{"id":56154,"date":"2020-05-21T14:23:32","date_gmt":"2020-05-21T17:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56154"},"modified":"2020-07-19T00:23:39","modified_gmt":"2020-07-19T03:23:39","slug":"entrevista-linguachula-retorna-com-disco-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/21\/entrevista-linguachula-retorna-com-disco-novo\/","title":{"rendered":"Entrevista: O retorno do Linguachula"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se os anos 90 foram a verdadeira new wave brasileira, como defendem jornalistas como Andr\u00e9 Forastieri e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/07\/01\/entrevista-ricardo-alexandre-fala-de-espiritualidade-articulismo-e-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ricardo Alexandre<\/a>, a campineira Linguachula \u00e9 uma daquelas bandas que, como tantas da new wave \u201coriginal\u201d dos EUA, entrou para a hist\u00f3ria como uma que foi mais comentada que ouvida. N\u00e3o que seu som n\u00e3o merecesse muitas audi\u00e7\u00f5es, mas, embora sua demo tape tenha circulado bastante, seu primeiro \u00e1lbum, de 1995, foi lan\u00e7ado pelo selo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/07\/05\/alguns-filmes-do-7%C2%BA-in-editbrasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Banguela<\/a> (de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/03\/25\/top-5-discos-carlos-eduardo-miranda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carlos Eduardo Miranda<\/a> e dos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/13\/entrevista-tony-belloto-fala-do-titas-trio-acustico\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tit\u00e3s<\/a>) j\u00e1 em seu crep\u00fasculo (e ainda in\u00e9dito em digital), e sua mistura de punk, p\u00f3s-punk e ritmos brasileiros n\u00e3o conseguiu ir muito al\u00e9m do circuito de shows do interior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Linguachula sempre era mencionada por seu ataque no palco, apresentando uma esp\u00e9cie de skate punk brazuca e de cabe\u00e7a aberta. Era, garantem os testemunhos da \u00e9poca, muito alto, suarento e direto. Mas os atrasos no lan\u00e7amento do disco e o encolhimento progressivo do circuito alternativo que realmente fazia as bandas circularem cobraram seu pre\u00e7o, e a banda interrompeu suas atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2018, por\u00e9m, o vocalista e guitarrista D\u00ea Ferro retomou o grupo com uma nova forma\u00e7\u00e3o. E agora, 25 anos depois da estreia, chega o segundo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/4lU25m5fSNH5zGeopsvsAA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Som da Quebrada para Quem Quer se Divertir<\/a>\u201d, lan\u00e7ado pela <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/03\/05\/leo-bigode-e-leo-razuk-falam-dos-20-anos-da-monstro-discos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Monstro Discos<\/a>, um disco que soa t\u00e3o pesado quanto seu antecessor, por\u00e9m se permitindo mais vagar (no primeiro \u00e1lbum, nenhuma can\u00e7\u00e3o ultrapassava os dois minutos de dura\u00e7\u00e3o), presen\u00e7as espirituais, e um universo l\u00edrico ainda mais conectado \u00e0s influ\u00eancias liter\u00e1rias do vocalista, sem deixar de lado o car\u00e1ter urbano, explicitado no t\u00edtulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por e-mail, D\u00ea Ferro faz a ponte entre a \u00e9poca que a banda surgiu e o momento presente, comenta a mudan\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o e o que isso muda no som do Linguachula.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linguachula - S\u00e3o Bento (videoclipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/G-kUt8se0Gc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 retornar aos est\u00fadios 25 anos depois? A ideia \u00e9 &#8220;retomar de onde parou&#8221; ou entender todas as mudan\u00e7as que vieram com o tempo e incorporar ao som?<\/strong><br \/>\nLinguachula voltou ao est\u00fadio com uma nova forma\u00e7\u00e3o. O amigo e produtor Caio Ribeiro, que produziu nosso primeiro \u00e1lbum, foi o idealizador dessa volta. No sentido de relacionamento com a cena, a sensa\u00e7\u00e3o que tenho \u00e9 que nossa carreira retomou do ponto de onde hav\u00edamos parado. Linguachula \u00e9 uma banda que n\u00e3o foi esquecida, pois foi bastante representativa e respeitada no rock underground dos anos 90. Hoje, ap\u00f3s tantas outras experi\u00eancias vividas, tanto na m\u00fasica como nas nossas trajet\u00f3rias pessoais, podemos explorar com mais maturidade as transforma\u00e7\u00f5es das \u00faltimas d\u00e9cadas. Nossa musicalidade, certamente, reflete isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sendo uma nova forma\u00e7\u00e3o, o que ela traz da &#8220;ess\u00eancia&#8221; da banda e o que ela traz de novo pro som de voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nEssa nova forma\u00e7\u00e3o tem muito da nossa ess\u00eancia. Campinas tem uma produ\u00e7\u00e3o intensa de bandas. O Victor (Coutinho, baixo) e o Adriano (Caetano, bateria) vieram dessa cena que gerou bandas incr\u00edveis. O Victor tocou e gravou com v\u00e1rias bandas, entre elas os Muzzarelas e o No Class. O Adriano \u00e9 ex-batera do Formigueiro, formada por dissidentes do Lucrezia Borgia, que era banda hist\u00f3rica da cidade, tamb\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o Juntatribo, e foi apresentado pelo Caio Ribeiro como sendo \u201cum dos melhores bateras da cidade\u201d e que tinha tudo a ver com o Linguachula. Victor e Adriano s\u00e3o da mesma cena que criou e recriou o Linguachula. O Victor, atrav\u00e9s de suas influ\u00eancias, contribuiu com arranjos e bases mel\u00f3dicas mais trabalhadas, o Adriano trouxe muita precis\u00e3o nas batidas e um swing particular, que \u00e9 uma extens\u00e3o do que o Lingua j\u00e1 fazia nos anos 90. E eu, integrante da forma\u00e7\u00e3o original, trouxe novas experi\u00eancia musicais e uma viv\u00eancia mais aprofundada nas artes, intensificando a liga\u00e7\u00e3o entre elas e o rock urbano que produzimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando o primeiro disco saiu, mercado e expectativas para ter uma banda eram muito diferentes. Imagino que a op\u00e7\u00e3o de gravar em um porta studio e fazer tudo em take \u00fanico j\u00e1 mostra que agora o entendimento do cen\u00e1rio e as expectativas s\u00e3o outras, certo?<\/strong><br \/>\nSim, quando nosso primeiro \u00e1lbum saiu t\u00ednhamos pouca experi\u00eancia em todos os sentidos e tivemos dificuldade em lidar com a visibilidade da banda e com o ass\u00e9dio das gravadoras e do mercado. Acredito que isso acabou fazendo com que a banda interrompesse suas atividades. Hoje, nosso prop\u00f3sito mant\u00e9m a mesma ess\u00eancia de quando come\u00e7amos: fazer arte, estarmos ativos e fazer um rock verdadeiro e engajado. Num mundo totalmente digital resgatamos a origem anal\u00f3gica do rock. Nossa busca \u00e9 por algo com consist\u00eancia art\u00edstica, que essa seja percebida tanto pelo nosso p\u00fablico como pelas pessoas que gostam de outras vertentes do rock.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A gera\u00e7\u00e3o Junta Tribo tem sido alvo de livros, document\u00e1rios&#8230; Voc\u00eas se sentem representados nessas paradas, ou sentem que esses filmes acabam enfocando em mais do mesmo?<\/strong><br \/>\nO Junta Tribo foi um marco no rock brasileiro e ter participado desse momento foi muito importante para o nosso trabalho. Nos sentimos representados sim, pois est\u00e1vamos l\u00e1 participando de tudo aquilo, inclusive tivemos o privil\u00e9gio de tocar nas duas edi\u00e7\u00f5es do festival. As produ\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito boas por manterem vivas essa lembran\u00e7a e esse momento \u00fanico do rock brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os festivais hoje t\u00eam um car\u00e1ter mais de &#8220;festa&#8221; e menos de apresentar bandas, at\u00e9 porque a tecnologia mudou a maneira de conhecer novos sons. Com isso, at\u00e9 temos mais festivais, com mais estrutura, mas sem esse car\u00e1ter marcante que os outros tinham. Voc\u00ea acha que agora, p\u00f3s-pandemia, os festivais podem voltar a ter uma relev\u00e2ncia que vai al\u00e9m da festa?<\/strong><br \/>\nAlguns festivais continuam com essa relev\u00e2ncia de apresentar trabalhos consistentes. O Bacafest, no Rio de Janeiro, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/08\/01\/a-programacao-do-goiania-noise-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Goi\u00e2nia Noise<\/a>, em Goi\u00e2nia e o Autorock, em Campinas, s\u00e3o exemplos de festivais que t\u00eam engajamento com a m\u00fasica e com o publico. Estivemos tocando neles e percebemos isso claramente. Existe um p\u00fablico significativo nesses encontros. Quem gosta de m\u00fasica e arte sabe que, no digital, \u00e9 poss\u00edvel conhecer apenas parte do trabalho de uma banda, o melhor jeito ainda \u00e9 o show ao vivo! E, nesse sentido, acredito que p\u00f3s pandemia, as pessoas continuar\u00e3o reunidas em torno das bandas que possuem conte\u00fado e qualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No primeiro disco, o projeto gr\u00e1fico j\u00e1 chamava aten\u00e7\u00e3o, mas agora existe todo um car\u00e1ter importante, com o trabalho desenvolvido com o Fabio de Bittencourt se tornando uma homenagem p\u00f3stuma. Queria que voc\u00eas contassem como se deu a rela\u00e7\u00e3o de voc\u00eas com o F\u00e1bio e porque esse aspecto das artes pl\u00e1sticas e do design recebe tanto cuidado nas obras de voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nF\u00e1bio de Bittencourt foi um grande amigo e refer\u00eancia para n\u00f3s, um artista pol\u00eamico que frequentava os shows de rock do underground e usava esse como refer\u00eancia na sua arte. Integrar as artes visuais ao nosso som \u00e9 um desafio e buscamos apresentar, al\u00e9m da sonoridade, uma est\u00e9tica que crie um ambiente que reforce o nosso discurso e a nossa musicalidade. Conheci o Fabinho nas festas no Instituto de Artes da Unicamp, no final dos anos 80. Seu esp\u00edrito de liberdade e sua criatividade intensa me chamaram a aten\u00e7\u00e3o e nos tornamos grandes amigos. O F\u00e1bio estava sempre presente em nossos shows e na cena underground, foi um artista polemico muito conhecido e respeitado na cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os anos 90 s\u00e3o lembrados como uma \u00e9poca na qual as bandas curtiam umas \u00e0s outras e eram colaborativas entre si. Era assim mesmo? E como est\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o e o olhar de voc\u00eas para outras bandas no cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nRealmente o esp\u00edrito colaborativo entre as bandas dos anos 90 era um diferencial marcante. Hoje ainda trilhamos e acreditamos nesse formato colaborativo. As bandas que vivem o rock underground continuam se ajudando e esse \u00e9 o caminho. Atualmente existem bandas incr\u00edveis e excelentes m\u00fasicos. Uma banda precisa ter conte\u00fado e autenticidade, estamos sempre atentos a isso e procurando dividir com elas nossa caminhada. Em nosso \u00e1lbum h\u00e1 v\u00e1rias participa\u00e7\u00f5es especiais de bandas ativas da cena atual. Ainda mantemos essa ess\u00eancia de prestigiar as bandas e sermos solid\u00e1rios, pois sabemos que estamos todos na mesma trilha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais bandas voc\u00ea destacaria entre as mais recentes? Alguma te impressiona, te parece muito fora da curva?<\/strong><br \/>\nGosto de conhecer bandas novas e estou sempre garimpando. Algumas me chamaram bastante aten\u00e7\u00e3o sim. A Blastfemme, do Rio de Janeiro \u00e9 uma delas e por esse motivo convidamos a vocalista, Daniele Vallejo, para participar do \u00e1lbum cantando a m\u00fasica \u201cSom de Quebrada\u201d. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/23\/faixa-a-faixa-alienigena-de-jonnata-doll-e-os-garotos-solventes-por-guizado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jonnata Doll e os Garotos Solventes<\/a> s\u00e3o uma super banda fora da curva com um trabalho incr\u00edvel. Molho Negro, Nicolas N\u00e3o Tem Banda, Wallacy Williams, Cheyenne Love, do Rio de Janeiro, essa banda \u00e9 incr\u00edvel! Daqui de Campinas, destaco Bong Brigade, Reptilian Kids, Bad Taste, Blowpipe. Tem muita gente boa fazendo musica com conte\u00fado e qualidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linguachula - Vale das sombras\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I59SCXBeSqE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CLUBE DE DAN\u00c7A (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wJpxMrnsTdI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linguachula - I wanna to go back to Bahia (Videoclipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QFuiwc8k9iw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Linguachula (Banguela, 1995) \u00c1lbum completo \/ full album\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/91pbINnxaeE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2018, o vocalista e guitarrista D\u00ea Ferro retomou o grupo com uma nova forma\u00e7\u00e3o. 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