{"id":56057,"date":"2020-05-11T03:06:06","date_gmt":"2020-05-11T06:06:06","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=56057"},"modified":"2020-06-15T01:23:21","modified_gmt":"2020-06-15T04:23:21","slug":"entrevista-david-pajo-slint-tortoise-zwan-papa-m-interpol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/11\/entrevista-david-pajo-slint-tortoise-zwan-papa-m-interpol\/","title":{"rendered":"Entrevista: David Pajo (Slint, Tortoise, Zwan)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais conhecido por seu trabalho seminal com o Slint, David Pajo possui um curr\u00edculo de dar inveja a qualquer um que goste de rock alternativo. A lista de artistas com quem o guitarrista norte-americano j\u00e1 tocou, seja como integrante fixo ou como convidado, inclui Tortoise, Zwan, Interpol e Yeah Yeah Yeahs, apenas para citar alguns.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, Pajo tamb\u00e9m possui uma extensa e prol\u00edfica carreira solo, que inclui mais de uma dezena de trabalhos, assinados como <a href=\"https:\/\/papam.bandcamp.com\/album\/scream-with-me\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pajo<\/a>, <a href=\"https:\/\/aerialm.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Aerial M<\/a> ou <a href=\"https:\/\/papa-m.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Papa M<\/a>. Foi com esse \u00faltimo projeto que o m\u00fasico esteve no Brasil em outubro de 2019, quando realizou dois shows, ambos em S\u00e3o Paulo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/10\/15\/balanco-10o-balaclava-fest-aposta-em-diversidade-e-mostra-nao-ter-medo-de-ousar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">como parte do Balaclava Festival<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita justamente durante essa passagem de David pela capital paulista, no hall do hotel em que ele estava hospedado, o guitarrista fala, entre outras coisas, sobre o Slint e a possibilidade de um novo disco da banda, seu amor pelo metal extremo, sua admira\u00e7\u00e3o por guitarristas virtuosos como Eddie Van Halen, como foi fazer uma turn\u00ea com o Danzig nos anos 1980, e os discos que mudaram a sua vida. Confira abaixo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Papa M - Live at The Mayan, DTLA 9\/8\/2019\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F8BOK7RMe_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como sou do Brasil, gostaria de saber se voc\u00ea conhece algum artista brasileiro.<\/strong><br \/>\nApenas os mais antigos e cl\u00e1ssicos, como Os Mutantes, Tom Z\u00e9 e Jo\u00e3o Gilberto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea tamb\u00e9m curtia bandas brasileiras de metal como Sepultura e Sarc\u00f3fago, por exemplo?<\/strong><br \/>\nAh sim, claro. E o Sepultura&#8230; mesmo quando eu n\u00e3o estava interessado, tipo virava meus olhos, eu os escutava mesmo quando dizia que n\u00e3o gostava de metal (risos). Sabe o que quero dizer? Tipo, eu ainda escuto Slayer. Mas isso \u00e9 especial, como o Sepultura. Eles eram diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre metal. Nos anos 1980, voc\u00ea tocou no Maurice, que era uma banda com um p\u00e9 no metal e que acabou se dividindo entre o Slint e o Kinghorse posteriormente, certo? Recentemente escutei a demo da banda que voc\u00eas fizeram para o Samhain, em 1985 \u2013 <a href=\"https:\/\/papam.bandcamp.com\/album\/the-first-shall-be-last\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">e que est\u00e1 dispon\u00edvel no Bandcamp<\/a>. Por isso, queria saber: voc\u00eas acabaram tocando com o Samhain nos EUA naquela \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s acabamos fazendo shows com o Samhain, em 1985, eu acho \u2013 ou 1986, n\u00e3o consigo lembrar qual ano. Abrimos os shows deles no meio-oeste dos Estados Unidos. E n\u00f3s \u00e9ramos todos muito jovens. Tenho muitas hist\u00f3rias, eles s\u00e3o meus her\u00f3is. Ainda amo o Misfits, mas prefiro o Samhain. Apenas porque era mais dark\/obscuro&#8230; Mas sim, n\u00f3s acabamos fazendo shows juntos e ele (Danzig) me mostrou&#8230; Porque n\u00f3s faz\u00edamos um cover de \u201cLast Caress\u201d em nossos shows \u2013 e isso foi antes do Metallica. E ele me mostrou a maneira certa de toc\u00e1-la. Tipo, eu estava sentado em um estacionamento e ele me mostrou. Foi muito legal, voc\u00ea sabe, ter o Glenn Danzig te mostrando como tocar \u201cLast Caress\u201d da maneira certa (risos). Mas sim, tenho muitas hist\u00f3rias dessa turn\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o sei se isso aconteceu, mas gostaria de saber qual foi a import\u00e2ncia do Maurice no seu desenvolvimento como m\u00fasico e, mais tarde, em criar o in\u00edcio do som que voc\u00eas acabariam tocando com o Slint?<\/strong><br \/>\nAh, totalmente. Tenho outras grava\u00e7\u00f5es que fizemos. E quero coloc\u00e1-las no Bandcamp, porque elas realmente mostram&#8230; Tipo, uma vez que voc\u00ea as ouvir vai entender a transi\u00e7\u00e3o do Maurice para o Slint. Porque as m\u00fasicas que est\u00e1vamos escrevendo estavam lentamente se tornando mais e mais parecidas com o Slint. At\u00e9 que o vocalista e o baixista tiveram de sair da banda, sabe? Porque eles estavam como&#8230; O vocalista estava como: \u201cEu nem consigo cantar nisso\u201d. Acabou virando algo em que muitas das m\u00fasicas, ou algumas das m\u00fasicas, n\u00e3o eram agressivas \u2013 ou tinham guitarras com som limpo. Mas sim, quero documentar essa transi\u00e7\u00e3o. Porque na demo voc\u00ea n\u00e3o consegue realmente escut\u00e1-la. \u00c0 medida que n\u00f3s mudamos, as novas m\u00fasicas se tornaram menos e menos pesadas. E ent\u00e3o eles sa\u00edram e montaram o Kinghorse, que acabou tendo um disco produzido pelo Danzig pela Caroline Records. E eu e o baterista (Britt Walford) formamos o Slint. N\u00f3s tomamos duas dire\u00e7\u00f5es bastante diferentes. Ent\u00e3o sim, voc\u00ea n\u00e3o consegue perceber a transi\u00e7\u00e3o pela demo, mas ela faz muito sentido quando voc\u00ea pode ouvir essas m\u00fasicas. Porque n\u00f3s ainda t\u00ednhamos m\u00fasicas pesadas, mas n\u00f3s meio que tiramos os \u201celementos thrash\u201d e entramos em uma abordagem mais lenta e pesada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea viveu por muito tempo em Louisville, Kentucky, certo? Pensa que as cidades em que viveu acabaram tendo algum tipo de influ\u00eancia na maneira como voc\u00ea toca ou v\u00ea a m\u00fasica? Seja em Louisville ou em Los Angeles, onde vive atualmente, por exemplo.<\/strong><br \/>\n100%. Porque Louisville \u00e9 realmente isolada, sabe? Mas sempre teve uma boa cena punk e uma boa cena musical. Tipo, eles tinham bandas punk nos anos 1970; eles tinham meio que uma cena mais art\u00edstica que era toda&#8230; Havia uma banda chamada <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ydA65nZNg4o\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Malignant Growth<\/a>, com a qual todos crescemos. Eles abriram para o Minor Threat algumas vezes. At\u00e9 hoje, eles s\u00e3o tipo a melhor banda de hardcore. Porque eles s\u00e3o incr\u00edveis pra cacete. H\u00e1 uma hist\u00f3ria de boa m\u00fasica (na cidade), mas \u00e9 algo realmente insular. Todos meio que suspeitam de forasteiros, de bandas de fora (risos). No sentido de que eles realmente apoiam as bandas locais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas ainda tem bandas muito boas na cidade (Louisville) at\u00e9 hoje, como Coliseum e Young Widows, por exemplo.<\/strong><br \/>\nSim, o <a href=\"http:\/\/Widows: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dgdv5JVJhHY\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" data-wplink-url-error=\"true\">Young Widows<\/a>. Penso que \u00e9 quase uma tradi\u00e7\u00e3o agora, em que sempre foi&#8230; pelo menos para as bandas boas&#8230; Tipo, quanto mais estranho voc\u00ea fosse, quanto mais voc\u00ea mesmo voc\u00ea fosse, melhor \u2013 e ent\u00e3o mais pessoas gostavam. Mas se voc\u00ea estivesse apenas meio que copiando o Black Sabbath e fosse algo realmente \u00f3bvio, ent\u00e3o voc\u00ea apenas seria motivo de risadas. Pelo menos dos meus amigos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea ainda fala com os caras do Slint? Voc\u00eas ainda t\u00eam um bom relacionamento?<\/strong><br \/>\nNos falamos por mensagens e ainda enviamos coisas engra\u00e7adas uns para os outros e tudo mais. Falo com eles pelo menos umas duas vezes por semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E todos ainda vivem no Kentucky?<\/strong><br \/>\nEles est\u00e3o todos em Louisville. O que meio que torna imposs\u00edvel para n\u00f3s fazermos m\u00fasica novamente (risos). Quero dizer, porque todos eles est\u00e3o l\u00e1 e tem vidas e fam\u00edlias e ent\u00e3o eu estou muito longe. Ent\u00e3o teria de ser algo pr\u00e9-planejado. N\u00e3o \u00e9 como quando \u00e9ramos jovens e t\u00ednhamos todo o tempo do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas j\u00e1 pensaram em fazer m\u00fasica nova juntos? Ou h\u00e1 um sentimento de apenas de deixar as coisas como est\u00e3o \u2013 quero dizer, voc\u00eas lan\u00e7aram um disco que todo mundo ama at\u00e9 hoje e ainda \u00e9 falado?<\/strong><br \/>\nFalamos sobre isso. Penso que na \u00faltima turn\u00ea, de 2014, falamos bastante sobre isso. Principalmente porque est\u00e1vamos comentando que n\u00e3o quer\u00edamos mais sair em turn\u00ea a n\u00e3o ser que tiv\u00e9ssemos material novo (risos). Tipo, o \u201cSpiderland\u201d (1991) tem apenas seis m\u00fasicas e o \u201cTweez\u201d (1989) nem isso. Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos uma grande sele\u00e7\u00e3o. Est\u00e1vamos apenas tocando essas faixas de novo e de novo. E penso que seria mais excitante tocar algo novo. Mas sei que n\u00e3o seria um \u201cSpiderland\u201d ou&#8230; nem sei como soaria. Sinto que com esse grupo de pessoas seria legal. E seria algo bom. Mas n\u00e3o sei como soaria. E acho que trabalhamos em algumas coisas, apenas um pouco, mas&#8230; \u00c9, seria preciso&#8230; n\u00f3s todos ter\u00edamos de nos comprometer com isso e fazer acontecer. Para que eu fosse para l\u00e1 por alguns meses e ensai\u00e1ssemos todos os dias \u2013 ou mudar para l\u00e1. Ent\u00e3o \u00e9, isso nunca realmente saiu do papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voltando um pouco ao metal. Recentemente, voc\u00ea fez uma turn\u00ea com o Papa M abrindo para o Sunn nos EUA. Al\u00e9m disso, voc\u00ea tocou no mais recente disco do Goatsnake, \u201cBlack Age Blues\u201d (2015), em que gravou a intro da primeira m\u00fasica (\u201cAnother River to Cross\u201d) \u2013 que ficou incr\u00edvel, por sinal. Por isso, queria saber se voc\u00ea j\u00e1 conhecia o Greg Anderson (Southern Lord, Sunn, Goatsnake) h\u00e1 bastante tempo? Voc\u00eas j\u00e1 eram amigos?<\/strong><br \/>\nEu sabia sobre eles. Acho que cruzamos caminhos quando ele era jovem \u2013 mas n\u00e3o me lembro muito bem. Ele se tornou um grande amigo. Quando o conheci, acho que por volta de 2005, durante uma turn\u00ea do Slint, apenas mantivemos contato. At\u00e9 fizemos tatuagens iguais do \u201cSpiderland\u201d \u2013 fomos juntos ao tatuador e fizemos as tatuagens juntos. Ent\u00e3o sim, ele \u00e9 um amigo muito pr\u00f3ximo. E agora o Stephen (O\u2019Malley, tamb\u00e9m do Sunn) tamb\u00e9m \u00e9, ap\u00f3s fazer essa turn\u00ea com eles. E adoro ficar fazendo perguntas pra eles, sabe? Tipo o Stephen com black metal&#8230; Eles conhecem tanto sobre m\u00fasica, ent\u00e3o podemos apenas ficar realmente sendo \u201cgeeks\u201d neste sentido (risos).<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-56069\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interpol.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interpol.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/interpol-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tocou com o Interpol e o Yeah Yeah Yeahs, duas das bandas mais importantes da ent\u00e3o chamada \u201cnova cena rock\u201d do in\u00edcio dos anos 2000, que tamb\u00e9m inclu\u00eda nomes como The Strokes e White Stripes. Por isso, queria saber sua opini\u00e3o sobre essa cena cerca de 20 anos depois?<\/strong><br \/>\nEu estava meio que ausente quando essa cena estava acontecendo. Vi o Interpol em uma das primeiras turn\u00eas deles e gostei, porque eles me lembravam&#8230; Sabe, o primeiro disco deles \u00e9 incr\u00edvel e era assim que eles soavam. E gostei muito deles. Mas penso que toda aquela onda de Nova York, da cena de Nova York, e o White Stripes e tudo mais, eu apenas estava em uma viagem diferente. De novo, acho que talvez eu seja um esnobe (risos). Mas eu apenas estava ouvindo m\u00fasica antiga, n\u00e3o estava ouvindo m\u00fasica atual. E lembro de escutar o Strokes e pensar algo como: \u201cAh, eu podia escutar o Lou Reed ou o Velvet Underground\u201d. Provavelmente n\u00e3o \u00e9 uma compara\u00e7\u00e3o justa, mas apenas sentia que eu estava mais&#8230; Tinha tanta m\u00fasica antiga que eu ainda n\u00e3o tinha descoberto que eu estava tipo \u201cN\u00e3o posso ser perturbado com coisas novas agora (risos)\u201d. Sabe o que quero dizer? Ent\u00e3o realmente n\u00e3o prestei aten\u00e7\u00e3o. E ent\u00e3o tocar com eles foi realmente legal porque pude aprender os detalhes das m\u00fasicas, o que h\u00e1 por tr\u00e1s, e a composi\u00e7\u00e3o. E agora me sinto um idiota de novo, por n\u00e3o apreciar na \u00e9poca. \u00c9 algo como \u201cPerdi tantos shows bons\u201d. Mas tamb\u00e9m vi muitos shows bons (risos). Todo mundo passa por fases com as suas m\u00fasicas. Penso que naquela \u00e9poca tamb\u00e9m estava voltando, sentia que tinha deixado passar coisas no metal, porque estava em outra viagem e aconteceu toda aquela cena death metal que perdi. Eu meio que conhecia black metal, gostava das bandas maiores, como Burzum, Darkthrone e tudo isso \u2013 e o Emperor tamb\u00e9m, com certeza. Mas n\u00e3o cheguei a explorar de verdade. Ent\u00e3o por volta do in\u00edcio dos anos 2000, eu queria voltar para isso. Eu estava apenas como \u201cUau, tenho todas essas m\u00fasicas para descobrir, perdi tudo isso\u201d. Ent\u00e3o sim, penso que essa cena, de Nova York, n\u00e3o era onde a minha cabe\u00e7a estava na \u00e9poca (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 lan\u00e7ou discos solos sob muitos nomes diferentes, como Aerial M, Papa M e tamb\u00e9m como David Pajo. Por isso, queria saber se isso te ajuda a meio que separar as ideias de um modo melhor quando est\u00e1 escrevendo, a meio que fazer mais sentido para esses projetos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 exatamente isso. Se eu sentisse que h\u00e1 uma boa chance&#8230; Tipo, se eu quisesse apenas delinear um per\u00edodo de tempo, h\u00e1 o som do Aerial M, que eu descreveria apenas como duas guitarras, baixo e bateria. Som instrumental, com afina\u00e7\u00e3o padr\u00e3o, plugado diretamente nos amplificadores, sem efeitos. Tipo, eu penso apenas \u201cO que voc\u00ea pode fazer com esse setup?\u201d. Esse era meio que o meu experimento. E ent\u00e3o com o Papa M \u00e9 mais algo do tipo \u201cVamos tentar&#8230; vamos fazer sons estranhos. Vamos tentar qualquer coisa\u201d. Tipo, um som meio que \u201cqualquer coisa vale\u201d. Ent\u00e3o eu senti que isso n\u00e3o&#8230; que tinha de ser um novo nome, porque era diferente do Aerial M e eu estava usando afina\u00e7\u00f5es diferentes. \u00c9, apenas parecia que o lance do \u201cM\u201d era apenas\u2026 voc\u00ea sabe, h\u00e1 sempre uma linha. E essa \u00e9 a linha. Mas acho que recentemente senti que meio que voltei para o modelo do Papa M. E apenas queria fazer m\u00fasica instrumental. Tipo, ainda n\u00e3o terminei com as afina\u00e7\u00f5es e coisas estranhas, sabe (risos)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal! Ali\u00e1s, voc\u00ea cantou muito bem no show de sexta-feira com o Papa M em S\u00e3o Paulo (no Breve).<\/strong><br \/>\nAh, obrigado! Deus! A minha voz mudou ao longo dos anos. Sinto que costumava ter uma voz meio doce, inocente. E agora \u00e9 apenas algo como \u201cwhisky e cigarros\u201d (risos) \u2013 (nota: neste momento, David faz meio que uma voz mais grossa, de forma engra\u00e7ada). \u00c9 um latido (risos). E eu tive uma tentativa de suic\u00eddio que ferrou o meu pesco\u00e7o. Tenho uma cicatriz e tudo mais, \u00e9 por isso que tenho essa tatuagem cobrindo tudo. Mas isso tamb\u00e9m mudou a minha voz, ent\u00e3o sou realmente hesitante em cantar. Mas fiquei feliz que voc\u00ea disse isso, porque, na verdade, essa foi a primeira vez que fiz isso ao vivo, com essa nova voz (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre o show de ontem (no Breve). Uma das coisas que mais me chamaram a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que, mesmo voc\u00ea tocando algo mais experimental, com arpejos e tudo mais, h\u00e1 sempre um tipo de simplicidade nas m\u00fasicas. Isso \u00e9 algo que voc\u00ea faz de forma consciente \u2013 digo, buscar isso quando est\u00e1 compondo\/tocando?<\/strong><br \/>\nCom certeza. Porque estou meio que voltando ao lance da virtuose&#8230; mais uma vez (risos). Porque quando comecei a tocar, aprendi todos os solos do Eddie Van Halen, aprendi \u2013 ou tentei aprender \u2013 o m\u00e1ximo que consegui do primeiro disco do Rising Force (Yngwie Malmsteen). E isso era tudo que eu fazia quando era crian\u00e7a, apenas sentar l\u00e1 e ficar tocando de forma virtuosa. E acho que, uma vez que o Maurice come\u00e7ou a mudar, eu entrei em algo como&#8230; quase \u201canti-tocar guitarra\u201d, \u201canti-virtuosismo\u201d. Algo do tipo \u201cO que eu poderia fazer com apenas uma nota?\u201d. Apenas tornar as coisas t\u00e3o simples quanto poss\u00edvel. E, na verdade, \u00e9 mais dif\u00edcil para mim. Tipo, h\u00e1 uma parte em \u201cGood Morning, Captain\u201d (do Slint), em que a m\u00fasica para e ficam apenas uns harm\u00f4nicos, e eu sabia tudo de cor, de tr\u00e1s para frente. Mas preciso tocar essa parte de maneira muito igual, o espa\u00e7o entre as notas \u00e9 muito importante e a velocidade com que eu movo os dedos para frente&#8230; Tipo, exige toda a minha concentra\u00e7\u00e3o (risos). Mas com os lances mais virtuosos voc\u00ea pode quase desligar o seu c\u00e9rebro, uma vez que tenha praticado o bastante \u2013 ent\u00e3o voc\u00ea apenas corre as escalas para cima e para baixo. E isso exigiu muito mais&#8230; Eu percebi que, para mim, \u00e9 algo do tipo: quanto mais simples, mais dif\u00edcil \u2013 ou mais focado. Ent\u00e3o sim, penso que no Slint eu tinha essa abordagem, em que eu n\u00e3o queria tocar&#8230; N\u00e3o apenas eu n\u00e3o queria tocar de forma virtuosa, mas n\u00e3o queria tocar a guitarra como uma guitarra. Ent\u00e3o fa\u00e7o coisas como palhetar atr\u00e1s das notas nos trastes, usar harm\u00f4nicos sempre que poss\u00edvel, ou apenas tocar uma nota no riff todo ou algo assim \u2013 uso muito cordas soltas. N\u00f3s t\u00ednhamos uma m\u00fasica que, quando era tocada ao vivo, n\u00f3s apenas bat\u00edamos nas guitarras e esse era&#8230; Eu s\u00f3 queria fazer coisas desse tipo, ser o oposto do Eddie Van Halen (risos). Que eu ainda amo, ali\u00e1s. Adoro todos os guitarristas virtuosos. Acho que \u00e9 uma parte t\u00e3o grande de como eu toco hoje em dia que apenas nem percebo que \u00e9 simples, sabe (risos)?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso \u00e9 algo que sempre gosto de perguntar. Por favor, me diga tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nAh, putz. Quero dizer, o \u201cOut ot Step\u201d (1983), do Minor Threat, com certeza. Sinto que se disser qualquer coisa vou acabar esquecendo outros discos importantes. O primeiro disco do Van Halen tamb\u00e9m foi importante. Esses dois s\u00e3o discos de rock, mas acho que diria esses dois. E tamb\u00e9m o \u201cIt\u00b4s Alive\u201d (1979), do Ramones. Acho que seriam esses dois, pelo menos para aquelas \u00e9pocas, mas isso n\u00e3o quer dizer que ainda os escuto hoje em dia. Provavelmente apenas por causa das mem\u00f3rias, mas apenas os ouvi demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Do que tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nTenho orgulho do Slint, certamente. Sabe pelo que sou muito agradecido? N\u00e3o \u00e9 tanto que eu n\u00e3o ligava para o que as outras pessoas pensavam, mas eu&#8230; E percebi isso porque estou morando em Los Angeles&#8230; e ver todas essas pessoas ambiciosas que est\u00e3o tentando ficar famosas com a m\u00fasica e tudo mais. N\u00e3o apenas eu nunca tive essa vontade, mas n\u00e3o me importava realmente se algo estava na moda ou era legal. Apenas gostava do que gostava. Quando era moleque, lembro de roubar o disco \u201cBlack Metal\u201d (1982), do Venom. Eu n\u00e3o tinha dinheiro, ent\u00e3o apenas os roubava (risos). Tamb\u00e9m tinha uns EPs do Mercyful Fate e coisas do tipo. N\u00e3o conhecia ningu\u00e9m que gostasse dessas coisas, mas eu adorava. Sinto que durante toda a minha vida nunca tive problema em apenas ser eu mesmo e meio que gostar do que eu gostava \u2013 sem ligar para o que as outras pessoas pensam. E sou muito agradecido por isso, porque sinto que h\u00e1 uma cultura agora que \u00e9 muito autoconsciente, em que voc\u00ea precisa saber que algo \u00e9 legal antes de as outras pessoas descobrirem. E para o bem e para o mal, apenas sempre fui eu mesmo (risos). Em uma \u00e9poca em que a m\u00fasica agressiva era algo realmente legal e parte da cultura underground, o Slint estava ficando mais e mais calmo e tocando de forma mais e mais mel\u00f3dica. E n\u00e3o era algo legal naquela \u00e9poca para a maior parte do mundo, mas o nosso pequeno grupo de pessoas gostava. Sinto que apenas n\u00e3o nos import\u00e1vamos, est\u00e1vamos fazendo aquilo porque nos deixava felizes, e penso que isso \u00e9&#8230; Ent\u00e3o sou agradecido por apenas&#8230; N\u00e3o sei se h\u00e1 uma coisa espec\u00edfica da qual tenho orgulho, mas apenas tenho orgulho de&#8230; E nem sei se orgulho \u00e9 a palavra certa, mas apenas sou feliz de sempre ter feito o meu lance, n\u00e3o importando se fosse legal ou n\u00e3o. E muitas vezes era realmente brega (risos). Voc\u00ea precisa fazer o que quer que seja legal para voc\u00ea, que te deixe animado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Goatsnake - Another river to cross\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-89xJ7YCOa8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interpol Live At HMH Amsterdam 21.11.2010\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lGQf3US2a_Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Slint &quot;Good Morning, Captain&quot; @ Primavera Sound 2014\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-AYigmkvHF4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"David Pajo with Yeah Yeah Yeahs Letterman (2013\/04\/05)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/c2KT6ARPb8c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zwan - Honestly (Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NLPgz9K4D20?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a> \u00e9 autor dos livros &#8220;N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA&#8221; e &#8220;N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo&#8221;, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a <a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o <a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a> e a <a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"David fala, entre outras coisas, sobre o Slint e a possibilidade de um novo disco da banda, seu amor pelo metal extremo, sua admira\u00e7\u00e3o por guitarristas virtuosos como Eddie Van Halen, como foi fazer uma turn\u00ea com o Danzig nos anos 1980, e os discos que mudaram a sua vida.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/05\/11\/entrevista-david-pajo-slint-tortoise-zwan-papa-m-interpol\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":56059,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4414,4413,4079,4415],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56057"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56057"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56354,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56057\/revisions\/56354"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56059"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}