{"id":56399,"date":"2020-06-16T01:48:38","date_gmt":"2020-06-16T04:48:38","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56399"},"modified":"2020-07-16T01:01:25","modified_gmt":"2020-07-16T04:01:25","slug":"entrevista-clarice-falcao-nao-tenho-vocacao-para-ser-diva-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/16\/entrevista-clarice-falcao-nao-tenho-vocacao-para-ser-diva-pop\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Clarice Falc\u00e3o: &#8220;N\u00e3o tenho voca\u00e7\u00e3o para ser diva pop&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o lan\u00e7amento de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/25\/musica-melancolia-e-hedonismo-marcam-novo-disco-de-clarice-falcao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tem Conserto<\/a>\u201d, em 2019, Clarice Falc\u00e3o deu novos rumos a sua carreira musical, deixando de lado o viol\u00e3o e investindo de vez nas batidas eletr\u00f4nicas. Nessa pista de dan\u00e7a, Clarice fez alguns f\u00e3s torcerem o nariz, mas conquistou muitos outros e, para estes, ela vem lan\u00e7ando uma enxurrada de conte\u00fado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde o in\u00edcio da quarentena j\u00e1 tivemos o lan\u00e7amento de um EP chamado \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/2Dm8nddLw949nZ6oQRHrWd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eu Me Lembro<\/a>\u201d, com releituras de suas faixas antigas agora em clima eletr\u00f4nico, contando com a participa\u00e7\u00e3o de Letrux; um feat com clipe ao lado de Linn da Quebrada na faixa in\u00e9dita \u201cAfter do Fim do Mundo\u201d e dois clipes novos, para as can\u00e7\u00f5es \u201cS\u00f3 + 6\u201d e \u201cDia D\u201d, do disco \u201cTem Conserto\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse ano ainda seria a estreia da artista nos palcos do Lollapalooza, por\u00e9m a quarentena imp\u00f4s o cancelamento do evento. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/09\/17\/ao-vivo-em-sp-clarice-falcao-mostra-show-leve-pra-dancar-e-rir\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Longe dos palcos<\/a>, Clarice tem utilizado esse tempo para focar nos seus lan\u00e7amentos previamente planejados e para intensificar sua rela\u00e7\u00e3o com seus f\u00e3s via internet. De forma virtual, pelo WhatsApp, conversamos com ela sobre todas as mudan\u00e7as de sua carreira, assim como sua rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica eletr\u00f4nica, as festas de underground, sua persona na internet e seu dia a dia na quarentena. Confira o papo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Clarice Falc\u00e3o - Dia D\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QcrQ7sts-bg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra come\u00e7ar, eu queria saber como voc\u00ea est\u00e1 passando essa fase de quarentena?<\/strong><br \/>\n\u00c0s vezes bem, \u00e0s vezes mal. Eu comecei muito tranquila, falei assim: \u201cAi, isso vai ser de boa\u201d. Ent\u00e3o inventei v\u00e1rias coisas, como cozinhar cada dia a comida de um lugar diferente, para darmos a volta ao mundo. Deu duas semanas e eu j\u00e1 estava \u201cqual o sentido de viver? N\u00e3o tem sentido\u201d. Depois voltei a ser produtiva, fazer esportes, mas daqui a pouco, na outra semana, eu j\u00e1 estava \u201cpor favor, me leve, eu n\u00e3o aguento\u201d. Ent\u00e3o estou entre um termo e outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas antes de come\u00e7ar a quarentena voc\u00ea j\u00e1 tinha preparado muitas coisas de trabalho para serem lan\u00e7adas.<\/strong><br \/>\nSim. Esse ia ser um momento \u2013 foi de certa forma \u2013 muito bom e diferente na minha carreira, at\u00e9 pra come\u00e7ar chamando de carreira, j\u00e1 que eu nunca chamei assim. Acho que nunca levei t\u00e3o ao s\u00e9rio, \u201cvou fazer clipe para todas as m\u00fasicas, vou fazer isso e aquilo\u201d, mas eu ia tocar no Lollapalooza, estava com uma turn\u00ea marcada pela Europa, uma turn\u00ea pequenininha, s\u00f3 eu e o Lucas [de Paiva], bem sem saber se a gente ia perder ou ganhar dinheiro, mas eu estava bem empolgada. E junto com isso, um monte de coisa pra lan\u00e7ar, v\u00e1rios clipes para serem lan\u00e7ados. Eu estava: \u201cCaraca, vai ser o meu ano\u201d&#8230; e foi o ano do Coronav\u00edrus. Mas \u00e9 aquela coisa tamb\u00e9m: \u00e9 uma reclama\u00e7\u00e3o muito \u201cah, pobre menina rica branca\u201d, porque tem uma galera que est\u00e1 se fodendo muito, ent\u00e3o sou muito privilegiada de ter a minha casa, de ter algum dinheiro guardado. Dizer \u201cai nossa, eu n\u00e3o pude ir pra Europa\u201d, tadinha, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mesmo assim voc\u00ea est\u00e1 lan\u00e7ando v\u00e1rios clipes, inclusive um que n\u00e3o estava no seu cronograma inicial, que \u00e9 sua parceria com a Linn da Quebrada, em \u201cO After do Fim do Mundo\u201d.<\/strong><br \/>\nSim, a m\u00fasica estava planejada, mas o clipe a gente ia fazer na rua, tipo o fim do mundo, com roupa do fim do mundo. Compus a m\u00fasica antes do Coronav\u00edrus, o fim do mundo era muito mais uma interpreta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do que a gente est\u00e1 vivendo, pois nunca imaginei que a gente fosse passar pelo que est\u00e1 passando: um v\u00edrus que est\u00e1 dizimando uma parte da popula\u00e7\u00e3o. Eu at\u00e9 cheguei a pensar: Faz sentido? N\u00e3o faz sentido? Vai parecer que eu fiz pra isso&#8230; mas eu acho que \u00e9 t\u00e3o um sintoma do que a gente j\u00e1 vivia, de uma coisa muito doida de n\u00e3o ter \u00e1gua aqui no Rio, acho que o mundo j\u00e1 estava dando sintomas de que est\u00e1 acabando, de que a gente est\u00e1 acabando com ele h\u00e1 muito tempo, e ent\u00e3o achei que fazia parte do que eu compus e do que a Linn comp\u00f4s por cima, isso \u00e9 s\u00f3 mais um sintoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi para voc\u00ea esse encontro com a Linn da Quebrada? Pois ela \u00e9 uma artista que vem de um outro universo bem diferente do seu, mas voc\u00eas tiveram uma esp\u00e9cie de conex\u00e3o nessa faixa.<\/strong><br \/>\nFoi maravilhoso! Quando compus a m\u00fasica, pensei que precisava de outro olhar, de um olhar que n\u00e3o venha de mim, das minhas experi\u00eancias, e a primeira pessoa que pensei foi a Linn. Conheci o trabalho dela quando vi o show no festival da Red Bull, em S\u00e3o Paulo. Fiquei muito chocada com a presen\u00e7a de palco dela, de esp\u00edrito mesmo, de alma. Depois conheci o trabalho dela de fato: as m\u00fasicas, as composi\u00e7\u00f5es dela e da Jup do Bairro, e fiquei muito fascinada. E depois disso a gente se encontrou em algumas festas de eletr\u00f4nica e de after e falei \u201ccara \u00e9 perfeito!\u201d. E toda vez que a gente se encontrava eu falava: \u201cSou muito sua f\u00e3, gosto muito de voc\u00ea\u201d e ela tamb\u00e9m falava isso. Ent\u00e3o foi a primeira pessoa que eu pensei. E foi muito doido porque mandei uma mensagem pra ela de \u00e1udio: \u201cLinn, desculpa, n\u00e3o sei se estou atrapalhando a\u00ed e tal, mas fiz uma m\u00fasica que fala isso e isso, vou te mandar o que eu tenho composto e queria muito um verso seu\u201d. E, cara, a resposta dela foi muito linda e ela ficou muito chocada, que isso \u00e9 uma coisa que ela tem falado, que ela vem falando sobre: \u201cN\u00e3o tenho mais paci\u00eancia para quem acha que o mundo n\u00e3o acabou, n\u00e3o tenho mais paci\u00eancia para isso, ent\u00e3o me tocou muito essa m\u00fasica, quero muito fazer\u201d. E ela entrou muito de cabe\u00e7a. Eu j\u00e1 estava com a passagem comprada para ir pra S\u00e3o Paulo pra gravar com ela, cara a cara, e tipo dois dias antes estourou a coisa do Corona, n\u00e3o deu pra sair, e tive que cancelar e gravamos a dist\u00e2ncia. Mas o verso dela \u00e9 muito lindo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O After do Fim do Mundo - Clarice Falc\u00e3o (feat. Linn da Quebrada)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0OsZgTwo5O0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou dessa coisa das festas de m\u00fasica eletr\u00f4ncia e tal. E como foi a sua aproxima\u00e7\u00e3o desse universo at\u00e9 chegar no \u00faltimo disco, o \u201cTem Conserto\u201d?<\/strong><br \/>\nFoi muito doido. Eu j\u00e1 gostava de m\u00fasica eletr\u00f4nica, mas eu n\u00e3o sabia que se chamava m\u00fasica eletr\u00f4nica. Quando tinha 16 anos, eu tinha um fotolog de f\u00e3 \u2013 um f\u00e3tolog \u2013 para a Bj\u00f6rk, eu era muito f\u00e3, amava demais. Eu tamb\u00e9m gostava de The Postal Service, que \u00e9 um projeto que parece um pouco com o Lucas e comigo, pois \u00e9 um cara que vem totalmente de m\u00fasica eletr\u00f4nica com um cara que vem do folk, de m\u00fasicas mais pro viol\u00e3o. E acho que por eu tocar viol\u00e3o e por as minhas letras serem algo que eu queria dar aten\u00e7\u00e3o \u2013 gosto muito de fazer letras, acho que sou mais uma letrista do que uma musicista, uma instrumentista ou uma int\u00e9rprete \u2013, ent\u00e3o achei que no primeiro disco (\u201cMonomania\u201d, 2013) fazia muito sentido o folk, j\u00e1 que sempre gostei de folk e assim botava as letras em primeiro plano. At\u00e9 porque as letras eram meio darks: de assassinato, de matar gente, meio obsessivas. Achei que era uma virada interessante cantar como se fosse uma m\u00fasica de amor, mas quando voc\u00ea vai olhar de perto \u00e9 maluquice, sabe? E conforme o tempo foi passando, nessa \u00e9poca eu era casada \u2013 eu casei com 19 anos \u2013 e me separei, teve o \u201cProblema Meu\u201d (2016), que \u00e9 um disco que eu acho muito de transi\u00e7\u00e3o, muito importante, mas que \u00e9 um disco que eu tinha acabado de separar, eu n\u00e3o sabia o que eu era sozinha, o que era eu mesma. E com o tempo fui me apaixonando por essa cena eletr\u00f4nica. Sempre fui muito festeira antes de casar. Aqui no Rio tem uma boate chamada Fosfobox \u2013 tem at\u00e9 hoje \u2013 e eu entrava com carterinha falsa e saia loucara\u00e7a, enfim \u2013 pior que essa entrevista vai sair na \u00edntegra e eu falando que entrava com carteirinha falsa. Ali\u00e1s, outro dia fui de novo l\u00e1 e o mo\u00e7o da Fosfobox falou: \u201cEu lembro de voc\u00ea, j\u00e1 te peguei aqui com carterinha falsa\u201d. E eu disse: \u201cEita, voc\u00ea trabalha h\u00e1 muito tempo aqui\u201d (risos). Eu sempre gostei muito de festa, mas quando voltei a ficar solteira comecei a me apaixonar por essas festas e por essa m\u00fasica, por tantos motivos: a festa de eletr\u00f4nica \u00e9 uma festa muito inclusiva, eu sinto que tem uma coisa de quando eu ia nas baladas de \u201crock independente\u201d ou n\u00e3o-sei-o-que, era sempre para um tipo de p\u00fablico, era sempre politicamente neutro, sabe? E eu sinto que as festas de underground tem um cunho pol\u00edtico que me fascina muito, tem uma aceita\u00e7\u00e3o de todos os tipos de corpos e de entidades e eu sinto que tem menos uma vibe de pegar gente s\u00f3 por pegar gente, de essa ser a fun\u00e7\u00e3o em si, mas sim muita gente gostando de ouvir a m\u00fasica. Teve uma \u00e9poca que eu achava que m\u00fasica eletr\u00f4nica era poper\u00f4, musica de playboy, e fui entendendo que n\u00e3o, que isso \u00e9 um lado da m\u00fasica eletr\u00f4nica, e que tem lados muito melhores e muito mais interessantes \u2013 na minha opini\u00e3o, n\u00e9, nada contra. E tem a parada de fazer m\u00fasica eletr\u00f4nica, que \u00e9 muito legal, voc\u00ea faz em casa, pois tem algo de opressor pra mim no est\u00fadio, at\u00e9 financeiramente, pois voc\u00ea tem que dar um resultado tal at\u00e9 tal hora, cada hora que voc\u00ea est\u00e1 l\u00e1 voc\u00ea est\u00e1 pagando. E como artista independente, isso \u00e9 muito agoniante. A primeira vez que gravei \u201cMinha Cabe\u00e7a\u201d foi no est\u00fadio, e eu n\u00e3o estava satisfeita com o resultado, mas eu n\u00e3o tinha dinheiro para pagar mais horas de est\u00fadio e gravar mais vozes. Depois acabei regravando tudo em casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea sente que h\u00e1 duas respostas para esse trabalho: as pessoas que te apoiaram nesse universo e outras que aparecem toda hora dizendo \u201cah, mas voc\u00ea n\u00e3o vai tocar mais viol\u00e3o, n\u00e3o vai mais tocar folk\u201d? Como voc\u00ea lida com isso?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 muito! E entendo muito, porque alguns artistas meus \u2013 meus! [risos] \u2013, meus \u00eddolos j\u00e1 mudaram radicalmente e eu n\u00e3o curti e acontece. E n\u00e3o culpo, n\u00e3o acho que a pessoa tem que (curtir). At\u00e9 porque n\u00e3o sou eu, \u00e9 o meu trabalho, por isso que n\u00e3o gosto muito de me botar nessa situa\u00e7\u00e3o de \u00eddolo ou de musa, porque na realidade \u00e9 o meu trabalho. E enquanto trabalho, se podem gostar ou achar ruim, n\u00e3o \u00e9 comigo diretamente, \u00e9 com o que estou fazendo, com a obra. Ent\u00e3o por outro lado, sinto que se eu tivesse deletado tudo que eu fiz dos streamings, seria uma coisa, mas est\u00e1 tudo l\u00e1, sabe? N\u00e3o acho que seria genu\u00edno da minha parte ficar tentando fazer v\u00e1rios \u201cMonomanias\u201d, apesar de achar que seria mais lucrativo, tipo at\u00e9 hoje o que \u00e9 mais ouvido (na minha discografia) \u00e9 o \u201cMonomania\u201d, \u00e9 o que atinge a maior quantidade de pessoas, era a \u00e9poca em que eu enchia mesmo o Circo Voador e ficava gente de fora, mas n\u00e3o seria genu\u00edno, seria eu tentar mimetizar uma coisa que foi muito verdade pra mim naquela \u00e9poca, mas que n\u00e3o \u00e9 mais hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00ea v\u00ea ent\u00e3o esse processo de voltar para algumas faixas que voc\u00ea fez no EP \u201cEu Me Lembro\u201d. Como foi esse processo de selecionar elas, de reencontr\u00e1-las, digamos assim?<\/strong><br \/>\nNossa, foi muito gostoso. Foi feito na verdade para o show: eu queria muito fazer um show que englobasse o \u201cMonomania\u201d, pois n\u00e3o tenho a menor vergonha, eu amo o \u201cMonomania\u201d, gosto muito do disco. Queria muito que o show tivesse o disco, mas n\u00e3o queria que o show tivesse um momento a parte, tipo \u201cagora parou o \u2018Tem Conserto\u2019, vou pegar um viol\u00e3ozinho e vamos l\u00e1\u201d, porque acho que isso n\u00e3o \u00e9 interessante para o espet\u00e1culo, fica fragmentado, fica como se fosse um show de esquetes, e n\u00e3o era o que eu queria. Ent\u00e3o peguei o que acho que permanece, que \u00e9 o DNA das letras, porque acho que hoje em dia as letras s\u00e3o menos engra\u00e7adas, talvez, ou menos exageradas, mas acho que tem um DNA, um eu-l\u00edrico ali que continua. De todo modo, pegar essas letras e trazer para uma sonoridade que fa\u00e7o hoje em dia, sem perder a alma delas, foi muito trabalhoso, a gente teve muito medo. Eu e o Lucas tentamos v\u00e1rias m\u00fasicas, teve algumas que a gente n\u00e3o conseguiu, talvez um dia a gente consiga. \u201cMaca\u00e9\u201d, por exemplo, eu n\u00e3o consegui fazer uma vers\u00e3o que eu achasse esse meio do caminho de ela n\u00e3o perder a alma que ela tem, mas ela ainda fazer sentido com o que gosto hoje, com o que escuto hoje. V\u00e1rias m\u00fasicas a gente conseguiu e as pessoas come\u00e7aram a pedir, \u201ccomo \u00e9 que eu escuto essa vers\u00e3o dessa m\u00fasica?\u201d, e eu pensei \u201cvamos fazer\u201d. \u00c9 esquisito, n\u00e3o lembro de algu\u00e9m que fez isso, de pegar as m\u00fasicas antigas e regravar completamente diferente, mas foi muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E nessa nova fase voc\u00ea tamb\u00e9m tem uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com os visuais, tanto que voc\u00ea tem lan\u00e7ado v\u00e1rios clipes, um deles \u00e9 o clipe de \u201cS\u00f3 + 6\u201d, que \u00e9 ao lado do pessoal do Teatro da Pomba Gira, aqui de S\u00e3o Paulo. Como foi a sua liga\u00e7\u00e3o com eles?<\/strong><br \/>\nConhe\u00e7o o Marcelo [D\u2019Avilla] h\u00e1 um bom tempo, sou amiga dele, e sou muito amiga do Thiago Roberto, eles fazem juntos a Popporn, e sempre vou, fui, eu j\u00e1 li poemas er\u00f3ticos no festival, admiro muito o rol\u00ea deles em S\u00e3o Paulo, acho que \u00e9 essencial. Acho que a Popporn e a [festa] Dando tratam a coisa do sexo e do sexo gay e da coisa do estigma, mas tamb\u00e9m atentando pras prote\u00e7\u00f5es, para o Prep e tal. Isso \u00e9 t\u00e3o bonito. \u00c9 como falei antes, de que as festas de eletr\u00f4nico e essas festas underground t\u00eam uma preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica al\u00e9m da divers\u00e3o e do hedonismo. Sempre curti muito o Marcelo como artista e vi o [espet\u00e1culo] Dem\u00f4nios e fiquei encantada com o visual e com a poesia da pe\u00e7a. Um dia ele estava aqui no Rio, na casa de um amigo, a gente estava conversando, ele e o meu amigo, bebendo, conversando, e eu falei: \u201cCara, queria muito que voc\u00ea fizesse um clipe meu\u201d, e isso foi antes do disco sair. \u201cEu vou lan\u00e7ar um disco agora e gostaria muito que voc\u00ea dirigisse\u201d, e ele disse \u201cT\u00e1 bom, qual \u00e9 a m\u00fasica mais esquisita do disco?\u201d. Pensei muito e falei, \u201ccara, acho que \u2018S\u00f3 + 6\u2019 \u00e9 a mais esquisita do disco\u201d. E ele falou \u201ct\u00e1 bom\u201d. Nunca mais falou disso, achei que ele tinha esquecido. Cara, quando ele chegou, acho que foi no come\u00e7o desse ano, em janeiro, ele veio com um projeto de seis p\u00e1ginas, Power Point, foi a coisa mais linda, muito pensado, cada coisinha pensada poeticamente, e com essa galera que eu j\u00e1 tinha amado, do Teatro da Pomba Gira, e mais uma galera tamb\u00e9m, por que o Teatro \u00e9 s\u00f3 de homens gays, e a gente queria ter mais tipos de pessoas, e, enfim, foi maravilhoso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"S\u00f3 + 6 - Clarice Falc\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5VOxibm8s_s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o clipe mais recente \u00e9 \u201cDia D\u201d, que curiosamente tem v\u00e1rias pessoas que s\u00e3o importantes para voc\u00ea participando dele. Como foi esse outro clipe?<\/strong><br \/>\nGosto muito de fazer coisas com amigos, com gente pr\u00f3xima. At\u00e9 quando, por exemplo, fui fazer o \u201cTem Conserto\u201d com o Lucas, ele era namorado da minha amiga, ele n\u00e3o era meu amigo, e agora ele \u00e9 um dos meus melhores amigos, agora ele fica aqui em casa no Carnaval, sabe, e a gente ferve junto. Ent\u00e3o gosto muito de trabalhar com amigos, os diretores do clipe s\u00e3o o Filipe Oliveira e o Pablo Monaquezi, dois dos meus melhores amigos, e na hora de fazer o casting foi muito por essa vibe de \u201cquem \u00e9 importante pra gente, quem faz sentido?\u201d. Tem at\u00e9 a minha m\u00e3e [a escritora e roteirista Adriana Falc\u00e3o] beijando minha madrinha na boca! N\u00e3o era para elas se beijarem, minha m\u00e3e que inventou, era s\u00f3 para elas estarem de casalzinho, uma botar a m\u00e3o na bunda da outra e tal, mas daqui a pouco estavam se beijando. E tem a galera justamente das festas de underground daqui, da Rave RJ, que fazem a festa At\u00e9 as 4. Enfim, acho que d\u00e1 pra ver no clipe que \u00e9 genu\u00edno, que \u00e9 pessoal, \u00e9 o que sempre tento buscar. \u00c9 o que eu falei de fazer um outro \u201cMonomania\u201d ou que sempre tento fazer uma coisa que seja de verdade, mesmo que \u00e0s vezes seja tosca. O \u201cDia D\u201d, por acaso, a gente pensou assim: \u201cVamos fazer um clipe lindo\u201d, mas lembro do \u201cEu Escolhi Voc\u00ea\u201d, que era o clipe das pirocas, cara, o clipe era horroroso, n\u00e3o tinha diretor de fotografia, era s\u00f3 a gente na minha casa tirando a roupa e filmando, sem a menor pretens\u00e3o de ser pol\u00edtico, era s\u00f3 um clipe para engra\u00e7ado, desistigmatizando e dessexualizando o corpo, mas era bem feio, a fotografia era sofr\u00edvel, porque a gente fez tudo em casa, mesmo assim acho que tem uma coisa bonita. O \u201cIr\u00f4nico\u201d tamb\u00e9m, no carnaval, a gente s\u00f3 fez com celular, ent\u00e3o \u00e9 isso, sempre achei esquisito, eu nunca me senti confort\u00e1vel para chamar um diretor que eu n\u00e3o conhe\u00e7a e falar \u201ctoma, entreguei essa m\u00fasica e inventa a\u00ed\u201d, pois \u00e9 t\u00e3o pessoal, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. E no caso do \u201cDia D\u201d voc\u00ea tamb\u00e9m ficou conversando com os seus f\u00e3s na internet sobre o lan\u00e7amento do clipe ou n\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da quarentena. Nesse sentido, voc\u00ea tem criado essa rela\u00e7\u00e3o maior com eles no Twitter. Como \u00e9 pra voc\u00ea voltar a ter esse tipo de rela\u00e7\u00e3o depois que voc\u00ea teve, em alguns momentos da sua vida, uma hiperexposi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEssa pergunta \u00e9 maravilhosa porque, realmente, em 2013, quando teve o Porta [dos Fundos] e o \u201cMonomania\u201d, a gente estava nessa turn\u00ea do \u201cMonomania\u201d e come\u00e7ou a ficar muito grande. Foi uma exposi\u00e7\u00e3o muito grande, come\u00e7ou a ter gente balan\u00e7ando van, invadindo camarim. E eu nunca tive essa pira de ser celebridade, nunca na minha vida. Sempre gostei de fazer arte, de fazer as minhas coisas, mas n\u00e3o \u00e9 um lugar em que fico confort\u00e1vel de ter uma fila pra tirar foto comigo, sabe? Como se eu fosse o Mickey, pois acho que me coloca num lugar como se eu fosse acima e, na verdade, enfim&#8230; \u00e9 um lugar que n\u00e3o me deixa nem um pouco confort\u00e1vel. E no meio dessa turn\u00ea a gente estava enchendo tudo, lotando, mas comecei a ter crises de p\u00e2nico, comecei a ter crise de ansiedade, eu sofria pra entrar no palco. E lembro que o show era todo programado, tudo que eu falava era escritinho, e eu n\u00e3o me mexia do lugar, eu ficava parada cantando&#8230; n\u00e3o estava sendo divertido, n\u00e3o estava sendo bom pra mim e come\u00e7ou a ser o contr\u00e1rio, come\u00e7ou a ser muito sofrido e parei. Por um lado, acho que foi a coisa mais burra que j\u00e1 fiz na minha vida, porque foi o momento que eu estava de fato ganhando dinheiro, fiz o comercial do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar e tal, eu estava come\u00e7ando a ganhar dinheiro sendo uma artista independente. Mas mesmo assim ainda foi a decis\u00e3o certa, parei a turn\u00ea no meio, em 2013, nessa \u00e9poca eu n\u00e3o falava direito no Twitter, n\u00e3o usava Instagram, tentava manter a minha vida mais privada poss\u00edvel, e ok, falei \u201cn\u00e3o vou mais fazer isso, \u00e9 imposs\u00edvel\u201d. Com o tempo fui ficando mais saud\u00e1vel mentalmente, e comecei a entender que \u00e0s vezes eu mesma me colocava nesse lugar, at\u00e9 n\u00e3o tendo um Twitter. N\u00e3o me comunicando talvez eu me botasse num lugar de inacess\u00edvel mesmo. E eu entendia que o problema era que eu n\u00e3o estava botando as coisas nos meus termos e agora que tenho tentado fazer e tem funcionado \u00e9 isso: justamente botar as coisas nos meus termos, de eu falar do jeito que eu falaria, sem falar de um jeito como se eu fosse uma diva pop. N\u00e3o sou e n\u00e3o tenho essa voca\u00e7\u00e3o para diva pop. Tem gente que ama e faz isso muito bem, eu n\u00e3o tenho, n\u00e3o vou cobrar meet &amp; greet, isso nunca vai acontecer, porque n\u00e3o quero me botar nesse lugar. Ent\u00e3o, comecei a me zuar, a zuar as pessoas, os f\u00e3s, e fazer dessa rela\u00e7\u00e3o um pouco mais horizontal. E dizer \u201ccara, se voc\u00ea me encontrar no Carnaval doidona, eu vou conversar com voc\u00ea, mas eu n\u00e3o vou tirar foto, porque eu vou estar doidona\u201d. Coisas muito simples. Agora se eu estiver na rua, prefiro bater um papo, honestamente, acho mais rico, tipo \u201cp\u00f4, voc\u00ea gosta dessa m\u00fasica, por qu\u00ea? Te tocou de que maneira?\u201d, mas, \u00f3bvio, se voc\u00ea quiser uma foto, eu nunca neguei foto na rua, mas acho t\u00e3o mais interessante essa rela\u00e7\u00e3o horizontal de uma pessoa que gosta de seu trabalho e a pessoa que fez o trabalho, \u00e9 enriquecedor pros dois lados, \u00e9 muito bonito conversar com algu\u00e9m que se tocou com o que essa m\u00fasica disse, que algo mudou na vida dela, \u00e9 muito bom pra mim. Ent\u00e3o agora essa coisa de \u201cvotem nas fotos\u201d, \u201cser\u00e1 que eu lan\u00e7o, porque eu n\u00e3o ia lan\u00e7ar, mas eu t\u00f4 vendo que a quarentena vai durar muito e eu t\u00f4 muito ansiosa que o clipe t\u00e1 muito legal, o que voc\u00eas acham?\u201d, \u00e9 uma conversa de igual pra igual, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No in\u00edcio da nossa conversa voc\u00ea falou no sentido de passar a enxergar agora a sua carreira musical como uma carreira. E como voc\u00ea concilia esse seu lado musical com a Clarice atriz? Ano passado voc\u00ea participou de \u201cShippados\u201d, da Globo, ent\u00e3o como tem sido essa concilia\u00e7\u00e3o entre os dois universos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 dif\u00edcil, \u00e0s vezes quando eles se cobrem, um por cima do outro, fica mais dif\u00edcil, muitas vezes eu termino fazendo um pouco pior um deles ou com a cabe\u00e7a em outro, mas o que eu tento \u00e9 fazer em blocos. Ent\u00e3o na \u00e9poca do \u201cShippados\u201d eu dei uma parada no disco. Da\u00ed terminou o \u201cShippados\u201d e a gente finalizou o disco, lan\u00e7ou o disco, comecei a fazer turn\u00ea. E tamb\u00e9m tem uma coisa que a carreira de atriz e autora \u00e9 muitas vezes o que financia a minha carreira de cantora, porque n\u00e3o sou de gravadora, at\u00e9 ent\u00e3o nunca entrei em edital, termino tirando do meu bolso. Por exemplo, o comercial do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar foi o que pagou o meu segundo disco, j\u00e1 o \u201cShippados\u201d pagou a masteriza\u00e7\u00e3o do \u201cTem Conserto\u201d. Esse disco foi muito mais barato, feito em casa, mas foi a s\u00e9rie que pagou a masteriza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o termina que uma coisa vai alimentando a outra, tanto financeiramente quanto artisticamente, por exemplo, no pr\u00f3prio \u201cShippados\u201d, o que aprendi tanto de interpreta\u00e7\u00e3o, mas de libera\u00e7\u00e3o, de parar de noiar com o meu corpo, eu levei para outros lugares, levei para [fazer o clipe de] \u201cDia D\u201d de lingerie, fazer o [clipe de] \u201cS\u00f3 + 6\u201d toda de l\u00e1tex. Ent\u00e3o sinto que vou aprendendo uma coisa aqui e utilizo ali, pode ser legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora voc\u00ea lan\u00e7ou muita coisa, produziu muito, e o que voc\u00ea vai fazer a seguir nesse cen\u00e1rio que a gente nem sabe direito quando vai passar. Voc\u00ea est\u00e1 fazendo algum plano?<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, tenho muitos planos para a minha fam\u00edlia do The Sims [risos]. Agora estou muito assim \u201ceu n\u00e3o sei o que eu vou fazer da minha vida\u201d, eu tenho um projeto de seriado, mas que n\u00e3o foi ainda nem aprovado, ent\u00e3o n\u00e3o tem nem o que dizer, mas a gente est\u00e1 trabalhando nele j\u00e1 tem algum tempo e agora estamos trabalhando por Hangout, mas assim, meio The Sims [risos]. Al\u00e9m disso, tem alguns clipes que a gente est\u00e1 pensando fazer em quarentena mesmo, tipo \u201cCDJ\u201d que \u00e9 uma m\u00fasica de que gosto muito. A gente fez algumas imagens do Carnaval desse ano, para de repente fazer uma segunda vers\u00e3o do clipe de \u201cIr\u00f4nico\u201d com a vers\u00e3o do EP, isso pode ser uma coisa que a gente lance, mas acho que de lan\u00e7amento grande mesmo, feito a gente teve de \u201cDia D\u201d e \u201cS\u00f3 + 6\u201d, que eram clip\u00f5es, clipes mesmo, com cara de gente, eu n\u00e3o sei quando vai ser, mas acho que talvez tenham algumas surpresinhas, algumas coisas legais.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Eu Me Lembro_ - Clarice Falc\u00e3o (part. Letrux)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4N9WgVZ1zss?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Clarice Falc\u00e3o - Minha Cabe\u00e7a\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ejTgc3mHcTQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ir\u00f4nico - Clarice Falc\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2hvVlpXEvCE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista e escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Tamb\u00e9m colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monkeybuzz.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Esse ano ainda seria a estreia da artista nos palcos do Lollapalooza, por\u00e9m a quarentena imp\u00f4s o cancelamento do evento. Longe dos palcos, Clarice tem utilizado esse tempo para focar nos seus lan\u00e7amentos previamente planejados e para intensificar sua rela\u00e7\u00e3o com seus f\u00e3s via internet.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/16\/entrevista-clarice-falcao-nao-tenho-vocacao-para-ser-diva-pop\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":56401,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1549],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56399"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56399"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56399\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56402,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56399\/revisions\/56402"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56401"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}