{"id":56295,"date":"2020-06-06T23:51:31","date_gmt":"2020-06-07T02:51:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56295"},"modified":"2020-07-02T00:26:28","modified_gmt":"2020-07-02T03:26:28","slug":"entrevista-guilherme-silva-protagonista-da-serie-pequeno-gigante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/06\/entrevista-guilherme-silva-protagonista-da-serie-pequeno-gigante\/","title":{"rendered":"Entrevista: Guilherme Silva, protagonista da s\u00e9rie &#8216;Pequeno Gigante&#8217;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentro de um choque entre ra\u00edzes afetivas e culturais, ambi\u00e7\u00f5es, escr\u00fapulos e car\u00e1ter, a constru\u00e7\u00e3o do protagonista de \u201c<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pequenogigante.serietv\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pequeno Gigante<\/a>\u201d, s\u00e9rie baiana que chega ao seu quarto epis\u00f3dio semanal (de um total de 13) na pr\u00f3xima quinta (11\/06), se d\u00e1 entre os diversos conflitos que o personagem do parlamentar Davi Passos (vivido por Guilherme Silva, de \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d) tem no seu constante nado com tubar\u00f5es dentro da pol\u00edtica soteropolitana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vereador de origem pobre, defensor da comunidade onde cresceu, a Nova Nig\u00e9ria, e em luta contra a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que amea\u00e7a a exist\u00eancia do lar onde vive at\u00e9 hoje, Davi \u00e9 um s\u00edmbolo de contraste da pol\u00edtica a qual estamos acostumados a ver. Homem negro, sobrevivente desde crian\u00e7a, quando ainda vivia em (e foi expulso de) Itaparica, das inj\u00farias e tentativas de apagamento que as classes privilegiadas e predat\u00f3rias infligiam em sua exist\u00eancia, a figura de Davi como um pol\u00edtico de ideais firmes, mas distantes da ingenuidade, d\u00e1 a \u201cPequeno Gigante\u201d uma pertinente discuss\u00e3o acerca do que significa fazer pol\u00edtica social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Guilherme Silva fala nesta entrevista ao Scream &amp; Yell acerca da import\u00e2ncia de um personagem como Davi Passos, um homem negro e de destaque pol\u00edtico em um cen\u00e1rio dominado por brancos, muitos deles racistas, oriundos de uma pol\u00edtica coronelista. No papo, destrincha sua trajet\u00f3ria como ator.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Oriundo dos palcos baianos, Guilherme come\u00e7ou a atuar atrav\u00e9s das oficinas de teatro promovidas pelo SESI Rio Vermelho e da Escola de Teatro Sitorne, Teatro Vila Velha e pelo Bando de Teatro Olodum, onde atuou na prestigiada montagem \u201cCabar\u00e9 da Ra\u00e7a e Sonhos de Uma Noite de Ver\u00e3o\u201d, al\u00e9m da companhia Arte e Sintonia, com a pe\u00e7a inspirada na vida de Elza Soares, \u201cSe Acaso Voc\u00ea Chegasse\u201d. Chegou aos palcos do sudeste primeiro com o musical \u201cO Fino do Samba\u201d e, mais recentemente, com o musical \u201cDona Ivone Lara \u2013 Um Sorriso Negro\u201d, que passou pelos palcos cariocas e paulistanos, mas teve sua turn\u00ea nacional 2020 interrompida pela pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na TV, Guilherme atuou na miniss\u00e9rie global \u201cO Canto da Sereia\u201d e, nos cinemas, no premiado longa baiano \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d (2017). Pequeno Gigante est\u00e1 atualmente no quarto epis\u00f3dio (de um total de 13) e poder ser conferida na <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tvebahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@tvebahia<\/a> \u00e0s 20h (transmiss\u00e3o simult\u00e2nea em <a href=\"http:\/\/irdeb.ba.gov.br\/tveonline\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">irdeb.ba.gov.br\/tveonline\/<\/a>), com reprise aos domingos, \u00e0s 19h, al\u00e9m da TV Cultura, na 0h05 de quinta para sexta. Confira o papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pequeno Gigante Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AGMiCrNGurE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual foi sua rea\u00e7\u00e3o inicial ao receber o roteiro de \u201cPequeno Gigante\u201d ao refletir acerca das nuances do seu personagem, o vereador Davi Passos?<\/strong><br \/>\nPrimeiro, foi um presente como ator, como profissional, ter acesso a um personagem desse tipo. Mas, tamb\u00e9m, como pessoa preta, como homem preto, ver essa representa\u00e7\u00e3o em um roteiro escrito para uma s\u00e9rie de televis\u00e3o, \u00e9 muito bom. Sabemos que ainda h\u00e1 dificuldades de atores negros encontrarem pap\u00e9is de protagonismo. Esse fato, infelizmente, faz parte da nossa realidade. A gente ainda bate de frente com isso a todo tempo. Atuar nesta posi\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo muito mais de sobreviv\u00eancia do que viv\u00eancia, at\u00e9 ent\u00e3o. Mas, a gente vai conseguindo aos poucos furar o bloqueio. Como profissional, como ator, foi uma oportunidade incr\u00edvel fazer a s\u00e9rie. Porque, s\u00e3o justamente quest\u00f5es que a gente tem que discutir cada vez mais para que v\u00e1 se quebrando essa conduta arraigada do racismo, dessa correla\u00e7\u00e3o com o senhorio, que ainda est\u00e1 estabelecida nas principais cidades do Brasil. Isso ainda existe. Isso ainda coexiste. \u00c9 um cen\u00e1rio ditado por uma pol\u00edtica coronelista que, desde a sua ess\u00eancia (sabemos), \u00e9 racista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cPequeno Gigante\u201d traz em sua estrutura de roteiro diversos temas relacionados \u00e0 pol\u00edtica como um instrumento capaz de, para o bem ou para o mal, modificar vidas. Mas o grande foco da s\u00e9rie relaciona-se com uma den\u00fancia para Salvador como uma cidade de pol\u00edtica racista. Como voc\u00ea avalia essa reflex\u00e3o trazida pela s\u00e9rie?<\/strong><br \/>\nDiscutir essas quest\u00f5es dentro de uma obra como \u2018\u2019Pequeno Gigante\u201d \u00e9 uma oportunidade incr\u00edvel. A import\u00e2ncia de uma s\u00e9rie com este conceito, ambientada aqui, em Salvador, \u00e9 mostrar que, sim, podemos fazer de forma profissional, sim. E que \u00e9 necess\u00e1rio, e que podemos come\u00e7ar a contar as nossas hist\u00f3rias. Como popula\u00e7\u00e3o pertencente a esse legado ancestral, preto, afrodiasp\u00f3rico, e, tamb\u00e9m, dentro do processo pol\u00edtico. Porque fazemos parte do conceito pol\u00edtico, cultural, econ\u00f4mico, social. Toda essa constru\u00e7\u00e3o faz parte da gente, tamb\u00e9m. Acho que a import\u00e2ncia da s\u00e9rie \u00e9 tamb\u00e9m vir mostrar que n\u00f3s podemos muito mais, sim, que devemos fazer, sim, cada vez mais, propondo essas discuss\u00f5es. Eu me considero um velho jovem. Mas, no processo do \u201cfazer\u201d art\u00edstico, eu me percebo muito novo. H\u00e1 muitos mestres e mestras que sigo, me espelho. Enxergo sempre um caminho de desenvolvimento, desde que comecei minhas pesquisas e estudos art\u00edsticos. Comecei como Bando (de Teatro Olodum). O bando \u00e9 mais do que um grupo. \u00c9 um lugar, \u00e9 uma metodologia art\u00edstica que tem uma linha pol\u00edtica muito forte, abrangendo e estimulando o fazer art\u00edstico e valorizando o processo cultural. A nossa cultura n\u00e3o est\u00e1 desalinhada do resultado buscado. Nunca est\u00e1 desconectada. Salvador \u00e9 a cidade com o maior contingente de pessoas pretas afrodiasp\u00f3ricas fora do continente africano. Quando voc\u00ea observa isso, surpreende perceber que a gente tem mais de 470 anos de forma\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tivemos ainda um prefeito negro, a n\u00e3o por seis meses apenas, como foi o caso do Edvaldo Brito. N\u00e3o tivemos ainda uma representa\u00e7\u00e3o negra que v\u00e1 de acordo com o que buscamos com refer\u00eancia, que esteja de acordo com uma abertura, um crescimento, uma valoriza\u00e7\u00e3o cultural dessa forma\u00e7\u00e3o, desse povo. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o para a gente discutir. A gente ainda n\u00e3o teve uma mulher preta como prefeita, por exemplo. E a gente tem v\u00e1rios exemplos de mulheres pretas que fizeram parte de movimenta\u00e7\u00f5es rebeldes, de contesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e hist\u00f3ricas. Por isso, \u00e9 extremamente importante a gente ter um roteiro como o de \u201cPequeno Gigante\u201d diante de n\u00f3s, termos uma hist\u00f3ria como essa sendo tratada. Faz parte, sim, do processo de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra, aqui em Salvador e no Brasil como um todo, por isso \u00e9 necess\u00e1rio discutir. Infelizmente, ainda se faz necess\u00e1rio discutir. N\u00e3o temos essa representa\u00e7\u00e3o pautada como a gente necessita. O contingente de popula\u00e7\u00e3o negra ainda \u00e9 desumanizado, fica \u00e0 merc\u00ea. Ainda fica \u00e0 margem social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica. Ent\u00e3o, \u00e9 completamente necess\u00e1rio falarmos, sobre isso, sim. H\u00e1 muitas pend\u00eancias. Tanto sobre as quest\u00f5es pol\u00edticas, tema forte, pois dita regras, dita direcionamentos dentro do nosso processo social, quanto no que diz respeito \u00e0 nossa constru\u00e7\u00e3o como cidade e como pa\u00eds. Percebemos que as \u00e1reas da cidade que possuem a maior parte da popula\u00e7\u00e3o negra, os bairros mais populares, s\u00e3o os locais que mais necessitam de infraestrutura. E, tamb\u00e9m, s\u00e3o os lugares que abrigam um maior contingente de fazedores culturais. A Liberdade, por exemplo, tem ali o Curuzu como representa\u00e7\u00e3o mundial, mas, ainda assim passa por diversas car\u00eancias. Ou, bairros como Itapoan e a regi\u00e3o de Tubar\u00e3o, no sub\u00farbio. A gente vai para v\u00e1rias \u00e1reas da cidade e ainda encontra essa car\u00eancia. Olhar pra isso, exigir essa mudan\u00e7a, \u00e9 um processo necess\u00e1rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56305\" aria-describedby=\"caption-attachment-56305\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56305 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/guilhermesilva.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/guilhermesilva.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/guilhermesilva-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56305\" class=\"wp-caption-text\"><em>Guilherme Silva na s\u00e9rie &#8220;Pequeno Gigante&#8221;. Foto de Caio Lirio. <\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O posicionamento pol\u00edtico de seu personagem, Davi Passos, possui reflex\u00f5es que levam a audi\u00eancia a analis\u00e1-lo n\u00e3o somente dentro do conceito de parlamentar, envolto a tantas tramas e conchavos, mas, tamb\u00e9m, como uma pessoa oriunda de uma comunidade, com car\u00eancias e necessidades urgentes. Como voc\u00ea construiu esse equil\u00edbrio?<\/strong><br \/>\nTivemos v\u00e1rias discuss\u00f5es acerca desse processo de posicionamento pol\u00edtico, estrutura, essa movimenta\u00e7\u00e3o em prol da constru\u00e7\u00e3o desse cara que est\u00e1 chegando ao poder. Houve essa discuss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Davi, inserido nessa dicotomia. Ent\u00e3o, enxergo que h\u00e1 o pensamento como homem, como ser social, e outro pensamento como o ser pol\u00edtico, como jogar com essas duas quest\u00f5es, como equilibrar ambas e ir dialogando com tudo \u00e0 volta. Abordando a quest\u00e3o da postura moral dele, em termos de posicionamento pol\u00edtico e do posicionamento dele como indiv\u00edduo, integrante daquela comunidade. O trabalho era mostr\u00e1-lo n\u00e3o s\u00f3 se promovendo como pol\u00edtico, mas, como a galera o chama: um artivista. Ele \u00e9 um artista, realmente ativo naquela comunidade, inserindo-se no local a partir da correla\u00e7\u00e3o com a capoeira. Ele come\u00e7a fundando a institui\u00e7\u00e3o, a Negro M\u00e1rmore, em homenagem ao seu mestre de capoeira. Ap\u00f3s isso, implanta essa linha de estudo e educa\u00e7\u00e3o para as crian\u00e7as da comunidade. Ou seja, ele j\u00e1 faz pol\u00edtica fora do ambiente pol\u00edtico estrutural, sistem\u00e1tico. E a\u00ed, o que \u00e9 cobrado dele, e que a gente j\u00e1 pode ver no primeiro cap\u00edtulo, \u00e9 justamente isso: Quando h\u00e1 um poder maior confrontando o processo de inclus\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas ali, naquela comunidade, ou seja, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria querendo tomar aquela parte da comunidade, querendo usurpar aquele entorno, a\u00ed ele pensa: \u201cFerrou!Eu vou ter que virar pol\u00edtico, mesmo, para tentar reaver essa porra! Sen\u00e3o, n\u00e3o haver\u00e1 jeito mesmo\u201d. Esse \u00e9 um dos grandes conflitos do personagem. Ele n\u00e3o queria se tornar \u201cum deles\u201d, por ter essa imagem que o pol\u00edtico nos propicia, essa amostra, essa constata\u00e7\u00e3o, vamos dizer, de d\u00e9ficit de educa\u00e7\u00e3o, desse desvio de conduta, socialmente falando. Essa representa\u00e7\u00e3o corrompida nos faz olhar a pol\u00edtica brasileira com asco, com distanciamento. Essa vis\u00e3o deturpada faz com que a gente, como popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se aproxime tanto, mas, \u00e9 a partir da movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que a gente pode modificar, justamente, o entorno social. Ent\u00e3o, cultivando esse afastamento, limitando o povo a somente votar, sem opinar, a somente escolher o pol\u00edtico que vai represent\u00e1-lo ali, e n\u00e3o tomando ci\u00eancia do que est\u00e1 direcionando aquele processo de exist\u00eancia, dificultando o entendimento do mecanismo pol\u00edtico, eles adquirem mais poder e mais controle. Diante desse conflito sociol\u00f3gico, Davi representa toda uma comunidade. Ele \u00e9 uma figura que personifica a maior parte da comunidade brasileira, decepcionada, que acredita que a pol\u00edtica \u00e9 feita principalmente por ladr\u00f5es e que neste cen\u00e1rio s\u00f3 tem roubalheira. Ele se v\u00ea obrigado a entrar nesse processo pol\u00edtico para tentar modificar as coisas de forma efetiva. Da maneira como ele estava fazendo, ele se deparou com o poder corrompido, que movimenta tudo e todos, ent\u00e3o, se viu obrigado a pensar: &#8220;Bom, se \u00e9 assim, eu vou ter que virar prefeito, para assim, assegurar a comunidade.&#8221; Ele se v\u00ea for\u00e7ado a saber jogar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa entrevista acontece justamente no mesmo per\u00edodo em que o menino Jo\u00e3o Pedro, de 11 anos, foi assassinado pela pol\u00edcia do Rio de Janeiro enquanto estava no quintal de sua casa; e que George Floyd foi assassinado por policiais em Minneapolis. Em um estado pol\u00edtico cujo chefe do executivo defende com sua necropol\u00edtica que a popula\u00e7\u00e3o ande armada, da mesma forma que ridiculariza movimentos contra o feminic\u00eddio, que minimizou a import\u00e2ncia de Marielle Franco na luta contra as mil\u00edcias e contra o feminic\u00eddio, trazer reflex\u00f5es como as que \u201cPequeno Gigante\u201d traz se torna crucial.<\/strong><br \/>\nS\u00e3o patamares diferentes, por\u00e9m similares. Eles n\u00e3o chegam a se igualar, mas fazem parte de uma consequ\u00eancia. Por exemplo, quando voc\u00ea cita a a\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias, acobertadas por uma estrutura de governo, percebemos que h\u00e1 um desejo maior de encobrir as provas do que revel\u00e1-las. Elas est\u00e3o ali, escancaradas. A gente nota, v\u00ea as a\u00e7\u00f5es, percebemos nas not\u00edcias que chegam pela imprensa ou pelas m\u00eddias sociais. Quem tem o m\u00ednimo de pensamento cr\u00edtico para acompanhar todo o cen\u00e1rio pol\u00edtico e um pouco de hist\u00f3ria do nosso pa\u00eds, percebe. Enxergamos que algo de errado n\u00e3o est\u00e1 certo ali. A necropol\u00edtica sempre esteve presente. Costumo conversar com alguns amigos, discutir esses temas, e, costumo falar que, infelizmente, a base da pol\u00edtica brasileira \u2013 repito \u2013, ainda est\u00e1 pautada no coronelismo. O coronelismo vai arrastando tudo isso com ele. A inten\u00e7\u00e3o da necropolitica \u00e9 subjugar essas minorias. Ou seja, controlar atrav\u00e9s das mortes sistem\u00e1ticas, da nossa viv\u00eancia di\u00e1ria, numa queima de arquivo dentro do cen\u00e1rio pol\u00edtico mais condensado, na estrutura pol\u00edtica complexa, ali dentro, com o consentimento dos poderes. Quando a gente para e identifica quem s\u00e3o as v\u00edtimas recorrentes, percebemos claramente, ou como eu costumo dizer, \u201cescuramente\u201d quem s\u00e3o. Sempre foi assim. A popula\u00e7\u00e3o preta \u00e9 vitimada nesse pa\u00eds, na grande maioria dos casos. Acho que por isso tentam tanto vetar os projetos de pol\u00edticas p\u00fablicas. Eles temem discutir porque t\u00eam medo. Colocar em pr\u00e1tica essas propostas abre di\u00e1logo, estimula um pensamento acerca do que n\u00e3o est\u00e1 certo e o porqu\u00ea daquilo n\u00e3o estar certo. Quando voc\u00ea percebe que a estrutura governamental, a estrutura administrativa de um pa\u00eds \u00e9 respons\u00e1vel pelas viv\u00eancias da popula\u00e7\u00e3o, independente de etnia, independente de situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, voc\u00ea percebe que a responsabilidade tamb\u00e9m est\u00e1 nela. Ent\u00e3o, se a gente percebe na maior parte da popula\u00e7\u00e3o preta e pobre um n\u00edvel de analfabetismo em alta, a gente percebe que n\u00e3o est\u00e1 sendo disponibilizada uma educa\u00e7\u00e3o adequada para estas camadas sociais, exatamente para que esses indiv\u00edduos n\u00e3o se capacitem, para que n\u00e3o &#8220;evoluam&#8221;. Quando a gente discute isso dentro da s\u00e9rie \u201cPequeno Gigante\u201d, estamos tamb\u00e9m falando de necropol\u00edtica. N\u00e3o \u00e9 denominado dessa forma, mas fica evidente, sim. A gente percebe que toda a estrutura de queima de arquivo, de mortes, de lavagem de m\u00e3os com sangue, favorece a manuten\u00e7\u00e3o disso, dessa situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria e dessa administra\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria. Tudo para que mais crimes fiquem encobertos dentro do par\u00e2metro legal, \u201cresguardados\u201d pelas brechas da lei, pra que essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se modifique e que as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o favore\u00e7am estes indiv\u00edduos. H\u00e1 v\u00e1rios casos que comprovam isso. O pr\u00f3prio caso Marielle Franco, conforme voc\u00ea citou. &#8220;Ainda&#8221; n\u00e3o temos provas efetivas e suficientes. Ou n\u00e3o uma confiss\u00e3o sobre o fato de haver um mandante. Mas, \u00e9 not\u00f3rio que houve uma queima de arquivo. Ela era uma mulher preta que lutava pelos direitos das minorias e das pessoas negras desse pa\u00eds. E estava comprovando estas quest\u00f5es, colocando em pauta, denunciando. Ent\u00e3o, a gente percebe evidentemente que nos calaram mais uma vez. Ou a tentativa de. Na esperan\u00e7a de que todos n\u00f3s fiquemos quietos. Tamb\u00e9m h\u00e1 um movimento lento de opress\u00e3o e viol\u00eancia para que nos mantenhamos silenciados. Sofremos nesse processo de escravid\u00e3o e apagamento moderno que ainda ocorre. Acredito que tudo v\u00e1 sendo modificado, aos poucos. Acho que a gente est\u00e1 conseguindo, sim, alcan\u00e7ar. Quero enxergar essa situa\u00e7\u00e3o de uma forma&#8230; (suspiro) positiva, de fato. Costumo falar que se n\u00e3o houvesse a possibilidade de modificarmos o quadro geral, eles n\u00e3o estariam fazendo tanto esfor\u00e7o para nos fazer permanecer do jeito que est\u00e1vamos. Ou do jeito que eles pretendiam que estiv\u00e9ssemos: Inertes, passivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acerca do assassinato do George Floyd e a tantas mortes violentas e igualmente covardes que acontecem aqui no Brasil, e no que se refere ao racismo estrutural, gostaria de utilizar como resposta um texto que escrevi na ocasi\u00e3o, no meu perfil do Instagram:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u201cTrabalhar representando a minha motriz ancestral, cultural, traz alguns receios de n\u00e3o dar conta, mas tamb\u00e9m faz o sangue ferver e o brilho intenso da alma incidir atrav\u00e9s dos olhos! Por mais que o nosso legado tenha for\u00e7a, sapi\u00eancia, ginga e beleza not\u00f3rias e incontest\u00e1veis, \u00e9 o tempo todo apropriado, ignorado e brutalmente assassinado, ainda que implore para respirar. Mesmo esse legado tendo sobrevivido a todas as esp\u00e9cies de viol\u00eancia, hoje, mais uma vez, se renova, se retroalimenta, semeia e amplia seus espa\u00e7os, aos poucos, persistindo. Espa\u00e7os esses que tentaram e tentam nos tirar, dizendo que n\u00e3o s\u00e3o, mas que, sim, sempre foram nossos, por terem sido constru\u00eddos e reformados com nosso suor, nosso sangue, nossas esperan\u00e7as, nossa f\u00e9 e que, por isso, s\u00e3o nossos por direito. A nossa representa\u00e7\u00e3o e representatividade v\u00e3o al\u00e9m de ser um fetiche para voc\u00ea, de estar fazendo \u2018algo novo\u2019, \u2018algo que ningu\u00e9m fez, ainda\u2019 ou \u2018o que nunca aconteceu na hist\u00f3ria at\u00e9 agora\u2019. Quem disse que n\u00e3o aconteceu, quem disse que n\u00e3o fizemos, quem disse que voc\u00ea descobriu, se tudo que voc\u00ea fez e faz, foi e \u00e9 a partir do que j\u00e1 somos e criamos, &#8220;cara p\u00e1lida&#8221;?! N\u00f3s constru\u00edmos tudo isso. Seu \u00fanico esfor\u00e7o foi roubar e colocar um novo nome, com t\u00e3o pouca criatividade, que alguns nem diferem tanto dos que j\u00e1 hav\u00edamos criado. Fizeram quest\u00e3o de mudar os significados pra nos confundir e tentar enfraquecer nossas mentes, mas as ra\u00edzes s\u00e3o t\u00e3o profundas que, em tempos de amadurecimento e colheita, nutrem os frutos das nossas mem\u00f3rias que, por mais que tentem queimar, antes mesmo que os possamos colher, conseguem nos alimentar. Pois desde sempre, temos a for\u00e7a, a intelig\u00eancia e a estrat\u00e9gia necess\u00e1rias pra fazer o m\u00ednimo virar banquete. Isso \u00e9 reconstru\u00e7\u00e3o, \u00e9 reintegra\u00e7\u00e3o, \u00e9 repara\u00e7\u00e3o!\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A s\u00e9rie traz uma cadeia de rimas tem\u00e1ticas em sua constru\u00e7\u00e3o narrativa, que coloca em destaque a ancestralidade de Davi, os conflitos que ele atravessa na vida pol\u00edtica e o modo como sua trajet\u00f3ria o orienta dentro desses conflitos. Os posicionamentos do personagem sempre refletem essas quest\u00f5es.<\/strong><br \/>\nNo caso de Davi, ele foi, vamos dizer, recrutado desde a inf\u00e2ncia. Eu n\u00e3o vou dar spoilers, mas ele adquire a sagacidade para as quest\u00f5es pol\u00edticas desde cedo. Ele \u00e9 um indiv\u00edduo que tem sabedoria e apre\u00e7o pela manuten\u00e7\u00e3o dessa honra, pela valoriza\u00e7\u00e3o da cultura e desse perfil que seu mestre de capoeira passou para ele. Ele foi ensinado como um indiv\u00edduo pertencente. Ent\u00e3o, se h\u00e1 uma evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 esta que tamb\u00e9m propicia o crescimento de todos naquele local, n\u00e3o somente dele. Acho que segue muito \u00e0 risca. Eu estava assistindo a uma entrevista de uma jornalista da BBC que falava sobre o conceito da palavra \u201cubuntu\u201d: &#8220;Eu sou porque n\u00f3s somos&#8221;. Mesmo no processo de di\u00e1spora for\u00e7ada que enfrentamos at\u00e9 chegar aqui, n\u00f3s ainda carregamos esses ensinamentos da ancestralidade. Ainda trazemos dentro do nosso pr\u00f3prio conceito do culto do candombl\u00e9. E outra coisa que \u00e9 preciso pontuar, \u00e9 a presen\u00e7a e a for\u00e7a matriarcal que h\u00e1 na s\u00e9rie. Por mais que se desenvolva em torno de um personagem principal masculino, quando voc\u00ea percebe, como sempre, toda base que favorece e propicia aquele individuo a permear aquele espa\u00e7o, \u00e9 feminina. Ent\u00e3o, h\u00e1 tamb\u00e9m algumas discuss\u00f5es acerca disso.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56308\" aria-describedby=\"caption-attachment-56308\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56308 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/evana.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/evana.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/evana-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56308\" class=\"wp-caption-text\"><em>A atriz Evana Jeyssan em &#8220;Pequeno Gigante&#8221;. Foto de Caio Lirio.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. De fato. A s\u00e9rie traz em seu leque de personagens femininas mulheres que contrap\u00f5em essa hist\u00f3ria machista e clich\u00ea da \u201cgrande mulher por tr\u00e1s do grande homem\u201d.<\/strong><br \/>\nSim. Contrap\u00f5e esse conceito machista que foi se arrastando conforme o tempo. E da\u00ed a gente percebe que desse lugar, desse lugar feminino, o Davi traz, tamb\u00e9m, esse embasamento da resili\u00eancia acerca do ser pol\u00edtico. \u00c9 preciso muito sangue no olho (risos). Outra coisa que eu costumo tratar com meus amigos: &#8220;Velho, a gente veio de uma caminhada onde o sangue no olho foi primordial. Ele ainda \u00e9 primordial. Agora, a gente precisa de estrat\u00e9gia\u201d. E eu aprendi isso com as divindades, tamb\u00e9m, atrav\u00e9s dos preceitos do candombl\u00e9. Nosso entendimento de resili\u00eancia \u00e9 um processo pol\u00edtico. Ela ajuda a estudar o cen\u00e1rio e a deslocar as considera\u00e7\u00f5es em prol de um todo. N\u00e3o corrompendo, como a gente v\u00ea acontecer em nossa pol\u00edtica a todo tempo, mas, abrangendo o todo e enaltecendo o que realmente precisa de uma reavalia\u00e7\u00e3o, de uma reconstru\u00e7\u00e3o, de um novo conceito, de uma aten\u00e7\u00e3o maior. O Davi ainda vai enfrentar alguns percal\u00e7os adiante. Ele traz essa \u00e2nsia, essa vontade de brigar, de guerrear. E a gente percebe que, desde cedo, Negro M\u00e1rmore trazia com ele esse perfil observador, do saber brigar e saber a hora de brigar. Essa \u00e9 conduta que ele quer ensinar. Nem tudo \u00e9 briga. \u00c0s vezes, basta uma boa conversa. Ou, quase sempre, uma boa conversa e pouca briga.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea usou a palavra que, em minha opini\u00e3o, \u00e9 precisa nessa import\u00e2ncia de ir contra esse sistema opressor: Estrat\u00e9gia.<\/strong><br \/>\nDavi usa esse ponto que eu acho que \u00e9 algo que a comunidade negra est\u00e1 trazendo agora. Trouxe sempre, na verdade. Mas, a gente foi resgatando e aprendendo a aplicar. Quando a gente percebe a Revolta dos Mal\u00eas, enxerga todo um conceito estrat\u00e9gico. Tem a sabedoria, tem um conceito, tem t\u00e1tica. N\u00e3o foi s\u00f3 luta, n\u00e3o foi s\u00f3 sangue. Teve cabe\u00e7a, muita cabe\u00e7a a\u00ed. Todas as revolu\u00e7\u00f5es que n\u00f3s participamos \u2013 e a maioria delas dentro da Bahia e do Brasil, n\u00f3s participamos \u2013, tem esse conceito de pensamento t\u00e1tico. O Davi, a gente percebe, vai sofrendo esse amadurecimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrat\u00e9gia. J\u00e1 no primeiro cap\u00edtulo, ele demonstra isso. \u00c9 cansativo de certa forma para um indiv\u00edduo que est\u00e1 acostumado a lutar &#8220;sozinho&#8221;, enfrentar a todo tempo bloqueios, como n\u00f3s negros enfrentamos na sociedade, a pr\u00f3pria quest\u00e3o do racismo sistem\u00e1tico \u00e9 exaustiva. Mas, ainda assim, a gente continua perfurando bloqueios para chegar onde a gente precisa e onde a gente quer chegar. A proposta do \u201cPequeno Gigante\u201d \u00e9 essa: Trazer um elenco majoritariamente negro, para tratar de quest\u00f5es e discuss\u00f5es populares de um contingente, sim, que \u00e9 o maior populacional brasileiro, e mostrar que essa popula\u00e7\u00e3o negra passa por percal\u00e7os o tempo todo, \u00e0 merc\u00ea de conchavos pol\u00edticos. Tratam a gente ainda como moeda de troca, e n\u00e3o como indiv\u00edduos que fazem parte desse contexto, desse conjunto. N\u00f3s mobilizamos esse conjunto. \u00c9 necess\u00e1rio trazer \u00e0 tona, recontar de forma verdadeira toda essa hist\u00f3ria. Temos que usar nossas palavras, para que a gente se reconhe\u00e7a. Isso est\u00e1 come\u00e7ando a acontecer mais agora. \u00c9 necess\u00e1rio trazermos nossas narrativas. Todas essas hist\u00f3rias s\u00e3o tratadas a partir de uma perspectiva euroc\u00eantrica, hegem\u00f4nica, branca, e a gente precisa, sim, vestir com a nossa roupagem, real. Trazer hist\u00f3rias que s\u00e3o reais \u00e0 tona para que a gente se sinta representado, para que a nossa perspectiva, pol\u00edtica e econ\u00f4mica, se evidencie e modifique esse contexto passivo que nos impuseram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa rela\u00e7\u00e3o de Davi com as suas ra\u00edzes ancestrais \u00e9 algo que a s\u00e9rie traz de maneira bem precisa, na rela\u00e7\u00e3o dele com o passado, com sua hist\u00f3ria de luta e com a necessidade de dar um basta, n\u00e3o s\u00f3 como individuo, mas como algu\u00e9m pertencente a um todo.<\/strong><br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio expurgar isso para que tenhamos, como povo negro, um respiro. \u00c9 um conceito de filosofia ancestral, tamb\u00e9m. Voc\u00ea n\u00e3o pode deixar se afogar por dentro. Voc\u00ea precisa expor aquilo que incomoda. Voc\u00ea precisa expor a dor. Muito do que a gente perece como povo e popula\u00e7\u00e3o, culturalmente, \u00e9 acerca de retrair nossas dores. N\u00f3s fomos obrigados e fomos (des)educados a diminuir nossas dores. Suprimir nossos choros. Quando nos damos conta disso, a gente percebe o quanto \u00e9 nocivo. Seja fisicamente, atrav\u00e9s de doen\u00e7as causadas por tudo isso, ou pelo pr\u00f3prio processo da depress\u00e3o. Percebemos que, na popula\u00e7\u00e3o negra, a depress\u00e3o surge com o escravagismo. Ent\u00e3o, cabe a n\u00f3s buscar uma forma de cura. Muito mais que filos\u00f3fico ou metaf\u00f3rico. Temos que aprender a falar de n\u00f3s, de nossas dores, recuperarmos nossa autoestima e nos vermos al\u00e9m, como um povo Real. Vindos da realeza, mesmo. Vindos de um contexto de conquistas. De um processo de pertencimento hist\u00f3rico, cultural, que \u00e9 o que t\u00ednhamos ent\u00e3o, antes de sermos sequestrados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o come\u00e7o do atual governo, ficou claro o completo desinteresse em manter uma pol\u00edtica voltada para a Cultura como um bem do pa\u00eds, como uma identidade, como algo para a posteridade e distante de interesses individuais de projetos pol\u00edticos.<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 a premissa de uma pol\u00edtica arcaica, equivocada, que diz que a cultura, como manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica e resgate ancestral, n\u00e3o serve para nada. Nossos grandes pol\u00edticos foram fazedores culturais. A gente reconhece uma Estela de Ox\u00f3ssi, percebe v\u00e1rias figuras que implementaram e avan\u00e7aram nesse contexto. O pr\u00f3prio Gilberto Gil, quando foi ministro da cultura, mesmo sendo contestado, mesmo quando a maior parte das pessoas n\u00e3o acreditavam nele como gestor ou como ministro em potencial, ainda assim, ele demonstrou maestria em administrar nossa cultura. Desfrutamos de v\u00e1rios avan\u00e7os promovidos por ele. E a gente percebe, aqui na Bahia, por exemplo, M\u00e1rio Gusm\u00e3o, um dos grandes atores e artistas que tivemos na cena brasileira, mas que morreu pobre. Foi um dos grandes artistas que tivemos, e hoje, \u00e9 pouco falado. Foi um grande \u00edcone, assim como Ruth de Souza, por exemplo. No caso de Dona Ruth, vimos um avan\u00e7o em termos de mobiliza\u00e7\u00e3o da comunidade negra, que fez com que seu legado n\u00e3o fosse esquecido ap\u00f3s sua morte. Estamos come\u00e7ando a resgatar esses conceitos de preserva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos deixar os nossos morrerem sem enaltec\u00ea-los, sem contarmos as hist\u00f3rias destes que vieram antes, sem fazer jus ao que foram para n\u00f3s e continuam sendo. Eles abriram o caminho. A gente vai permeando esse caminho e deixando para outros. \u00c9 extremamente necess\u00e1rio contar essas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/10\/26\/entrevista-lazaro-ramos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bando de Teatro Olodum<\/a> como sendo um dos grupos onde voc\u00ea teve experi\u00eancia. Poderia falar um pouco sobre sua trajet\u00f3ria como ator?<\/strong><br \/>\nEu comecei a fazer teatro no come\u00e7o dos anos dois mil por interm\u00e9dio de um amigo, Anderson Souza. Isso ainda no colegial. Anderson fazia teatro no SESI do (bairro) Rio Vermelho. Quem supervisionava era o Ant\u00f4nio Bandeira. Eu comecei em uma turma administrada pela Luciana Rocha, que era aluna de Bandeira. Eu comecei nessa turma, com 17 anos. E a\u00ed, fui tomando gosto. Era t\u00edmido pra caramba, mas gostava de atuar. Quando assisti ao espet\u00e1culo que Anderson fazia, fiquei maravilhado. Era uma com\u00e9dia muito bem estruturada. Gostei muito e falei: &#8220;Quero fazer isso\u201d. Pedi refer\u00eancia a ele e me inscrevi. Quando a gente estava fazendo a primeira mostra, havia um processo de mais ou menos cinco meses de aulas. Fizemos uma mostra final, na qual apresentamos um espet\u00e1culo chamado \u201cCensura Retalhada\u201d. No segundo ano, \u201cOpini\u00e3o por Assinatura\u201d. M\u00e1rcia Gilbraz, que era aluna da Sitorne, convidou Roberto Sales para assistir ao espet\u00e1culo \u201cOpini\u00e3o por Assinatura\u201d. Roberto foi um indiv\u00edduo muito importante na minha trajet\u00f3ria. O reencontrei agora, como preparador de elenco da primeira etapa de \u201cPequeno Gigante\u201d, inclusive. Roberto Sales \u00e9 um estudioso, um diretor de teatro que agora est\u00e1 evoluindo para a \u00e1rea de cinema, tamb\u00e9m. \u00c9 um grande diretor. Bem, \u00e0 \u00e9poca, ele me viu em cena e me convidou para fazer o espet\u00e1culo \u201cAs Trouxas\u201d. Era um espet\u00e1culo de com\u00e9dia. Ele dava aulas l\u00e1 na Sitorne, que era a \u00fanica escola t\u00e9cnica que possibilitava tirar registro profissional de ator. Era uma escola t\u00e9cnica com todos os processos, administrada por Teresa Costa, a Tuca, uma pessoa muito presente no teatro daqui. Roberto me ofereceu uma bolsa de estudos l\u00e1 e comecei a cursar teatro na Sitorne. Nesse per\u00edodo, havia algumas oficinas no Teatro Vila Velha, sob administra\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Esp\u00edrito Santo. Naquele per\u00edodo, eu tinha entrado no meu primeiro emprego. Era o primeiro ano da pol\u00edtica de primeiro emprego. Eu fazia curso de WEB na Cip\u00f3 e fui direcionado para o RTV da UNIFACS, que era coordenado por Daiane Sena. L\u00e1, eu tinha tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: roteirista, c\u00e2mera ou apresentador. Como eu j\u00e1 fazia teatro, pensei que seria bom trabalhar como apresentador. Comecei a apresentar um programa chamado \u201cP\u00e1tio\u201d. Tamb\u00e9m queria muito fazer artes pl\u00e1sticas, gostava muito de desenho. Isso era meados de 2005. Nesse meio tempo, fui estudando, sa\u00ed da UNIFACS e fui trabalhar em callcenter. Quem nunca (risos)? Um processo bizarro. Mas, n\u00e3o queria parar com o teatro&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, sim. Quem nunca, mesmo. O telemarketing foi minha fonte de renda por alguns anos, tamb\u00e9m.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Atento, aquela sede ali no bairro do Cabula, n\u00e9? (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Exatamente. Ali mesmo (risos).<\/strong><br \/>\nEnfim, nesse per\u00edodo, o SESI s\u00f3 abrigava jovens at\u00e9 os 18 anos de idade. O projeto era o \u201cSupera\u00e7\u00e3o Jovem\u201d. Ent\u00e3o, dali do SESI, a gente queria sair com um espet\u00e1culo que a gente tinha feito, s\u00f3 que tinha \u201ctramites\u201d burocr\u00e1ticos. Ent\u00e3o eu, tirado a encabe\u00e7ar a revolu\u00e7\u00e3o (risos), eu e Paulo, conhecido como Beto Cerqueira \u2013 outro amigo \u2013, conseguimos contestar e levar o espet\u00e1culo para outros lugares. Como a gente j\u00e1 estava estudando na Sitorne, fizemos a produ\u00e7\u00e3o por l\u00e1 mesmo e apresentamos o \u201cOpini\u00e3o por Assinatura\u201d. Formou-se um pequeno grupo. Desse grupo, a gente come\u00e7ou a participar de oficinas. Havia uma chamada \u201cToma L\u00e1 da C\u00e1\u201d, no Teatro Vila Velha. Sob supervis\u00e3o de F\u00e1bio Esp\u00edrito Santo. Vinicio de Oliveira Oliveira tamb\u00e9m fazia parte da equipe. Eles disponibilizavam v\u00e1rios profissionais da \u00e1rea t\u00e9cnica, cenografia, ilumina\u00e7\u00e3o, maquiagem para os grupos. Era como uma pol\u00edtica de fomento aos grupos. Ent\u00e3o, eu soube de outras oficinas e comecei a fazer. Fiz uma que era voltada para ilumina\u00e7\u00e3o. Passamos tr\u00eas meses trabalhando, fazendo oficina. Marcos Dede, que nessa \u00e9poca era iluminador, hoje \u00e9 chefe de palco do Teatro Vila Velha. O chefe de palco era Rivaldo Rios, que \u00e9 iluminador do Bando de Teatro Olodum. Comecei a fazer oficina com os caras e fiquei trabalhando na parte de ilumina\u00e7\u00e3o no Teatro Vila Velha. Nesta mesa \u00e9poca, fiz uma oficina com o Bando de Teatro Olodum. Era um curso de forma\u00e7\u00e3o com Zebrinha, com Chica Carelli, M\u00e1rcio Meirelles e Jarbas Bittencourt, fora outros profissionais do Bando, que eram os atores, fazedores, enfim&#8230; Pessoas como Zebra, eu acompanho at\u00e9 hoje. Jos\u00e9 Carlos Arandiba, mais conhecido como Zebrinha. Trocamos v\u00e1rias ideias. \u00c9 um grande Ex\u00fa que a gente tem. Ele \u00e9 muito assertivo no que diz respeito a arte. \u00c9 um mestre, um grande professor. Zebra \u00e9 diretor art\u00edstico do Bando de Teatro Olodum e diretor art\u00edstico do Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico da Bahia e da Companhia dos Comuns, e tem grande influ\u00eancia em outros grupos e companhias de dan\u00e7a pelo mundo. Onde voc\u00ea encontrar artistas pretos, voc\u00ea tamb\u00e9m encontrar\u00e1 Zebrinha fazendo parte daquilo, movimentando tudo. \u00c9 uma figura renomada, por merecimento e conquista. Passou pelas principais companhias de dan\u00e7a, no Brasil e no exterior. Um curr\u00edculo impressionante. Ele vale uma entrevista sozinho&#8230;<\/p>\n<figure id=\"attachment_56301\" aria-describedby=\"caption-attachment-56301\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56301 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Pe\u00e7a-Bacad-Foto_Dinho-Vianna.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Pe\u00e7a-Bacad-Foto_Dinho-Vianna.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Pe\u00e7a-Bacad-Foto_Dinho-Vianna-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56301\" class=\"wp-caption-text\"><em>Guilherme Silva na pe\u00e7a &#8220;Bacad&#8221;. Foto de Dinho Vianna<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fale no Teatro Vila Velha, com o Bando de Teatro Olodum e com o Teatro da Queda:<\/strong><br \/>\nNesse per\u00edodo, eu continuei fazendo oficina com o Bando. Consegui come\u00e7ar a trabalhar no Vila Velha. Abriram duas vagas. Requisitaram a mim e a outro colega para trabalhar como ilumino-t\u00e9cnicos. Enquanto eu trabalhava l\u00e1, continuei a estudar com o Bando. Ao final das oficinas, servi de stand in para os espet\u00e1culos em que alguns atores n\u00e3o podiam participar, \u00e0s vezes estavam viajando ou tinham outros trabalhos, da\u00ed me acionavam. Foi assim que fiz \u201cSonhos de Uma Noite de Ver\u00e3o\u201d, em 2008. Foi a \u00faltima montagem do Bando com \u201cSonhos de Uma Noite de Ver\u00e3o\u201d, que \u00e9 um espet\u00e1culo sensacional. Muito foda, velho! Sabe aquele trabalho que voc\u00ea gostaria de ver de novo? Ainda mais em teatro? Um deles \u00e9 \u201cSonhos de Uma Noite de Ver\u00e3o\u201d. \u00c9 fenomenal. Apresentamos pelo FIAC (Festival Internacional de Artes C\u00eanicas da Bahia). Continuei minha experi\u00eancia com o Bando. Eu tinha uma namorada na \u00e9poca que fazia parte de um grupo que estava chegando a Salvador, se estabelecendo. Chamava Teatro da Queda, que veio atrav\u00e9s de Thiago Romero, diretor da montagem de \u201cMadame Sat\u00e3\u201d. Comecei, ent\u00e3o, a fazer espet\u00e1culos com Thiago. Fizemos tr\u00eas espet\u00e1culos. T\u00ednhamos um chamado \u201cBreve\u201d. Fernanda Julia estava se formando em dire\u00e7\u00e3o teatral pela UFBA nessa \u00e9poca. Ela \u00e9 diretora do NATA (N\u00facleo Afro-brasileiro de Teatro de Alagoinhas). Fernanda me convidou e eu fui fazer \u201cSir\u00e9 Ob\u00e1 &#8211; A Festa do Rei\u201d, com dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Thiago Romero. Fiz ainda \u201cBacad\u201d, um espet\u00e1culo muito interessante, mas a gente s\u00f3 conseguiu montar uma vez. A gente chamava o espet\u00e1culo de \u201cBacad &#8211; Mem\u00f3rias Afetivas da Am\u00e9rica Latina\u201d. Fizemos uma pesquisa em termos filos\u00f3ficos, espirituais e sociol\u00f3gicos, que ligam a Am\u00e9rica Latina como um todo nesse processo de ancestralidade. O Teatro da Queda foi um dos \u00faltimos grupos com o qual trabalhei. Depois, parti para carreira solo (risos). Na verdade, nunca deixei meus estudos individuais. Eu buscava participar desses grupos como desenvolvimento pessoal, como implementa\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnica profissional, etc. A primeira experi\u00eancia com dan\u00e7a de forma t\u00e9cnica foi com Zebra, dentro do Bando. Em \u201cBacad\u201d, trabalhamos com Jai Bispo. Um grande bailarino. Trabalhei com uma galera&#8230; Marcelo Jardim, que aplicava o trabalho vocal&#8230; Depois de um tempo, eu fui jubilado da Faculdade de Artes Pl\u00e1sticas (risos). Eu dou risada, hoje, mas foi uma parada muito&#8230; A faculdade eu fiz em paralelo a todas as atividades com teatro. Quando eu vi, estava me ferrando pra conseguir cumprir. S\u00e3o duas \u00e1reas art\u00edsticas que exigem presen\u00e7a a todo tempo e exigem dedica\u00e7\u00e3o integral: Artes Pl\u00e1sticas e Teatro. Fora que o curso era caro&#8230; Ent\u00e3o, ou eu trabalhava para conseguir estudar, para fazer dinheiro para estudar, ou eu parava de estudar para trabalhar. E foi diante dessa situa\u00e7\u00e3o que ocorreu um equ\u00edvoco na UFBA&#8230; Vou chamar de equ\u00edvoco para ser gentil&#8230; Enfim, acabei sendo jubilado e me dedicando ao teatro mais a fundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sa\u00edda da Bahia<\/strong><br \/>\nEm 2013, fui pra S\u00e3o Paulo para participar da sele\u00e7\u00e3o do musical \u201cFino do Samba\u201d. Foi muito bom porque eu me deparei com muitos baianos l\u00e1. O texto era de El\u00edsio Lopes J\u00fanior. Foi uma fase muito boa. Eu, inclusive, j\u00e1 tinha feito um texto do El\u00edsio aqui em Salvador, com o grupo Arte Sintonia. O espet\u00e1culo era o musical inspirado na vida de Elza Soares, \u201cSe Acaso Voc\u00ea Chegasse\u201d, com dire\u00e7\u00e3o de Antonio Marques. O musical teve uma segunda etapa, onde a gente convidava cantores e cantoras. Pude trocar momentos interessantes com uma galera, como por exemplo Lazzo Matumbi, um cara a quem eu admiro muito como artista, como pessoa. Enfim, fui para S\u00e3o Paulo, consegui passar no teste que eu pensava que n\u00e3o ia passar e isso me abriu outro entendimento em rela\u00e7\u00e3o ao fazer art\u00edstico&#8230; Outra conversa sobre o que o profissional daqui de Salvador precisa fazer, precisa desbravar para, enfim, alcan\u00e7ar algumas metas. Ainda vivemos um mercado, principalmente para a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, muito fechado. Infelizmente, nesse contexto, a arte ainda \u00e9 muito elitista. Principalmente aqui em Salvador. Agora \u00e9 que estamos percebendo uma maior movimenta\u00e7\u00e3o, mas, mesmo assim, perdemos alguns locais que forneciam propostas de estudo gratuito e diverso. A gente n\u00e3o tinha muita coisa, mas t\u00ednhamos algumas possibilidades de implementar a\u00e7\u00f5es de estudo art\u00edstico. Pra mim, que vim de periferia, sem grana, tinha que peitar e procurar os cursos que eram gratuitos para me capacitar. Ou ent\u00e3o me jogar nas sele\u00e7\u00f5es e dar o m\u00e1ximo de mim para conseguir passar e come\u00e7ar a lutar para ter uma carreira. Quando eu fui a primeira vez a S\u00e3o Paulo, foi para esta sele\u00e7\u00e3o do \u201cFino do Samba\u201d. Velho, eu me achava completamente despreparado. Despreparado, assim, de acordo com o que entendemos do cen\u00e1rio de teatro musical, acerca de estudo de voz, de conhecimento de dan\u00e7a&#8230; Eu costumo dizer que um dos maiores p\u00f3los produtores art\u00edsticos e culturais brasileiros \u00e9 o Nordeste. Quando eu cheguei a S\u00e3o Paulo, encontrei muito baiano fazendo arte. E fui no peito e na ra\u00e7a, como essa galera que j\u00e1 estava l\u00e1. Eu me sentia despreparado. Mas, quando eu olhei pra mim mesmo, e me percebi, pensei em todo o meu \u201cfazer sempre tudo com sangue no olho\u201d \u2013 aqui a gente faz isso \u2013, entendi que a gente vai fazendo de tudo em termos de pesquisa e pr\u00e1tica. Ent\u00e3o, isso nos enriquece. Enfim, passei na sele\u00e7\u00e3o do \u201cFino do Samba\u201d e fizemos uma temporada em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teste de elenco para &#8220;Faroeste Caboclo&#8221;, miniss\u00e9rie global e metas profissionais cumpridas.<\/strong><br \/>\nViajei para o Rio um pouco antes para participar do processo seletivo para o filme \u201cFaroeste Caboclo\u201d. Fiquei feliz que o aprovado tenha sido um ator baiano: Fabr\u00edcio Boliveira. Foi uma experi\u00eancia \u00f3tima com o Sergio Pena, preparador de elenco. Fiz tr\u00eas dias de workshop com ele e mais uma galera, tamb\u00e9m. Depois disso, voltei para Salvador. A minha meta de realiza\u00e7\u00e3o profissional at\u00e9 aquele per\u00edodo havia sido contemplada. Eu vinha de uma batida. Eu pedia muito, rezava para que a primeira vez que eu sa\u00edsse de Salvador fosse \u00e0 trabalho. E consegui. Sair daqui e batalhar pelo que eu queria, me deu uma outra vis\u00e3o de mundo. Depois,fiz uma oficina no CTAC (Centro T\u00e9cnico de Artes C\u00eanicas), no Centro do Rio de Janeiro. Nessa \u00e9poca, eu estava vivendo outra crise com rela\u00e7\u00e3o ao fazer art\u00edstico. Eu pensava: &#8220;Caramba, fico muito tempo sem trabalho&#8230;&#8221;. Sinto que esta \u00e9 ainda uma triste realidade do artista preto, principalmente aqui em Salvador. E, agora, no Brasil como um todo, ainda mais no cen\u00e1rio atual. Por isso eu considero o projeto \u201cPequeno Gigante\u201d extremamente importante, com elenco majoritariamente preto. At\u00e9 mesmo aqui em Salvador n\u00e3o encontramos muitas op\u00e7\u00f5es de trabalho na \u00e1rea art\u00edstica com espa\u00e7o para gente preta. Ent\u00e3o, na \u00e9poca, pensei: &#8220;Tenho que investir essa pouca grana que eu tenho em um aprendizado t\u00e9cnico, para quando o bicho estiver pegando buscar oportunidade em outra \u00e1rea&#8221;. Escolhi fazer algo relacionado ao que eu j\u00e1 conhecia: a ilumina\u00e7\u00e3o. Quando cheguei no CTAC, o curso que estava sendo disponibilizado n\u00e3o era de ilumina\u00e7\u00e3o. Acabei fazendo uma oficina de performance com um grupo chamado Labirinto Urbano, muito bom, por sinal. No in\u00edcio, abri meu cora\u00e7\u00e3o: &#8220;Fudeu. N\u00e3o \u00e9 o curso que eu queria\u201d. Mas, fiz. Contei com a ajuda de uma brodona no Rio, M\u00f4nica N\u00eaga, uma figura\u00e7a, uma produtora art\u00edstica incr\u00edvel, integrante do movimento cultural do Vidigal. Quando voltei para Salvador, fiz alguns poucos trabalhos, at\u00e9 que surgiram os testes da miniss\u00e9rie da Rede Globo, \u201cO Canto da Sereia\u201d. Um conhecido me perguntou: &#8220;E a\u00ed, como voc\u00ea conseguiu? Algu\u00e9m te indicou?\u201d Eu ri. &#8220;Indicar o qu\u00ea, cumpadi? Se voc\u00ea soubesse o pau da porra que tem que d\u00e1&#8230; O corre que \u00e9&#8230;\u201d&#8217; (risos) Foram tr\u00eas etapas de teste, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Fiz o meu melhor, mas acredito que tamb\u00e9m foi presente, de orix\u00e1. Foi um personagem bacana dentro de um trabalho grande. Gravamos em 2012 e a Globo exibiu em 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Aprimorando a dan\u00e7a e a primeira experi\u00eancia profissional no exterior.<\/strong><br \/>\nEm 2015, eu havia entrado no curso t\u00e9cnico na escola de dan\u00e7a da FUNCEB (Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia). Estava tendo v\u00e1rias experi\u00eancias com dan\u00e7a, e, sempre que estava em Salvador, procurava por Zebra e fazia aulas no espa\u00e7o do Bal\u00e9 Folcl\u00f3rico. Eu buscava manter o corpo sempre ativo, apesar de pensar: &#8220;J\u00e1 estou come\u00e7ando a dan\u00e7ar \u2018velho\u2019. N\u00e3o vou virar um dan\u00e7arino cl\u00e1ssico&#8230; (risos). Para mim, n\u00e3o vai dar. Mas eu vou fazer o m\u00e1ximo que eu posso\u201d. Decidi entrar no curso profissionalizante de dan\u00e7a (na FUNCEB mesmo). Como eu j\u00e1 reproduzia os movimentos com muita organicidade, eu conseguia uma desenvoltura bacana. Fui frequentando as aulas, com assiduidade. Neste mesmo per\u00edodo, abriram inscri\u00e7\u00f5es para um processo de resid\u00eancia art\u00edstica da companhia Vila Dan\u00e7a (um programa de resid\u00eancia art\u00edstica com core\u00f3grafos profissionais do mundo todo). O per\u00edodo de resid\u00eancia era de tr\u00eas meses. Foram escolhidos cinco bailarinos. Eu estava entre eles. Gostei muito da maneira como foi feita a sele\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de aulas, n\u00e3o apenas como an\u00e1lise de desempenho. Eram rotinas di\u00e1rias nas quais trabalh\u00e1vamos constru\u00e7\u00e3o textual associada \u00e0 dramaturgia e a parte coreogr\u00e1fica, juntando todos os elementos, j\u00e1 que se tratava de um espet\u00e1culo de dan\u00e7a. O core\u00f3grafo era Asier Zabaleta, um cara com um curr\u00edculo riqu\u00edssimo, com passagens por v\u00e1rios lugares do mundo trabalhando com dan\u00e7a contempor\u00e2nea. Depois desse trabalho, criamos o espet\u00e1culo \u201cTirania das Cores\u201d. O resultado ficou muito bacana. Cristina Castro, que administra e coordena o Vila Dan\u00e7a, deu muita for\u00e7a para a gente. Ela disse que, por eles, n\u00e3o seria poss\u00edvel dar seguimento ao projeto, mas se quis\u00e9ssemos poder\u00edamos tentar fazer a produ\u00e7\u00e3o. A gente conversou com Asier. Havia um festival aberto na cidade natal dele, San Sebastian, na Espanha, o \u201cdFERIA\u201d. \u00c9 um evento onde v\u00e1rios grupos internacionais participam, como numa feira de empreendedores art\u00edsticos. N\u00f3s fizemos parte disso. Conseguimos nos organizar e levantar verbas de custeio das passagens. Foi um processo desafiador. Tivemos que traduzir e executar o texto em espanhol, em menos de dez dias. Sair do Brasil inserido em um processo de trabalho art\u00edstico inaugurou outra etapa da minha carreira.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56303\" aria-describedby=\"caption-attachment-56303\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56303 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/na-pe\u00e7a-Tirania-das-Cores.-Foto-de-Diney-Araujo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/na-pe\u00e7a-Tirania-das-Cores.-Foto-de-Diney-Araujo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/na-pe\u00e7a-Tirania-das-Cores.-Foto-de-Diney-Araujo-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56303\" class=\"wp-caption-text\"><em>Guilherme Silva na pe\u00e7a &#8220;Tirania das Cores&#8221;. Foto de Diney Araujo<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O adentrar no cinema com o curta metragem \u201cCinzas\u201d e o longa \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d.<\/strong><br \/>\nEm 2016, eu voltei \u00e0 S\u00e3o Paulo para cumprir a segunda temporada do \u201cFino no Samba\u201d. Erlon Souza era produtor e Kleber Borges Sobrinho dirigia. Quando retornei para Salvador, surgiu um teste para um trabalho do coletivo Tela Preta. Fizemos o curta \u201cCinzas\u201d, com dire\u00e7\u00e3o de Larissa Fulana de Tal. Eu j\u00e1 vinha flertando com o cinema desde antes dos testes para \u201cFaroeste Caboclo\u201d. Quando comecei a fazer teatro, eu queria entender de tudo para conseguir fazer bem. Isso faz parte da minha cria\u00e7\u00e3o. Meus pais sempre falavam para estar entre os melhores, caso n\u00e3o conseguisse ser o melhor. Meus estudos sempre partiram desta premissa. Eu n\u00e3o queria aprender e dominar, mas sim, entender tudo isso me movimentava. No teatro, tudo est\u00e1 conectado. Se a gente faz uma produ\u00e7\u00e3o de teatro musical, percebe que tudo est\u00e1 interligado. Para mim, a arte \u00e9 como no culto ancestral. Tem canto, tem dan\u00e7a, tem m\u00fasica. Nada dissonante. Tudo \u00e9 linkado. Minha curiosidade me motivou a aprender as t\u00e9cnicas.Sempre fui interessado por tudo, inclusive por maquiagem, figurino cenografia, ilumina\u00e7\u00e3o&#8230; Continuei tomando gosto pela \u00e1rea de cinema: &#8220;Isso tamb\u00e9m \u00e9 algo que eu quero fazer para a minha vida\u201d. Teatro, televis\u00e3o e cinema s\u00e3o vibra\u00e7\u00f5es diferentes, mas cada um me desafia e atrai \u00e0 sua maneira. Adoro fazer parte disso. Depois do trabalho com o Tela Preta, veio a Rosza Filmes, com o convite para o \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d. Ary Rosa e Glenda Nic\u00e1cio, que dirigiram o filme, haviam me visto no \u201cCinzas\u201d e gostaram muito, disseram que queriam muito trabalhar comigo. Ent\u00e3o, fiz o teste e passei. Fiquei praticamente dois meses direto na cidade de Cachoeira, filmando. A viv\u00eancia com todos os envolvidos foi muito boa. Reencontrei Aldri Anuncia\u00e7\u00e3o, Arlete Dias e Valdineia Soriano, parceiros com os quais j\u00e1 tinha trabalhado no Bando de Teatro Olodum. Aline Brunne, que \u00e9 de Salvador, mas estava estudando na UFRB, em Cachoeira. Trabalhei tamb\u00e9m com Babu Santana, uma figura\u00e7a. Ele \u00e9 cinco vezes mais interessante do que o Brasil conheceu no BBB. Um cara muito gente boa, com uma trajet\u00f3ria consistente, que veio do Vidigal, do N\u00f3s do Morro. Um excelente profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Per\u00edodo no rec\u00f4ncavo baiano para gravar \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d e o tempo de Cachoeira.<\/strong><br \/>\nVivenciei momentos muito bacanas no trabalho com Ary e Glenda em \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d. Eu n\u00e3o tinha tanta experi\u00eancia com cinema, mas, j\u00e1 tinha vivenciado algumas coisas, e, tanto Ary quanto Glenda eram completamente despidos, abertos ao di\u00e1logo. A gente sentava e trocava ideias acerca do roteiro, apesar do que eles j\u00e1 tinham trazido. A quest\u00e3o de tratar a fam\u00edlia preta com esse contexto de afeto que a gente tem, e n\u00e3o com esse contexto hostilizado de viol\u00eancia e agress\u00e3o o tempo todo, me move. Foi um trabalho que eu agrade\u00e7o muito por ter feito parte. At\u00e9 hoje ou\u00e7o pessoas falando que se sentiram contemplados pelo filme. A primeira vez que assisti, foi engra\u00e7ado. Sou muito autocr\u00edtico. Ao final do filme, a minha sensa\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da parte t\u00e9cnica, que \u00e9 muito bem cuidada, foi admira\u00e7\u00e3o: &#8220;Velho, eles conseguiram representar o tempo de Cachoeira\u201d. O tempo do Rec\u00f4ncavo, que na verdade \u00e9 um tempo espiritual, tamb\u00e9m estava ali. H\u00e1 di\u00e1logo dentro do sil\u00eancio, ou o sil\u00eancio dentro do di\u00e1logo. Eles conseguiram transpor aquele sil\u00eancio para a tela, entende? Isso, pra mim, foi das coisas que mais me impressionaram. Esse sil\u00eancio de Cachoeira (que \u00e9 uma conversa), estava l\u00e1. Como uma conversa amistosa, com um av\u00f4 ou uma av\u00f3. Quase como quando voc\u00ea vai no Candombl\u00e9 e a zeladora ou o zelador falam: &#8220;Senta aqui, meu filho, para esfriar o sangue um pouquinho\u201d. Ent\u00e3o, voc\u00ea fica l\u00e1, quarenta minutos, uma hora depois (risos)&#8230; S\u00f3 depois disso voc\u00ea vai come\u00e7ar a trocar uma ideia&#8230; Voc\u00ea chega ansioso pra resolver as coisas, mas voc\u00ea precisa entender aquilo, sabe? Voc\u00ea s\u00f3 entende espiritualmente o que significa aquele tempo, o que significa relaxar, respirar e respirar aquilo, com serenidade. Aquele tempo s\u00f3 observando, s\u00f3 sentindo, s\u00f3 ouvindo, faz parte. E \u00e9 isso, mesmo. Para mim, eles conseguiram passar tudo isso no filme.<\/p>\n<figure id=\"attachment_56296\" aria-describedby=\"caption-attachment-56296\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-56296 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dona-Ivone-Lara-Um-Sorriso-Negro.-Clic-de-Celino-Vitorino.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"663\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dona-Ivone-Lara-Um-Sorriso-Negro.-Clic-de-Celino-Vitorino.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Dona-Ivone-Lara-Um-Sorriso-Negro.-Clic-de-Celino-Vitorino-300x265.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-56296\" class=\"wp-caption-text\"><em>Guilherme Silva na pe\u00e7a &#8220;Dona Ivone Lara &#8211; Um Sorriso Negro&#8221;. Foto de Celino Vitorino<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fase p\u00f3s \u201cCaf\u00e9 com Canela\u201d com o musical \u201cDona Ivone Lara \u2013 Um Sorriso Negro\u201d.<\/strong><br \/>\nAqui em Salvador, nessa fase, houve uma pausa no espet\u00e1culo de dan\u00e7a \u201cTirania das Cores\u201d. N\u00f3s hav\u00edamos feito apresenta\u00e7\u00f5es em algumas cidades da Bahia, como Feira de Santana, Jequi\u00e9, Porto Seguro e Salvador. O projeto teve \u00f3tima aceita\u00e7\u00e3o e dialogou muito bem com o gosto do p\u00fablico. Depois da primeira temporada de \u201cDona Ivone Lara\u2013 Um Sorriso Negro\u201d, que foi em 2018, eu fiquei no Rio por cinco meses. Foi uma experi\u00eancia incr\u00edvel poder conhecer a galera da velha guarda do samba, conhecer outros aspectos da cultura preta brasileira no Rio de Janeiro. Eu nunca tinha passado tanto tempo l\u00e1. Conheci o jongo, que \u00e9 muito forte l\u00e1 no Rio, e que a gente n\u00e3o tem muita refer\u00eancia aqui em Salvador. Foi enriquecedor. Aqui, a nossa refer\u00eancia \u00e9 com o samba de roda, e, quando cheguei no Rio, a galera vivia falando do jongo. O jongo da Serrinha \u00e9 o mais popular. E quando a gente bate o olho, velho, a gente reconhece a mesma energia do samba de roda do Rec\u00f4ncavo. Foi muito bom sentir e resgatar isso. Na verdade, quando a gente percebeu, j\u00e1 estava com os movimentos incorporados, j\u00e1 sabia como se movimentar. Ano passado, fizemos uma temporada em S\u00e3o Paulo, no Teatro Sergio Cardoso. Houve uma resposta muito boa de p\u00fablico, tamb\u00e9m, muito bacana. Voltei \u00e0 Salvador no final de 2019,e, em janeiro desse ano, voltei ao Rio para come\u00e7ar um projeto de TV. Quando a pandemia come\u00e7ou, retornei \u00e0 Bahia, mas, quando tudo passar, espero voltar ao trabalho, r\u00e1pido. Sou movido a desafios.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Caf\u00e9 com Canela - Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/KyyRBllw4vM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cinema Na Escola entrevista com ator Guilherme Silva\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5KWElksnmMQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ator fala acerca da import\u00e2ncia de um personagem como Davi Passos, um homem negro e de destaque pol\u00edtico em um cen\u00e1rio dominado por brancos, muitos deles racistas, oriundos de uma pol\u00edtica coronelista. No papo, destrincha sua trajet\u00f3ria como ator.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/06\/06\/entrevista-guilherme-silva-protagonista-da-serie-pequeno-gigante\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":56298,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7497],"tags":[4481],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56295"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56295"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56295\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56314,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56295\/revisions\/56314"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}