento parece ter sido ainda maior. Voc\u00ea assina as composi\u00e7\u00f5es e toda a produ\u00e7\u00e3o. Como foi a cria\u00e7\u00e3o deste \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Eu acho que geralmente \u00e9 uma desculpa para eu examinar minha vida e meu relacionamento com ela de uma maneira mais profunda e significativa. Uma maneira de tentar entender as coisas. N\u00e3o necessariamente para me desapegar das coisas, mas coloc\u00e1-las em contexto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas curtem fazer vers\u00f5es e tamb\u00e9m inspiram vers\u00f5es e tributos como um que aconteceu em 2013, aqui em Curitiba. Voc\u00eas viram e at\u00e9 comentaram um v\u00eddeo. Como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com os f\u00e3s espalhados pelo mundo? Onde est\u00e1 o maior f\u00e3 clube da banda no mundo?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Nosso maior p\u00fablico est\u00e1 nos EUA. \u00c9 sempre um grande elogio quando algu\u00e9m tira um tempo para fazer uma vers\u00e3o da alguma m\u00fasica. Sei por experi\u00eancia que leva muito tempo e pensamento, fico muito honrado quando ou\u00e7o algu\u00e9m que faz uma vers\u00e3o de uma de nossas m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O respons\u00e1vel pelos shows tributo ao Cowboy Junkies em Curitiba, o baterista Jos\u00e9 Carlos Branco, enviou uma pergunta: \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/1RcyITcNDqPK8sia8Vifyd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Open<\/a>\u201d (2001) representou um grande salto para a banda, produzido pelo selo independente Latent Recordings, e \u00e9 um dos meus discos favoritos. O excelente \u201cAll That Reckoning\u201d (2018), inicialmente, era pra ser um disco duplo. \u201cGhosts\u201d (2020) acabou sendo lan\u00e7ado digitalmente nas plataformas de streaming, mas voc\u00eas adiantaram que o projeto de um disco duplo de vinil acontecer\u00e1 depois que as coisas voltarem ao \u201cnormal\u201d, p\u00f3s-covid19. Ano que vem \u201cOpen\u201d (2001) completar\u00e1 20 anos! Existe alguma inten\u00e7\u00e3o de voc\u00eas o relan\u00e7arem em vinil, assim como a excelente trilha sonora de \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6UjBtATol0eBMRsv6zxcC4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Maudie &#8211; Original Motion Picture Soundtrack<\/a>\u201d\u00a0(2017), feita por voc\u00ea, Michael?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Vamos lan\u00e7ar o \u201cOpen\u201d em vinil este ano. Ainda n\u00e3o tenho uma data. Tamb\u00e9m sinto que \u00e9 um \u00e1lbum muito importante para a banda e do qual tenho muito orgulho. O \u00e1lbum duplo do \u201cAll That Reckoning \/ Ghosts\u201d ser\u00e1 lan\u00e7ado este ano, mas tamb\u00e9m n\u00e3o tenho uma data ainda. \u00c9 dif\u00edcil fazer planos definitivos agora. \u201cMaudie\u201d, por sua vez, permanecer\u00e1 apenas um lan\u00e7amento digital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Existe a previs\u00e3o de lan\u00e7amento para setembro do livro \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Music-Drug-Authorised-Biography-Junkies-ebook\/dp\/B086HCJ1WW\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Music is the Drug: The Authorised Biography of The Cowboy Junkies<\/a>\u201d (2020), do Dave Bowler. O que pode nos contar? Alguma chance de lermos em portugu\u00eas?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 O livro j\u00e1 foi produzido (eu tenho uma c\u00f3pia!) e ainda deve ser lan\u00e7ado em setembro, mas isso est\u00e1 nas m\u00e3os da editora (nota do editor: na Amazon, a data de lan\u00e7amento \u00e9 10 de fevereiro de 2021). Se algu\u00e9m der um passo \u00e0 frente e quiser traduzir o livro, tenho certeza de que todos estariam abertos a essa ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por mais ir\u00f4nico que seja, os m\u00fasicos canadenses (Neil Young, The Band) t\u00eam sido fundamentais para desenvolver e popularizar o estilo de m\u00fasica norte-americana. Voc\u00eas se veem como parte dessa linhagem?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Acho que sim. Embora muitas vezes pare\u00e7a estarmos fora da conversa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E, claro, a pergunta inevit\u00e1vel: quando vir\u00e3o tocar no Brasil?<\/strong><br \/>\nMichael \u2013 Nunca tocamos na Am\u00e9rica do Sul e nunca visitei. N\u00f3s adorar\u00edamos. Mas o que \u00e9 fundamental nas turn\u00eas \u00e9 que primeiro \u00e9 preciso haver um promotor que esteja disposto a nos convidar e montar uma turn\u00ea. Se algu\u00e9m fizesse isso, provavelmente dir\u00edamos que sim, se isso fizesse sentido financeiro e log\u00edstico. Adoramos tocar ao vivo e em novos lugares.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cowboy Junkies - Blue Moon Revisited (Song For Elvis) (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1lRDT-TyPPo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cowboy Junkies - Tonight Show 1989\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NtoxrBKGBCE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cowboy Junkies - Misguided Angel\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/N3TVgEpMyhI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cowboy Junkies - Angel Mine\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/X-2aNnij82U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cowboy Junkies - Sun Comes Up, It&#039;s Tuesday Morning (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/48pFXE28y8Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cowboy Junkies &quot;All That Reckoning (Part 2)&quot;\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/UOfvuKiier0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"COWBOY JUNKIES full concert THE HAGUE \/ DEN HAAG 19-11-2018\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lkQRis4Nb8o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001014501083\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adriane Perin<\/a> \u00e9 jornalista e s\u00f3cia da <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/deinvernocomunicacao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">De Inverno Comunica\u00e7\u00e3o<\/a>. Ela contou com o apoio dos m\u00fasicos Jos\u00e9 Carlos Branco e Rafael Moro Martins na revis\u00e3o das perguntas em ingl\u00eas \u2013 e cada um enviou sua pergunta tamb\u00e9m. E com a revis\u00e3o de Paulo Gomes na tradu\u00e7\u00e3o das respostas recebidas. A foto que abre o texto \u00e9 de Heather Pollock (divulga\u00e7\u00e3o).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A gente conhece um Cowboy Junkies imediatamente quando toca! Os canadenses, que lan\u00e7aram Ghosts em abril, s\u00e3o aquele tipo de banda que a gente n\u00e3o precisa mais do que poucos segundos para reconhecer &#8211; e se entregar. Eles est\u00e3o com disco novo, &#8220;Ghosts&#8221; (2020), mas nesse papo falam de &#8220;The Trinity Session&#8221; (1988), carreira e muito mais. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/26\/entrevista-os-fantasmas-dancando-no-ar-do-cowboy-junkies\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":89,"featured_media":56527,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4506],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56519"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/89"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56519"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56531,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56519\/revisions\/56531"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56527"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}