{"id":56338,"date":"2020-06-10T00:56:51","date_gmt":"2020-06-10T03:56:51","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56338"},"modified":"2020-07-07T03:43:40","modified_gmt":"2020-07-07T06:43:40","slug":"de-portugal-os-mancines-falam-de-seu-segundo-disco-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/10\/de-portugal-os-mancines-falam-de-seu-segundo-disco-ii\/","title":{"rendered":"De Portugal, os Mancines falam de seu segundo disco, &#8220;II&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria dos <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/mancines.band\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Mancines<\/a> come\u00e7ou em 2010, na cidade de Coimbra, quando Pedro Renato (composi\u00e7\u00e3o, guitarra e teclas) se juntou a Raquel Ralha (letras, voz e auto-harpa), Gon\u00e7alo Rui (guitarra e teclas) e Toni Fortuna (letras, voz e guitarra) com o objetivo de criar um projeto que servisse de trilha sonora para retratar vidas pessoais, viagens e f\u00e9rias, entre outros assuntos. Pedro e Raquel j\u00e1 tinham sido colegas no Belle Chase Hotel, Toni esteve mais ligado ao rock nos Tedio Boys e M\u2019as Foice e em conjunto com Gon\u00e7alo Rui iniciaram o processo de grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum de estreia. Ao fim de alguns anos, quando reuniram as m\u00fasicas num todo coerente, estrearam-se com o disco \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/40Kt2uxl8ZBpWQVnBjPY7j\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eden\u2019s Inferno<\/a>\u201d (2015).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201cEden\u2019s Inferno\u201d \u00e9 not\u00f3rio o conceito est\u00e9tico de Pedro Renato (que j\u00e1 fez m\u00fasica para cinema), apoiado em ambientes escuros, nos quais se ret\u00eam as faixas \u201cTime\u201d e \u201cUna Notte Indecisa\u201d e onde a banda encena livremente um jogo de sombras e tenta\u00e7\u00f5es. Outras das caracter\u00edsticas do trabalho dos Mancines \u00e9 variedade de l\u00ednguas em que \u00e9 cantado. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um idioma espec\u00edfico para cantarmos os nossos temas. Acho que \u00e9 uma coisa meio cinematogr\u00e1fica, que serve para apresentar qualquer filme, seja europeu, americano ou numa l\u00edngua mais estranha. Por isso, n\u00e3o existe um limite para a forma como expressamos uma determinada mensagem\u201d, explica Toni Fortuna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a edi\u00e7\u00e3o de \u201cEden\u2019s Inferno\u201d, o quarteto esteve cinco anos sem lan\u00e7ar um novo disco. O motivo do sil\u00eancio discogr\u00e1fico deveu-se a diversas atividades dos seus integrantes. Entre outras ocupa\u00e7\u00f5es, Pedro Renato e Raquel Ralha editaram \u201cThe Devil\u00b4s Choice Vol. 1\u201d (2017) e Toni Furtado fez trabalhos com o d3o (banda coimbrense que Toni tamb\u00e9m integra). \u201cTemos v\u00e1rios projetos e os Mancines \u00e9 um deles. Isso n\u00e3o significa que seja menor que os outros, pelo contr\u00e1rio. Envolvemo-nos tanto que nem demos conta de terem passado cinco anos\u201d, conta Pedro Renato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Relativamente <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/5iMW216D21r85cLKcfdC2W\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ao novo trabalho (\u201cII\u201d)<\/a>, a banda n\u00e3o usou o processo cl\u00e1ssico de grava\u00e7\u00e3o, em que todos os elementos est\u00e3o presentes no est\u00fadio e gravam juntos (fruto da pandemia) e as quest\u00f5es geogr\u00e1ficas levaram a que tudo fosse feito por partes. Mesmo assim, o resultado final foi bastante animador e representou um decolagem do ambiente negro de estreia para um pop solarengo, que contempla sonoridades como o funk ou a new wave e as novas can\u00e7\u00f5es sugerem diversas imagens e significados. Pedro Renato justifica a via seguida pelo fato dos m\u00fasicos dos Mancines terem \u201cevolu\u00eddo moral e musicalmente com o passar do tempo\u201d e acrescenta: \u201cA viv\u00eancia de 2020 \u00e9 diferente de 2015 e os temas de \u201cII\u201d representam melhor o atual estado do grupo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O imediatismo do single \u201cIs This A Go?\u201d, no esp\u00edrito \u2018good clean fun\u2019, um pop requintado cantado em portugu\u00eas, \u201cO Po\u00e7o\u201d (com letra de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/samuel-uria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Samuel \u00daria<\/a>), tal como a releitura agrad\u00e1vel de \u201cFado\u201d, dos Her\u00f3is do Mar ou a interpreta\u00e7\u00e3o de \u201cCome Tu Mi Vuoi\u201d (do compositor italiano Nino Rota) sobressaem. Mas, o \u00e1lbum destaca-se tamb\u00e9m pela magn\u00edfica \u201cSpirit Of The Blues\u201d. Sobre a can\u00e7\u00e3o, Pedro Renato recorda uma velha hist\u00f3ria quando era parceiro de JP Sim\u00f5es no Belle Chase Hotel e partilharam a sua composi\u00e7\u00e3o antes da edi\u00e7\u00e3o do disco de estreia do grupo (\u201cFossanova\u201d, de 1998). \u201cO JP escreveu a letra e eu fiz a m\u00fasica. Temos um carinho muito grande pelo tema mas, na verdade, ficou guardado numa gaveta durante todos esses anos. Como o Belle Chase Hotel acabou e n\u00e3o o gravou, senti que fazia sentido incluir a \u201cSpirit Of The Blues\u201d no alinhamento do \u00e1lbum dos Mancines. Pedi autoriza\u00e7\u00e3o ao JP Sim\u00f5es para me apropriar da m\u00fasica e grav\u00e1-la com a letra dele e foi assim que aconteceu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando lan\u00e7o o desafio para deixarem uma mensagem aos leitores do Scream &amp; Yell, Toni Fortuna apela ao interesse do internauta brasileiro: \u201cN\u00f3s pretendemos fazer a trilha sonora do cotidiano de uma pessoa e esperamos que algu\u00e9m do outro lado do Atl\u00e2ntico tamb\u00e9m se identifique e divirta-se com a nossa m\u00fasica\u201d. Enquanto Pedro Renato revela a sua paix\u00e3o pela m\u00fasica brasileira e acredita na reciprocidade. \u201cDesde garoto que eu coleciono discos de bossa nova e tropicalismo e a m\u00fasica brasileira foi muito importante na minha vida. Nesse sentido, espero que nos recebam de bra\u00e7os abertos como n\u00f3s acolhemos os seus artistas\u201d. Complementarmente, Pedro mostra igual admira\u00e7\u00e3o por bandas mais recentes como o Los Hermanos e o Pato Fu e exprime um desejo: \u201cN\u00f3s adorar\u00edamos tocar no Brasil e, provavelmente, ficar\u00edamos l\u00e1 (risos)\u201d, conclui. De Coimbra para o Brasil, Pedro Renato e Toni Fortuna, dos Mancines, conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MANCINES - Is This A Go? (official video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7wxwNKDxl8M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 a origem do nome Mancines?<\/strong><br \/>\nQuando procuramos um nome para o grupo, algo que \u00e9 sempre complicado, resultou numa dor de dentes incr\u00edvel (risos). Por um lado, quer\u00edamos que tivesse uma associa\u00e7\u00e3o ao universo cinematogr\u00e1fico. Por outro lado, pretend\u00edamos criar um v\u00ednculo familiar entre os integrantes da banda, como acontece com o Ramones. Nesse sentido, Mancines, que foi uma das primeiras hip\u00f3teses, agradou-nos. Tem um pouco a ver com Henry Mancini e soou melhor do que Morricones (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os m\u00fasicos dos Mancines integraram bandas hist\u00f3ricas como o Belle Chase Hotel e o T\u00e9dio Boys e atualmente fazem parte de outros grupos de Coimbra como The Twist Connection, Azembla\u2019s Quartet ou d3o. Gostaria de saber se foi dif\u00edcil encontrarem uma ideia que se traduzisse num caminho musical comum?<\/strong><br \/>\nEsse caminho est\u00e1 mais f\u00e1cil agora. Olhando para o disco atual (\u201cII\u201d), existe uma identidade diferente neste grupo de pessoas. Realmente, o que faz sentido neste projeto e no fato de estarmos todos juntos, mesmo com backgrounds diferentes, \u00e9 o querer juntar diversas experi\u00eancias, que n\u00f3s temos, por tudo o que j\u00e1 fizemos, mas procurar fazer algo distinto do que j\u00e1 fizemos. Se estivermos satisfeitos com o produto que vai saindo, excelente e se as pessoas gostarem, melhor ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A anima\u00e7\u00e3o, o romantismo, a sedu\u00e7\u00e3o e o sonho est\u00e3o bem presentes no novo \u00e1lbum. No entanto, essas caracter\u00edsticas parecem concorrer para um sentimento mais amplo. Concorda?<\/strong><br \/>\nO novo \u00e1lbum, ao contr\u00e1rio do primeiro, \u00e9 alegre, colorido e arejado. Enquanto o \u201cEden\u2019s Inferno\u201d (2015) fazia jus ao nome, era mais escuro e tinha uma esp\u00e9cie de para\u00edso dentro do inferno. \u00c9 interessante verificar que as letras do novo \u00e1lbum n\u00e3o foram escritas em conjunto, mas dirigem-se para um lugar comum. Quando juntamos as pe\u00e7as, verificamos que estamos falando a mesma linguagem. At\u00e9 o layout das fotografias do grupo, que parecia ser do s\u00e9culo passado, deixou de ser soturno e ficou mais aberto e colorido. Por isso, este trabalho tem mais frescor e romantismo do que o anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os Mancines fazem parte de uma cena musical que continua em franca ascens\u00e3o. Atribuem esse fato ao papel de Rui Ferreira e do selo que ele dirige (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCbdx50ieqON6ibfh6eCmPUw\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lux Records<\/a>) ou acreditam que existe uma caracter\u00edstica comum \u00e0s bandas de Coimbra que as torna apelativas?<\/strong><br \/>\nAcho que h\u00e1 um denominador comum, mesmo que as pessoas agora n\u00e3o estejam na mesma \u00e1rea geogr\u00e1fica. Mas, tudo passa por gostarmos de determinados assuntos. Houve uma colheita em v\u00e1rias d\u00e9cadas que foi criando ra\u00edzes semelhantes, desenvolvendo aptid\u00f5es e prefer\u00eancias por alguma coisa, que quando se juntam podem ser mais ou menos apelativas, dependendo de quem v\u00ea. Isso passou por apreciar determinados filmes, trilhas sonoras, livros e por uma cultura que era divulgada por fanzines e outras pesquisas. E essa necessidade tornou-se um gosto. Quando tudo \u00e9 conjugado torna-se interessante. Mas, de fato, h\u00e1 muita gente criativa em Coimbra fazendo m\u00fasica. Para al\u00e9m disso, temos a sorte de ter uma pessoa como o Rui Ferreira, que \u00e9 apaixonado pela m\u00fasica e pelas bandas que edita. O Rui cria as condi\u00e7\u00f5es todas para os grupos locais poderem extravasar e darem o seu melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em face da atual conjuntura, pretendem fazer lives para divulgar o disco ou t\u00eam outras ideias para promover o \u201cII\u201d?<\/strong><br \/>\nVivemos um momento de inc\u00f3gnitas. A live pela Internet n\u00e3o \u00e9 muito apelativo para os Mancines e em termos sonoros ter\u00e1 pouca qualidade. No entanto, estamos tentando trabalhar mais as redes sociais, porque deix\u00e1mos essa realidade um pouco de lado durantes esses anos todos. Estou falando de clipes e anima\u00e7\u00e3o para alguns temas do disco e \u00e0 medida que formos avan\u00e7ando, lan\u00e7amos esse material na Internet. Atualmente, os palcos f\u00edsicos est\u00e3o fechados e n\u00e3o sabemos quando ir\u00e3o abrir, por isso temos de improvisar. Mas, o fato de n\u00e3o haver concertos, para j\u00e1, pode gerar a necessidade das pessoas procurarem a m\u00fasica e de a escutarem de uma forma mais concreta, seja em disco ou nas redes sociais. No entanto, julgo que num futuro pr\u00f3ximo teremos shows ao ar livre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o grande objetivo da banda?<\/strong><br \/>\nO objetivo principal dos Mancines \u00e9 sobreviver, fazendo o melhor que pode num pa\u00eds de 10 milh\u00f5es de habitantes. No momento, as coisas n\u00e3o est\u00e3o f\u00e1ceis, porque os artistas vivem dos palcos e n\u00e3o dos discos. Como todas as bandas, alimentamos um sonho maior: sair um pouco de Portugal e atuar internacionalmente. Mas, isso n\u00e3o \u00e9 uma obsess\u00e3o. Para j\u00e1, pretendemos continuar fazendo m\u00fasica, lan\u00e7ar discos com um interregno menor do que cinco anos (risos), dar o m\u00e1ximo e tentar que o nosso trabalho chegue ao maior n\u00famero de pessoas. E se aquilo que fazemos e gostamos de fazer agradar-lhes, \u00f3timo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mancines | Shadows of my mind from Eden&#039;s Inferno | 2015\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-aQGXWqVDT8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>\u00a0(siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Bruno Pires \/ Divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;O objetivo principal do Mancines \u00e9 sobreviver, fazendo o melhor que pode num pa\u00eds de 10 milh\u00f5es de habitantes. No momento, as coisas n\u00e3o est\u00e3o f\u00e1ceis, porque os artistas vivem dos palcos e n\u00e3o dos discos. 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